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Maurício Vieira Martins, Marxismo21

O escritor japonês Kohei Saito vendeu cerca de meio milhão de cópias em seu país com o livro O capital no antropoceno, que analisa a partir de uma perspectiva marxista as causas que promovem a aguda deterioração ambiental do planeta. Já o periódico alemão conservador Der Spiegel, na sua última edição de 2022, traz na capa um Marx de visual contemporâneo (com mangas curtas e braços tatuados…) e estampa a pergunta: “Afinal, Marx estava certo?”. Estes são apenas alguns exemplos de uma retomada do interesse pela obra de Marx que
vem ocorrendo no século XXI, a partir das evidências muito contundentes da gravidade das contradições da economia capitalista. Também no Brasil a produção de livros marxistas encontra um espaço próprio, ao qual vem se somar a recente tradução para o português do livro Repensar Marx e o Marxismo: guia para novas leituras, de autoria do pesquisador italiano Marcello Musto, professor da York University no Canadá. Dois livros de Musto já haviam sido publicados no Brasil: Trabalhadores, uni-vos!: Antologia política da I Internacional, publicado também pela Boitempo e O velho Marx: Uma biografia de seus últimos anos Boitempo (uma parceria da Boitempo e com a Fundação Perseu Abramo).

O conjunto de temas abordado por Repensar o marxismo é amplo:
dividido em dez capítulos, o livro abrange desde ensaios que se ocupam de alguns momentos determinados da biografia e do pensamento de Marx, como seus anos de juventude (capítulos 1 e 2), passando pelos estudos de economia política e jornalismo na década de 50 para o New-York Tribune (capítulo 4), chegando até o período de redação de O capital (capítulo 7). Há também dois capítulos dedicados à elaboração e posterior repercussão dos Grundrisse e de sua Introdução, famosos rascunhos preparatórios de O capital (capítulos 5 e 6). Além disso, o leitor encontrará um debate sobre a pertinência da oposição entre o chamado jovem Marx e o Marx da maturidade (capítulo 3), debate que encontra desdobramentos na investigação sobre o conceito de alienação (capítulo 8), desde sua apropriação por Marx até as repercussões na sociologia e na filosofia contemporâneas. Já o capítulo 9, “Evitar o capitalismo” discute a primeira recepção de Marx na Rússia, ainda durante sua vida. O livro se encerra no capítulo 10 com uma apresentação das novas descobertas da MEGA² -MarxEngels-Gesamtausgabe -, projeto editorial ainda em curso, responsável pela publicação da obra integral de Marx e Engels.

Dada a amplitude da investigação realizada por Musto, seria impossível comentar no presente texto cada capítulo do livro. Aqui, a opção será destacar alguns aspectos que me parecem particularmente fecundos [1], neste livro que consegue atingir tanto o leitor que tenha um conhecimento apenas inicial de Marx, como aquele que já dispõe de um trajeto na obra do pensador.

No meu entender, o primeiro aspecto a ser destacado diz respeito a uma ampliação da visão sobre qual foi o campo temático pesquisado por Marx ao longo de sua vida. Com efeito, os novos volumes publicados pelo projeto MEGA² nos apresentam um autor que inclui em seus estudos não somente a crítica da economia política e o conflito entre as classes sociais (temas classicamente associados ao nome do pensador alemão), como também outras preocupações que ingressaram com força na agenda teórica e política de homens e mulheres dos séculos XX e XXI. Dentre eles, merece destaque o interesse de Marx pela devastação ambiental levada a cabo pela produção capitalista. Nas palavras de Musto, “Marx se interessou cada vez mais pelo que hoje chamamos de ‘ecologia’, em particular pela erosão do solo e pelo desmatamento” (p. 310). [2]
Diferentemente de um elogio unilateral das forças produtivas – que supõe ingenuamente que o simples desenvolvimento tecnológico associado ao progresso da ciência seria capaz de produzir uma emancipação humana – encontramos em Marx uma preocupação com a devastação da natureza levada adiante pela racionalidade mercantil capitalista. Leitor atento das descobertas das ciências naturais de sua época – como atesta seu interesse pela obra, dentre outros, do cientista e bioquímico Justus von Liebig -, ele escreve em 1868: “o cultivo que, quando progride de maneira primitiva, não conscientemente controlada (obviamente, isso não se consegue sendo burguês), deixa desertos atrás de si” (apud p. 311). Ao invés do culto unilateral do produtivismo, encontramos em Marx a radiografia da destruição ambiental que a lógica do lucro traz em si.

O acesso a uma gama mais ampla de textos de Marx nos mostra também um pensador muito crítico à dominação colonial levada a cabo pela Europa ao redor do mundo. De modo diverso de um Edward Said que no seu célebre livro Orientalismo afirmava que Marx, excessivamente preso à ótica de sua época, não teria conseguido enxergar a alteridade de outras culturas, Musto escreve que “Entre os interesses de Marx, um lugar nada secundário foi ocupado pelo estudo
das sociedades não europeias e do papel destrutivo do colonialismo nas periferias do mundo” (p. 18). Notemos que tal alerta é oportuno tendo em vista que também alguns dos chamados estudos decoloniais mais recentes categorizam Marx como um pensador eurocêntrico, a ser sumariamente despachado para uma espécie de museu dos equívocos cometidos no passado. Todavia, quando se leva em conta principalmente os escritos tardios de Marx sobre, por exemplo, a violenta predação exercida pela Inglaterra sobre a Índia, vemos uma fisionomia bem diferente do pensador, que veicula uma crítica contundente ao próprio modo de produção vigente em sua Europa nativa. Nos Cadernos Etnológicos marxianos podemos ler: “a supressão da propriedade comum do solo não passou de um ato
de vandalismo inglês, que não impulsionou o povo indiano para frente, mas o empurrou para trás” (apud p. 266). Longe de um elogio da cultura europeia, Marx radiografa, no calor da hora, a violência estrutural e constitutiva de seu modo de produção capitalista.

Dito isso, é preciso reconhecer que descoberta de novos rascunhos, manuscritos preparatórios e cartas de Marx e Engels – missivistas contumazes – complexifica de modo considerável o trabalho dos pesquisadores que se dedicam com seriedade à obra dos autores. Basta lembrar que a MEGA² prevê a publicação de 114 volumes (cada um com dois tomos), colocando à disposição do público um material até então inédito. Esta é aliás uma dificuldade adicional para os leitores de Marx e Engels, que se veem diante de uma obra monumental, que simplesmente não cabe nos estreitos escaninhos da atual divisão do trabalho acadêmica, donde a observação: “a obra de Marx é uma gigantesca cultura de teoria crítica, que transita entre inúmeras disciplinas do conhecimento humano, cuja síntese representa uma tarefa árdua para todo leitor rigoroso.” (p.11)

Tal tarefa que se apresenta aos pesquisadores marxistas por vezes faz
pensar, acrescento, na saborosa referência do escritor argentino Jorge Luis Borges ao procedimento do Colégio de Cartógrafos de um Império fictício. Desconhecendo o princípio mais produtivo de uma cartografia – o de que o mapa deve ter uma escala significativamente diferente do objeto a ser mapeado – os cartógrafos produziram um gigantesco “Mapa do Império que tinha o tamanho do Império e coincidia ponto a ponto com ele” [3].  Mas Marcello Musto está bem longe deste perigo: ele consegue ter uma notável capacidade de síntese que lhe permite transitar por um número muito grande de temas biográficos e conceituais dentro da obra de Marx e de alguns de seus sucessores, mantendo sempre uma bússola que assegura o tônus da argumentação ao longo do livro.

Igualmente merecedor de atenção em Repensar Marx e os marxismos
vem a ser a refutação da ideia, amplamente difundida entre os críticos de Marx, de um suposto dogmatismo do autor, como alguém que veicularia certezas definitivas sobre os temas que pesquisa. Também aqui a leitura da correspondência de Marx e dos materiais preparatórios de seus livros nos mostra um pensador que, quando confrontado com limites de seu trabalho, se retifica de modo consistente. A este respeito, as sucessivas modificações que Marx imprimiu ao capítulo 1 de O capital são exemplares: ele se convence que a forma da exposição de fato não estava satisfatória. Em carta a Kugelmann de outubro de 1866, escreve abertamente: “mesmo as pessoas inteligentes não entenderam adequadamente a questão, em outras palavras, deve ter havido defeitos na primeira apresentação” (p. 204)

Mais do que isso, o próprio caráter processual do objeto de seus estudos – o modo de produção capitalista – lhe impunha a atualização permanente de suas teses. Basta lembrar o interesse com que Marx se dedica a estudar os mercados financeiros nos anos finais de sua vida, ciente das transformações que eles traziam para a acumulação capitalista: “Desde o outono de 1868 até a primavera de 1869, determinado a dar conta dos últimos desenvolvimentos do capitalismo, Marx compilou copiosos excertos de textos sobre os mercados financeiros e monetários…” (p. 209). Assim, ao invés de “vestir” a realidade com categorias previamente construídas (e aqui, a meu ver, o contraste com o tipo ideal de Weber é quase palpável), Marx se dedica a construir uma malha categorial que espelhe seu caráter processual e histórico.

Considerações adicionais sobre a disponibilidade de Marx em alterar aqueles tópicos de seu pensamento quando confrontado com questionamentos pertinentes podem ser encontradas no capítulo 9, intitulado “Evitar o capitalismo”. Nele, Musto detalha os esforços de Marx para combater uma imagem que começou a se formar já durante a sua vida, que afirmava que ele havia apresentado uma teoria universal do desenvolvimento das sociedades. O cotejamento com Nikolai Mikhailovsky e Vera Ivanovna Zasulitch sobre os possíveis desdobramentos da obshchina – comunidade rural presente numa imensa extensão territorial russa – evidencia um autor cauteloso ao lidar com questões que envolviam uma avaliação de sua própria teoria. Os longos rascunhos que precederam, por exemplo, a resposta às indagações de Zasulich sobre as transformações da obshchina mostram Marx explorando as diferentes variáveis a serem levadas em conta – sempre ligadas ao contexto histórico de cada formação social -, ao invés de pretender fornecer uma resposta pronta à sua interlocutora.
Nas palavras de Musto: “Por quase três semanas, Marx permaneceu imerso em suas cartas, ciente de que deveria fornecer uma resposta a um questionamento teórico de grande envergadura” (p. 264). Esta disponibilidade para uma atualização da teoria será reencontrada também na revisão da edição francesa de O capital, que envolve acréscimos e modificações em relação à edição alemã, a ponto de Marx atribuir à primeira “um valor científico independente do original” (apud p. 210).

Repensar Marx e os marxismos aborda também o debate em torno da
periodização da obra do pensador. Conforme é sabido, ao longo do século XX ganhou prestígio uma partição da obra que opunha o jovem Marx – que afirmava uma peculiar forma de humanismo – ao velho Marx, crítico da economia política burguesa. Por esta via, a bibliografia do século criou uma espécie de personagem que atenderia pelo nome de jovem Marx e que encontraria sua produção mais emblemática nos Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844. Levando isso em conta, em mais de um capítulo de Repensar Marx e os marxismos são feitas
referências a estes Manuscritos, apresentando seus méritos, mas também seus
limites reais. O texto de 1844 enfrenta de forma original questões que não eram tradicionalmente associadas ao marxismo, como aquelas referentes tanto à alienação objetiva como subjetiva dos trabalhadores, com toda a objetificação que o fenômeno acarreta nas relações humanas. A perspectiva emancipatória subjacente aos Manuscritos – publicados em sua íntegra apenas em 1932 – opunha-se à interpretação predominante de uma ortodoxia marxista, daí ser preciso enfatizar o “efeito disruptivo gerado por um texto inédito tão diferente dos cânones do marxismo dominante” (p. 94).

Levando em conta a existência de aquisições substantivas ocorridas na
juventude de Marx, Musto afirma que elas não autorizam uma partição tão excludente da obra entre o jovem Marx e o Marx da maturidade. Aqui, algumas palavras duras são dirigidas a Louis Althusser, o autor que mais difundiu a noção de uma ruptura epistemológica que separaria radicalmente diferentes fases da obra de Marx. Ocorre que a pesquisa textual e filológica posterior não corrobora tal hipótese, sustentada por Althusser mesmo em seus Elementos de autocrítica.
Lembrando que a categoria da alienação (Entfremdung) percorre a quase totalidade da obra de Marx, Musto aponta para a impossibilidade de que o suposto corte epistemológico “tivesse acontecido no desenrolar de algumas poucas semanas e pudesse ter sido concebido como algo tão rígido” (p. 84).

Contudo, feito o registro da importância de algumas categorias
desenvolvidas nos escritos de juventude de Marx, Musto não esconde suas próprias preferências: afirma que os longos anos de estudo de economia política e outras disciplinas levaram-no a alcançar patamares de investigação compreensivelmente mais elevados do que aqueles de sua juventude. Por esta razão, não é possível endossar a hipótese que seria como que a inversa da ruptura epistemológica: aquela que supõe existir uma identidade plena no interior do pensamento marxiano, “como se a obra de Marx fosse um único escrito, indistinto
e atemporal” (p. 96). Caso adotássemos esta via, ficaria interditada a apreensão do imenso esforço teórico realizado por Marx, esforço que lhe apresentou questões novas – referentes à estruturação econômica e política do modo de produção capitalista – para as quais simplesmente não dispunha de respostas em sua juventude.

Já no que diz respeito ao capítulo 8, “A concepção de alienação segundo Marx e nos marxismos do século XX”, parece-me que uma de suas implicações mais relevantes é colocar em xeque a perspectiva que supõe existir uma progressiva evolução das Ciências Sociais como um todo ao longo do tempo.
Amplamente difundida em vários ambientes acadêmicos, tal perspectiva afirma que a ciência temporalmente mais recente é necessariamente melhor do que a anterior (daí para se erradicar dos currículos universitários os autores do século XIX será apenas um passo…). Mas, ora, durante a leitura da apropriação que, por exemplo, a sociologia estadunidense do século XX fez da categoria alienação, é
impossível não pensar que tal sociologia ficou aquém da formulação original de Marx. Pois o que era nos textos deste último uma abordagem que apontava para um fenômeno social com uma fisionomia bem definida (a alienação enraizada no modo de produção da vida de uma sociedade capitalista), acaba adquirindo os contornos de uma condição humana universal. Na pena de autores como Melvin
Seeman ou Robert Blauner (escrevendo nas décadas de 50 e 60 do século XX) ocorre uma “espécie de hiperpsicologização da análise do conceito – que foi assumida na sociologia, bem como na psicologia, não mais como uma questão social, mas como uma patologia individual” (p. 231).

Se voltarmos agora a atenção para o debate político em torno do legado de Marx, o capítulo 10 de Repensar Marx e os marxismos traz vários elementos que atestam o visível contraste entre o projeto político e societário do autor e as experiências socialistas do século XX. Não seria este o momento para analisar um tema da magnitude das distorções do pensamento de Marx ocorridas nos manuais produzidos pela União Soviética, e mais ainda no cotidiano daquela sociedade. De todo modo, Musto chama a atenção para a distância existente entre
este último e o projeto societário encontrável na obra de Marx. Basta lembrar que: “Proponente da ideia de que a condição fundamental para o amadurecimento das habilidades humanas era a redução da jornada de trabalho, ele [Marx] foi assimilado ao credo produtivista do stakhanovismo. Convicto defensor da abolição do Estado, viu-se identificado como seu baluarte” (pp. 289-290). Alerta oportuno a ser feito, principalmente tendo em vista que o pensamento conservador continua a atribuir a Marx (falecido em 1883, não custa lembrar…)
a configuração assumida pela União Soviética mais de décadas após o seu falecimento. Cabe a nós, homens e mulheres do século XXI, relançar a originalidade de um projeto que esteja à altura do sentido emancipatório de seus fundadores.

Por fim, uma menção especial ao capítulo 7, intitulado “A escrita de O
capital: a crítica inacabada”. Alternando informações biográficas com decisões conceituais de Marx, nele encontramos nosso autor mergulhado na dificílima tarefa de concluir a redação do volume 1 de O capital. Musto persegue eficazmente seu objetivo de mostrar o erro que é considerar O Capital como uma obra acabada, trazendo material que atesta o seu caráter in progress, a ser aprimorado mediante o cotejamento com a realidade. No que diz respeito ao trabalho conceitual, merece destaque a importante carta a Engels, de 24 de agosto de 1867, onde Marx anuncia, orgulhoso, aqueles que lhe pareciam ser os dois melhores aspectos do volume I: “1. (isto é fundamental para toda a compreensão dos fatos) o duplo caráter do trabalho conforme se expressa em valor de uso ou valor de troca, que é trazido logo no primeiro capítulo; 2. O tratamento do maisvalor independentemente de suas formas particulares, como lucro, juros, renda da terra etc.” (apud p. 207). Incidentalmente, menciono que caberia talvez neste capítulo 7 um desdobramento, ainda que breve, do duplo caráter do trabalho a que Marx se refere. Isso nos levaria à categoria do trabalho abstrato, apontada por estudiosos contemporâneos (como Sohn-Rethel, W. Bonefeld, A. Jappe)
como uma das contribuições mais originais da economia política marxiana. [4]

Já no que tange as dificuldades pessoais de Marx enfrentadas para
concluir a redação de O capital, Musto detalha com segurança suas diferentes facetas. Num aspecto mais biográfico, salta aos olhos a situação de extrema pobreza em que vivia o autor de O capital. Acossado por credores, colocando seus bens na loja de penhores, impossibilitado de fornecer à sua família condições adequadas de vida (“as crianças não [tinham] roupas ou sapatos para sair”, ele escreve em 1863, apud p. 191), Marx estava em tudo distante da realidade vivida,
desnecessário dizer, por acadêmicos de países do dito primeiro mundo. A estas condições objetivas, soma-se também seu nível de autoexigência muito elevado, que raramente se dava satisfeito com o que escrevia (“também possuo o hábito de encontrar falhas em qualquer coisa que escrevi”, apud p. 185), modificando constantemente o material preparatório do que viria a ser O capital.
Adicionalmente, uma consciência aguda das transformações da economia capitalista o obrigava a incluir estudos suplementares, por exemplo, sobre o crescente papel dos mercados financeiros. Tudo isso resultava numa rotina de trabalho estafante: dedicando “dez horas por dia ao trabalho sobre economia” e muitas vezes sem dormir “antes das quatro da manhã”. As pressões externas e internas estouravam em seu próprio corpo. Marx passou a ser assolado com frequência por carbúnculos infecciosos que surgiam alternadamente em todas as
partes do corpo, causando-lhe um indescritível sofrimento que é descrito em detalhes em suas cartas. Marx, o mestre da pesquisa das contradições, se vê atravessado em seu organismo por elas. Descreve-se “como um verdadeiro Lázaro […], golpeado por todos os lados ao mesmo tempo’” (apud p. 194).

Para o leitor contemporâneo que acompanhe o detalhamento do
sofrimento contundente vivido por Marx e se pergunte sobre qual foi a eficácia, afinal, do trabalho estafante demandado pela redação de sua obra magna, acredito que o próprio pensador forneça a resposta. Referindo-se ao volume 1 de O Capital, ele escreve em 1864 ao metalúrgico Carl Kings: “Espero que eu agora possa, finalmente, terminá-lo em alguns meses e dê à burguesia um golpe teórico
do qual nunca se recuperará” (apud p. 281).
Não resta dúvida: o golpe foi dado.

 

 

[1] Agradeço a João Leonardo Medeiros pela cuidadosa leitura e sugestões feitas a esta resenha.
[2] Exceto quando houver indicação em contrário, as citações desta resenha são do livro de Marcello Musto. Quando sucedidas por apud, tratam-se de referências de Marx, citadas por Musto.
[3] Jorge Luis Borges. “Del rigor en la ciencia”. In El hacedor. Obra Completa, Buenos Aires: Emecé Editores, 1974, p. 847.
[4] Por esta via, seria possível chegar também a um novo sentido do que seja abstração em Marx, afirmada não apenas como um produto do pensamento, mas como processo que transcorre no próprio real. “Essa abstração de trabalho humano geral existe…”. Marx, K. Contribuição à crítica da economia política. São Paulo: Expressão Popular, 2008, p. 56.

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Social Movements: Theory and Practice

This course deals with the developments of some of the most significant international social movements, from the end of the Ancien Régime, in 1789, to the protests of May 1968, in France. The course offers the analysis of the social movements that contributed to the French Revolution, the Paris Commune, the birth of Soviet Union, the Spanish Revolution of 1936, the Chinese Revolution, the student movement of 1968 in France, and many other topics and historical events of the XIX and XX centuries. These social movements will be critically analyzed based on the principal theoretical documents written by their leaders and intellectuals, as well as the examination of their practical forms of organization and development.

 

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علل اقتصادی جنگ

علل اقتصادی جنگ
مارچلو موستو

سروش پیروی

درحالی‌که علم سیاست انگیزه‌های ایدئولوژیک، سیاسی، اقتصادی و حتی روان‌شناختی را در پس انگیزۀ جنگ بررسی کرده‎‌است، نظریۀ سوسیالیستی با برجسته کردن رابطۀ بین توسعۀ سرمایه‌داری و گسترش جنگ‌ها، یکی از قانع‌کننده‌ترین مشارکت‌ها را انجام داده‌است.
در مناظره‌های بین‌المللی اول1، سزار دِ پاپه2، یکی از رهبران اصلی نشست، آنچه را که بعداً به موضع کلاسیک جنبش کارگری تبدیل می‌شود، فرمول‌بندی کرد، در باب این مسئله که: جنگ‌ها تحت رژیم تولید سرمایه‌داری اجتناب‌ناپذیر هستند. در جامعۀ معاصر، آنها نه به‌وسیلۀ جاه‌طلبی‌های پادشاهان یا افراد دیگر، بلکه توسط مدل غالب اجتماعی ـ اقتصادی به‌وجود می‌آیند. درس تمدن برای جنبش کارگری از این باور ناشی شد که هر جنگی را باید «جنگ داخلی» تلقی کرد؛ درگیری وحشیانه‌ای بین کارگران که وسایل لازم برای بقایشان را از آنها سلب کرد.
کارل مارکس در هیچ‌یک از نوشته‌های خود دیدگاه‌های خود ـ که پراکنده و گاه متناقض بودند ـ در مورد جنگ را مطرح نکرد و دستورالعمل‌هایی برای نگرش صحیح نسبت به آن ارائه نکرد. او در کتاب سرمایه3 استدلال کرد که خشونت یک نیروی اقتصادی است، همانند «زائویی جامعۀ جدیدی را از دل هر جامعۀ قدیمی بیرون می‌کشد». اما او جنگ را راه میانبر حیاتی برای دگرگونی انقلابی جامعه نمی‌دانست و هدف اصلی فعالیت سیاسی او متعهد ساختن کارگران به اصل همبستگی بین‌المللی بود.
جنگ چنان پرسش مهمی برای فردریش انگلس4 بود که یکی از آخرین نوشته‌های خود را به آن اختصاص داد. او در «آیا اروپا می‌تواند خلع سلاح کند؟» خاطرنشان کرد که در بیست‌و‌پنج سال گذشته، هر قدرت بزرگی تلاش کرده بود از نظر نظامی و آمادگی جنگی از رقبای خود پیشی بگیرد. این شامل سطوح بی‌سابقه‌ای از تولید تسلیحات بود و قارۀ کهن را به «جنگ ویرانگری که هرگز جهان ندیده بود» نزدیک‌تر کرده‌است. به گفتۀ انگلس «نظام ارتش‌های ثابت [= ارتش‌هایی که در جنگ نیستند] در سراسر اروپا به چنان حدی افراطی شده‌است که یا باید به‌خاطر بار (مخارج) نظامی، نابودی اقتصادی را برای مردم به‌همراه آورد، یا در غیر این صورت به یک جنگ به‌نهایت نابودگر تبدیل شود». انگلس در تحلیل خود فراموش نکرد که تأکید کند ارتش‌های ثابت عمدتاً همان‌قدر که برای اهداف نظامی خارجی هستند، برای اهداف سیاسی داخلی نیز حفظ می‌شوند. آنها با تقویت نیروهایی برای سرکوب پرولتاریا و مبارزات کارگری قصد داشتند «در برابر دشمن داخلی محافظت کنند که بیشتر از دشمن خارجی تهدیدکننده بود». از آنجایی که لایه‌های مردمی پرجمعیت بیش از هر کس دیگری هزینه‌های جنگ را از طریق مالیات و تأمین نیرو برای دولت پرداخت می‌کردند، جنبش کارگری باید برای «کاهش تدریجی مدت خدمت [نظامی] توسط معاهدۀ بین‌المللی» و برای خلع سلاح، به‌عنوان تنها «ضمانت صلح» مؤثر مبارزه کند.

آزمایش و فروپاشی

طولی نکشید که بحث نظریِ زمانِ صلح به مهم‌ترین موضوع سیاسی عصر تبدیل شد؛ زمانی که جنبش کارگری باید با موقعیت‌های واقعی روبرو می‌شد که در آن نمایندگان آنها در ابتدا با هرگونه حمایت از جنگ مخالف بودند. در درگیری فرانسه و پروس در سال ۱۸۷۰ ـ که پیش از گفت‌و‌گوی پاریس5 بود ـ ویلهلم لیبکنشت6 و آگوست ببل7، نمایندگان سوسیال دموکرات، اهداف الحاقی آلمان بیسمارک را محکوم کردند و علیه اعتبارات جنگی رأی دادند. تصمیم آنها برای «رد لایحۀ بودجۀ اضافی برای ادامۀ جنگ» باعث شد که آنها به اتهام خیانت بزرگ به دو سال حبس محکوم شوند، اما به طبقۀ کارگر راهی جایگزین برای سر برآوردن از بحران نشان داد.
از آنجایی که قدرت‌های بزرگ اروپایی به گسترش امپریالیستی خود ادامه می‌دادند، مناقشه بر سر جنگ اهمیت بیشتری در بحث‌های نشست بین‌المللی دوم8 پیدا کرد. مصوبه‌ای که در کنگرۀ موسس آن تصویب شد، صلح را به عنوان «پیش‌شرط ضروریِ هرگونه رهایی کارگران» اعلام کرده بود. همان‌طور که Weltpolitik ـ سیاست تهاجمی آلمان امپراتوری برای گسترش قدرت خود در عرصۀ بین‌المللی ـ فضای ژئوپلیتیکی را تغییر داد، اصول ضد جنگ‌گرایی ریشه‌های عمیق‌تری در جنبش کارگری فرو برد و بحث‌ها دربارۀ درگیری‌های مسلحانه را تحت تأثیر قرار داد. جنگ دیگر تنها به‌عنوان باز کردن فرصت‌های انقلابی و تسریع در فروپاشی نظام تلقی نمی‌شد (ایده‌ای در سمت چپ که به «انقلاب بدون انقلاب» ماکسیمیلیان روبسپیر9 برمی‌گردد). اکنون به دلیل پیامدهای ناگوار آن برای پرولتاریا در قالب گرسنگی، فقر و بیکاری به‌عنوان یک خطر تلقی می‌شد.
مصوبه‌ی «درباب نظامی‌گری و منازعات بین‌المللی»10 که ازسوی نشست بین‌المللی دوم در کنگرۀ اشتوتگارت در سال ۱۹۰۷ به تصویب رسید، تمام نکات کلیدی را که به میراث مشترک جنبش کارگری تبدیل شده بود، خلاصه کرد. از جمله این موارد عبارت‌اند از: رأی مخالف به بودجه‌هایی که هزینه‌های نظامی را افزایش می‌دهد، بی‌اعتنایی به ارتش‌های ثابت و برتری دادن به سیستم شبه‌نظامیان مردمی.
با گذشت سال‌ها، بین‌المللی دوم کمتر و کمتر خود را متعهد به سیاست «عمل به نفع صلح» کرد و بیشتر احزاب سوسیالیست اروپایی در نهایت از جنگ جهانی اول حمایت کردند. البته این اقدام پیامدهای فاجعه‌باری داشت. جنبش کارگری با این ایده که «منافع پیشرفت» نباید در انحصار سرمایه‌داران قرار گیرد، در اهداف توسعه‌طلبانۀ طبقات حاکم شریک شد و با ایدئولوژی ناسیونالیستی اشباع شد. ابین‌المللی دوم در برابر جنگ کاملاً ناتوان بود و در یکی از اهداف اصلی خود یعنی حفظ صلح شکست خورد.
رزا لوکزامبورگ11 و ولادیمیر لنین12 دو تن از سرسخت‌ترین مخالفان جنگ بودند. لوکزامبورگ درک نظری چپ را گسترش و نشان داد که چگونه میلیتاریسم مهرۀ اصلی دولت است. او با نشان دادن اعتقاد و اثربخشی کم‌نظیر در میان دیگر رهبران کمونیست، استدلال کرد که شعار «جنگ علیه جنگ!» باید به سنگ‌بنای سیاست طبقه‌ی کارگر تبدیل شود. همان‌طور که او در «بحران سوسیال دموکراسی»13 نوشت، بین‌المللی دوم به دلیل شکست «در دستیابی به یک تاکتیک و اقدام مشترک پرولتاریا در همه کشورها» منحل شده بود. بنابراین، از آن زمان به بعد، «هدف اصلی» پرولتاریا باید «مبارزه با امپریالیسم و جلوگیری از جنگ‌ها، در زمان صلح مانند زمان جنگ» باشد.
در کتاب سوسیالیسم و جنگ14 و بسیاری از نوشته‌های دیگر در طول جنگ جهانی اول، شایستگی بزرگ لنین شناسایی دو سؤال اساسی بود. اولین مورد مربوط به «جعل تاریخی» بود؛ هر زمان که بورژوازی سعی کرد «احساس رهایی ملی پیشرونده»15 را به آنچه در واقع جنگ‌های «غارت‌کننده» بود نسبت دهد، که تنها با این هدف انجام می‌شد که این بار کدام متخاصم باید بیگانه‌ترین مردم را سرکوب کند و نابرابری های سرمایه‌داری را افزایش دهد. دوم پوشاندن تضادها توسط اصلاح‌طلبانِ سوسیال بود که مبارزۀ طبقاتی را با ادعای «لقمه‌ای از سودی که بورژوازی ملی خود از طریق غارت کشورهای دیگر به‌دست آورده بود» جایگزین کرده بودند. مشهورترین تز این جزوه ـ که انقلابیون باید به‌دنبال «تبدیل جنگ امپریالیستی به جنگ داخلی» باشند ـ تلویحاً حاکی از آن بود که کسانی که واقعاً خواهان یک «صلح دموکراتیک پایدار» بودند، باید «جنگ داخلی علیه دولت‌های خود و بورژوازی» به‌راه اندازند. لنین متقاعد شده بود به آنچه که تاریخ بعداً نادقیق بودنش را نشان می‌دهد: این‌که هر مبارزۀ طبقاتی که به‌طور مداوم در زمان جنگ انجام شود «ناگزیر» روحیۀ انقلابی را در میان توده‌ها ایجاد می‌کند.

خطوط مرزی

جنگ جهانی اول نه تنها در انترناسیونال دوم بلکه در جنبش آنارشیستی نیز شکاف ایجاد کرد. پتر کروپوتکین16 در مقاله‌ای که مدت کوتاهی پس از شروع درگیری منتشر شد، نوشت: «وظیفۀ هرکسی که ایدۀ پیشرفت بشری را گرامی می‌دارد، سرکوب تهاجم آلمان به اروپای غربی است». آنارشیست ایتالیایی انریکو مالاتستا17 در پاسخ به کروپوتکین استدلال کرد که «پیروزی آلمان قطعاً پیروزی نظامی‌گری را به‌همراه خواهد داشت، اما همچنین پیروزی متفقین به‌معنای تسلط روسیه و بریتانیا در اروپا و آسیا خواهد بود».
کروپوتکین در مانیفست شانزده18، بر لزوم «مقاومت در برابر متجاوزی که نمایانگر نابودی همۀ امیدهای ما برای رهایی است» تأکید کرد. پیروزی ائتلاف سه‌گانه (Triple Entente) در برابر آلمان، شرّ کمتری خواهد بود و کمتر به تضعیف آزادی‌های موجود کمک می‌کند. از سوی دیگر، مالاتستا و دیگر امضاکنندگان مانیفست بین‌المللی آنارشیستی ضد جنگ19 اعلام کردند: «هیچ تمایزی بین جنگ‌های تهاجمی و دفاعی ممکن نیست». علاوه بر این، آنها افزودند که «هیچ‌یک از متخاصمین حق ادعای تمدن را ندارند، همان‌طور که هیچ‌یک از آنها حق مشروع ادعای دفاع از نفس را ندارند».
نگرش به جنگ نیز بحث‌هایی را در جنبش فمینیستی برانگیخت. نیاز به زنان برای جایگزینی مردان در مشاغلی که مدت‌ها در انحصار این قشر جامعه بود، گسترش ایدئولوژی شوونیستی20 را در بخش قابل توجهی از جنبش تازه متولدشدۀ حق رأی تشویق کرد. افشای دوروییِ دولت‌هایی که برای برانگیختن دشمن در دروازه‌ها، از جنگ برای عقب انداختن اصلاحات اساسی اجتماعی استفاده می‌کردند، یکی از مهم‌ترین دستاوردهای رزا لوکزامبورگ و فمینیست‌های کمونیست آن زمان بود. آنها نخستین کسانی بودند که شجاعانه و به‌صورت شفاف راهی را آغاز کردند که به نسل‌های متوالی نشان می‌داد که چگونه مبارزه علیه نظامی‌گری برای مبارزه با پدرسالاری ضروری است. بعدها، نپذیرفتن جنگ به بخش مشخصی از روز جهانی زن تبدیل شد و مخالفت با بودجه‌های جنگ در آغاز هر درگیری جدید در بسیاری از بسترهای جنبش بین‌المللی فمینیستی برجسته شد.
تشدید خشونت‌های جبهۀ فاشیست نازی، در داخل و خارج از کشور، و شروع جنگ جهانی دوم، سناریویی بدتر از جنگ ۱۹۱۸ـ۱۹۱۴ ایجاد کرد. پس از حملۀ نیروهای هیتلر به اتحاد جماهیر شوروی در سال ۱۹۴۱، جنگ بزرگ میهن‌پرستانه21، که با شکست نازیسم به پایان رسید، چنان عنصر مرکزی در وحدت ملی روسیه شد که از سقوط دیوار برلین جان سالم به در برد و تا روزگار ما ادامه داشته‌است.
با تقسیم جهان به دو بلوک پس از جنگ، جوزف استالین22 آموخت که وظیفۀ اصلی جنبش بین‌المللی کمونیستی حفاظت از اتحاد جماهیر شوروی است. ایجاد یک منطقۀ حایل23 متشکل از هشت کشور در اروپای شرقی رکن اصلی این سیاست بود. از سال ۱۹۶۱، تحت رهبری نیکیتا خروشچف24، اتحاد جماهیر شوروی مسیر سیاسی جدیدی را آغاز کرد که به «همزیستی مسالمت‌آمیز» معروف شد. با این حال، این تلاش برای همکاری سازنده فقط برای رابطه با ایالات متحده آمریکا بود، نه کشورهای «سوسیالیسم واقعی». در سال ۱۹۵۶، اتحاد جماهیر شوروی قبلاً انقلاب مجارستان را به طرز وحشیانه‌ای سرکوب کرده بود. اتفاقات مشابهی در سال ۱۹۶۸ در چکسلواکی رخ داد. دفتر سیاسی حزب کمونیست اتحاد جماهیر شوروی در مواجهه با خواسته‌های دموکراتیزه شدن در جریان «بهار پراگ»25 به اتفاق آرا تصمیم گرفت نیم میلیون سرباز و هزاران تانک را به آنجا بفرستد. لئونید برژنف26 این اقدام را با اشاره به آنچه که «حاکمیت محدود»27 کشورهای پیمان ورشو خواند، توضیح داد: «وقتی نیروهای دشمن سوسیالیسم تلاش می‌کنند توسعۀ کشور سوسیالیستی را به‌سمت سرمایه‌داری سوق دهند، تنها به مشکل آن کشور تبدیل نمی‌شود، بلکه یک مشکل مشترک و دغدغۀ همۀ کشورهای سوسیالیستی هستند». برپایۀ این منطقِ ضد دموکراتیک، تعریف سوسیالیسم که چه هست و چه نیست، طبیعتاً به تصمیم خودسرانۀ رهبران شوروی افتاد.
با تهاجم به افغانستان، در سال ۱۹۷۹، ارتش سرخ دوباره به ابزار اصلی سیاست خارجی مسکو تبدیل شد، که همچنان مدعی حق مداخله در آنچه به‌عنوان «منطقۀ امنیتی» خود توصیف می‌کند، شد. این مداخلات نظامی نه تنها علیه کاهش عمومی تسلیحات عمل کرد، بلکه به بی‌اعتباری و تضعیف سوسیالیسم در سطح جهانی کمک کرد. اتحاد جماهیر شوروی به‌طور فزاینده‌ای به‌عنوان یک قدرت امپریالیستی در نظر گرفته می‌شد که به شیوه‌هایی متفاوت از ایالات متحده عمل می‌کرد. شوروی از زمان شروع جنگ سرد، کم‌وبیش مخفیانه از کودتاها حمایت می‌کرد و به سرنگونی دولت‌های انتخاب‌شده طی فرایند دموکراتیک در بیش از ۲۰ کشور در سراسر جهان کمک کرد.

چپ بودن به معنای مخالفت با جنگ است

پایان جنگ سرد نه از میزان مداخله در امور دیگر کشورها کاست و نه آزادی انتخاب مردم را افزایش داد تا رژیم سیاسی‌ای که تحت آن زندگی می‌کند را برگزینند. جنگ روسیه و اوکراین دوباره چپ‌ها را با این دوراهی مواجه کرده‌است که چگونه وقتی حاکمیت یک کشور مورد حمله قرار می‌گیرد، واکنش نشان دهند. ناکامی در محکوم کردن حمله روسیه به اوکراین یک اشتباه سیاسی از سوی دولت ونزوئلا است و باعث می‌شود که اقدامات تجاوزکارانۀ احتمالی در آینده ازسوی ایالات متحده کمتر معتبر به نظر برسد.
با یادآوری سخنان لنین در «انقلاب سوسیالیستی و حق ملت‌ها برای تعیین سرنوشت»28: «این واقعیت که مبارزه برای رهایی ملی علیه یک قدرت امپریالیستی ممکن است تحت شرایط خاصی توسط قدرت بزرگ دیگری در راستای منافعی که همان‌‌قدر امپریالیستی‌ هستند مورد استفاده قرار گیرد.»؛ دیگر اهمیتی در ترغیب سوسیال دموکراسی برای به رسمیت نشناختن حق ملت‌ها برای تعیین سرنوشت خود ندارند. فراتر از منافع و دسیسه‌های ژئوپلیتیکی که معمولاً نیز در جریان است، نیروهای چپ به‌طور تاریخی از اصل خودمختاری ملی حمایت کرده‌اند و از حقِ یکایک دولت‌ها برای ایجاد جبهه‌های خود براساس خواست صریح مردم دفاع کرده‌اند. لنین در «نتایج بحث در مورد خودمختاری»29 نوشت: «اگر انقلاب سوسیالیستی در پتروگراد، برلین و ورشو پیروز شود، دولت سوسیالیستی لهستان، مانند دولت‌های سوسیالیست روسیه و آلمان، از «حفظ اجباری» اوکراینی‌ها در مرزهای دولت لهستان و از این دست مسائل چشم‌پوشی می‌کند». پس چرا پیشنهاد می‌شود که هر چیز متفاوتی باید به دولت ملی‌گرا به رهبری ولادیمیر پوتین واگذار شود؟
از سوی دیگر، بسیاری از چپ‌ها در برابر وسوسۀ تبدیل شدن ـ به‌طور مستقیم یا غیرمستقیم ـ به همتایان متخاصم تسلیم شده‌اند و به یک اتحادیۀ مقدسِ30 جدید دامن می‌زنند. چنین موضعی امروزه به‌طور فزاینده‌ای تمایز بین آتلانتیسیسم31 و صلح‌طلبی را محو می‌کند. تاریخ نشان می‌دهد که وقتی آنها با جنگ مخالفت نمی‌کنند، نیروهای پیش‌رونده بخش اساسی دلیل وجودیِ خود را از دست می‌دهند و در نهایت ایدئولوژی اردوگاه جبهۀ مخالف را می‌بلعند. این امر زمانی اتفاق می‌افتد که احزاب چپ حضور خود را در دولت به‌عنوان روشی اساسی برای سنجش کنش سیاسی خود قرار می‌دهند؛ همان‌طور که کمونیست‌های ایتالیایی در حمایت از مداخلاتی که ناتو در کوزوو و افغانستان انجام دادند، یا امروزه اکثریت حزب «متحد باشیم، می‌توانیم»32 صدای خود را با اتفاق آرا به هارمونی گروه کر پارلمان کل اسپانیا یکی پیوند می‌دهد تا از ارسال سلاح به ارتش اوکراین حمابت کنند.

بناپارت33 دموکراسی نیست

هنگامی که مارکس در سال ۱۸۵۴ دربارۀ جنگ کریمه، در مخالفت با لیبرال دموکرات‌هایی که ائتلاف ضد روسیه را تعالی می‌دادند، نوشت: «این اشتباه است که جنگ علیه روسیه را به‌عنوان جنگ بین آزادی و استبداد توصیف کنیم. جدای از این واقعیت که اگر چنین باشد، آزادی برای کسی است که بناپارت نمایندۀ آن نیست، کل هدف جنگْ حفظ … معاهدات وین است؛ همان معاهداتی که آزادی و استقلال ملت‌ها را لغو می‌کند». اگر بناپارت را با ایالات متحدۀ آمریکا و معاهدات وین را با ناتو جایگزین کنیم، این مشاهدات به نظر می‌رسد برای امروز نوشته شده‌است.
کسانی که مخالف ناسیونالیسم روسی و اوکراینیِ گسترش ناتو هستند، دلیلی برای بلاتکلیفی سیاسی یا ابهامِ نظری ارائه نمی‌دهند. در هفته‌های اخیر، تعدادی از کارشناسان توضیحاتی در مورد ریشه‌های درگیری ارائه کرده‌ (که به هیچ وجه از بربریت تهاجم روسیه نمی‌کاهد) و توضیح داده‌اند که: موضع کسانی که سیاست عدم هم‌سویی34 را پیشنهاد می‌کنند، مؤثرترین راه برای پایان دادن به جنگ در کمترین زمان و تضمینِ کاهش تعداد قربانیان است … لازم است فعالیت دیپلماتیک بی‌وقفه براساس دو نکتۀ قطعی دنبال شود: تنش‌زدایی و بی‌طرفی اوکراین مستقل.
به‌رغم افزایش حمایت از ناتو در پی اقدامات روسیه، لازم است بیشتر تلاش کرد تا اطمینان حاصل شود که افکار عمومی بزرگ‌ترین و تهاجمی‌ترین ماشین جنگی در جهان (ناتو) را به‌عنوان راه‌حل مشکلات امنیت جهانی نمی‌بیند. باید نشان داد که سازمانی خطرناک و بی‌اثر است که در تلاش برای گسترش و تسلط تک‌‌قطبی بر دنیاست و به تشدید تنش‌های منجر به جنگ در جهان کمک می‌کند.
به نقل از گفتۀ معروف کلاوزویتز35، برای چپْ جنگ نمی‌تواند «ادامۀ سیاست با روش‌های دیگر» باشد؛ درواقع، این فقط شکست سیاست را تأیید می‌کند. اگر چپ می‌خواهد هژمونی خود را بازگرداند و نشان دهد که قادر است از تاریخ خود برای وظایف امروزش استفاده کند، باید کلمات «ضد جنگ‌گرایی» و «نه به جنگ» را به‌صورت غیرقابل حذف بر روی پرچم‌های خود بنویسد.

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شمایی جدید از مارکس

شمایی جدید از مارکس
پس از مارکس ـ انگلس ـ گسامتاوسگابه (MEGA²)
مارچلو موستو
ترجمه: پیمان جعفرپور

۱. احیای مارکس
اکنون بیش از یک دهه است که روزنامه‌ها و مجلات معتبر با خوانندگان گسترده، کارل مارکس را نظریه‌پردازی دوراندیش توصیف می‌کنند که موضوعیتش دائماً تأیید می‌شود. بسیاری از نویسندگان با دیدگاه‌های مترقی معتقدند که ایده‌های او برای هرکسی که معتقد است ساختن جایگزینی برای سرمایه‌داری ضروری است، همچنان ضرورت دارد. تقریباً در همه‌جا، او اکنون موضوع دوره‌های دانشگاهی و کنفرانس‌های بین‌المللی است. نوشته‌های او که تجدید چاپ شده یا در نسخه‌های جدید آورده شده‌اند، دوباره در قفسه‌های کتابفروشی‌ها ظاهر شده‌اند و مطالعۀ آثار او پس از بیست سال یا بیشتر که کمرنگ شده بود، شتاب فزاینده‌ای پیدا کرده‌است. سال‌های ۲۰۱۷ و ۲۰۱۸ به لطف بسیاری از فعالیت‌ها در سراسر جهان برای بزرگداشت صدوپنجاهمین سالگرد انتشار «سرمایه» و دویستمین سالگرد تولد مارکس، شدت بیشتری به این موضوع، یعنی «احیای مارکس» ، بخشیده شده‌است.
خواه ناخواه عقاید مارکس جهان را تغییر داده‌است. با این حال، به‌رغم تأیید نظریه‌های مارکس، که در قرن بیستم برای بخش قابل توجهی از بشریت به ایدئولوژی‌ها و دکترین‌های دولتی متمرکز تبدیل شدند، هنوز هیچ نسخۀ کاملی از همۀ آثار و دست‌نوشته‌های او وجود ندارد. دلیل اصلی این امر در شخصیت ناقص آثار مارکس نهفته است. آثاری که او منتشر کرد به میزان قابل توجهی کمتر از تعداد کل پروژه‌های ناتمام رها شده‌است، البته اگر در مورد «ناچلاس کوهستانی»، یادداشت‌ها و تحقیقات بی پایان او صحبت نکنیم. مارکس، پس از آن، دست‌نوشته‌های بسیار بیشتری نسبت به دست‌نوشته‌هایی که برای چاپخانه‌ها فرستاده بود، به‌جا گذاشت. ناقص بودن، بخش جدایی‌ناپذیر زندگی او بود: فقر نسبتاً شدیدی که در آن به‌سر می‌بُرد و همچنین بیماری دائمی او، بر نگرانی‌های روزآن‌هاش می‌افزود. روش سخت‌گیرانه و انتقاد بی‌رحمانه از خود، نیز به مشکلات بیشتری دامن زد. افزون بر این، اشتیاق او به دانش در طول زمانْ بدون تغییر باقی ماند و همیشه او را به مطالعۀ جدیدتری سوق می‌داد. با این وجود، کارهای بی‌وقفۀ او خاص‌ترین پیامدهای نظری را برای آیندگان به ارمغان می‌آورْد.
از جایگاه ویژۀ ارزیابی مجدد دستاوردهای مارکس، انتشار مجدد مارکس ـ انگلس ـ گسامتاوسگابه (MEGA²) در سال ۱۹۹۸، نسخۀ تاریخی ـ انتقادیِ آثار کامل مارکس و فردریش انگلس بود. ۲۸ جلد دیگر پیشتر منتشر شده‌است (۴۰ جلد بین سال‌های ۱۹۷۵ و ۱۹۸۹ منتشر شده‌است) و بقیه در مرحلۀ آماده‌سازی هستند. MEGA2 در چهار بخش سازماندهی شده‌است: (۱) کلیۀ آثار، مقالات و پیش‌نویس‌های نوشته‌شده توسط مارکس و انگلس (به استثنای سرمایه)؛ (۲) سرمایه و کلیۀ مواد آماده‌سازی آن؛ (۳) مکاتبات، متشکل از ۴هزار نامۀ مارکس و انگلس و ده هزار نامه توسط دیگران نوشته شده به آن‌ها، تعداد زیادی که برای اولین بار در MEGA2 منتشر شد، و (۴) گزیده‌ها، حاشیه‌نویسی‌ها و یادداشت‌های وی.

این بخش چهارم شاهد کارهای تماماً دایره‌المعارفیِ مارکس است: از زمان تحصیل در دانشگاه، عادت او به جمع‌آوری گزیده‌ای از کتاب‌هایی بود که می‌خواند ، و اغلب آن‌ها را با تأملاتی که به او پیشنهاد می‌کردند در هم می‌آمیخت. وصیت‌نامۀ ادبی مارکس شامل حدوداً ۲۰۰ دفترچه است. آن‌ها برای درک پیدایش نظریۀ او و عناصری که نتوانست آن‌طور که می‌خواست توسعه دهد، ضروری هستند. گزیده‌های باقی‌مانده، که دوره‌ای طولانی از ۱۸۳۸ تا ۱۸۸۲ را پوشش می‌دهند، به هشت زبان (آلمانی، یونانی باستان، لاتین، فرانسوی، انگلیسی، ایتالیایی، اسپانیایی و روسی) نوشته شده‌اند و به متنوع‌ترین رشته‌ها اشاره دارند. آن‌ها از آثار فلسفه، تاریخِ هنر، دین، سیاست، حقوق، ادبیات، تاریخ، اقتصاد سیاسی، روابط بین‌الملل، فناوری، ریاضیات، فیزیولوژی، زمین‌شناسی، کانی‌شناسی، کشاورزی، مردم‌شناسی، شیمی و فیزیک گرفته شده‌اند. مقالات روزنامه‌ها و مجلات و همچنین صورت‌جلسات مجلس و همچنین آمار و گزارش‌های دولتی. این ذخیرۀ عظیم دانش، که بیشتر آن در سال‌های اخیر منتشر شده یا هنوز در انتظار چاپ است، محل ساخت نظریۀ انتقادی مارکس بود و MEGA2 برای نخستین بار امکان دسترسی به آن را فراهم کرده‌است.
این مطالب گرانبها ـ که بسیاری از آن‌ها فقط به زبان آلمانی در دسترس‌اند و بنابراین محدود به محافل کوچکی از محققان هستند ـ نویسنده‌ای را به ما می‌شناسانَد که بسیار متفاوت از نویسنده‌ای است که برای مدتی طولانی در میان منتقدان یا شاگردان خود، نامی برای خود به‌هم زده‌است. در واقع، دستیابی‌های متنیِ جدید در MEGA2 این امکان را فراهم می‌کند که بگوییم: از میان کلاسیک‌های اندیشۀ سیاسی، اقتصادی و فلسفی، مارکس نویسنده‌ای است که نمایه‌اش بیشترین تغییر را در دهه‌های آغازین قرن بیست‌ویکم داشته است. فضای سیاسی جدید پس از فروپاشی اتحاد جماهیر شوروی نیز به این تصور تازه کمک کرده‌است. زیرا پایانِ مارکسیسم ـ لنینیسم سرانجامِ کارهای مارکس و تصور او از ساختار اجتماعی را از قیدوبند ایدئولوژی پیشین، به‌مراتب آزاد ساخت.
تحقیقات اخیر رویکردهای مختلفی که برداشت مارکس از جامعۀ کمونیستی را به توسعۀ برتر نیروهای زاینده فرومی‌کاهد، رد کرده‌است. به‌عنوان نمونه، اهمیتی را که او برای مسئلۀ بوم‌شناختی قائل بود، نشان می‌دهد: او در موارد پیاپی این واقعیت را محکوم کرد که گسترش شیوۀ تولید سرمایه‌داری نه تنها دزدی نیروی کارِ کارگران، بلکه غارت منابع طبیعی را نیز افزایش می‌دهد. مارکس عمیقاً وارد بسیاری از موضوعات دیگر شد که اگرچه اغلب توسط محققان آثار او دست‌ِکم یا حتی نادیده گرفته می‌شوند، اما اهمیتی حیاتی برای دستور کار سیاسی دوران ما پیدا می‌کنند. از جمله آزادی فردی در حوزۀ اقتصادی و سیاسی، رهایی جنسیتی، نقد ناسیونالیسم، پتانسیل رهایی‌بخش فناوری، و اَشکال مالکیت جمعی که توسط دولت کنترل نمی‌شود. بنابراین سی سال پس از فروریختن دیوار برلین، خواندن مارکس بسیار متفاوت از نظریه‌پرداز جزم‌گرا، اقتصادگرا و اروپامحور که مدت‌ها در اطراف رژه می‌رفت، ممکن شده‌است.

۲. اکتشافات جدید درباره پیدایش مفهوم ماتریالیستی تاریخ
در فوریه ۱۸۴۵، پس از ۱۵ ماه فشرده در پاریس که برای شکل‌گیری سیاسی او حیاتی بود، مارکس مجبور شد به بروکسل نقل مکان کند و در آنجا به او اجازه اقامت داده شد، به شرط اینکه «چیزی در مورد سیاست فعلی منتشر نکند» . در طول سه سالی که در پایتخت بلژیک سپری کرد، مطالعات خود در زمینۀ اقتصاد سیاسی را به‌طور پرثمر ادامه داد و شروع به نوشتن اید‌ه‌ای همراه با انگلس، جوزف ویدمایر و موسی هس کرد؛ «نقدی از فلسفۀ مدرن آلمانی که توسط نمایندگان آن لودویگ فویرباخ، برونو بائر و ماکس اشتیرنر، و سوسیالیسم آلمانی توسط پیامبران مختلف توضیح داده شده‌است». متن حاصل که پس از مرگ مارکس تحت عنوان ایدئولوژی آلمانی منتشر شد، هدف دوگانه داشت: مبارزه با جدیدترین اشکال نئوهگلیسم در آلمان، و سپس، همان‌طور که مارکس به ناشر کارل ویلهلم جولیوس لسکه نوشت «آماده ساختن مردم برای دیدگاهی که در اقتصاد من اتخاذ شده‌است، که کاملاً مخالف دانش گذشته و حال آلمان است». این نسخۀ خطی که او تا ژوئن ۱۸۴۶ روی آن کار کرد، هرگز تکمیل نشد. با این حال، به او کمک کرد تا آنچه را که انگلس چهل سال بعد برای عموم مردم به‌عنوان «مفهوم ماتریالیستی از تاریخ» واضح‌تر از قبل، هرچند هنوز به شکل قطعی نبود، تعریف کرد.
نخستین نسخۀ ایدئولوژی آلمانی، که در سال ۱۹۳۲ منتشر شد، و همچنین تمام نسخه‌های بعدی که فقط تغییرات جزئی داشتند، به شکل یک مجموعه تکمیل شد و برای چاپخانه‌ها ارسال شد. به‌ویژه ویراستاران این دست‌نوشتۀ ناتمام این تصور نادرست را ایجاد کردند که ایدئولوژی آلمانی شامل یک فصل آغازین اساسی دربارۀ فویرباخ است که در آن مارکس و انگلس قوانین «ماتریالیسم تاریخی» (اصطلاحی که مارکس هرگز آن را به‌کار نبرده‌است) را به‌طور کامل بیان می‌کنند. به گفتۀ آلتوسر، اینجا جایی بود که آن‌ها «یک گسست معرفت‌شناختی بی چون‌وچرا» را با نوشته‌های قبلی خود مفهوم‌سازی کردند. ایدئولوژی آلمانی به‌زودی به یکی از مهم‌ترین متون فلسفی قرن بیستم تبدیل شد. به گفتۀ هانری لوفور «ایده‌های اساسی ماتریالیسم تاریخی» را بیان کرد. ماکسیمیلیان روبل معتقد بود که این «دست‌نوشته حاوی کامل‌ترین بیانیه مفهوم انتقادی و ماتریالیستی تاریخ است». دیوید مک‌للان به همان اندازه صراحتاً مدعی بود که «شامل مفصل‌ترین گزارش مارکس از برداشت ماتریالیستی او از تاریخ است».
با تشکر از جلد اول از پنج جلد MEGA²، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، دویچه ایدئولوژی. Manuskripte und Drucke (1845ـ۱۸۴۷)»، اکنون می‌توان بسیاری از این ادعاها را خلاصه کرد و ایدئولوژی آلمانی را به ناقص بودنِ اصلی خود بازگرداند. این نسخه ـ که شامل ۱۷ نسخۀ خطی با مجموع ۷۰۰ صفحه به‌اضافۀ یک دستگاه انتقادی ۱۲۰۰ صفحه‌ای است که تغییرات و تصحیحات تألیفی را ارائه و مرکزیت هر بخش را نشان می‌دهد ـ یک بار برای همیشه خصلت تکه‌تکۀ متن را مشخص می‌کند. مغالطۀ قرن بیستم «کمونیسم علمی» و تمام ابزارسازی‌های ایدئولوژی آلمانی عبارتی را در خود متن به‌جای می‌گذارد. نقد قاطعانۀ آن از فلسفۀ آلمانی در زمان حیات مارکس نیز مانند هشداری جدی علیه روندهای تفسیری آینده به‌نظر می‌رسید: «نه تنها در پاسخ‌های آن، حتی در پرسش‌هایش نیز ابهامی وجود داشت».

در همان دوره انقلابیِ جوان متولد تری‌یِر مطالعات خود را در پاریس گسترش داد. در سال ۱۸۴۵، او ژوئیه و آگوست را در منچستر گذراند تا به ادبیات اقتصادی گستردۀ انگلیسی زبان بپردازد و ۹ چکیدۀ کتاب (به اصطلاح یادداشت‌های منچستر) را جمع‌آوری کند که عمدتاً از کتاب‌های راهنمای اقتصاد سیاسی و کتاب‌های تاریخ اقتصادی است. MEGA² جلد IV/4 که در سال ۱۹۸۸ منتشر شد، شامل پنج دفتر اول این یادداشت‌ها، همراه با سه کتاب از یادداشت‌های انگلس از همان مقطع زمانی در منچستر است. جلد چهارم/۵، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Exzerpte und Notizen Juli 1845 bis Dezember 1850»، این مجموعه نوشته‌ها را تکمیل می کند و قسمت‌های منتشر نشدۀ قبلی آن‌ها را در اختیار محققان قرار می‌دهد. این مجموعه شامل دفترهای ۶، ۷، ۸ و ۹ است که گزیده‌هایی از ۱۶ اثر اقتصاد سیاسی او را در بر می‌گیرد. قابل‌توجه‌ترین آن‌ها کتاب «اشتباهات و درمان کار» جان فرانسیس بری (۱۸۳۹) و چهار متن از رابرت اوون، به‌ویژه کتاب دنیای اخلاقی جدید او (۱۸۴۰ـ۱۸۴۴) بود که همۀ آن‌ها نشان‌دهندۀ علاقۀ زیاد مارکس به زمان در سوسیالیسم انگلیسی و احترام عمیق او به اوون است؛ نویسنده‌ای که بسیاری از مارکسیست‌ها با عجله از او به‌عنوان «آرمان‌شهر» یاد کرده‌اند. این جلد با بیست و چند صفحه پایان می‌یابد که مارکس بین سال‌های ۱۸۴۶ و ۱۸۵۰ نوشته‌است، به‌علاوۀ برخی از یادداشت‌های مطالعاتی انگلس از همان دوره.
این مطالعات تئوری سوسیالیستی و اقتصاد سیاسی مانعی برای تعامل سیاسی همیشگی مارکس و انگلس نبود. ۸۰۰ صفحه و بیشتر از جلد I/7 که به‌تازگی منتشر شده، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Werke، Artikel، Entwürfe. فوریه بیس اکتبر ۱۸۴۸»، به ما اجازه می‌دهد تا مقیاس این را در ۱۸۴۸ درک کنیم: یکی از پرمصرف‌ترین سال‌های فعالیت سیاسی و روزنامه‌نگاری در زندگی نویسندگان مانیفست حزب کمونیست. پس از آنکه یک جنبش انقلابی با دامنه و شدت بی‌سابقه نظم سیاسی و اجتماعی قارۀ اروپا را در بحران فرو برد، دولت‌های موجود تمام اقدامات متقابل ممکن را برای پایان دادن به قیام‌ها انجام دادند. خود مارکس نیز متحمل عواقب آن شد و در ماه مارس از بلژیک اخراج شد. با این حال، جمهوری در فرانسه به تازگی اعلام شده بود و فردیناند فلوکون، وزیر دولت موقت، از مارکس دعوت کرد که به پاریس بازگردد: «مارکس عزیز و دلاور، (…) استبداد تو را تبعید کرد، اما فرانسۀ آزاد دوباره درها را به روی تو خواهد گشود. مارکس طبیعتاً مطالعات خود را در زمینۀ اقتصاد سیاسی کنار گذاشت و در حمایت از انقلاب به فعالیت در حوزۀ روزنامه‌نگاری پرداخت و به ترسیم یک مسیر سیاسیِ توصیه‌شده کمک کرد. پس از مدت کوتاهی در پاریس، در آوریل به راینلند نقل مکان کرد و دو ماه بعد شروع به ویرایش Neue Rheinische Zeitung کرد که در عین‌حال در کلن تأسیس شده بود. گردهمایی پرشور و شدید در ستون‌های آن، در ورای آرمآن‌های این شورشیان قرار داشت و از پرولتاریا می‌خواست «انقلاب اجتماعی و جمهوری‌خواه» را ترویج دهد.
تقریباً همۀ مقالات در Neue Rheinische Zeitung به‌صورت ناشناس منتشر شدند. یکی از برتری‌های چنین اثری این است که تألیف ۳۶ متن را به‌درستی به مارکس یا انگلس نسبت داده‌است، در حالی که مجموعه‌های قبلی ما را در مورد اینکه چه کسی آن‌ها را به قلم آورده، دچار تردید کرده بود. از مجموع ۲۷۵ مورد، ۱۲۵ مقالۀ کامل در اینجا برای نخستین بار در نسخه‌ای یکتا از آثار مارکس و انگلس چاپ شده‌است. یک پیوست همچنین دارای ۱۶ سند جالب است که حاوی شرح برخی از ایرادات آن‌ها در جلسات اتحادیۀ کمونیست‌ها، مجموع انجمن دموکراتیک کلن و اتحادیۀ وین است. علاقه‌مندان به فعالیت‌های سیاسی و روزنامه‌نگاری مارکس در «سال انقلاب ۱۸۴۸»، در اینجا مطالب بسیار ارزشمندی برای افزونی و عمق بخشیدن به دانش خود خواهند یافت.

۳. سرمایه: نقد ناتمام
جنبش انقلابی که در سال ۱۸۴۸ در سراسر اروپا به‌پا خاست، در مدت کوتاهی شکست خورد و در سال ۱۸۴۹، پس از دو دستور تبعید از پروس و فرانسه، مارکس چاره‌ای جز عبور از کانال نداشت. او تا پایان عمر در انگلستان تبعیدی و بدون تابعیت باقی می‌ماند اما ارتجاع اروپایی نمی‌توانست او را در جای بهتری برای نوشتن نقد خود از اقتصاد سیاسی محدود کند. در آن زمان لندن مرکز پیشرو اقتصادی و مالی جهان، «دمیورگ کیهان بورژوازی» و بنابراین مطلوب‌ترین مکان برای مشاهدۀ آخرین تحولات اقتصادی جامعۀ سرمایه‌داری بود. او همچنین خبرنگار نیویورک تریبون، روزنامه‌ای با بیشترین تیراژ در ایالات متحده آمریکا شد.
مارکس سال‌ها در انتظار رخدادِ یک بحران جدید بود و هنگامی که این بحران تحقق یافت، در سال ۱۸۵۷، او بیشتر وقت خود را به تحلیل ویژگی‌های کلیدی آن اختصاص داد. جلد اول / ۱۶، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، مقالۀ اکتبر ۱۸۵۷ bis Dezember 1858»، شامل ۸۴ مقاله است که او بین پاییز ۱۸۵۷ تا پایان ۱۸۵۸ در نیویورک تریبون منتشر کرد، از جمله مقالاتی که اولین واکنش‌های خود را به عموم مردم بیان می‌کرد. در سال ۱۸۵۷ روزنامۀ آمریکایی اغلب سرمقاله‌های بدون امضا چاپ می‌کرد، اما تحقیق برای این جلد جدید MEGA2 امکان نسبت دادن دو مقالۀ دیگر به مارکس و همچنین پیوست چهار مقاله را که به‌طور اساسی توسط ویراستاران اصلاح شدند و سه مقالۀ دیگر که منشأ آن‌ها نامشخص باقی مانده‌است را ممکن ساخت.
مارکس به دلیل نیاز شدید به بهبود شرایط اقتصادی خود، به کمیتۀ تحریریه The New American Cyclopædia پیوست و موافقت کرد که تعدادی مقدمه برای این پروژه بنویسد (جلد I/16 شامل ۳۹ عدد از این قطعه‌هاست). اگرچه حق تألیف ۲ دلار برای هر صفحه بسیار کم بود، اما گهگاه به وضعیت مالی فاجعه‌بار او سروسامانی می‌داد. علاوه بر این، او بیشتر کار را به انگلس سپرد تا بتواند زمان بیشتری را به نوشته‌های اقتصادی خود اختصاص دهد.
کار مارکس در این دوره قابل‌توجه و گسترده بود. او در کنار تعهد روزنامه‎نگاری خود، از اوت ۱۸۵۷ تا مه ۱۸۵۸ هشت دفتر معروف به Grundrisse را پر کرد. اما او همچنین وظیفۀ سنگین مطالعۀ تحلیلی اولین بحران اقتصادی جهان را برعهده گرفت. جلد چهارم/۱۴، «کارل مارکس، Exzerpte، Zeitungsausschnitte und Notizen zur Weltwirtschaftskrise (Krisenhefte). نوامبر ۱۸۵۷ تا فوریه ۱۸۵۸»، قاطعانه به دانش ما در مورد یکی از پربارترین فواصل تولید نظری مارکس می‌افزاید. مارکس در نامه‌ای به انگلس در دسامبر ۱۸۵۷، اوج فعالیت خود را شرح داد:
من معمولاً تا ساعت ۴ صبح به‌شدت کار می‌کنم. من درگیر یک کار دوگانه هستم: ۱ـ تشریح خطوط کلی [Grundrisse] اقتصاد سیاسی. (به نفع عموم، بسیار ضروری است که موضوع را تا انتها بررسی کنیم، همان‌طور که برای خودم، به‌صورت فردی، رهایی از این کابوس ضروری است.) ۲ـ بحران کنونی. جدا از مقالات برای [نیویورک] تریبون، تنها کاری که انجام می‌دهم این است که سوابق آن را آرشیو می‌کنم، که البته زمان قابل‌توجهی را می‌گیرد. من فکر می‌کنم که در جایی در مورد بهار، ما باید با هم جزواتی در مورد این ماجرا تهیه کنیم تا به عموم مردم آلمان یادآوری کنیم که ما هنوز مثل همیشه آنجا هستیم و همیشه همین‌طور می‎مانیم.

بنابراین طرح کلی مارکس این بود که همزمان روی دو پروژه کار کند: کار نظری در نقد شیوۀ تولید سرمایه‌داری، و کتابی به‌شدت موضوعی‌تر در مورد فرازونشیب‌های بحران جاری. به همین دلیل است که مارکس بر خلاف جلدهای مشابه قبلی، به‌اصطلاح یادداشت‌های بحران، چکیده‌هایی از کار سایر اقتصاددانان جمع‌آوری نکرد، بلکه تعداد زیادی گزارش خبری در مورد سقوط بانک‌های بزرگ، تغییرات قیمت‌های بازار سهام، تغییرات در الگوهای تجارت، نرخ بیکاری و تولید صنعتی را دسته‌بندی می‌کرد. توجه ویژه‌ای که به این کار داشت، تحلیل او را از تحلیل بسیاری دیگر که بحرآن‌ها را منحصراً به اعطای اعتبار اشتباه و افزایش پدیده‌های سوداگرانه نسبت می‌دادند، متمایز کرد. مارکس یادداشت‌های خود را بین سه دفتر جداگانه تقسیم کرد. در اولین و کوتاه‌ترین مورد، با عنوان «فرانسه ۱۸۵۷»، او داده‌هایی را دربارۀ وضعیت تجارت فرانسه و اقدامات اصلی بانک فرانسه جمع‌آوری کرد. کتاب دوم، «کتاب بحران ۱۸۵۷» تقریباً دو برابر طولانی‌تر بود و عمدتاً به بریتانیا و بازار پول می‌پرداخت. مضامین مشابهی در دفترچۀ یادداشت سوم کمی طولانی‌تر، «کتابی در مورد بحران تجاری» که مارکس در آن داده‌ها و اخبار مربوط به روابط صنعتی، تولید مواد خام و بازار کار را شرح می داد، پرداخته شد.
کار مارکس مثل همیشه سخت‌گیرانه بود؛ او از بیش از دوازده مجله و روزنامه، به ترتیب زمانی، جالب‌ترین بخش‌های مقالات متعدد و هر اطلاعات دیگری را که می‌توانست برای خلاصه کردن اتفاقات استفاده کند، کپی می‌کرد. منبع اصلی او اکونومیست بود ـ هفته‌نامه‌ای که تقریباً نیمی از یادداشت‌هایش را از آن بیرون می‌کشید – اگرچه او همچنین اغلب با مورنینگ استار، منچستر گاردین و تایمز مشورت می‌کرد. تمام چکیده‌ها به زبان انگلیسی گردآوری شده‌است. مارکس در این یادداشت‌ها به رونویسی گزارش‌های خبری اصلی مربوط به ایالات متحده آمریکا و بریتانیا اکتفا نکرد. او همچنین مهم‌ترین رویدادها را در سایر کشورهای اروپایی ـ به‌ویژه فرانسه، آلمان، اتریش، ایتالیا و اسپانیا ـ دنبال کرد و به سایر نقاط جهان، به‌ویژه هند و چین، خاور دور، مصر و حتی برزیل و استرالیا علاقۀ شدیدی داشت.
با گذشت هفته‌ها، مارکس از ایدۀ انتشار کتابی دربارۀ بحران دست کشید و تمام انرژی خود را بر کار نظری خود، یعنی نقد اقتصاد سیاسی، متمرکز کرد، که به نظر او نمی‌توانست تأخیر بیشتری را از بین ببرد. با این حال، یادداشت‌های بحران در رد ایدۀ نادرست منافع اصلی مارکس در این دوره مفید هستند. او در نامه‌ای در اوایل سال ۱۸۵۸ به انگلس نوشت که «از نظر روشی» که برای کارش «منطق هگل» استفاده می‌کرد برای او بسیار مفید بود و افزود که می‌خواهد «جنبۀ عقلانی» آن را برجسته کند. بر این اساس، برخی از مفسرانِ آثار مارکس به این نتیجه رسیده‌اند که او هنگام نوشتن «گروندریسه» زمان قابل‌توجهی را صرف مطالعۀ فلسفۀ هگل کرده‌است. اما انتشار جلد ۱۴/۱۵ کاملاً روشن می‌کند که نگرانی اصلی او در آن زمان تحلیل تجربی رویدادهای مربوط به بحران بزرگ اقتصادی بود که مدت‌ها پیش‌بینی می‌کرد.
تلاش‌های خستگی‌ناپذیر مارکس برای تکمیل «نقد اقتصاد سیاسی» نیز مضمون اصلی جلد سوم/۱۲، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، بریف وچسل» است. ژانویه ۱۸۶۲ “bis September 1864″، که حاوی مکاتبات او از آغاز سال ۱۸۶۲ تا تأسیس انجمن بین‌المللی کارگران است، منتشر شد. از ۴۲۵ نامۀ باقی‌مانده، ۱۱۲ نامه تبادل بین انگلس و مارکس است، در‌ حالی که ۳۵ نامه به شخص سوم نوشته شده، و ۲۷۸ نامه دریافت شده‌است (۲۲۷ نامه از این گروه برای نخستین بار در اینجا منتشر می‌شود). گنجاندن این نامه‌ها ـ مهم‌ترین تفاوت با تمام نسخه‌های قبلی ـ گنجینه‌ای واقعی برای خوانندۀ علاقه‌مند دارای تعهدی سیاسی ایجاد می‌کند.
مانند سایر نسخه‌های مکاتبات MEGA²، این نسخه نیز با فهرستی از نامه‌هایی که مارکس و انگلس نوشته یا خطاب به آن‌ها نوشته‌اند، پایان می‌یابد که چیزی بیش از ردپایی بر وجودشان باقی نمانده‌است. این‌ها در مجموع به ۱۲۵ می‌رسد، تقریباً یک‌چهارمِ تعداد باقی‌مانده، و شامل ۵۷ نامۀ کاملاً نوشته‌شده توسط مارکس است. در این موارد، دقیق‌ترین محقق هم نمی‌تواند بیش از این دربارۀ فرضیه‌های حدسی مختلف به حدس و گمان بپردازد.
از جمله نکات کلیدی مورد بحث در نامه‌نگاری‌های مارکس از اوایل دهۀ ۱۸۶۰، جنگ داخلی آمریکا، شورش لهستان علیه اشغال روسیه، و تولد حزب سوسیال دموکرات آلمان با الهام از اصول فردیناند لاسال بود. با این حال، موضوعی که دائماً تکرار می‌شد تلاش او برای پیشرفت در نوشتن سرمایه بود.
در این دوره مارکس حوزۀ جدیدی از پژوهش را آغاز کرد: نظریه‌های ارزش افزوده. او در بیش از ده دفتر، رویکرد اقتصاددانان بزرگ پیش از خود را به‌دقت تشریح کرد؛ ایدۀ اصلی او این بود که «همۀ اقتصاددانان در اشتباه بررسی ارزش اضافی نه به این شکل، به شکل خالص، بلکه در اشکال خاص سود و رانت سهیم هستند». در همین حال، شرایط اقتصادی مارکس همچنان ناامیدکننده بود. در ژوئن ۱۸۶۲ او به انگلس نوشت: «همسرم هرروز آرزو می‌کند که ای کاش او و بچه‌ها در قبرشان سالم بودند، و من واقعاً نمی‌توانم او را به خاطر تحقیرها، عذاب‌ها و نگرانی‌هایی که باید در چنین شرایطی از سر بگذراند سرزنش کنم. یک وضعیت واقعاً غیر قابل توصیف است.» اوضاع به حدی بد بود که جِنی تصمیم گرفت چند کتاب از کتابخانۀ شخصی شوهرش بفروشد؛ اگرچه کسی را پیدا نکرد که بخواهد آن‌ها را بخرد. با وجود این، مارکس موفق شد سخت کار کند و یک یادداشت رضایتمندی را به انگلس ابراز کرد: «عجیب است که بگویم، مادۀ خاکستری من در میان فقر پیرامون، بهتر از سال‌های گذشته کار می‌کند.»
در ماه سپتامبر مارکس به انگلس نوشت که ممکن است «در سال جدید در دفتر راه‌آهن» شغلی پیدا کند. در ماه دسامبر او به دوستش لودویگ کوگلمن تکرار کرد که همه چیز آن‌قدر ناامیدکننده شده‌است که او «تصمیم گرفته‌است که مرد عمل شود»؛ اما هیچ چیزی از این ایده به دست نیامد. مارکس با کنایۀ معمولی خود گزارش داد: «خوشبختانه ـ یا شاید باید بگویم از بدشانسی؟ ـ به دلیل دست‌خط بدم این پست را دریافت نکردم.
مارکس همراه با فشارهای مالی از مشکلات جسمی بسیار رنج می‌برد. با وجود این، از تابستان ۱۸۶۳ تا دسامبر ۱۸۶۵، او دست به ویرایش بیشتر بخش‌های مختلفی زد که تصمیم به تقسیم سرمایه به آن‌ها داشت. در پایان، او موفق شد نخستین پیش‌نویسِ جلد اول را ترسیم کند. تنها نسخۀ خطی جلد سوم، که در آن او تنها گزارش خود را از روند کامل تولید سرمایه‌داری ارائه کرده‌ است، و یک نسخۀ اولیه از جلد دوم، که شامل نخستین ارائۀ کلی از روند گردش سرمایه بود.
جلد II/11 از MEGA²، “Karl Marx, Manuskripte zum zweiten Buch des “Sapitals” 1868 bis 1881″، شامل تمام دست‌نوشته‌های نهایی مربوط به جلد دوم سرمایه است که مارکس بین سال‌های ۱۸۶۸ و ۱۸۸۱ پیش‌نویس کرده‌است. ۹ جلد ازاین ده جلد پیشتر منتشر نشده بود. در اکتبر ۱۸۶۷ مارکس به سرمایه، جلد دوم بازگشت، اما دست‌وپنجه نرم کردن با بیماری، باعث وقفۀ ناگهانی دیگری شد. چند ماه بعد، زمانی که او توانست کار خود را از سر بگیرد، نزدیک به سه سال از آخرین نسخه‌ای که نوشته بود می‌گذشت. مارکس دو فصل اول را در طول بهار ۱۸۶۸ تکمیل کرد، علاوه‌بر گروهی از دست‌نوشته‌های مقدماتی ـ در مورد رابطه بین ارزش اضافی و نرخ سود، قانون نرخ سود، و دگردیسی سرمایه ـ که تا پایان سال او را مشغول کرد.

نسخۀ جدید فصل سوم در طول دو سال آینده تکمیل شد. جلد دوم/۱۱ با تعدادی از متون کوتاهی که مارکسِ سالخورده بین فوریۀ ۱۸۷۷ و بهار ۱۸۸۱ نوشته به پایان می‌رسد.
پیش‌نویس‌های سرمایه در جلد دوم، که ناکامل باقی مانده‌، تعدادی از مشکلات نظری را ارائه می‌کنند. با این حال، نسخۀ نهایی جلد دوم توسط انگلس در سال ۱۸۸۵ منتشر شد و اکنون در جلد II/13 MEGA² با عنوان «کارل مارکس، سرمایه‌دار» منتشر می‌شود.
مارکس سرانجام بخش دوم MEGA² را تکمیل می‌کند. این جلد که به دنبال II/4.1 و II/4.2 در مجموعۀ قبلی آمده‌است، شامل ۱۵ نسخۀ خطی منتشرنشده از پاییز ۱۸۶۷ تا پایان سال ۱۸۶۸ است. ۱۷ نسخه از این‌ها یادداشت‌های پراکنده از «سرمایه»/جلد ۳ هستند. این یادداشت‌ها شخصیتی بسیار پراکنده دارند و مارکس هرگز نتوانست آن‌ها را به گونه‌ای به‌روز کند که بازتاب‌دهندۀ پیشرفت تحقیقات او باشد. سه مورد دیگر مربوط به جلد دو است، در‎ حالی که پنج نسخۀ باقی‌مانده به مسائلی دربارۀ وابستگی متقابل میان جلدهای دو و سه می‌پردازند و شامل گزیده‌هایی از آثار آدام اسمیت و توماس مالتوس هستند. مورد دوم به‌ویژه برای اقتصاددانانی که به نظریۀ نرخ سود مارکس و ایده‌های او در مورد نظریۀ قیمت علاقه‌مندند، مجذوب‌کننده هستند. مطالعات زبان‌شناختی (فیلولوژیک) مربوط به تهیۀ این جلد همچنین نشان داده‌است که نسخۀ خطی اصلی سرمایه، جلد اول (که از «فصل ششم. نتایج فرآیند فوری تولید» تنها بخش باقی‌مانده در نظر گرفته می‌شد) در واقع به سال قبل بازمی‌گردد؛ دورۀ ۱۸۶۳ـ۱۸۶۴، و اینکه مارکس آن را برش داد و در نسخه‌ای که برای انتشار آماده کرده بود چسباند.
با انتشار MEGA2 جلد II/4.3، تمام متون جانبی مربوط به سرمایه در دسترس قرار گرفت: از «مقدمۀ» معروف، که در ژوئیه ۱۸۵۷ در یکی از مهم‌ترین سقوط‌ها در تاریخ سرمایه‌داری نوشته شد، تا آخرین قطعات، در بهار ۱۸۸۱ ساخته شده‌است. ما از ۱۵ جلد صحبت می‌کنیم به‌علاوۀ تعداد زیادی از قطعات حجیم یک دستگاه انتقادی مهیب برای متن اصلی است. آن‌ها شامل تمام نسخه‌های خطی اواخر دهۀ ۱۸۵۰ و اوایل دهۀ ۱۸۶۰، اولین نسخه از سرمایه منتشر شده در سال ۱۸۶۷ (بخش‌هایی از آن در نسخه‌های بعدی اصلاح می‌شود)، ترجمۀ فرانسوی بازبینی شده توسط مارکس که بین سال‌های ۱۸۷۲ و ۱۸۷۵ منتشر شد، و همه تغییراتی است که انگلس به نسخه‌های خطیِ جلد دو و سه افزود. در کنار این، مجموعه بستۀ کلاسیک سه جلد سرمایه به‌صورت مثبت به نظر می‌رسد. اغراق نیست اگر بگوییم فقط اکنون می‌توانیم خوبی‌ها، محدودیت‌ها و ناقص‌بودنِ کار بزرگ مارکس را کاملاً درک کنیم.
کار ویراستاری که انگلس پس از مرگ دوستش انجام داد تا قسمت‌های ناتمام سرمایه را برای انتشار آماده کند، بسیار پیچیده بود. نسخه‌های خطی، پیش‌نویس‌ها و قطعات مختلف جلدهای II و III که بین سال‌های ۱۸۶۴ و ۱۸۸۱ نوشته شده‌اند، تقریباً با ۲۳۵۰ صفحه از MEGA2 مطابقت دارند. انگلس جلد دوم را در سال ۱۸۸۵ و جلد سوم را در ۱۸۹۴ با موفقیت منتشر کرد. البته باید در نظر داشت که این دو جلد از بازسازی متون ناقص که اغلب از مواد ناهمگن تشکیل شده بودند، پدید آمدند. آن‌ها در بیش از یک دورۀ زمانی نوشته شده‌اند و بنابراین شامل نسخه‌های متفاوت و گاه متناقضی از ایده‌های مارکس می‌شوند.

۴. بین‌الملل، تحقیقات مارکس در پی سرمایه، و کارهای نهایی انگلس
مارکس بی‌درنگ پس از انتشار سرمایه، فعالیت مبارزاتی خود را از سر گرفت و به کار انجمن بین‌المللی کارگران متعهد شد. این مرحله در زندگینامۀ سیاسی او در جلد. I/21، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Werke، Artikel، Entwürfe. سپتامبر ۱۸۶۷ bis März 1871، که شامل بیش از ۱۵۰ متن و سند برای دورۀ ۱۸۶۷ـ۱۸۷۱، و همچنین صورت‌جلسۀ ۱۶۹ جلسۀ شورای عمومی در لندن (حذف شده از تمام نسخه‌های قبلی آثار مارکس و انگلس) است، که مارکس در آن مداخله کرد. به این ترتیب، مواد تحقیقاتی را برای سال‌های حیاتی در زندگی بین‌المللی فراهم می‌کند.
درست از همان روزهای نخست، در سال ۱۸۶۴، ایده‌های پرودون در فرانسه، سوئیس فرانسوی زبان و بلژیک هژمونیک بود و «متقابل‌گراها» ـ نامی که پیروان او با آن شناخته می‌شدند ـ معتدل‌ترین جناح «بین‌الملل» بودند. آن‌ها که قاطعانه با مداخلۀ دولت در هر زمینه‌ای مخالف بودند، با اجتماعی شدن زمین و ابزار تولید و همچنین هرگونه استفاده از سلاح ضربتی مخالف بودند. متن‌های منتشر شده در این جلد نشان می‌دهد که چگونه مارکس نقش کلیدی در مبارزۀ طولانی برای کاهش نفوذ پرودون در بین‌الملل ایفا کرد. آن‌ها شامل اسناد مربوط به آماده‌سازی کنگره‌های بروکسل (۱۸۶۸) و بازل (۱۸۶۹) می‌شوند، جایی که انترناسیونال اولین اظهارات واضح خود را در مورد اجتماعی‌سازیِ ابزار تولید توسط مقامات دولتی و به نفع حقِ القای افراد بیان کرد. مالکیت زمین یک پیروزی مهم برای مارکس و به منزلۀ ظهور نخستین اصول سوسیالیستی در برنامۀ سیاسی یک سازمان بزرگ کارگری بود.
فراتر از برنامۀ سیاسی انجمن بین‌المللی کارگران، اواخر دهۀ ۱۸۶۰ و اوایل دهۀ ۱۸۷۰ سرشار از درگیری‌های اجتماعی بود. بسیاری از کارگرانی که در تظاهرات اعتراضی شرکت کردند، تصمیم گرفتند با بین‌الملل که آوازه‌اش روز به روز گسترش می‌یافت، ارتباط برقرار کنند و از آن بخواهند که از مبارزاتشان حمایت کند. این دوره همچنین شاهد تولد بخش‌هایی از کارگران ایرلندی در انگلستان بود. مارکس نگران شکافی بود که ناسیونالیسم خشن در صفوف پرولتاریا ایجاد کرده بود و در سندی که به «ارتباطات محرمانه» معروف شد، تأکید کرد که «بورژوازی انگلیسی نه تنها دست به بدبخت ماندن ایرلندی برای پایین نگه داشتن طبقۀ کارگر در انگلستان با مهاجرت اجباری ایرلندی‌های فقیر زده‌است، همچنین ثابت کرده بود که می‌تواند کارگران را به دو اردوگاه متخاصم تقسیم کند.» به نظر او، ملتی که ملت دیگر را با زنجیرش به بردگی می‌کشد، از مبارزۀ طبقاتی، از چنین موضوع تعیین‌کننده‌ای نمی‌تواند فرار کند. یکی دیگر از موضوعات اصلی این جلد، که در نوشته‌های انگلس برای روزنامۀ پال مال با توجه خاص به آن پرداخته شد، مخالفت با جنگ فرانسه و پروس در سال‌های ۱۸۷۰ـ۱۸۷۱ بود.
کار مارکس در انجمن بین‌المللی کارگران از سال ۱۸۶۴ تا ۱۸۷۲ ادامه یافت و جلد جدید IV/18، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Exzerpte und Notizen». فوریه ۱۸۶۴ bis Oktober 1868، نوامبر ۱۸۶۹، März، آوریل، ژوئن ۱۸۷۰، دسامبر ۱۸۷۲» بخش ناشناختۀ مطالعاتی را که او در آن سال‌ها انجام داده‌است، ارائه می‌دهد. تحقیقات مارکس یا نزدیک به چاپ جلد اول سرمایه یا بعد از ۱۸۶۷، زمانی که او جلد دو و سه را برای چاپ آماده می‌کرد، انجام شد. این مجلد MEGA² شامل پنج کتاب گزیده و چهار دفتر است که خلاصه‌ای از بیش از صد اثر منتشرشده، گزارش‌های مناظرات پارلمانی و مقالات روزنامه‌نگاری در خود گنجانده‌است. عمده‌ترین و از لحاظ نظری مهم‌ترین بخش این مواد شامل تحقیقات مارکس در زمینۀ کشاورزی است که علایق اصلی او در اینجا اجارۀ زمین، علوم طبیعی، شرایط کشاورزی در کشورهای مختلف اروپایی و ایالات متحده، روسیه، ژاپن و هند و سیستم‌های مالکیتِ زمین در جوامعِ پیشاسرمایه‌داری است.
مارکس با دقت کتاب شیمی کاربردی در کشاورزی و فیزیولوژی (۱۸۴۳) را خواند؛ اثری از دانشمند آلمانی یوستوس فون لیبیگ که به نظر او مهم می‌آمد، زیرا به او اجازه داد تا باور قبلی خود را تغییر دهد که اکتشافات علمی کشاورزی مدرن مشکل پر کردن خاک را حل کرده‌است. از آن زمان به بعد، او علاقۀ شدیدی به آنچه ما امروز «اکولوژی» (بوم‌شناسی) می‌نامیم، به‌ویژه فرسایش خاک و جنگل‌زدایی پیدا کرد. در میان کتاب‌های دیگری که مارکس را در این دوره بسیار تحت تأثیر قرار داد، باید جایگاه ویژه‌ای را به مقدمۀ تاریخ تأسیس مارک آلمان، مزرعه، روستا، شهر و اقتدار عمومی (۱۸۵۴) توسط نظریه‌پرداز سیاسی و مورخ حقوقی، گئورگ لودویگ فون ماورِر، اختصاص داد. وی در نامه‌ای به انگلس گفت که کتاب‌های ماورر را بسیار قابل توجه یافته‌است، زیرا نه تنها در عصر بدَوی، بلکه در کلّ توسعۀ آیندۀ شهرهای امپراتوری آزاد و صاحبان املاک دارای مصونیت از اقتدار عمومی و مبارزۀ بین دهقانان رایگان و رعیت، کاملاً راه متفاوتی در پیش شده‌است.

مارکس همچنین اثبات ماورر را تأیید کرد که مالکیت خصوصی در زمین متعلق به یک دورۀ تاریخی دقیق است و نمی‌تواند به‌عنوان یک ویژگی طبیعی تمدن بشری در نظر گرفته شود. سرانجام مارکس سه اثر آلمانی کارل فراس را به‌طور عمیق مطالعه کرد؛ آب و هوا و جهان سبزیجات در طول قرون، تاریخ هر دو (۱۸۴۷)، تاریخ کشاورزی (۱۸۵۲) و طبیعت کشاورزی (۱۸۵۷). او نخستین مورد از این موارد را بسیار جالب یافت، به‌ویژه با قدردانی از بخشی که در آن فراس نشان داد که «آب و هوا و گیاهان در دوران تاریخی تغییر می کنند». او نویسنده را پیش از داروین یک داروینیست خواند که اعتراف کرده «حتی گونه‌ها در دوران تاریخی در حال رشد بوده‌اند». مارکس همچنین تحت تأثیر ملاحظات بوم‌شناختی فراس و نگرانی‌های او قرار گرفت که «تزکیه ـ وقتی در رشد طبیعی پیش می‌رود و آگاهانه کنترل نمی‌شود (به‌عنوان یک بورژوا طبیعتاً به این نقطه نمی‌رسد) ـ بیابان‌هایی را پشت سر می‌گذارد». مارکس می‌توانست در همۀ این‌ها یک «گرایش سوسیالیستی ناخودآگاه» را تمییز دهد.
پس از انتشار به‌اصطلاح یادداشت‌های کشاورزی، می‌توان با شواهد بیشتری نسبت به قبل استدلال کرد که اگر مارکس انرژی لازم برای تکمیل دو جلد آخر سرمایه را داشت، ممکن بود بوم‌شناسی نقش بسیار بیشتری در تفکر این فیلسوف بزرگ ایفا می‌کرد. البته نقد بوم‌شناختی مارکس، از نظر هدف، ضد سرمایه‌داری بود و فراتر از امیدها، او در پیشرفت علمی قرار داشت و شیوۀ تولید را در کل زیر سؤال برد.
مقیاس مطالعات مارکس در علوم طبیعی از زمان انتشار جلد ۴/۲۶، «Karl Marx, Exzerpte und Notizen zur Geologie, Mineralogie und Agrikulturchemie» März bis سپتامبر ۱۸۷۸ کاملاً آشکار شد. در بهار و تابستان ۱۸۷۸، زمین‌شناسی، کانی‌شناسی، و شیمی کشاورزی بیش‌تر از اقتصاد سیاسی در مطالعات مارکس محور بودند. او بین ژوئن تا اوایل سپتامبر چکیده‌هایی از تعدادی کتاب، از جمله تاریخ طبیعی مواد خام تجارت (۱۸۷۲) نوشتۀ جان ییتس، کتاب طبیعت (۱۸۴۸) اثر شیمیدان فردریش شودلر و عناصر شیمی کشاورزی و زمین شناسی (۱۸۵۶) نوشتۀ جیمز جانستون، شیمیدان و کانی‌شناس، را آماده کرد. همچنین مارکس با کتاب راهنمای زمین‌شناسی دانش‌آموزی جوزف جوکس (۱۸۵۷) دست‌وپنجه نرم می‌کرد که بیشترین تعداد چکیده‌ها را از آن رونویسی کرد. تمرکز اصلی این سؤالات روش‌شناسی علمی، مراحل توسعۀ زمین‌شناسی به‌عنوان یک رشته و سودمندی آن برای تولید صنعتی و کشاورزی است.
چنین بینش‌هایی در مارکس نیاز به توسعۀ ایده‌هایش در مورد سود را بیدار کرد، زیرا او آخرین بار در اواسط دهۀ ۱۸۶۰، زمانی که پیش‌نویس بخش «تبدیل سود مازاد به رانت زمینی» سرمایه را نوشت، به‌شدت خود را با آن مشغول کرده بود. هدف برخی از خلاصه‌های متون طبیعی ـ علمی، روشن‌تر کردن مطالبی بود که او مطالعه می‌کرد. اما گزیده‌های دیگری که بیشتر به جنبه‌های نظری مربوط می‌شدند، قرار بود در تکمیل جلد سوم استفاده شوند. انگلس بعداً یادآور شد که مارکس «(…) ماقبل تاریخ، زراعت، زمین شناسی روسیه و آمریکا، زمین شناسی و غیره را به‌طور خاص، تا حدی (…) که قبلاً هرگز تلاش نکرده بود، بخش مربوط به اجارۀ زمین در جلد سوم را بررسی کرد؛ سرمایه، پایتخت».
این نسخه‌های MEGA2 از اهمیت بیشتری برخوردارند، زیرا در خدمت بی‌اعتبار کردن این افسانه هستند که در تعدادی از زندگی‌نامه‌ها و مطالعات دربارۀ مارکس تکرار شده‌است؛ این تکرارها مبتنی بر این است که او پس از سرمایه کنجکاوی فکری خود را ارضا و مطالعه و تحقیق جدید را کاملاً رها کرده‌است.
در نهایت، سه کتاب MEGA² منتشرشده در دهۀ گذشته مربوط به انگلس است. جلد اول/۳۰، «فریدریش انگلس، ورک، آرتیکل، انتورفه مای ۱۸۸۳ با سپتامبر ۱۸۸۶» شامل ۴۳ متن است که او در سه سال پس از مرگ مارکس نوشت. از میان ۲۹ مورد از مهم‌ترین آن‌ها، ۱۷ مورد مقالات روزنامه‌نگاری است که در برخی از روزنامه‌های اصلیِ طبقۀ کارگر اروپا منتشر شده‌است. زیرا گرچه در این دوره او عمدتاً در ویراستاری دست‌نوشته‌های ناقصِ کاپیتال مارکس غرق شده بود، اما انگلس از مداخله در یک سری مسائل سیاسی و نظری غافل نشد. او همچنین یک اثر جدلی ارائه کرد که هدفش تجدید حیات ایده‌آلیسم در محافل دانشگاهی آلمان بود: لودویگ فویرباخ و پایان فلسفه کلاسیک آلمان (۱۸۸۶). ۱۴ متن دیگر که به‌عنوان ضمیمه در این مجلد MEGA2 منتشر شده‌است، برخی از ترجمه های خود انگلس و مجموعه‌ای از مقالات هستند که توسط سایر نویسندگانی که از همکاری او بهره برده‌اند امضا شده‌اند.
MEGA² همچنین مجموعۀ جدیدی از نامه‌نگاری‌های انگلس را منتشر کرده‌است. جلد سوم/۳۰، «فریدریش انگلس، بریف وچسل اکتبر ۱۸۸۹ با نوامبر ۱۸۹۰»، شامل ۴۰۶ نامۀ بازمانده از مجموع ۵۰۰ نامه یا بیشتر است که او بین اکتبر ۱۸۸۹ و نوامبر ۱۸۹۰ نوشته‌است. گزارشگران این امکان را فراهم می‌کنند که به‌طور عمیق‌تری از سهمی که انگلس در رشد احزاب کارگریِ آلمان، فرانسه و بریتانیا در مورد طیفی از مسائل نظری و سازمانی ایفا کرد، قدردانی کنیم. برخی از موارد مورد بحث مربوط به تولد و بسیاری از بحث‌های جاری در انترناسیونال دوم است که کنگرۀ مؤسس آن در ۱۴ ژوئیه ۱۸۸۹ برگزار شد.
سرانجام جلد اول/۳۲، «فریدریش انگلس، ورک، آرتیکل، انتورفه مرز ۱۸۹۱ با اوت ۱۸۹۵»، نوشته‌های چهار سال و نیمِ پایانیِ زندگی انگلس را گرد هم می‌آورد. تعدادی مقالۀ ژورنالیستی برای روزنامه‌های سوسیالیستیِ عمدۀ آن زمان، از جمله Die Neue Zeit، Le Socialiste، و Critica Sociale وجود دارد؛ همچنین مقدمه‌ها و پس‌گفتارهایی برای تجدید چاپ‌های مختلف از آثار مارکس و انگلس، رونویسی از سخنرانی‌ها، مصاحبه‌ها و خوشامدگویی به کنگره‌های حزب، گزارش گفتگوها، اسنادی که انگلس با همکاری دیگران تهیه کرد و تعدادی ترجمه در آن دیده می‌شود.
بنابراین، این سه جلد برای مطالعۀ عمیق‌تر مشارکت‌های نظری و سیاسی انگلس بسیار مفید خواهد بود. انتشارات و کنفرانس‌های بین‌المللی متعددی که برای دویستمین سالگرد تولد او (۱۸۲۰ ـ ۲۰۲۰) برنامه‌ریزی شده‌اند، مطمئناً در بررسی این دوازده سال پس از مرگ مارکس، که در طی آن او انرژی خود را وقف انتشار مارکسیسم کرد، کوتاهی نخواهد کرد.

۵. مارکسی دیگر؟

مارکس از ویرایش تاریخی ـ انتقادی جدید آثارش به چه چیزی دست می‌یابد؟ او از جهاتی با متفکری که بسیاری از پیروان و مخالفانش در طول سال‌ها ارائه کرده‌اند متفاوت است؛ نه از مجسمه‌های سنگی که در میادین عمومی تحت رژیم‌های غیرآزاد اروپای شرقی یافت می‌شوند، که به او نشان می‌دهد که با اطمینان کامل به آینده اشاره می‌کند. از سوی دیگر، گمراه کننده خواهد بود ـ مانند کسانی که پس از اولین بار ظاهرشدن هر متن جدید، از یک «مارکس ناشناخته» بسیار هیجان‌زده استقبال می‌کنند ـ که تحقیقات اخیر همۀ چیزهایی را که پیشتر در مورد او شناخته شده بود را وارونه کرده‌است. آنچه که MEGA2 ارائه می‌کند، پایۀ متنی برای بازاندیشی مارکسِ متفاوت است؛ متفاوت نیست، زیرا مبارزۀ طبقاتی از اندیشۀ او خارج می‌شود (همان‌طور که برخی از دانشگاهیان می‌خواهند، در گونه‌ای از عبارت قدیمی «مارکس اقتصاددان» در برابر «مارکس سیاستمدار»ی که بیهوده به دنبال معرفی او به‌عنوان یک کلاسیک بی‌دندان است). اما کاملاً متفاوت از نویسنده‌ای است که به‌طور جزمی به سوسیالیسم واقعی موجود (fons et origo) تبدیل شده بود که ظاهراً تنها بر تضاد طبقاتی متمرکز بود.
پیشرفت‌های جدیدی که در مطالعات مارکسیستی به‌دست آمده‌است نشان می‌دهد که تفسیر آثار مارکس دوباره، مانند بسیاری از زمان‌های دیگر در گذشته، احتمالاً بیشتر و بیشتر اصلاح می‌شود. برای مدت طولانی، بسیاری از مارکسیست‌ها نوشته‌های مارکس جوان را پیش‌زمینه می‌کردند ـ در درجۀ اول دست‌نوشته‌های اقتصادی و فلسفی ۱۸۴۴ و ایدئولوژی آلمانی ـ در حالی که مانیفست حزب کمونیست پرخواننده‌ترین و نقل‌قول‌ترین متن او باقی ماند. با این حال، در آن نوشته‌های اولیه، ایده‌های بسیاری می‌بینید که در آثار بعدی او جایگزین شده‌اند. در بلندمدت، دشواری بررسی تحقیقات مارکس در دو دهۀ پایانی زندگی‌اش، دانش ما را از دستاوردهای مهمی که او به‌دست آورد، با مشکل روبرو کرد. اما بیش از هر چیز در سرمایه و پیش‌نویس‌های اولیه‌اش و همچنین در تحقیقات سال‌های پایانی اوست که ارزشمندترین تأملات را در نقد جامعۀ بورژوایی می‌یابیم. این‌ها آخرین نتیجه‌گیری‌هایی هستند که مارکس به آن رسید، هرچند نه قطعی. اگر با توجه به تغییرات جهان پس از مرگ او به‌طور انتقادی بررسی شود، ممکن است پس از شکست‌های قرن بیستم، برای نظریه‌پردازیِ یک مدل اجتماعی ـ اقتصادی جایگزین سرمایه‌داری، همچنان مفید باشد.
نسخۀ MEGA2 همۀ این ادعاها را به‌دروغ گفته است که مارکس آن متفکری است که ما همه چیز دربارۀ او نوشته‌ایم و گفته‌ایم. هنوز چیزهای زیادی برای یادگیری از مارکس وجود دارد. امروزه می‌توان این کار را نه تنها با مطالعۀ آنچه که او در آثار منتشرشدۀ خود آورده، بلکه پرسش‌ها و شبهات موجود در دست‌نوشته‌های ناتمام او نیز انجام داد.

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Reviews

Ariadna Trillas, Alternativas Económicas

Oímos hablar a menudo del fin de la vida en el planeta, pero no del fin del capitalismo.
¿Qué pensaría Karl Marx de la evolución del capitalismo de nuestros días? Crisis ecológica, retos migratorios, revolución feminista, transformaciones del trabajo… La raíz de estos grandes temas se confunde con el propio sistema económico que, de forma acaparadora, gobierna el mundo, y que, inestable, viaja de crisis en crisis propiciando la desigualdad. De ahí que tenga sentido acercarse al pensador que lo puso en cuestión, por mucho que los sistemas comunistas de la antigua URSS y sus regímenes satélites derivaran en un experimento finalmente fallido.
El sociólogo Marcello Musto lleva años batallando por la recuperación del pensamiento marxista. Y Musto es quien coordina esta obra coral, traducida al catalán por Lourdes Bigorra, con clara vocación pedagógica. Es una buena guía tanto para neófitos como para quien quiera aproximarse a Marx a la luz de interpretaciones actualizadas.

 

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Journalism

บทความแปล: สงครามกับฝ่ายซ้าย

สงคราม รัสเซีย-ยูเครน ก่อให้เกิดการถกเถียงในหมู่บรรดาฝ่ายซ้ายถึงท่าทีของสังคมนิยมต่อสงคราม หากเราหันกลับไปทบทวนท่าทีของมาร์กซิสต์ต่อสงครามในช่วงศตวรรษที่ 19-20 เราจะเห็นได้ว่าสงครามเป็นปัญหาที่มาร์กซิสต์ให้ความสนใจอย่างยิ่ง ผู้นำมาร์กซิสต์อย่างเช่น เฟรดริช แองเกิลส์ ได้ใช้เวลาส่วนหนึ่งในช่วงบั้นปลายของชีวิตครุ่นคิดถึงปัญหานี้อย่างจริงจัง ในบทความเรื่อง ‘ยุโรปจะปลอดอาวุธได้หรือไม่?’ แองเกิลส์ชี้ให้เห็นว่าเหล่าบรรดามหาอำนาจต่างมุ่งแสวงหาความได้เปรียบคู่แข่งทั้งด้านการทหารและการเตรียมทำสงคราม ทำให้เกิดการแข่งขันผลิตอาวุธในระดับสูงที่ไม่เคยมีมาก่อน เป็นเหตุให้ยุโรปใกล้เข้าสู่ ‘สงครามทำลายล้างที่โลกไม่เคยพบเห็นมาก่อน’ ในทัศนะของแองเกิลส์ การขยายตัวของกองทัพประจำการที่ดำเนินไปอย่างสุดเหวี่ยงทั่วทั้งยุโรป ถ้าไม่สร้างภาระทางการทหารที่ก่อให้เกิดความหายนะทางเศรษฐกิจแก่ประชาชน ก็จะนำไปสู่สงครามของการทำลายล้างอย่างขนานใหญ่ เนื่องจากประชาชนเป็นผู้แบกรับค่าใช้จ่ายในสงครามมากกว่าใครๆทั้งในรูปของการเสียภาษี และการถูกเกณฑ์ไปเป็นทหารโดยรัฐ ขบวนการกรรมกรจึงต้องต่อสู้เพื่อลดระยะเวลาของการเป็นทหารเกณฑ์ผ่านสนธิสัญญาระหว่างประเทศ และเคลื่อนไหวให้มีการลดกำลังอาวุธ สันติภาพของโลกจึงจะมีหลักประกัน

ความล้มเหลวของขบวนการสังคมนิยมสากล

การถกเถียงปัญหาสงครามในยามสันติได้กลายเป็นปัญหาทางปฏิบัติของขบวนการกรรมกรเมื่อเกิดสงครามฝรั่งเศส-ปรัสเซียในปี 2413 วิลเฮ็ล์ม ลีพคเน็ชท์ และ ออกุสต์ เบเบล ผู้แทนพรรคสังคมประชาธิปไตยเยอรมันได้ประนามนโยบายการขยายอำนาจของรัฐบาลบิสมาร์คและลงคะแนนเสียงคัดค้านร่างกฎหมายการจัดสรรงบประมาณเพิ่มเติมให้แก่การทำสงคราม ยังผลให้พวกเขาถูกจำคุก 2 ปีในข้อหาทรยศชาติ

เมื่อมหาอำนาจในยุโรปทวีการล่าอาณานิคม การถกเถียงเกี่ยวกับสงครามภายในสากลที่ 2 (ขบวนการสังคมนิยมสากล) ยิ่งมีความสำคัญมากขึ้น สมัชชาก่อตั้งขององค์กรได้ผ่านมติที่ย้ำว่าสันติภาพเป็น ‘เงื่อนไขเบื้องต้นที่ขาดไม่ได้ในการปลดแอกกรรมกรทั้งมวล’ แต่เมื่อเวลาผ่านไปสากลที่ 2 กลับไม่ยึดถือหลักการดังกล่าว แทนที่จะส่งเสริมสันติภาพพรรคสังคมนิยมในยุโรปเกือบทั้งหมดกลับสนับสนุนสงครามโลกครั้งที่ 1 ภายใต้ข้ออ้างที่ว่ากรรมกรจะไม่ปล่อยให้นายทุนได้ประโยชน์จากการล่าเมืองขึ้นแต่เพียงผู้เดียว สากลที่ 2 ได้สนับสนุนลัทธิล่าเมืองขึ้นและอุดมการณ์ชาตินิยมของชนชั้นปกครอง การกระทำดังกล่าวแสดงให้เห็นว่าสากลที่ 2 ล้มเหลวอย่างสิ้นเชิงในการยึดมั่นในเป้าหมายหลักขององค์กร นั่นคือ การพิทักษ์รักษาสันติภาพ

อย่างไรก็ดี ยังมีผู้นำของขบวนการบางส่วนที่คัดค้านสงครามอย่างแข็งขันที่สำคัญได้แก่ โรซ่า ลักเซมเบอร์ก และเลนิน ลักเซมเบอร์กได้เรียกร้องให้คัดค้านลัทธิล่าเมืองขึ้นและยับยั้งสงคราม ในหนังสือ ‘สังคมนิยมและสงคราม’ เลนิน ยืนยันว่าสังคมนิยมประนามสงครามระหว่างชาติว่าเป็นสิ่งโหดร้ายป่าเถื่อนเสมอ การสนับสนุนสงครามของสากลที่ 2 เป็นการก่ออาชญากรรม การอ้างว่าสงครามที่รัฐบาลของตนก่อขึ้นเป็นการ ‘ปกป้องปิตุภูมิ’ โดยเนื้อแท้แล้วคือการเปิดไฟเขียวให้ประเทศมหาอำนาจปล้นสะดมภ์และกดขี่ประชาชนในต่างแดน

สงครามโลกครั้งที่ 1 ไม่เพียงแต่ก่อให้เกิดความแตกแยกภายในสากลที่ 2 เท่านั้น แต่ยังก่อให้เกิดความแตกแยกในขบวนการอนาธิปไตยอีกด้วย เมื่อสงครามระเบิดขึ้น ปีเตอร์ โคโพคิน ประกาศว่าภารกิจของผู้เชิดชูในความก้าวหน้าของมนุษยชาติคือการบดขยี้การรุกรานยุโรปตะวันตกของเยอรมนี ในขณะที่ เอ็นริโก มาลาเตสตา เห็นว่าไม่ควรสนับสนุนทั้งสองฝ่ายเพราะชัยชนะของเยอรมนีจะนำไปสู่ชัยชนะของลัทธิขุนศึก ในขณะที่หากฝ่ายสัมพันธมิตรชนะจะทำให้ยุโรปและเอเชียอยู่ภายใต้การครอบงำของอังกฤษและรัสเซีย

ทัศนะต่อสงครามยังก่อให้เกิดการโต้แย้งกันในขบวนการสิทธิสตรีอีกด้วย การที่ผู้ชายถูกเกณฑ์ไปทำสงครามทำให้ผู้หญิงได้ทำงานซึ่งแต่ก่อนเป็นของผู้ชายเท่านั้น กระตุ้นให้สมาชิกของขบวนการจำนวนมากสนับสนุนการทำสงครามของรัฐบาล ขณะที่โรซ่า ลักเซมเบอร์กและผู้นำหญิงคนสำคัญของพรรคคอมมิวนิสต์ได้เปิดโปงเล่ห์ลวงของรัฐบาลที่ใช้ภัยคุกคามจากสงครามมาหยุดยั้งยกเลิกการปฏิรูปเพื่อความเท่าเทียมและเป็นธรรมในสังคม การเคลื่อนไหวดังกล่าวเป็นคุณูปการสำคัญของพวกเธอในการแสดงให้คนรุ่นหลังได้เห็นว่าการคัดค้านลัทธิขุนศึกเป็นสิ่งจำเป็นในการต่อสู้เพื่อให้ได้มาซึ่งความเท่าเทียมของสตรี

สหภาพโซเวียตกับสงคราม

หลังสงครามโลกครั้งที่ 2 โลกเข้าสู่ยุคสงครามเย็นที่มีการเผชิญหน้ากันระหว่างประเทศทุนนิยมที่มีสหรัฐอเมริกาเป็นผู้นำกับประเทศสังคมนิยมที่มีสหภาพโซเวียตเป็นผู้นำ โจเซฟ สตาลิน ได้ถือเอาประเทศสังคมนิยมในยุโรปตะวันออกเป็นเขตกันชนที่ค้ำประกันความมั่นคงของสหภาพโซเวียต นโยบายเช่นนี้เป็นที่มาของหลักการ ‘อำนาจอธิปไตยที่จำกัด’ ตามหลักการนี้ผู้นำของสหภาพโซเวียตให้เหตุผลว่าเมื่อใดที่มีกลุ่มพลังที่เป็นปฏิปักษ์ต่อสังคมนิยมพยายามจะเปลี่ยนการปกครองในประเทศสังคมนิยมหนึ่งใดไปสู่ทุนนิยม การกระทำเช่นนั้นไม่เพียงแต่เป็นปัญหาของประเทศดังกล่าวเท่านั้น หากยังเป็นปัญหาของประเทศสังคมนิยมทั้งมวลด้วย ภายใต้ตรรกที่ต่อต้านประชาธิปไตยเช่นนี้อะไรคือสังคมนิยมหรือไม่ใช่สังคมนิยมขึ้นอยู่กับการตีความของสหภาพโซเวียตเท่านั้น

ภายใต้หลักการ ‘อำนาจอธิปไตยที่จำกัด’ สหภาพโซเวียตได้เข้าปราบปรามการปฏิวัติในฮังการีและเช็คโกสโลวาเกียอย่างป่าเถื่อนในปี 2499 และ 2511 ตามลำดับ ต่อมาในปี 2522 กองทัพสหภาพโซเวียตได้เข้ายึดครองอัฟกานิสถานด้วยข้ออ้างว่าเป็นเขตความมั่นคงของตนเอง การปฏิบัติการเหล่านี้ไม่เพียงแต่เพิ่มความตึงเครียดทางทหารเท่านั้น แต่ยังทำลายความน่าเชื่อถือและทำให้สังคมนิยมอ่อนแอลงอีกด้วย สหภาพโซเวียตถูกมองว่าเป็นมหาอำนาจจักรพรรดินิยมไม่ต่างจากสหรัฐอเมริกาผู้ซึ่งนับแต่การเริ่มต้นของสงครามเย็นได้สนับสนุนการรัฐประหารและช่วยโค่นล้มรัฐบาลประชาธิปไตยในกว่า 20 ประเทศทั่วโลก

ฝ่ายซ้ายต้องต่อต้านสงคราม

การสิ้นสุดของสงครามเย็นไม่ได้ทำให้การเข้าแทรกแซงในกิจการของประเทศอื่นลดลง และไม่ได้ทำให้เสรีภาพในการเลือกระบอบการเมืองด้วยตัวเองของพลเมืองเพิ่มมากขึ้น ในช่วง 25 ปีที่ผ่านมาภายใต้การนำของสหรัฐอเมริกาได้มีการก่อสงครามหลายต่อหลายครั้งภายใต้ข้ออ้างที่ฟังไม่ขึ้นว่าเป็น ‘สงครามเพื่อมนุษยธรรม’ (ทำลายล้างเข่นฆ่าเพื่อมนุษยธรรม!) สงครามเหล่านี้เป็นหลักฐานยืนยันว่าระเบียบโลกใหม่ที่มีมหาอำนาจเพียงหนึ่งเดียวไม่ได้นำไปสู่ยุคสมัยของเสรีภาพและความก้าวหน้าตามความเชื่อของเสรีนิยมใหม่แต่อย่างใด ภายใต้บริบทเช่นนี้ มีฝ่ายซ้ายจำนวนหนึ่งให้การสนับสนุนการรุกรานประเทศอื่นด้วยกำลังอาวุธ ทำให้พวกเขาไม่แตกต่างจากพวกฝ่ายขวาเท่าใดนัก

การรุกรานยูเครนของรัสเซียทำให้ฝ่ายซ้ายอยู่ในภาวะกลืนไม่เข้าคายไม่ออกอีกครั้งหนึ่ง เพราะหากพวกเขาคัดค้านสงครามก็เกรงว่าจะเป็นการสนับสนุนการขยายอำนาจของจักรพรรดินิยมตะวันตก การย้อนกลับไปอ่านงานของเลนินคงช่วยให้ความกระจ่างในประเด็นนี้ได้บ้าง ในงานเขียนเรื่อง ‘การปฏิวัติสังคมนิยมและสิทธิในการกำหนดอนาคตตนเองของชาติต่างๆ’ เลนินเห็นว่ามีความเป็นไปได้ที่การต่อสู้เพื่อให้หลุดพ้นจากการรุกรานยึดครองของมหาอำนาจหนึ่ง อาจถูกใช้ประโยชน์จากมหาอำนาจอื่นเพื่อผลประโยชน์ที่ชั่วร้ายพอๆกัน แต่นั่นก็ไม่ใช่เหตุผลที่จะทำให้ชาวสังคมนิยมปฏิเสธการกำหนดอนาคตตนเองของชาติหนึ่งชาติใด นอกจากนี้ ประวัติศาสตร์ได้แสดงให้เห็นแล้วว่าหากไม่คัดค้านสงครามฝ่ายสังคมนิยมก็ไม่มีเหตุผลที่จะดำรงอยู่อีกต่อไปและสุดท้ายก็จะถูกดูดกลืนโดยอุดมการณ์ของฝ่ายตรงข้าม อย่างไรก็ดี การแก้ปัญหาโดยใช้องค์กรทางการทหารอย่างเช่นนาโตซึ่งมีจุดมุ่งหมายที่จะขยายอำนาจเพื่อความเหนือกว่าฝ่ายตรงข้ามเป็นเรื่องอันตรายและไร้ประสิทธิภาพ นอกจากจะไม่สามารถยุติสงครามได้แล้วยังจะทำให้ความขัดแย้งขยายตัวและโลกมีความไม่มั่นคงยิ่งขึ้น การยุติสงครามรัสเซีย-ยูเครนควรทำผ่านช่องทางการทูตเพื่อลดการเผชิญหน้าทางการทหารและนำไปสู่การสร้างหลักประกันความเป็นกลางของยูเครนที่เป็นอิสระ

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