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Novas caracterizações de Marx após a Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA2)

O ressurgimento de Marx

Há mais de uma década, jornais e periódicos prestigiosos que contam com um amplo público leitor têm descrito Karl Marx como um teórico previdente, cuja atualidade é constantemente confirmada. Muitos autores com visões progressistas sustentam que suas ideias continuam indispensáveis para qualquer um que acredita ser necessário construir uma alternativa ao capitalismo. Em quase todo lugar, ele é tema de cursos universitários e de conferências internacionais. Seus escritos, reimpressos ou publicados em novas edições, têm reaparecido nas prateleiras das livrarias, e o estudo de sua obra, após vinte anos ou mais de negligência, tem ganhado impulso crescente. Os anos de 2017 e 2018 trouxeram maior intensidade a esse “ressurgimento de Marx”[1], graças a muitas iniciativas ao redor do mundo ligadas ao 150° aniversário da publicação de O capital e o bicentenário do nascimento de Marx.

As ideias de Marx têm mudado o mundo. Apesar da ratificação de suas teorias, tornadas ideologias dominantes e doutrinas de Estado para uma parte considerável da humanidade no século XX, não existe edição completa de todas as suas obras e manuscritos. O principal motivo para isso está no caráter incompleto dos trabalhos de Marx: as obras que ele publicou somam consideravelmente menos que o número total de projetos deixados inacabados, para não falar do imenso Nachlass [espólio] de notas relativas a suas infinitas pesquisas. Marx deixou, então, muito mais manuscritos que aqueles enviados aos tipógrafos. A incompletude foi uma parte inseparável de sua vida: a pobreza por vezes opressiva na qual ele viveu, assim como seus constantes problemas de saúde, se somaram às suas aflições diárias; seu método rigoroso e sua autocrítica impiedosa aumentaram as dificuldades de muitos de seus empreendimentos. Além disso, sua paixão pelo conhecimento permaneceu inalterada ao longo do tempo e sempre o levou a novos estudos. No entanto, seus incessantes trabalhos teriam as consequências teóricas mais extraordinárias para o futuro.

A retomada da publicação da Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA2), a edição histórico-crítica das obras completas de Marx e Friedrich Engels, em 1998, foi de particular relevância para a reavaliação das realizações de Marx. Já vieram a lume mais vinte e oito volumes (quarenta[2] foram publicados entre 1975 e 1989) e outros estão em preparação. A MEGA2 está organizada em quatro seções: (1) todas as obras, artigos e esboços escritos por Marx e Engels (com exceção de O capital); (2) O capital e todos seus materiais preparatórios; (3) a correspondência, que consiste em 4.000 cartas escritas por Marx e Engels e 10.000 escritas a eles por outros, um grande número das quais publicado pela primeira vez na MEGA2; e (4) os excertos, anotações e notas marginais. Essa quarta seção atesta os trabalhos verdadeiramente enciclopédicos de Marx: desde seu tempo na universidade, era seu hábito compilar estratos dos livros que lia[3], entremeando-os frequentemente com reflexões que esses estratos lhe sugeriam. O legado literário de Marx contém cerca de duzentos cadernos de notas. Eles são essenciais para a compreensão da gênese de sua teoria e daqueles elementos que fora incapaz de desenvolver do modo que gostaria. Os excertos preservados, que cobrem o longo intervalo de tempo entre 1838 e 1882, estão escritos em oito idiomas (alemão, grego antigo, latim, francês, inglês, italiano, espanhol e russo) e se referem às mais variadas disciplinas. Eles foram tomados de obras de filosofia, história da arte, religião, política, direito, literatura, história, economia política, relações internacionais, tecnologia, matemática, fisiologia, geologia, mineralogia, agronomia, antropologia, química e física – incluindo não apenas livros, jornais e artigos de periódicos, mas também atas parlamentares, bem como estatísticas governamentais e relatórios. Essa imensa reserva de conhecimento, da qual muito foi publicado em anos recentes ou ainda aguarda ser impresso, foi o canteiro de obras para a teoria crítica de Marx e a MEGA2 deu acesso inédito a ele[4].

Esses materiais inestimáveis – muitos disponíveis apenas em alemão e, portanto, confinados em pequenos círculos de pesquisadores – nos mostram um autor muito diferente daquele que vários críticos, ou autodenominados discípulos, apresentaram por tanto tempo. De fato, as novas aquisições textuais presentes na MEGA2 possibilitam dizer que, dos clássicos do pensamento político, econômico e filosófico, Marx é o autor cujo perfil mais mudou nas décadas iniciais do século XXI. A nova configuração política decorrente da implosão da União Soviética também contribuiu para essa nova percepção, pois o fim do marxismo-leninismo finalmente libertou a obra de Marx dos grilhões de uma ideologia que dista anos-luz de sua concepção de sociedade.

Pesquisas recentes têm refutado as várias abordagens que reduzem a concepção marxiana de sociedade comunista ao desenvolvimento superior das forças produtivas. Por exemplo, tem sido mostrada a importância que Marx atribuiu à questão ecológica: ele denunciou repetidas vezes o fato de que a expansão do modo capitalista de produção aumenta não apenas o roubo do trabalho dos trabalhadores, mas também a pilhagem dos recursos naturais. Marx se aprofundou em várias outras questões que, embora frequentemente subestimadas, ou até mesmo ignoradas, por estudiosos de sua obra, estão ganhando importância crucial para a agenda política de nosso tempo. Entre essas questões estão a liberdade individual nas esferas econômica e política, emancipação de gênero, a crítica do nacionalismo, o potencial emancipatório da tecnologia, e formas de propriedade coletiva não controladas pelo Estado. Assim, trinta anos após a queda do muro de Berlim, tornou-se possível ler um Marx muito diferente do teórico dogmático, economicista e eurocêntrico que circulou por tanto tempo entre nós.

 

Novas descobertas sobre a gênese da concepção materialista da história

 

Em fevereiro de 1845, após intensos 15 meses em Paris que foram cruciais para sua formação política, Marx foi obrigado a mudar para Bruxelas, onde foi autorizado a residir sob a condição de que ele “não publique nada sobre a política atual”[5]. Durante os três anos que passou na capital belga, ele prosseguiu de modo profícuo com seus estudos de economia política e concebeu a ideia de escrever, junto com Engels, Joseph Weydemeyer e Moses Hess, uma “crítica da moderna filosofia alemã, tal como exposta pelos seus representantes Ludwig Feuerbach, Bruno Bauer e Max Stirner, e do socialismo alemão, tal como exposto por seus vários profetas”[6]. O texto resultante, postumamente publicado sob o título A ideologia alemã, tinha um duplo objetivo: combater as últimas formas do neo-hegelianismo na Alemanha, e então, como escreveu Marx ao editor Carl Wilhelm Julius Leske, “preparar o público para o ponto de vista adotado em minha Economia, que é diametralmente oposto à ciência alemã, passada e presente”[7]. Esse manuscrito, sobre o qual ele trabalhou até junho de 1846, nunca foi terminado, mas o auxiliou a elaborar de modo mais nítido, ainda que não em uma forma definitiva, aquilo que, quarenta anos depois, Engels definiu para o público mais amplo como “a concepção materialista da história”[8].

A primeira edição de A ideologia alemã, publicada em 1932, bem como todas as versões posteriores que apenas incorporaram pequenas modificações, foram enviadas às gráficas com a aparência de um livro completo. Em particular, os editores desse manuscrito de fato inacabado criaram a falsa impressão de que A ideologia alemã incluía um capítulo inicial essencial sobre Feuerbach, no qual Marx e Engels expunham exaustivamente as leis do “materialismo histórico” (um termo nunca usado por Marx). De acordo com Althusser, esse foi o lugar onde eles conceituaram “uma inequívoca ruptura epistemológica” com seus escritos anteriores (Althusser, s/d, p. 33). A ideologia alemã logo se tornou um dos mais importantes textos filosóficos do século XX. De acordo com Henri Lefebvre, ele expôs as “teses fundamentais do materialismo histórico” (Lefebvre, 1968, p. 71). Maximilien Rubel defendia que esse “manuscrito contém a demonstração mais elaborada do conceito crítico e materialista de história” (Rubel, 1980, p. 13). David McLellan foi igualmente incisivo em sustentar que ele “continha a mais detalhada consideração de Marx acerca de sua concepção materialista da história” (McLellan, 1975, p. 37).

Graças ao volume I/5 da MEGA2, “Karl Marx – Friedrich Engels, Deutsche Ideologie. Manuskripte und Drucke (1845-1847)”[9], muitas dessas reivindicações podem agora ser suavizadas e A ideologia alemã, restituída à sua incompletude original. Essa edição – que compreende 17 manuscritos com um total de 700 páginas mais o aparato crítico de 1200 páginas, fornecendo variações e correções autorais e indicando a paternidade de cada seção – estabelece de uma vez por todas o caráter fragmentário do texto[10]. A falácia do “comunismo  científico” característica do século XX e todas as instrumentalizações de A ideologia alemã recordam um trecho a ser encontrado no próprio texto, pois que a sua crítica convincente da filosofia alemã dos tempos de Marx ressoa, também, uma advertência amarga contra futuras tendências exegéticas: “Havia uma mistificação não apenas em suas respostas, mas também em suas perguntas”[11].

No mesmo período, o jovem revolucionário nascido em Trier expandiu os estudos que havia iniciado em Paris. Ele passou os meses de julho e agosto de 1845 em Manchester a mergulhar na vasta literatura econômica de língua inglesa e a compilar nove cadernos de estratos (os assim chamados Cadernos de Manchester), majoritariamente a partir de manuais de economia política e livros sobre história econômica. O volume IV/4 da MEGA2, publicado em 1988, contém os cinco primeiros desses cadernos, junto com três cadernos de anotações de Engels do mesmo período em Manchester[12]. O volume IV/5, “Karl Marx – Friedrich Engels, Exzerpte und Notizen. Juli 1845 bis Dezember 1850”[13], completa essa série de textos e disponibiliza aos pesquisadores suas partes antes não publicadas. Ele inclui os cadernos 6, 7, 8 e 9, que contém os excertos marxianos de 16 obras de economia política. O mais considerável desse grupo adveio de Labour’s wrong and Labour’s Remedy [Os males do trabalho e seu remédio] (1839), de John Francis Bray, e de quatro textos de Robert Owen, em particular de seu Book of the New Moral World [Livro do novo mundo moral] (1840-1844), todos os quais evidenciam o grande interesse de Marx à época pelo socialismo inglês e seu profundo respeito por Owen, um autor que muitos marxistas têm precipitadamente descartado como “utópico”. O volume termina com cerca de vinte páginas escritas por Marx entre 1846 e 1850, além de algumas notas de estudo de Engels do mesmo período.

Esses estudos sobre teoria socialista e economia política não eram um entrave para o habitual engajamento político de Marx e Engels. As mais de 800 páginas do recentemente publicado volume I/7, “Karl Marx – Friedrich Engels, Werke, Artikel, Entwürfe. Februar bis Oktober 1848”[14], permite-nos estimar a escala disso em 1848, um dos anos mais desgastantes em termos de atividade política e jornalística das vidas dos autores do Manifesto do partido comunista. Após um movimento revolucionário de extensão e intensidade inéditas mergulhar a ordem política e social da Europa continental em uma crise, os governos vigentes tomaram todas as contramedidas possíveis para pôr um fim às insurreições. O próprio Marx sofreu as consequências e foi expulso da Bélgica em março daquele ano. Contudo, uma república acabara de ser proclamada na França, e Ferdinand Flocon, um ministro do governo provisório, convidou Marx a retornar a Paris: “Caro e bravo Marx, (…) a tirania o baniu, mas a França livre reabrirá suas portas para ti”. Naturalmente, Marx colocou de lado seus estudos sobre economia política e assumiu a atividade jornalística em apoio à revolução, ajudando, assim, no traçado de um rumo político apropriado. Depois de um breve período em Paris, ele mudou, em abril, para a Renânia e, dois meses mais tarde, começou a editar a Neue Rheinische Zeitung [Nova Gazeta Renana], que, nesse meio tempo, havia sido fundada em Colônia. Uma campanha intensa em suas colunas deu suporte à causa dos insurgentes e incitou o proletariado a promover “a revolução social e republicana”[15].

Quase todos os artigos presentes na Neue Rheinische Zeitung foram publicados de modo anônimo. Um dos méritos desse volume é ter atribuído corretamente a autoria de 36 textos a Marx ou a Engels, enquanto coletâneas anteriores haviam nos deixado em dúvida quanto a quem escreveu qual peça. De um total de 275 artigos, 125 são integralmente impressos aqui pela primeira vez em uma edição das obras de Marx e Engels. Um apêndice apresenta, ainda, 16 documentos interessantes, contendo relatos de algumas de suas intervenções nas conferências da Liga dos Comunistas, nas assembleias da Sociedade Democrática de Colônia e na Associação de Viena. Quem tiver interesse pela atividade política e jornalística de Marx durante 1848, o “ano da revolução”, encontrará aqui um material muito valioso para aprofundar seu conhecimento.

 

O capital: a crítica inacabada

 

O movimento revolucionário que se ergueu por toda a Europa em 1848 foi derrotado dentro de um curto espaço de tempo e, em 1849, após duas ordens de expulsão da Prússia e da França, Marx não teve outra opção além de atravessar o Canal da Mancha. Ele permaneceria na Inglaterra como uma pessoa exilada e apátrida pelo resto de sua vida, mas a reação europeia não poderia tê-lo confinado em um lugar melhor para escrever sua crítica da economia política. Àquela época, Londres era o principal centro econômico e financeiro do mundo, o “demiurgo do cosmo burguês”[16], e, portanto, o lugar mais favorável a partir do qual se podia observar os últimos desenvolvimentos econômicos da sociedade capitalista. Ele também se tornou correspondente do New-York Tribune, o jornal com maior circulação nos Estados Unidos da América.

Marx esperou por muitos anos a eclosão de uma nova crise e, quando ela se materializou em 1857, dedicou muito do seu tempo à análise de suas características principais. O volume I/16, “Karl Marx – Friedrich Engels, Artikel Oktober 1857 bis Dezember 1858”[17], inclui 84 artigos que ele publicou entre o outono de 1857 e o fim de 1858 no New-York Tribune, dentre os quais aqueles em que expressa suas primeiras reações ao público financeiro de 1857. Não obstante o fato de que o diário americano publicava frequentemente editoriais não assinados, a pesquisa para esse novo volume da MEGA2 possibilitou atribuir mais dois artigos a Marx, bem como incluir quatro artigos que foram substancialmente modificados pelos editores e outros três cuja origem permanece incerta.

Movido por uma desesperada necessidade de melhorar sua situação econômica, Marx também ingressou no comitê editorial do The New American Cyclopædia e concordou em redigir uma certa quantidade de verbetes para esse projeto (o volume I/16 contém 39 deles). Mesmo que o pagamento de dois dólares por página fosse muito baixo, ainda assim era uma receita que ingressava em suas desastrosas finanças. Além disso, ele confiou a maioria do trabalho a Engels, de modo que pudesse dedicar mais tempo aos seus escritos econômicos.

Nesse período, o trabalho de Marx foi notável e abrangente. Paralelamente a seu compromisso jornalístico, ele preencheu, entre agosto de 1857 e maio de 1858, os oito cadernos celebremente conhecidos como Grundrisse. Mas ele também colocou a si mesmo a extenuante tarefa de um estudo analítico da primeira crise econômica mundial. O volume IV/4, “Karl Marx, Exzerpte, Zeitungsausschnitte und Notizen zur Weltwirtschaftskrise (Krisenhefte). November 1857 bis Februar 1858”[18], contribui de modo decisivo para nosso conhecimento acerca de um dos intervalos mais profícuos da produção teórica de Marx. Ele descreveu seu surto febril de atividade em uma carta a Engels de dezembro de 1857:

Tenho trabalhado demais, geralmente até às 4 da manhã. O trabalho é duplo: 1. A elaboração das linhas fundamentais [Grundrisse] da economia política. (Em favor do público, é absolutamente essencial adentrar a matéria até o fundo, assim como para mim, individualmente, é absolutamente essencial se livrar desse pesadelo.) 2. A presente crise. Além dos artigos para a [New-York] Tribune, o que faço é apenas registrá-la, o que, entretanto, toma um tempo considerável. Penso que em algum momento da primavera devemos escrever juntos um panfleto sobre o caso, como um lembrete ao público alemão de que continuamos lá como sempre, e sempre os mesmos[19].

 

Portanto, o plano de Marx era trabalhar simultaneamente em dois projetos: um trabalho teórico sobre a crítica do modo de produção capitalista, e um livro mais estritamente atual sobre as vicissitudes da crise em curso. Essa é a razão pela qual Marx, diferentemente do que ocorre em volumes anteriores similares, não compila, nos assim chamados Cadernos sobre a Crise, estratos de obras de outros economistas; antes, coletou uma grande quantidade de boletins de notícias sobre os maiores colapsos bancários, sobre as variações nos preços do mercado acionário, mudanças nos padrões dos fluxos comerciais, taxas de desemprego e produção industrial. A atenção particular dispensada a essa última distinguiu sua análise em relação àquela de muitos outros que atribuíam às crises a concessão deficiente de crédito e o aumento nos fenômenos especulativos. Marx dividiu suas notas em três cadernos distintos. No primeiro e mais curto caderno, intitulado “1857 France”, ele coletou dados sobre a situação do comércio francês e as principais medidas tomadas pelo Banco da França. O segundo, o “Livro sobre a Crise de 1857”, tinha quase o dobro do tamanho do primeiro e lidava principalmente com o Reino Unido e o mercado monetário. Temas similares foram tratados no terceiro caderno, o “Livro sobre a Crise Comercial”. Pouco maior que o segundo, Marx anotara nesse caderno dados e notícias sobre relações industriais, a produção de matérias-primas e o mercado de trabalho.

O trabalho de Marx foi, como sempre, rigoroso: ele copiou de mais de uma dúzia de periódicos e jornais, em ordem cronológica, as partes mais interessantes de vários artigos e qualquer outra informação que ele pudesse usar para condensar aquilo que estava acontecendo. Sua principal fonte foi o semanário The Economist, de onde extraiu cerca de metade de suas notas, embora também consultasse frequentemente a Morning Star, The Manchester Guardian e The Times. Todos os estratos foram compilados em inglês. Nesses cadernos, Marx não se deteve na transcrição dos principais boletins de notícias a respeito dos Estados Unidos e do Reino Unido. Ele também rastreou os eventos mais significantes em outros países europeus – em particular França, Alemanha, Áustria, Itália e Espanha – e interessou-se vigorosamente por outras partes do mundo, em especial Índia e China, o Extremo Oriente, Egito e, até mesmo, Brasil e Austrália.

Com o passar das semanas, Marx desistiu da ideia de publicar um livro sobre a crise e concentrou todas as suas energias em seu trabalho teórico, a crítica da economia política, que, do seu ponto de vista, não poderia admitir mais nenhum atraso. Ainda assim, os Cadernos sobre a crise permanecem particularmente úteis para a refutação de uma falsa ideia sobre os principais interesses de Marx nesse período. Em uma carta a Engels do começo de 1858, ele escreveu que, “quanto ao método”, lançar mão da “Lógica de Hegel foi de grande utilidade” para seu trabalho, e que, além disso, queria destacar seu “aspecto racional”[20]. Com base nisso, alguns intérpretes da obra de Marx têm concluído que, ao escrever os Grundrisse, ele gastou um tempo considerável estudando a filosofia hegeliana. Mas a publicação do volume IV/14 deixa muito claro que sua principal preocupação à época era com a análise empírica dos eventos ligados à grande crise econômica que há tanto tempo estava prevendo.

Os esforços infatigáveis de Marx para completar sua “crítica da economia política” são, ainda, o tema principal do volume III/12, “Karl Marx – Friedrich Engels, Briefwechsel. Januar 1862 bis September 1864”[21], que contém sua correspondência do começo de 1862 até a fundação da Associação Internacional dos Trabalhadores. Das 425 cartas preservadas, 112 são correspondências entre Marx e Engels, enquanto 35 foram escritas por eles para terceiros, e 278 remetidas a eles por terceiros (sendo 227 cartas desse grupo publicadas aqui pela primeira vez). A inclusão das últimas – a diferença mais significante em relação a todas as edições anteriores – constitui um verdadeiro tesouro para o leitor interessado, dado que fornece uma gama de novas informações sobre eventos e teorias que Marx e Engels aprenderam com mulheres e homens com quem compartilhavam um compromisso político.

Como todos os outros volumes de correspondência da MEGA2, esse também termina com um registro de cartas escritas por - ou endereçadas a - Marx e Engels que não deixaram mais do que vestígios atestando sua existência. Elas chegam a um total de 125 cartas, quase um quarto do número que sobreviveu, e incluem 57 escritas por Marx. Nesses casos, mesmo o pesquisador mais exigente nada pode fazer além de especular sobre várias hipóteses conjecturais.

Entre os principais pontos de discussão presentes na correspondência de Marx no começo dos anos 1860 estavam a guerra civil norte-americana, a revolta polonesa contra a ocupação russa, e o nascimento do Partido Social-Democrata da Alemanha inspirado pelos princípios de Ferdinand Lassalle. No entanto, um tema constantemente recorrente era sua luta para progredir na escrita de O capital.

Nesse período, Marx se lançou em uma nova área de pesquisa: as Teorias sobre o mais-valor. Em mais de dez cadernos, ele dissecou minuciosamente a abordagem dos maiores economistas que lhe precederam, sendo sua ideia básica a de que “todos os economistas compartilham o erro de examinar o mais-valor não como tal, não em sua forma pura, mas nas formas particulares do lucro e da renda”[22]. Entrementes, a situação econômica de Marx continuava desesperadora. Em junho de 1862 escreveu a Engels: “Todo dia minha esposa diz desejar que ela e as crianças estivessem seguras em seus túmulos, e realmente não posso culpá-la, pois as humilhações, tormentos e inquietações que se passa em tal situação são, de fato, indescritíveis”. A situação era tão extrema que Jenny decidiu vender alguns livros da biblioteca pessoal de seu marido – ainda que ela não tenha conseguido encontrar ninguém que quisesse comprá-los. Contudo, Marx conseguiu “trabalhar duro” e expressou uma nota de satisfação a Engels: “estranho dizer, mas minha massa cinzenta está funcionando melhor em meio à pobreza circundante do que funcionava há anos”[23]. Em setembro, Marx escreveu a Engels que poderia conseguir um emprego “em um escritório ferroviário” no ano novo[24]. Em dezembro, repetiu a seu amigo Ludwig Kugelmann que as coisas haviam se tornado tão desesperadoras que ele tinha “decidido se tornar um ‘homem prático’”; nada deu certo, no entanto. Marx relatou com seu típico sarcasmo: “Felizmente – ou talvez teria que dizer infelizmente? – não consegui o cargo por conta da minha caligrafia ruim”[25].

Paralelamente às tensões financeiras, Marx sofreu por demais com problemas de saúde. Não obstante, do verão de 1863 a dezembro de 1865, ele embarcou na continuidade da edição das várias partes nas quais ele havia decidido subdividir O capital. Ao fim e ao cabo, ele conseguiu elaborar o primeiro esboço do Livro I; o único manuscrito do Livro III, no qual redigira sua única consideração acerca do processo completo da produção capitalista; e uma versão inicial do Livro II, contendo a primeira apresentação geral do processo de circulação do capital.

O volume II/11 da MEGA2, “Karl Marx, Manuskripte zum zweiten Buch des ‘Kapitals’ 1868 bis 1881”[26], contém todos os manuscritos finais relativos ao Livro II de O capital que Marx esboçou entre 1868 e 1881. Nove desses dez manuscritos não haviam sido publicados até então. Em outubro de 1867, Marx retomou o Livro II de O capital, mas vários problemas de saúde forçaram-no a outra súbita interrupção. Alguns meses depois, quando foi capaz de prosseguir com o trabalho, já haviam se passado cerca de três anos desde a última versão que ele escrevera. Marx finalizou os primeiros dois capítulos durante a primavera de 1868, além de um grupo de manuscritos preparatórios – sobre a relação entre mais-valor e taxa de lucro, a lei da taxa de lucro, e as metamorfoses do capital – que o ocuparam até o fim do ano. A nova versão do terceiro capítulo foi terminada no decurso dos dois anos seguintes. O volume II/11 se encerra com uma série de textos curtos que o já envelhecido Marx escreveu entre fevereiro de 1877 e a primavera de 1881.

Os esboços do Livro II de O capital, que foram deixados inconclusivos, apresentam uma série de problemas teóricos. No entanto, a versão final do Livro II foi publicada por Engels em 1885 e aparece, agora, no volume II/13 da MEGA2 intitulado “Karl Marx, Das Kapital. Kritik der politischen Ökonomie. Zweiter Band. Herausgegeben von Friedrich Engels. Hamburg 1885”[27].

Por fim, o volume II/4.3, “Karl Marx, Ökonomische Manuskripte 1863-1868. Teil 3”[28], completa a segunda seção da MEGA². Esse volume, que dá sequência aos prévios II/4.1 e II/4.2[29], contém 15 manuscritos concebidos entre o outono de 1867 e o fim de 1868, os quais permaneceram inéditos até então. Sete desses manuscritos são fragmentos de esboços do Livro III de O capital; apresentam um caráter altamente fragmentário e Marx nunca conseguiu atualizá-los de modo a refletir o progresso de sua pesquisa. Outros três manuscritos correspondem ao Livro II, enquanto os cinco remanescentes lidam com questões concernentes à interdependência entre os Livros II e III e incluem excertos comentados retirados das obras de Adam Smith e Thomas Malthus. Os últimos são particularmente instigantes para aqueles economistas interessados na teoria marxiana da taxa de lucro e em suas ideias sobre a teoria do preço. Estudos filológicos ligados à preparação desse volume também mostraram que o manuscrito original do Livro I de O capital (do qual o “Capítulo seis. Resultados do processo imediato de produção” era considerado a única parte preservada) data, na verdade, do período de 1863-1864, e que Marx o cortou e colou na cópia que ele preparava para publicação[30].

Com a publicação do volume II/4.3 da MEGA2 todos os textos complementares relacionados a O capital se tornaram disponíveis: da famosa “Introdução”, escrita em julho de 1857 durante uma das maiores quebras na história do capitalismo, até os últimos fragmentos redigidos na primavera de 1881. Estamos falando de 15 volumes, mais outros tantos tomos vultosos que constituem um formidável aparato crítico para o texto principal. Eles incluem todos os manuscritos do fim dos anos 1850 e início dos 1860, a primeira versão de O capital publicada em 1867 (partes das quais seriam modificadas em edições subsequentes), a tradução francesa revisada por Marx que apareceu entre 1872 e 1875, e todas as alterações feitas por Engels nos manuscritos dos Livros II e III. Junto a isso, a coleção clássica dos três livros de O capital aparece positivamente diminuta. Não é exagero dizer que só agora podemos compreender completamente os méritos, limites e incompletudes da magnum opus de Marx.

O trabalho editorial que Engels levou a cabo após a morte de seu amigo, isto é, o de preparar as partes não terminadas de O capital para publicação, foi extremamente complexo. Os vários manuscritos, esboços e fragmentos dos Livros II e III, escritos entre 1864 e 1881, correspondem a aproximadamente 2.350 páginas da MEGA2. Engels publicou com êxito o Livro II em 1885 e o III, em 1894. Contudo, é preciso ter em mente que esses dois livros surgiram da reconstrução de textos incompletos, frequentemente formados por material heterogêneo. Eles foram escritos em momentos distintos e, assim, incluem versões diferentes, e por vezes contraditórias, das ideias de Marx.

 

A Internacional, as pesquisas de Marx após O capital, e os trabalhos finais de Engels

 

Imediatamente após a publicação de O capital, Marx retomou a atividade militante e assumiu um compromisso permanente com o trabalho da Associação Internacional dos Trabalhadores. Essa fase de sua biografia política está documentada no volume I/21, “Karl Marx – Friedrich Engels, Werke, Artikel, Entwürfe. September 1867 bis März 1871”[31], que contém mais de 150 textos e documentos do período de 1867-1871, bem como as atas de 169 reuniões do Conselho Geral em Londres nas quais Marx interveio, atas essas que foram omitidas por todas as edições anteriores dos trabalhos de Marx e Engels[32]. Enquanto tal, esse volume provê material de pesquisa para anos cruciais da vida da Internacional.

Desde os primeiros dias de 1864 as ideias de Proudhon eram hegemônicas na França, na Suíça francófona e na Bélgica e os mutualistas – nome pelo qual seus seguidores eram conhecidos – eram a ala mais moderada da Internacional. Resolutamente hostis à intervenção estatal em qualquer campo, eles se opunham à socialização da terra e dos meios de produção, bem como a qualquer uso do instrumento de greve. Os textos publicados nesse volume mostram como Marx teve um papel central na longa luta para reduzir a influência de Proudhon na Internacional. Eles incluem documentos relacionados à preparação dos congressos de Bruxelas (1868) e da Basileia (1869), onde a Internacional fez seu primeiro pronunciamento explícito sobre a socialização dos meios de produção por autoridades estatais e a favor do direito de abolir a propriedade individual sobre a terra. Isso marcou uma vitória importante para Marx e a primeira aparição de princípios socialistas no programa político de uma importante organização de trabalhadores.

Além do programa político da Associação Internacional dos Trabalhadores, o fim dos anos 1860 e início dos 1870 foram ricos em conflitos sociais. Muitos trabalhadores que participavam de ações de protesto decidiram contactar a Internacional, cuja reputação se espalhava cada vez mais, a fim de pedir apoio a suas lutas. Nesse período surgiram, ainda, algumas seções de trabalhadores irlandeses na Inglaterra. Marx estava preocupado com a divisão que o nacionalismo brutal havia produzido nas fileiras do proletariado e, em um documento que veio a ser conhecido como “Confidential Communication”, ele enfatizou que “a burguesia inglesa não apenas explorou a miséria irlandesa para deteriorar a situação da classe trabalhadora na Inglaterra por meio da imigração forçada de irlandeses pobres”; ela também se provou capaz de dividir os trabalhadores “em dois campos hostis”[33]. No seu modo de entender, “uma nação que escraviza outra forja suas próprias correntes”[34] e a luta de classes não poderia ignorar um assunto tão decisivo. Outro tema importante no volume, tratado com particular atenção nos escritos de Engels para The Pall Mall Gazette, foi a oposição à Guerra Franco-Prussiana de 1870-1871.

O trabalho de Marx na Associação Internacional dos Trabalhadores perdurou entre 1864 e 1872, e o novíssimo volume IV/18, “Karl Marx – Friedrich Engels, Exzerpte und Notizen. Februar 1864 bis Oktober 1868, November 1869, März, April, Juni 1870, Dezember 1872”[35], fornece a parte até então desconhecida dos estudos que ele realizara durante esses anos. A pesquisa de Marx ocorreu tanto próximo à impressão do Livro I de O capital quanto após 1867, enquanto preparava os livros II e III para publicação. Esse volume da MEGA² consiste em cinco livros de excertos e quatro cadernos com resumos de mais de uma centena de obras publicadas, relatórios de debates parlamentares e artigos jornalísticos. A parte mais considerável e teoricamente importante desses materiais envolve a pesquisa de Marx sobre agricultura, sendo, aqui, seus principais interesses a renda da terra, as ciências naturais, as condições agrárias em vários países europeus e nos Estados Unidos, Rússia, Japão e Índia, e os sistemas de posse da terra em sociedades pré-capitalistas.

Marx leu atentamente Die Chemie in ihrer Anwendung auf Agricultur und Physiologie (1843) [A química em sua aplicação na agricultura e fisiologia], um livro escrito pelo cientista alemão Justus von Liebig e que ele considerava essencial, uma vez que permitiu-lhe modificar sua crença de que as descobertas científicas da agricultura moderna haviam resolvido o problema da regeneração do solo. Desde então, ele apresentou um interesse cada vez mais vivo naquilo que hoje chamaríamos de “ecologia”, em particular na erosão do solo e no desmatamento. Dentre os outros livros que impressionaram Marx fortemente nesse período, também deveria ser atribuído um lugar especial à Einleitung zur Geschichte der Mark-, Hof-, Dorf-, und Stadt-Verfassung und der öffentlichen Gewalt (1854) [Introdução à história da constituição da marca, sítio, povoado e cidade e da autoridade pública], escrito pelo teórico político e historiador jurídico Georg Ludwig von Maurer. Em uma carta a Engels, ele disse que achou os livros de Maurer “extremamente relevantes”, uma vez que eles abordaram de um jeito completamente diferente “não apenas a era primitiva, mas também todo o desenvolvimento posterior das cidades imperiais livres, do privilégio da posse dos proprietários rurais, da autoridade pública, e a luta entre o campesinato livre e a servidão”[36]. Ademais, Marx endossou a demonstração de Maurer de que a propriedade privada da terra pertencia a um período histórico preciso e não poderia ser considerada como uma característica natural da civilização humana. Por fim, Marx estudou em profundidade três obras alemãs escritas por Karl Fraas: Klima und Pflanzenwelt in der Zeit. Ein Beitrag zur Geschichte beider (1847) [Clima e reino vegetal no tempo. Uma contribuição para a história de ambas], Geschichte der Landwirtschaft (1852) [História da agricultura] e Die Natur der Landwirtschaft (1857) [A natureza da agricultura]. Ele achou a primeira dessas obras “muito interessante”, especialmente ao se referir à parte em que Fraas demonstra que o “clima e a flora mudam historicamente”. Marx o descreveu como um “darwinista antes de Darwin”, que admitiu que “mesmo as espécies têm se desenvolvido historicamente”. Ele foi surpreendido, ainda, pelas considerações ecológicas de Fraas e sua preocupação correlata de que “o cultivo – quando prossegue em crescimento natural e não é controlado conscientemente (como um burguês, naturalmente ele não alcança esse ponto) – deixa desertos atrás de si”. Marx poderia detectar nisso tudo “uma tendência socialista inconsciente”[37].

Após a publicação dos assim chamados Cadernos sobre agricultura, pode-se argumentar com maior grau de certeza que, se Marx tivesse tido forças para finalizar os últimos dois livros de O capital, a ecologia teria tido um papel muito mais importante em seu pensamento[38]. Evidentemente, a crítica ecológica de Marx era anticapitalista em seu enfoque e, para além das esperanças que ele colocava no progresso científico, envolvia o questionamento do modo de produção como um todo.

A magnitude dos estudos marxianos sobre as ciências naturais se tornou completamente visível desde a publicação do volume IV/26, “Karl Marx, Exzerpte und Notizen zur Geologie, Mineralogie und Agrikulturchemie. März bis September 1878”[39]. Na primavera e no verão de 1878, a geologia, mineralogia e agroquímica eram mais centrais para os estudos de Marx do que a economia política. Ele compilou estratos de uma série de livros, incluindo The natural history of the raw materials of commerce (1872) [A história natural das matérias-primas do comércio], de John Yeats; Das Buch der Natur (1848) [O livro da natureza], do químico Friedrich Schoedler; e Elements of agricultural chemistry and geology (1858) [Elementos de química agrária e geologia], do químico e mineralogista James Johnston. Entre junho e início de setembro, atracou-se com The student’s manual of geology (1857) [Manual do estudante de geologia] de Joseph Jukes[40], do qual copiou o maior número de estratos. O foco principal desses estratos são questões de metodologia científica, os estágios do desenvolvimento da geologia como disciplina, e sua utilidade para a produção industrial e agrária.

A assimilação de tais questões despertou em Marx a necessidade de desenvolver suas ideias a respeito do lucro, algo com o qual havia se ocupado contínua e intensivamente em meados dos anos 1860, quando escreveu o esboço da parte sobre “A transformação do excedente do lucro em renda da terra”, constituinte do Livro III de O capital. Alguns dos resumos de textos sobre ciências naturais tinham o objetivo de lançar uma luz mais intensa sobre o material em estudo. Mas outros excertos, mais voltados a aspectos teóricos, eram destinados à conclusão do Livro III. Engels recordou mais tarde que Marx “vasculhou (…) a pré-história, agronomia, propriedade russa e americana da terra, geologia etc., para desenvolver a seção sobre a renda da terra no Livro III de O capital em uma profundidade (…) nunca tentada”[41]. Esses volumes da MEGA2 são ainda mais importantes porque servem para desacreditar o mito, repetido em uma série de biografias e estudos sobre Marx, de que após O capital ele havia satisfeito sua curiosidade intelectual e desistido completamente de novos estudos e pesquisas[42].

Por fim, três livros da MEGA2 publicados na última década dizem respeito ao último Engels. O volume I/30, “Friedrich Engels, Werke, Artikel, Entwürfe. Mai 1883 bis September 1886”[43], contém 43 textos escritos por ele nos três anos que se passaram após a morte de Marx. Dos 29 textos mais importantes dentre esses, 17 consistem em peças jornalísticas que apareceram em alguns dos principais jornais da imprensa proletária europeia. Embora nesse período estivesse especialmente absorvido pela edição dos manuscritos incompletos de O capital deixados por Marx, Engels não se furtou de intervir em uma série de questões políticas e teóricas candentes. Lançou, ainda, uma obra polêmica que mirava o reaparecimento do idealismo nos círculos acadêmicos alemães, a saber, Ludwig Feuerbach e o fim da filosofia clássica alemã (1886). Os outros 14 textos, publicados nesse volume como um apêndice, são algumas das traduções do próprio Engels e uma série de artigos assinados por outros autores em colaboração com ele.

A MEGA2 também publicou um novo conjunto de correspondências de Engels. O volume III/30, “Friedrich Engels, Briefwechsel. Oktober 1889 bis November 1890”[44], apresenta 406 cartas preservadas do total de 500 ou mais que ele escreveu entre outubro de 1889 e novembro de 1890. Além do mais, a inclusão inédita de cartas de outros correspondentes possibilita apreciar de modo mais profundo a contribuição de Engels para o crescimento dos partidos proletários na Alemanha, na França e no Reino Unido, no que diz respeito a toda uma gama de questões teóricas e organizacionais. Alguns dos itens em questão se referem ao nascimento da Segunda Internacional, cujo congresso de fundação ocorreu em 14 de julho de 1889, e aos muitos debates nela em curso.

Finalmente, o volume I/32, “Friedrich Engels, Werke, Artikel, Entwürfe. März 1891 bis August 1895”[45], reúne escritos dos últimos quatro anos e meio da vida de Engels. Há uma série de peças jornalísticas escritas para os maiores jornais socialistas da época, incluindo Die Neue Zeit, Le Socialiste e Critica Sociale, bem como prefácios e posfácios a várias reimpressões das obras de Marx e Engels, transcrições de discursos, entrevistas e saudações a congressos partidários, relatos de conversas, documentos esboçados por Engels em colaboração com outros, e uma série de traduções.

Portanto, esses três volumes se revelarão extremamente úteis para um estudo aprofundado das contribuições teóricas e políticas tardias de Engels. As numerosas publicações e conferências internacionais programadas para o bicentenário de seu nascimento (1820-2020) certamente não falharão em sondar esses vinte anos que se passaram após a morte de Marx, período em que dedicou suas energias para a difusão do marxismo.

 

Outro Marx?

 

Que Marx emerge da nova edição histórico-crítica de seus trabalhos? Em certos aspectos, ele difere do pensador que muitos discípulos e oponentes apresentaram ao longo dos anos – sem falar das estátuas de pedra encontradas em praças públicas sob regimes não-livres da Europa Oriental, estátuas essas que o representavam apontando para o futuro com imperiosa certeza. Por outro lado, poderia ser enganoso trazer à baila a ideia – como fazem aqueles que, de modo muito entusiástico, saúdam um “Marx desconhecido” após cada novo texto que pela primeira vez surge – de que a pesquisa recente virou do avesso tudo aquilo que já se conhecia sobre ele. O que a MEGA2 fornece é, antes, a base textual para repensar um Marx diferente: diferente não porque a luta de classes abandona seu pensamento (como alguns acadêmicos desejariam, em uma variação do antigo bordão do “Marx economista” contra o “Marx político” que busca, em vão, apresentá-lo como um clássico inócuo); mas radicalmente diferente do autor que foi dogmaticamente convertido em fons et origo [fonte e origem] do “socialismo realmente existente” e supostamente fixado apenas no conflito classista.

Os novos avanços alcançados no âmbito dos estudos marxianos sugerem que a exegese da obra de Marx está novamente se tornando, assim como muitas outras vezes no passado, cada vez mais refinada. Por muito tempo, vários marxistas colocaram os escritos do jovem Marx em primeiro plano, principalmente os Manuscritos econômico-filosóficos de 1844 e A ideologia alemã, enquanto o Manifesto do partido comunista permanecia seu texto mais amplamente lido e citado. Naqueles primeiros escritos, no entanto, são encontradas muitas ideias que foram suplantadas em sua obra tardia. Por muito tempo, a dificuldade em examinar a pesquisa de Marx realizada nas duas últimas décadas de sua vida obstruiu nosso conhecimento acerca de importantes ganhos que ele obteve. Mas é sobretudo em O capital e seus esboços preliminares, bem como nas pesquisas de seus últimos anos, que encontramos as reflexões mais preciosas sobre a crítica da sociedade burguesa. Elas representam as últimas conclusões a que Marx chegou, embora não as definitivas. Se examinadas criticamente à luz das mudanças que o mundo sofreu desde a sua morte, elas ainda podem se mostrar úteis à tarefa de teorizar, após os fracassos do século XX, um modelo socioeconômico alternativo ao capitalismo.

A edição MEGA2 tem desmentido todas as alegações de que Marx seja um pensador sobre quem tudo já foi escrito e dito. Ainda há muito para se aprender com Marx. Hoje, é possível fazer isso estudando não apenas aquilo que ele escreveu em seus trabalhos publicados, mas estudando também as questões e dúvidas contidas em seus manuscritos inacabados.

 

Referências bibliográficas

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SMITH, D. Marx’s World: Global Society and Capital Accumulation in Marx’s Late Manuscripts. New Haven: Yale University Press, no prelo.

 

Resumo

O artigo apresenta as novas descobertas e possibilidades de interpretações da obra de Marx a partir da retomada da publicação da MEGA2. Argumenta que a nova edição histórico-crítica não revela um Marx desconhecido, mas indica a existência de facetas diferentes em sua obra. O exame das notas e do material não publicado por Marx permite chamar a atenção para seu interesse naquilo que hoje denominamos ecologia e para aspectos de sua crítica à sociedade burguesa que podem nos auxiliar no desenvolvimento de uma perspectiva anticapitalista própria ao século XXI.

Palavras-chave: MEGA2, Marx, materialismo histórico, Internacional

 

Abstract

The article presents the new discoveries and possibilities of interpretations of Marx’s work from the resumption of the publication of MEGA2. He argues that the new historical-critical edition does not reveal an unknown Marx, but indicates the existence of different facets in his work. The examination of notes and material not published by Marx himself allows to draw attention to his interest in what we now call ecology and to aspects of his criticism of bourgeois society that can assist us in the development of an anti-capitalist perspective proper to the 21st century.

Keywords: MEGA2, Marx, historical materialism, International

[1] Os tomos II/4.1 e II/4.2 foram publicados antes da interrupção da MEGA2, enquanto o II/4.3 saiu em 2012. Esse livro em três partes leva a 67 o número total de volumes da MEGA2 publicados desde 1975. No futuro, alguns dos demais volumes serão publicados apenas na forma digital. NT: Os tomos II/4.1 e II/4.2 da MEGA2 se referem aos Manuscritos Econômicos de 1863-1867; o II/4.3, por sua vez, aumenta o recorte temporal anterior em um ano e apresenta os Manuscritos Econômicos de 1863-1868.

[2] A publicação do volume IV/32 da MEGA2, Karl Marx – Friedrich Engels, Die Bibliotheken von Karl Marx und Friedrich Engels, editado por Hans-Peter Harstick, Richard Sperl e Hanno Strauß, Akademie, Berlin, 1999, foi de particular relevância para o conhecimento do conteúdo da biblioteca de Marx. Ela consiste em um index de 1.450 livros (em 2.100 tomos) – dois terços dos quais pertencentes a Marx e Engels. Essa compilação indica todas as páginas de cada volume nas quais Marx e Engels deixaram anotações e marginálias.

[3] Para uma resenha de todos os 13 volumes da MEGA2 publicados de 1998 – o ano da retomada dessa edição – até 2007, cf.  Musto (2007). Essa resenha crítica cobre os 15 volumes – que somam o total de 20.508 páginas – publicados entre 2008 e 2019.

[4] Karl Marx, “Marx’s Undertaking Not to Publish Anything in Belgium on Current Politics”, Marx-Engels Collected Works [doravante MECW], vol. 4, p. 677. N.T. Para facilitar a leitura, todas as referências a publicações extraídas da MECW e da MEGA2 serão feitas em nota de rodapé.

[5] Karl Marx, “Declaration against Karl Grün”, MECW, vol. 6, p. 72.

[6] Karl Marx para Carl Wilhelm Julius Leske, 1 de agosto de 1846, MECW, vol. 38, p. 50.

[7] Friedrich Engels, Ludwig Feuerbach and the End of Classical German Philosophy, MECW, vol. 26, p. 519. Na verdade, Engels já usara essa expressão em 1859 em sua resenha de Para a crítica da economia política de Marx, mas o artigo não teve ressonância e o termo só começou a circular após a publicação de seu Ludwig Feuerbach.

[8] MEGA2, vol. I/5, editado por Ulrich Pagel, Gerald Hubmann e Christine Weckwerth, Berlim: De Gruyter, 2017, p. 1.893.

[9] Alguns anos antes da publicação do volume I/5 da MEGA2 e com base na edição alemã de Karl Marx, Friedrich Engels, Joseph Weydemeyer, Die Deutsche Ideologie. Artikel, Druckvorlagen, Entwürfe, Reinschriftenfragmente und Notizen zu ”I. Feuerbach” und “II Sankt Bruno”, que apareceu como uma edição especial do periódico Marx-Engels Jahrbuch em 2003, Terrell Carver e Daniel Blank forneceram uma nova edição no idioma inglês do assim chamado “Capítulo sobre Feuerbach”: Marx and Engels’s “German Ideology” Manuscripts: Presentation and Analysis of the “Feuerbach Chapter”, New York: Palgrave, 2014. Os dois autores defenderam a fidelidade máxima aos originais, criticando, além disso, a edição do Marx-Engels Jahrbuch (agora incorporada ao volume I/5) pelo fato de que ela, alinhada com antigos editores do século XX, organizara os distintos manuscritos como se eles formassem o esboço de uma obra totalmente coesa, ainda que nunca completada.

[10] Karl Marx – Friedrich Engels, The German Ideology, MECW, vol. 5, p. 28.

[11] Karl Marx – Friedrich Engels, Exzerpte und Notizen Juli bis August 1845, MEGA2, vol. IV/4, editado pelo Instituto de Marxismo-Leninismo, Berlim: Dietz, 1988.

[12] MEGA2, vol. IV/5, editado por Georgij Bagaturija, Timm Graßmann, Aleksandr Syrov and Ljudmila Vasina, Berlim: De Gruyter, 2015, p. 650.

[13] MEGA2, vol. I/7, editado por Jürgen Herren and François Melis, Berlim: De Gruyter, 2016, p. 1.774.

[14] Karl Marx, “The Bourgeoisie and the Counter-Revolution”, MECW, vol. 8, p. 178.

[15] Karl Marx, The Class Struggles in France, 1848 to 1850, MECW, vol. 10, p. 134.

[16] MEGA2, I/16, editado por Claudia Rechel e Hanno Strauß, Berlim: De Gruyter, 2018, p. 1.181.

[17] MEGA2, vol. IV/14, editado por Kenji Mori, Rolf Hecker, Izumi Omura e Atsushi Tamaoka, Berlim: De Gruyter, 2017, p. 680.

[18] Karl Marx a Friedrich Engels, 18 de dezembro de 1857, MECW, vol. 40, p. 224.

[19] Karl Marx a Friedrich Engels, 16 de janeiro de 1858, MECW, vol. 40, p. 249.

[20] MEGA2, vol. III/12, editado por Galina Golovina, Tat’jana Gioeva e Rolf Dlubek, Berlim: Akademie, 2013, p. 1.529.

[21] Karl Marx, Theories of Surplus-Value, vol. I, MECW, vol. 30, p. 348.

[22] Karl Marx a Friedrich Engels, 18 de junho de 1862, MECW, vol. 41, p. 380.

[23] Karl Marx a Friedrich Engels, 10 de setembro de 1862, MECW, vol. 41, p. 417.

[24] Karl Marx a Ludwig Kugelmann, 28 de dezembro de 1862, MECW, vol. 41, p. 436.

[25] MEGA2, vol. II/11, editado por Teinosuke Otani, Ljudmila Vasina e Carl-Erich Vollgraf, Berlim: Akademie, 2008, p. 1.850.

[26] MEGA22, vol. II/13, Berlim: Akademie, 2008, p. 800.

[27] MEGA2, vol. II/4.3, editado por Carl-Erich Vollgraf, Berlim: Akademie, 2012, p. 1.065. Uma pequena parte desse texto foi traduzida recentemente para o inglês: Marx (2019).

[28] O volume II/4.2 foi traduzido recentemente para o inglês em Moseley (2015).

[29] Veja Carl-Erich Vollgraf, “Einführung”, em MEGA2, vol. II/4.3, cit., p. 421-74.

[30] MEGA2, vol. I/21, editado por Jürgen Herres, Berlim: Akademie, 2009, p. 2.432.

[31] Algumas delas – como os discursos e resoluções apresentados nos congressos da Internacional – foram, em vez disso, incluídas em uma antologia publicada por ocasião do 150° aniversário dessa organização:  cf. Musto (2014).

[32] Karl Marx, “Confidential Communication”, MECW, vol. 21, p. 120.

[33] Ibid.

[34] MEGA2, vol. IV/18, editado por Teinosuke Otani, Kohei Saito e Timm Graßmann, Berlim: De Gruyter, 2019, p. 1.294.

[35] Karl Marx a Friedrich Engels, 25 de março de 1868, MECW, vol. 42, p. 557.

[36] Ibid., p. 558-559.

[37] Sobre essas questões, veja também o trabalho de um dos editores do volume IV/8 da MEGA2: Saito (2017).

[38] MEGA2, vol. IV/26, editado por Anneliese Griese, Peter Krüger e Richard Sperl, Berlim: Akademie, 2011, p. 1.104.

[39] Ibid., p. 139-679.

[40] Friedrich Engels, “Marx, Heinrich Karl”, MECW, vol. 27, p. 341. O grande interesse de Marx nas ciências naturais, interesse esse que ficou praticamente desconhecido por muito tempo, é evidente também no volume IV/31 da MEGA2, a saber, Karl Marx – Friedrich Engels. Naturwissenschaftliche Exzerpte und Notizen. Mitte 1877 bis Anfang 1883, editado por Annalise Griese, Friederun Fessen, Peter Jäckel e Gerd Pawelzig, Berlim: Akademie, 1999, que apresenta as notas sobre química orgânica e inorgânica tomadas por Marx após 1877.

[41] Veja Musto (2020). Um marco importante para esse tema será a publicação do livro editado por David Smith, pela Yale University Press em 2021, “Marx’s World: Global Society and Capital Accumulation in Marx’s Late Manuscripts”.

[42] MEGA2, vol. I/30, editado por Renate Merkel-Melis, Berlim: Akademie, 2011, p. 1.154.

[43] MEGA2, vol. III/30, editado por Gerd Callesen e Svetlana Gavril’čenko, Berlim: Akademie, 2013, p. 1.512.

[44] MEGA2, vol. I/32, editado por Peer Kösling, Berlim: Akademie, 2010, p. 1.590.

[45] MEGA2, vol. I/32, editado por Peer Kösling, Berlim: Akademie, 2010, p. 1.590.

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Marx ve teknokrat hükümetlerin eleştirisi

İlgi duyduğu onlarca konunun yanında, Marx’ın teknokrasinin –siyasi partilerden bağımsız, sözde uzmanlar tarafından yönetilen hükümetler– eleştirisine de ilgi duyduğu çok bilinmez. Zamanının en kapsamlı günlük gazetelerinden New York Tribune yazarı olarak, tarihteki ilk teknokrat hükümete yol açan siyasal ve kurumsal gelişmeleri gözlemlemişti: 1852 yılının Aralık ayından 1855’in Ocak’ına kadar süren Aberdeen Kontu hükümeti.

Marx’ın konu hakkındaki değerlendirmeleri, gözlem kabiliyeti ve iğnemeleri ile öne çıkıyordu. Times, yaşanan gelişmeleri “parti ruhunun dünyayı terk ettiği ve dehanın, tecrübenin, sanayinin ve yurtseverliğin hükümet etmek için yegâne kabiliyetler olduğunun” işareti olarak kutluyordu. Londra merkezli gazete, “her fikirden insanın” yeni hükümetin ardında yürümeye çağırıyordu çünkü “hükümetin prensipleri evrensel uzlaşı ve dayanışmayı buyuruyordu.” Benzer argümanlar, geçtiğimiz yıllarda da eski bankacılar -Yunanistan’da Lucas Papademos ve İtalya’da Draghi- başbakan olduğunda da söylenmişti. Kutlamalar 1852 yılının Times gazetesindeki gibiydi. Tüm muhafazakâr ve liberal yayın organları, hatta ortanın solundakiler dahi ekonominin içinden gelen “kurtarıcıların” sol sağ ayrımı gütmeden “siyasete” karşı başlattığı kutlu savaşa katılmıştı. Bugün benzer bir anti-siyasi argüman, sağın yükselen iki aktörünü desteklemek için kullanılıyor: Javier Milei ve cumhuriyetçi Vivek Ramaswamy -Arjantin ve ABD’de gerçekleşecek başkanlık seçimlerinin adayları.

1853 tarihli Miadı Dolmuş Bir Yönetim: Koalisyon Hükümetinin Görünümü başlıklı makalesinde, Marx Times’in yaklaşımıyla alay ediyordu. Britanya gazetesinin son derece modern ve büyüleyici bulduğu şey, onun için düpedüz saçmalıktı. Times’in “tamamen yeni, genç ve gelecek vaat eden aktörlerden teşekkül bir hükümet” nitelemeleriyle Marx şu sözlerle eğleniyordu: “Dünya, Büyük Britanya tarihindeki yeni çağın, geçtiğimiz yüzyılın sonundan beri neredeyse her hükümetle çalışmış, tarihi geçmiş, hem yaştan hem de yorgunluktan iki kere ölmüş ve yapay bedenlerde yeniden diriltilmiş seksenlik bürokratlar tarafından açıldığını öğrendiğinde kesinlikle şaşkına dönecek.” Hükümet içindeki isimler kadar, ürettikleri politikalarla ilgili de eleştirileri vardı: “Bize parti savaşlarının ortadan kalkacağını vaat ettiler, hayır hatta partilerin bile.” diyordu Marx; “O zaman Times niye var?”

Bu soru, maalesef sermayenin emek üzerindeki hâkimiyetinin, en az 19. yüzyılda olduğu kadar vahşileştiği bugün için de son derece güncel. Kapitalizmi önceki üretim biçimlerinden farklı kılan, ekonomi ve siyaset arasındaki ayrım zirveye çıkmış durumda. Ekonomi yalnızca siyaseti domine etmekle kalmıyor, gündemini belirliyor, kararlarını şekillendiriyor, fakat yargısından ve demokratik denetiminden bağımsız kalıyor. Öyle ki artık hükümet değişse dahi ekonomi ve sosyal politikaların aynı kalabildiği örneklere tanıklık ediyoruz. Değişmez kanunlara dönüştürüldüler.

EKONOMİNİN ÇEHRESİNİ SİYASALLAŞTIRMA MANEVRASI 

Geçtiğimiz otuz yılda, karar alma gücü siyasetten piyasaya geçti. Parti politikası odaklı yasama biçimleri, apolitik uzmanlık maskesi altında son derece ideolojik, politik ve gerici nitelikteki ekonomik buyruklara dönüştü. Siyasetin bu aygıtlarının, değişimden azade bir alan olarak inşa edilen ekonomiye çekilmesi, bu çağın demokrasisinin karşısındaki en büyük tehdit. Asimetrik seçim yasalarıyla çoktan temsil yetkisini kaybetmiş, yasama ile yürütme arasındaki ilişkinin otorite yanlısı değişimlere uğradığı ulusal meclislerin iktidarları da “piyasaya” devredilmiş durumda. Standard & Poor’s derecelendirmeleri, Wall Street indeksi ve marj -günümüz toplumunun mega fetişleri- halkın iradesinin yanında mukayese edilemeyecek kadar fazla ağırlığa sahip. Siyasi iktidarlar ekonomiye en fazla “müdahale” edebilir (kimi dönemlerde egemen sınıflar kapitalizmin yıkıcı anarşisini ve şiddetli krizlerini yatıştırma ihtiyacı duyar) fakat onun kurallarını ve en temel tercihlerini sorgulayamaz.

“Teknokrasi” –ya da söylendiği üzere “en iyilerin hükümeti”, “en yeteneklilerin iktidarı”– kavramının yarattığı yanılsamanın ardında, siyasetin askıya alınması olduğunu görebiliriz. Bu fenomen, Avrupa’da birden fazla kez ortaya çıktı. Geçtiğimiz yıllarda, siyasi krizlerde hemen erken seçime gidilmemesi, yönetimin ekonomiye devredilmesi gerekliliği tartışıldı. Nisan 1853 tarihli, “Hükümetin başarıları” başlıklı makalesinde, Marx (teknokratik) koalisyon hükümetinin siyasette zayıflığı temsil ettiğini” yazıyordu. Hükümetler artık hangi ekonomik tercihlere yönelineceğini tartışmıyordu. Artık baskın ekonomik yönelimler hükümetleri doğuruyordu.

NEOLİBERAL DÜSTURA KARŞI  

Geçtiğimiz yıllarda, Avrupa’da neoliberal düstur, piyasaların “özgüveninin” geri getirebilmek için acele şekilde “yapısal reformlar” sürecine gidilmesi gerektiğini savunuyordu, bugün artık bu kavram, “toplumsal yok oluş” ile eşanlamda kullanılıyor. Bir başka deyişle, ücret kesintileri, işe alma ve çıkarmada işçilerin haklarının gaspedilmesi, emeklilik yaşının artırılması ve makro özelleştirmeler. Ekonomik krizlerin en büyük sorumluları olan ekonomi kuruluşlarından gelen aktörlerin başında olduğu bu yeni “teknokratik hükümetler” bu yolu takip ettiler; bunu “ülkenin iyiliği için” “gelecek nesillerin refahı için” yaptıklarını iddia ettiler. Dahası ekonomik baskılarla ve ana akım medyanın da yardımıyla, bu koroda uyumsuz ses çıkaranları susturmaya çalıştılar.

Eğer sol siyaset alanından kaybolmayacaksa, en acil ve güncel sorunlara yönelik radikal politikalar önerme cesaretine de sahip olmalı. Toplumsal dönüşüm ve zenginliğin bölüşümü konularında politika üretebilecek olan son kişiler teknokratlar. Ayrıca son derece de siyasiler, söylemeye gerek yok, tabii ki son derece muhafazakârlar.

Çevirmen: Yunus Emre Ceren 

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Birinci Enternasyonal ve güncel önemi

Kökenleri

1864’teki ilk toplantısının ardından İşçilerin Enternasyonal Birliğinin (daha bilinen ismiyle Birinci Enternasyonal) yarattığı heyecan çok hızlı şekilde Avrupa’nın tamamına yayıldı. Sınıf mücadelesini ortak bir amaç haline getirdi ve yüz binlerce kadın ve erkeğe sömürüye karşı mücadele ilhamı oldu. Enternasyonal sayesinde, işçiler kapitalist üretim ilişkilerinin mekanizmasına dair daha açık bir kavrayış geliştirirken, kendi güçlerinin daha fazlasına vardılar ve hakları için yeni ve daha ileri mücadele biçimleri geliştirdiler.

Kurulduğunda, Enternasyonal’in temel itici gücünü liderlerinin ağırlıkla ekonomik sorunlara yoğunlaştığı Britanya sendikacılığı oluşturuyordu. İşçilerin şartlarını düzeltmek için mücadele etmesine ediyorlardı fakat kapitalizmi sorunsallaştırmıyorlardı. Enternasyonali de öncelikle grev süreçlerinde başka ülkelerden işçi ithâlâtının önüne geçmek için kurdular. Enternasyonal içerisindeki en önemli ikinci grup ise uzun süredir Fransa’da baskın olan yararcılardı. Pierre-Joseph Proudhon’un teorileriyle hareket eden bu grup, işçi sınıfının siyaset içerisinde yer almasına da grevin bir mücadele aygıtı olmasına da karşıydı. Bir de komünistler vardı; ütopik fikirlerden ilham alan bir grup işçi ve belli belirsiz demokratik fikirleri olan sürgün aydınlar. Başlangıçta, Enternasyonal farklı siyasi geleneklerin bir arada bulunduğu, çoğunluğu devrimci değil reformist bir örgütlenmeydi.

Teoriler ve Mücadeleler

19. Yüzyılda 60’ların sonu ve 70’lerin başı Avrupa’da toplumsal çelişkilerin yaygınlaştığı bir dönemdi. Protesto eylemlerine dahil olan birçok işçi, Enternayonal ile iletişime geçiyor, örgütün şanı hızla yayılıyordu. 1866’dan itibaren grevler birçok ülkeye yayılarak yeni ve önemli bir mücadele biçiminin temeli haline geldi. Çelişkilerin çoğunda senaryo aynıydı: başka ülkelerde dost işçiler grevcilere destek için fon oluşturuyor ve kendilerini endüstriyel askerlere çevirecek çalışma şartlarını reddediyorlardı. Sonuç olarak, patronlar grevcilerin birçok talebini kabul etmek zorunda kalıyorlardı.

Farklı uluslardan, dillerden ve siyasi kültürlerden gelmenin yarattığı tüm sorunlara rağmen, Enternasyonal çok sayıda örgütlenmenin ve kendiliğinden mücadelelerin koordinasyonu ve birliğini sağlıyordu. En önemli başarısı ise sınıf dayanışmasının ve enternasyonal birliğin kritik önemini gösterebilmesi oldu.

Enternasyonal aynı zamanda emek hareketindeki en ünlü tartışmaların da ilk ev sahibi oldu. Bunlar içerisinde: sendikaların vazgeçilemez yararları; toprak ve üretim araçlarının özel mülkiyetinin kaldırılması; seçimlere işçi sınıfının bağımsız partileriyle katılımı, kadınların özgürleştirilmesi ve savaşın kapitalist sistemin kaçınılmaz sonucu olarak kavramsallaştırılması vardı. Enternasyonal Avrupa dışına da yayıldı, özellikle de Amerika Birleşik Devletleri’ne.

Enternasyonalin en dikkate değer dönemi, Paris Komününün kuruluşuna rastladı. 1871’de Fransa-Prusya savaşının ardından, Parisli işçiler burjuva hükümetine karşı harekete geçip şehri ele geçirdiler. Dolayısıyla Enternasyonal bu fırtınanın merkezinde olduğu için de muazzam bir popülariteye sahip oldu. Tabii kapitalistler ve orta sınıflar için kurulu düzen karşısında büyük bir tehdit olarak görülürken, işçiler için sömürüsüz ve adil bir dünya umudunu besliyordu. Emek hareketi müthiş bir canlılık kazandı ve her yerde görünür oldu. Paris ayaklanması işçi hareketini alevlendirirerek, daha radikal tutum alma ve militanlaşmalarını sağladı.

Dolayısıyla Enternasyonalin baştaki kuruluşu, aynı temel misyonu gibi demode hale gelmişti. Artık görev Avrupa çapında grevler için kitlesel destek örgütlemek, sendikaların yararını, toprak ve üretim araçlarının kamulaştırılmasını anlatan kongreler düzenlemek değildi. Paris Komününden sonra, işçi hareketleri için asıl sorun, kapitalist üretim biçiminin sonlandırılması ve burjuva dünyasına ait kurumların yıkılması için nasıl örgütlenileceği idi.

Dün ve Bugün

Birinci Enternasyonalin öneminin yeniden keşfi çok farklı bir bağlamda oldu. O dönemin umutlarını kendi dönemimizin güvensizliklerinden ayıran boşluk, neoliberal rekabetçiliğin ve şirketleşmenin yarattığı ideolojik itaat ve bireycilik döneminde Enternasyonal çağının dayanışmacı ve sistemsiz ruhuna özlemi yarattı.

Emek dünyası dönemsel bir yenilgi yaşadı ve sol hâlâ derin bir krizin ortasında. Neoliberal politikalarla geçen uzun bir dönemin ardından işçilerin mücadele ettiği ve önemli kazanımlar elde ettiği sistem, 19. Yüzyıldakine benzer bir versiyonuna dönüştü. Geçmişteki ilerici anlamını kaybetmiş olan emek piyasası “reformları” her geçen yıl yeni “esneklikler” ve daha kolay son verme biçimleri icat ederek daha derin eşitsizlikler yarattı. Sovyet blokunun çökmesinin ardından birbirinden farklı büyük siyasal ve ekonomik dönüşümler üst üste geldi: küreselleşmenin yarattığı toplumsal değişimler, var olan üretim biçiminin çıktısı olan ekolojik felaketler ve varlıklı sömürücü azınlık ile yoksullaşmış çoğunluk arasındaki giderek büyüyen uçurum, kapitalizmin (2008’de başlayan) en büyük ekonomik krizlerinden birisi, ırkçılık ve şovenizm, COVID-19 pandemisi ve her yere yayılan savaş rüzgârları.

Böyle bir bağlamda sınıf dayanışması her zamankinden daha vazgeçilmez durumda. Marx’ın kendisi işçi sınıfının yerlisi ile göçmeniyle (ki daha fazla ayrımcılığa uğruyorlar) karşı karşıya gelmesi egemen sınıfların hâkimiyetinin en temel unsuru.

Toplumsal çelişkileri örgütlemenin yeni yolları, 150 yıl önceki formları şu an kullanamayacağımıza göre, siyasi partilerin ve sendikaların yeniden icat edilmesi ile mümkün. Fakat işçilerin sömürülenlerin ortak cephesinde örgütlenmediği sürece yenileceğine dair Enternasyonalin tarihsel dersi hâlâ geçerli. Bu olmadan, ufukta gözüken tek senaryo yoksulların kendi arasındaki savaş ve bireyler arasındaki dizginsiz rekabet.

 

Çeviren: Yusuf Tuna Koç

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Kapitalizmi anlamanın anahtarı

Yabancılaşma, 20. yüzyılın en önemli ve en çok tartışılan konularından biriydi ve Marx’ın kavramsallaştırması bunda kilit bir rol oynadı. Yine de tahmin edilenin aksine yabancılaşma teorisinin kendisi çizgisel bir ilerlemeyle gelişmedi, Marx’ın yabancılaşma kavramı üzerine düşüncelerini içeren, öncesinde bilinmeyen metinlerinin basılması teorinin dönüşümündeki önemli moment oldu ve bu şekilde küresel düzeyde popülerleşti.

1844 Ekonomik ve Felsefi Elyazmalarındaki “yabancılaşmış emek” kategorisiyle Marx yalnızca yabancılaşma sorununu felsefe din ve siyaset alanlarından meta üretiminin ekonomisine doğru genişletmemiş, aynı zamanda ekonomiyi diğerlerini anlamanın ve üstesinden gelmenin öncülü haline getirmişti. Fakat yine de 1844’teki kavramsallaştırma henüz 26 yaşında yazılmış, yabancılaşmanın başlangıç ve taslak seviyesinde bir teorizasyonuydu. 1850 ve 1860’lardaki ekonomi yazılarında ise Marx’ın yabancılaşma konusundaki fikirleri erken felsefi el yazmalarına kıyasla çok daha geniş kapsamlı ve detaylıdır.

YABANCILAŞMA KAVRAMININ UZUN YÖRÜNGESİ

Yabancılaşmanın sistematik olarak ilk tariflenişi Hegel’in Ruhun Fenomenolojisi (1807) eserinde, ruhun nesnellik boyutunda kendinden farklı bir şeye dönüşmesini açıklamak için Entrausserung (kendini dışsallaştırma) Entfremdung (yabancılaşma/uzaklaşma) ve Vergegenständlichung (nesne haline getirme) kavramlarını kullanmasıyla olmuştur.

Yabancılaşma felsefe dünyasında zamanla unutulmuş, 19. yüzyılın hiçbir önemli düşünürü bu kavrama dikkat vermemişti. Marx bile yaşadığı dönemde basılan eserlerinde kavramı nadiren kullanmış, yabancılaşma üzerine tartışmalar İkinci Enternasyonal dönemi Marksizminde kendine hiç yer bulamamıştı.

Fakat bu dönemde kimi düşünürler daha sonra yabancılaşma ile ilişkilendirilecek kavramlar geliştirdiler. Emile Durkheim Toplumsal İşbölümü ve İntihar eserlerinde toplumsal iş bölümünde sosyal uyumu güvence altına alan normların büyük bir genişleme sonucu krize girdiği anda ortaya çıkan fenomenleri açıklamak için geliştirdiği “anomi” (dışlanmışlık) kavramı bunun bir örneği. Max Weber, Ekonomi ve Toplum kitabında toplumdaki “bürokratikleşme” ve insan ilişkilerindeki “rasyonel hesaplama” fenomenlerini kapitalizmin temelleri olarak düşünmüştür. Fakat bu yazarlar insan ilişkilerinin engellenemez eğilimlerini tarif ettiklerini düşünüyorlardı ve bunun temelinde verili toplumsal ve siyasal düzeni geliştirme niyetiyle yönlendirilmiş fikirler vardı, var olanı başka bir taneyle değiştirmek değil.

Yabancılaşmanın yeniden keşfi, Gyorgy Lukacs’ın Tarih ve Sınıf Bilinci eserinde, emek sürecinin insanı nesnel ve bağımsız bir şey olmaktan çıkararak dışsal, kendiliğinden yasalar içerisinde domine etmesi olgusunu açıklamak için “şeyleşme” kavramını geliştirmesiyle mümkün olmuştur. Kavramın yaygınlaşmasında belirleyici olan, 1932 yılında Marx’ın gençliğinde yazdığı 1844 El Yazmalarının ilk defa yayınlanması ile emek üretiminin emeğin karşısında “yabancı, üretenden bağımsız bir güç” haline gelmesi olgusunu açıklayan bir tanım olarak yabancılaşma kavramıyla karşılaşırız. Hegel’in aksine Marx için yabancılaşma nesneleştirme ile bağlantılandırılabilecek bir kavram değil, ekonominin belli bir formundaki özel bir olgudur: bu da ücretli emeğin ve emek ürününün üreticiye yabancı nesnelere dönüşüüdür. Hegel yabancılaşmayı emeğin ontolojik tezahürü olarak sunarken, Marx üretimin spesifik bir döneminin, kapitalizmin karakteristiği olarak düşündü.

İkinci dünya savaşından sonra yabancılaşma hem felsefede hem de anlatıya dayalı edebiyatta, Fransız varoluşçuların etkisiyle sık başvurulan bir tema haline geldi. Fakat bu dönemde insanın toplumdan kopuşunu, bireysellikle tecrübe dünyası arasında bir ayrımı, aşılamaz bir insanlık halini ifade ediyordu. Herbert Marcuse de yabancılaşmayı kapitalist üretim ilişkilerinin bir tezahürü olarak değil, nesnelleştirme olarak tanımlamıştı. Eros ve Uygarlık eserinde Marx ile arasına mesafe koyarak insanın kurtuluşunun ancak emeğin ilgasıyla -özgürleştirilmesiyle değil- ve sosyal ilişkilerde oyun ve libidonun olumlanmasıyla gerçekleşebileceğini savunuyordu.

YABANCILAŞMA KAVRAMININ KARŞI KONULAMAZ BÜYÜSÜ

Bir on yıl sonra kavram Kuzey Amerikan sosyolojisinin dağarcığına da girdi. Ana akım sosyologlar yabancılaşmayı toplumsal ilişkilerin değil, insanın bireysel bir sorunu olarak görüp tedavisinin merkezine de toplumu değiştirmeye dönük kolektif pratiği değil var olan düzene bireysel uyum sağlama kapasitesini koydular. Marksist gelenekte yabancılaşma kavramı kapitalist üretim biçimine dönük kimi keskin eleştirilere katkı verse de sosyolojideki kurumsallaştırması kavramı toplumsal normlara dönük bireysel bir uyum sorunu haline getirdi.
1960’larda ise yabancılaşma teorilerine ciddi bir rağbet başladı ve kavramın zamanın ruhunu mükemmel şekilde yansıttığı düşünüldü. Guy Debord’un Gösteri Toplumu yabancılaşma teorisini fikri üretimin eleştirisiyle bağdaştırdı: “‘ikinci endüstri devrimi’ ile yabancılaşmış tüketim kitleler için yabancılaşmış üretim kadar önemli bir görev haline geldi.” Fakat kavramın popülerleşmesi ve gelişigüzel kullanımı yoğun bir kavramsal belirsizlik yarattı. Birkaç yıl içerisinde yabancılaşma mutsuzluğun tüm spektrumlarına sirayet etmiş, her şeyi kuşattığı için de aşılamayacağı inancını üreten boş bir formüle dönüştü. Yabancılaşma teorilerine rağbet artarak, tüm dünyada konu üzerine yüzlerce kitap ve makale yazıldı. Kısaca bu bir yabancılaşma çağıydı. Farklı siyasi geleneklerden ve akademik disiplinlerden yazarlar yabancılaşmanın sebebi olarak metalaşmayı, aşırı uzmanlaşmayı, konformizmi, tüketiciliği, yeni teknolojilerden ötürü benlik yitimini ve hatta bireysel izolasyonu gösterdiler. Kuzey Amerikan akademi dünyasında tartışma daha paradoksal bir hal aldı, yabancılaşma kavramı hakiki bir bozulma yaşayarak başta karşısına aldığı toplumsal sınıfların savunucuları tarafından kullanılmaya başlandı.

MARX’A GÖRE YABANCILAŞMA

Marx’ın Grundrisse eserinin 1970’lerde popülerleşmesi ile yabancılaşma tartışmasının odağı Alman filozofun olgunlaşmış metinlerindeki kavramsallaştırmasına çekildi. Bu eserde, 1844 El Yazmalarındaki analizler yeniden fakat bu kez ekonomik kategorilerin daha kapsamlı bir kavrayışı ve daha keskin bir toplumsal analizle zenginleştirilerek ele alınıyor. Grundrisse’de Marx kapitalizmi şöyle tanımlıyordu: “Üretim süreçleri ve üretimlerin genel mübadelesi olarak tüm bireyler için hayati bir şarta dönüşürken aynı zamanda bu karşılıklı ilişki üreticilere yabancı görünen, kendiliğinden bir şeye dönüşüyor. Mübadele değerinde kişiler arasındaki toplumsal bağlantı şeyler arasındaki toplumsal ilişkiye dönüşürken; kişisel kabiliyet de nesnel zenginliğe dönüşüyor.” Erken dönem felsefi metinlere kıyasla bu ilerleme Kapital’in o ünlü bölümünde de gözlemlenebiliyor: “Metaların Fetişizmi ve Bunun Sırrı”. Marx’a göre, kapitalist toplumlarda insanlar arasındaki ilişkiler “kişiler arasındaki doğrudan toplumsal ilişkiler olarak değil… fakat kişiler arasındaki maddi ilişkiler ve şeyler arasındaki toplumsal ilişkiler olarak tezahür eder.”

Tüm bu teorilerin yayılması yabancılaşma kavramının o dönem ana akım sosyoloji ve psikolojideki hegemonik versiyonundan farklı kavramsallaştırmaların yolunu açtı. Yabancılaşmanın pratik içerisinde üstesinden gelmeye, toplumsal hareketlerin partilerin ve sendikaların siyasi eylemi ile işçi sınıfının çalışma ve yaşam koşullarını değiştirmeye dönük bir kavramsallaştırma üretti. Marx’ın metinlerinin yayılması yalnızca yabancılaşmaya dair yeni çalışmalar için bütünlüklü bir teorik temel yaratmakla kalmadı, bu yıllarda tüm dünyada fışkıran siyasal ve toplumsal hareketler için anti kapitalist bir ideolojik zemin üretti. Yabancılaşma filozofların kitaplarından ve üniversite amfilerinden çıkarak emekçilerin mücadele alanlarına ve sokaklara taşındı, burjuva toplumun genel bir eleştirisine dönüştü.

Geçtiğimiz on yıllarda, emek dünyası dönemsel bir yenilgi yaşadı ve sol hâlâ derin bir kriz içerisinde. Neoliberalizm ile birlikte, birçok bakış açısından 19. yüzyıldakine benzer bir sömürü çağına girdik. Tabii ki Marx her güncel soruna cevap veremez fakat temel soruları saptayabilir. Piyasanın ve rekabetin domine ettiği bir toplumda Marx’ın yabancılaşmaya dair bugünle en alakalı fikirlerinin yeniden keşfi, hem geçmişi anlamak hem de kapitalizmin bugününün eleştirisini yapabilmek için zaruri eleştirel araçları sağlıyor.

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从⿊格尔到⻢克思:异化理论的历史衍变 | 社会科学报

⻢克思主义研究

近期,南京⼤学张⼀兵教授的代表作《回到⻢克思》 在多个国家翻译出版,引起 了 国 际 学 术 界 的 关 注 和 讨 论 , 张 教 授 在 该 书 中 关 于 “ 异 化 ” 的 讨 论 ⽆ 疑 对 学 术 界 既有的认识再次造成冲击。不可否认, “异化”是20世纪最重要且被⼴泛争论的 主题之⼀,卡尔·⻢克思使其理论化并对该概念的建构发挥了关键作⽤。但笔者 认为,悖于常⼈之设想,异化理论⾃身并不是以线性⽅式发展的,其包含着⻢克 思对异化反思的未知⽂本之⾯世,这成为该理论嬗变及其全球范围内流⾏的重要
契 机 。 我 们 有 必 要 在 21世 纪 再 次 回 到 ⻢ 克 思 , 重 新 看 待 异 化 理 论 的 发 展 过 程 及 其当代价值。

原⽂ : 《从⿊格尔到⻢克思:异化理论的历史衍变》
作者 | 加拿⼤约克⼤学社会学系教授 [意]⻢塞洛·默斯托 南京⼤学哲学系博⼠⽣
⽥笑楠/译
图⽚ | ⽹络

“异化”概念的漫⻓轨迹

关于“异化”的第⼀个系统阐述出现在⿊ 格 尔( Georg W. F. Hegel)的《 精 神 现 象 学 》 ( The Phenomenology of Spirit,1807) , 其 间 使 ⽤ 了 Entäusserung( ⾃ 我 外 化 ) 、 Entfremdung( 疏 远 化 ) 和 Vergegenständlichung( 字 ⾯ 含 义 为 “ 使 之 成 为 ⼀ 个 物 体 ” ) 以 指 认 精 神 在 客 观 领 域 变 得 与 ⾃ 身 不 同 。 异 化 在 ⿊ 格 尔 左 派 的 著作中仍然占有重要地位,以及费尔巴哈( Ludwig Feuerbach)在《基督教的本
质 》 ( The Essence of Christianity,1841) 的 宗 教 异 化 理 论 ——即 ⼈ 将 ⾃ ⼰ 的 本 质 投 射 到 想 象 的 神 身 上 ——对 该 概 念 的 发 展 做 出 了 贡 献 。 但 是 , 其 随 后 从 哲 学 反 思
中消失了, 19世纪下半叶的主流思想家都没有对其给予太多关注。甚⾄,⻢克思⽣ 前出版的著作也很少使⽤该术语,⽽且关于异化的讨论在第⼆国际时期的⻢克思主 义( 1889-1914)完全缺场。
异 化 的 重 新 发 现 要 归 功 于 格 奥 尔 格 · 卢 卡 奇 ( György Lukács) , 他 在 《 历 史 与 阶 级 意 识 》 ( History and Class Consciousness,1923 ) 中 引 ⼊ 了 “ 事 物 化 ” ( Verschlichung)⼀词,以描述劳动活动作为客观和独⽴的东⻄与⼈对⽴,通过
外部⾃治法则⽀配⼈的现象。 1932年《 1844年 经 济 学 哲 学 ⼿ 稿 》 的⾯世成为彻底 改变该概念流传的决定性事件,这是⼀部⻘年⻢克思未发表的⼿稿, “异化”在其中 被描述为劳动产品与劳动“作为某种外在的,作为⼀种独⽴于⽣产者的⼒量”相对⽴ 的 现 象 。 ⻢ 克 思 列 举 了 ⼯ ⼈ 在 资 产 阶 级 社 会 中 被 异 化 的 四 种 ⽅ 式 : 1.被 他 的 劳 动 产 品 异 化 , 它 成 为 “ 统 治 他 的 异 化 对 象 ”; 2.在 他 的 劳 动 活 动 中 异 化 , 他 认 为 这 是 “ 与 ⾃ 身 的 直 接 对 ⽴ ” , 就 好 像 这 “ 不 属 于 他 ”; 3.“ ⼈ 的 类 本 质 ” 被 转 化 为 “ 对 他 来 说 异
⼰ 的 本 质 ”; 4.与 他 ⼈ 异 化 , 以 及 与 “ 他 们 的 劳 动 和 劳 动 对 象 ” 的 关 系 。 对 ⻢ 克 思 来 说,与⿊格尔反之,异化并不是与对象化相关联,⽽是与经济精确形式内的⼀种特
殊现象相吻合:即雇佣劳动和劳动产品向与⽣产者对⽴的客体之转变。⿊格尔将异 化视为劳动的本体论表现,⽽⻢克思则将其视为⼀种特殊⽣产阶段的特征:资本主 义。
相反,⼆⼗世纪初,⼤多数研究异化的作家都认为异化是⽣活的⼀种普遍现象。在 《 存 在 与 时 间 》 ( Being and Time,1927 ) ⼀ 书 中 , ⻢ 丁 · 海 德 格 尔 ( Martin Heidegger)⽤纯粹的哲学话语来探讨异化。他在关于异化的现象学中使⽤的范畴
是 “ 沉 沦 ” ( Verfallen) , 即 倾 向 在 周 围 世 界 的 ⾮ 本 真 性 中 迷 失 ⾃ 我 。 海 德 格 尔 并 没 有 将 这 种 沉 沦 视 为 ⼀ 种 “ ⼈ 类 ⽂ 明 的 更 ⾼ 级 阶 段 也 许 能 够 祛 除 的 不 良 和 可 悲 的 特 性 ” , ⽽ 是 将 其 视 为 “ ⼀ 种 在 世 之 在 的 存 在 范 式 ” , 作 为 构 成 历 史 基 本 维 度 的 ⼀ 种 现 实。
第⼆次世界⼤战后,在法国存在主义的影响下,异化成为哲学和叙事⽂学中反复出 现的主题。但是,其被认为是⼀种社会内弥漫的不满,⼀种⼈类个性和经验世界之 间的分裂,⼀种⽆法克服的⼈类境遇。存在主义哲学家们没有指出关于异化的社会
起 源 , 但 是 将 其 视 为 不 可 避 免 地 与 所 有 “ 事 实 性 ” ( facticity ) 及 ⼈ 的 他 者 性 ( otherness) 联 系 在 ⼀ 起 。 ⻢ 克 思 是 以 反 对 资 本 主 义 ⽣ 产 关 系 为 基 础 的 。 存 在 主
义者因循着相反的轨迹,试图吸收⻢克思作品中他们认为对其⽅法有⽤的部分,这 只是⼀场缺乏具体历史批判的哲学讨论。
赫 伯 特 · ⻢ 尔 库 塞 ( Herbert Marcuse) 也 将 异 化 与 对 象 化 联 系 起 来 , ⽽ 不 是 与 其 在 资 本 主 义 ⽣ 产 关 系 中 的 表 现 联 系 起 来 。 在 《 爱 欲 与 ⽂ 明 》 ( Eros and
Civilization,1955)⼀书中,他与⻢克思保持距离,认为只有通过废除劳动⽽⾮解 放劳动,以及肯定社会关系中的“⼒⽐多”和游戏,才能实现⼈类解放。⻢尔库塞最 终反对⼀般的技术统治,因此他对异化的批判不再针对资本主义⽣产关系,⽽且他
对社会变⾰的反思是如此悲观,以致经常将⼯⼈阶级包含在捍卫制度的主体之中。

异化理论不可抗拒的魅⼒

⼗ 年 后 , 这 个 术 语 也 进 ⼊ 了 北 美 社 会 学 的 词 汇 表 。 主 流 社 会 学 将 其 视 为 个 体 的 问 题,⽽不是社会关系的问题,解决路径的核⼼是个体适应现有秩序的能⼒,⽽不是
改 变 社 会 的 共 同 实 践 。 这 种 路 径 的 重 ⼤ 转 向 最 终 使 历 史 —社 会 因 素 的 分 析 ⽅ 式 衰 落。尽管在⻢克思主义传统中, “异化”概念促成了⼀批对资本主义⽣产⽅式最尖锐
的批判,但其在社会学领域的制度化使其沦为⼀种个体应对社会规范的失调现象。
这 些 解 释 导 致 了 异 化 话 语 的 理 论 贫 乏 , 对 ⼀ 些 社 会 学 家 ⽽ ⾔ , 异 化 ——远 ⾮ 与 ⼈ 类 劳 动 活 动 相 关 的 复 杂 现 象 —— 甚 ⾄ 成 为 了 ⼀ 种 积 极 的 现 象 , ⼀ 种 表 达 创 造 ⼒ 的 ⼿ 段。在这种情况下, “异化”范畴被稀释到⼏乎毫⽆意义的程度。
同 ⼀ 时 期 , 异 化 的 范 畴 也 进 ⼊ 了 精 神 分 析 , 埃 ⾥ 希 · 弗 洛 姆 ( Erich Fromm) 试 图 ⽤其构建⼀架通往⻢克思主义的桥梁。但是,他强调主体性,他在《 健 全 的 社 会 》 ( The Sane Society,1955) 将 其 异 化 的 观 念 总 结 为 “ 个 体 作 为 异 ⼰ 的 ⽽ 体 验 ⾃ 身 的经验模式”,仍过于狭隘地关注个体。弗洛姆对⻢克思概念的描述仅基于《 1844 年经济学哲学⼿稿》,并流露出对异化劳动在⻢克思思想中的特殊性和中⼼性缺乏 理解。这⼀缺陷阻碍了弗洛姆对客观的异化给予应有的重视。
20世 纪 60年 代 , 异 化 理 论 开 始 真 正 流 ⾏ , 这 个 概 念 似 乎 完 美 诠 释 了 时 代 的 精 神 。
居 伊 · 德 波 的 《 景 观 社 会 》 ( The Society of the Spectacle,1967) 把 异 化 理 论 与⾮物质⽣产的批判联系在⼀起: “随着‘第⼆次⼯业⾰命’,异化消费与异化⽣产⼀ 样 成 为 ⼤ 众 的 职 责 ” 。 在 《 消 费 社 会 》 ( The Consumer Society,1970) , 让 · 鲍 德 ⾥ 亚( Jean Baudrillard)与⻢克思主义对⽣产中⼼性的关注保持距离,并将消 费 指 认 为 现 代 社 会 的 ⾸ 要 因 素 。 ⼴ 告 和 ⺠ 意 调 查 创 造 虚 假 需 求 和 群 众 舆 论 的 “ 消 费 时 代 ” 是 “ 彻 底 异 化 的 时 代 ” 。 然 ⽽ , 这 个 词 的 流 ⾏ 及 滥 ⽤ , 造 成 了 严 重 的 概 念 歧 义 。 因 此 , 短 短 ⼏ 年 , 异 化 变 成 ⼀ 个 空 洞 的 公 式 , 蕴 含 ⼈ 类 的 各 类 不 幸 ——如 此 万 象森罗,致使其产⽣了⼀种永远⽆法被改变的信仰。⾃此异化理论开始真正⻛靡全 球,世界各地出版了数百计的相关著作和⽂章。这简直就是⼀个异化的时代。不同 政 治 背 景 和 学 科 的 作 家 将 其 成 因 指 认 为 商 品 化 、 过 度 专 业 化 、 失 范 、 科 层 化 、 盲 从、消费主义、在新技术中丧失⾃我意识,甚⾄是⾃我区隔、冷漠、社会或种族边 缘化以及环境污染。在北美的学术语境,这场辩论变得更加荒谬,在这⾥, “异化” 概念遭遇了真正的畸变,最终被⻓期以来其所针对的社会阶层的卫道者所利⽤。

异化成为对资产阶级社会的普遍批判

⻢ 克 思 在 《 1844经 济 学 哲 学 ⼿ 稿 》 ( Economic and Philosophic Manuscripts of 1844)中以“异化劳动”为范畴,不仅将异化问题从哲学、宗教和政治领域扩展 到物质⽣产的经济领域,⽽且将后者作为理解和克服前者的先决条件。不过,⻢克
思此时对“异化”的构思只是26岁时初步的、粗略的理论化。尽管⻢克思在着⼿出版 《资本论》之前进⾏了超过⼆⼗多年的研究,异化理论在其中发⽣了显著变化,但 是 ⼤ 多 数 关 于 异 化 的 ⻢ 克 思 主 义 理 论 都 是 错 误 地 基 于 他 在 《 1844年 经 济 学 哲 学 ⼿ 稿》中所作的不完整考察,其中的“⾃我异化”概念( Selbst-Entfremdung)之重 要性被⾼估了。
在19世纪50年代和19世纪60年代的经济学著作中,特别是在《 1857-1858年经济 学 ⼿ 稿 》 (以下简称《⼤纲》)中⻢克思关于异化的思想远⽐其早期哲学⼿稿更为 ⼴博和细致。⻢克思在这些⽂本中的观点藉由对资产阶级社会的异化批判和对资本
主 义 的 可 能 性 替 代 ⽅ 案 的 描 述 之 结 合 ⽽ 得 到 加 强 。 《 ⼤ 纲 》 是 ⻢ 克 思 写 于 1857- 1858年 的 ⼿ 稿 , 它 直 到 20世 纪 70年 代 初 才 流 ⾏ 起 来 , 它 的 流 传 使 ⼈ 们 注 意 到 ⻢ 克 思 在 其 成 熟 著 作 中 构 思 “ 异 化 ” 概 念 的 ⽅ 式 。 它 的 叙 述 让 ⼈ 回 想 起 《 1844年 经 济 学 哲学⼿稿》的分析,但是它对经济范畴更深⼊的解读和更缜密的社会分析使其更加 丰厚。在《⼤纲》中,⻢克思不⽌⼀次使⽤了“异化”概念,⽽且他认为资本主义的 “ 活 动 和 产 品 的 普 遍 交 换 已 成 为 每 ⼀ 单 个 ⼈ 的 ⽣ 存 条 件 , 这 种 普 遍 交 换 , 他 们 的 相 互联系,表现为对他们本身来说是异⼰的、独⽴的东⻄,表现为⼀种物。在交换价 值上,⼈的社会关系转化为物的社会关系;⼈的能⼒转化为物的能⼒。 ”
《⼤纲》并⾮⻢克思成熟时期以异化为特征的唯⼀⼿稿。未发表的《资本论》⼿稿 将 对 异 化 的 经 济 和 政 治 分 析 更 加 紧 密 地 结 合 在 ⼀ 起 。 ⻢ 克 思 写 道 : “ 资 本 家 对 ⼯ ⼈
的 统 治 , 就 是 物 对 ⼈ 的 统 治 , 死 劳 动 对 活 劳 动 的 统 治 , 产 品 对 ⽣ 产 者 的 统 治 。 ” 在 资 本 主 义 社 会 , 由 于 “ 劳 动 的 社 会 ⽣ 产 ⼒ 转 化 为 资 本 的 物 质 属 性 ” , 出 现 了 真 实 的 “ 物 的 ⼈ 格 化 和 ⼈ 的 物 化 ” , 造 成 “ 劳 动 的 物 质 条 件 不 受 制 于 ⼯ ⼈ , ⽽ ⼯ ⼈ 受 制 于 它 们”的表象。
与 早 期 哲 学 著 作 相 ⽐ , 这 种 进 展 在 《 资 本 论 》 ( Capital,1867) 的 著 名 章 节 “ 商 品 的 拜 物 教 及 其 秘 密 ” 中 也 很 显 著 。 对 ⻢ 克 思 来 说 , 在 资 本 主 义 社 会 中 , ⼈ 与 ⼈ 之 间 的关系并不是“作为他们劳动中⼈和⼈的直接社会关系……⽽是作为⼈们的物的关系 或物的社会关系存在和表现的。 ”这种现象就是他所说的“拜物教”——“劳动产品⼀
旦 作 为 商 品 来 ⽣ 产 , 就 带 上 拜 物 教 性 质 , 因 此 拜 物 教 是 同 商 品 ⽣ 产 分 不 开 的 。 ” 商 品拜物教的概念并没有取代他早期作品的异化。⻢克思认为,在资产阶级社会中,
⼈的特质和诸多关系转化为物与物之间的特质和关系。这⼀被卢卡奇称为物化的理 论从⼈与⼈的关系⻆度说明该现象,⽽拜物教的概念则将其与商品联结起来。
这 些 ⻢ 克 思 著 作 的 传 播 为 ⼀ 种 区 别 于 在 当 时 主 流 社 会 学 和 ⼼ 理 学 中 占 ⽀ 配 性 的 “ 异 化”概念的流⾏铺平了道路。这个概念与在实践中扬弃异化相适应——与以改变⼯⼈
阶级的⼯作和⽣活条件为⽬标的社会运动、政党和⼯会的政治⾏动相适应。 20世纪 30年 代 《 1844年 经 济 与 哲 学 ⼿ 稿 》 发 表 之 后 的 作 品 似 乎 被 视 为 ⻢ 克 思 关 于 异 化 的
“第⼆代”著作,不仅为新的异化研究提供了连贯的理论基础,⽽且最重要的是为那 些年爆发的重⼤政治和社会运动提供了⼀种反资本主义的意识形态地坪。异化离开 了哲学家的作品和⼤学讲座,⾛上了街头和⼯⼈⽃争的舞台,成为对资产阶级社会
的普遍批判。

⻢ 克 思 ⽆ 法 回 答 当 代 的 许 多 困 境 , 但 他 确 实 指 出 了 基 始 性 的 问 题 。 在 ⼀ 个 由 市 场 和 个 ⼈ 竞 争 主 导 的 社 会 , 重 新 发 现 ⻢ 克 思 与 异 化 最 相 关 的 思 想 , 为 理 解 过 去 和 今 天 对 资本主义的批判提供了⼀个不可或缺的批判⼯具。⽂章为社会科学报 “思想⼯坊 ”融媒体原创出品,原载于社会科学报第 1852期第3版,未 经允许禁⽌转载,⽂中内容仅代表作者观点,不代表本报⽴场。
本期责编:王⽴尧

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O renascimento de Marx após a queda do Muro de Berlim

Negligência desdenhosa e hostilidade intempestiva, rejeição arrogante e adoção marginal, cooptação seletiva e revisionismo seletivo: essas são algumas das estratégias adotadas pelos intelectuais do establishment ao longo dos anos em resposta ao desafio do pensador nascido 205 anos atrás em Trier. No entanto, cá estamos no início da terceira década do século XXI e às vezes parece que as ideias reais de Karl Marx nunca foram tão atuais nem atraíram tanto respeito e interesse quanto hoje.

Desde que a última crise do capitalismo eclodiu em 2008, Marx voltou à moda. Ao contrário das previsões após a queda do Muro de Berlim, quando ele foi condenado ao esquecimento perpétuo, as ideias de Marx são mais uma vez objeto de análise, desenvolvimento e debate. Muitos começaram a fazer novas perguntas sobre um pensador que muitas vezes foi erroneamente identificado com o “socialismo realmente existente” e depois rapidamente descartado depois de 1989.

Jornais e periódicos de prestígio com um grande número de leitores têm descrito Marx como um teórico altamente atual e perspicaz. Em todos os lugares, ele agora é tema de cursos universitários e conferências internacionais. Seus escritos, reimpressos ou lançados em novas edições, reapareceram nas prateleiras das livrarias e o estudo de sua obra, depois de 20 anos de silêncio virtual, ganhou impulso crescente, às vezes produzindo resultados importantes e inovadores. Os anos de 2017 e 2018 trouxeram mais intensidade a este “renascimento de Marx”, graças a muitas iniciativas em todo o mundo ligadas ao 150º aniversário da publicação de O Capital e o bicentenário do nascimento de Marx.

Armas críticas

De particular valor para uma reavaliação geral da obra de Marx foi a retomada da publicação, em 1998, da Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA), a edição histórico-crítica das obras completas de Marx e Engels. 28 volumes já apareceram, e outros estão no decorrer da preparação.

Esses volumes contêm novas versões de alguns das obras de Marx (como A Ideologia Alemã), todos os seus manuscritos preparatórios de O Capital de 1857 a 1881, todas as cartas que enviou e recebeu durante sua vida, e aproximadamente duzentos cadernos contendo excertos da sua leitura e reflexões às quais deram origem. Estes últimos formam a oficina de sua teoria crítica, mostrando-nos o complexo itinerário de seu pensamento e as fontes em que ele se baseou para desenvolver suas ideias.

“Marx empreendeu investigações minuciosas de sociedades fora da Europa e expressou-se inequivocamente contra as devastações do colonialismo.”

Esses volumes inestimáveis ​​da edição MEGA – muitos disponíveis apenas em alemão e, portanto, ainda confinados a pequenos círculos de pesquisadores – mostram um autor muito diferente daquele que numerosos críticos, ou autodenominados seguidores, apresentaram por tanto tempo. A publicação de materiais anteriormente desconhecidos de Marx, juntamente com interpretações inovadoras de seu trabalho, abriu novos horizontes de pesquisa e demonstrou mais claramente que, no passado, sua capacidade de examinar o contradições da sociedade capitalista em escala global e em esferas além do conflito entre capital e trabalho. Não é exagero dizer que, dos grandes clássicos do pensamento político, econômico e filosófico, Marx é aquele cuja as ideias mais impactaram e mudaram o mundo nas primeiras décadas do século XXI.

Os avanços da pesquisa, juntamente com as mudanças nas condições políticas, sugerem que a renovação na interpretação do pensamento de Marx é um fenômeno destinado a continuar. Publicações recentes mostraram que Marx se aprofundou em muitas questões – muitas vezes subestimadas, ou mesmo ignoradas, pelos estudiosos de sua obra – que estão adquirindo importância crucial para a agenda política do nosso tempo. Entre elas estão as questão ecológica, a migração, a crítica do nacionalismo, a liberdade individual na esfera econômica e política, a emancipação de gênero, o potencial emancipatório da tecnologia e formas de propriedade coletiva não controladas pelo Estado.

Anticolonial, extremamente atual e nada economicista

Além disso, Marx empreendeu investigações minuciosas de sociedades fora da Europa e expressou-se inequivocamente contra as devastações do colonialismo. Ele também criticou os pensadores que utilizavam categorias peculiares ao contexto europeu em suas análises de áreas periféricas do globo.

Ele advertiu contra aqueles que não observavam as distinções necessárias entre os fenômenos e, principalmente, após seus avanços teóricos na década de 1870, exercia uma grande cautela ao transferir categorias interpretativas entre campos históricos ou geográficos completamente diferentes. Tudo isso é mais evidente hoje, apesar do ceticismo ainda em voga em certos rincões acadêmicos. Assim, 30 anos após a queda do Muro de Berlim, tornou-se possível ler um Marx muito diferente do teórico dogmático, economicista e eurocêntrico que foi exibido por tanto tempo.

“Para Marx, a possibilidade de transformar a sociedade dependia da classe trabalhadora e de sua capacidade, através da luta, de mudar o mundo.”

Claro, pode-se encontrar no enorme legado literário de Marx uma série de afirmações que sugerem que o desenvolvimento das forças produtivas leva à dissolução do modo de produção capitalista. Mas seria errado atribuir a ele qualquer ideia de que o advento do socialismo é uma inevitabilidade histórica. De fato, para Marx, a possibilidade de transformar a sociedade dependia da classe trabalhadora e de sua capacidade, através da luta, de mudar o mundo.

Se as ideias de Marx forem reconsideradas à luz das mudanças que ocorreram desde a sua morte, serão de grande utilidade para a compreensão da sociedade capitalista, mas também lançarão luz sobre o fracasso das experiências socialistas no século XX. Para Marx, o capitalismo não é uma organização de sociedade em que os seres humanos, protegidos por normas jurídicas imparciais capazes de garantir a justiça e a equidade, gozam de verdadeira liberdade e vivem numa democracia plenamente realizada. Na realidade, eles são degradados em meros objetos, cuja função primária é produzir mercadorias e gerar lucros para outros. Mas se o comunismo pretende ser uma forma superior de sociedade, deve promover as condições para o “desenvolvimento pleno e livre de cada indivíduo”. Em contraste com o equacionamento do comunismo com a “ditadura do proletariado”, que muitos dos “Estados comunistas” adotaram em sua propaganda, é necessário olhar novamente para a definição que Marx dava da sociedade comunista como “uma associação de seres humanos livres”.

No livro O renascimento de Marx – que contém contribuições de renomados acadêmicos internacionais – apresenta um Marx em muitos aspectos diferentes daquele que é conhecido das correntes dominantes do socialismo do século XX. Seu duplo objetivo é reabrir para discussão, de forma crítica e inovadora, os temas clássicos do pensamento de Marx e desenvolver uma análise mais profunda de certos questões às quais foi dada relativamente pouca atenção até agora. Espera-se que o livro ajude, portanto, a aproximar Marx tanto daqueles que pensam que tudo já foi escrito sobre sua obra quanto para uma nova geração de leitores que ainda não foram seriamente confrontados com seus escritos.

É desnecessário dizer que hoje não podemos simplesmente confiar no que Marx escreveu há um século e meio. Mas tampouco devemos desconsiderar levianamente o conteúdo e a clareza de suas análises ou deixar de empunhar as armas críticas que ele ofereceu para um novo pensamento sobre uma sociedade alternativa ao capitalismo.

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علل اقتصادی جنگ

علل اقتصادی جنگ
مارچلو موستو

سروش پیروی

درحالی‌که علم سیاست انگیزه‌های ایدئولوژیک، سیاسی، اقتصادی و حتی روان‌شناختی را در پس انگیزۀ جنگ بررسی کرده‎‌است، نظریۀ سوسیالیستی با برجسته کردن رابطۀ بین توسعۀ سرمایه‌داری و گسترش جنگ‌ها، یکی از قانع‌کننده‌ترین مشارکت‌ها را انجام داده‌است.
در مناظره‌های بین‌المللی اول1، سزار دِ پاپه2، یکی از رهبران اصلی نشست، آنچه را که بعداً به موضع کلاسیک جنبش کارگری تبدیل می‌شود، فرمول‌بندی کرد، در باب این مسئله که: جنگ‌ها تحت رژیم تولید سرمایه‌داری اجتناب‌ناپذیر هستند. در جامعۀ معاصر، آنها نه به‌وسیلۀ جاه‌طلبی‌های پادشاهان یا افراد دیگر، بلکه توسط مدل غالب اجتماعی ـ اقتصادی به‌وجود می‌آیند. درس تمدن برای جنبش کارگری از این باور ناشی شد که هر جنگی را باید «جنگ داخلی» تلقی کرد؛ درگیری وحشیانه‌ای بین کارگران که وسایل لازم برای بقایشان را از آنها سلب کرد.
کارل مارکس در هیچ‌یک از نوشته‌های خود دیدگاه‌های خود ـ که پراکنده و گاه متناقض بودند ـ در مورد جنگ را مطرح نکرد و دستورالعمل‌هایی برای نگرش صحیح نسبت به آن ارائه نکرد. او در کتاب سرمایه3 استدلال کرد که خشونت یک نیروی اقتصادی است، همانند «زائویی جامعۀ جدیدی را از دل هر جامعۀ قدیمی بیرون می‌کشد». اما او جنگ را راه میانبر حیاتی برای دگرگونی انقلابی جامعه نمی‌دانست و هدف اصلی فعالیت سیاسی او متعهد ساختن کارگران به اصل همبستگی بین‌المللی بود.
جنگ چنان پرسش مهمی برای فردریش انگلس4 بود که یکی از آخرین نوشته‌های خود را به آن اختصاص داد. او در «آیا اروپا می‌تواند خلع سلاح کند؟» خاطرنشان کرد که در بیست‌و‌پنج سال گذشته، هر قدرت بزرگی تلاش کرده بود از نظر نظامی و آمادگی جنگی از رقبای خود پیشی بگیرد. این شامل سطوح بی‌سابقه‌ای از تولید تسلیحات بود و قارۀ کهن را به «جنگ ویرانگری که هرگز جهان ندیده بود» نزدیک‌تر کرده‌است. به گفتۀ انگلس «نظام ارتش‌های ثابت [= ارتش‌هایی که در جنگ نیستند] در سراسر اروپا به چنان حدی افراطی شده‌است که یا باید به‌خاطر بار (مخارج) نظامی، نابودی اقتصادی را برای مردم به‌همراه آورد، یا در غیر این صورت به یک جنگ به‌نهایت نابودگر تبدیل شود». انگلس در تحلیل خود فراموش نکرد که تأکید کند ارتش‌های ثابت عمدتاً همان‌قدر که برای اهداف نظامی خارجی هستند، برای اهداف سیاسی داخلی نیز حفظ می‌شوند. آنها با تقویت نیروهایی برای سرکوب پرولتاریا و مبارزات کارگری قصد داشتند «در برابر دشمن داخلی محافظت کنند که بیشتر از دشمن خارجی تهدیدکننده بود». از آنجایی که لایه‌های مردمی پرجمعیت بیش از هر کس دیگری هزینه‌های جنگ را از طریق مالیات و تأمین نیرو برای دولت پرداخت می‌کردند، جنبش کارگری باید برای «کاهش تدریجی مدت خدمت [نظامی] توسط معاهدۀ بین‌المللی» و برای خلع سلاح، به‌عنوان تنها «ضمانت صلح» مؤثر مبارزه کند.

آزمایش و فروپاشی

طولی نکشید که بحث نظریِ زمانِ صلح به مهم‌ترین موضوع سیاسی عصر تبدیل شد؛ زمانی که جنبش کارگری باید با موقعیت‌های واقعی روبرو می‌شد که در آن نمایندگان آنها در ابتدا با هرگونه حمایت از جنگ مخالف بودند. در درگیری فرانسه و پروس در سال ۱۸۷۰ ـ که پیش از گفت‌و‌گوی پاریس5 بود ـ ویلهلم لیبکنشت6 و آگوست ببل7، نمایندگان سوسیال دموکرات، اهداف الحاقی آلمان بیسمارک را محکوم کردند و علیه اعتبارات جنگی رأی دادند. تصمیم آنها برای «رد لایحۀ بودجۀ اضافی برای ادامۀ جنگ» باعث شد که آنها به اتهام خیانت بزرگ به دو سال حبس محکوم شوند، اما به طبقۀ کارگر راهی جایگزین برای سر برآوردن از بحران نشان داد.
از آنجایی که قدرت‌های بزرگ اروپایی به گسترش امپریالیستی خود ادامه می‌دادند، مناقشه بر سر جنگ اهمیت بیشتری در بحث‌های نشست بین‌المللی دوم8 پیدا کرد. مصوبه‌ای که در کنگرۀ موسس آن تصویب شد، صلح را به عنوان «پیش‌شرط ضروریِ هرگونه رهایی کارگران» اعلام کرده بود. همان‌طور که Weltpolitik ـ سیاست تهاجمی آلمان امپراتوری برای گسترش قدرت خود در عرصۀ بین‌المللی ـ فضای ژئوپلیتیکی را تغییر داد، اصول ضد جنگ‌گرایی ریشه‌های عمیق‌تری در جنبش کارگری فرو برد و بحث‌ها دربارۀ درگیری‌های مسلحانه را تحت تأثیر قرار داد. جنگ دیگر تنها به‌عنوان باز کردن فرصت‌های انقلابی و تسریع در فروپاشی نظام تلقی نمی‌شد (ایده‌ای در سمت چپ که به «انقلاب بدون انقلاب» ماکسیمیلیان روبسپیر9 برمی‌گردد). اکنون به دلیل پیامدهای ناگوار آن برای پرولتاریا در قالب گرسنگی، فقر و بیکاری به‌عنوان یک خطر تلقی می‌شد.
مصوبه‌ی «درباب نظامی‌گری و منازعات بین‌المللی»10 که ازسوی نشست بین‌المللی دوم در کنگرۀ اشتوتگارت در سال ۱۹۰۷ به تصویب رسید، تمام نکات کلیدی را که به میراث مشترک جنبش کارگری تبدیل شده بود، خلاصه کرد. از جمله این موارد عبارت‌اند از: رأی مخالف به بودجه‌هایی که هزینه‌های نظامی را افزایش می‌دهد، بی‌اعتنایی به ارتش‌های ثابت و برتری دادن به سیستم شبه‌نظامیان مردمی.
با گذشت سال‌ها، بین‌المللی دوم کمتر و کمتر خود را متعهد به سیاست «عمل به نفع صلح» کرد و بیشتر احزاب سوسیالیست اروپایی در نهایت از جنگ جهانی اول حمایت کردند. البته این اقدام پیامدهای فاجعه‌باری داشت. جنبش کارگری با این ایده که «منافع پیشرفت» نباید در انحصار سرمایه‌داران قرار گیرد، در اهداف توسعه‌طلبانۀ طبقات حاکم شریک شد و با ایدئولوژی ناسیونالیستی اشباع شد. ابین‌المللی دوم در برابر جنگ کاملاً ناتوان بود و در یکی از اهداف اصلی خود یعنی حفظ صلح شکست خورد.
رزا لوکزامبورگ11 و ولادیمیر لنین12 دو تن از سرسخت‌ترین مخالفان جنگ بودند. لوکزامبورگ درک نظری چپ را گسترش و نشان داد که چگونه میلیتاریسم مهرۀ اصلی دولت است. او با نشان دادن اعتقاد و اثربخشی کم‌نظیر در میان دیگر رهبران کمونیست، استدلال کرد که شعار «جنگ علیه جنگ!» باید به سنگ‌بنای سیاست طبقه‌ی کارگر تبدیل شود. همان‌طور که او در «بحران سوسیال دموکراسی»13 نوشت، بین‌المللی دوم به دلیل شکست «در دستیابی به یک تاکتیک و اقدام مشترک پرولتاریا در همه کشورها» منحل شده بود. بنابراین، از آن زمان به بعد، «هدف اصلی» پرولتاریا باید «مبارزه با امپریالیسم و جلوگیری از جنگ‌ها، در زمان صلح مانند زمان جنگ» باشد.
در کتاب سوسیالیسم و جنگ14 و بسیاری از نوشته‌های دیگر در طول جنگ جهانی اول، شایستگی بزرگ لنین شناسایی دو سؤال اساسی بود. اولین مورد مربوط به «جعل تاریخی» بود؛ هر زمان که بورژوازی سعی کرد «احساس رهایی ملی پیشرونده»15 را به آنچه در واقع جنگ‌های «غارت‌کننده» بود نسبت دهد، که تنها با این هدف انجام می‌شد که این بار کدام متخاصم باید بیگانه‌ترین مردم را سرکوب کند و نابرابری های سرمایه‌داری را افزایش دهد. دوم پوشاندن تضادها توسط اصلاح‌طلبانِ سوسیال بود که مبارزۀ طبقاتی را با ادعای «لقمه‌ای از سودی که بورژوازی ملی خود از طریق غارت کشورهای دیگر به‌دست آورده بود» جایگزین کرده بودند. مشهورترین تز این جزوه ـ که انقلابیون باید به‌دنبال «تبدیل جنگ امپریالیستی به جنگ داخلی» باشند ـ تلویحاً حاکی از آن بود که کسانی که واقعاً خواهان یک «صلح دموکراتیک پایدار» بودند، باید «جنگ داخلی علیه دولت‌های خود و بورژوازی» به‌راه اندازند. لنین متقاعد شده بود به آنچه که تاریخ بعداً نادقیق بودنش را نشان می‌دهد: این‌که هر مبارزۀ طبقاتی که به‌طور مداوم در زمان جنگ انجام شود «ناگزیر» روحیۀ انقلابی را در میان توده‌ها ایجاد می‌کند.

خطوط مرزی

جنگ جهانی اول نه تنها در انترناسیونال دوم بلکه در جنبش آنارشیستی نیز شکاف ایجاد کرد. پتر کروپوتکین16 در مقاله‌ای که مدت کوتاهی پس از شروع درگیری منتشر شد، نوشت: «وظیفۀ هرکسی که ایدۀ پیشرفت بشری را گرامی می‌دارد، سرکوب تهاجم آلمان به اروپای غربی است». آنارشیست ایتالیایی انریکو مالاتستا17 در پاسخ به کروپوتکین استدلال کرد که «پیروزی آلمان قطعاً پیروزی نظامی‌گری را به‌همراه خواهد داشت، اما همچنین پیروزی متفقین به‌معنای تسلط روسیه و بریتانیا در اروپا و آسیا خواهد بود».
کروپوتکین در مانیفست شانزده18، بر لزوم «مقاومت در برابر متجاوزی که نمایانگر نابودی همۀ امیدهای ما برای رهایی است» تأکید کرد. پیروزی ائتلاف سه‌گانه (Triple Entente) در برابر آلمان، شرّ کمتری خواهد بود و کمتر به تضعیف آزادی‌های موجود کمک می‌کند. از سوی دیگر، مالاتستا و دیگر امضاکنندگان مانیفست بین‌المللی آنارشیستی ضد جنگ19 اعلام کردند: «هیچ تمایزی بین جنگ‌های تهاجمی و دفاعی ممکن نیست». علاوه بر این، آنها افزودند که «هیچ‌یک از متخاصمین حق ادعای تمدن را ندارند، همان‌طور که هیچ‌یک از آنها حق مشروع ادعای دفاع از نفس را ندارند».
نگرش به جنگ نیز بحث‌هایی را در جنبش فمینیستی برانگیخت. نیاز به زنان برای جایگزینی مردان در مشاغلی که مدت‌ها در انحصار این قشر جامعه بود، گسترش ایدئولوژی شوونیستی20 را در بخش قابل توجهی از جنبش تازه متولدشدۀ حق رأی تشویق کرد. افشای دوروییِ دولت‌هایی که برای برانگیختن دشمن در دروازه‌ها، از جنگ برای عقب انداختن اصلاحات اساسی اجتماعی استفاده می‌کردند، یکی از مهم‌ترین دستاوردهای رزا لوکزامبورگ و فمینیست‌های کمونیست آن زمان بود. آنها نخستین کسانی بودند که شجاعانه و به‌صورت شفاف راهی را آغاز کردند که به نسل‌های متوالی نشان می‌داد که چگونه مبارزه علیه نظامی‌گری برای مبارزه با پدرسالاری ضروری است. بعدها، نپذیرفتن جنگ به بخش مشخصی از روز جهانی زن تبدیل شد و مخالفت با بودجه‌های جنگ در آغاز هر درگیری جدید در بسیاری از بسترهای جنبش بین‌المللی فمینیستی برجسته شد.
تشدید خشونت‌های جبهۀ فاشیست نازی، در داخل و خارج از کشور، و شروع جنگ جهانی دوم، سناریویی بدتر از جنگ ۱۹۱۸ـ۱۹۱۴ ایجاد کرد. پس از حملۀ نیروهای هیتلر به اتحاد جماهیر شوروی در سال ۱۹۴۱، جنگ بزرگ میهن‌پرستانه21، که با شکست نازیسم به پایان رسید، چنان عنصر مرکزی در وحدت ملی روسیه شد که از سقوط دیوار برلین جان سالم به در برد و تا روزگار ما ادامه داشته‌است.
با تقسیم جهان به دو بلوک پس از جنگ، جوزف استالین22 آموخت که وظیفۀ اصلی جنبش بین‌المللی کمونیستی حفاظت از اتحاد جماهیر شوروی است. ایجاد یک منطقۀ حایل23 متشکل از هشت کشور در اروپای شرقی رکن اصلی این سیاست بود. از سال ۱۹۶۱، تحت رهبری نیکیتا خروشچف24، اتحاد جماهیر شوروی مسیر سیاسی جدیدی را آغاز کرد که به «همزیستی مسالمت‌آمیز» معروف شد. با این حال، این تلاش برای همکاری سازنده فقط برای رابطه با ایالات متحده آمریکا بود، نه کشورهای «سوسیالیسم واقعی». در سال ۱۹۵۶، اتحاد جماهیر شوروی قبلاً انقلاب مجارستان را به طرز وحشیانه‌ای سرکوب کرده بود. اتفاقات مشابهی در سال ۱۹۶۸ در چکسلواکی رخ داد. دفتر سیاسی حزب کمونیست اتحاد جماهیر شوروی در مواجهه با خواسته‌های دموکراتیزه شدن در جریان «بهار پراگ»25 به اتفاق آرا تصمیم گرفت نیم میلیون سرباز و هزاران تانک را به آنجا بفرستد. لئونید برژنف26 این اقدام را با اشاره به آنچه که «حاکمیت محدود»27 کشورهای پیمان ورشو خواند، توضیح داد: «وقتی نیروهای دشمن سوسیالیسم تلاش می‌کنند توسعۀ کشور سوسیالیستی را به‌سمت سرمایه‌داری سوق دهند، تنها به مشکل آن کشور تبدیل نمی‌شود، بلکه یک مشکل مشترک و دغدغۀ همۀ کشورهای سوسیالیستی هستند». برپایۀ این منطقِ ضد دموکراتیک، تعریف سوسیالیسم که چه هست و چه نیست، طبیعتاً به تصمیم خودسرانۀ رهبران شوروی افتاد.
با تهاجم به افغانستان، در سال ۱۹۷۹، ارتش سرخ دوباره به ابزار اصلی سیاست خارجی مسکو تبدیل شد، که همچنان مدعی حق مداخله در آنچه به‌عنوان «منطقۀ امنیتی» خود توصیف می‌کند، شد. این مداخلات نظامی نه تنها علیه کاهش عمومی تسلیحات عمل کرد، بلکه به بی‌اعتباری و تضعیف سوسیالیسم در سطح جهانی کمک کرد. اتحاد جماهیر شوروی به‌طور فزاینده‌ای به‌عنوان یک قدرت امپریالیستی در نظر گرفته می‌شد که به شیوه‌هایی متفاوت از ایالات متحده عمل می‌کرد. شوروی از زمان شروع جنگ سرد، کم‌وبیش مخفیانه از کودتاها حمایت می‌کرد و به سرنگونی دولت‌های انتخاب‌شده طی فرایند دموکراتیک در بیش از ۲۰ کشور در سراسر جهان کمک کرد.

چپ بودن به معنای مخالفت با جنگ است

پایان جنگ سرد نه از میزان مداخله در امور دیگر کشورها کاست و نه آزادی انتخاب مردم را افزایش داد تا رژیم سیاسی‌ای که تحت آن زندگی می‌کند را برگزینند. جنگ روسیه و اوکراین دوباره چپ‌ها را با این دوراهی مواجه کرده‌است که چگونه وقتی حاکمیت یک کشور مورد حمله قرار می‌گیرد، واکنش نشان دهند. ناکامی در محکوم کردن حمله روسیه به اوکراین یک اشتباه سیاسی از سوی دولت ونزوئلا است و باعث می‌شود که اقدامات تجاوزکارانۀ احتمالی در آینده ازسوی ایالات متحده کمتر معتبر به نظر برسد.
با یادآوری سخنان لنین در «انقلاب سوسیالیستی و حق ملت‌ها برای تعیین سرنوشت»28: «این واقعیت که مبارزه برای رهایی ملی علیه یک قدرت امپریالیستی ممکن است تحت شرایط خاصی توسط قدرت بزرگ دیگری در راستای منافعی که همان‌‌قدر امپریالیستی‌ هستند مورد استفاده قرار گیرد.»؛ دیگر اهمیتی در ترغیب سوسیال دموکراسی برای به رسمیت نشناختن حق ملت‌ها برای تعیین سرنوشت خود ندارند. فراتر از منافع و دسیسه‌های ژئوپلیتیکی که معمولاً نیز در جریان است، نیروهای چپ به‌طور تاریخی از اصل خودمختاری ملی حمایت کرده‌اند و از حقِ یکایک دولت‌ها برای ایجاد جبهه‌های خود براساس خواست صریح مردم دفاع کرده‌اند. لنین در «نتایج بحث در مورد خودمختاری»29 نوشت: «اگر انقلاب سوسیالیستی در پتروگراد، برلین و ورشو پیروز شود، دولت سوسیالیستی لهستان، مانند دولت‌های سوسیالیست روسیه و آلمان، از «حفظ اجباری» اوکراینی‌ها در مرزهای دولت لهستان و از این دست مسائل چشم‌پوشی می‌کند». پس چرا پیشنهاد می‌شود که هر چیز متفاوتی باید به دولت ملی‌گرا به رهبری ولادیمیر پوتین واگذار شود؟
از سوی دیگر، بسیاری از چپ‌ها در برابر وسوسۀ تبدیل شدن ـ به‌طور مستقیم یا غیرمستقیم ـ به همتایان متخاصم تسلیم شده‌اند و به یک اتحادیۀ مقدسِ30 جدید دامن می‌زنند. چنین موضعی امروزه به‌طور فزاینده‌ای تمایز بین آتلانتیسیسم31 و صلح‌طلبی را محو می‌کند. تاریخ نشان می‌دهد که وقتی آنها با جنگ مخالفت نمی‌کنند، نیروهای پیش‌رونده بخش اساسی دلیل وجودیِ خود را از دست می‌دهند و در نهایت ایدئولوژی اردوگاه جبهۀ مخالف را می‌بلعند. این امر زمانی اتفاق می‌افتد که احزاب چپ حضور خود را در دولت به‌عنوان روشی اساسی برای سنجش کنش سیاسی خود قرار می‌دهند؛ همان‌طور که کمونیست‌های ایتالیایی در حمایت از مداخلاتی که ناتو در کوزوو و افغانستان انجام دادند، یا امروزه اکثریت حزب «متحد باشیم، می‌توانیم»32 صدای خود را با اتفاق آرا به هارمونی گروه کر پارلمان کل اسپانیا یکی پیوند می‌دهد تا از ارسال سلاح به ارتش اوکراین حمابت کنند.

بناپارت33 دموکراسی نیست

هنگامی که مارکس در سال ۱۸۵۴ دربارۀ جنگ کریمه، در مخالفت با لیبرال دموکرات‌هایی که ائتلاف ضد روسیه را تعالی می‌دادند، نوشت: «این اشتباه است که جنگ علیه روسیه را به‌عنوان جنگ بین آزادی و استبداد توصیف کنیم. جدای از این واقعیت که اگر چنین باشد، آزادی برای کسی است که بناپارت نمایندۀ آن نیست، کل هدف جنگْ حفظ … معاهدات وین است؛ همان معاهداتی که آزادی و استقلال ملت‌ها را لغو می‌کند». اگر بناپارت را با ایالات متحدۀ آمریکا و معاهدات وین را با ناتو جایگزین کنیم، این مشاهدات به نظر می‌رسد برای امروز نوشته شده‌است.
کسانی که مخالف ناسیونالیسم روسی و اوکراینیِ گسترش ناتو هستند، دلیلی برای بلاتکلیفی سیاسی یا ابهامِ نظری ارائه نمی‌دهند. در هفته‌های اخیر، تعدادی از کارشناسان توضیحاتی در مورد ریشه‌های درگیری ارائه کرده‌ (که به هیچ وجه از بربریت تهاجم روسیه نمی‌کاهد) و توضیح داده‌اند که: موضع کسانی که سیاست عدم هم‌سویی34 را پیشنهاد می‌کنند، مؤثرترین راه برای پایان دادن به جنگ در کمترین زمان و تضمینِ کاهش تعداد قربانیان است … لازم است فعالیت دیپلماتیک بی‌وقفه براساس دو نکتۀ قطعی دنبال شود: تنش‌زدایی و بی‌طرفی اوکراین مستقل.
به‌رغم افزایش حمایت از ناتو در پی اقدامات روسیه، لازم است بیشتر تلاش کرد تا اطمینان حاصل شود که افکار عمومی بزرگ‌ترین و تهاجمی‌ترین ماشین جنگی در جهان (ناتو) را به‌عنوان راه‌حل مشکلات امنیت جهانی نمی‌بیند. باید نشان داد که سازمانی خطرناک و بی‌اثر است که در تلاش برای گسترش و تسلط تک‌‌قطبی بر دنیاست و به تشدید تنش‌های منجر به جنگ در جهان کمک می‌کند.
به نقل از گفتۀ معروف کلاوزویتز35، برای چپْ جنگ نمی‌تواند «ادامۀ سیاست با روش‌های دیگر» باشد؛ درواقع، این فقط شکست سیاست را تأیید می‌کند. اگر چپ می‌خواهد هژمونی خود را بازگرداند و نشان دهد که قادر است از تاریخ خود برای وظایف امروزش استفاده کند، باید کلمات «ضد جنگ‌گرایی» و «نه به جنگ» را به‌صورت غیرقابل حذف بر روی پرچم‌های خود بنویسد.

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บทความแปล: สงครามกับฝ่ายซ้าย

สงคราม รัสเซีย-ยูเครน ก่อให้เกิดการถกเถียงในหมู่บรรดาฝ่ายซ้ายถึงท่าทีของสังคมนิยมต่อสงคราม หากเราหันกลับไปทบทวนท่าทีของมาร์กซิสต์ต่อสงครามในช่วงศตวรรษที่ 19-20 เราจะเห็นได้ว่าสงครามเป็นปัญหาที่มาร์กซิสต์ให้ความสนใจอย่างยิ่ง ผู้นำมาร์กซิสต์อย่างเช่น เฟรดริช แองเกิลส์ ได้ใช้เวลาส่วนหนึ่งในช่วงบั้นปลายของชีวิตครุ่นคิดถึงปัญหานี้อย่างจริงจัง ในบทความเรื่อง ‘ยุโรปจะปลอดอาวุธได้หรือไม่?’ แองเกิลส์ชี้ให้เห็นว่าเหล่าบรรดามหาอำนาจต่างมุ่งแสวงหาความได้เปรียบคู่แข่งทั้งด้านการทหารและการเตรียมทำสงคราม ทำให้เกิดการแข่งขันผลิตอาวุธในระดับสูงที่ไม่เคยมีมาก่อน เป็นเหตุให้ยุโรปใกล้เข้าสู่ ‘สงครามทำลายล้างที่โลกไม่เคยพบเห็นมาก่อน’ ในทัศนะของแองเกิลส์ การขยายตัวของกองทัพประจำการที่ดำเนินไปอย่างสุดเหวี่ยงทั่วทั้งยุโรป ถ้าไม่สร้างภาระทางการทหารที่ก่อให้เกิดความหายนะทางเศรษฐกิจแก่ประชาชน ก็จะนำไปสู่สงครามของการทำลายล้างอย่างขนานใหญ่ เนื่องจากประชาชนเป็นผู้แบกรับค่าใช้จ่ายในสงครามมากกว่าใครๆทั้งในรูปของการเสียภาษี และการถูกเกณฑ์ไปเป็นทหารโดยรัฐ ขบวนการกรรมกรจึงต้องต่อสู้เพื่อลดระยะเวลาของการเป็นทหารเกณฑ์ผ่านสนธิสัญญาระหว่างประเทศ และเคลื่อนไหวให้มีการลดกำลังอาวุธ สันติภาพของโลกจึงจะมีหลักประกัน

ความล้มเหลวของขบวนการสังคมนิยมสากล

การถกเถียงปัญหาสงครามในยามสันติได้กลายเป็นปัญหาทางปฏิบัติของขบวนการกรรมกรเมื่อเกิดสงครามฝรั่งเศส-ปรัสเซียในปี 2413 วิลเฮ็ล์ม ลีพคเน็ชท์ และ ออกุสต์ เบเบล ผู้แทนพรรคสังคมประชาธิปไตยเยอรมันได้ประนามนโยบายการขยายอำนาจของรัฐบาลบิสมาร์คและลงคะแนนเสียงคัดค้านร่างกฎหมายการจัดสรรงบประมาณเพิ่มเติมให้แก่การทำสงคราม ยังผลให้พวกเขาถูกจำคุก 2 ปีในข้อหาทรยศชาติ

เมื่อมหาอำนาจในยุโรปทวีการล่าอาณานิคม การถกเถียงเกี่ยวกับสงครามภายในสากลที่ 2 (ขบวนการสังคมนิยมสากล) ยิ่งมีความสำคัญมากขึ้น สมัชชาก่อตั้งขององค์กรได้ผ่านมติที่ย้ำว่าสันติภาพเป็น ‘เงื่อนไขเบื้องต้นที่ขาดไม่ได้ในการปลดแอกกรรมกรทั้งมวล’ แต่เมื่อเวลาผ่านไปสากลที่ 2 กลับไม่ยึดถือหลักการดังกล่าว แทนที่จะส่งเสริมสันติภาพพรรคสังคมนิยมในยุโรปเกือบทั้งหมดกลับสนับสนุนสงครามโลกครั้งที่ 1 ภายใต้ข้ออ้างที่ว่ากรรมกรจะไม่ปล่อยให้นายทุนได้ประโยชน์จากการล่าเมืองขึ้นแต่เพียงผู้เดียว สากลที่ 2 ได้สนับสนุนลัทธิล่าเมืองขึ้นและอุดมการณ์ชาตินิยมของชนชั้นปกครอง การกระทำดังกล่าวแสดงให้เห็นว่าสากลที่ 2 ล้มเหลวอย่างสิ้นเชิงในการยึดมั่นในเป้าหมายหลักขององค์กร นั่นคือ การพิทักษ์รักษาสันติภาพ

อย่างไรก็ดี ยังมีผู้นำของขบวนการบางส่วนที่คัดค้านสงครามอย่างแข็งขันที่สำคัญได้แก่ โรซ่า ลักเซมเบอร์ก และเลนิน ลักเซมเบอร์กได้เรียกร้องให้คัดค้านลัทธิล่าเมืองขึ้นและยับยั้งสงคราม ในหนังสือ ‘สังคมนิยมและสงคราม’ เลนิน ยืนยันว่าสังคมนิยมประนามสงครามระหว่างชาติว่าเป็นสิ่งโหดร้ายป่าเถื่อนเสมอ การสนับสนุนสงครามของสากลที่ 2 เป็นการก่ออาชญากรรม การอ้างว่าสงครามที่รัฐบาลของตนก่อขึ้นเป็นการ ‘ปกป้องปิตุภูมิ’ โดยเนื้อแท้แล้วคือการเปิดไฟเขียวให้ประเทศมหาอำนาจปล้นสะดมภ์และกดขี่ประชาชนในต่างแดน

สงครามโลกครั้งที่ 1 ไม่เพียงแต่ก่อให้เกิดความแตกแยกภายในสากลที่ 2 เท่านั้น แต่ยังก่อให้เกิดความแตกแยกในขบวนการอนาธิปไตยอีกด้วย เมื่อสงครามระเบิดขึ้น ปีเตอร์ โคโพคิน ประกาศว่าภารกิจของผู้เชิดชูในความก้าวหน้าของมนุษยชาติคือการบดขยี้การรุกรานยุโรปตะวันตกของเยอรมนี ในขณะที่ เอ็นริโก มาลาเตสตา เห็นว่าไม่ควรสนับสนุนทั้งสองฝ่ายเพราะชัยชนะของเยอรมนีจะนำไปสู่ชัยชนะของลัทธิขุนศึก ในขณะที่หากฝ่ายสัมพันธมิตรชนะจะทำให้ยุโรปและเอเชียอยู่ภายใต้การครอบงำของอังกฤษและรัสเซีย

ทัศนะต่อสงครามยังก่อให้เกิดการโต้แย้งกันในขบวนการสิทธิสตรีอีกด้วย การที่ผู้ชายถูกเกณฑ์ไปทำสงครามทำให้ผู้หญิงได้ทำงานซึ่งแต่ก่อนเป็นของผู้ชายเท่านั้น กระตุ้นให้สมาชิกของขบวนการจำนวนมากสนับสนุนการทำสงครามของรัฐบาล ขณะที่โรซ่า ลักเซมเบอร์กและผู้นำหญิงคนสำคัญของพรรคคอมมิวนิสต์ได้เปิดโปงเล่ห์ลวงของรัฐบาลที่ใช้ภัยคุกคามจากสงครามมาหยุดยั้งยกเลิกการปฏิรูปเพื่อความเท่าเทียมและเป็นธรรมในสังคม การเคลื่อนไหวดังกล่าวเป็นคุณูปการสำคัญของพวกเธอในการแสดงให้คนรุ่นหลังได้เห็นว่าการคัดค้านลัทธิขุนศึกเป็นสิ่งจำเป็นในการต่อสู้เพื่อให้ได้มาซึ่งความเท่าเทียมของสตรี

สหภาพโซเวียตกับสงคราม

หลังสงครามโลกครั้งที่ 2 โลกเข้าสู่ยุคสงครามเย็นที่มีการเผชิญหน้ากันระหว่างประเทศทุนนิยมที่มีสหรัฐอเมริกาเป็นผู้นำกับประเทศสังคมนิยมที่มีสหภาพโซเวียตเป็นผู้นำ โจเซฟ สตาลิน ได้ถือเอาประเทศสังคมนิยมในยุโรปตะวันออกเป็นเขตกันชนที่ค้ำประกันความมั่นคงของสหภาพโซเวียต นโยบายเช่นนี้เป็นที่มาของหลักการ ‘อำนาจอธิปไตยที่จำกัด’ ตามหลักการนี้ผู้นำของสหภาพโซเวียตให้เหตุผลว่าเมื่อใดที่มีกลุ่มพลังที่เป็นปฏิปักษ์ต่อสังคมนิยมพยายามจะเปลี่ยนการปกครองในประเทศสังคมนิยมหนึ่งใดไปสู่ทุนนิยม การกระทำเช่นนั้นไม่เพียงแต่เป็นปัญหาของประเทศดังกล่าวเท่านั้น หากยังเป็นปัญหาของประเทศสังคมนิยมทั้งมวลด้วย ภายใต้ตรรกที่ต่อต้านประชาธิปไตยเช่นนี้อะไรคือสังคมนิยมหรือไม่ใช่สังคมนิยมขึ้นอยู่กับการตีความของสหภาพโซเวียตเท่านั้น

ภายใต้หลักการ ‘อำนาจอธิปไตยที่จำกัด’ สหภาพโซเวียตได้เข้าปราบปรามการปฏิวัติในฮังการีและเช็คโกสโลวาเกียอย่างป่าเถื่อนในปี 2499 และ 2511 ตามลำดับ ต่อมาในปี 2522 กองทัพสหภาพโซเวียตได้เข้ายึดครองอัฟกานิสถานด้วยข้ออ้างว่าเป็นเขตความมั่นคงของตนเอง การปฏิบัติการเหล่านี้ไม่เพียงแต่เพิ่มความตึงเครียดทางทหารเท่านั้น แต่ยังทำลายความน่าเชื่อถือและทำให้สังคมนิยมอ่อนแอลงอีกด้วย สหภาพโซเวียตถูกมองว่าเป็นมหาอำนาจจักรพรรดินิยมไม่ต่างจากสหรัฐอเมริกาผู้ซึ่งนับแต่การเริ่มต้นของสงครามเย็นได้สนับสนุนการรัฐประหารและช่วยโค่นล้มรัฐบาลประชาธิปไตยในกว่า 20 ประเทศทั่วโลก

ฝ่ายซ้ายต้องต่อต้านสงคราม

การสิ้นสุดของสงครามเย็นไม่ได้ทำให้การเข้าแทรกแซงในกิจการของประเทศอื่นลดลง และไม่ได้ทำให้เสรีภาพในการเลือกระบอบการเมืองด้วยตัวเองของพลเมืองเพิ่มมากขึ้น ในช่วง 25 ปีที่ผ่านมาภายใต้การนำของสหรัฐอเมริกาได้มีการก่อสงครามหลายต่อหลายครั้งภายใต้ข้ออ้างที่ฟังไม่ขึ้นว่าเป็น ‘สงครามเพื่อมนุษยธรรม’ (ทำลายล้างเข่นฆ่าเพื่อมนุษยธรรม!) สงครามเหล่านี้เป็นหลักฐานยืนยันว่าระเบียบโลกใหม่ที่มีมหาอำนาจเพียงหนึ่งเดียวไม่ได้นำไปสู่ยุคสมัยของเสรีภาพและความก้าวหน้าตามความเชื่อของเสรีนิยมใหม่แต่อย่างใด ภายใต้บริบทเช่นนี้ มีฝ่ายซ้ายจำนวนหนึ่งให้การสนับสนุนการรุกรานประเทศอื่นด้วยกำลังอาวุธ ทำให้พวกเขาไม่แตกต่างจากพวกฝ่ายขวาเท่าใดนัก

การรุกรานยูเครนของรัสเซียทำให้ฝ่ายซ้ายอยู่ในภาวะกลืนไม่เข้าคายไม่ออกอีกครั้งหนึ่ง เพราะหากพวกเขาคัดค้านสงครามก็เกรงว่าจะเป็นการสนับสนุนการขยายอำนาจของจักรพรรดินิยมตะวันตก การย้อนกลับไปอ่านงานของเลนินคงช่วยให้ความกระจ่างในประเด็นนี้ได้บ้าง ในงานเขียนเรื่อง ‘การปฏิวัติสังคมนิยมและสิทธิในการกำหนดอนาคตตนเองของชาติต่างๆ’ เลนินเห็นว่ามีความเป็นไปได้ที่การต่อสู้เพื่อให้หลุดพ้นจากการรุกรานยึดครองของมหาอำนาจหนึ่ง อาจถูกใช้ประโยชน์จากมหาอำนาจอื่นเพื่อผลประโยชน์ที่ชั่วร้ายพอๆกัน แต่นั่นก็ไม่ใช่เหตุผลที่จะทำให้ชาวสังคมนิยมปฏิเสธการกำหนดอนาคตตนเองของชาติหนึ่งชาติใด นอกจากนี้ ประวัติศาสตร์ได้แสดงให้เห็นแล้วว่าหากไม่คัดค้านสงครามฝ่ายสังคมนิยมก็ไม่มีเหตุผลที่จะดำรงอยู่อีกต่อไปและสุดท้ายก็จะถูกดูดกลืนโดยอุดมการณ์ของฝ่ายตรงข้าม อย่างไรก็ดี การแก้ปัญหาโดยใช้องค์กรทางการทหารอย่างเช่นนาโตซึ่งมีจุดมุ่งหมายที่จะขยายอำนาจเพื่อความเหนือกว่าฝ่ายตรงข้ามเป็นเรื่องอันตรายและไร้ประสิทธิภาพ นอกจากจะไม่สามารถยุติสงครามได้แล้วยังจะทำให้ความขัดแย้งขยายตัวและโลกมีความไม่มั่นคงยิ่งขึ้น การยุติสงครามรัสเซีย-ยูเครนควรทำผ่านช่องทางการทูตเพื่อลดการเผชิญหน้าทางการทหารและนำไปสู่การสร้างหลักประกันความเป็นกลางของยูเครนที่เป็นอิสระ

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شمایی جدید از مارکس

شمایی جدید از مارکس
پس از مارکس ـ انگلس ـ گسامتاوسگابه (MEGA²)
مارچلو موستو
ترجمه: پیمان جعفرپور

۱. احیای مارکس
اکنون بیش از یک دهه است که روزنامه‌ها و مجلات معتبر با خوانندگان گسترده، کارل مارکس را نظریه‌پردازی دوراندیش توصیف می‌کنند که موضوعیتش دائماً تأیید می‌شود. بسیاری از نویسندگان با دیدگاه‌های مترقی معتقدند که ایده‌های او برای هرکسی که معتقد است ساختن جایگزینی برای سرمایه‌داری ضروری است، همچنان ضرورت دارد. تقریباً در همه‌جا، او اکنون موضوع دوره‌های دانشگاهی و کنفرانس‌های بین‌المللی است. نوشته‌های او که تجدید چاپ شده یا در نسخه‌های جدید آورده شده‌اند، دوباره در قفسه‌های کتابفروشی‌ها ظاهر شده‌اند و مطالعۀ آثار او پس از بیست سال یا بیشتر که کمرنگ شده بود، شتاب فزاینده‌ای پیدا کرده‌است. سال‌های ۲۰۱۷ و ۲۰۱۸ به لطف بسیاری از فعالیت‌ها در سراسر جهان برای بزرگداشت صدوپنجاهمین سالگرد انتشار «سرمایه» و دویستمین سالگرد تولد مارکس، شدت بیشتری به این موضوع، یعنی «احیای مارکس» ، بخشیده شده‌است.
خواه ناخواه عقاید مارکس جهان را تغییر داده‌است. با این حال، به‌رغم تأیید نظریه‌های مارکس، که در قرن بیستم برای بخش قابل توجهی از بشریت به ایدئولوژی‌ها و دکترین‌های دولتی متمرکز تبدیل شدند، هنوز هیچ نسخۀ کاملی از همۀ آثار و دست‌نوشته‌های او وجود ندارد. دلیل اصلی این امر در شخصیت ناقص آثار مارکس نهفته است. آثاری که او منتشر کرد به میزان قابل توجهی کمتر از تعداد کل پروژه‌های ناتمام رها شده‌است، البته اگر در مورد «ناچلاس کوهستانی»، یادداشت‌ها و تحقیقات بی پایان او صحبت نکنیم. مارکس، پس از آن، دست‌نوشته‌های بسیار بیشتری نسبت به دست‌نوشته‌هایی که برای چاپخانه‌ها فرستاده بود، به‌جا گذاشت. ناقص بودن، بخش جدایی‌ناپذیر زندگی او بود: فقر نسبتاً شدیدی که در آن به‌سر می‌بُرد و همچنین بیماری دائمی او، بر نگرانی‌های روزآن‌هاش می‌افزود. روش سخت‌گیرانه و انتقاد بی‌رحمانه از خود، نیز به مشکلات بیشتری دامن زد. افزون بر این، اشتیاق او به دانش در طول زمانْ بدون تغییر باقی ماند و همیشه او را به مطالعۀ جدیدتری سوق می‌داد. با این وجود، کارهای بی‌وقفۀ او خاص‌ترین پیامدهای نظری را برای آیندگان به ارمغان می‌آورْد.
از جایگاه ویژۀ ارزیابی مجدد دستاوردهای مارکس، انتشار مجدد مارکس ـ انگلس ـ گسامتاوسگابه (MEGA²) در سال ۱۹۹۸، نسخۀ تاریخی ـ انتقادیِ آثار کامل مارکس و فردریش انگلس بود. ۲۸ جلد دیگر پیشتر منتشر شده‌است (۴۰ جلد بین سال‌های ۱۹۷۵ و ۱۹۸۹ منتشر شده‌است) و بقیه در مرحلۀ آماده‌سازی هستند. MEGA2 در چهار بخش سازماندهی شده‌است: (۱) کلیۀ آثار، مقالات و پیش‌نویس‌های نوشته‌شده توسط مارکس و انگلس (به استثنای سرمایه)؛ (۲) سرمایه و کلیۀ مواد آماده‌سازی آن؛ (۳) مکاتبات، متشکل از ۴هزار نامۀ مارکس و انگلس و ده هزار نامه توسط دیگران نوشته شده به آن‌ها، تعداد زیادی که برای اولین بار در MEGA2 منتشر شد، و (۴) گزیده‌ها، حاشیه‌نویسی‌ها و یادداشت‌های وی.

این بخش چهارم شاهد کارهای تماماً دایره‌المعارفیِ مارکس است: از زمان تحصیل در دانشگاه، عادت او به جمع‌آوری گزیده‌ای از کتاب‌هایی بود که می‌خواند ، و اغلب آن‌ها را با تأملاتی که به او پیشنهاد می‌کردند در هم می‌آمیخت. وصیت‌نامۀ ادبی مارکس شامل حدوداً ۲۰۰ دفترچه است. آن‌ها برای درک پیدایش نظریۀ او و عناصری که نتوانست آن‌طور که می‌خواست توسعه دهد، ضروری هستند. گزیده‌های باقی‌مانده، که دوره‌ای طولانی از ۱۸۳۸ تا ۱۸۸۲ را پوشش می‌دهند، به هشت زبان (آلمانی، یونانی باستان، لاتین، فرانسوی، انگلیسی، ایتالیایی، اسپانیایی و روسی) نوشته شده‌اند و به متنوع‌ترین رشته‌ها اشاره دارند. آن‌ها از آثار فلسفه، تاریخِ هنر، دین، سیاست، حقوق، ادبیات، تاریخ، اقتصاد سیاسی، روابط بین‌الملل، فناوری، ریاضیات، فیزیولوژی، زمین‌شناسی، کانی‌شناسی، کشاورزی، مردم‌شناسی، شیمی و فیزیک گرفته شده‌اند. مقالات روزنامه‌ها و مجلات و همچنین صورت‌جلسات مجلس و همچنین آمار و گزارش‌های دولتی. این ذخیرۀ عظیم دانش، که بیشتر آن در سال‌های اخیر منتشر شده یا هنوز در انتظار چاپ است، محل ساخت نظریۀ انتقادی مارکس بود و MEGA2 برای نخستین بار امکان دسترسی به آن را فراهم کرده‌است.
این مطالب گرانبها ـ که بسیاری از آن‌ها فقط به زبان آلمانی در دسترس‌اند و بنابراین محدود به محافل کوچکی از محققان هستند ـ نویسنده‌ای را به ما می‌شناسانَد که بسیار متفاوت از نویسنده‌ای است که برای مدتی طولانی در میان منتقدان یا شاگردان خود، نامی برای خود به‌هم زده‌است. در واقع، دستیابی‌های متنیِ جدید در MEGA2 این امکان را فراهم می‌کند که بگوییم: از میان کلاسیک‌های اندیشۀ سیاسی، اقتصادی و فلسفی، مارکس نویسنده‌ای است که نمایه‌اش بیشترین تغییر را در دهه‌های آغازین قرن بیست‌ویکم داشته است. فضای سیاسی جدید پس از فروپاشی اتحاد جماهیر شوروی نیز به این تصور تازه کمک کرده‌است. زیرا پایانِ مارکسیسم ـ لنینیسم سرانجامِ کارهای مارکس و تصور او از ساختار اجتماعی را از قیدوبند ایدئولوژی پیشین، به‌مراتب آزاد ساخت.
تحقیقات اخیر رویکردهای مختلفی که برداشت مارکس از جامعۀ کمونیستی را به توسعۀ برتر نیروهای زاینده فرومی‌کاهد، رد کرده‌است. به‌عنوان نمونه، اهمیتی را که او برای مسئلۀ بوم‌شناختی قائل بود، نشان می‌دهد: او در موارد پیاپی این واقعیت را محکوم کرد که گسترش شیوۀ تولید سرمایه‌داری نه تنها دزدی نیروی کارِ کارگران، بلکه غارت منابع طبیعی را نیز افزایش می‌دهد. مارکس عمیقاً وارد بسیاری از موضوعات دیگر شد که اگرچه اغلب توسط محققان آثار او دست‌ِکم یا حتی نادیده گرفته می‌شوند، اما اهمیتی حیاتی برای دستور کار سیاسی دوران ما پیدا می‌کنند. از جمله آزادی فردی در حوزۀ اقتصادی و سیاسی، رهایی جنسیتی، نقد ناسیونالیسم، پتانسیل رهایی‌بخش فناوری، و اَشکال مالکیت جمعی که توسط دولت کنترل نمی‌شود. بنابراین سی سال پس از فروریختن دیوار برلین، خواندن مارکس بسیار متفاوت از نظریه‌پرداز جزم‌گرا، اقتصادگرا و اروپامحور که مدت‌ها در اطراف رژه می‌رفت، ممکن شده‌است.

۲. اکتشافات جدید درباره پیدایش مفهوم ماتریالیستی تاریخ
در فوریه ۱۸۴۵، پس از ۱۵ ماه فشرده در پاریس که برای شکل‌گیری سیاسی او حیاتی بود، مارکس مجبور شد به بروکسل نقل مکان کند و در آنجا به او اجازه اقامت داده شد، به شرط اینکه «چیزی در مورد سیاست فعلی منتشر نکند» . در طول سه سالی که در پایتخت بلژیک سپری کرد، مطالعات خود در زمینۀ اقتصاد سیاسی را به‌طور پرثمر ادامه داد و شروع به نوشتن اید‌ه‌ای همراه با انگلس، جوزف ویدمایر و موسی هس کرد؛ «نقدی از فلسفۀ مدرن آلمانی که توسط نمایندگان آن لودویگ فویرباخ، برونو بائر و ماکس اشتیرنر، و سوسیالیسم آلمانی توسط پیامبران مختلف توضیح داده شده‌است». متن حاصل که پس از مرگ مارکس تحت عنوان ایدئولوژی آلمانی منتشر شد، هدف دوگانه داشت: مبارزه با جدیدترین اشکال نئوهگلیسم در آلمان، و سپس، همان‌طور که مارکس به ناشر کارل ویلهلم جولیوس لسکه نوشت «آماده ساختن مردم برای دیدگاهی که در اقتصاد من اتخاذ شده‌است، که کاملاً مخالف دانش گذشته و حال آلمان است». این نسخۀ خطی که او تا ژوئن ۱۸۴۶ روی آن کار کرد، هرگز تکمیل نشد. با این حال، به او کمک کرد تا آنچه را که انگلس چهل سال بعد برای عموم مردم به‌عنوان «مفهوم ماتریالیستی از تاریخ» واضح‌تر از قبل، هرچند هنوز به شکل قطعی نبود، تعریف کرد.
نخستین نسخۀ ایدئولوژی آلمانی، که در سال ۱۹۳۲ منتشر شد، و همچنین تمام نسخه‌های بعدی که فقط تغییرات جزئی داشتند، به شکل یک مجموعه تکمیل شد و برای چاپخانه‌ها ارسال شد. به‌ویژه ویراستاران این دست‌نوشتۀ ناتمام این تصور نادرست را ایجاد کردند که ایدئولوژی آلمانی شامل یک فصل آغازین اساسی دربارۀ فویرباخ است که در آن مارکس و انگلس قوانین «ماتریالیسم تاریخی» (اصطلاحی که مارکس هرگز آن را به‌کار نبرده‌است) را به‌طور کامل بیان می‌کنند. به گفتۀ آلتوسر، اینجا جایی بود که آن‌ها «یک گسست معرفت‌شناختی بی چون‌وچرا» را با نوشته‌های قبلی خود مفهوم‌سازی کردند. ایدئولوژی آلمانی به‌زودی به یکی از مهم‌ترین متون فلسفی قرن بیستم تبدیل شد. به گفتۀ هانری لوفور «ایده‌های اساسی ماتریالیسم تاریخی» را بیان کرد. ماکسیمیلیان روبل معتقد بود که این «دست‌نوشته حاوی کامل‌ترین بیانیه مفهوم انتقادی و ماتریالیستی تاریخ است». دیوید مک‌للان به همان اندازه صراحتاً مدعی بود که «شامل مفصل‌ترین گزارش مارکس از برداشت ماتریالیستی او از تاریخ است».
با تشکر از جلد اول از پنج جلد MEGA²، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، دویچه ایدئولوژی. Manuskripte und Drucke (1845ـ۱۸۴۷)»، اکنون می‌توان بسیاری از این ادعاها را خلاصه کرد و ایدئولوژی آلمانی را به ناقص بودنِ اصلی خود بازگرداند. این نسخه ـ که شامل ۱۷ نسخۀ خطی با مجموع ۷۰۰ صفحه به‌اضافۀ یک دستگاه انتقادی ۱۲۰۰ صفحه‌ای است که تغییرات و تصحیحات تألیفی را ارائه و مرکزیت هر بخش را نشان می‌دهد ـ یک بار برای همیشه خصلت تکه‌تکۀ متن را مشخص می‌کند. مغالطۀ قرن بیستم «کمونیسم علمی» و تمام ابزارسازی‌های ایدئولوژی آلمانی عبارتی را در خود متن به‌جای می‌گذارد. نقد قاطعانۀ آن از فلسفۀ آلمانی در زمان حیات مارکس نیز مانند هشداری جدی علیه روندهای تفسیری آینده به‌نظر می‌رسید: «نه تنها در پاسخ‌های آن، حتی در پرسش‌هایش نیز ابهامی وجود داشت».

در همان دوره انقلابیِ جوان متولد تری‌یِر مطالعات خود را در پاریس گسترش داد. در سال ۱۸۴۵، او ژوئیه و آگوست را در منچستر گذراند تا به ادبیات اقتصادی گستردۀ انگلیسی زبان بپردازد و ۹ چکیدۀ کتاب (به اصطلاح یادداشت‌های منچستر) را جمع‌آوری کند که عمدتاً از کتاب‌های راهنمای اقتصاد سیاسی و کتاب‌های تاریخ اقتصادی است. MEGA² جلد IV/4 که در سال ۱۹۸۸ منتشر شد، شامل پنج دفتر اول این یادداشت‌ها، همراه با سه کتاب از یادداشت‌های انگلس از همان مقطع زمانی در منچستر است. جلد چهارم/۵، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Exzerpte und Notizen Juli 1845 bis Dezember 1850»، این مجموعه نوشته‌ها را تکمیل می کند و قسمت‌های منتشر نشدۀ قبلی آن‌ها را در اختیار محققان قرار می‌دهد. این مجموعه شامل دفترهای ۶، ۷، ۸ و ۹ است که گزیده‌هایی از ۱۶ اثر اقتصاد سیاسی او را در بر می‌گیرد. قابل‌توجه‌ترین آن‌ها کتاب «اشتباهات و درمان کار» جان فرانسیس بری (۱۸۳۹) و چهار متن از رابرت اوون، به‌ویژه کتاب دنیای اخلاقی جدید او (۱۸۴۰ـ۱۸۴۴) بود که همۀ آن‌ها نشان‌دهندۀ علاقۀ زیاد مارکس به زمان در سوسیالیسم انگلیسی و احترام عمیق او به اوون است؛ نویسنده‌ای که بسیاری از مارکسیست‌ها با عجله از او به‌عنوان «آرمان‌شهر» یاد کرده‌اند. این جلد با بیست و چند صفحه پایان می‌یابد که مارکس بین سال‌های ۱۸۴۶ و ۱۸۵۰ نوشته‌است، به‌علاوۀ برخی از یادداشت‌های مطالعاتی انگلس از همان دوره.
این مطالعات تئوری سوسیالیستی و اقتصاد سیاسی مانعی برای تعامل سیاسی همیشگی مارکس و انگلس نبود. ۸۰۰ صفحه و بیشتر از جلد I/7 که به‌تازگی منتشر شده، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Werke، Artikel، Entwürfe. فوریه بیس اکتبر ۱۸۴۸»، به ما اجازه می‌دهد تا مقیاس این را در ۱۸۴۸ درک کنیم: یکی از پرمصرف‌ترین سال‌های فعالیت سیاسی و روزنامه‌نگاری در زندگی نویسندگان مانیفست حزب کمونیست. پس از آنکه یک جنبش انقلابی با دامنه و شدت بی‌سابقه نظم سیاسی و اجتماعی قارۀ اروپا را در بحران فرو برد، دولت‌های موجود تمام اقدامات متقابل ممکن را برای پایان دادن به قیام‌ها انجام دادند. خود مارکس نیز متحمل عواقب آن شد و در ماه مارس از بلژیک اخراج شد. با این حال، جمهوری در فرانسه به تازگی اعلام شده بود و فردیناند فلوکون، وزیر دولت موقت، از مارکس دعوت کرد که به پاریس بازگردد: «مارکس عزیز و دلاور، (…) استبداد تو را تبعید کرد، اما فرانسۀ آزاد دوباره درها را به روی تو خواهد گشود. مارکس طبیعتاً مطالعات خود را در زمینۀ اقتصاد سیاسی کنار گذاشت و در حمایت از انقلاب به فعالیت در حوزۀ روزنامه‌نگاری پرداخت و به ترسیم یک مسیر سیاسیِ توصیه‌شده کمک کرد. پس از مدت کوتاهی در پاریس، در آوریل به راینلند نقل مکان کرد و دو ماه بعد شروع به ویرایش Neue Rheinische Zeitung کرد که در عین‌حال در کلن تأسیس شده بود. گردهمایی پرشور و شدید در ستون‌های آن، در ورای آرمآن‌های این شورشیان قرار داشت و از پرولتاریا می‌خواست «انقلاب اجتماعی و جمهوری‌خواه» را ترویج دهد.
تقریباً همۀ مقالات در Neue Rheinische Zeitung به‌صورت ناشناس منتشر شدند. یکی از برتری‌های چنین اثری این است که تألیف ۳۶ متن را به‌درستی به مارکس یا انگلس نسبت داده‌است، در حالی که مجموعه‌های قبلی ما را در مورد اینکه چه کسی آن‌ها را به قلم آورده، دچار تردید کرده بود. از مجموع ۲۷۵ مورد، ۱۲۵ مقالۀ کامل در اینجا برای نخستین بار در نسخه‌ای یکتا از آثار مارکس و انگلس چاپ شده‌است. یک پیوست همچنین دارای ۱۶ سند جالب است که حاوی شرح برخی از ایرادات آن‌ها در جلسات اتحادیۀ کمونیست‌ها، مجموع انجمن دموکراتیک کلن و اتحادیۀ وین است. علاقه‌مندان به فعالیت‌های سیاسی و روزنامه‌نگاری مارکس در «سال انقلاب ۱۸۴۸»، در اینجا مطالب بسیار ارزشمندی برای افزونی و عمق بخشیدن به دانش خود خواهند یافت.

۳. سرمایه: نقد ناتمام
جنبش انقلابی که در سال ۱۸۴۸ در سراسر اروپا به‌پا خاست، در مدت کوتاهی شکست خورد و در سال ۱۸۴۹، پس از دو دستور تبعید از پروس و فرانسه، مارکس چاره‌ای جز عبور از کانال نداشت. او تا پایان عمر در انگلستان تبعیدی و بدون تابعیت باقی می‌ماند اما ارتجاع اروپایی نمی‌توانست او را در جای بهتری برای نوشتن نقد خود از اقتصاد سیاسی محدود کند. در آن زمان لندن مرکز پیشرو اقتصادی و مالی جهان، «دمیورگ کیهان بورژوازی» و بنابراین مطلوب‌ترین مکان برای مشاهدۀ آخرین تحولات اقتصادی جامعۀ سرمایه‌داری بود. او همچنین خبرنگار نیویورک تریبون، روزنامه‌ای با بیشترین تیراژ در ایالات متحده آمریکا شد.
مارکس سال‌ها در انتظار رخدادِ یک بحران جدید بود و هنگامی که این بحران تحقق یافت، در سال ۱۸۵۷، او بیشتر وقت خود را به تحلیل ویژگی‌های کلیدی آن اختصاص داد. جلد اول / ۱۶، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، مقالۀ اکتبر ۱۸۵۷ bis Dezember 1858»، شامل ۸۴ مقاله است که او بین پاییز ۱۸۵۷ تا پایان ۱۸۵۸ در نیویورک تریبون منتشر کرد، از جمله مقالاتی که اولین واکنش‌های خود را به عموم مردم بیان می‌کرد. در سال ۱۸۵۷ روزنامۀ آمریکایی اغلب سرمقاله‌های بدون امضا چاپ می‌کرد، اما تحقیق برای این جلد جدید MEGA2 امکان نسبت دادن دو مقالۀ دیگر به مارکس و همچنین پیوست چهار مقاله را که به‌طور اساسی توسط ویراستاران اصلاح شدند و سه مقالۀ دیگر که منشأ آن‌ها نامشخص باقی مانده‌است را ممکن ساخت.
مارکس به دلیل نیاز شدید به بهبود شرایط اقتصادی خود، به کمیتۀ تحریریه The New American Cyclopædia پیوست و موافقت کرد که تعدادی مقدمه برای این پروژه بنویسد (جلد I/16 شامل ۳۹ عدد از این قطعه‌هاست). اگرچه حق تألیف ۲ دلار برای هر صفحه بسیار کم بود، اما گهگاه به وضعیت مالی فاجعه‌بار او سروسامانی می‌داد. علاوه بر این، او بیشتر کار را به انگلس سپرد تا بتواند زمان بیشتری را به نوشته‌های اقتصادی خود اختصاص دهد.
کار مارکس در این دوره قابل‌توجه و گسترده بود. او در کنار تعهد روزنامه‎نگاری خود، از اوت ۱۸۵۷ تا مه ۱۸۵۸ هشت دفتر معروف به Grundrisse را پر کرد. اما او همچنین وظیفۀ سنگین مطالعۀ تحلیلی اولین بحران اقتصادی جهان را برعهده گرفت. جلد چهارم/۱۴، «کارل مارکس، Exzerpte، Zeitungsausschnitte und Notizen zur Weltwirtschaftskrise (Krisenhefte). نوامبر ۱۸۵۷ تا فوریه ۱۸۵۸»، قاطعانه به دانش ما در مورد یکی از پربارترین فواصل تولید نظری مارکس می‌افزاید. مارکس در نامه‌ای به انگلس در دسامبر ۱۸۵۷، اوج فعالیت خود را شرح داد:
من معمولاً تا ساعت ۴ صبح به‌شدت کار می‌کنم. من درگیر یک کار دوگانه هستم: ۱ـ تشریح خطوط کلی [Grundrisse] اقتصاد سیاسی. (به نفع عموم، بسیار ضروری است که موضوع را تا انتها بررسی کنیم، همان‌طور که برای خودم، به‌صورت فردی، رهایی از این کابوس ضروری است.) ۲ـ بحران کنونی. جدا از مقالات برای [نیویورک] تریبون، تنها کاری که انجام می‌دهم این است که سوابق آن را آرشیو می‌کنم، که البته زمان قابل‌توجهی را می‌گیرد. من فکر می‌کنم که در جایی در مورد بهار، ما باید با هم جزواتی در مورد این ماجرا تهیه کنیم تا به عموم مردم آلمان یادآوری کنیم که ما هنوز مثل همیشه آنجا هستیم و همیشه همین‌طور می‎مانیم.

بنابراین طرح کلی مارکس این بود که همزمان روی دو پروژه کار کند: کار نظری در نقد شیوۀ تولید سرمایه‌داری، و کتابی به‌شدت موضوعی‌تر در مورد فرازونشیب‌های بحران جاری. به همین دلیل است که مارکس بر خلاف جلدهای مشابه قبلی، به‌اصطلاح یادداشت‌های بحران، چکیده‌هایی از کار سایر اقتصاددانان جمع‌آوری نکرد، بلکه تعداد زیادی گزارش خبری در مورد سقوط بانک‌های بزرگ، تغییرات قیمت‌های بازار سهام، تغییرات در الگوهای تجارت، نرخ بیکاری و تولید صنعتی را دسته‌بندی می‌کرد. توجه ویژه‌ای که به این کار داشت، تحلیل او را از تحلیل بسیاری دیگر که بحرآن‌ها را منحصراً به اعطای اعتبار اشتباه و افزایش پدیده‌های سوداگرانه نسبت می‌دادند، متمایز کرد. مارکس یادداشت‌های خود را بین سه دفتر جداگانه تقسیم کرد. در اولین و کوتاه‌ترین مورد، با عنوان «فرانسه ۱۸۵۷»، او داده‌هایی را دربارۀ وضعیت تجارت فرانسه و اقدامات اصلی بانک فرانسه جمع‌آوری کرد. کتاب دوم، «کتاب بحران ۱۸۵۷» تقریباً دو برابر طولانی‌تر بود و عمدتاً به بریتانیا و بازار پول می‌پرداخت. مضامین مشابهی در دفترچۀ یادداشت سوم کمی طولانی‌تر، «کتابی در مورد بحران تجاری» که مارکس در آن داده‌ها و اخبار مربوط به روابط صنعتی، تولید مواد خام و بازار کار را شرح می داد، پرداخته شد.
کار مارکس مثل همیشه سخت‌گیرانه بود؛ او از بیش از دوازده مجله و روزنامه، به ترتیب زمانی، جالب‌ترین بخش‌های مقالات متعدد و هر اطلاعات دیگری را که می‌توانست برای خلاصه کردن اتفاقات استفاده کند، کپی می‌کرد. منبع اصلی او اکونومیست بود ـ هفته‌نامه‌ای که تقریباً نیمی از یادداشت‌هایش را از آن بیرون می‌کشید – اگرچه او همچنین اغلب با مورنینگ استار، منچستر گاردین و تایمز مشورت می‌کرد. تمام چکیده‌ها به زبان انگلیسی گردآوری شده‌است. مارکس در این یادداشت‌ها به رونویسی گزارش‌های خبری اصلی مربوط به ایالات متحده آمریکا و بریتانیا اکتفا نکرد. او همچنین مهم‌ترین رویدادها را در سایر کشورهای اروپایی ـ به‌ویژه فرانسه، آلمان، اتریش، ایتالیا و اسپانیا ـ دنبال کرد و به سایر نقاط جهان، به‌ویژه هند و چین، خاور دور، مصر و حتی برزیل و استرالیا علاقۀ شدیدی داشت.
با گذشت هفته‌ها، مارکس از ایدۀ انتشار کتابی دربارۀ بحران دست کشید و تمام انرژی خود را بر کار نظری خود، یعنی نقد اقتصاد سیاسی، متمرکز کرد، که به نظر او نمی‌توانست تأخیر بیشتری را از بین ببرد. با این حال، یادداشت‌های بحران در رد ایدۀ نادرست منافع اصلی مارکس در این دوره مفید هستند. او در نامه‌ای در اوایل سال ۱۸۵۸ به انگلس نوشت که «از نظر روشی» که برای کارش «منطق هگل» استفاده می‌کرد برای او بسیار مفید بود و افزود که می‌خواهد «جنبۀ عقلانی» آن را برجسته کند. بر این اساس، برخی از مفسرانِ آثار مارکس به این نتیجه رسیده‌اند که او هنگام نوشتن «گروندریسه» زمان قابل‌توجهی را صرف مطالعۀ فلسفۀ هگل کرده‌است. اما انتشار جلد ۱۴/۱۵ کاملاً روشن می‌کند که نگرانی اصلی او در آن زمان تحلیل تجربی رویدادهای مربوط به بحران بزرگ اقتصادی بود که مدت‌ها پیش‌بینی می‌کرد.
تلاش‌های خستگی‌ناپذیر مارکس برای تکمیل «نقد اقتصاد سیاسی» نیز مضمون اصلی جلد سوم/۱۲، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، بریف وچسل» است. ژانویه ۱۸۶۲ “bis September 1864″، که حاوی مکاتبات او از آغاز سال ۱۸۶۲ تا تأسیس انجمن بین‌المللی کارگران است، منتشر شد. از ۴۲۵ نامۀ باقی‌مانده، ۱۱۲ نامه تبادل بین انگلس و مارکس است، در‌ حالی که ۳۵ نامه به شخص سوم نوشته شده، و ۲۷۸ نامه دریافت شده‌است (۲۲۷ نامه از این گروه برای نخستین بار در اینجا منتشر می‌شود). گنجاندن این نامه‌ها ـ مهم‌ترین تفاوت با تمام نسخه‌های قبلی ـ گنجینه‌ای واقعی برای خوانندۀ علاقه‌مند دارای تعهدی سیاسی ایجاد می‌کند.
مانند سایر نسخه‌های مکاتبات MEGA²، این نسخه نیز با فهرستی از نامه‌هایی که مارکس و انگلس نوشته یا خطاب به آن‌ها نوشته‌اند، پایان می‌یابد که چیزی بیش از ردپایی بر وجودشان باقی نمانده‌است. این‌ها در مجموع به ۱۲۵ می‌رسد، تقریباً یک‌چهارمِ تعداد باقی‌مانده، و شامل ۵۷ نامۀ کاملاً نوشته‌شده توسط مارکس است. در این موارد، دقیق‌ترین محقق هم نمی‌تواند بیش از این دربارۀ فرضیه‌های حدسی مختلف به حدس و گمان بپردازد.
از جمله نکات کلیدی مورد بحث در نامه‌نگاری‌های مارکس از اوایل دهۀ ۱۸۶۰، جنگ داخلی آمریکا، شورش لهستان علیه اشغال روسیه، و تولد حزب سوسیال دموکرات آلمان با الهام از اصول فردیناند لاسال بود. با این حال، موضوعی که دائماً تکرار می‌شد تلاش او برای پیشرفت در نوشتن سرمایه بود.
در این دوره مارکس حوزۀ جدیدی از پژوهش را آغاز کرد: نظریه‌های ارزش افزوده. او در بیش از ده دفتر، رویکرد اقتصاددانان بزرگ پیش از خود را به‌دقت تشریح کرد؛ ایدۀ اصلی او این بود که «همۀ اقتصاددانان در اشتباه بررسی ارزش اضافی نه به این شکل، به شکل خالص، بلکه در اشکال خاص سود و رانت سهیم هستند». در همین حال، شرایط اقتصادی مارکس همچنان ناامیدکننده بود. در ژوئن ۱۸۶۲ او به انگلس نوشت: «همسرم هرروز آرزو می‌کند که ای کاش او و بچه‌ها در قبرشان سالم بودند، و من واقعاً نمی‌توانم او را به خاطر تحقیرها، عذاب‌ها و نگرانی‌هایی که باید در چنین شرایطی از سر بگذراند سرزنش کنم. یک وضعیت واقعاً غیر قابل توصیف است.» اوضاع به حدی بد بود که جِنی تصمیم گرفت چند کتاب از کتابخانۀ شخصی شوهرش بفروشد؛ اگرچه کسی را پیدا نکرد که بخواهد آن‌ها را بخرد. با وجود این، مارکس موفق شد سخت کار کند و یک یادداشت رضایتمندی را به انگلس ابراز کرد: «عجیب است که بگویم، مادۀ خاکستری من در میان فقر پیرامون، بهتر از سال‌های گذشته کار می‌کند.»
در ماه سپتامبر مارکس به انگلس نوشت که ممکن است «در سال جدید در دفتر راه‌آهن» شغلی پیدا کند. در ماه دسامبر او به دوستش لودویگ کوگلمن تکرار کرد که همه چیز آن‌قدر ناامیدکننده شده‌است که او «تصمیم گرفته‌است که مرد عمل شود»؛ اما هیچ چیزی از این ایده به دست نیامد. مارکس با کنایۀ معمولی خود گزارش داد: «خوشبختانه ـ یا شاید باید بگویم از بدشانسی؟ ـ به دلیل دست‌خط بدم این پست را دریافت نکردم.
مارکس همراه با فشارهای مالی از مشکلات جسمی بسیار رنج می‌برد. با وجود این، از تابستان ۱۸۶۳ تا دسامبر ۱۸۶۵، او دست به ویرایش بیشتر بخش‌های مختلفی زد که تصمیم به تقسیم سرمایه به آن‌ها داشت. در پایان، او موفق شد نخستین پیش‌نویسِ جلد اول را ترسیم کند. تنها نسخۀ خطی جلد سوم، که در آن او تنها گزارش خود را از روند کامل تولید سرمایه‌داری ارائه کرده‌ است، و یک نسخۀ اولیه از جلد دوم، که شامل نخستین ارائۀ کلی از روند گردش سرمایه بود.
جلد II/11 از MEGA²، “Karl Marx, Manuskripte zum zweiten Buch des “Sapitals” 1868 bis 1881″، شامل تمام دست‌نوشته‌های نهایی مربوط به جلد دوم سرمایه است که مارکس بین سال‌های ۱۸۶۸ و ۱۸۸۱ پیش‌نویس کرده‌است. ۹ جلد ازاین ده جلد پیشتر منتشر نشده بود. در اکتبر ۱۸۶۷ مارکس به سرمایه، جلد دوم بازگشت، اما دست‌وپنجه نرم کردن با بیماری، باعث وقفۀ ناگهانی دیگری شد. چند ماه بعد، زمانی که او توانست کار خود را از سر بگیرد، نزدیک به سه سال از آخرین نسخه‌ای که نوشته بود می‌گذشت. مارکس دو فصل اول را در طول بهار ۱۸۶۸ تکمیل کرد، علاوه‌بر گروهی از دست‌نوشته‌های مقدماتی ـ در مورد رابطه بین ارزش اضافی و نرخ سود، قانون نرخ سود، و دگردیسی سرمایه ـ که تا پایان سال او را مشغول کرد.

نسخۀ جدید فصل سوم در طول دو سال آینده تکمیل شد. جلد دوم/۱۱ با تعدادی از متون کوتاهی که مارکسِ سالخورده بین فوریۀ ۱۸۷۷ و بهار ۱۸۸۱ نوشته به پایان می‌رسد.
پیش‌نویس‌های سرمایه در جلد دوم، که ناکامل باقی مانده‌، تعدادی از مشکلات نظری را ارائه می‌کنند. با این حال، نسخۀ نهایی جلد دوم توسط انگلس در سال ۱۸۸۵ منتشر شد و اکنون در جلد II/13 MEGA² با عنوان «کارل مارکس، سرمایه‌دار» منتشر می‌شود.
مارکس سرانجام بخش دوم MEGA² را تکمیل می‌کند. این جلد که به دنبال II/4.1 و II/4.2 در مجموعۀ قبلی آمده‌است، شامل ۱۵ نسخۀ خطی منتشرنشده از پاییز ۱۸۶۷ تا پایان سال ۱۸۶۸ است. ۱۷ نسخه از این‌ها یادداشت‌های پراکنده از «سرمایه»/جلد ۳ هستند. این یادداشت‌ها شخصیتی بسیار پراکنده دارند و مارکس هرگز نتوانست آن‌ها را به گونه‌ای به‌روز کند که بازتاب‌دهندۀ پیشرفت تحقیقات او باشد. سه مورد دیگر مربوط به جلد دو است، در‎ حالی که پنج نسخۀ باقی‌مانده به مسائلی دربارۀ وابستگی متقابل میان جلدهای دو و سه می‌پردازند و شامل گزیده‌هایی از آثار آدام اسمیت و توماس مالتوس هستند. مورد دوم به‌ویژه برای اقتصاددانانی که به نظریۀ نرخ سود مارکس و ایده‌های او در مورد نظریۀ قیمت علاقه‌مندند، مجذوب‌کننده هستند. مطالعات زبان‌شناختی (فیلولوژیک) مربوط به تهیۀ این جلد همچنین نشان داده‌است که نسخۀ خطی اصلی سرمایه، جلد اول (که از «فصل ششم. نتایج فرآیند فوری تولید» تنها بخش باقی‌مانده در نظر گرفته می‌شد) در واقع به سال قبل بازمی‌گردد؛ دورۀ ۱۸۶۳ـ۱۸۶۴، و اینکه مارکس آن را برش داد و در نسخه‌ای که برای انتشار آماده کرده بود چسباند.
با انتشار MEGA2 جلد II/4.3، تمام متون جانبی مربوط به سرمایه در دسترس قرار گرفت: از «مقدمۀ» معروف، که در ژوئیه ۱۸۵۷ در یکی از مهم‌ترین سقوط‌ها در تاریخ سرمایه‌داری نوشته شد، تا آخرین قطعات، در بهار ۱۸۸۱ ساخته شده‌است. ما از ۱۵ جلد صحبت می‌کنیم به‌علاوۀ تعداد زیادی از قطعات حجیم یک دستگاه انتقادی مهیب برای متن اصلی است. آن‌ها شامل تمام نسخه‌های خطی اواخر دهۀ ۱۸۵۰ و اوایل دهۀ ۱۸۶۰، اولین نسخه از سرمایه منتشر شده در سال ۱۸۶۷ (بخش‌هایی از آن در نسخه‌های بعدی اصلاح می‌شود)، ترجمۀ فرانسوی بازبینی شده توسط مارکس که بین سال‌های ۱۸۷۲ و ۱۸۷۵ منتشر شد، و همه تغییراتی است که انگلس به نسخه‌های خطیِ جلد دو و سه افزود. در کنار این، مجموعه بستۀ کلاسیک سه جلد سرمایه به‌صورت مثبت به نظر می‌رسد. اغراق نیست اگر بگوییم فقط اکنون می‌توانیم خوبی‌ها، محدودیت‌ها و ناقص‌بودنِ کار بزرگ مارکس را کاملاً درک کنیم.
کار ویراستاری که انگلس پس از مرگ دوستش انجام داد تا قسمت‌های ناتمام سرمایه را برای انتشار آماده کند، بسیار پیچیده بود. نسخه‌های خطی، پیش‌نویس‌ها و قطعات مختلف جلدهای II و III که بین سال‌های ۱۸۶۴ و ۱۸۸۱ نوشته شده‌اند، تقریباً با ۲۳۵۰ صفحه از MEGA2 مطابقت دارند. انگلس جلد دوم را در سال ۱۸۸۵ و جلد سوم را در ۱۸۹۴ با موفقیت منتشر کرد. البته باید در نظر داشت که این دو جلد از بازسازی متون ناقص که اغلب از مواد ناهمگن تشکیل شده بودند، پدید آمدند. آن‌ها در بیش از یک دورۀ زمانی نوشته شده‌اند و بنابراین شامل نسخه‌های متفاوت و گاه متناقضی از ایده‌های مارکس می‌شوند.

۴. بین‌الملل، تحقیقات مارکس در پی سرمایه، و کارهای نهایی انگلس
مارکس بی‌درنگ پس از انتشار سرمایه، فعالیت مبارزاتی خود را از سر گرفت و به کار انجمن بین‌المللی کارگران متعهد شد. این مرحله در زندگینامۀ سیاسی او در جلد. I/21، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Werke، Artikel، Entwürfe. سپتامبر ۱۸۶۷ bis März 1871، که شامل بیش از ۱۵۰ متن و سند برای دورۀ ۱۸۶۷ـ۱۸۷۱، و همچنین صورت‌جلسۀ ۱۶۹ جلسۀ شورای عمومی در لندن (حذف شده از تمام نسخه‌های قبلی آثار مارکس و انگلس) است، که مارکس در آن مداخله کرد. به این ترتیب، مواد تحقیقاتی را برای سال‌های حیاتی در زندگی بین‌المللی فراهم می‌کند.
درست از همان روزهای نخست، در سال ۱۸۶۴، ایده‌های پرودون در فرانسه، سوئیس فرانسوی زبان و بلژیک هژمونیک بود و «متقابل‌گراها» ـ نامی که پیروان او با آن شناخته می‌شدند ـ معتدل‌ترین جناح «بین‌الملل» بودند. آن‌ها که قاطعانه با مداخلۀ دولت در هر زمینه‌ای مخالف بودند، با اجتماعی شدن زمین و ابزار تولید و همچنین هرگونه استفاده از سلاح ضربتی مخالف بودند. متن‌های منتشر شده در این جلد نشان می‌دهد که چگونه مارکس نقش کلیدی در مبارزۀ طولانی برای کاهش نفوذ پرودون در بین‌الملل ایفا کرد. آن‌ها شامل اسناد مربوط به آماده‌سازی کنگره‌های بروکسل (۱۸۶۸) و بازل (۱۸۶۹) می‌شوند، جایی که انترناسیونال اولین اظهارات واضح خود را در مورد اجتماعی‌سازیِ ابزار تولید توسط مقامات دولتی و به نفع حقِ القای افراد بیان کرد. مالکیت زمین یک پیروزی مهم برای مارکس و به منزلۀ ظهور نخستین اصول سوسیالیستی در برنامۀ سیاسی یک سازمان بزرگ کارگری بود.
فراتر از برنامۀ سیاسی انجمن بین‌المللی کارگران، اواخر دهۀ ۱۸۶۰ و اوایل دهۀ ۱۸۷۰ سرشار از درگیری‌های اجتماعی بود. بسیاری از کارگرانی که در تظاهرات اعتراضی شرکت کردند، تصمیم گرفتند با بین‌الملل که آوازه‌اش روز به روز گسترش می‌یافت، ارتباط برقرار کنند و از آن بخواهند که از مبارزاتشان حمایت کند. این دوره همچنین شاهد تولد بخش‌هایی از کارگران ایرلندی در انگلستان بود. مارکس نگران شکافی بود که ناسیونالیسم خشن در صفوف پرولتاریا ایجاد کرده بود و در سندی که به «ارتباطات محرمانه» معروف شد، تأکید کرد که «بورژوازی انگلیسی نه تنها دست به بدبخت ماندن ایرلندی برای پایین نگه داشتن طبقۀ کارگر در انگلستان با مهاجرت اجباری ایرلندی‌های فقیر زده‌است، همچنین ثابت کرده بود که می‌تواند کارگران را به دو اردوگاه متخاصم تقسیم کند.» به نظر او، ملتی که ملت دیگر را با زنجیرش به بردگی می‌کشد، از مبارزۀ طبقاتی، از چنین موضوع تعیین‌کننده‌ای نمی‌تواند فرار کند. یکی دیگر از موضوعات اصلی این جلد، که در نوشته‌های انگلس برای روزنامۀ پال مال با توجه خاص به آن پرداخته شد، مخالفت با جنگ فرانسه و پروس در سال‌های ۱۸۷۰ـ۱۸۷۱ بود.
کار مارکس در انجمن بین‌المللی کارگران از سال ۱۸۶۴ تا ۱۸۷۲ ادامه یافت و جلد جدید IV/18، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Exzerpte und Notizen». فوریه ۱۸۶۴ bis Oktober 1868، نوامبر ۱۸۶۹، März، آوریل، ژوئن ۱۸۷۰، دسامبر ۱۸۷۲» بخش ناشناختۀ مطالعاتی را که او در آن سال‌ها انجام داده‌است، ارائه می‌دهد. تحقیقات مارکس یا نزدیک به چاپ جلد اول سرمایه یا بعد از ۱۸۶۷، زمانی که او جلد دو و سه را برای چاپ آماده می‌کرد، انجام شد. این مجلد MEGA² شامل پنج کتاب گزیده و چهار دفتر است که خلاصه‌ای از بیش از صد اثر منتشرشده، گزارش‌های مناظرات پارلمانی و مقالات روزنامه‌نگاری در خود گنجانده‌است. عمده‌ترین و از لحاظ نظری مهم‌ترین بخش این مواد شامل تحقیقات مارکس در زمینۀ کشاورزی است که علایق اصلی او در اینجا اجارۀ زمین، علوم طبیعی، شرایط کشاورزی در کشورهای مختلف اروپایی و ایالات متحده، روسیه، ژاپن و هند و سیستم‌های مالکیتِ زمین در جوامعِ پیشاسرمایه‌داری است.
مارکس با دقت کتاب شیمی کاربردی در کشاورزی و فیزیولوژی (۱۸۴۳) را خواند؛ اثری از دانشمند آلمانی یوستوس فون لیبیگ که به نظر او مهم می‌آمد، زیرا به او اجازه داد تا باور قبلی خود را تغییر دهد که اکتشافات علمی کشاورزی مدرن مشکل پر کردن خاک را حل کرده‌است. از آن زمان به بعد، او علاقۀ شدیدی به آنچه ما امروز «اکولوژی» (بوم‌شناسی) می‌نامیم، به‌ویژه فرسایش خاک و جنگل‌زدایی پیدا کرد. در میان کتاب‌های دیگری که مارکس را در این دوره بسیار تحت تأثیر قرار داد، باید جایگاه ویژه‌ای را به مقدمۀ تاریخ تأسیس مارک آلمان، مزرعه، روستا، شهر و اقتدار عمومی (۱۸۵۴) توسط نظریه‌پرداز سیاسی و مورخ حقوقی، گئورگ لودویگ فون ماورِر، اختصاص داد. وی در نامه‌ای به انگلس گفت که کتاب‌های ماورر را بسیار قابل توجه یافته‌است، زیرا نه تنها در عصر بدَوی، بلکه در کلّ توسعۀ آیندۀ شهرهای امپراتوری آزاد و صاحبان املاک دارای مصونیت از اقتدار عمومی و مبارزۀ بین دهقانان رایگان و رعیت، کاملاً راه متفاوتی در پیش شده‌است.

مارکس همچنین اثبات ماورر را تأیید کرد که مالکیت خصوصی در زمین متعلق به یک دورۀ تاریخی دقیق است و نمی‌تواند به‌عنوان یک ویژگی طبیعی تمدن بشری در نظر گرفته شود. سرانجام مارکس سه اثر آلمانی کارل فراس را به‌طور عمیق مطالعه کرد؛ آب و هوا و جهان سبزیجات در طول قرون، تاریخ هر دو (۱۸۴۷)، تاریخ کشاورزی (۱۸۵۲) و طبیعت کشاورزی (۱۸۵۷). او نخستین مورد از این موارد را بسیار جالب یافت، به‌ویژه با قدردانی از بخشی که در آن فراس نشان داد که «آب و هوا و گیاهان در دوران تاریخی تغییر می کنند». او نویسنده را پیش از داروین یک داروینیست خواند که اعتراف کرده «حتی گونه‌ها در دوران تاریخی در حال رشد بوده‌اند». مارکس همچنین تحت تأثیر ملاحظات بوم‌شناختی فراس و نگرانی‌های او قرار گرفت که «تزکیه ـ وقتی در رشد طبیعی پیش می‌رود و آگاهانه کنترل نمی‌شود (به‌عنوان یک بورژوا طبیعتاً به این نقطه نمی‌رسد) ـ بیابان‌هایی را پشت سر می‌گذارد». مارکس می‌توانست در همۀ این‌ها یک «گرایش سوسیالیستی ناخودآگاه» را تمییز دهد.
پس از انتشار به‌اصطلاح یادداشت‌های کشاورزی، می‌توان با شواهد بیشتری نسبت به قبل استدلال کرد که اگر مارکس انرژی لازم برای تکمیل دو جلد آخر سرمایه را داشت، ممکن بود بوم‌شناسی نقش بسیار بیشتری در تفکر این فیلسوف بزرگ ایفا می‌کرد. البته نقد بوم‌شناختی مارکس، از نظر هدف، ضد سرمایه‌داری بود و فراتر از امیدها، او در پیشرفت علمی قرار داشت و شیوۀ تولید را در کل زیر سؤال برد.
مقیاس مطالعات مارکس در علوم طبیعی از زمان انتشار جلد ۴/۲۶، «Karl Marx, Exzerpte und Notizen zur Geologie, Mineralogie und Agrikulturchemie» März bis سپتامبر ۱۸۷۸ کاملاً آشکار شد. در بهار و تابستان ۱۸۷۸، زمین‌شناسی، کانی‌شناسی، و شیمی کشاورزی بیش‌تر از اقتصاد سیاسی در مطالعات مارکس محور بودند. او بین ژوئن تا اوایل سپتامبر چکیده‌هایی از تعدادی کتاب، از جمله تاریخ طبیعی مواد خام تجارت (۱۸۷۲) نوشتۀ جان ییتس، کتاب طبیعت (۱۸۴۸) اثر شیمیدان فردریش شودلر و عناصر شیمی کشاورزی و زمین شناسی (۱۸۵۶) نوشتۀ جیمز جانستون، شیمیدان و کانی‌شناس، را آماده کرد. همچنین مارکس با کتاب راهنمای زمین‌شناسی دانش‌آموزی جوزف جوکس (۱۸۵۷) دست‌وپنجه نرم می‌کرد که بیشترین تعداد چکیده‌ها را از آن رونویسی کرد. تمرکز اصلی این سؤالات روش‌شناسی علمی، مراحل توسعۀ زمین‌شناسی به‌عنوان یک رشته و سودمندی آن برای تولید صنعتی و کشاورزی است.
چنین بینش‌هایی در مارکس نیاز به توسعۀ ایده‌هایش در مورد سود را بیدار کرد، زیرا او آخرین بار در اواسط دهۀ ۱۸۶۰، زمانی که پیش‌نویس بخش «تبدیل سود مازاد به رانت زمینی» سرمایه را نوشت، به‌شدت خود را با آن مشغول کرده بود. هدف برخی از خلاصه‌های متون طبیعی ـ علمی، روشن‌تر کردن مطالبی بود که او مطالعه می‌کرد. اما گزیده‌های دیگری که بیشتر به جنبه‌های نظری مربوط می‌شدند، قرار بود در تکمیل جلد سوم استفاده شوند. انگلس بعداً یادآور شد که مارکس «(…) ماقبل تاریخ، زراعت، زمین شناسی روسیه و آمریکا، زمین شناسی و غیره را به‌طور خاص، تا حدی (…) که قبلاً هرگز تلاش نکرده بود، بخش مربوط به اجارۀ زمین در جلد سوم را بررسی کرد؛ سرمایه، پایتخت».
این نسخه‌های MEGA2 از اهمیت بیشتری برخوردارند، زیرا در خدمت بی‌اعتبار کردن این افسانه هستند که در تعدادی از زندگی‌نامه‌ها و مطالعات دربارۀ مارکس تکرار شده‌است؛ این تکرارها مبتنی بر این است که او پس از سرمایه کنجکاوی فکری خود را ارضا و مطالعه و تحقیق جدید را کاملاً رها کرده‌است.
در نهایت، سه کتاب MEGA² منتشرشده در دهۀ گذشته مربوط به انگلس است. جلد اول/۳۰، «فریدریش انگلس، ورک، آرتیکل، انتورفه مای ۱۸۸۳ با سپتامبر ۱۸۸۶» شامل ۴۳ متن است که او در سه سال پس از مرگ مارکس نوشت. از میان ۲۹ مورد از مهم‌ترین آن‌ها، ۱۷ مورد مقالات روزنامه‌نگاری است که در برخی از روزنامه‌های اصلیِ طبقۀ کارگر اروپا منتشر شده‌است. زیرا گرچه در این دوره او عمدتاً در ویراستاری دست‌نوشته‌های ناقصِ کاپیتال مارکس غرق شده بود، اما انگلس از مداخله در یک سری مسائل سیاسی و نظری غافل نشد. او همچنین یک اثر جدلی ارائه کرد که هدفش تجدید حیات ایده‌آلیسم در محافل دانشگاهی آلمان بود: لودویگ فویرباخ و پایان فلسفه کلاسیک آلمان (۱۸۸۶). ۱۴ متن دیگر که به‌عنوان ضمیمه در این مجلد MEGA2 منتشر شده‌است، برخی از ترجمه های خود انگلس و مجموعه‌ای از مقالات هستند که توسط سایر نویسندگانی که از همکاری او بهره برده‌اند امضا شده‌اند.
MEGA² همچنین مجموعۀ جدیدی از نامه‌نگاری‌های انگلس را منتشر کرده‌است. جلد سوم/۳۰، «فریدریش انگلس، بریف وچسل اکتبر ۱۸۸۹ با نوامبر ۱۸۹۰»، شامل ۴۰۶ نامۀ بازمانده از مجموع ۵۰۰ نامه یا بیشتر است که او بین اکتبر ۱۸۸۹ و نوامبر ۱۸۹۰ نوشته‌است. گزارشگران این امکان را فراهم می‌کنند که به‌طور عمیق‌تری از سهمی که انگلس در رشد احزاب کارگریِ آلمان، فرانسه و بریتانیا در مورد طیفی از مسائل نظری و سازمانی ایفا کرد، قدردانی کنیم. برخی از موارد مورد بحث مربوط به تولد و بسیاری از بحث‌های جاری در انترناسیونال دوم است که کنگرۀ مؤسس آن در ۱۴ ژوئیه ۱۸۸۹ برگزار شد.
سرانجام جلد اول/۳۲، «فریدریش انگلس، ورک، آرتیکل، انتورفه مرز ۱۸۹۱ با اوت ۱۸۹۵»، نوشته‌های چهار سال و نیمِ پایانیِ زندگی انگلس را گرد هم می‌آورد. تعدادی مقالۀ ژورنالیستی برای روزنامه‌های سوسیالیستیِ عمدۀ آن زمان، از جمله Die Neue Zeit، Le Socialiste، و Critica Sociale وجود دارد؛ همچنین مقدمه‌ها و پس‌گفتارهایی برای تجدید چاپ‌های مختلف از آثار مارکس و انگلس، رونویسی از سخنرانی‌ها، مصاحبه‌ها و خوشامدگویی به کنگره‌های حزب، گزارش گفتگوها، اسنادی که انگلس با همکاری دیگران تهیه کرد و تعدادی ترجمه در آن دیده می‌شود.
بنابراین، این سه جلد برای مطالعۀ عمیق‌تر مشارکت‌های نظری و سیاسی انگلس بسیار مفید خواهد بود. انتشارات و کنفرانس‌های بین‌المللی متعددی که برای دویستمین سالگرد تولد او (۱۸۲۰ ـ ۲۰۲۰) برنامه‌ریزی شده‌اند، مطمئناً در بررسی این دوازده سال پس از مرگ مارکس، که در طی آن او انرژی خود را وقف انتشار مارکسیسم کرد، کوتاهی نخواهد کرد.

۵. مارکسی دیگر؟

مارکس از ویرایش تاریخی ـ انتقادی جدید آثارش به چه چیزی دست می‌یابد؟ او از جهاتی با متفکری که بسیاری از پیروان و مخالفانش در طول سال‌ها ارائه کرده‌اند متفاوت است؛ نه از مجسمه‌های سنگی که در میادین عمومی تحت رژیم‌های غیرآزاد اروپای شرقی یافت می‌شوند، که به او نشان می‌دهد که با اطمینان کامل به آینده اشاره می‌کند. از سوی دیگر، گمراه کننده خواهد بود ـ مانند کسانی که پس از اولین بار ظاهرشدن هر متن جدید، از یک «مارکس ناشناخته» بسیار هیجان‌زده استقبال می‌کنند ـ که تحقیقات اخیر همۀ چیزهایی را که پیشتر در مورد او شناخته شده بود را وارونه کرده‌است. آنچه که MEGA2 ارائه می‌کند، پایۀ متنی برای بازاندیشی مارکسِ متفاوت است؛ متفاوت نیست، زیرا مبارزۀ طبقاتی از اندیشۀ او خارج می‌شود (همان‌طور که برخی از دانشگاهیان می‌خواهند، در گونه‌ای از عبارت قدیمی «مارکس اقتصاددان» در برابر «مارکس سیاستمدار»ی که بیهوده به دنبال معرفی او به‌عنوان یک کلاسیک بی‌دندان است). اما کاملاً متفاوت از نویسنده‌ای است که به‌طور جزمی به سوسیالیسم واقعی موجود (fons et origo) تبدیل شده بود که ظاهراً تنها بر تضاد طبقاتی متمرکز بود.
پیشرفت‌های جدیدی که در مطالعات مارکسیستی به‌دست آمده‌است نشان می‌دهد که تفسیر آثار مارکس دوباره، مانند بسیاری از زمان‌های دیگر در گذشته، احتمالاً بیشتر و بیشتر اصلاح می‌شود. برای مدت طولانی، بسیاری از مارکسیست‌ها نوشته‌های مارکس جوان را پیش‌زمینه می‌کردند ـ در درجۀ اول دست‌نوشته‌های اقتصادی و فلسفی ۱۸۴۴ و ایدئولوژی آلمانی ـ در حالی که مانیفست حزب کمونیست پرخواننده‌ترین و نقل‌قول‌ترین متن او باقی ماند. با این حال، در آن نوشته‌های اولیه، ایده‌های بسیاری می‌بینید که در آثار بعدی او جایگزین شده‌اند. در بلندمدت، دشواری بررسی تحقیقات مارکس در دو دهۀ پایانی زندگی‌اش، دانش ما را از دستاوردهای مهمی که او به‌دست آورد، با مشکل روبرو کرد. اما بیش از هر چیز در سرمایه و پیش‌نویس‌های اولیه‌اش و همچنین در تحقیقات سال‌های پایانی اوست که ارزشمندترین تأملات را در نقد جامعۀ بورژوایی می‌یابیم. این‌ها آخرین نتیجه‌گیری‌هایی هستند که مارکس به آن رسید، هرچند نه قطعی. اگر با توجه به تغییرات جهان پس از مرگ او به‌طور انتقادی بررسی شود، ممکن است پس از شکست‌های قرن بیستم، برای نظریه‌پردازیِ یک مدل اجتماعی ـ اقتصادی جایگزین سرمایه‌داری، همچنان مفید باشد.
نسخۀ MEGA2 همۀ این ادعاها را به‌دروغ گفته است که مارکس آن متفکری است که ما همه چیز دربارۀ او نوشته‌ایم و گفته‌ایم. هنوز چیزهای زیادی برای یادگیری از مارکس وجود دارد. امروزه می‌توان این کار را نه تنها با مطالعۀ آنچه که او در آثار منتشرشدۀ خود آورده، بلکه پرسش‌ها و شبهات موجود در دست‌نوشته‌های ناتمام او نیز انجام داد.

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150 años de El capital francés

‘Le Capital’ representó la primera puerta de acceso a la obra de Marx para lectores de varios países.
En febrero de 1867, después de más de dos décadas de trabajo hercúleo, Marx finalmente pudo darle a su amigo Friedrich Engels la tan esperada noticia de que había terminado la primera parte de su crítica a la economía política. Posteriormente, Marx viajó de Londres a Hamburgo para entregar el manuscrito del Volumen I (“El proceso de producción del capital”) de su magnum opus y, de acuerdo con su editor Otto Meissner, se decidió que El Capital se presentaría en tres partes. Rebosante de satisfacción, Marx escribió que la publicación de su libro era, “sin duda, el misil más terrible que se haya lanzado hasta ahora contra las cabezas de la burguesía”.

A pesar del largo trabajo de redacción antes de 1867, la estructura de El Capital se ampliaría considerablemente en los años siguientes, y el Volumen I también continuó absorbiendo energías significativas por parte de Marx, incluso después de su publicación. Uno de los ejemplos más evidentes de este compromiso fue la traducción francesa de El Capital publicada en 44 entregas entre 1872 y 1875. Este volumen no era una mera traducción, sino una versión ‘totalmente revisada por el autor’ en la que Marx también profundizó el apartado sobre el proceso de acumulación del capital, y desarrolló mejor sus ideas sobre la distinción entre ‘concentración’ y ‘centralización’ del capital.

Además, al revisar la traducción, Marx decidió introducir algunas adiciones y modificaciones. En la posdata de Le Capital, no dudó en atribuirle “un valor científico independiente del original” y afirmó que la nueva versión “debería ser consultada incluso por lectores familiarizados con el libro en alemán”. El punto más interesante, especialmente por su valor político, se refiere a la tendencia histórica de la producción capitalista. Si en la edición anterior de El Capital Marx había escrito que “el país más desarrollado industrialmente se limita a mostrar a los menos desarrollados la imagen de su propio futuro”, en la versión francesa las palabras en cursiva fueron sustituidas por “a los que les siguen en el ascenso de la escala de la industrialización”. Esta aclaración limitó la tendencia del desarrollo capitalista exclusivamente a los países occidentales que ya estaban industrializados.

Ahora era plenamente consciente de que el esquema de progresión lineal a través de los “modos de producción asiático, antiguo, feudal y el moderno modo de producción burgués”, que había perfilado en el Prefacio a Una contribución a la crítica de la economía política, en 1859, era inadecuado para comprender el movimiento de la historia y que, en efecto, era aconsejable alejarse de cualquier filosofía de la historia. No vio el desarrollo histórico en términos de un progreso lineal inquebrantable hacia un fin predefinido. La concepción multilineal más pronunciada que Marx desarrolló en sus últimos años lo llevó a mirar aún más atentamente las especificidades históricas y la desigualdad del desarrollo político y económico en diferentes países y contextos sociales. Este enfoque ciertamente incrementó las dificultades a las que se enfrentó en el ya accidentado curso de completar el segundo y tercer volumen de El Capital. En la última década de su vida, Marx emprendió investigaciones exhaustivas de sociedades fuera de Europa y se expresó sin ambigüedades contra los estragos del colonialismo. Es un error sugerir lo contrario. Marx criticó a los pensadores que, al tiempo que destacaban las consecuencias destructivas del colonialismo, utilizaban categorías propias del contexto europeo en su análisis de las áreas periféricas del globo. Advirtió varias veces contra aquellos incapaces de observar las distinciones necesarias entre los fenómenos y, especialmente después de sus avances teóricos en la década de 1870, desconfiaba mucho a la hora de transferir categorías interpretativas a campos históricos o geográficos completamente diferentes. Todo esto es más claro gracias a Le Capital.

En una carta de 1878, en la que Marx sopesaba los aspectos positivos y negativos de la edición francesa, le escribió a Danielson que contenía “muchos cambios y adiciones importantes”, pero que “también se había visto obligado a veces —principalmente en el primer capítulo— a simplificar el asunto”. Engels era de esta opinión y no incluyó todos los cambios hechos por Marx en la cuarta edición alemana de El Capital que publicó en 1890, siete años después de la muerte de Marx.

Le Capital tuvo una importancia considerable para la difusión de la obra de Marx en todo el mundo. Se utilizó para la traducción de muchos extractos a varios idiomas, el primero en inglés, por ejemplo. De manera más general, Le Capital representó la primera puerta de acceso a la obra de Marx para lectores de varios países. La primera traducción al italiano —publicada entre 1882 y 1884— se hizo directamente de la edición francesa, al igual que la traducción aparecida en Grecia, en 1927. En el caso del español, Le Capital permitió sacar algunas ediciones parciales y dos traducciones completas: una en Madrid, en 1967, y otra en Buenos Aires, en 1973. Dado que el francés era más conocido que el alemán, fue gracias a esta versión que la crítica de la economía política de Marx pudo llegar a muchos países de Hispanoamérica más rápidamente. Casi lo mismo ocurría con los países de habla portuguesa. En el mismo Portugal, El Capital circuló solo a través de la pequeña cantidad de copias disponibles en francés, hasta que apareció una versión abreviada en portugués poco antes de la caída de la dictadura de Salazar. En general, a los activistas políticos e investigadores tanto en Portugal como en Brasil les resultó más fácil acercarse a la obra de Marx a través de la traducción al francés que la original. Las pocas copias que llegaron a los países africanos de habla portuguesa también estaban en ese idioma.

El colonialismo también dio forma en parte a los mecanismos por los cuales El Capital estuvo disponible en el mundo árabe. Mientras que en Egipto e Irak fue el inglés el idioma que más se utilizó en la difusión de la cultura europea, la edición francesa desempeñó un papel más destacado en otros lugares, especialmente en Argelia, que en la década de 1960 fue un centro importante para facilitar la circulación de ideas marxistas en los “países no alineados”. La importancia de Le Capital se extendió también a Asia, como lo demuestra el hecho de que la primera traducción vietnamita del Volumen I, publicado entre 1959 y 1960, se realizó a partir de la edición francesa.

Esta, además de ser consultada a menudo por traductores de todo el mundo y ser cotejada con la edición de 1890 publicada por Engels, que se convirtió en la versión estándar de Das Kapital, la traducción francesa ha servido de base para traducciones completas de El Capital a ocho idiomas. Ciento cincuenta años después de su primera publicación, continúa siendo una fuente de debate estimulante entre académicos y activistas interesados en la crítica de Marx al capitalismo.
En una carta a su antiguo camarada Friedrich Adolph Sorge, el propio Marx comentó que con Le Capital había “consumido tanto [de su] tiempo que no volvería a colaborar de ninguna manera en una traducción”. Eso es exactamente lo que sucedió. El esfuerzo y las molestias necesarios para producir la mejor versión francesa posible fueron realmente notables. Pero podemos decir que fueron bien recompensados. Le Capital ha tenido una circulación significativa, y los añadidos y cambios realizados por Marx, durante la revisión de su traducción, contribuyeron a la dimensión anticolonial y universal de El Capital que está siendo ampliamente reconocida hoy en día gracias a algunas de las más novedosas y perspicaces contribuciones en los estudios de Marx.

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إختَرنا لكُم | اقرأوا كارل ماركس : محادثة مع إيمانويل والرستاين

نقدم لكم هذه المحادثة بين مارشيللو موستو هو أستاذ علم الاجتماع بجامعة يورك في تورونتو بكندا وإيمانويل والرستاين  أحد أهم علماء الاجتماع، وواحد من روّاد نظرية النظم العالمية.

ترجمة إبراهيم يونس باحث ماجستير في علم الاجتماع بجامعة الإسكندرية.

على مر ثلاثة عقود مضت، انفردت السياسات والأيديولوجيا الليبرالية الجديدة بالمسرح العالمي. وبالرغم من ذلك، حثَّت الأزمة الاقتصادية لعام 2008 وعدم المساواة العميقة التي وجدت في مجتمعنا، خاصة بين الشمال والجنوب العالميين، والتغيرات الدراماتيكية البيئية المعاصرة، العديد من المفكرين والمحللين الاقتصاديين والسياسيين إلى إعادة فتح النقاش عن مستقبل الرأسمالية والحاجة إلى بديل. وفي هذا السياق، تقريباً في جميع أنحاء العالم، في مناسبة الاحتفالية المئوية الثانية بمولد كارل ماركس، فإن هناك ’عودة ماركس‘؛ عودة إلى مؤلف رُبِط خطئاً بالدوغمائية الماركسية اللينينية، ومن ثم وضع على الرف بسرعة بعد سقوط جدار برلين.

العودة إلى ماركس ليست فقط ضرورية لفهم منطق وديناميكيات الرأسمالية، فعمله يعد أيضاً أداة توفر لنا فحص صارم يعالج التجارب الاجتماعية الاقتصادية السابقة التي فشلت في إحلال نمطاً إنتاجياً آخر محل الرأسمالية. إن تفسير هذه الإخفاقات لبالغ الأهمية لبحثنا المعاصر عن البدائل.

***

مارشيللو موستو: أستاذ والرشتاين، تستمر المنشورات والنقاشات والمؤتمرات حول العالم، بعد ثلاثين عاماً من انتهاء ما سُمّي ’الاشتراكية القائمة بالفعل‘، عن القدرة المستمرة لكارل ماركس على تفسير الحاضر. هل يُعد ذلك مفاجئاً؟ أم تعتقد أن أفكار ماركس ستستمر أهميتها بالنسبة إلى أولئك الباحثين عن بديل للرأسمالية؟

إيمانويل والرستاين: هناك قصة قديمة عن ماركس؛ تُلقيه من الباب الأمامي، فيتسلل إليك من النافذة الخلفية. هذا ما حدث مجدداً. إن ماركس راهنٌ لأنه علينا أن نتعامل مع مسائل ما يزال لديه الكثير ليقوله عنها، ولأن ما يقوله عن الرأسمالية يختلف عما يقوله معظم المؤلفين الآخرين. إن العديد من الكتاب والمفكرين، وليس أنا فقط، يجدون أن ماركس مفيدٌ بشكل كبير، وأنه الآن في واحدة من حقبه الشعبية الجديدة، بصرف النظر عما جرى توقعه عام 1989.

مارشيللو موستو: أدى سقوط جدار برلين إلى تحرير ماركس من أيديولوجيا ذات علاقة ضعيفة بمفهومه عن المجتمع، فقد ساعدت الأرضية السياسية التي تلت الانفجار الداخلي في الإتحاد السوفياتي في تحرير ماركس من دورٍ ’صوريّ‘ في جهاز الدولة. فماذا عن تفسير ماركس للعالم الذي يستمر في جذب الانتباه؟

إيمانويل والرستاين: أعتقد أنه عندما يفكر الناس في تفسير ماركس للعالم في مفهوم معين، فهم يفكرون في ’الصراع الطبقي‘. عندما أقرأ ماركس في ضوء الأحداث الراهنة، فإن الصراع الطبقي بالنسبة لي يعني النضال لما أسميه ’اليسار العالمي‘ – والذي أعتقد أنه يسعى إلى تمثيل 80% من سكان العالم وفقاً للدخل – ضد ’اليمين العالمي‘ الذي يمثل تقريباً 1% من السكان. يدور الصراع حول الـ 19% المتبقية، إنه عن كيفية جذبهم إلى الانضمام لجانبك بدلاً من الجانب الآخر. نحن نعيش في عصر الأزمات البنيوية للنظام العالمي، ولن يستطيع النظام الرأسمالي القائم أن ينجو، لكن لا أحد يستطيع أن يعرف بالتأكيد ما الذي سيحل محله.

أنا مقتنعٌ بأن هناك إمكانيتان؛ أولاهما ما أطلق عليه ’روح دافوس‘، المنتدى الاقتصادي العالمي الذي يهدف لإقامة نظام يحافظ على أسوء سمات الرأسمالية؛ الهرمية الاجتماعية والاستغلال، وفوق كل ذلك استقطاب الثروة. يجب أن يكون البديل نظاماً أكثر ديمقراطية ومساواة. إن الصراع الطبقي هو المحاولة الأساسية للتأثير على مستقبل ما سيحل محل الرأسمالية.

مارشيللو موستو: إن إشارتك عن الطبقة الوسطى تذكرني بفكرة أنطونيو جرامشي عن الهيمنة، لكني أعتقد أن الموضوع أيضاً عن فهم كيفية تحفيز جماهير الناس، الـ 80% الذين ذكرتهم، ليشاركوا في السياسة. هذا تحديداً مُلِح فيما يسمى الجنوب العالمي، حيث يتركز معظم سكان العالم، وحيث أصبحت الحركات التقدمية، في العقود الماضية، وبصرف النظر عن الزيادة الدراماتيكية للامساواة الناتجة عن الرأسمالية، أكثر ضعفاً عما كانت عليه مسبقاً. ونحن نشهد، بالمثل، وبشكل متزايد، تصاعد هذه الظاهرة في أوروبا.

السؤال هو: هل يساعدنا ماركس في فهم هذا السيناريو الجديد؟ فالدراسات المنشورة حديثاً عرضت تفسيرات جديدة لماركس قد تساهم في فتح ’نوافذ خلفية‘ في المستقبل وفق تعبيرك. إنها تكشف عن مؤلف أمدَّ فحصه لتناقضات المجتمع الرأسمالي إلى مجالات أخرى فيما هو أبعد من الصراع بين رأس المال والعمل. في الحقيقة، كرَّس ماركس الكثير من وقته لدراسة المجتمعات غير الأوروبية ودور الاستعمار المدمر في أطراف الرأسمالية. في الأساس، وعلى العكس من التفسيرات التي تعادل مفهوم ماركس عن الاشتراكية بتطوير القوى المنتجة.

فقد ظهر الاهتمام بالبيئة بشكل بارز في أعماله. وأخيراً، كان ماركس مهتماً بشكل واسع بمواضيع أخرى مختلفة، عادة ما يتجاهلها المفكرون عندما يتحدثون عنه، ومن بينها إمكانات التكنولوجيا، ونقد القومية، والبحث عن أشكال لملكية جماعية لا تتحكم فيها الدولة والحاجة إلى الحرية الفردية؛ كل القضايا الأساسية لعصرنا. لكن بجانب هذه الوجوه الجديدة لماركس، التي تجدد الاهتمام بفكره، وتعد ظاهرة تبدو متجهة للاستمرار في السنوات القادمة، هل يمكنك الإشارة إلى ثلاثة أفكار معروفة لماركس تعتقد أنها تستحق أن يُعاد النظر فيها اليوم؟

إيمانويل والرستاين: أولاً وقبل أي شيء، فسَّر لنا ماركس، أفضل من أي شخص آخر، أن الرأسمالية ليست الطريقة الطبيعية لتنظيم المجتمع. ففي كتابه ’’بؤس الفلسفة‘‘ الذي نشر وهو ما يزال في التاسعة والعشرين من عمره، سَخَر بالفعل من الاقتصاديين السياسيين الذين جادلوا بأن العلاقات الرأسمالية “قوانين طبيعية مستقلة عن تأثير الزمن”، وكتب ماركس أن بالنسبة إليهم “نعرف أن ثمَّة ’تاريخ‘ حين نجد في مؤسسات الإقطاع علاقات إنتاج مختلفة تماماً عن تلك لدى المجتمع البرجوازي”، لكنهم لم يطبقوا التاريخ على نمط الانتاج الذي أيدوه؛ لقد قدموا الرأسمالية على أنها ’طبيعية‘ و ’أبدية‘.

حاولت في كتابي ’’الرأسمالية التاريخية‘‘ توضيح أن الرأسمالية هي ما حدث تاريخياً، على النقيض من الأفكار الخاطئة وغير الواضحة التي يعتنقها عدة اقتصاديين سياسيين من التيار السائد. وجادلت عدة مرات بأنه لا توجد رأسمالية ليست تاريخية، إن الأمر بهذه البساطة بالنسبة لي، ونحن ندين بهذا الصدد بالكثير لماركس. ثانياً، أريد أن أشدد على أهمية مفهوم ’التراكم البدائي‘ الذي يعني نزع ملكية الفلاحين عن أراضيهم، والذي يعد أساس الرأسمالية. فهم ماركس جيداً أن ذلك كان بمثابة العملية الرئيسية في تشكل هيمنة البرجوازية، لقد وجدت في بداية الرأسمالية ومازالت موجودة حتى الآن.

وأخيراً، أود أن أدعو إلى مزيد من التفكير في موضوع ’الملكية الخاصة والشيوعية‘، ففي النظام الذي تأسس في الاتحاد السوفياتي – خاصة تحت قيادة ستالين – كانت الملكية في يد الدولة، ولا يعني ذلك أن الناس لم يكونوا مستغَلين ومقموعين، لقد كانوا كذلك. إن الحديث عن اشتراكية في بلد واحد، كما فعل ستالين، كانت أيضاً شيئاً لم يدخل قط عقل أي أحد، بما فيهم ماركس قبل ذلك. تعد الملكية العامة لأدوات الإنتاج إحدى الخيارات، لكن علينا أن نعرف، إذا كنا ننوي إقامة مجتمع أفضل، من الذي ينتج ومن الذي يستقبل فائض القيمة. ومقارنة بالرأسمالية، علينا إعادة تنظيم ذلك بشكل كامل كبديل للرأسمالية، وهذه بالنسبة لي المسألة الرئيسية.

مارشيللو موستو: يوافق العام 2018 الذكري المئوية الثانية لمولد ماركس، وقد أنتجت كتب وأفلام جديدة عن حياته. هل هناك فترة ما في حياته تجدها أكثر جذباً للاهتمام؟

إيمانويل والرستاين: كانت حياة ماركس شاقة للغاية، فلقد عانى من الفقر الشديد، وكان محظوظاً بوجود رفيق مثل فريدريك إنجلز الذي ساعده على المعاش، ولم يكن لديه حياة عاطفية سهلة أيضاً. فإصراره على محاولة القيام بما اعتقد أنه عمل حياته، أي فهم كيفية عمل الرأسمالية، كان مثيراً للإعجاب حقاً. هذا ما رأى نفسه يفعله، فلم يسعى ماركس إلى تفسير العصور القديمة أو تعريف كيف ستكون الاشتراكية في المستقبل، فلم تكن هذه المهام التي وضعها على عاتقه، لقد أراد أن يفهم العالم الرأسمالي الذي عاش فيه.

مارشيللو موستو: لم يكن ماركس، على مدى حياته، مجرد مفكر معزول بين كتب المتحف البريطاني بلندن، بل كان دائماً مناضلاً ثورياً مشتبكاً مع نضالات عصره. وبسبب نشاطه نُفيَّ في شبابه من فرنسا وبلجيكا وألمانيا، وفرض عليه العيش في منفاه في إنجلترا عندما هزمت ثورات عام 1848. لقد دعم صحف ومطبوعات، ودائماً ما دعم الحركات العمالية بكل ما استطاع. ولاحقاً بين عامي 1864-1872 أصبح زعيم ’رابطة الشغيلة العالمية‘ (الأممية الأولى) التي تعد أول منظمة عابرة للحدود للطبقة العاملة، ودافع عام 1871 عن كوميونة باريس التي تعد أول تجربة اشتراكية في التاريخ.

إيمانويل والرستاين: نعم هذا صحيح. إنه لمن الجوهري ذكر نضالات ماركس. وكما نوّهت أنت في كتابك ’’أيها العمال اتحدوا !Workers Unite‘‘، كان لماركس دوراً استثنائياً في الأممية، وهي تنظيم شكّله أناس كانوا بعيدين عن بعضهم جغرافياً في وقت لم يشهد أي وسائل تواصل سهلة. وتضمن النشاط السياسي لماركس الصحافة أيضاً، حيث استمر فيها طوال حياته كوسيلة للتواصل مع عدداً أكبر من الجمهور. عمل صحفياً ليحصل على دخل، لكنه رأى مساهماته بمثابة نشاط سياسي. لم يكن حيادياً بأي شكل من الأشكال، وكان صحفياً ملتزماً.

مارشيللو موستو: في الاحتفالية المئوية للثورة الروسية عام 2017، عاد بعض المفكرين إلى التفريق بين ماركس وبعض من أتباعه الذين كانوا في السلطة إبّان القرن العشرين. ما الفرق الرئيسي بين ماركس وبينهم؟

إيمانويل والرستاين: إن كتابات ماركس أكثر دقة وتنوعاً من التفسيرات التبسيطية لأفكاره. إنه لمن الجيد دائماً أن نتذكر المزحة الشهيرة التي قال فيها ماركس “إذا كانت هذه هي الماركسية، فما هو مؤكد أنني لست ماركسياً”. كان ماركس مستعداً دائماً للتعامل مع واقع العالم على عكس الكثيرين الذين يفرضون آرائهم بشكل دغمائي، فعادةً ما غيَّر آرائه. كان يبحث باستمرار عن حلول للمشكلات التي رأى أن العالم ي واجهها، ذلك سبب بقائه للآن مُساعداً جداً ودليلٌ مفيد.

مارشيللو موستو: في النهاية، ماذا لديك لتقوله للأجيال الصغيرة التي مازالت لم تكتشف ماركس؟

إيمانويل والرستاين: أول شيء أود قوله للشباب هو أنه عليهم أن يقرأوه هو، لا تقرأوا عنه، لكن اقرأوا ماركس. قليل من الناس – بالمقارنة مع الكثيرين الذين يتحدثون عنه – قرأوا بالفعل ماركس. وهذا صحيح أيضاً في حالة آدم سميث. عامةً، يقرأ المرء فقط عن هذه الكلاسيكيات، فالناس يعرفونهم من خلال ملخصات الآخرين، إنهم يريدون بهذا أن يوفروا الوقت، لكن ذلك في الحقيقة مضيعة الوقت. على المرء أن يقرأ لكُتّاب مثيرين للاهتمام، وماركس هو أكثرهم إثارةً للاهتمام في القرنين التاسع عشر والعشرين، وليس هناك أي شك في ذلك. فلا أحد يساويه فيما يخص عدد الأشياء التي كتب عنها، ولا في جودة تحليلاته. إذن، فرسالتي للأجيال الجديدة أن ماركس فعلاً يستحق أن يُكتشف، لكنه يجب أن يُقرأ، اقرأوه. اقرأوا كارل ماركس.

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إيمانويل والرستاين (1930-2019)هو أحد أهم علماء الاجتماع، وواحد من روّاد نظرية النظم العالمية بجانب سمير أمين وأندرى جوندر فرانك وجيوفاني أريجي. ألَّف أكثر من ثلاثين كتاباً ترجم معظمها إلى العديد من اللغات، وأبرز تلك الكتب ’’النظام العالمي المعاصر The Modern World-System‘‘ الذي يؤرِّخ فيه ويُشرِّح نشأة الرأسمالية منذ القرن السادس عشر وحتى مطلع القرن العشرين، ويقع هذا الكتاب في أربع مجلدات نشروا بين عامي 1974-2011.

مارشيللو موستو هو أستاذ علم الاجتماع بجامعة يورك في تورونتو بكندا، وله العديد من المؤلفات التي يركز فيها على إسهامات ماركس وسيرته الذاتية ونضالاته.

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Le Capital compie 150 anni

Nel settembre del 1872 usciva l’edizione francese del magnum opus di Karl Marx. Fu molto più di una traduzione, rinnovando continuamente la sua prospettiva critica aprì infatti la sua analisi al capitalismo globale.
Nel febbraio 1867, dopo più di due decenni di faticoso lavoro, Karl Marx disse al suo amico Friedrich Engels che la prima parte della sua tanto attesa critica dell’economia politica era finalmente completata. Marx viaggiò da Londra ad Amburgo per consegnare il manoscritto del volume I (Il processo di produzione del capitale) del suo magnum opus e, in accordo con il suo editore, Otto Meissner, fu deciso che Il Capitale sarebbe uscito in tre parti. Al culmine della soddisfazione, Marx scrisse che la pubblicazione del suo libro era, «senza dubbio, il colpo più terribile che sia mai stato scagliato contro la testa della borghesia».

Nonostante il lungo lavoro di composizione prima del 1867, la struttura del Capitale si sarebbe notevolmente ampliata negli anni a venire e lo stesso volume I continuò ad assorbire energie significative da parte di Marx, anche dopo la sua pubblicazione. Uno degli esempi più evidenti di questo impegno fu la traduzione francese del Capitale, pubblicata in quarantaquattro puntate tra il 1872 e il 1875. Questa edizione non era una semplice traduzione ma una versione «completamente rivista dall’autore» in cui Marx approfondiva la sezione sul processo di accumulazione del capitale e sviluppava meglio le sue idee sulla differenza tra la «concentrazione» e la «centralizzazione» del capitale.

Alla ricerca della versione definitiva
Dopo le interruzioni dovute alle cattive condizioni di salute – e dopo un periodo di intensa attività politica per l’Associazione internazionale dei lavoratori – Marx si dedicò a lavorare a una nuova edizione del volume I del Capitale all’inizio degli anni Settanta dell’Ottocento. Insoddisfatto del modo in cui aveva esposto la teoria del valore, trascorse il dicembre 1871 e il gennaio 1872 riscrivendo ciò che aveva pubblicato nel 1867. Una ristampa di Das Kapital in tedesco, che includeva le modifiche apportate da Marx, uscì nel 1872. Fu un anno chiave per la diffusione del Capitale, visto che vide anche la comparsa delle traduzioni in russo e in francese. Quest’ultima fu affidata, dall’editore Maurice Lachâtre, a Joseph Roy, che aveva precedentemente tradotto alcuni testi del filosofo tedesco Ludwig Feuerbach. La prima parte fu pubblicata 150 anni fa, il 17 settembre 1872.

Marx era d’accordo che sarebbe stato positivo pubblicare un’«edizione popolare a buon mercato». «Plaudo alla tua idea di pubblicare la traduzione… a rate periodiche – scrisse al suo editore – In questa forma, il libro sarà più accessibile alla classe operaia e per me questa considerazione prevale su qualsiasi altra». Consapevole, tuttavia, che esisteva un «rovescio della medaglia», anticipò che il «metodo di analisi» da lui utilizzato sarebbe stato «ridotto per una lettura alquanto ardua nei primi capitoli» e che i lettori avrebbero potuto «essere scoraggiati» quando non fossero stati «in grado di proseguire». Non sentiva di poter fare nulla per questo «svantaggio», a parte che per i «lettori attenti e preavvertiti che si preoccupano della verità». Come scrisse Marx in una nota frase della prefazione all’edizione francese del Capitale, «Non esiste una via maestra per l’apprendimento e gli unici che hanno qualche possibilità di raggiungere le sue vette illuminate dal sole sono quelli che non temono la stanchezza mentre scalano ripidi sentieri in salita».

Alla fine, Marx dovette dedicare molto più tempo alla traduzione di quanto avesse inizialmente previsto per la correzione delle bozze. Come scrisse all’economista russo Nikolai Danielson, Roy aveva «spesso tradotto in modo troppo letterale», costringendo lo stesso Marx a «riscrivere interi passaggi in francese, per renderli più appetibili al pubblico francese». All’inizio di quel mese, sua figlia Jenny aveva detto all’amico di famiglia Ludwig Kugelmann che suo padre era «obbligato a fare innumerevoli correzioni», riscrivendo «non solo intere frasi ma intere pagine». Successivamente, Engels scrisse ancora a Kugelmann che la traduzione francese si era rivelata una «vera faticaccia» per Marx e che «doveva più o meno riscrivere tutto dall’inizio».

Nel rivedere la traduzione, inoltre, Marx decise di introdurre alcune aggiunte e modifiche. Nel poscritto a Le Capital non esitò ad attribuirvi «un valore scientifico indipendente dall’originale» e affermava che la nuova versione «dovrebbe essere consultata anche da lettori che hanno familiarità con il tedesco». Il punto più interessante, soprattutto per il suo valore politico, riguarda la tendenza storica della produzione capitalistica. Se nella precedente edizione del volume I del Capitale Marx aveva scritto che «il paese industrialmente più sviluppato mostra a quelli meno sviluppati l’immagine del proprio futuro», nella versione francese le parole in corsivo sono state sostituite con «a coloro che lo seguono sulla scala industriale». Questo chiarimento limitava la tendenza allo sviluppo capitalistico solo ai paesi occidentali già industrializzati.

Dopo uno studio più approfondito della storia, Marx era ora pienamente consapevole che lo schema di progressione lineare attraverso i «modi di produzione borghesi asiatici, antichi, feudali e moderni», che aveva disegnato nella prefazione a Per la critica dell’economia politica, nel 1859, era inadeguato alla comprensione del movimento della storia, e che era anzi opportuno tenersi alla larga da ogni filosofia della storia. Non vedeva lo sviluppo storico in termini di incrollabile progresso lineare verso una fine predefinita. La concezione multilineare più netta che Marx sviluppò nei suoi ultimi anni lo portò a guardare ancora più attentamente alle specificità storiche e alle diseguaglianze dello sviluppo politico ed economico nei diversi paesi e contesti sociali. Questo approccio ha sicuramente accresciuto le difficoltà che aveva dovuto affrontare nel già accidentato percorso di completamento del secondo e terzo volume del Capitale.

Nell’ultimo decennio della sua vita, Marx intraprese indagini approfondite sulle società al di fuori dell’Europa e si espresse inequivocabilmente contro le devastazioni del colonialismo. Sarebbe sbagliato suggerire il contrario e attribuirgli una visione eurocentrica dello sviluppo sociale. Marx criticava i pensatori che, pur evidenziando le conseguenze distruttive del colonialismo, avevano utilizzato categorie specifiche del contesto europeo nelle loro analisi delle aree periferiche del globo. Aveva ripetutamente messo in guardia contro coloro che non osservavano le necessarie distinzioni tra i fenomeni e, soprattutto dopo i suoi progressi teorici negli anni Settanta dell’Ottocento, era molto diffidente nel trasferire categorie interpretative in campi storici o geografici completamente diversi. Tutto questo è più chiaro grazie a Le Capital.

Nel 1878, in una lettera in cui soppesava i lati positivi e negativi dell’edizione francese, Marx scriveva a Danielson che questa conteneva «molte modifiche e integrazioni importanti», ma che era stato anche «a volte obbligato, principalmente nel primo capitolo – a semplificare la faccenda». In seguito, Engels pensò che queste aggiunte fossero semplificazioni non degne di essere riprodotte, e non incluse tutte le modifiche apportate da Marx a Le Capital nella quarta edizione tedesca del Capitale, pubblicata nel 1890, sette anni dopo la morte di Marx. Marx non fu in grado di completare una revisione finale del volume I del Capitale. In effetti, né l’edizione francese del 1872-75 né la terza edizione tedesca pubblicata nel 1881 possono essere considerate la versione definitiva per come Marx avrebbe voluto che fosse.

Marx attraverso Le Capital
Le Capital ebbe una notevole importanza per la diffusione dell’opera di Marx nel mondo. È stato utilizzato per la traduzione di molti estratti in varie lingue, la prima in lingua inglese, pubblicata nel 1883, per esempio. Più in generale, Le Capital ha rappresentato la prima porta d’accesso all’opera di Marx per i lettori di vari paesi. La prima traduzione italiana – pubblicata tra il 1882 e il 1884 – è stata realizzata direttamente dall’edizione francese. Nel caso dello spagnolo, Le Capital ha permesso di tirar fuori alcune edizioni parziali e due traduzioni complete: una a Madrid nel 1967, e una a Buenos Aires nel 1973. Poiché il francese era più conosciuto del tedesco, fu grazie a questa versione che la critica di Marx all’economia politica potè raggiungere più rapidamente molti paesi dell’America ispanica. Più o meno lo stesso valeva per i paesi di lingua portoghese. Nello stesso Portogallo, Le Capital è circolato solo attraverso le poche copie disponibili in francese, fino a quando non è apparsa una versione ridotta in portoghese, poco prima della caduta della dittatura salazarista nel 1974. In generale, attivisti politici e ricercatori sia in Portogallo che in Brasile hanno trovato più facile avvicinarsi all’opera di Marx attraverso la traduzione francese rispetto all’originale. Anche le poche copie che hanno avuto diffusione nei paesi africani di lingua portoghese erano in quella lingua.

Il colonialismo ha anche modellato in parte i meccanismi con cui il Capitale è diventato disponibile nel mondo arabo. Mentre in Egitto e in Iraq è stato l’inglese a caratterizzare maggiormente la diffusione della cultura europea, l’edizione francese ha svolto un ruolo più prominente altrove, soprattutto in Algeria, che, negli anni Sessanta, è stato un centro significativo per facilitare la circolazione delle idee marxiste in Paesi «non allineati». L’importanza di Le Capital si estendeva anche all’Asia, come dimostra il fatto che la prima traduzione vietnamita del volume I, pubblicata tra il 1959 e il 1960, era basata sull’edizione francese.

Così, oltre ad essere spesso consultata da traduttori di tutto il mondo e confrontata con l’edizione del 1890 pubblicata da Engels – che divenne la versione standard di Das Kapital – la traduzione francese è servita come base per traduzioni complete del Capitale in sette lingue. A 150 anni dalla sua prima pubblicazione, continua a essere fonte di stimolante dibattito tra studiosi e attivisti interessati alla critica di Marx al capitalismo.

In una lettera al suo compagno di lunga data Friedrich Adolph Sorge, Marx osservò che con Le Capital aveva «consumato così tanto del [suo] tempo che [non avrebbe] più collaborato in alcun modo a una traduzione». Questo è esattamente quello che è successo. La fatica e gli sforzi che ha impiegato per produrre la migliore versione francese possibile sono state davvero notevoli. Ma possiamo dire che sono stati ben ricompensati. Le Capital ha avuto una notevole diffusione, e le integrazioni e le modifiche apportate da Marx durante la revisione della sua traduzione hanno contribuito alla dimensione anticoloniale e universale del Capitale che oggi viene ampiamente riconosciuta, grazie ad alcuni dei contributi più recenti e profondi degli studi su Marx.

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Οταν ο Μαρξ μετέφρασε το «Κεφάλαιο» στα γαλλικά

Εκατόν πενήντα χρόνια από την πρώτη της έκδοση, η γαλλική μετάφραση του «Κεφαλαίου» εξακολουθεί να προκαλεί το ενδιαφέρον όσων ασχολούνται με την κριτική του Μαρξ στον καπιταλισμό, όπως προκύπτει από νέες σημαντικές μελέτες του έργου του.
Τον Φεβρουάριο του 1867, μετά από δύο δεκαετίες ηράκλειας εργασίας, ο Μαρξ κατάφερε τελικά να παραδώσει το χειρόγραφο του Τόμου Ι του μεγάλου του έργου. Σε συμφωνία με τον εκδότη του, Οτο Μάισνερ, σχεδίαζε να παρουσιάσει το «Κεφάλαιο» σε τρία μέρη. Κατά τον ίδιο τον Μαρξ, ήταν «αναμφίβολα, ο πιο τρομερός πύραυλος που έχει εκτοξευθεί μέχρι σήμερα στα κεφάλια της αστικής τάξης».

Παρά τη μακρά εργασία της σύνθεσης πριν από το 1867, η δομή του «Κεφαλαίου» θα επεκταθεί σημαντικά τα επόμενα χρόνια, και ο Τόμος Ι συνέχισε επίσης να απαιτεί την εντατική ενασχόληση του Μαρξ, ακόμη και μετά τη δημοσίευσή του. Ενα από τα πιο εμφανή παραδείγματα αυτής της υποχρέωσης ήταν η γαλλική μετάφραση του «Κεφαλαίου», που δημοσιεύτηκε σε 44 μέρη μεταξύ 1872 και 1875. Αυτός ο τόμος δεν ήταν μια απλή μετάφραση, αλλά μια έκδοση «εντελώς αναθεωρημένη από τον συγγραφέα».
Μετά από κάποιες διακοπές λόγω της κακής υγείας του και μετά από μια περίοδο έντονης πολιτικής δραστηριότητας για τη Διεθνή Ενωση Εργαζομένων, ο Μαρξ ξεκίνησε μια επανέκδοση του Τόμου I στις αρχές της δεκαετίας του 1870. Δυσαρεστημένος για τον τρόπο με τον οποίο είχε εκθέσει τη θεωρία της αξίας, ξαναδιατύπωσε όσα είχε δημοσιεύσει το 1867. Μια ανατύπωση που περιελάμβανε τις αλλαγές που έκανε ο Μαρξ εμφανίστηκε το 1872. Αυτή η χρονιά είχε θεμελιώδη σημασία για τη διάδοση του «Κεφαλαίου», καθώς εμφανίστηκαν και η ρωσική και η γαλλική μετάφραση. Η τελευταία εμφανίστηκε σε τεύχη με εκδότη τον Μορίς Λασάτρ. Το πρώτο εκδόθηκε πριν από 150 χρόνια, στις 17 Σεπτεμβρίου.

Ο Μαρξ συμφώνησε ότι θα ήταν καλό να κυκλοφορήσει μια «φτηνή λαϊκή έκδοση». «Χαιρετίζω την ιδέα σας να δημοσιεύσετε τη μετάφραση […] σε τμήματα», έγραψε. «Με αυτή τη μορφή το βιβλίο θα είναι πιο προσιτό στην εργατική τάξη και για μένα αυτή η σκέψη υπερτερεί κάθε άλλης», απάντησε στον εκδότη του. Ωστόσο, περίμενε ότι η «μέθοδος ανάλυσης» που είχε χρησιμοποιήσει «θα απαιτούσε κάπως επίπονη ανάγνωση στα πρώτα κεφάλαια». Δεν ένιωθε ότι μπορούσε να κάνει τίποτα άλλο για αυτό το «μειονέκτημα», παρά μόνο να προειδοποιήσει τους αναγνώστες: «Δεν υπάρχει βασιλική οδός για την επιστήμη και μπορούν να φτάσουν στις φωτεινές κορυφές της μόνον όσοι δεν υπολογίζουν τον κόπο να περάσουν από τα δύσβατα μονοπάτια της».

Στο τέλος, ο Μαρξ χρειάστηκε να αφιερώσει πολύ περισσότερο χρόνο στη μετάφραση από όσο είχε αρχικά σχεδιάσει. Οπως έγραψε στον Ρώσο οικονομολόγο Νικολάι Ντάνιελσον, ο Ρόι είχε «συχνά μεταφράσει υπερβολικά κατά λέξη» και τον ανάγκασε να «ξαναγράψει ολόκληρα αποσπάσματα στα γαλλικά». Η κόρη του, Τζένι, είχε πει στον οικογενειακό φίλο Λούντβιχ Κούγκελμαν ότι ο πατέρας της ήταν «υποχρεωμένος να κάνει αμέτρητες διορθώσεις», ξαναγράφοντας «όχι μόνο ολόκληρες προτάσεις αλλά ολόκληρες σελίδες». Ο Ενγκελς έγραψε ότι η γαλλική μετάφραση είχε αποδειχτεί μια «πραγματική καταπόνηση» για τον Μαρξ και ότι «έπρεπε να ξαναγράψει το όλο θέμα από την αρχή».

Κατά την αναθεώρηση της μετάφρασης, εξάλλου, ο Μαρξ αποφάσισε να εισαγάγει ορισμένες προσθήκες και τροποποιήσεις. Στο υστερόγραφο της γαλλικής έκδοσης, δεν δίστασε να της προσδώσει «μια επιστημονική αξία ανεξάρτητη από το πρωτότυπο», δηλώνοντας ότι τη νέα έκδοση «θα πρέπει να τη συμβουλεύονται ακόμη και οι αναγνώστες που γνωρίζουν γερμανικά». Το πιο ενδιαφέρον σημείο, ειδικά για την πολιτική του αξία, αφορά την ιστορική τάση της καπιταλιστικής παραγωγής. Ενώ στην προηγούμενη έκδοση του «Κεφαλαίου» ο Μαρξ είχε γράψει ότι «η χώρα που είναι πιο ανεπτυγμένη βιομηχανικά δείχνει μόνο, σε λιγότερο ανεπτυγμένες, την εικόνα του δικού τους μέλλοντος», στη γαλλική έκδοση η φράση «λιγότερο ανεπτυγμένες» αντικαταστάθηκε με τη φράση «αυτές που την ακολουθούν στη βιομηχανική σκάλα». Αυτή η διευκρίνιση περιόρισε την τάση της καπιταλιστικής ανάπτυξης μόνο στις δυτικές χώρες που ήταν ήδη βιομηχανοποιημένες.

Είχε πλέον πλήρη επίγνωση ότι το σχήμα μιας γραμμικής προόδου από τον «ασιατικό, στον αρχαίο, τον φεουδαρχικό και τον σύγχρονο αστικό τρόπο παραγωγής», που είχε σχεδιάσει στη «Συμβολή στην Κριτική της Πολιτικής Οικονομίας» (1859), δεν επαρκούσε για την κατανόηση της κίνησης της Ιστορίας. Δεν έβλεπε την ιστορική εξέλιξη με όρους ακλόνητης γραμμικής προόδου προς ένα προκαθορισμένο τέλος. Η πιο έντονη πολυγραμμική αντίληψη που ανέπτυξε ο Μαρξ στα τελευταία του χρόνια τον οδήγησε να εξετάσει ακόμη πιο προσεκτικά τις ιστορικές ιδιαιτερότητες και την ανομοιομορφία της πολιτικής και οικονομικής ανάπτυξης σε διαφορετικές χώρες και κοινωνικά πλαίσια. Την τελευταία δεκαετία της ζωής του, o Μαρξ μελέτησε κοινωνίες εκτός Ευρώπης και εκφράστηκε ξεκάθαρα ενάντια στις καταστροφικές συνέπειες της αποικιοκρατίας. Ηταν πολύ επιφυλακτικός με τη μεταφορά ερμηνευτικών κατηγοριών σε εντελώς διαφορετικά ιστορικά ή γεωγραφικά πεδία. Ολα αυτά είναι πιο ξεκάθαρα χάρη στη γαλλική έκδοση του «Κεφαλαίου».

Σε μια επιστολή του 1878, στην οποία ο Μαρξ ζύγιζε τις θετικές και τις αρνητικές πλευρές της γαλλικής έκδοσης, έγραψε στον Ντάνιελσον ότι περιείχε «πολλές σημαντικές αλλαγές και προσθήκες», αλλά ότι «είχε επίσης υποχρεωθεί μερικές φορές να απλοποιήσει το θέμα». Ο Ενγκελς ήταν αυτής της άποψης και δεν συμπεριέλαβε όλες τις αλλαγές που έκανε ο Μαρξ στην τέταρτη γερμανική έκδοση του «Κεφαλαίου» που δημοσίευσε το 1890, επτά χρόνια μετά τον θάνατο του Μαρξ. Ο Μαρξ δεν μπόρεσε να ολοκληρώσει μια τελική αναθεώρηση του Τόμου Ι του «Κεφαλαίου», που περιλάμβανε τις βελτιώσεις και τις προσθήκες με τις οποίες σκόπευε να βελτιώσει το βιβλίο του. Στην πραγματικότητα, ούτε η γαλλική έκδοση του 1872-75, ούτε η τρίτη γερμανική έκδοση, που κυκλοφόρησε το 1881, δεν μπορούν να θεωρηθούν η οριστική εκδοχή που θα ήθελε ο Μαρξ. Η γαλλική μετάφραση του «Κεφαλαίου» έπαιξε μεγάλο ρόλο στη διάδοση του έργου του Μαρξ σε όλο τον κόσμο. Χρησιμοποιήθηκε ως η πρώτη πύλη στο έργο του Μαρξ για τους αναγνώστες σε διάφορες χώρες. Η ιταλική μετάφραση (1882-84) έγινε απευθείας από τη γαλλική έκδοση, όπως και η ελληνική μετάφραση (1927). Δεδομένου ότι τα γαλλικά ήταν ευρύτερα γνωστά από τα γερμανικά, χάρη σε αυτήν την έκδοση η κριτική του Μαρξ στην πολιτική οικονομία μπόρεσε να φτάσει πιο γρήγορα στην Ισπανία και σε πολλές χώρες της ισπανόφωνης Αμερικής. Το ίδιο ακριβώς ίσχυε και για τις πορτογαλόφωνες χώρες. Η γαλλική έκδοση έπαιξε εξέχοντα ρόλο στην Αλγερία, η οποία τη δεκαετία του 1960 ήταν ένα σημαντικό κέντρο για τη διάδοση των μαρξιστικών ιδεών σε «αδέσμευτες» χώρες. Το ίδιο και στην Ασία.

Εκατόν πενήντα χρόνια από την πρώτη της έκδοση, η γαλλική μετάφραση του «Κεφαλαίου» εξακολουθεί να προκαλεί το ενδιαφέρον όσων ασχολούνται με την κριτική του Μαρξ στον καπιταλισμό, όπως προκύπτει από νέες σημαντικές μελέτες του έργου του.

*Καθηγητής Κοινωνιολογίας στο Πανεπιστήμιο York (Τορόντο-Καναδάς), τακτικός συνεργάτης της «Εφ.Συν.»