Em 20 de outubro de 2008, no início da maior crise financeira desde a Grande Depressão, o jornal londrino The Times, insuspeito de esquerdismo, noticiou um espectro que se supunha exorcizado desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, voltava a rondar o mundo: Karl Marx. “O Capital”, dizia a reportagem, “que na última década vinha sendo usado principalmente como peso de porta”, fora reabilitado por leitores que buscavam entender a raiz da crise.