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Ruan de Sousa Gabriel, O Globo

Em 20 de outubro de 2008, no início da maior crise financeira desde a Grande Depressão, o jornal londrino The Times, insuspeito de esquerdismo, noticiou um espectro que se supunha exorcizado desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, voltava a rondar o mundo: Karl Marx. “O Capital”, dizia a reportagem, “que na última década vinha sendo usado principalmente como peso de porta”, fora reabilitado por leitores que buscavam entender a raiz da crise. Quase duas décadas depois, os efeitos da debacle econômica ainda não passaram — e nem o interesse nas ideias do velho Marx. Tanto é que uma tradução do “Capital” produzida na Guerra Fria acaba de retornar às estantes do país.

No dia 5 de maio (aniversário de Marx), a editora Ubu relançou a célebre tradução de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe, publicada em 1983 na coleção “Os economistas”, da Abril Cultural. Totalmente revisada, a nova edição inclui as modificações de Marx na tradução francesa, de 1875, até agora inéditas no Brasil. Ele incorporou observações críticas ao texto, acrescentou material histórico e estatístico, reposicionou parágrafos e capítulos inteiros, indicando que sua reflexão estava longe de encerrada. O primeiro volume do “Capital” foi publicado em 1867. O segundo e o terceiro foram editados por Friedrich Engels em 1885 e 1894, após a morte de seu parceiro intelectual.

Para José Paulo Netto, autor de “Karl Marx: uma biografia” (Boitempo) “O Capital” é, por excelência, “uma obra inconclusa”:

— “O capital” permanecerá inacabado enquanto seu objeto de análise, o modo de produção capitalista, não se esgotar historicamente. É isso que define um clássico, ele não cessar de provocar, de estimular — insiste o professor emérito da UFRJ.

E “O capital” é um clássico que não interessa apenas a quem sonha com a superação do capitalismo, diz Fernando Rugitsky, professor de economia da Universidade do Oeste da Inglaterra. Até o austríaco Joseph Schumpeter, crítico da intervenção estatal na economia, foi um grande leitor e intérprete do Marx.

— “O capital” contém tensões internas e ambiguidades que convidam a múltiplas leituras. É uma obra que buscou desvendar a dinâmica de uma sociedade que se organiza em torno da troca de mercadorias e que ganha atualidade à medida que a mercantilização avança sobre diferentes esferas da vida — afirma Rugitsky, que escreveu um texto introdutório à nova edição.

Fundadora da Boitempo, Ivana Jinkings relata que a procura pela “Coleção Marx-Engels” cresceu na pandemia. Ao todo, os 36 volumes da coleção já bateram quase meio milhão de cópias vendidas (incluindo e-books). Em dezembro, a editora publicou “O essencial de Marx e Engels”, seleção do “best of” da dupla (“Manifesto comunista”, “Teses sobre Feuerbach”, feita pelo sociólogo italiano Marcello Musto. Ainda este ano, a editora publica o primeiro volume de “Teorias do mais-valor”, obra considerada uma espécie de continuação do “Capital”.

— A Boitempo nasceu há 30 anos com a ideia de publicar clássicos nunca lançados no Brasil ou fora de catálogo. A tradução do “Manifesto comunista”, em 1998, deu início a uma mudança de rota. Notamos a enorme carência da obra de Marx e Engels nas livrarias. Hoje celebramos o crescente interesse nessa obra por parte do público e das editoras — afirma Jinkings. — Para nós, publicar Marx e Engels é também um projeto social e político.

De fato, nem sempre houve tanta fatura de marxismo nas livrarias. Nascido em 1947, em Juiz de Fora, José Paulo Netto recorda-se das antologias da editora Vitória, ligada ao Partido Comunista, que traziam traduções de segunda mão de textos de Marx e Engels. Quem se dispunha a desbravar “O capital” e não sabia alemão recorria a traduções francesas ou à do Fondo de Cultura Económica do México, assinada por Wenceslao Roces, intelectual exilado da Guerra Civil Espanhola.

A primeira tradução nacional do “Capital”, de Reginaldo Sant’Anna, foi publicada entre 1968 e 1974. Em 1983, saiu a de Flávio R. Kothe e Regis Barbosa, coordenada e revisada por Paul Singer, que fixou o vocabulário marxista brasileiro. De 2013 a 2017, a Boitempo lançou a tradução de Rubens Enderle, que inovou ao substituir “mais-valia” por “mais-valor”, expressão mais próxima do alemão “Mehrwert”.

— Mais-valia, na verdade, vem da tradução francesa “plus-value”. Discutimos se devíamos mudar para “mais-valor” e o Singer argumento que mais-valia já era um conceito estabelecido. Eu achava que devia ser “valor a mais”, uma solução mais próxima da lógica do português. — diz Kothe, que é professor aposentado de estética da UnB.

A tradução agora recuperada pela Ubu se beneficiou das discussões travadas nos míticos seminários do “Capital” organizados a partir de 1958 por jovens intelectuais da USP, como José Arthur Giannotti, Roberto Schwarz e Paul Singer. Em “Lugar periférico, ideias modernas”, o sociólogo Fabio Mascaro Querido analisa o impacto da recepção paulista da obra de Marx no pensamento crítico brasileiro.

Os seminários na USP, diz Querido, são um exemplo do que Max Weber, um dos pais da sociologia, chamou de “paradoxo das consequências”. Embora o grupo tenha optado por uma leitura “científica” do “Capital”, que não estivesse explicitamente comprometida com a intervenção no presente (como faziam intelectuais ligados ao Partido Comunista ou ao nacional-desenvolvimentismo), jovens sociólogos como FHC e Octavio Ianni incorporaram o marxismo às suas pesquisas sobre a sociedade brasileira.

— Assim surgiu o que Roberto Schwarz chamou de “nova intuição do Brasil”, uma interpretação influenciada pelo marxismo que marcou profundamente a vida intelectual e, a partir dos anos 1980, a política do país. — afirma o professor da Unicamp, lembrando que esses debates influenciaram até mesmo a criação dos dois partidos que dominaram a política nacional após a redemocratização, o PT e o PSDB.

Na mesma época em que o Brasil encerrava a ditadura, o comunismo cambaleava na Europa e o marxismo caía em descrédito. Após um momento de “perplexidade”, diz José Paulo Netto, a esquerda apostou “na revitalização de textos clássicos de Marx e Engels” e discussões sobre a cultura. Intelectuais feministas, como Silvia Federici e Nancy Fraser, também chamaram o alemão para conversar (e o criticaram por desconsiderar a importância do trabalho doméstico), lembra Fernando Rugitsky. E a crise de 2008 trouxesse o “Capital” de volta à discussão econômica.

— Qualquer crítica à ordem social vigente tem que começar pela crítica da economia política, e ninguém fez isso melhor que Marx. Sem ele, não é possível pensar soluções efetivas às questões contemporâneas. Do contrário, nosso papo pode até ser radical, mas a prática não será — provoca Netto.

Rugitsky recomenda a leitura do “Capital” tanto a quem se esforça para entender decisões supostamente erráticas de Donald Trump quanto a jovens angustiados com a crise climática e que não veem perspectivas de futuro.

— A obsessão de Marx foi mostrar que as sociedades humanas são sempre produtos históricos. Por maiores que sejam os desafios do presente, é bom lembrar que nosso modelo de sociedade, que foi criado num certo período, se transformou de diferentes maneiras (muito bem descritas no “Capital”, aliás) e dificilmente durará para sempre. Seu destino está em aberto.

Karl Marx em seu tempo

1818: Nasce em Trier, na atual Alemanha.
1842: Conhece Friedrich Engels na redação da Gazeta Renana, jornal de Colônia para o qual escrevia.
1843: Casa-se com Jenny von Westphalen e redige sua “Crítica da filosofia do Direito de Hegel”.
1848: Em parceria com Engels, publica “O manifesto comunista”.
1849: Expulso da Alemanha e da França, muda-se com a família para Londres. A ajuda de Engels alivia suas dificuldades financeiras.
1867: Publica o primeiro volume do “Capital”.
1883: Morre, em Londres, deixando incompleto o projeto do “Capital”. O segundo e o terceiro volumes são editados por Engels em 1885 e 1894.

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Álvaro Cortina, El Español

En el entorno familiar, a Karl Marx se le llamaba el Moro y Old Nick, es decir, Diablo. El especialista Marcello Musto (Nápoles, 1976), catedrático en sociología en Toronto, ha contado, con nutrido rigor de notas al pie, los últimos tres años de quien escribió El capital. Realmente, 1881, 1882 y 1883 no fueron años dichosos para él.

El desarrollo de la Asociación Internacional de los Trabajadores y las reediciones y traducciones de su citada obra magna en el curso de la década anterior le habían otorgado una cierta notoriedad al apátrida alemán afincado en Londres norte, pero no se había impuesto aún en prestigio sobre otros intelectuales socialistas o revolucionarios del tiempo, como Lassalle, Louis-Auguste Blanqui, Proudhon o Bakunin.

En el entorno familiar, a Karl Marx se le llamaba el Moro y Old Nick, es decir, Diablo. El especialista Marcello Musto (Nápoles, 1976), catedrático en sociología en Toronto, ha contado, con nutrido rigor de notas al pie, los últimos tres años de quien escribió El capital. Realmente, 1881, 1882 y 1883 no fueron años dichosos para él.

El desarrollo de la Asociación Internacional de los Trabajadores y las reediciones y traducciones de su citada obra magna en el curso de la década anterior le habían otorgado una cierta notoriedad al apátrida alemán afincado en Londres norte, pero no se había impuesto aún en prestigio sobre otros intelectuales socialistas o revolucionarios del tiempo, como Lassalle, Louis-Auguste Blanqui, Proudhon o Bakunin.

En Inglaterra, Marx “seguía siendo casi desconocido” (p. 122). En Los últimos años de Karl Marx, Musto facilita pormenores de las lecturas, viajes (sur de Francia, Montecarlo, isla de Wight, Argelia, Suiza) de este tiempo. También recuerda tres tragedias que golpearon al genio demónico, entonces emergente y declinante a partes iguales: la muerte de su esposa, de su hija y la suya propia. Pero el objeto último del trabajo es eminentemente filosófico.

El empeño principal del volumen es mostrar que Marx fue un filósofo crítico, más que dispuesto a revisar sus propias doctrinas. Según Musto, el marxismo ha olvidado, en muchas ocasiones, este espíritu. Según el exégeta, el Marx final fue un autor más empírico que apriorista.

Libros esenciales de y sobre Marx
¿Qué escribe el socialista “científico”, el políglota polímata, en este período?Los apuntes etnológicos,Los manuscritos matemáticos,Notas sobre la reforma de 1861 y sobre el consiguiente desarrollo en Rusia, el “Prólogo” a la edición rusa del Manifiesto del partido comunista, una cronología comentada de la historia universal e innumerables cartas dirigidas, entre muchos otros, a su mítico amigo y colaborador Engels.

Pues bien, según Musto (p. 116), ni la Segunda Internacional ni el mismísimo Engels (por no hablar de intérpretes posteriores) discurrieron siempre según los estrictos parámetros demarcados por Marx tras su muerte por colapso cardiaco, provocado por tuberculosis pulmonar, el 14 de marzo de 1883.

“Es sintomático que Marx nunca diera por concluido El Capital. Según Musto, no deberíamos dar carpetazo hoy a estos asuntos”

Las dos ideas principales que es preciso mencionar aquí son el fatalismo economicista y paradigma eurocéntrico. Ambas van ligadas: Marx las terminó cuestionando. Tomando como modelo las historias económicas de naciones como Inglaterra, Alemania o Francia, el joven Marx había diseñado una serie de leyes de desarrollo civilizatorio en una serie de estadios (Fase 1, Fase 2…), en la línea de las inquietudes de su siglo. Así pues, sólo advendría el movimiento final de la sinfonía (supresión de clases), tras el desarrollo del capitalismo industrial y maquinista.

Ahora bien, al parecer, el Marx posterior no creyó en la “aceptación pasiva del rumbo de la historia” (Ibid.). Más aún: “Rechazó las rígidas representaciones que ligaban los cambios sociales solamente a las transformaciones económicas.

Por el contrario, defendió las especificidades de las condiciones históricas, las múltiples posibilidades que ofrecía el paso del tiempo y el protagonismo de la intervención del hombre a la hora de modificar las condiciones existentes y hacer realidad el cambio” (p. 58).

Así, tras leer ingentes masas de papel escrito sobre historia de la propiedad, advirtió que la realidad positiva era todavía más compleja que sus teorías. ¿Nos resistiremos a recordar que, según la sabiduría popular, más sabe el Diablo por viejo que por Diablo? Es sintomático, sostiene Musto, que Marx nunca diera por concluido El capital. Según él, de ninguna manera deberíamos dar carpetazo a estos asuntos en el siglo XXI.

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The Theoretical Revolutions of the Young Marx

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Gotha Programı’nın eleştirisinin 150. yılı

Engels dönemin Alman Sosyal Demokratlarının önde gelen figürlerinden August Babel’e, “olan bitene dair kendilerine tek bir kelime edilmemesini affetmeyeceğini” ve kendisinin ve Marx’ın Lassalle’cı devlet sosyalizmini temel alarak kurulmuş “bu yeni partiye asla mensup olmayacaklarını” yazmıştı.

5 Mayıs Marx’ın doğum günü olması dışında da özel bir gün: Siyasi yazıları arasında en önemlilerinden birinin de 150. yıldönümü. 1875’te Fernand Lassalle tarafından kurulan Genel Alman İşçileri Birliği ve İşçilerin Sosyal Demokrat Partisi, Marx ile birlikte yek bir siyasal güce dönüştü: Almanya Sosyalist İşçi Partisi. Marx ve Engels’e bu konuda danışılmamıştı ve Alman sosyal demokrasisinde somut sonuçlara etkilerinin ne kadar marjinal olduğunun bir kanıtı olarak, Lassalle’cı sosyal demokrasiye dayanan siyasal programın taslağı ancak bu karar alındıktan sonra kendilerine iletildi. Bu yüzden Marx Gotha şehrinde düzenlenen kongrede kararlaştırılan bu birleşmenin temellendirildiği siyasal metni ağır şekilde mahkûm ettiği uzun bir eleştiriyi yazmayı kendine görev edinmişti.

Metin mektup yoluyla sosyal demokrat lider Wilhelm Bracke’ye yollanmış, ancak Marx ve Engels’e en yakın militan grupları arasında gezmiş ve yayınlanmamıştı. Bu bağlamda, Engels dönemin Alman Sosyal Demokratlarının önde gelen figürlerinden August Babel’e, “olan bitene dair kendilerine tek bir kelime edilmemesini affetmeyeceğini” ve kendisinin ve Marx’ın Lassalle’cı devlet sosyalizmini temel alarak kurulmuş “bu yeni partiye asla mensup olmayacaklarını” yazmıştı. Bu ağır deklarasyona rağmen, Almanya Sosyalist Partisi (SAPD) haline gelecek bu örgütü inşa eden liderler pozisyonlarını değiştirmediler.

Dolayısıyla Marx 22 Mart 1875’te Gotha şehrinde düzenlenen birleşme kongresi için yazılan taslak programın uzun bir eleştirisini yazmaya kendisini mecbur hissetti. Kendi metnini içeren mektupta, “gerçek bir hareketin her adımı düzinelerce programdan daha önemlidir” demişti. Ancak “prensiplerin programları” ise son derece dikkatli yazılmalıdır, çünkü onlar “tüm dünya için partinin ne kadar ilerleyebildiğini ölçebilecek nirengi noktalarıdır”. Gotha Programının Eleştisi’nde, Marx Almanya’da taslaklaştırılan yeni manifestodaki birçok muğlaklık ve hatayı ağır şekilde eleştirmişti. Örneğin, “adil dağılım” kavramına dair eleştirisinde, tartışmacı bir biçimde “Burjuvazi bugünkü dağılımın adil olduğunu iddia etmiyor mu?” diye sormuştu. Ki hatta bugünün üretim biçimindeki tek “adil” dönüşüm bu değil mi? Kendi açısından, programa girmesi gereken siyasi talep Lassalle’ın tüm işçiler için emeğin eksiltilmemiş kazanç kavramı değil, üretim ilişkilerinin dönüştürülmesiydi. Marx, alışılagelmiş titizliği ile Lassalle’ın “ücretin ne olduğunu bilmediğini” açıklıyordu. Burjuva ekonomistlerini takip ederek, “meselenin özü yerine görünümünü” almıştı. Marx bunu, “ücretler göründüğü gibi değildir, adlı adınca emeğin değeri ya da fiyatı aslında emek gücünün değeri ya da fiyatının ancak maskelenmiş bir biçimidir. Bu sebeple ücretin bugüne kadarki tüm burjuva kavramsallaştırması ve bu kavrama karşı yine bugüne kadar geliştirilen eleştiriler, ücretli çalışanın kendi geçimi için çalışmaya rıza gösterdiği, yani kapitalist (ve artıdeğerin ortak tüketicileri) için belirli bir zaman karşılıksız çalıştığı kadar yaşadığı açığa çıktıktan sonra çöpe atılmalıdır” diye açıklıyordu.

Bir diğer tartışmalı konu ise devletin rolüne dair. Marx kapitalizmin ancak “toplumun devrimci bir dönüşümü ile” yıkılabileceğini savunuyordu. Lassalle’cılar “tüm emeğin sosyalist örgütü devlet tarafından üreticilerin dayanışmacı toplumlarına verdiği devlet desteği üzerinden yükseleceğini, bu toplumları işçilerin değil devletin var edebileceğini” savunuyorlardı. Marx açısından ise “dayanışmacı toplumlar ancak hükümetlerin ya da burjuvazinin koruması altında değil, işçilerin bağımsız üretimleri olarak ortaya çıkarsa bir değere sahip olabilirdi”; “devlet kredilerinin yeni bir demiryolu yapar gibi yeni bir toplum inşa edebileceği” fikri Lassalle’in teorik muğlaklıklarının tipik bir örneğiydi.

Neticede Marx birleşme kongresi için hazırlanan siyasi manifestonun Alman işçi örgütlerine sosyalist fikirlerin girebilmesinin zorluğunu kanıtladığını gözlemlemişti. “Gerçek demokraside devlet yok olur” temelli erken tespitleriyle uyumlu biçimde, Gotha Programının Eleştirisi’nde devlete “kendi entelektüel, ahlaki ve özgürleştirici temelleri olan bağımsız bir kuruluş” muamelesi yapmak yerine “mevcut devletin temeli mevcut toplumdur” diye yazar. Buna karşılık olarak, Wilhelm Liebknecht ve diğer Alman sosyalist liderler, birleşik bir parti kurabilmek için böyle bir programı kabul etmenin taktiksel bir karar olarak doğru olduğunu savunurlar. Bir kez daha Marx Londra ve Berlin’de alınan kararlar arasındaki büyük mesafeyle yüzleşmek zorunda kalır.

Metin Engels tarafından ancak Marx’ın ölümünün ardından, 1891’de Marx’ın fikirlerine çok daha yakın olan Erfurt Programının onaylanması sebebiyle yayınlanır. Alman Sosyal Demokrat Partisinin teorik dergisi Die Neu Zeit (Yeni Zaman) sayfalarında, bazı kısımları yumuşatılarak ve Engels tarafından metnin doğuşunun açıklandığı kısa bir girişle yayınlanır. İlk Türkçe versiyonu Fransızcadan çevrilerek 1969 yılında yayınlandı.

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Por que Karl Marx continuou retrabalhando no Capital

Não importa quantas décadas se passem desde que O Capital de Karl Marx foi publicado pela primeira vez, nem mesmo o quanto essa obra seja descartada como desatualizada, ela retorna repetidamente ao centro do debate. Com veneráveis 158 anos de idade (foi publicada pela primeira vez em 14 de setembro de 1867), a “crítica da economia política” tem todas as virtudes dos grandes clássicos: estimula novos pensamentos a cada releitura e é capaz de ilustrar aspectos cruciais de nosso presente e de nosso passado.

Um grande mérito d’O Capital é que ele nos ajuda a colocar os desenvolvimentos do momento atual em uma perspectiva histórica adequada. O famoso escritor italiano Ítalo Calvino disse que uma das razões pelas quais um clássico é um clássico é que ele nos ajuda a “relegar os acontecimentos atuais ao nível do ruído de fundo”. Tais trabalhos apontam para questões essenciais que não podem ser contornadas, a fim de compreendê-las adequadamente e encontrar um caminho através delas. É por isso que os clássicos sempre despertam o interesse de novas gerações de leitores. Permanecem indispensáveis, apesar da passagem do tempo.

Isso é exatamente o que podemos dizer d’O Capital, 158 anos após ser publicado pela primeira vez. De fato, tornou-se ainda mais poderoso à medida que o capitalismo se espalha para todos os cantos do planeta — e se expande para todas as esferas de nossa existência.

Depois que a crise econômica eclodiu em 2007–8, a redescoberta do magnum opus de Marx foi uma necessidade real — quase uma espécie de resposta emergencial ao que estava acontecendo. Se a grande obra de Marx tivesse sido esquecida após a queda do Muro de Berlim, ela forneceria chaves ainda válidas para entender as verdadeiras causas da loucura destrutiva do capitalismo. Assim, enquanto os índices do mercado de ações mundial queimaram centenas de bilhões de dólares e inúmeras instituições financeiras declararam falência, em apenas alguns meses O Capital vendeu mais cópias do que nas duas décadas anteriores.

Pena que o renascimento d’O Capital não se cruzou com o que restou das forças da esquerda política. Ela se iludiu pensando que poderia mexer em um sistema que estava cada vez mais mostrando sua irreformabilidade. Quando entrou no governo, adotou medidas paliativas leves que não fizeram nada para diminuir a crise ecológica em curso e as desigualdades socioeconômicas cada vez mais dramáticas. Os resultados dessas escolhas estão aí para todos verem.

Mas o atual renascimento d’O Capital respondeu a outra necessidade: a de definir — também graças a uma série de estudos recentes — exatamente qual é a versão mais confiável do texto ao qual Marx dedicou a maior parte de seus trabalhos intelectuais. Essa é uma questão há muito não resolvida, resultante da maneira como Marx produziu e refinou seu estudo.

As Muitas Versões do Volume I

A intenção original do revolucionário alemão, ao redigir o primeiro manuscrito preparatório (os Grundrisse, de 1857–58), fora dividir sua obra em seis volumes. Os três primeiros deveriam ser dedicados ao capital, à propriedade da terra e ao trabalho assalariado; os últimos, ao Estado, ao comércio exterior e ao mercado mundial.

Ao longo dos anos, a crescente percepção de Marx de que um plano tão vasto era impossível de realizar o forçou a desenvolver um projeto mais prático. Ele pensou em deixar de fora os três últimos volumes e integrar algumas partes dedicadas à propriedade da terra e ao trabalho assalariado no livro sobre o capital. Este último foi concebido em três partes: o Volume I seria dedicado ao Processo de Produção de Capital; o Volume II, ao Processo de Circulação de Capital, e o Volume III, ao Processo Geral da Produção Capitalista. A estes se acrescentaria um Volume IV — dedicado à história da teoria — que, no entanto, nunca foi iniciado e é, muitas vezes, confundido erroneamente com as Teorias da Mais-Valia.

Como é sabido, Marx completou apenas o Volume I. O segundo e o terceiro volumes não viram a luz do dia antes de sua morte; apareceram em 1885 e 1894, respectivamente, graças a um enorme esforço editorial de Friedrich Engels.

Se os estudiosos mais rigorosos questionaram repetidamente a confiabilidade desses dois volumes, compostos com base em manuscritos inacabados e escritos fragmentados com anos de diferença e que continham inúmeros problemas teóricos não resolvidos, poucos se dedicaram a outra questão, não menos espinhosa: se havia de fato uma versão final do Volume I.

A disputa voltou ao centro das atenções de tradutores e editores e, nos últimos anos, muitas novas edições importantes d’O Capital surgiram. Em 2024, alguns deles foram lançados no Brasil, na Itália e nos Estados Unidos, onde a Princeton University Press publicou na segunda semana de setembro a primeira nova versão em inglês em cinquenta anos (a quarta no geral) graças ao tradutor Paul Reitter e ao editor Paul North.

Publicado em 1867, após mais de duas décadas de pesquisa preparatória, Marx não estava totalmente satisfeito com a estrutura do volume. Ele acabou dividindo em apenas seis capítulos muito longos. Acima de tudo, Marx estava descontente com a maneira como expôs a teoria do valor, a qual foi forçado a dividir em duas partes: uma no primeiro capítulo e outra em um apêndice escrito às pressas após a entrega do manuscrito. Assim, a escrita do Volume I continuou a absorver as energias de Marx mesmo após ser publicado.

Em preparação para a segunda edição, vendida em partes entre 1872 e 1873, Marx reescreveu a seção crucial sobre a teoria do valor, inseriu várias adições sobre a diferença entre capital constante e variável e sobre a mais-valia, bem como sobre o uso de máquinas e tecnologia. Ele também remodelou toda a estrutura do livro, dividindo-o em sete partes, compreendendo vinte e cinco capítulos cuidadosamente divididos em seções.

Marx acompanhou de perto o processo da tradução russa (1872) e dedicou ainda mais energia à versão francesa, que apareceu — também em partes — entre 1872 e 1875. Ele teve que gastar muito mais tempo do que o esperado revisando a tradução. Insatisfeito com o texto excessivamente literal do tradutor, Marx reescreveu páginas inteiras para fazer o que ele considerava mudanças necessárias e tornar as partes carregadas de exposição dialética mais fáceis para o público francês digerir. Isso se referia principalmente à seção final, a saber “O processo de acumulação do Capital”. Ele também dividiu o texto em mais capítulos. No posfácio da edição francesa, Marx escreveu que aquela versão tinha “um valor científico independente do original” e observou que deveria “também ser consultada por leitores familiarizados com a língua alemã”.

Sem surpresas, quando uma edição em inglês foi sugerida em 1877, Marx apontou que o tradutor “necessariamente teria que comparar a segunda edição alemã com a francesa”, já que nesta última edição ele havia “adicionado algo novo e… descrito muitas coisas de forma mais adequada”. Não eram, portanto, meros retoques estilísticos. As mudanças que Marx acrescentou às várias edições também integraram os resultados de seus estudos em andamento e os desenvolvimentos de seu pensamento crítico em constante evolução.

Novamente no ano seguinte, ele revisitou a versão francesa, destacando seus prós e contras. O autor escreveu a Nikolai Danielson, o tradutor russo d’O Capital, dizendo que o texto francês continha “muitas variações e acréscimos importantes”, mas admitiu que “também foi forçado, especialmente no primeiro capítulo, a ‘achatar’ a exposição”. Assim, ele sentiu a necessidade de esclarecer que os capítulos sobre “A mercadoria e o dinheiro” e “A transformação do dinheiro em capital” deveriam ser “traduzidos exclusivamente seguindo o texto alemão”. De qualquer forma, pode-se dizer que a versão francesa constituiu muito mais do que uma tradução.

Marx e Engels tinham ideias diferentes sobre o assunto. O autor ficou satisfeito com a nova versão, considerando-a, em muitas partes, uma melhoria em relação às anteriores. Mas Engels, embora elogiasse algumas das melhorias teóricas feitas, era cético quanto ao estilo literário imposto pela língua francesa. Ele escreveu: “Acho que seria um grave erro usar a versão francesa como base para uma tradução em inglês.”

Então, quando lhe pediram, pouco depois da morte de seu amigo, que preparasse a terceira edição alemã (1883) do Volume I, Engels fez “apenas as alterações mais necessárias”. Seu prefácio dizia aos leitores que Marx pretendia “reescrever grande parte do texto do Volume I”, mas que problemas de saúde o impediam de fazê-lo. Engels fez uso de uma cópia alemã, corrigida em vários lugares pelo autor, e de uma cópia da tradução francesa, na qual Marx indicara as mudanças que considerava indispensáveis. Engels foi econômico em suas intervenções, relatando que “nem uma única palavra foi alterada nesta terceira edição sem minha firme convicção de que o próprio autor a teria modificado.” No entanto, ele não incluiu todas as mudanças apontadas por Marx.

A tradução para o inglês (1887), totalmente supervisionada por Engels, foi baseada na terceira edição alemã. Ele afirmou que este texto, como a segunda edição alemã, era superior à tradução francesa — não por causa da estrutura do capítulo. Ele esclareceu no prefácio do texto em inglês que a edição francesa havia sido usada principalmente para testar “o que o próprio autor estava disposto a sacrificar sempre que algo do significado completo do original tivesse que ser sacrificado na tradução.” Pouco antes, no artigo How Not to Translate Marx (Como Não Traduzir Marx, em livre tradução), Engels havia criticado duramente a péssima tradução de John Broadhouse de algumas páginas d’O Capital, afirmando que “o poderoso alemão requer um inglês poderoso para traduzi-lo… termos alemães recém-cunhados exigem a cunhagem de novos termos correspondentes em inglês”.

A quarta edição alemã foi publicada em 1890; foi a última preparada por Engels. Com mais tempo disponível, ele pôde integrar várias correções feitas por Marx à versão francesa, enquanto excluía outras. Engels declarou no prefácio: “Depois de comparar novamente a edição francesa e as observações de Marx, fiz mais algumas adições ao texto alemão a partir daquela tradução”. Ele ficou muito satisfeito com seu resultado final, e apenas a edição popular preparada por Karl Kautsky em 1914 fez melhorias adicionais.

Em busca da versão final

A edição de 1890 do Volume I d’O Capital, de Engels, tornou-se a versão canônica a partir da qual a maioria das traduções em todo o mundo foi feita. Até o momento, o Volume I foi publicado em 76 idiomas, e em 59 desses projetos os Volumes II e III também foram traduzidos. Com exceção do Manifesto Comunista, co-escrito com Engels e provavelmente impresso em mais de 50 milhões de cópias, bem como o Livro Vermelho, de Mao Zedong, que teve uma circulação ainda maior — nenhum outro clássico de política, filosofia ou economia teve uma circulação comparável à do Volume I d’O Capital.

Ainda assim, o debate sobre a melhor versão nunca cessou. Qual dessas cinco edições apresenta a melhor estrutura? Qual versão inclui as aquisições teóricas do velho Marx? Embora o Volume I não apresente as dificuldades editoriais dos Volumes II e III, que incluem centenas de mudanças feitas por Engels, ainda é bastante complicado.

Alguns tradutores decidiram se basear na versão de 1872-73 — a última edição alemã revisada por Marx — como no caso de Reitter e North com a nova edição inglesa. Uma versão alemã de 2017 (editada por Thomas Kuczynski) propôs uma variante que — alegando maior fidelidade às próprias intenções de Marx — inclui mudanças adicionais preparadas para a tradução francesa, mas desconsideradas por Engels. A primeira escolha tem a limitação de negligenciar partes da versão francesa que são certamente superiores à alemã, enquanto a segunda produziu um texto confuso e difícil de ler.

Melhores, portanto, são as edições que incluem um apêndice com as variantes feitas por Marx e Engels para cada versão e também alguns dos importantes manuscritos preparatórios de Marx, até agora publicados apenas em alemão e em alguns outros idiomas.

No entanto, não há uma versão definitiva do Volume I. A comparação sistemática das revisões feitas por Marx e Engels ainda depende de mais pesquisas por seus estudiosos mais cuidadosos.

Marx tem sido frequentemente chamado de antiquado, e os opositores de seu pensamento político adoram declará-lo derrotado. Mas mais uma vez, uma nova geração de leitores, militantets e estudiosos estão aprendendo com sua crítica ao capitalismo. Em tempos sombrios como o presente, este é um pequeno bom presságio para o futuro.

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Musto, dall’Orientale al Canada: “Studio Marx e in Italia non torno: non ci sono le condizioni”

Mi è stato chiesto più volte, non tornerei a Napoli. Non ci sono le condizioni». Lo dice con chiarezza Marcello Musto, tra i maggiori studiosi di Marx, che nella sua città si è laureato prima di andare all’estero giovanissimo ricercatore.

Il professore di 49 anni, studi all’Orientale, insegna a Toronto e le sue opere sull’attualità del filosofo tedesco sono tradotte in 25 lingue. «Torno spesso in Italia. Ci sono università come Pisa con una interessante apertura internazionale, purtroppo Napoli non è tra queste», dice il professore napoletano, ospite ieri pomeriggio della fondazione Premio Napoli a Palazzo Reale.

E così nel giorno in cui dall’Unione europea parte un appello al rientro dei cervelli in fuga all’estero, Musto risponde alla richiesta di Macron e von der Leyen che da Parigi si rivolgono ai ricercatori: «Preferite l’Europa all’America di Trump».

Il professore non ha dubbi: «L’Europa è un sistema in caduta, non è paragonabile al Nord America». Ma ieri per due ore sono tre ex allievi dell’università L’Orientale a confrontarsi. Chiara Ghidini e Diego Lazzarich studiano a Napoli negli stessi anni di Musto, poi diventano entrambi professori dello steso ateneo in cui hanno mosso i primi passi.

È Alfredo Guardiano, magistrato e coordinatore del premio Napoli, a spiegare perché si è scelto Marx: «Lo si cita ancora spesso, vogliamo approfondire». Tocca a Lazzarich, professore di Storia delle Dottrine politiche, raccontare di Musto. «Marcello ha fatto un percorso che l’ha portato lontano dall’Italia, nel 2011 già è in Canada. Ha avuto molti riconoscimenti. È il più competente biografo di Marx», ricostruisce Lazzarich. Quello che racconta Musto è un Marx ecologista, difensore dei diritti di stranieri e donne, quando «parla della necessità di non discriminare sui salari», ricorda.

Ma soprattutto Marx è per Musto un pensatore che rivede i suoi studi, ricerca fino alla fine e pone temi tra le priorità dell’agenda politica internazionale attuale, come appunto la parità dei diritti per donne e stranieri. E poi c’è l’ecologia, «pensare di avere la proprietà della natura equivale per Marx a ritenere che un uomo possa essere proprietario di un altro. I parchi devono restare pubblici. Le domande che pone ci aiutano quindi a capire perché questo mondo continua ad andare così male». Insomma ne esce un filosofo poliedrico e tradito dall’immagine dogmatica sposata dal socialismo reale. «Marx non è la statua che voi siete abituati a credere. È stato isolato inizialmente dal movimento operaio e dal socialismo. Viveva in uno scenario complesso e frammentato, simile a quello nostro di oggi. Rivedeva sempre le sue idee, cercando di migliorarle». Molte le domande a Musto, in città per presentare il suo libro più recente, L’ultimo Marx 1881-1883 edito da Donzelli. Il professore napoletano gira il mondo per dimostrare quanto i suoi testi parlino alla contemporaneità. «L’ultimo Marx – ragiona Musto – lavora a cose nuove, di grande attualità politica. Si occupa di India più che di Parigi, guarda a quello che ci sta accadendo oggi».