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I Internacional deixa mensagem para crises no Brasil e Europa

Jornal GGN – Centenas de anos se passaram desde que pipocaram as primeiras teorias sobre o futuro do capitalismo. O sistema atravessou séculos, entrou na era da globalização e arrumou seu próprio meio de sobrevivência, mas não sem despertar inúmeras contradições e tensões entre agentes sociais.

A crise internacional de 2008 e seus desdobramentos – mais visíveis nas principais economias do mundo – colocou em pauta a necessidade de repensar a forma como os trabalhadores se organizam por demandas nesse sistema, a exemplo do que a classe operária fez nos idos de 1860, com ajuda de pensadores como Karl Marx, um dos grandes responsáveis pela formação da primeira Associação Internacional de Trabalhadores.

Em entrevista ao Jornal GGN, o cientista político italiano Marcello Musto – que organizou um livro lançado recentemente por ocasião dos 150 anos da I Internacional (leia mais no link abaixo) – avaliou que a crise de representatividade que o Brasil e a Europa vivem hoje passa por mudanças na forma de organização política e social. O assunto, na visão dele, poderia ser discutido de maneira mais aprofundada se a geração atual tivesse memória do que foi a I Internacional.

Ao contrário disso, o que o especialista destacou é que há um esvaziamento do papel dos partidos políticos (todos, de direita à esquerda, são colocados no mesmo bolo, de modo que a sociedade não acha que vale a pena aderir a um lado), ao mesmo passo em que os movimentos sociais estão divididos, embora a tecnologia da informação (principalmente a internet) dê a ilusão de que tudo pode ser conquistado se a massa se organizar. Ele também disparou contra a pouca capacidade crítica da população, que não busca ativamente alternativas ao sistema vigente ou a outros problemas atuais.

Apesar de o Brasil ter assistido em junho de 2013 a uma série de protestos por mais direitos sociais, Marcello Musto acredita que nem este ato e tampouco outros que aconteceram ao redor do mundo – inclusive na Europa, em função dos altos índices de desemprego – são sinais de que as massas se conscientizaram e podem ser unificadas, como aconteceu na Internacional.

“Essa não é uma herança da Internacional, porque nos últimos 30 anos, sobretudo com a geração dos que agora estão na universidade, foi cortada a memória [do que foi aquela luta contra o capitalismo explorador, pela emancipação dos trabalhadores e mais direitos]. Não há memória”, ponderou. “[Essas manifestações] Surgem porque hoje as contradições do capitalismo existem. (…) O capitalismo é global e mais agressivo com a crise. E essas contradições produziram algumas manifestações.”

“As mais interessantes e positivas foram as manifestações onde havia uma clara plataforma de justiça social de esquerda. Em outros países, essa condição antipolitica – direita e esquerda não têm diferença – abriu a porta para grupos políticos de extrema direita, em toda a Europa. E isso cria uma condição de perigo enorme. Porque numa sociedade que tem a tecnocracia burocrática dirigindo a economia, a austeridade é o segundo modelo. A cada semana a Europa está em condições piores.”

O legado da I Internacional

Questionado sobre qual é o legado que a I Internacional deixa para a sociedade atual, Musto afirmou que seria, primeiro, a discussão sobre a perspectiva transnacional de organização. “Entender que sua vida não vai melhorar se está fechado em seu Facebook ou em seu jardim. E teu país, se tem um crescimento, mas está acontecendo uma guerra no Mediterrâneo, (…) hoje está bem, mas amanhã o problema vai tocá-lo também. Como aconteceu com a crise de 2008.”

“A outra questão é essa da participação [social ativa], que é fundamental, e essa é a mensagem central da Internacional. Os trabalhadores têm que se preocupar, tem que fazer política, os jovens tem que observar o mundo e questioná-lo criticamente. E nesses documentos [da antologia sobre a I Internacional] há muitas coisas que ajudam nesse sentido, porque atuam radicalmente contra essa sociedade.”

A mensagem central, entretanto, é que o capitalismo, “mais do que a 150 anos atrás”, merece avaliação. “Porque lutar por algumas reformas na sociedade é muito importante, mas se sua posição na sociedade não muda… A mensagem forte da Internacional é que os trabalhadores tem que lutar contra o capitalismo, contra esse sistema de exploração de homens sobre outros. Essa é a mensagem de emancipação que está atual e sempre será atual até que a sociedade se organize com o modo de produção capitalista.”

A internet e a ilusão dos partidos horizontais

Indagado sobre a função da internet como propulsora ou canalizadora de insatisfações e demandas que movimentam as massas, Marcello Musto ressaltou que não gostaria de falar contra a militância na rede, mas observou que talvez a crise de representatividade que muitos países vivem hoje passe pelas mudanças na forma de organização social e política.

Ele argumentou que nos últimos anos os partidos políticos, por exemplo, foram atacados principalmente pelo excesso de burocratização. E a solução apresentada para isso seria tornar a direção das legendas mais horizontais, para garantir melhor acesso e participação a todos. Em tese, era isso, e a internet seria um canal de comunicação providencial. Mas na prática, segundo Musto, a Itália foi um dos países que assistiram à criação de partidos “horizontais” que, por trás dos panos, eram capitaneados por uns poucos endinheirados. Ou seja, o que existe, na prática, é manipulação das massas.

Musto avaliou que o poder de organização da I Internacional aparentemente supera esse modo atual de ver e fazer política nas redes. O diferencial, no caso da Internacional, era justamente a existência (e não negação) de diretrizes pré-estabelecidas e cabeças que fizessem o organismo caminhar no sentido indicado pelos diversos movimentos sociais.

” Na Internacional, existia uma participação autêntica. E essa é a forma que penso, ou seja, não precisamos retomar ao que existia antigamente, mas sim voltar a uma ideia de organização politica complexa. Não como na web, onde ‘somos todos iguais’, mas depois são sempre 5, 6 mil pessoas que votam e tomam decisões, e as tomam porque o chefe que tem milhões de euros para organizar a publicidade disse para tomar.”

“A Internacional teve mais de 150 mil trabalhadores que construíram as lutas. E esse modelo de participação política é uma mensagem para a crise que temos hoje, no Brasil e na Europa, uma crise de participação política. Isso me parece de uma atualidade enorme, extrema!”

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Os 150 anos da I Internacional e as discussões não superadas

Jornal GGN – A Associação Internacional dos Trabalhadores, referência histórica para o movimento operário, completou em setembro passado 150 anos. As entidades que fundaram a AIT diferiam muito entre si, mas se reconheciam em teorias e tendências que brotaram da cabeça de figuras como o comunista Karl Marx e o anarquista Mikhail Bakunin.

Os frutos dos anos de trabalho da I Internacional ficaram registrados em milhares de páginas que foram analisadas e reunidas no livro “Trabalhadores uni-vos! Antologia política da I Internacional”, lançado em meados de outubro em diversas línguas, inclusive em português.

O cientista político italiano Marcello Musto, organizador do livro e professor de Teoria Sociológica da York University (Canadá), falou com exclusividade ao GGN sobre a obra publicada pela editora Boitempo. Segundo ele, sua particularidade reside na opção por uma antologia inteligível até para jovens apenas interessados em aprimorar a própria formação política, mas principalmente pela relação que o conteúdo produzido nos idos de 1860 ainda guarda com o mundo atual.

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Morgana Gomes, Boitempo

Entrevista de Marcello Musto a Morgana Gomes

O slogan que finaliza a mensagem inaugural da I Internacional e que fora escrito por Karl Marx, 150 anos depois, mantém-se atual no que refere as reivindicações dos trabalhadores inseridos no processo de globalização em todas as partes do mundo

No dia 28 de setembro de 1864, cerca de duas mil pessoas se reuniram no salão do St. Martin’s Hall, em Londres, para assistir a um comício de dirigentes sindicais ingleses que, em parceria com um pequeno grupo de franceses, fundaram a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT).

Estabelecia-se, assim, a primeira tentativa de organizar os trabalhadores de todas as partes do mundo e a Inglaterra tinha um contexto próprio para sediar tal evento, pois havia sido o berço da Revolução Industrial e as condições de vida de seus trabalhadores eram péssimas, tanto que, além da exploração de mão de obra, inclusive infantil, famílias inteiras aglomeravam-se em lugares lúgubres, onde conviviam com a pobreza extrema e doenças contagiosas que minavam as forças dos operários, que ainda tinham que enfrentar uma jornada de trabalho que, ao dia, extrapolava mais que 14 horas em troca de um salário ínfimo.

Em virtude de tais condições, os trabalhadores que, na ocasião, encontravam-se na capital inglesa, não tinham a pretensão de construir um fórum internacional de debates sobre os problemas que os atingiam, muito menos de criar uma organização que coordenasse a luta política de toda a classe. Mas a convergência dos fatos possibilitou o surgimento da I Internacional que, apesar do curto período de existência, passado 150 anos de sua fundação, ainda é capaz de inspirar e até direcionar os trabalhadores atuais em sua luta diária, dessa vez, em meio a um cenário que, agora, também conta com a globalização, processo que modifica de modo intensivo tanto das formas de trabalho quanto de produção em benefício único do capitalismo e das classes dominantes.

Mas, para entender todo esse processo que começou em setembro de 1864 e, ainda hoje, graças as suas próprias características, mantém-se atual, entrevistamos o cientista político Marcello Musto, que se dedica a estudos de marxismo, história do pensamento político, filosofia moderna e história do movimento trabalhista. Como organizador do livro “Trabalhadores, uni-nos! Antologia Política da I Internacional”, recém lançado no Brasil e que, entre seus 80 textos, traz 69 que são inéditos em português, ele esmiúça detatas e anarquistas, todas com seus respectivos representantes mesmo que em diferentes graus de atuação. No entanto, as concepções de cada grupo e o espaço ocupado por eles na organização foram mudando com o passar dos anos. A greve como instrumento de pressão, por exemplo, de início, dividiu a associação, pois os franceses e os alemães do Partido Social-Democrata eram contra essa alternativa. Mas, a partir de 1866, com a multiplicação das paralisações em diversos países europeus e o sucesso alcançado por elas, todas as tendências da Internacional se convenceram de que se tratava de um recurso fundamental.

“Além disso, ele [Karl Marx] também previu a natureza da economia mundial no início do século 21, com base na sociedade burguesa de 150 anos atrás, fato que explica porque ele vem sendo redescoberto pelos estudiosos e capitalistas”

O envolvimento dos trabalhadores no jogo político, ao longo do tempo, também sofreu mudanças significativas, apesar de muitas correntes serem contra, devido à crença que a batalha deveria se restringir a melhorias das condições econômicas e sociais. Contudo, devido a Comuna de Paris em 1871 e o ensaio de uma democracia operária que durou 40 dias, houve um consenso sobre a necessidade de se encontrar formas de organização política. Em todo esse processo Karl Marx teve um papel central. Embora nunca tenha sido um mobilizador das massas, ele fundamentou teoricamente a I Internacional, mesmo participando de apenas um dos seus vários congressos. Quanto ao pouco tempo de duração da AIT, apesar de muitos acreditarem que seu fim teve uma relação com a rixa pessoal de Marx e Mikhail Bakunin, há diversos outros fatores. Entre eles destaco a repressão à Comuna de Paris em 1871, que deixou cerca de 20 mil mortos; o fortalecimento do Estado-nação com a unificação da Alemanha e da Itália; o próprio congresso da associação realizado em Haia, em 1872, que é descrito como um verdadeiro caos; a transferência, após o congresso da Holanda, da sede da AIT para Nova Iorque em 1872, fato que inquestionavelmente provocou seu esvaziamento; o afastamento de Marx; e a expansão da Internacional para a Espanha e outros países cuja estrutura econômica e social era muito diferente da Inglaterra e da França. Tudo isso, desestabilizou a organização que, desde o início, vivia um equilíbrio delicado, em decorrência das disputas políticas. De qualquer forma, seus poucos anos de existência, serviram de modelo e inspiração para as principais organizações operárias que surgiram depois, já com um programa socialista, que se espalharam pela Europa e, em seguida, pelos mais diversos cantos do mundo para, então, construir novas formas de coordenação supranacionais, com base nos ensinamentos da AIT.

“No momento em que o mundo do trabalho voltou a sofrer explorações semelhantes às do século 19, o projeto da I Internacional retorna com uma extraordinária atualidade, pois ele se tornou mais indispensável que nunca”

LH – O senhor citou a importância de Karl Marx para a I Internacional, mas tanto ele quanto a sua respectiva obra, foram relegados a um segundo plano por um bom tempo. Contudo, com a proximidade dos 150 anos da AIT, ambos voltaram a despertar o interesse, principalmente no meio acadêmico. Por quê?

Musto – Porque, no caso da AIT, formada por diferentes entidades, como sindicatos ingleses, mutualistas franceses, comunistas, exilados democráticos, inúmeros grupos de trabalhadores que se reconheciam em teorias utópicas e anarquistas de Bakunin, Karl Marx teve o dom de conciliar aquilo que parecia inconciliável, com um programa político não excludente, embora firmemente classista, como garantia de um movimento que ambicionava ser de massas, e não sectário. No entanto, eu gostaria de ressaltar que Marx não foi fundador da AIT, como muitos acreditam. Ele esteve na Assembleia realizada no St. Martin’s Hall, mas como personagem mudo. Contudo, reconheceu a potencialidade do evento e pôs-se a trabalhar para o êxito da associação, após ser nomeado, graças ao prestigio que tinha, entre os 34 membros do Comitê Diretor Provisório. Coube-lhe, então, redigir a Mensagem Inaugural e os Estatutos provisórios da Internacional. A partir daí, enquanto valorizava as melhores ideias dos membros da associação, ele ainda eliminava inclinações corporativas e acentos sectários, para consolidar tanto a luta econômica e política quanto a escolha do pensar e do agir em escala internacional. Por conseguinte, a AIT tornou-se um órgão de síntese política presente nos diversos contextos nacionais. Durante esse processo, Marx foi impulsionado a ir além da política econômica, desenvolver ideias e revisá-las, questionar velhas certezas, explorar novas questões e elaborar, de forma mais concreta, sua própria crítica ao capitalismo em termos de definições de sociedade comunista. Além disso, ele também previu a natureza da economia mundial no início do século 21, com base na sociedade burguesa de 150 anos atrás, fato que explica porque ele vem sendo redescoberto pelos estudiosos e capitalistas do setor financeiro globalizado, que lidam com as constantes instabilidades da economia.

“Em todas as situações em que se comete uma injustiça no trabalho e cada vez que um direito é ferido, germina a semente da nova Internacional”

LH – Hoje, o trabalhador de um modo geral tem consciência que a legislação e a exploração de sua mão de obra são semelhantes àquelas praticadas no século 19?

Musto – Alguns sim, mas as demandas são mais sociais. Porém, Marx já dizia que a emancipação da classe operária exigia um processo longo e fatigante. Embora a AIT tenha imprimido na consciência dos proletários a convicção de que a emancipação do trabalho do jugo do capital não podia ser obtida nos limites de um único país, pois era uma questão global, ela ainda conseguiu difundir entre os trabalhadores a consciência de que sua escravidão só teria fim com a superação do modo de produção capitalista e do trabalho assalariado, uma vez que as melhorias no interior do sistema vigente, ainda que devessem ser almejadas, não modificariam sua condição estrutural. Hoje a situação é outra, pois, ao mesmo tempo em que a globalização neoliberal enfraqueceu os movimentos dos trabalhadores, ela também abriu novas possibilidades de comunicação, facilitando a cooperação e a solidariedade. Com a recente crise do capitalismo, que aprofundou ainda mais a divisão entre capital e trabalho, o legado da I Internacional se mostra bem relevante, principalmente na América do Sul, onde o povo se uni em nome da solidariedade que, por sua vez, mostra-se contra a barbárie mundial, os desastres ecológicos resultantes do modo de produção atual, o abismo que separa as riquezas de um minoria de exploradores dos extremos enfrentados pela grande maioria da população mundial, a opressão de gêneros, previsões de guerra, racismo etc. Todos esses fatores impõem ao movimento operário contemporâneo a reorganização urgencial, que se apoia em duas características da Internacional, que são a radicalidade dos objetivos a perseguir e a forma poliédrica de sua estrutura.

“Uma das principais características da associação [AIT] foi a capacidade de aglutinar correntes políticas distintas e até antagônicas, que abrangiam desde reformistas a revolucionários, até social-democratas, mutualistas e anarquistas”

LH – Quais são suas considerações finais sobre o tema e a situação atual, incluindo a vivenciada no Brasil, de um modo geral?

Musto – Há 150 anos, a primeira tentativa de união dos trabalhadores do mundo, levou os operários a compreender que sua emancipação só podia ser conquistada por eles mesmos e por sua capacidade de organizar-se. Portanto, ela nunca poderia ser transferida a terceiros. Porém, hoje, existe um grande abismo que separa as esperanças daquele tempo e a desesperança atual, a determinação antissistêmicas daquelas lutas e a servidão ideológica contemporânea, a solidariedade construída por aquele movimento esporádico e o individualismo do nosso tempo, produto da competição de mercado e das privatizações, a paixão pela política dos trabalhadores que se reuniam em Londres, em 1864, e a resignação e a apatia imperantes na atualidade. Contudo, diante dessas contradições, no momento em que o mundo do trabalho voltou a sofrer explorações semelhantes ao do século 19, o projeto da I Internacional retorna com uma extraordinária atualidade, pois ele se tornou mais indispensável que nunca. Mas para estar à altura do presente, a nova Internacional ainda deverá atender a dois requisitos básicos: a pluralidade e o anticapitalismo.

Trabalhadores, uni-nos! Antologia política da I Internacional

A obra organizada pelo cientista político Marcello Musto, além de celebrar os 150 anos da fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), símbolo inquestionável da luta de classes que, por sua vez, influenciou as ideias de milhões de trabalhadores ao redor do planeta, ainda oferece uma importante oportunidade de compreender suas resoluções e aprender com as experiências de seus protagonistas, para repensar os problemas do presente.

Com textos inéditos, cuidadosamente selecionados e traduzidos, ela configura um arquivo de valor inestimável para a história e a teoria do movimento dos trabalhadores, bem como para a crítica do capitalismo. Dividida em três eixos fundamentais – desenho econômico e político organizativo da futura sociedade projetado pelos protagonistas da AIT; questões internacionais no conturbado contexto europeu das décadas de 1860 e 1870, marcado por guerras de libertação nacional e movimentos insurrecionais (Irlanda e Polônia), de guerra civil (Estados Unidos), de guerra entre nações (franco-prussiana) e da primeira revolução proletária (Comuna de Paris); e a questão política, das suas formas, do debate entre a luta política versus abstencionismo, e do fim do Estado –, além de uma extensa introdução crítica do organizador, que apresenta e contextualiza as diferentes vertentes e resoluções que estavam em jogo, a obra ainda aborda outros temas de relevância, como as questões de organização e forma da luta sindical, crédito, cooperativismo, propriedade coletiva, a questão fundiária, sobre o direito ou abolição de herança, internacionalismo e nacionalismo, enquanto desintoxica, oxigena e municia corações e mentes para a compreensão e o enfrentamento das mazelas do presente e dos desafios futuros do mundo do trabalho.

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Alfonso M. Iacono, Il Tirreno

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La Asociación Internacional de Trabajadores. A 150 años de su fundación

1. El inicio del camino
El 28 de septiembre de 1864, la sala del St. Martin’s Hall, un edificio situado en el corazón de Londres, estaba repleta de gente. A llenarla, habían concurrido alrededor de 2.000 trabajadores y trabajadoras, para escuchar el comicio de algunos dirigentes sindicales ingleses y de un pequeño grupo de obreros del continente.
Los organizadores de tal iniciativa no imaginaban lo que esta, a partir de ese momento, habría de generar en breve generado. Ellos aspiraban a la construcción de un lugar de discusión internacional en el cual fuese posible examinar las principales problemáticas relacionadas con los trabajadores. No consideraron la hipótesis de fundar una organización verdadera y propia, como instrumento de coordinación de la iniciativa sindical y política de la clase obrera. Igualmente, su ideología fue marcada en el comienzo más por reclamos ético-humanitarios, como la igualdad entre los pueblos y la paz mundial, que por el conflicto entre clases y por objetivos políticos concretos. No obstante, a partir de ella se conformó el punto de referencia para todas las organizaciones sucesivas del movimiento obrero, en el cual tanto los reformistas como los revolucionarios se sentirían inmediatamente representados: la Asociación Internacional de los Trabajadores.

En un lapso breve de tiempo, suscitó pasiones en toda Europa. Hizo de la solidaridad de clase un ideal compartido y despertó las conciencias de una gran masa de mujeres y hombres. Gracias a la Internacional, el movimiento obrero pudo comprender con mayor claridad los mecanismos de funcionamiento del modo de producción capitalista, pudo adquirir mayor conciencia de su propia fuerza y logró desarrollar nuevas y más avanzadas formas de lucha. Como contrapartida, en las clases dominantes, la noticia sobre la fundación de la Internacional provocó horror. El pensamiento acerca de la posibilidad de que también los obreros reclamaran un papel activo en la historia generó disgusto y fueron numerosos los gobiernos que invocaron su eliminación y que la persiguieron con todos los medios de los que podían disponer.
Las organizaciones obreras que fundaron la Internacional eran muy diferentes entre sí. El centro motor fue el sindicalismo inglés. Y sus dirigentes, casi todos reformistas, estaban interesados sobre todo en cuestiones de carácter económico. Luchaban por la mejora de las condiciones de los trabajadores sin poner en discusión el capitalismo. Por lo tanto, concibieron la Internacional como un instrumento que podía colaborar en la consecución de su objetivo, impidiendo la importación de mano de obra externa durante las huelgas.
Otra rama significativa de la organización, por mucho tiempo dominante en Francia, fue la de los mutualistas. Seguidores de las teorías de Pierre-Joseph Proudhon, se oponían a cualquier tipo de participación política y estaban en contra de la huelga como instrumento de lucha. Defensores de un sistema cooperativo sobre una base federal, sostenían que era posible modificar el capitalismo mediante un acceso equitativo al crédito. Por estas razones, representaron el ala derecha de la Internacional.
Junto a estas dos tendencias, númericamente mayoritarias, el tercer grupo, por orden de importancia, eran los comunistas, reunidos alrededor de la figura de Karl Marx, y activos, con pequeñas agrupaciones en una esfera de influencia muy circunscripta, en algunas ciudades alemanas o suizas, así como en Londres. Anticapitalistas, se oponían al sistema de producción existente y reivindicaban la necesidad de la acción política para revertirlo.
Entre las filas de la Internacional, en el momento de su fundación, había también otros componentes que no mantenían relación alguna con la tradición socialista. Entre ellos estaban algunos núcleos de exiliados de los países del este de Europa, inspirados por concepiones vagamente democráticas, y los partidarios del pensamiento interclasista de Giuseppe Mazzini. Completaban el cuadro de la organización, generando un equilibrio aún más complejo, los diversos grupos de trabajadores franceses, belgas y suizos que adhirieron a la Internacional aportando las teorías más diferentes y confusas, entre ellas algunas inspiradas en el utopismo.
La empresa política que logró hacer convivir todas estas almas en la misma organización y, además, con un programa muy distante de las posturas iniciales de cada una de ellas, fue indiscutiblemente obra de Marx. Sus dotes políticas le permitieron conciliar lo que parecía inconciliable y le aseguraron un futuro a la Internacional, la cual, sin su protagonismo, se habría hundido rápidamente en el olvido, al igual que el resto de las numerosas asociaciones obreras que la precedieron.[1] Fue Marx el que le dio una clara finalidad a la Internacional. Fue Marx el que realizó un programa político no excluyente, si bien firmemente de clase, con la garantía de una organización que aspiraba a ser masiva y no sectaria. El alma política de su Consejo General fue siempre Marx, quien redactó casi todas las resoluciones principales y compiló casi todos los reportes preparatorios para los congresos. Él fue “el hombre justo en el momento justo”, [2] como escribió el dirigente obrero alemán Georg Eccarius.

2. La formación de la Internacional
La discordancia temporal entre los principales sucesos organizativos y políticos de la Internacional vuelve compleja la reconstrucción cronológica de su historia.[3] Desde un punto de vista organizativo, las fases más importantes atravesadas por la Asociación fueron: I) su nacimiento (1864-1866), es decir, desde la fundación hasta el primer congreso (Ginebra, 1866); II) su expansión (1866-1870); III) su giro revolucionario y la represión que siguió a la Comuna de París (1871-1872); y IV) la separación y la crisis (1872-1877). Desde el punto de vista del choque político, en cambio, las fases principales de la Internacional fueron: I) el debate inicial entre los varios componentes y la construcción de sus fundamentos teóricos (1864-1865); II) el conflicto por la hegemonía entre colectivos y mutualistas (1866-1869); y III) el choque entre centralistas y autonomistas (1870-1877).
Inglaterra fue el primer país en el que se presentaron las demandas de adhesión a la Internacional. En febrero de 1865, se afiliaron 4.000 miembros de la Sociedad operativa de albañiles. Poco después, se sumaron grupos de constructores y zapateros. En el transcurso de su primer año de vida, el Consejo General efectuó una prolífica actividad de divulgación de los principios políticos de la Internacional que contribuyó a ampliar el horizonte de la Asociación por encima de la esfera de cuestiones meramente económicas, como demuestra con su presencia entre las organizaciones que participaron en las Reform League, el movimiento para la reforma electoral nacido en febrero de 1865.
En Francia, la Internacional empezó a tomar forma en enero de 1865, fecha en la que fue fundada su primera sección en París. La influencia ideológica ejercitada por la Asociación fue débil y sus relaciones de fuerza limitadas, sumadas a la escasa determinación política, impidieron la fundación de una federación nacional. No obstante estos límites, los franceses conformaron el segundo grupo más consistente de la Internacional durante la primera conferencia de la organización realizada en Londres. Esta se celebró entre el 25 y el 29 de septiembre, con la presencia de 30 delegados provenientes de Inglaterra, Francia, Suiza y Bélgica y de algunas otras representaciones de Alemania, Polonia e Italia. Cada uno de ellos brindó noticias, sobre todo de carácter organizativo, acerca de los primeros pasos que la Internacional había comenzado a dar en sus respectivos países. En esta sede fue convocado, para el año siguiente, el primer Congreso General.
En el período transcurrido entre estos dos congresos, la Internacional siguió su proceso de expansión en Europa. Comenzó a construir sus primeros núcleos importantes en Bélgica y en la Suiza francesa. Las “Leyes Prusianas de Asociación”, que impedían a los grupos políticos alemanes establecer relaciones estructuradas con organizaciones de otros países, no permitieron en cambio abrir secciones de la Internacional en la que era, en ese momento, la Confederación Germánica.
En esta fase inicial, la actividad realizada por parte del Consejo General en Inglaterra contribuyó enormemente a la consolidación de la Internacional. Apoyando las huelgas de los Sastres Unificados de Londres, en el transcurso de la primavera de 1866, la organización participó por primera vez activamente en una lucha obrera. Después de la victoria de la huelga, cinco pequeñas sociedades de sastres, de alrededor de 500 trabajadores cada una, decidieron afiliarse a la Internacional. La conclusión positiva de otras vertientes atrajo diversos sindicatos pequeños, a tal punto que, al momento de su primer congreso, las organizaciones sindicales afiliadas eran ya 17, con un total de más de 25.000 adherentes.
Entre el 3 y 8 de septiembre de 1866, la ciudad de Ginebra acogió el primer congreso de la Internacional. Participaron 60 delegados de Inglaterra, Francia, Alemania y Suiza. La organización llegó a este encuentro con un balance muy positivo, después de haber reunido bajo su bandera, sólo dos años después de su fundación, a más de un centenar de pequeños sindicatos y organizaciones políticas. Los participantes de la conferencia se dividieron en dos bloques principales. El primero, que estaba integrado por delegados de los británicos, por los pocos alemanes presentes y por la mayoría de los suizos, siguió las directrices del Consejo General redactadas por Marx, quien estuvo ausente en Ginebra. El segundo bloque, del que formaban parte los franceses y los suizos de habla francesa, estaba integrado por los mutualistas.
En ese momento, la Internacional era una organización en la que prevalecían las posiciones moderadas. Los mutualistas, de hecho, liderados por el parisino Henri Tolain, prefiguraban una sociedad en la que el trabajador sería a la vez productor, capitalista y consumidor. A su juicio, la concesión de crédito gratuito era la medida decisiva para transformar la sociedad; se oponían al trabajo femenino, condenado desde un punto de vista moral y social; y se oponían también a cualquier interferencia del Estado en materia de relaciones del trabajo (incluyendo la reducción legal de la jornada de trabajo a ocho horas), pues estaban convencidos de que pondría en riesgo las relaciones privadas entre el trabajador y el patrón, y de que fortalecería el sistema existente.
A pesar de la fuerza numérica de los franceses, los dirigentes del Consejo General presentes en el congreso lograron frenar a los mutualistas y adquirir, sobre la base de las deliberaciones elaboradas por Marx, algunos resultados favorables con respecto a la importancia del sindicato y de la intervención del Estado.

3. Las huelgas, la expansión y la derrota de los mutualistas
A finales de 1866, las huelgas se intensificaron en muchos países europeos. Organizadas por grandes masas de trabajadores, contribuyeron a que éstos tomaran conciencia de las condiciones en que eran obligados a vivir y se convirtieron en el motor de una nueva e importante temporada de luchas.
En contraste con el argumento presentado por algunos gobiernos de la época, que señalaba a la propaganda de la Internacional como responsable de las huelgas, la mayoría de los trabajadores que participaron en ellas ni siquiera estaba al tanto de su existencia. Las protestas se originaron debido a las dramáticas condiciones de trabajo y de vida que los trabajadores se veían obligados a soportar. Estas movilizaciones representaron el primer momento de encuentro y de coordinación con la Internacional, que las apoyó con proclamas y llamados de solidaridad, organizó colectas de dinero para los huelguistas y promovió reuniones para bloquear las tentativas de las patronales tendientes a debilitar la resistencia.
Fue precisamente debido al papel concreto que desempeñó la Internacional que los trabajadores comenzaron a reconocerla como un lugar de defensa de sus intereses comunes y a querer afiliarse a ella.[4] La primera gran batalla ganada gracias a su apoyo fue la que libraron los trabajadores del bronce en París, cuya huelga duró desde febrero a marzo de 1867. También tuvieron éxito las huelgas de los trabajadores del hierro en Marchienne, en febrero de 1867; la de los trabajadores de la cuenca minera en Provence, que comenzó en abril de 1867 y terminó en febrero de 1868; la de los mineros en Charleroi y la de los albañiles en Ginebra, ambas durante la primavera de 1868. En cada una de ellas, el guión se repitió de forma idéntica: se hizo una colecta de dinero en apoyo de los huelguistas, impulsada por los trabajadores de otros países, con el acuerdo de que estos últimos no aceptaran un trabajo que los degradara a la condición de mercenarios. Todo esto obligó a los patrones a llegar a un acuerdo y a aceptar muchas de las demandas de los obreros. Tras el éxito de estas luchas, cientos de nuevos miembros se unieron a la Internacional en las ciudades donde se habían realizado las huelgas. Como afirmó el miembro del Consejo General Eugène Dupont: “no es la Asociación Internacional de los Trabajadores la que empuja [a los obreros] a la huelga, sino que [es] la huelga la que los empuja a los brazos de la Asociación Internacional de los Trabajadores”.[5]
Así, a pesar de las complicaciones derivadas de la diversidad de países, lenguas y culturas políticas, la Internacional logró reunir y coordinar las muchas organizaciones y las numerosas luchas que nacieron espontáneamente. Su mayor mérito fue haber sido capaz de señalar la absoluta necesidad de la solidaridad de clase y de la cooperación internacional, transformando de forma irreversible el carácter parcial de los objetivos y de las estrategias del movimiento obrero.
Desde 1867 en adelante, fortalecida por estos logros, así como por el aumento de la cantidad de militantes y por una estructura organizativa más eficiente, la Internacional avanzó en todo el continente. Ese año estuvo marcado por el notable progreso de la Asociación, sobre todo en Francia. Las adhesiones se multiplicaron también en Bélgica, por efecto de las huelgas, y en Suiza, donde ligas obreras, cooperativas y sociedades políticas se adhirieron con entusiasmo.
Este fue el escenario que precedió al congreso de 1867. Se celebró de nuevo en Suiza, pero esta vez en la ciudad de Lausana, del 2 al 8 de septiembre. Asistieron 64 delegados de 6 países (en esta ocasión también se hicieron presentes representantes de Bélgica y de Italia). Entre ellos había una fuerte presencia de los mutualistas, quienes impusieron en la agenda del congreso típicos temas proudhonianos, tales como el debate acerca del movimiento cooperativo y acerca del uso alternativo del crédito. Su oposición a la socialización de la propiedad de la tierra continuó siendo incuestionable y la discusión más a fondo sobre el tema se aplazó hasta el congreso siguiente.
Los mutualistas fueron durante cuatro años la parte más moderada de la Internacional. Los sindicalistas ingleses, aun no compartiendo las posiciones anticapitalistas de Marx, no tuvieron el efecto de lastre de los seguidores de Proudhon con respecto a las elecciones políticas de la organización. En 1868, por ejemplo, todavía eran muchos los sectores de la Internacional de tendencia mutualista que se oponían a la práctica de la huelga.
Ahora bien, antes que Marx, los que volvieron marginal la doctrina de Proudhon en la Internacional fueron los propios trabajadores. Fue, sobre todo, la proliferación de huelgas lo que convenció a los mutualistas de cuán erróneas eran sus concepciones. Fueron las luchas proletarias las que les mostraron que la huelga era la respuesta inmediata y necesaria para mejorar las condiciones existentes, y también, al mismo tiempo, para fortalecer la conciencia de clase indispensable para construir la sociedad del futuro. Fueron las mujeres y los hombres de carne y hueso quienes pararon la producción capitalista exigiendo derechos y justicia social; fueron ellos quienes cambiaron el equilibrio de poder en la Internacional y, lo que es más significativo, en la sociedad. Fueron los trabajadores del bronce de París, los trabajadores textiles de Rouen y de Lyon, los mineros de St-Etienne quienes, con una fuerza superior a cualquier discusión teórica, convencieron a los dirigentes internacionalistas franceses sobre la necesidad de socializar la tierra y la industria. Fue, en definitiva, el movimiento obrero el que demostró, contradiciendo a Proudhon, que era imposible separar la cuestión económico-social de la cuestión política.[6]
El Congreso de Bruselas, celebrado entre el 6 y 13 de septiembre de 1868, con la presencia de 99 delegados de Francia, Inglaterra, Suiza, Alemania, España y Bélgica (con 55 representantes), sancionó la redimensión de los mutualistas. El momento culminante fue el pronunciamiento a favor de la propuesta, hecha por César De Paepe, de socializar los medios de producción. La resolución votada[7] representó un paso decisivo en el proceso de definición de las bases económicas del socialismo. Esto constituyó una victoria importante del Consejo General y por primera vez se incluyeron principios socialistas en el programa político de una gran organización del movimiento obrero.
Si el Congreso de Bruselas fue la base de la cual partió el giro colectivista de la Internacional, el del año siguiente, celebrado entre el 5 y el 12 de septiembre en Basilea, terminó de confirmarlo. Los participantes del congreso fueron 78. Ellos no solo vinieron de Francia, Suiza, Alemania, Inglaterra y Bélgica, sino, como resultado de la expansión de la organización, también de España, Italia y Austria, e incluso también se contó con la presencia de un representante del Sindicato Nacional del Trabajo de Estados Unidos. Las resoluciones sobre la propiedad de la tierra, presentadas en Bruselas el año anterior, fueron confirmadas en una nueva votación y aprobadas por 54 delegados, con solo 4 votos en contra y 13 abstenciones. El nuevo texto declaraba que “la sociedad tiene el derecho de abolir la propiedad individual de la tierra y dárselo a la comunidad”[8] y fue también aprobado por los delegados franceses.
El Congreso de Basilea tuvo también otro hecho interesante: la participación del diputado Míjail Bakunin. Al no haber podido ganar la dirección de la Liga de la Paz, Bakunin había fundado en Ginebra la Alianza de la Democracia Socialista en septiembre de 1868; una organización que en diciembre solicitó la adhesión a la Internacional. Finalmente, después de haber derrotado a los mutualistas y al fantasma de Proudhon, Marx se vio, desde ese momento, en la situación de enfrentar a un rival aún más duro; uno que conformó una nueva tendencia dentro de la organización –el anarquismo colectivista– y que aspiraba a conquistarla.

4. El desarrollo en toda Europa y la Comuna de París
El período comprendido entre finales de los años sesenta y principios de los setenta fue el escenario de numerosos conflictos sociales. Durante esta etapa, muchos de los trabajadores que participaron en las protestas exigieron el apoyo de la Internacional, la cual iba ganando cada vez más fama. A pesar de las limitaciones de medios y recursos, el Consejo General nunca dejó de responder a las peticiones que le llegaban, activándose, de vez en cuando, a través de la redacción de llamados a la solidaridad dirigidos a todas sus secciones en Europa y organizando colectas de fondos.
El año de 1869 fue para la Internacional un período de significativa expansión en toda Europa. En Francia, después de la dura represión de 1868, la asociación resurgió. En París, el número de afiliados alcanzó aproximadamente los 10.000, la mayoría de los cuales se adhirió a la Internacional a través de sociedades cooperativas, cámaras sindicales de oficio y sociedades de resistencia. En la ciudad de Lyon, donde en septiembre de 1870, a raíz de un levantamiento, se proclamó una Comuna Popular, luego violentamente reprimida, los cálculos más rigurosos estimaron una adhesión de 3.000 trabajadores. Se calcula que el número total de afiliados en todo el territorio nacional fue de entre 30.000 y 40.000. Esta Internacional era muy diferente a la fundada en 1865 por Tolain y Friburg. En 1870, los ejes de la organización en Francia fueron la promoción de los conflictos sociales y de la actividad política.
En Bélgica, el período que siguió al congreso de 1868 se caracterizó por el nacimiento del sindicato, por el éxito victorioso de las huelgas y por la adhesión a la Internacional de numerosas organizaciones obreras.
El número de afiliados llegó a su punto máximo a principios de los años setenta, cuando se contabilizaban en decenas de miles, superando probablemente el total alcanzado en Francia.
Durante esta fase, la tendencia positiva de la Internacional también se manifestó en Suiza. En 1870, el número total de sus militantes llegó a 6.000. En la ciudad de Ginebra había 34 secciones, para un total de 2.000 afiliados; mientras que en la región del Jura había alrededor de 800. La consolidación de la Federación del Jura (en la que estaba inscripto Bakunin) representó una etapa importante en la construcción de una corriente anarquista-federalista en el interior de la Internacional. Su principal figura fue el joven James Guillaume, quien tuvo un papel clave en el enfrentamiento con Londres. En esta fase, las ideas de Bakunin comenzaron a difundirse en muchas ciudades, sobre todo en el sur de Europa. El país en el que obtuvieron el consenso más rápido fue España.
En la Confederación Germánica del Norte, se desarrolló una situación completamente diversa. A pesar de que el movimiento obrero de ese país contaba ya con dos organizaciones políticas, la Asociación General de Trabajadores Alemanes, de tendencia lassalleana, y el Partido de los Trabajadores Socialdemócratas de Alemania, de orientación marxista, el entusiasmo que allí se manifestó por la Internacional fue mínimo, así como fueron muy pocas las solicitudes de adhesión.
Como compensación para la decepcionante situación en Alemania, hubo dos acontecimientos positivos. En mayo de 1869, se fundaron otras secciones de la Internacional en un nuevo país, Holanda, y la organización comenzó a desarrollarse lentamente en Ámsterdam y en Frisia. Poco después, también renació en Italia, país en el que estaba presente desde antes, pero con sólo algunos grupos dispersos y desconectados entre ellos.
Aún más significativo, al menos por su carácter simbólico, fue la llegada de la Internacional al otro lado del océano. De hecho, a partir de 1869, y por iniciativa de algunos inmigrantes que habían llegado en los años anteriores, se formaron las primeras secciones en los Estados Unidos de América. Sin embargo, la organización estuvo marcada, desde su inicio, por dos limitaciones que nunca fueron superadas. No fue capaz de reducir el carácter nacionalista de varios grupos que se unieron a ella y no logró tampoco involucrar a los obreros autóctonos.
En este escenario de expansión universal, aunque marcada por contradicciones evidentes y por el avance desigual de desarrollo en los distintos países, la Internacional se aprontaba a celebrar su quinto congreso en septiembre de 1870. La Guerra Franco-Prusiana que estalló el 19 de julio 1870 obligó, sin embargo, a suspender el congreso. El estallido de una guerra en el centro de Europa impuso a la Internacional una prioridad absoluta: ayudar al movimiento obrero a expresar una posición independiente y distante de la retórica nacionalista de la época.
Tras la captura de Bonaparte, derrotado por los alemanes en Sedan el 4 de septiembre de 1870, se proclamó en Francia la Tercera República. Le siguió un armisticio basado en las condiciones impuestas por Bismarck, que desencadenó el llamado a elecciones y la posterior designación de Adolphe Thiers a cargo del poder ejecutivo, con el apoyo de una amplia mayoría legitimista y orleanista. La clara perspectiva de un gobierno que no llevaría a cabo ninguna reforma social provocó la sublevación de los parisinos. Ésta finalizó con la expulsión de Thiers y el nacimiento, el 18 de marzo, de la Comuna de París, el acontecimiento político más importante en la historia del movimiento obrero del siglo XIX.
A pesar de la defensa apasionada y convincente de Marx en La guerra civil en Francia, la Internacional no instó a los parisinos a la insurrección, como tampoco ejerció una influencia decisiva en la Comuna de París. A partir de ese momento, sin embargo, estuvo en el ojo de la tormenta. El giro violento que tomó la Comuna de París, y la furia de la brutal represión desatada por todos los gobiernos europeos, no impidieron que la Internacional aumentara sus propias fuerzas. Si bien se vio atacada con frecuencia por las calumnias que sus adversarios escribían en su contra, la “Internacional” se convirtió, en este período, en una palabra conocida por todos. En las bocas de los capitalistas y de la clase burguesa, fue sinónimo de amenaza al orden establecido; pero, para las obreras y los obreros, significó la esperanza de un mundo sin explotación y sin injusticia.[9] La confianza en que era posible lograrlo aumentó después de la Comuna de París. Ella le dio vitalidad al movimiento obrero, lo instó a tomar posiciones más radicales y a intensificar la militancia. París mostró que la revolución era posible, que el objetivo podía y debía ser la construcción de una sociedad radicalmente diferente de la capitalista y también que, para lograrlo, los trabajadores tendrían que dar vida a formas de asociación política estables y bien organizadas.[10]

5. La crisis de la Internacional
En este escenario que no favorecía la convocatoria de un nuevo Congreso, a casi dos años del último, el Consejo General decidió organizar una conferencia en la ciudad de Londres. Tuvo lugar entre el 17 y 23 de septiembre y contó con la presencia de 22 delegados que vinieron de Inglaterra, Irlanda, Bélgica, Suiza y España, a los que se sumaron también los exiliados franceses.
La decisión más importante que se tomó durante el congreso, y por la cual se lo recuerda, fue la aprobación de la resolución sobre “la acción política de la clase obrera” (resolución IX). En el texto aprobado en Londres se afirmaba:

que la clase obrera, contra este poder colectivo de las clases poseedoras, puede actuar como clase solo cuando se constituye como un partido político autónomo, contrapuesto a todas las viejas formaciones partidarias de las clases poseedoras;
que esta construcción de la clase obrera en partido político es indispensable para el triunfo de la revolución social y de su fin último: la abolición de las clases.[11]

Si el Congreso de Ginebra de 1866 había señalado la importancia del sindicato, la Conferencia de Londres de 1871 definió la otra herramienta de lucha fundamental del movimiento obrero: el partido político.[12] Marx estaba convencido de que las resoluciones adoptadas en Londres habrían recibido la aprobación de casi todas las principales federaciones y secciones locales. Sin embargo, pronto tuvo que cambiar de opinión.
Si la posición crítica de la Federación del Jura había sido tomada en consideración, Marx se sorprendió cuando, en 1872, emergieron desde muchos frentes signos de descontento y de rebelión contra su línea política. En muchos países, las decisiones tomadas en Londres fueron consideradas una grave injerencia en la autonomía en la política local y, por lo tanto, una imposición inaceptable. La federación belga, que durante la conferencia había tratado de construir una mediación entre las partes, comenzó a tomar una posición muy crítica con respecto a Londres. Posteriormente, los holandeses también tomaron distancia. Aún más duras fueron las reacciones en el sur de Europa, donde la oposición logró, rápidamente, un consenso notable.
Las acusaciones contra el Consejo General fueron de distinto tipo y las motivaron, muchas veces, solo razones de índole personal. Fue así que se produjo una extraña alquimia que volvió aún más problemática la gestión de la organización. El principal adversario al cambio que desencadenó la resolución IX fue un entorno que no estaba todavía preparado para recibir el salto cualitativo propuesto por Marx. Pese a las declaraciones de ductilidad que lo acompañaron, el cambio iniciado en Londres fue percibido por muchos como una gran imposición. El principio de autonomía de las distintas realidades que componían la Internacional era considerado como una de las piedras angulares de la Asociación, no sólo por el grupo más vinculado a Bakunin, sino también por la mayor parte de las federaciones y secciones locales. Este fue el error de análisis que cometió Marx y que precipitó la crisis de la Internacional.[13]
La batalla final se desató a fines del verano de 1872. Después de los acontecimientos que durante tres años alteraron el curso de su historia –la Guerra Franco-Prusiana, la violenta represión que siguió a la Comuna de París y los numerosos conflictos internos– la Internacional pudo finalmente celebrar otro congreso. Su quinto Congreso General se llevó a cabo en La Haya, entre el 2 y el 7 de septiembre. Participaron 65 delegados en representación de más de 14 países (Francia, Alemania, Bélgica, Inglaterra, España, Suiza, Holanda, Austria-Hungría, Dinamarca, Irlanda, Hungría, Polonia, Portugal y Australia). Si bien los internacionalistas italianos no enviaron sus 7 delegados en protesta contra las decisiones tomadas en el año anterior en Londres, el congreso de 1872 fue sin duda el más representativo de la historia de la Internacional. La importancia decisiva del evento llevó a Marx a asistir en persona.[14]
La decisión más importante tomada en La Haya fue la inclusión de la resolución IX del Congreso de Londres en los estatutos de la Asociación. La lucha política fue finalmente considerada una herramienta necesaria para la transformación de la sociedad: “puesto que los señores de la tierra y del capital hacen uso de sus privilegios políticos para defender y perpetuar su monopolio económico y esclavizar el trabajo, la conquista del poder político se convierte en el gran deber del proletariado”.[15]
En 1872, la Internacional era, por lo tanto, muy diferente a lo que había sido en el momento de su fundación. Los componentes democratico-radicales habían abandonado la Asociación, después de haber sido desplazados. Los mutualistas habían sido derrotados y sus fuerzas, drásticamente reducidas. Los reformistas ya no constituían la parte predominante de la organización (salvo en Inglaterra) y el anticapitalismo se había convertido en la línea política de toda la Internacional, incluso de las nuevas tendencias – como la anarco-colectivista– que se habían formado en el curso de los últimos años. Si bien durante la existencia de la Internacional Europa había sido atravesada por un período de gran prosperidad económica, los obreros tenían cada vez más claro que su estado solo cambiaría realmente cuando se acabara la explotación del hombre por el hombre, y no mediante reivindicaciones económicas tendientes a lograr leves paliativos a las condiciones existentes.
El escenario, por otra parte, había cambiado radicalmente incluso fuera de la organización. La unificación de Alemania, que tuvo lugar en 1871, marcó el inicio de una nueva era, en la que el Estado-nación se afirmó definitivamente como forma de identidad política, jurídica y territorial. El nuevo contexto volvía poco plausible la continuidad de un organismo supranacional al cual las organizaciones de distintos países, aunque conservaran su autonomía, tuvieran que ceder una parte significativa de la conducción política.
La configuración inicial de la Internacional había sido superada y su misión original había terminado. Ya no se trataba de buscar predisposición y de coordinar iniciativas de solidaridad en apoyo de las huelgas a escala europea, ni de celebrar congresos para discutir la utilidad de las organizaciones sindicales o la necesidad de socializar la tierra y los medios de producción. Estas cuestiones se habían convertido en el patrimonio colectivo de todos los componentes de la organización. Después de la Comuna de París, el verdadero reto para el movimiento obrero era la revolución, o cómo organizarse para poner fin al modo de producción capitalista y derrocar las instituciones del mundo burgués.
Durante el Congreso de La Haya se sucedieron diversas votaciones, que despertaron fuertes polémicas. Se sancionó la expulsión de Bakunin y de Guillaume y fue aprobado el traslado de la sede del Consejo General a Nueva York. Fueron muchos, incluso en las filas de la mayoría, a votar en contra de esta moción, comprendiendo que tal decisión marcaría el fin de la Internacional como estructura operativa. Para Marx, sin embargo, era mejor renunciar a la Internacional (a partir de entonces ya no formó parte del Consejo General) antes que verla caer en las manos de sus adversarios y ser testigo de su mutación en una organización sectaria. La muerte de la Internacional era altamente preferible a la perspectiva de una lenta y costosa lucha fratricida. No obstante, todavía no es convincente el argumento que esgrimen muchos especialistas, según el cual el ocaso de la Internacional se originó en el conflicto de sus dos corrientes principales; o lo que es aún más improbable, en el librado entre dos hombres, por más que se tratara de hombres de la talla de Marx y de Bakunin. Las razones de su fin han de buscarse en otro lado. Aquello que volvió obsoleta la Internacional fueron los grandes cambios que ocurrieron fuera de ella. El crecimiento y la transformación de las organizaciones del movimiento obrero, el fortalecimiento de los Estados nacionales, la ampliación de la Internacional en países como España e Italia, caracterizados por condiciones económicas y sociales muy diferentes a las de Inglaterra y Francia (en donde había nacido la Asociación), el definitivo giro moderado del sindicalismo inglés y la represión que siguió a la caída de la Comuna de París: todos estos factores actuaron de forma concomitante para transformar la configuración original de la Internacional en una inadecuada para las cambiantes condiciones históricas del momento.

6. La nueva Internacional
En 1872, la Internacional que había nacido en 1864 dejó de existir. La gran organización que durante ocho años había sostenido con éxito numerosas huelgas y luchas, forjado un programa teórico anticapitalista y ramificado su presencia en todos los países europeos, implosionó luego del Congreso de La Haya. Sin embargo, su historia no acabó con la partida de Marx. En su lugar surgieron dos reagrupamientos de fuerzas, pero más pequeños y sin la capacidad proyectual ni la ambición política de la Internacional. El primero estaba compuesto por los “centralistas”, es decir, por la parte mayoritaria del último congreso, que bregaba por una organización dirigida políticamente por un Consejo General. El segundo estaba formado por los “autonomistas”, o la minoría, que consideraba que las secciones gozaban de absoluta autonomía en la toma de decisiones.
La organización “centralista” se mantuvo operativa solo en algunos pocos países, su vida fue corta y no produjo ninguna elaboración teórica; los autonomistas, por el contrario, continuaron siendo durante unos años, una realidad concreta y sin dudas más activa. Su último congreso se celebró en Verviers, en septiembre de 1877, con la presencia de 22 delegados. Sin embargo, todos ellos pertenecían a la tendencia anarquista. El resto de las corrientes se reunió en la ciudad de Gante con motivo del Congreso Socialista Universal, el mayor encuentro jamás realizado entre las organizaciones del movimiento obrero. Incluso la Internacional autonomista, que solo había mantenido una base popular en España, había también concluido su ciclo. La superó la creciente toma de conciencia, que se extendió en casi todo el movimiento obrero europeo, sobre la importancia absoluta de participar en la lucha política con organizaciones partidarias. El final de la experiencia autonomista también selló el ocaso de la relación entre anarquistas y socialistas, quienes, a partir de ese momento, vieron cómo sus caminos se separaban definitivamente.
En las décadas subsiguientes, el movimiento obrero adoptó un programa socialista, se expandió primero en Europa y luego en todos los rincones del mundo y construyó nuevas estructuras de coordinación supranacional. Cada una de éstas, además de conservar el nombre (por ejemplo, la Segunda Internacional de 1889-1916 o la Tercera Internacional de 1919-1943), mantuvo los principios y las enseñanzas de la “primera” Internacional. De esta manera, su mensaje revolucionario reveló su extraordinaria fertilidad, generando con el correr del tiempo resultados todavía mejores que los conseguidos durante su existencia.
La Internacional dejó impresa en las conciencias de los proletarios la convicción de que la liberación del trabajo respecto del yugo del capital no podía lograrse dentro de los límites de un solo país, sino que se trataba de una cuestión global. Además, gracias a la Internacional, los obreros comprendieron que su emancipación solo podía ser conquistada por ellos mismos, por su capacidad de organización, y que no debía ser delegada a otros. Por último, la Internacional difundió entre los trabajadores la conciencia de que su esclavitud cesaría solamente con la superación del modo de producción capitalista y del trabajo asalariado, ya que las mejoras internas al sistema vigente, que sin embargo se buscaban, no habrían modificado la dependencia económica respecto de las oligarquías patronales.
Un abismo separa las esperanzas de ese tiempo de la desconfianza en el presente; la determinación antisistémica de aquellas luchas y la subordinación ideológica contemporánea; la solidaridad que construyó el movimiento obrero de entonces y el individualismo actual, producto de las privaciones y de la competencia del mercado; la pasión por la política de los trabajadores que se reunieron en Londres en 1864 y la resignación y la apatía que hoy prevalecen.
No obstante, en una época en la que el mundo del trabajo se ve obligado a soportar condiciones de explotación similares a las del siglo XIX, el proyecto de la Internacional recobra ahora una importancia extraordinaria. Detrás de cada injusticia social, en cada lugar donde se pisotean los derechos de las trabajadoras y los trabajadores, germina la semilla de la nueva Internacional.
La barbarie del “orden mundial” actual, los desastres ecológicos producidos por el modo de producción vigente, la brecha inaceptable entre la riqueza de una minoría de explotadores y el estado de indigencia en el que están sumidos cada vez más amplios sectores de la población, la opresión de género, los nuevos vientos de guerra, el racismo y el chovinismo exigen al movimiento obrero que se reorganice con urgencia a partir de dos características de la Internacional: la versatilidad de su estructura y el radicalismo de los objetivos a alcanzar. Las metas de la organización nacida en Londres hace 150 años son hoy más actuales que nunca. Para estar a la altura de los desafíos del presente, sin embargo, la nueva internacional no podrá prescindir de dos requisitos fundamentales: ser plural y anticapitalista.

 

Traducción del italiano de María Belén Castano

 

References
1. Cfr. Collins/Abramsky, 1965: 34.
2. Carta de Johann Georg Eccarius to Karl Marx, 12 de octubre de 1864 (Marx/Engels, 2002: 11).
3. Para una reconstrucción más amplia de la historia política de la Internacional, véase Musto, 2014.
4. Cfr. Freymond, “Introduction” (Burgelin/Langfeldt/Molnár, 1962: xi).
5. Cfr. VV.AA., “Report of the [French] General Council”, 1 de septiembre de 1869 (Burgelin/Langfeldt/Molnár, 1962: 24).
6. Cfr. Freymond, “Introduction” (Burgelin/Langfeldt/Molnár, 1962: xiv).
7. Cfr. el documento número 3 en Musto, 2014.
8. (Burgelin/Langfeldt/Molnár, 1962: 74).
9. Cfr. Haupt, 1978: 78.
10. Cfr. ibíd.: 93-95.
11. Cfr. el documento número 74 en Musto, 2014.
12. Cabe destacar que, en ese momento, el concepto de partido político tenía un significado mucho más amplio respecto del que tuvo en el siglo XX, y que la concepción de Marx era radicalmente distinta a la que se estableció, después de la Revolución de Octubre, en numerosas organizaciones comunistas.
13. Cfr. Freymond/Molnar, 1966: 27s.
14. Acompañado por Engels, el congreso de La Haya fue el único de la organizacón en el que participó.
15. En documento número 65, en Musto, 2014.

Bibliografía
Burgelin, Henri / Langfeldt, Knut / Molnár, Miklós (eds), La première Internationale. 2 vols. Ginebra: Droz, 1962, vol. I
Collins, Henry / Abramsky, Chimen, Karl Marx and the British Labour Movement. Londres: MacMillan, 1965.
Freymond Jacques / Molnár, Miklós, The Rise and Fall of the First International. En: Drachkovitch, Milorad M. (ed.), The Revolutionary Internationals, 1864-1943. Stanford: Stanford University Press, 1966.
Haupt, Georges, L’Internazionale socialista dalla Comune a Lenin. Turín: Einaudi, 1978.
Marx, Karl / Engels, Friedrich Gesamtausgabe. Vol. III/13. Berlín: Akademie der Wissenschaften, 2002.
Musto, Marcello (ed.), Workers Unite! The International 150 Years After. Nueva York/Londres, Bloomsbury, 2014.

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Internacional dos trabalhadores ontem e hoje

O slogan que finaliza a mensagem inaugural da I Internacional e que fora escrito por Karl Marx, 150 anos depois, mantém-se atual no que refere as reivindicações dos trabalhadores inseridos no processo de globalização em todas as partes do mundo.

No dia 28 de setembro de 1864, cerca de duas mil pessoas se reuniram no salão do St. Martin’s Hall, em Londres, para assistir a um comício de dirigentes sindicais ingleses que, em parceria com um pequeno grupo de franceses, fundaram a Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT).

Estabelecia-se, assim, a primeira tentativa de organizar os trabalhadores de todas as partes do mundo e a Inglaterra tinha um contexto próprio para sediar tal evento, pois havia sido o berço da Revolução Industrial e as condições de vida de seus trabalhadores eram péssimas, tanto que, além da exploração de mão de obra, inclusive infantil, famílias inteiras aglomeravam-se em lugares lúgubres, onde conviviam com a pobreza extrema e doenças contagiosas que minavam as forças dos operários, que ainda tinham que enfrentar uma jornada de trabalho que, ao dia, extrapolava mais que 14 horas em troca de um salário ínfimo.

Em virtude de tais condições, os trabalhadores que, na ocasião, encontravam-se na capital inglesa, não tinham a pretensão de construir um fórum internacional de debates sobre os problemas que os atingiam, muito menos de criar uma organização que coordenasse a luta política de toda a classe. Mas a convergência dos fatos possibilitou o surgimento da I Internacional que, apesar do curto período de existência, passado 150 anos de sua fundação, ainda é capaz de inspirar e até direcionar os trabalhadores atuais em sua luta diária, dessa vez, em meio a um cenário que, agora, também conta com a globalização, processo que modifica de modo intensivo tanto das formas de trabalho quanto de produção em benefício único do capitalismo e das classes dominantes.

Mas, para entender todo esse processo que começou em setembro de 1864 e, ainda hoje, graças as suas próprias características, mantém-se atual, entrevistamos o cientista político Marcello Musto, que se dedica a estudos de marxismo, história do pensamento político, filosofia moderna e história do movimento trabalhista. Como organizador do livro “Trabalhadores, uni-nos! Antologia Política da I Internacional”, recém lançado no Brasil e que, entre seus 80 textos, traz 69 que são inéditos em português, ele esmiúça detatas e anarquistas, todas com seus respectivos representantes mesmo que em diferentes graus de atuação. No entanto, as concepções de cada grupo e o espaço ocupado por eles na organização foram mudando com o passar dos anos. A greve como instrumento de pressão, por exemplo, de início, dividiu a associação, pois os franceses e os alemães do Partido Social-Democrata eram contra essa alternativa. Mas, a partir de 1866, com a multiplicação das paralisações em diversos países europeus e o sucesso alcançado por elas, todas as tendências da Internacional se convenceram de que se tratava de um recurso fundamental.

“Além disso, ele [Karl Marx] também previu a natureza da economia mundial no início do século 21, com base na sociedade burguesa de 150 anos atrás, fato que explica porque ele vem sendo redescoberto pelos estudiosos e capitalistas”

O envolvimento dos trabalhadores no jogo político, ao longo do tempo, também sofreu mudanças significativas, apesar de muitas correntes serem contra, devido à crença que a batalha deveria se restringir a melhorias das condições econômicas e sociais. Contudo, devido a Comuna de Paris em 1871 e o ensaio de uma democracia operária que durou 40 dias, houve um consenso sobre a necessidade de se encontrar formas de organização política. Em todo esse processo Karl Marx teve um papel central. Embora nunca tenha sido um mobilizador das massas, ele fundamentou teoricamente a I Internacional, mesmo participando de apenas um dos seus vários congressos. Quanto ao pouco tempo de duração da AIT, apesar de muitos acreditarem que seu fim teve uma relação com a rixa pessoal de Marx e Mikhail Bakunin, há diversos outros fatores. Entre eles destaco a repressão à Comuna de Paris em 1871, que deixou cerca de 20 mil mortos; o fortalecimento do Estado-nação com a unificação da Alemanha e da Itália; o próprio congresso da associação realizado em Haia, em 1872, que é descrito como um verdadeiro caos; a transferência, após o congresso da Holanda, da sede da AIT para Nova Iorque em 1872, fato que inquestionavelmente provocou seu esvaziamento; o afastamento de Marx; e a expansão da Internacional para a Espanha e outros países cuja estrutura econômica e social era muito diferente da Inglaterra e da França. Tudo isso, desestabilizou a organização que, desde o início, vivia um equilíbrio delicado, em decorrência das disputas políticas. De qualquer forma, seus poucos anos de existência, serviram de modelo e inspiração para as principais organizações operárias que surgiram depois, já com um programa socialista, que se espalharam pela Europa e, em seguida, pelos mais diversos cantos do mundo para, então, construir novas formas de coordenação supranacionais, com base nos ensinamentos da AIT.

“No momento em que o mundo do trabalho voltou a sofrer explorações semelhantes às do século 19, o projeto da I Internacional retorna com uma extraordinária atualidade, pois ele se tornou mais indispensável que nunca”

LH – O senhor citou a importância de Karl Marx para a I Internacional, mas tanto ele quanto a sua respectiva obra, foram relegados a um segundo plano por um bom tempo. Contudo, com a proximidade dos 150 anos da AIT, ambos voltaram a despertar o interesse, principalmente no meio acadêmico. Por quê?

Musto – Porque, no caso da AIT, formada por diferentes entidades, como sindicatos ingleses, mutualistas franceses, comunistas, exilados democráticos, inúmeros grupos de trabalhadores que se reconheciam em teorias utópicas e anarquistas de Bakunin, Karl Marx teve o dom de conciliar aquilo que parecia inconciliável, com um programa político não excludente, embora firmemente classista, como garantia de um movimento que ambicionava ser de massas, e não sectário. No entanto, eu gostaria de ressaltar que Marx não foi fundador da AIT, como muitos acreditam. Ele esteve na Assembleia realizada no St. Martin’s Hall, mas como personagem mudo. Contudo, reconheceu a potencialidade do evento e pôs-se a trabalhar para o êxito da associação, após ser nomeado, graças ao prestigio que tinha, entre os 34 membros do Comitê Diretor Provisório. Coube-lhe, então, redigir a Mensagem Inaugural e os Estatutos provisórios da Internacional. A partir daí, enquanto valorizava as melhores ideias dos membros da associação, ele ainda eliminava inclinações corporativas e acentos sectários, para consolidar tanto a luta econômica e política quanto a escolha do pensar e do agir em escala internacional. Por conseguinte, a AIT tornou-se um órgão de síntese política presente nos diversos contextos nacionais. Durante esse processo, Marx foi impulsionado a ir além da política econômica, desenvolver ideias e revisá-las, questionar velhas certezas, explorar novas questões e elaborar, de forma mais concreta, sua própria crítica ao capitalismo em termos de definições de sociedade comunista. Além disso, ele também previu a natureza da economia mundial no início do século 21, com base na sociedade burguesa de 150 anos atrás, fato que explica porque ele vem sendo redescoberto pelos estudiosos e capitalistas do setor financeiro globalizado, que lidam com as constantes instabilidades da economia.

“Em todas as situações em que se comete uma injustiça no trabalho e cada vez que um direito é ferido, germina a semente da nova Internacional”

LH – Hoje, o trabalhador de um modo geral tem consciência que a legislação e a exploração de sua mão de obra são semelhantes àquelas praticadas no século 19?

Musto – Alguns sim, mas as demandas são mais sociais. Porém, Marx já dizia que a emancipação da classe operária exigia um processo longo e fatigante. Embora a AIT tenha imprimido na consciência dos proletários a convicção de que a emancipação do trabalho do jugo do capital não podia ser obtida nos limites de um único país, pois era uma questão global, ela ainda conseguiu difundir entre os trabalhadores a consciência de que sua escravidão só teria fim com a superação do modo de produção capitalista e do trabalho assalariado, uma vez que as melhorias no interior do sistema vigente, ainda que devessem ser almejadas, não modificariam sua condição estrutural. Hoje a situação é outra, pois, ao mesmo tempo em que a globalização neoliberal enfraqueceu os movimentos dos trabalhadores, ela também abriu novas possibilidades de comunicação, facilitando a cooperação e a solidariedade. Com a recente crise do capitalismo, que aprofundou ainda mais a divisão entre capital e trabalho, o legado da I Internacional se mostra bem relevante, principalmente na América do Sul, onde o povo se uni em nome da solidariedade que, por sua vez, mostra-se contra a barbárie mundial, os desastres ecológicos resultantes do modo de produção atual, o abismo que separa as riquezas de um minoria de exploradores dos extremos enfrentados pela grande maioria da população mundial, a opressão de gêneros, previsões de guerra, racismo etc. Todos esses fatores impõem ao movimento operário contemporâneo a reorganização urgencial, que se apoia em duas características da Internacional, que são a radicalidade dos objetivos a perseguir e a forma poliédrica de sua estrutura.

“Uma das principais características da associação [AIT] foi a capacidade de aglutinar correntes políticas distintas e até antagônicas, que abrangiam desde reformistas a revolucionários, até social-democratas, mutualistas e anarquistas”

LH – Quais são suas considerações finais sobre o tema e a situação atual, incluindo a vivenciada no Brasil, de um modo geral?

Musto – Há 150 anos, a primeira tentativa de união dos trabalhadores do mundo, levou os operários a compreender que sua emancipação só podia ser conquistada por eles mesmos e por sua capacidade de organizar-se. Portanto, ela nunca poderia ser transferida a terceiros. Porém, hoje, existe um grande abismo que separa as esperanças daquele tempo e a desesperança atual, a determinação antissistêmicas daquelas lutas e a servidão ideológica contemporânea, a solidariedade construída por aquele movimento esporádico e o individualismo do nosso tempo, produto da competição de mercado e das privatizações, a paixão pela política dos trabalhadores que se reuniam em Londres, em 1864, e a resignação e a apatia imperantes na atualidade. Contudo, diante dessas contradições, no momento em que o mundo do trabalho voltou a sofrer explorações semelhantes ao do século 19, o projeto da I Internacional retorna com uma extraordinária atualidade, pois ele se tornou mais indispensável que nunca. Mas para estar à altura do presente, a nova Internacional ainda deverá atender a dois requisitos básicos: a pluralidade e o anticapitalismo.

Trabalhadores, uni-nos! Antologia política da I Internacional

A obra organizada pelo cientista político Marcello Musto, além de celebrar os 150 anos da fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores (AIT), símbolo inquestionável da luta de classes que, por sua vez, influenciou as ideias de milhões de trabalhadores ao redor do planeta, ainda oferece uma importante oportunidade de compreender suas resoluções e aprender com as experiências de seus protagonistas, para repensar os problemas do presente.

Com textos inéditos, cuidadosamente selecionados e traduzidos, ela configura um arquivo de valor inestimável para a história e a teoria do movimento dos trabalhadores, bem como para a crítica do capitalismo. Dividida em três eixos fundamentais – desenho econômico e político organizativo da futura sociedade projetado pelos protagonistas da AIT; questões internacionais no conturbado contexto europeu das décadas de 1860 e 1870, marcado por guerras de libertação nacional e movimentos insurrecionais (Irlanda e Polônia), de guerra civil (Estados Unidos), de guerra entre nações (franco-prussiana) e da primeira revolução proletária (Comuna de Paris); e a questão política, das suas formas, do debate entre a luta política versus abstencionismo, e do fim do Estado –, além de uma extensa introdução crítica do organizador, que apresenta e contextualiza as diferentes vertentes e resoluções que estavam em jogo, a obra ainda aborda outros temas de relevância, como as questões de organização e forma da luta sindical, crédito, cooperativismo, propriedade coletiva, a questão fundiária, sobre o direito ou abolição de herança, internacionalismo e nacionalismo, enquanto desintoxica, oxigena e municia corações e mentes para a compreensão e o enfrentamento das mazelas do presente e dos desafios futuros do mundo do trabalho.

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La Marx-Engels Gesamtausgabe (MEGA²) y los nuevos rostros de Karl Marx

Contrario a los pronósticos que anticipaban su caída definitiva en el olvido, en los últimos años Marx ha regresado a la atención de los académicos internacionales.

El valor de su pensamiento ha sido reafirmado por muchos y sus escritos están siendo desempolvados en las bibliotecas de Europa, Estados Unidos y Japón. Uno de los ejemplos más importantes de este redescubrimiento es precisamente la continuación de la MEGA2. El proyecto completo, en el cual participan académicos de varias competencias disciplinarias de muchos países, se articula en cuatro secciones: la primera incluye todas las obras, artículos y borradores excluyendo el Capital; la segunda incluye el Capital y sus estudios preliminares a partir de 1857; la tercera está dedicada a la correspondencia; mientras que la cuarta incluye extractos, anotaciones y comentarios al margen. De los 114 volúmenes contemplados, ya se han publicado 53 (13 a partir del recomienzo en 1998), cada uno de los cuales consiste de 2 libros: el texto más el aparato crítico, el cual contiene los índices y muchas notas adicionales. [1] Esta empresa tiene gran importancia cuando se considera que una gran parte de los manuscritos de Marx, de su voluminosa correspondencia e inmensa montaña de extractos y anotaciones que acostumbraba a hacer mientras leía, nunca se han publicado.

Las adquisiciones editoriales de la MEGA2 produjeron resultados importantes en las cuatro secciones. En la primera, Werke, Artikel und Entwürfe, la investigación reinició con la publicación de dos nuevos volúmenes. En el primero, «Karl Marx-Engels,Werke, Artikel, Entwürfe. Januar bis Dezember 1855», [2] incluye 200 artículos y borradores escritos por los dos autores en 1855 para el New York Tribune y el Neue Oder-Zeitung de Breslau. Junto al complejo de los bien conocidos escritos relacionados con la política y la diplomacia europea, reflexiones sobre la coyuntura económica internacional y la Guerra de Crimea, la investigación permitió agregar 21 textos distintos que previamente no eran atribuidos a ellos puesto que fueron publicados anónimamente en el periódico norteamericano. El segundo, «Friedrich Engels, Werke, Artikel, Entwürfe. Oktober1886 bis Februar 1891», [3] por otro lado, nos presenta parte del Engels tardío. El volumen alterna entre proyectos y notas. Entre estos encontramos el manuscrito Rolle der Gewalt in der Geschichte, sin la intervención de Bernstein quien dio a conocer su primera edición, discursos a las organizaciones del movimiento obrero y prefacios para la republicación de escritos y artículos ya publicados. Entre estos últimos, de particular interés son Die auswärtige Politik des russischen Zarentums, que contiene la historia de dos siglos de política externa rusa que apareció en Die Neue Zeit pero que subsecuentemente fue suprimida por Stalin en 1934, y Juristen-Sozialismus, escrito con Kautsky, en el cual la paternidad de cada parte individual fue reconstruida por primera vez.

Además, es de considerable interés el primer número del Marx-Engels- Jahrbuch, la nueva serie publicada por el IMES, dedicada enteramente a La Ideología Alemana. [4] Este libro, anticipando el volumen I/5 de la MEGA2, incluye las páginas de Marx y Engels que corresponden a los manuscritos «I. Feuerbach » y «II. Sankt Bruno». Los siete manuscritos que sobrevivieron la «crítica roedora de los ratones »[5] son reunidos como textos independientes y ordenados cronológicamente. A partir de esta edición podemos deducir, con claridad, el carácter no-unitario de la obra. Por lo tanto, son dadas nuevas y definitivas bases a la investigación científica para rastrear confiablemente la elaboración teorética de Marx. La Ideología Alemana, considerada hasta ahora como la exposición exhaustiva de la concepción materialista de Marx, es ahora restaurada a su fragmentariedad original.

La investigación para la segunda sección de la MEGA2, «Das Kapital» und Vorarbeiten, se concentró en recientes años en el segundo y tercer libros de El Capital. El volumen «Karl Marx, Das Kapital. Kritik der politischen Ökonomie. Zweites Buch. Redaktionsmanuskript von Friedrich Engels 1884/1885» [6] incluye el texto del segundo libro, compilado por Engels basándose en siete manuscritos de diferente extensión escritos por Marx entre 1865 y 1881. Engels de hecho recibió de Marx muchas diferentes versiones del libro segundo, pero ninguna indicación a la cual hacer referencia para seleccionar el que debía ser publicado. En cambio, se encontró con un material de

[…] estilo desaliñado, expresiones y giros familiares, frecuentemente de hu-morística grosería, terminología técnica inglesa y francesa, a menudo frases enteras y hasta páginas en inglés; es la puesta por escrito de las ideas bajo la forma en que, en cada caso, se desenvolvían en la cabeza del autor […] al término de un capítulo, en el afán de pasar al siguiente, un par de frases inco-nexas, hitos del análisis abandonado allí antes de su culminación[7]

Así, Engels tuvo que tomar decisiones editoriales determinantes. Las adquisiciones filológicas más recientes estiman que las intervenciones de Engels en este texto suman alrededor de 5000: una cantidad muy superior a la que se suponía hasta ahora. Las modificaciones consisten en adiciones y cancelaciones de pasajes dentro del texto, modificaciones a su estructura, inserción de títulos a los parágrafos, substitución de conceptos, reelaboración de algunas de las formulaciones de Marx o la traducción de palabras tomadas de otros idiomas. Solo al final de este trabajo emergió el texto que se entregó a la imprenta. Este volumen, por lo tanto, nos permite reconstruir todo el proceso de selección, composición y corrección de los manuscritos de Marx, y establecer dónde Engels realizó sus modificaciones más importantes, y dónde en cambio respetó fielmente los manuscritos de Marx —los cuales, para repetirlo una vez más, no representaban el punto final de su investigación.

La publicación del tercer libro de El Capital, «Karl Marx,Das Kapital.Kritik der politischen Ökonomie. Dritter Band», [8] el único volumen que Marx no supervisó, ni siquiera en lo general, para darle una forma terminada, involucró intervenciones editoriales mucho más complejas. En su prefacio, Engels, subraya cómo era este texto:

[…] un primer borrador, enormemente colmado de lagunas, por añadidura. Por regla general, los comienzos de cada sección en particular estaban elabo-rados en forma bastante cuidadosa, y en su mayor parte también se hallaban estilísticamente redondeados. Pero a medida que se avanzaba, tanto mayor carácter de esbozo y tantas mayores lagunas ofrecía la elaboración, tanto mayor número de digresiones contenía acerca de puntos secundarios que surgían en el curso de la investigación, y cuyo lugar definitivo quedaba librado a un ordena-miento ulterior [9].

De este modo, el intenso trabajo editorial de Engels, en el cual invirtió la mayor parte de sus energías durante el largo periodo de 1885 a 1894, produjo la transición de un texto muy provisional, compuesto de pensamientos «registrados en statu nascendi» [10] y notas preliminares, a un texto distinto, unitario, del cual surgió el semblante de una teoría económica acabada y sistemática.

Esto se vuelve muy evidente a partir del volumen «Karl Marx-Friedrich Engels, Manuskripte und redaktionelle Texte zum dritten Buch des Kapitals» [11] . En él encontramos los últimos seis manuscritos de Marx referentes al tercer libro de El Capital, escritos entre 1871 y 1882. El más importante de estos es la larga sección sobre «La relación entre la tasa de plusvalor y la tasa de ganancia desarrollada matemáticamente» de 1875, así como los textos agregados por Engels durante su labor como editor. Estos últimos demuestran con exactitud inequívoca el camino seguido para llegar a la versión publicada. Una confrmación más del mérito del libro en cuestión es el hecho de que 45 de los 51 textos de este volumen se encuentran aquí publicados por primera vez. La conclusión de la segunda sección, que ya se aproxima, por fn permitirá una evaluación crítica certera sobre el estado de los originales dejados por Marx y sobre el valor y límites de la labor editorial de Engels.

La tercera sección de la MEGA2, Briefwechsel, contiene las cartas intercambiadas por Marx y Engels a lo largo de sus vidas, así como aquellas que intercambiaron entre sí y los cuantiosos destinatarios con los que se encontraban en contacto. El número total de dicha correspondencia es enorme. Se han encontrado más de 4 000 cartas escritas por Marx y Engels (2 500 de las cuales son entre ellos mismos), así como también 10 000 dirigidas a ellos por terceras partes, gran parte de las cuales estaban inéditas antes de la MEGA2. Además, hay sólidas evidencias de la existencia de otras 6 000 cartas, aunque estas no fueron conservadas. Se han editado cuatro volúmenes nuevos los cuales nos permiten ahora releer frases importantes de la biografía intelectual de Marx mediante las cartas de aquellos con los cuales estaba en contacto.

Las cartas recolectadas en «Karl Marx-Friedrich Engels, Briefwechsel Januar 1858 bis August 1859» [12] tienen como trasfondo la recesión económica de 1857. Ella reanimó en Marx la esperanza de un recrudecimiento del movimiento revolucionario, después de la década de retirada que empezó con la derrota de 1848:«la crisis ha cavado como el buen viejo topo». [13] Esta expectativa renovó vigorosamente su producción intelectual y lo condujo a elaborar los bosquejos fundamentales de su teoría económica «antes del diluvio», [14] anhelada pero una vez más inalcanzada. Precisamente en este periodo, Marx escribió los últimos cuadernos de su Grundrisse [15] y decidió publicar su trabajo en panfletos. El primero de estos, publicado en junio de 1859, tenía como título Una Contribución a la Crítica de la Economía Política. En un nivel personal, esta fase estaba marcada por una «profunda miseria»: [16] «No creo que nadie haya escrito sobre el dinero con una gran carencia de dinero». [17] Marx luchó desesperadamente con el fin de asegurarse que la precariedad de su posición no le impidiera terminar su «Economía» y declaró: «tengo que seguir mi meta a toda costa y no permitir que la sociedad burguesa me transforme en una máquina de hacer dinero». [18] No obstante, el segundo panfleto nunca vio la luz del día y la próxima publicación de «economía» tendría que esperar hasta 1867, año en que envió el primer volumen de El Capital a la imprenta.

Los volúmenes «Karl Marx-Friedrich Engels,Briefwechsel September 1859 bis Mai 1860» [19] y «Karl Marx-Friedrich Engels, Briefwechsel Juni 1860 bis De-zember 1861» [20] contienen la correspondencia que hubo entre Vogt y Marx. En 1859, Karl Vogt acusó a Marx de haber instigado una conspiración en su contra, así como de ser el líder de un grupo que vivía de chantajear a aquellos que habían participado en el levantamiento de 1848. Así pues, con el propósito de proteger su propia reputación, Marx se vio obligado a defenderse. Esto lo logró mediante un vigoroso intercambio de cartas enviadas a militantes con los cuales él había tenido relación política durante y después de 1848, con el fin de obtener de ellos todos los documentos posibles sobre Vogt. El resultado fue un polémico panfleto de 200 páginas: Herr Vogt. Refutar las acusaciones acaparó el tiempo de Marx a lo largo de todo un año y le obligó a interrumpir completamente sus estudios sobre economía. Además, aunque él esperaba causar sensación, la prensa alemana no prestó ninguna atención a su libro. Los asuntos de la vida privada en este perio-do, no recibían más atención. Aunados a los desalentadores problemas de índole financiera —a finales de 1861 Marx dijo: «si éste [año] resulta igual que el pasa-do, por mi parte, prefiero el infierno» [21] —también encontramos constantemente aquellos que se referían a su mala salud, que resultaban como consecuencia de los primeros. Durante algunas semanas, por ejemplo, tuvo que dejar de trabajar: «la única tarea con la cual puedo mantener la tranquilidad necesaria del alma es con las matemáticas», [22] una de las grandes pasiones intelectuales de su vida. Nueva-mente, al inicio de 1861, su estado empeoró debido a una inflamación del hígado y escribió a Engels: «Estoy sufriendo como Job, aunque no como un temeroso de Dios». [23] Desesperado por leer, se refugió nuevamente en la cultura: «para miti-gar el profundo malestar causado por la situación, incierta en muchos sentidos —escribe: «estoy leyendo a Tucídides. Al menos estos antiguos permanecen siem-pre nuevos». [24] De todas maneras, en agosto de 1861, reinició su trabajo con gran diligencia. Hasta junio de 1863, llenó 23 cuadernos de 1472 páginas en tamaño quarto, los cuales contenían las Teorías del Plusvalor. Los primeros cinco de estos, que abordan la transformación de dinero en capital, fueron ignorados por 100 años y recién fueron publicados en 1973 en ruso y en 1976 en la lengua original.

El tema principal de «Karl Marx-Friedrich Engels,Briefwechsel Oktober 1864 bis Dezember 1865» [25] es la actividad política de Marx al interior de la «In-ternational Working Men’s Association», fundada en Londres el 28 de setiembre de 1864. Las cartas documentan las actividades de Marx durante el periodo ini-cial de la vida de dicha organización en el cual asumió un papel de liderazgo, y su intento por combinar estos deberes, a los cuales se dedicó una vez más como preocupación principal después de 16 años, con el trabajo científico. Entre las cuestiones que se debatieron se encontraba la función de las organizaciones labo-rales [trade unions], cuya importancia enfatizó mientras que, al mismo tiempo, se enfrentaba a Lassalle y su propuesta de formar cooperativas financiadas por el Estado prusiano: «La clase trabajadora es revolucionaria o no es nada»; [26] la polémica contra el owenista John Weston, la cual resultó en una serie de ensayos coleccionados póstumamente en 1898 con el nombre de Valor, Precio y Ganancia; consideraciones sobre la guerra civil en los Estados Unidos; y el panfleto de Engels sobre La cuestión militar prusiana y el partido obrero alemán.

Las novedades de la edición histórico-crítica también son perceptibles en la cuarta sección, Exzerpte, Notizen, Marginalien. Esta contiene los numerosos resúmenes y notas de estudio de Marx, que constituyen un importante testimonio de su monumental trabajo. Desde sus años universitarios, y de por vida, adoptó el hábito de compilar cuadernos con extractos de los libros que leía, dividiéndolos a menudo según las reflexiones que le ocasionaban. El Nachlaß [legado] de Marx contiene aproximadamente 200 cuadernos con resúmenes. Estos son esenciales para el conocimiento y comprensión de la génesis de su teoría y de las partes que no tuvo la oportunidad de desarrollar como él hubiera querido. Los extractos conservados, que abarcan el largo periodo de tiempo que va desde 1838 hasta 1882, están escritos en ocho idiomas —alemán, griego antiguo, latín, francés, in-glés, italiano, español y ruso— y abordan un muy amplio espectro de disciplinas. Fueron extraídos de textos de filosofía, arte, religión, política, derecho, literatura, historia, economía política, relaciones internacionales, tecnología, matemáticas, fisiología, geología, mineralogía, agronomía, etnología, química y física, así como artículos de periódicos y diarios, reportes parlamentarios, estadísticas reportes, y publicaciones de las oficinas de gobierno —entre estas encontramos los famosos «libros azules», en particular los Reportes de los inspectores de fábricas, los cuales contenían investigaciones de gran importancia para sus investigaciones.

Este inmensa mina de conocimiento, en gran parte todavía inédito, fue la base para la construcción de la teoría crítica de Marx. La cuarta sección de la MEGA2, contemplada en 32 volúmenes, brindará acceso a dicho material por primera vez.

Recientemente fueron publicados cuatro volúmenes. El volumen «Karl Marx, Exzerpte und Notizen Sommer 1844 bis Anfang 1847» [27] contiene ocho cuadernos con extractos, compilados por Marx entre el verano de 1844 y diciembre de 1845. Los dos primeros pertenecen a su estancia en París y vinieron justamente después de los Manuscritos Económicos y Filosóficos de 1844. Los otros seis fueron escritos el año siguiente en Bruselas, a donde se fue después de ser expulsado de París, y en Inglaterra, donde se quedó durante julio y agosto. En estos cuadernos hallamos los indicios del encuentro de Marx con la economía política y el proceso de formación de sus primeras elaboraciones de teoría económica. Esto surge claramente de los extractos de los manuales de economía política de Storch y Rossi, así como de aquellos tomados de Boisguillebert, Lauderdale, Sismondi y, en relación a la maquinaría y técnicas de manufactura, de Baggage y Ure. Comparando estos cuadernos con las escritos del periodo, publicados y no-publicados, es evidente la irrefutable influencia de dichas lecturas sobre el desarrollo de sus ideas. La totalidad de estas notas, junto con la reconstrucción histórica de su maduración, muestra el progreso y la complejidad de su pensamiento crítico durante este periodo de trabajo intenso. El texto, además, también contiene las célebres Tesis sobre Feuerbach.

El volumen «Karl Marx-Friedrich Engels, Exzerpte und Notizen September 1853 bis Januar 1855» [28] contiene nueve cuadernos extensos con extractos, com-pilados por Marx principalmente durante 1854. Fueron escritos en el mismo pe-riodo en el que publica una importante serie de artículos en el New-York Tribune: aquellos sobre «Lord Palmerston» entre octubre y diciembre de 1853 y reflexiones sobre «La España revolucionaria » entre julio y diciembre de 1854, mientras que los textos sobre la guerra de Crimea —casi todos escritos por Engels— fueron publicados en 1856. Cuatro de estos cuadernos contienen anotaciones sobre la historia de la diplomacia, principalmente tomados de los textos de los histo-riadores Famin y Francis, del abogado y diplomático alemán von Martens, del político Tory Urquhart, así como de la «correspondencia referente a los asuntos del debate parlamentario sobre Levante y los Hansard». Los otro cinco tomados de Chateaubriand, del escritor español Jovellanos, del general español San Miguel, de su compatriota Marliani y muchos otros autores están, en cambio, dedicados exclusivamente a España y demuestran la intensidad con que Marx examinó su historia política, social y cultural. Asimismo, las notas de Essai sur l’histoire de la formation et des progrès du Tiers État de Augustin Thierry suscitaron un interés en especial. Todas estas notas son muy importantes porque revelan las fuentes en las que Marx se alimentó y nos permiten entender cómo utilizó estas lecturas para la elaboración de sus artículos. El volumen contiene, por último, una serie de extrac-tos sobre historia militar de Engels.

El gran interés de Marx por las ciencias naturales, casi completamente desconocido, aparece en el volumen «Karl Marx-Friedrich Engels, Naturwissenschaftliche Exzerpte und Notizen. Mitte 1877 bis Anfang 1883» .[29] Este volumen presenta sus notas sobre química orgánica e inorgánica del periodo 1877-1883, el cual nos permite descubrir otro aspecto más de su obra. Esto es aún más importante porque dichas investigaciones nos permiten desacreditar la falsa leyenda, relatada en un gran número de sus biografías, que lo caracterizan como un autor que había abandonado sus propios estudios durante la última década de su vida y había completamente satisfecho su curiosidad intelectual. Las notas publicadas contienen composiciones químicas, extractos de libros de químicos tales como Meyer, Roscoe y Schorlemmer, así como notas sobre física, fisiología y geología —disciplinas que fueron testigo de acontecimientos científicos importantes durante el último cuarto del siglo XIX, de los cuales Marx siempre quiso estar informado. Dichos estudios constituyen uno de los campos menos explorados de investigación sobre Marx y dado que no están directamente relacionados con la realización del trabajo sobre el Capital, plantean cuestiones sin responder respecto de las razones por su interés. Para finalizar dicho volumen, encontramos también extractos sobre temas análogos relacionados escritos por Engels durante el mismo periodo.

Si los manuscritos de Marx, antes de ser publicados, han conocido nu-merosos altibajos, los libros que fueron de su propiedad sufrieron un destino peor aún. Después de la muerte de Engels, las dos bibliotecas que contenían sus libros con interesantes notas al margen y subrayados fueron ignoradas y parcialmente dispersadas, y solo posteriormente reconstruidas y catalogadas con dificultad. El volumen «Karl Marx-Friedrich Engels, Die Bibliotheken von Karl Marx und Fried-rich Engels» [30] es de hecho el fruto de 75 años de investigación. Consiste de un índice con 1 450 libros en 2 100 volúmenes —o dos terceras partes de aquellos que poseyeron Marx y Engels— que incluye notas de todas las páginas de cada volumen en el que hay anotaciones. Es una publicación adelantada que será in-tegrada cuando la MEGA2 esté terminada por el índice de libros no disponible hasta ahora (el número total de los que han sido recuperados es de 2 100 en 3 200 volúmenes), con indicaciones al margen, presentes en 40 000 páginas de 830 textos, y la publicación de comentarios de las lecturas hechos en los márge-nes de los volúmenes. Muchos de los que estuvieron en contacto cercano con Marx señalaron que él no consideraba los libros como objetos de lujo, sino como herramientas de trabajo. Los maltrataba, doblando las esquinas de las páginas y subrayándolos. «Son mis esclavos y tienen que obedecer mi voluntad», [31] había dicho sobre sus libros. Por otra parte, se entregaba a ellos con gran devoción hasta el punto de definirse a sí mismo como «una maquina condenada a devorar libros para después expulsarlos, bajo una forma distinta, en el estercolero de la historia». [32]

El poder conocer algunas de sus lecturas —y uno debe recordar, no obstante, que su biblioteca solo nos brinda una muestra representativa parcial de la infati-gable labor que realizó durante décadas en el Museo Británico de Londres— así como sus comentarios relacionados a estas, constituyen un valioso recurso para la reconstrucción de su investigación. También nos sirve para refutar la falsa inter-pretación hagiográfica marxista leninista que muy a menudo ha caracterizado su pensamiento como el fruto de un súbito relámpago y no, como lo fue en realidad, como una elaboración repleta de elementos teóricos derivados de antecesores y contemporáneos.

Finalmente, uno debería preguntar: ¿cómo es el Marx nuevo que emerge de la nueva edición histórico-crítica? Ciertamente, un Marx diferente al aceptado durante mucho tiempo por muchos seguidores y oponentes. El proceso tortuoso de la diseminación de sus escritos y la ausencia de una edición integral de ellos, junto con su incompletitud fundamental, la pésima labor de sus epígonos, las lecturas tendenciosas, y los más numerosos casos donde no era leído, son las cau-sas fundamentales de una gran paradoja: Karl Marx es un lector malinterpretado, víctima de una profunda y a menudo reiterada incomprensión.[33] En lugar del per-fil pétreo de la estatua erigida en muchas de las plazas de los regímenes iliberales de la Europa Oriental, que lo caracterizaba mostrando el camino hacia el futuro con una certeza dogmática, ahora podemos reconocer a un autor que dejó gran parte de sus propios escritos incompletos con el propósito de dedicarse, hasta el día de sus muerte, a estudios adicionales que verificarían la validez de sus tesis.

Del redescubrimiento de su trabajo resurge la riqueza de un pensamien-to problemático y polimorfo que conforma un afluente horizonte para la futura Marx Forschung (la investigación sobre Marx).

 

References
1. Cfr. Marcello Musto (ed.), Sulle tracce di un fantasma. L’opera di Karl Marx tra filologia e filosofia , Manifestolibri, Roma 2006 [traducción en español Siglo XXI, Ciudad de Mexico 2010]. Se puede encontrar información más detallada sobre la MEGA2 en www.bbaw.de/vs/mega.
2. MEGA² I/14, H.-J. Bochinski and M. Hundt (eds), Akademie Verlag, Berlin (2001).
3. MEGA² I/31, R. Merkel-Melis (eds), Akademie Verlag, Berlin (2002).
4. Karl Marx y Friedrich Engels y Joseph Weydemeyer, Die deutsche Ideologie. Artikel, Druckvorlagen, Entwürfe, Reinschriftenfragmente und Notizen zu‚ I. Feuerbach’ und‚ II. Sankt Bruno’ , en Marx-En-gels-Jahrbuch 2003, Akademie Verlag, Berlin (2004).
5. Karl Marx, Zur Kritik der politischen Ökonomie. Erstes Hefte [primer fasciculo], MEGA² II/2, Dietz Verlag, Berlin (1980) p. 102. [«Prólogo de laContribución a la Crítica de la Economía Política», en C. Marx y F. Engels Obras Escogidas, Tomo I, Progreso, s/f, Moscú, p. 519]
6. MEGA² II/12, I. Omura, K. Hayasaka, R. Hecker, A. Miyakawa, S. Ohno, S. Shibata y R. Yatuyanagi (eds), Akademie Verlag, Berlin (2005).
7. Engels, Prólogo a Karl Marx, El Capital, Tomo II, Ed. Siglo XXI, p. 3.
8. MEGA² II/15, R. Roth, E. Kopf y C.E. Vollgraf (eds), Akademie Verlag, Berlin (2004).
9. Engels, Prólogo a Karl Marx, EL Capital, Tomo III, Siglo XXI, p. 5.
10. Ibid ., p. 5.
11. MEGA² II/14, C.E. Vollgraf y R. Roth (eds), Akademie Verlag, Berlin (2003).
12. MEGA² III/9, V. Morozova, M. Uzar, E. Vashchenko y J. Rojahn (eds), Akademie Verlag, Berlin (2003).
13. Karl Marx a Friedrich Engels, 22 de febrero de 1858, Ibid. , p. 75.
14. Karl Marx a Friedrich Engels, 8 de diciembre de 1857, MEGA² III/8, Dietz Verlag, Berlin (1990), p. 210.
15. Cfr. Marcello Musto (ed.), Karl Marx’s Grundrisse. Foundations of the Critique of Political Economy 150 Years Later, Routledge, London/New York, 2008.
16. Karl Marx a Friedrich Engels, 16 de abril de 1859, MEGA² III/9, p. 386.
17. Karl Marx a Friedrich Engels, 21 de enero de 1859, Ibid., p. 277.
18. Karl Marx a Joseph Weydemeyer, 1 de febrero de 1859, Ibid. , p. 292.
19. MEGA² III/10, G. Golovina, T. Gioeva, J. Vasin and R. Dlubek (eds), Akademie Verlag, Berlin (2000).
20. MEGA² III/11, R. Dlubek and V. Morozova (eds), Akademie Verlag, Berlin (2005).
21. Karl Marx a Friedrich Engels, 27 diciembre 1861, Ibid., p. 636.
22. Karl Marx a Friedrich Engels, 23 noviembre 1860, Ibid., p. 229.
23. Karl Marx a Friedrich Engels, 18 enero 1861, Ibid., p. 319.
24. Karl Marx a Ferdinand Lassalle, 29 mayo 1861, Ibid., p. 481.
25. MEGA² III/13, S. Gavril’chenko, I. Osobova, O. Koroleva and R. Dlubek (eds), Akademie Verlag, Berlin (2002).
26. Karl Marx a Johann Baptist von Schweitzer, 13 febrero 1865, Ibid., p. 236.
27. MEGA² IV/3, G. Bagaturija, L. Čurbanov, O. Koroleva and L. Vasina (eds), Akademie Verlag, Berlin (1998).
28. MEGA² IV/12, M. Neuhaus and C. Reichel (eds), Akademie Verlag, Berlin (2007).
29. MEGA² IV/31, A. Griese, F. Fessen, P. Jäckel and G. Pawelzig, Akademie Verlag (eds), Berlin (1999).
30. MEGA² IV/32, H. P. Harstick, R. Sperl and H. Strauß (eds), Akademie Verlag, Berlin (1999).
31. Paul Lafargue, ‘Karl Marx. Persönliche Erinnerungen’, in Vv. Aa., Erinnerungen an Karl Marx, Dietz Verlag, Berlin (1953), p. 152.
32. Karl Marx to Laura and Paul Lafargue, 11 April 1868, Marx Engels Werke, Band 32, Dietz Verlag, Berlin (1965), p. 545.
33. Junto al desconocimiento «marxista» que hasta aquí hemos querido esbozar, habría que considerar también el «antimarxista» de origen liberal y conservador, que es igualmente profundo porque está cargado de prevención y hostilidad.