Month: January 2022
Class Struggle
Critiquing Capitalism Today
José Raimundo Trindade, a terra é redonda
Comentário sobre o livro de Marcello Musto
“Tenho de formar os homens que, depois de mim, possam dar continuidade à propaganda comunista” (Karl Marx).
O livro O velho Marx, de Marcello Musto, centra sua análise, contemporização e descrição nos últimos três anos de vida do “Mouro”, fazendo com enorme maestria não somente a visitação à ampla biografia anterior, mas principalmente nos fazendo visitar a intimidade do escritório de pesquisa e da sala de estar do nosso “demônio” predileto. O texto que segue busca, a partir, deste excelente trabalho visitar o “velho Nick”.
As biografias comentadas de Marx são muitas e com características bastante singulares: desde as obras mais sérias e construtivas, passando por aquelas que o tornam uma espécie de profeta e de culto racionalista e positivista, até um conjunto variado de textos duvidosos ou de desconstrução, seja da obra do autor, até a tentativa de destruição moral ou destrato da sua capacidade criadora. Esse conjunto variado e numeroso de trabalhos é o reflexo da capacidade e poder de influência que teve nos últimos dois séculos e que mantém neste XXI. Somente nesta biografia dos três últimos anos de vida de Marx, o autor Marcello Musto, faz uso de 26 biografias presentes na bibliografia utilizada.
O trabalho de Musto colabora para desfazer quatro equívocos históricos e analíticos que a vida e a obra de Marx foram submetidos ao longo dos últimos 150 anos, sendo que sua contribuição é fundamental tanto no resgate dos termos históricos verdadeiros, quanto da retomada da pesquisa mais vigorosa do aporte teórico marxiano, quais seriam esses cinco equívocos tão graves: (i) a construção e disseminação de um Marx basicamente determinista em termos econômicos, muito colaborado pelas visões simplificadoras determinadas pelo antigo “socialismo real”, quanto por construções estruturalistas; (ii) a visão de um determinismo histórico que consagrava tanto a ideia de que o “capitalismo era uma etapa inevitável” para transição ao socialismo, quanto a simplificação das formas de produção “campesinas”, especialmente as obschina russas; (iii) a visão de que a interpretação de Marx do capitalismo europeu seria uma “camisa de força” para todas as demais sociedades que se defrontassem com esse modo de produção e; (iv) que Marx manteria uma visão teleológica em termos de construção do comunismo. Vamos rapidamente tratar de cada um destes aspectos, mas antes faremos uma visita ampla à biografia do velho Marx.
Os últimos anos da vida de Marx, que falece em 14 de março de 1883, aos 65 anos, tiveram as marcas tanto de um forte sofrimento físico pessoal, quanto de perdas familiares; em somente dois anos (1881 e 1882) sua esposa (Jenny von Westphalen), e a filha mais velha (Jenny) faleceram.
A despeito dessas enormes dificuldades, sua continua sagacidade e busca por desvelar o capitalismo, tanto mantendo os estudos para encerrar a produção dos livros II e III de O capital, quanto fazendo revisão no livro I; assim como buscou desenvolver estudos antropológicos, etnológicos e de matemática superior. Tudo isso sem descurar da participação política e da assistência ao movimento de trabalhadores que se davam em diferentes países, portanto manteve uma capacidade criativa e de intervenção até o final da sua vida.
Musto segue uma análise que considera primeiramente as contribuições que o velho Marx nos legou, considerando o aprofundamento do método dialético, especialmente a crítica as diversas formas de “positivismo” que se estabelecem naquele período, espacialmente nas transformações da “economia política” burguesa ainda com traços de cientificidade em mera “economia”, totalmente convertida em estatuto ideológico do capital.
Do mesmo modo, os estudos da antropologia, sendo os estudos de Lewis Morgan e Maksim Kovalévky, foram importantes para diversas reconsiderações que Marx fez sobre o desenvolvimento das sociedades “pré-capitalistas” quanto para tratar a própria evolução posterior desse modo de produção em diferentes realidades históricas locais, como veremos. Os estudos desenvolvidos por Marx neste período constituem “a parte principal dos chamados Cadernos etnológicos”, compostos também de inúmeros outros estudos de autores como James Money e Henry Maine, entre outros.
Vale notar que neste período Marx também destinou esforços no estudo da matemática superior, especialmente cálculo diferencial e infinitesimal, baseado tanto nos estudos de autores clássicos, como Newton e Leibinz, quanto em continuadores daqueles como Alembert e Lagrange. Esse conjunto de estudos matemáticos foram desenvolvidos desde uma contestação chave: segundo Marx esses matemáticos tinham uma “fundamentação ‘mística do cálculo diferencial”, faltando uma “justificação racional” para o desenvolvimento da técnica.
Esses estudos originaram os Manuscritos matemáticos, inclusive com certo esforço do autor de aprofundar essas definições matemáticas. Marx, porém, não teve tempo, nem condições físicas, de entrar em contato com autores que, naquela altura, já buscavam aperfeiçoar as técnicas estudadas, tais como Cauchy e Weinierstrass, “o que provavelmente lhe teria permitido avançar” em seus objetivos.
Em termos do nosso interesse analítico temos que retornar para os pontos que antes consideramos como centrais da contribuição de Musto e que nos auxilia no desenvolvimento dos estudos marxianos, longe do determinismo e das influências positivistas que foram tão danosas a construção do pensamento crítico dialético nas últimas décadas do século XX.
Primeiramente a crítica ao determinismo econômico como sendo uma construção propriamente de Marx. A elaboração teórica do “último Marx” rejeitava as representações rígidas e que “ligavam as mudanças sociais unicamente às transformações econômicas”. Como bem observou Musto, seguindo autores anteriores como Dussel, Mandel, Hobsbawm, Rosdolsky, essa percepção já estava presente nos Grundrisse e somente a simplificação desenvolvida durante o período stalinista na antiga URSS e também por forte influência estruturalista, tinham levado a essa “formalização” da construção dialética de Marx.
Convém observar que ao longo da obra marxiana, especialmente em obras da juventude, como o Manifesto do partido comunista, Salário preço e lucro e, especialmente, Contribuição a critica da economia política, diversos excertos podem ter induzido continuadores da obra de Marx a equívocos dessa natureza, não sendo poucos os trabalhos de compilação e manuais diversos que convergem nesta direção. Porém, como reflete Musto, “Marx soube” se distanciar das “armadilhas do determinismo econômico”, consolidando uma visão que hoje chamaríamos de campo complexo de análise, não somente integrando bases disciplinares diversas, mas de fato interligando, mediante procedimento sistêmico, que “a especificidade das condições históricas, as múltiplas possibilidades que o curso do tempo oferecia e a centralidade da intervenção humana” estabelecia um mosaico rico e diverso “para modificar a realidade e efetuar a mudança” social de longo curso.
Com isso vamos a um segundo ponto chave no texto em análise: como se dará a transição do capitalismo ao socialismo e, principalmente: Marx teria interposto uma análise rígida histórica em termos de uma visão progressiva e linear? A resposta para ambas as questões é não. Em 1881, o autor de O capital recebe uma carta curiosa e fascinante, sua autora Vera Zasulitch era militante da organização populista Repartição Negra.
A influência da obra principal de Marx na Rússia pré-revolucionária já era expressiva, em poucos lugares, ou talvez somente ali, O capital tenha assumido um estatuto de obra muito divulgada já no final do século XIX, sendo que não poucos adeptos de diferentes organizações revolucionárias ou radicais liam e debatiam aquela obra, que tinha sido traduzida ao russo em 1872.
Zasulitch expunha que a comuna rural russa (obschina) constituía a forma social de produção predominante, sendo que sua recente liberação de pagamentos à nobreza e da administração arbitrária, possibilitava diferentes rumos, sendo que isso determinaria “até mesmo o destino pessoal dos (…) socialistas revolucionários”, indagava a militante russa sobre que avaliação Marx fazia e o que sua teoria histórica indicava quanto aquele processo.
Na questão posta tínhamos três elementos envolvidos que continuam importantes até hoje, um refere-se a uma possível obrigatoriedade de uma fase capitalista desenvolvida para transição ao comunismo. Quanto a este ponto, Marx já tinha exposto “que as circunstâncias mais favoráveis para o comunismo só teriam podido realizar-se com a expansão do capital”, porém ele também afirma que não há receitas “para o cardápio da taberna do futuro”. Assim, abria-se diferentes possibilidades, estabelecendo que ambientes históricos diversos, podem “produzir resultados totalmente distintos”, não havendo uma “chave-mestra [de] uma teoria histórico-filosófica geral, cuja virtude suprema consiste em ser supra-histórica”.[i]
Um segundo elemento importante na resposta de Marx, refere-se ao futuro da comuna rural camponesa, algo que demarca campo importante com as visões de que para Marx o capitalismo acabaria por açambarcar toda forma campesina, neste aspecto Marx foi taxativo somente considerava “esse raciocínio na medida em que ele se baseia nas experiências europeias”, sendo quer em relação a experiência russa afirma que “o precedente ocidental não provaria absolutamente nada”.
Este ponto é importante para tratarmos de outras realidades, como em partes da América Latina, por exemplo, inclusive Brasil, assim como observar que o desenvolvimento histórico não define movimentos enquanto leis inexoráveis, não havendo “predestinação histórica”. Isso nega totalmente a percepção teleológica que muitos asseveram a Marx sobre a possível inevitabilidade do comunismo, longe dessa percepção, não há história definida e sim por se escrever, sendo que os diversos ingredientes, como os culturais, econômicos, políticos, luta de classes, tecnológicos são parte desse caldeirão da história.
O ponto anterior se engrena a visão muito divulgada da ideia de etapas evolutivas baseadas no modelo de capitalismo assentado originalmente na Europa. Musto (p. 81) observa que Marx assumiu “uma posição dialética” negando que processos de transição tivessem “a necessidade histórica do desenvolvimento do modo de produção capitalista em todas as partes do mundo”. Uma leitura atenta desse velho Marx teria facilitado bastante o debate na antiga União Soviética e talvez ainda hoje nos jogue alguma luz em processos como o chinês e o cubano.
*José Raimundo Trindade é professor do Instituto de Ciências Sociais Aplicadas da UFPA. Autor, entre outros livros, de Crítica da Economia Política da Dívida Pública e do Sistema de Crédito Capitalista: uma abordagem marxista (CRV).
La publicación en castellano del libro de Marcello Musto, Karl Marx, 1881-1883. El último viaje del Moro (México, Siglo XXI, 2020) y su traducción reciente al catalán (L’últim Marx. Una biografia política, Tigre de Paper, 2021) han reabierto el debate sobre el último período de la vida y la obra de Marx. La buena recepción de este libro en varios países –publicado en italiano en 2016, ya ha sido traducido en 15 idiomas– parece mostrar un renovado interés por nuevas lecturas de la obra del revolucionario alemán. Entrevistamos a Marcello Musto, autor de numerosos libros sobre la obra de Marx y catedrático de Sociología en la Universidad de York (Toronto).
¿A qué crees que se debe este retorno a la obra de Marx a comienzos del siglo XXI? ¿Y por qué concentrarnos ahora en el último período de su vida?
En los últimos años de su vida, Marx profundizó muchas cuestiones que, aunque a menudo subestimadas, o incluso ignoradas por los estudiosos de su obra, adquieren una importancia crucial para la agenda política de nuestro tiempo. Entre ellas está la ecología, la libertad individual en la esfera económica y política, la emancipación de género, la crítica al nacionalismo y las formas de propiedad colectiva no controladas por el Estado.
Además, Marx investigó a fondo las sociedades extra-europeas y se expresó sin ambages contra los estragos del colonialismo. Es un error sugerir lo contrario. Esto se ha hecho evidente gracias a los manuscritos inacabados de Marx, recién publicados por la edición histórico-crítica de sus obras completas – la Marx-Engels Gesamtusgabe (MEGA2)–, a pesar del escepticismo que todavía está de moda en ciertos sectores académicos. Así, treinta años después del fin de la Unión Soviética, es posible leer a un Marx muy distinto del teórico dogmático, economicista y eurocéntrico que ha sido criticado, durante tantos años, por quienes no habían leído su obra o lo habían hecho solo superficialmente.
Casi todas las biografías intelectuales de Marx publicadas hasta hoy han dado un peso excesivo al examen de sus escritos de juventud. Durante mucho tiempo, la dificultad de examinar los estudios de los últimos años de su vida ha obstaculizado el conocimiento de los importantes logros que él alcanzó. Todos los biógrafos de Marx han dedicado muy pocas páginas a su actividad después de la disolución de la Asociación Internacional de Trabajadores, en 1872, y han utilizado casi siempre el título genérico de “la última década” para resumir esta parte de su existencia, en lugar de profundizar en lo que realmente hizo durante ese período. Mi libro pretende contribuir a llenar este vacío.
Poniendo el foco en “el último Marx”, ¿qué aportan sus cuadernos sobre las sociedades precapitalistas y sus estudios etnológicos?
Entre 1881 y 1882, Marx hizo notables progresos teóricos en relación con la antropología, los modos de producción precapitalistas, las sociedades no occidentales, la revolución socialista y la concepción materialista de la historia. Él consideraba que el estudio de nuevos conflictos políticos y de nuevos temas y zonas geográficas era fundamental para su crítica del sistema capitalista. Esto le permitió abrirse a nuevas especificidades nacionales y considerar la posibilidad del desarrollo del movimiento comunista en formas diferentes de las que había pensado anteriormente.
Los denominados Cuadernos antropológicos de 1881 –que son una colección de resúmenes comentados del libro La sociedad antigua (1877) del antropólogo estadounidense Lewis Morgan y de otros textos de historia y de antropología– representan una de las investigaciones más significativas del período final de su vida. Este trabajo permitió a Marx adquirir información particularizada sobre las características sociales y las instituciones del pasado más remoto, que no estaban aún en su posesión cuando había publicado El capital, en 1867. Marx no se ocupó de la antropología por mera curiosidad intelectual, aunque sí con una intención exquisitamente teórico-política. Quería reconstruir, sobre la base de un correcto conocimiento histórico, la secuencia con la cual, en el curso del tiempo, se habían sucedido los diferentes modos de producción. Ésta le servía también para dar fundamentos históricos más sólidos a la posible transformación de tipo comunista de la sociedad.
Persiguiendo este objetivo, Marx se dedicó al estudio de la prehistoria, del desarrollo de los vínculos familiares, de la condición de las mujeres, del origen de las relaciones de propiedad, de las prácticas comunitarias existentes en las sociedades precapitalistas, de la formación y la naturaleza del poder estatal y del rol del individuo en la sociedad. Entre las consideraciones más sugerentes están sus notas sobre la acumulación de riqueza, donde se indicaba que “la propiedad privada de casas, tierras y rebaños está vinculada con la familia monógama”. Como se había argumentado ya en El Manifiesto del partido comunista (1848), esto representaba el punto de partida de la historia como “historia de la lucha de clases”.
También Marx prestó gran atención a las consideraciones de Morgan sobre la emancipación de las mujeres. El antropólogo americano había afirmado que las sociedades antiguas fueron más progresistas que las contemporáneas en cuanto al trato y al comportamiento hacia las mujeres. En la Antigua Grecia, el cambio de la descendencia por línea femenina a la masculina fue perjudicial para la posición y los derechos de la mujer y Morgan evaluó muy negativamente este modelo social. Para el autor de La sociedad antigua, los griegos seguían siendo “bárbaros, en el apogeo de su civilización, en el tratamiento del sexo femenino. La inferioridad les era inculcada como un principio, hasta el punto de que llegó a ser aceptada como un hecho por las mujeres mismas”. Pensando en contraste con los mitos del mundo clásico, en los Cuadernos antropológicos Marx agregó un agudo comentario: “La situación de las diosas del Olimpo muestra reminiscencias de una posición anterior de las mujeres. Más libre e influyente. La ansiosa de poder Juno, la diosa de la sabiduría que nace de la cabeza de Zeus”.
Quizás el único tema que se conoce del “último Marx” es el debate sobre la comuna rural rusa. ¿Es una muestra del pensamiento dialéctico, anti teleológico de Marx? ¿Cuáles fueron sus principales fuentes teóricas en este caso?
A partir de 1870, después de haber aprendido a leer en ruso, Marx se puso a estudiar muy seriamente los cambios socioeconómicos que acontecieron en Rusia. Así se produjo un encuentro fundamental con la obra de Nikolái Chernishevski –la principal figura del populismo (expresión que, en el siglo XIX, tenía sentido izquierdista y anticapitalista) de aquel país. Al estudiar la obra de Chernishevski, Marx descubrió ideas originales acerca de la posibilidad de que, en algunas partes del mundo, el desarrollo económico saltara el modelo productivo capitalista y las terribles consecuencias sociales que había tenido para la clase trabajadora de Europa occidental. Chernishevski había escrito que un fenómeno social cualquiera no tiene que atravesar necesariamente todos los momentos lógicos en la vida real de todas las sociedades. Por lo tanto, las características positivas de la comuna rural (obschina) debían ser preservadas, pero solo podrían asegurar el bienestar de las masas campesinas si se insertaban en un contexto productivo diferente. La obschina solo podría contribuir a una etapa incipiente de la emancipación social si se transformaba en el embrión de una organización social nueva y radicalmente distinta. Sin los descubrimientos científicos y las adquisiciones tecnológicas asociadas al ascenso del capitalismo, la obschina nunca se transformaría en un experimento de cooperativismo agrícola verdaderamente moderno. Sobre esta base, los populistas plantearon dos objetivos para su programa: impedir el avance del capitalismo en Rusia y utilizar el potencial emancipatorio de las comunas rurales preexistentes.
Aunque esto es desconocido por la mayoría de los estudiosos de Marx, la obra de Chernishevski fue muy útil para el autor de El capital. Cuando, en 1881, Vera Zasulich le preguntó si la obschina estaba destinada a desaparecer o había podido ser transformada en una forma de producción socialista, Marx tenía una visión muy crítica sobre los procesos de transición de las formas comunales del pasado hacia el capitalismo. Por ejemplo, al referirse a India, él afirmó que lo único que los británicos lograron fue “arruinar la agricultura nativa y duplicar la cantidad de hambrunas y su gravedad” y Marx no consideraba al capitalismo como una etapa obligatoria para Rusia. Él no pensaba que la obschina estaba predestinada a seguir el mismo destino que otras formas similares de Europa occidental en siglos anteriores, donde la transición de una sociedad fundada en la propiedad comunal a una sociedad fundada en la propiedad privada había sido más o menos uniforme. Al mismo tiempo, Marx no había alterado su juicio crítico de las comunas rurales rusas y, en su análisis, la importancia del desarrollo individual y de la producción social, al fin de construir una sociedad socialista, permaneció intacta. Para Marx las comunas rurales arcaicas no eran un foco de emancipación más avanzado para el individuo que las relaciones sociales que existían dentro del capitalismo.
Este debate se ha interpretado de variadas formas. Por ejemplo, desde una lectura “tercermundista” se ha propuesto un Marx que en sus últimos años rompe consigo mismo y cambia de sujeto revolucionario. ¿Cuál es su opinión sobre estas lecturas?
En los borradores de la carta a Vera Zasulich no existen indicios de un quiebre dramático de Marx con sus posturas anteriores, como han creído detectar algunos estudiosos como Haruki Wada y Enrique Dussel. Tampoco se puede compartir la mirada de los autores que han sugerido una lectura “tercermundista” del Marx tardío, según la cual los sujetos revolucionarios ya no son los obreros fabriles sino las masas del campo y la periferia.
En concordancia con sus principios teóricos, Marx no sugirió que Rusia u otros países donde el capitalismo todavía estaba infradesarrollado tuviesen que transformarse en el foco primordial de un estallido revolucionario. Ni tampoco pensaba que las naciones con un capitalismo más atrasado estuviesen más cerca del objetivo del socialismo que aquellos caracterizados por un desarrollo productivo más avanzado. En su opinión, no se debían confundir las rebeliones o luchas por la resistencia esporádicas con el establecimiento de un nuevo orden socioeconómico basado en el socialismo. La posibilidad que él había considerado en un momento muy particular de la historia de Rusia, cuando se dieron condiciones favorables para una transformación progresiva de las comunas agrarias, no podía elevarse al estatus de modelo general. Ni en la Argelia dominada por los franceses, ni en la India británica, por ejemplo, se observaban las condiciones especiales que Chernishevski había identificado, y la Rusia de principios de la década de 1880 no podía compararse con lo que pudiese llegar a ocurrir allí en tiempos de Lenin. El nuevo elemento en el pensamiento de Marx consistió en una apertura teórica, cada vez mayor, que le permitió contemplar otros caminos posibles al socialismo que anteriormente no había considerado seriamente o que había considerado inalcanzables.
Las consideraciones de Marx sobre el futuro de la obschina se encuentran en las antípodas de la equiparación del socialismo con las fuerzas productivas, una concepción marcada por tintes nacionalistas y simpatías colonialistas que se hizo presente en la Segunda Internacional y los partidos socialdemócratas. También difieren en gran medida del supuesto “método científico” de análisis social preponderante en el marxismo-leninismo del siglo XX.
La ausencia de cualquier tipo de rígido esquematismo y la capacidad de desarrollar una teoría revolucionaria dúctil –y nunca separada de su contexto histórico– es útil no sólo para una mejor comprensión del pensamiento de Marx, sino también para recalibrar la brújula de la acción política de las fuerzas de la izquierda transformadora contemporánea.
Al final de su vida, ya bastante enfermo, Marx hizo un viaje a Argelia, poco conocido en su biografía. ¿Qué aporta la mirada de Marx desde allí?
En un intento extremo por curar su enfermedad pulmonar, en busca de un clima templado, Marx llegó a África en febrero de 1882. Se estableció por 72 días en Argel y este fue el único período de su vida que pasó fuera de Europa.Lamentablemente, casi ningún biógrafo de Marx ha prestado particular atención a este viaje.
Las terribles condiciones de salud impidieron a Marx comprender a fondo la realidad argelina. Ni siquiera, como deseaba, le fue posible estudiar las características de la propiedad común entre los árabes. Él ya se había interesado por este tema en el curso de sus estudios sobre la propiedad agraria y las sociedades precapitalistas, que había iniciado en 1879. Entonces escribió que la individualización de la propiedad de la tierra, realizada a lo largo del dominio francés, había procurado no sólo un enorme beneficio económico a los invasores, sino también había favorecido el objetivo político de destruir las bases de la sociedad argelina.
Marx estaba muy afligido por haber tenido que abandonar, de manera forzosa, cualquier tipo de actividad intelectual laboriosa. Sin embargo, a pesar de sus dolencias, entre las observaciones más interesantes que logró resumir en las cartas redactadas en Argel destacan aquellas contra el colonialismo europeo. Él atacó furibundamente los violentos atropellos y las repetidas provocaciones de los franceses frente a cada acto de rebelión de la población local, subrayando que, en relación con los daños producidos por las grandes potencias en la historia de las ocupaciones coloniales, los británicos y los holandeses habían sido aún peores.
Para terminar: en los últimos años, Marx sigue abocado a la polémica con aquellos que piensan que es posible democratizar el Estado capitalista. ¿Qué piensas?
Al final de su vida, Marx volvió a estudiar el origen y las funciones del Estado. A través de los estudios del antropólogo Morgan y criticando al historiador británico Henry Maine, Marx se dedicó al análisis del papel desarrollado por el Estado en la fase de transición “de la barbarie a la civilización” y a las relaciones entre individuo y Estado. Las últimas anotaciones de Marx a propósito fueron en continuidad con sus elaboraciones más significativas del pasado. En De la crítica de la filosofía hegeliana del derecho público, de 1843, Marx había escrito que los franceses estaban en lo correcto al afirmar que “el Estado político tiene que desaparecer en la verdadera democracia” y en La guerra civil en Francia, publicada en 1871, él había representado el poder estatal como la “fuerza pública organizada para la esclavización social” o como la “máquina del despotismo de clase”.
De manera similar, en los Cuadernos antropológicos de 1881, Marx definió al Estado como un poder de servidumbre social y una fuerza que impide la plena emancipación del individuo. Además, en estos estudios muy poco conocidos, él insistió sobre el carácter parasitario y transitorio del Estado: “la existencia, supuestamente suprema e independiente, del Estado no es más que una apariencia. El Estado, en todas sus formas, es una excrecencia de la sociedad. Incluso su apariencia no se presenta hasta que la sociedad ha alcanzado un cierto grado de desarrollo y desaparecerá de nuevo en cuanto la sociedad llegue a un nivel hasta ahora inalcanzado”.
Estas reflexiones parecen muy alejadas de nuestro tiempo y de la necesidad de la intervención del Estado para mitigar el dominio indiscutible del mercado. Sin embargo, nunca hay que olvidar que la sociedad socialista teorizada por Marx no tiene nada que ver con el estatismo de los llamados “socialismos reales” del siglo XX y que Marx siempre dirigió una crítica aspérrima contra la izquierda que quisiera gobernar contentándose con hacer meros paliativos a las directrices económicas y sociales del liberalismo. También por esta razón, Marx sigue siendo indispensable para todos los que luchan por reconstruir una alternativa emancipadora y su crítica política del comunismo de Estado y de los socialismos compatibles con el liberalismo no es menos importante que su crítica económica del modo de producción capitalista.
Alienazione, storia di un concetto
Da quando sono stati pubblicati per la prima volta negli anni Trenta, i primi scritti di Karl Marx sull’alienazione sono serviti come pietra di paragone radicale nei campi del pensiero sociale e filosofico, dando vita a consensi, contestazioni e dibattiti. Nei Manoscritti economico-filosofici del 1844, Marx sviluppò per la prima volta il concetto di lavoro alienato, spingendosi oltre le nozioni filosofiche, religiose e politiche esistenti di alienazione per collocarlo nella sfera economica della produzione materiale. Si è trattato di una mossa rivoluzionaria e l’alienazione è stato un concetto che Marx non ha mai messo da parte e che avrebbe continuato a perfezionare e sviluppare nei decenni successivi. Sebbene i teorici sul tema dell’alienazione abbiano, per la maggior parte, continuato a fare uso dei primi scritti di Marx, è nell’opera successiva che Marx fornisce un resoconto più completo e sviluppato dell’alienazione, nonché una teoria del suo superamento. Nei taccuini dei Grundrisse (1857-58), così come in altri manoscritti preparatori de Il Capitale (1867), Marx propone una concezione dell’alienazione che trova storicamente fondamento nella sua analisi dei rapporti sociali sotto il capitalismo. Se questo importante aspetto della teoria di Marx è stato finora sottovalutato, resta la chiave per comprendere cosa intendesse il Marx maturo per alienazione – e contribuisce a dare gli strumenti concettuali che saranno necessari per trasformare il sistema economico e sociale dell’ipersfruttamento in cui viviamo oggi.
Una lunga traiettoria
Il primo resoconto sistematico dell’alienazione è stato fornito da Hegel ne La fenomenologia dello spirito (1807), dove i termini Entausserung («alienazione»), Entfremdung («straniamento») e Vergegenständlichung (letteralmente: «oggettivazione») sono stati usati per descrivere il divenire altro da sé dello Spirito nel regno dell’oggettività. Il concetto di alienazione continuò a occupare un posto di rilievo negli scritti della sinistra hegeliana e Ludwig Feuerbach sviluppò una teoria dell’alienazione religiosa in L’essenza del cristianesimo (1841) dove descrisse la proiezione dell’uomo della propria essenza su una divinità immaginaria. Ma il concetto di alienazione è in seguito sparito dalla riflessione filosofica, e nessuno dei maggiori pensatori della seconda metà dell’Ottocento vi prestò grande attenzione. Anche Marx usava raramente questo termine nelle opere pubblicate mentre era in vita, e la discussione sull’alienazione era palesemente assente dal marxismo della Seconda Internazionale (1889-1914). Fu durante questo periodo, tuttavia, che diversi pensatori svilupparono concetti che in seguito vennero associati all’alienazione. Nei suoi La divisione del lavoro sociale (1893) e Il suicidio. Studio di sociologia (1897), Émile Durkheim introdusse il concetto di «anomia» per indicare un insieme di fenomeni in base ai quali le norme che garantiscono la coesione sociale entrano in crisi a seguito di una maggiore estensione della divisione del lavoro. Alla base del pensiero dei sociologi tedeschi c’erano anche gli sconvolgimenti sociali associati ai grandi cambiamenti nel processo di produzione. Georg Simmel in La filosofia del denaro (1900) ha prestato grande attenzione al dominio delle istituzioni sociali sugli individui e alla crescente impersonalità delle relazioni umane. Max Weber, in Economia e società (1922), si sofferma sui fenomeni di «burocratizzazione» e di «calcolo razionale» nelle relazioni umane, ritenendoli l’essenza del capitalismo. Ma questi autori pensavano di descrivere tendenze inarrestabili delle relazioni umane e le loro riflessioni erano spesso guidate dal desiderio di migliorare l’ordine sociale e politico esistente, non certo di sostituirlo con uno diverso.
Il ritorno a una teoria marxista dell’alienazione avvenne in gran parte grazie a György Lukács, che in Storia e coscienza di classe (1923) introdusse il termine «reificazione» (Versachlichung) per descrivere il fenomeno per cui l’attività lavorativa si confronta con gli esseri umani come qualcosa di oggettivo e indipendente, dominandoli attraverso leggi autonome esterne. Quando i Manoscritti economici e filosofici del 1844 apparvero finalmente in tedesco nel 1932, il testo inedito della giovinezza di Marx fece scalpore in tutto il mondo. Il concetto di alienazione di Marx descriveva il prodotto del lavoro di fronte al lavoro «come qualcosa di estraneo, come un potere indipendente dal produttore». Elencò i quattro modi in cui l’operaio è alienato nella società borghese: (1) dal prodotto del suo lavoro, che diventa «un oggetto estraneo che ha potere su di lui»; (2) nella sua attività lavorativa, che percepisce come «diretta contro sé stesso», come se «non gli appartenesse»; (3) dall’«essere specie dell’uomo», che si trasforma in «un essere a lui estraneo»; e (4) da altri esseri umani, e in relazione «al loro lavoro e all’oggetto del lavoro». Per Marx, a differenza di Hegel, l’alienazione non coincideva con l’oggettivazione in quanto tale, ma piuttosto con un fenomeno specifico all’interno di una forma precisa di economia: cioè il lavoro salariato e la trasformazione dei prodotti del lavoro in oggetti contrapposti ai produttori. Mentre Hegel presentava l’alienazione come una manifestazione ontologica del lavoro, Marx la concepiva come caratteristica di una particolare fase della produzione: il capitalismo.
Divergendo fondamentalmente da Marx, nella prima parte del ventesimo secolo, la maggior parte degli autori che si sono occupati dell’alienazione la consideravano un aspetto universale della vita. In Essere e tempo (1927), Martin Heidegger affronta l’alienazione in termini puramente filosofici. La categoria da lui usata per la sua fenomenologia dell’alienazione era «caduta» [Verfallen], cioè la tendenza dell’esistenza umana a perdersi nell’inautenticità del mondo circostante. Heidegger considerava questa caduta non come una «proprietà cattiva e deplorevole di cui forse gli stadi più avanzati della cultura umana potrebbero liberarsi», ma piuttosto come «una forma esistenziale di Essere-nel-mondo», come una realtà che fa parte della dimensione fondamentale della storia. Dopo la Seconda guerra mondiale, l’alienazione divenne un tema ricorrente – sia in filosofia che in letteratura – sotto l’influenza dell’esistenzialismo francese. Ma si identificava con un diffuso malcontento dell’uomo nella società, una scissione tra l’individualità umana e il mondo dell’esperienza, una condizione umana insormontabile. La maggior parte dei filosofi esistenzialisti non proponeva un’origine sociale per l’alienazione, la vedeva come inevitabilmente legata a tutta la «fatticità» (senza dubbio il fallimento dell’esperienza sovietica ha favorito tale visione) e l’alterità umana. Marx aveva contribuito a sviluppare una critica della sottomissione umana nei rapporti di produzione capitalistici. Gli esistenzialisti, al contrario, hanno cercato di assorbire quelle parti dell’opera di Marx che ritenevano utili per il loro approccio, ma in una discussione meramente filosofica priva di uno specifico resoconto storico.
Per Herbert Marcuse, come per gli esistenzialisti, l’alienazione era associata all’oggettivazione in quanto tale, piuttosto che a una condizione particolare sotto il capitalismo. In Eros e civiltà (1955), si allontanò da Marx, sostenendo che l’emancipazione umana può essere raggiunta solo con l’abolizione – non la liberazione – del lavoro e con l’affermazione della libido e del gioco nelle relazioni sociali. Marcuse alla fine si oppose al dominio tecnologico in generale, perdendo la specificità storica che legava l’alienazione ai rapporti capitalistici di produzione, e le sue analisi sul cambiamento sociale erano pessimiste al punto che spesso la classe operaia veniva associata ai soggetti che agivano in difesa del sistema.
L’irresistibilità delle teorie dell’alienazione
Un decennio dopo l’intervento di Marcuse, il termine alienazione è entrato nel vocabolario della sociologia nordamericana. La sociologia tradizionale lo ha trattato come un problema dell’essere umano individuale, non delle relazioni sociali, e la ricerca di soluzioni è stata centrata sulla capacità degli individui di adattarsi all’ordine esistente piuttosto che su pratiche collettive per cambiare la società. Questo importante cambiamento di approccio ha finito per mettere in secondo piano l’analisi dei fattori storico-sociali. Nella tradizione marxista il concetto di alienazione aveva contribuito ad alcune delle critiche più acute al modo di produzione capitalistico, ma la sua istituzionalizzazione nel campo della sociologia lo ha ridotto a fenomeno di disadattamento individuale alle norme sociali. Queste interpretazioni hanno contribuito a un impoverimento teorico del discorso sull’alienazione, che – lungi dall’essere un fenomeno complesso legato all’attività lavorativa dell’uomo – è diventato, per alcuni sociologi, un fenomeno positivo, un mezzo per esprimere la creatività. In questa veste, la categoria dell’alienazione è stata diluita al punto da essere virtualmente priva di significato.
Nello stesso periodo, la categoria dell’alienazione si è fatta strada nella psicoanalisi. Erich Fromm l’ha utilizzata per cercare di costruire un ponte verso il marxismo. Per Fromm, tuttavia, l’enfasi era sulla soggettività, e la sua nozione di alienazione, riassunta in Psicanalisi della società contemporanea (1955) come «una modalità di esperienza in cui l’individuo sperimenta sé stesso come estraneo», rimaneva ancora troppo centrata sull’individuo. Il resoconto di Fromm del concetto di Marx si basava esclusivamente sui Manoscritti economico-filosofici e metteva da parte il ruolo del lavoro alienato nel pensiero di Marx. Questa lacuna impediva a Fromm di dare il giusto peso all’alienazione oggettiva (quella del lavoratore nel processo lavorativo e in relazione al prodotto del lavoro).
Negli anni Sessanta, le teorie dell’alienazione sono diventate di moda e il concetto è parso esprimere alla perfezione lo spirito dell’epoca. In La società dello spettacolo di Guy Debord (1967), la teoria dell’alienazione si collegava alla critica della produzione immateriale: «Con la Seconda rivoluzione industriale, il consumo alienato è diventato un dovere per le masse tanto quanto la produzione alienata». In La società dei consumi (1970), Jean Baudrillard ha preso le distanze dall’attenzione marxista sulla centralità della produzione e ha identificato il consumo come il fattore primario nella società moderna. La crescita della pubblicità e dei sondaggi di opinione aveva creato bisogni spuri e consenso di massa in un’«era di consumo» e «alienazione radicale». La diffusione del termine, tuttavia, insieme alla sua applicazione indiscriminata, ha creato una profonda ambiguità concettuale. Nel giro di pochi anni, l’alienazione si è trasformata fino a descrivere quasi tutto nello spettro dell’infelicità umana; è diventato un fenomeno così totalizzante da generare la convinzione che non avrebbe mai potuto essere modificato. Con centinaia di libri e articoli pubblicati sull’argomento in tutto il mondo, ci si trovava nell’era dell’alienazione tout court. Autori di varie estrazioni politiche e discipline accademiche hanno identificato tra le sue cause la mercificazione, l’eccessiva specializzazione, l’anomia, la burocratizzazione, il conformismo, il consumismo, la perdita del senso di sé tra le nuove tecnologie, l’isolamento personale, l’apatia, l’emarginazione sociale o etnica e l’inquinamento ambientale. Il dibattito ha assunto tratti ancora più paradossali nel contesto accademico nordamericano, dove il concetto di alienazione ha subito una vera e propria distorsione e ha finito per essere utilizzato dai difensori delle stesse classi sociali contro cui per tanto tempo era stato diretto.
L’alienazione secondo Karl Marx
I Grundrisse, scritti nel 1857-1858, forniscono il miglior resoconto di Marx sul tema dell’alienazione, sebbene rimasti inediti anche in Germania fino al 1939. Quando il testo fu infine tradotto in lingue europee e asiatiche alla fine degli anni Sessanta, con l’edizione in inglese del 1973, gli studiosi concentrarono maggiormente la loro attenzione sul modo in cui Marx concettualizzava l’alienazione nei suoi scritti maturi. Il resoconto dei Grundrisse ricordava le analisi dei Manoscritti economico-filosofici del 1844, ma si arricchiva di una comprensione molto maggiore delle categorie economiche e di un’analisi sociale più rigorosa. Nei Grundrisse, Marx ha usato più di una volta il termine «alienazione» e ha sostenuto che nel capitalismo
Lo scambio generale delle attività e dei prodotti, che è diventato condizione di vita per ogni singolo individuo, il nesso che unisce l’uno all’altro, si presenta ad essi stessi estraneo, indipendente, come una cosa. Nel valore di scambio la relazione sociale tra le persone si trasforma in rapporto sociale tra cose; la capacità personale, in una capacità delle cose.
I Grundrisse non furono l’unico testo incompiuto della maturità di Marx a presentare un resoconto dell’alienazione. Cinque anni dopo la sua stesura, Il Capitale, Libro 1, Capitolo IV inedito (1863-1864) ha avvicinato le analisi economiche e politiche dell’alienazione. «Il dominio del capitalista sull’operaio – scriveva Marx – è il dominio delle cose sugli esseri umani, del lavoro morto sui vivi, del prodotto sul produttore». Nella società capitalistica, in virtù della «trasposizione della produttività sociale del lavoro negli attributi materiali del capitale», si ha una vera e propria «personificazione delle cose e reificazione delle persone», dando l’impressione che «le condizioni materiali del lavoro non siano soggette al lavoratore, ma lui a loro». Marx ha fornito un resoconto simile – molto più elaborato di quello dei suoi primi scritti filosofici – in una famosa sezione del Capitale: «Il feticismo della merce e il suo segreto». Per Marx, nella società capitalista, le relazioni tra le persone non appaiono «come relazioni sociali dirette tra le persone… ma piuttosto come rapporti materiali tra le persone e rapporti sociali tra le cose». Questo fenomeno è quello che definì «il feticismo che s’appiccica ai prodotti del lavoro appena vengono prodotti come merci, e che quindi è inseparabile dalla produzione delle merci». Il feticismo delle merci non ha sostituito l’alienazione dei suoi primi scritti. Nella società borghese, sosteneva Marx, le qualità e le relazioni umane si trasformano in qualità e relazioni tra le cose. Questa teoria di ciò che Lukács chiamerebbe reificazione illustrava questo fenomeno dal punto di vista delle relazioni umane, mentre il concetto di feticismo lo trattava in relazione alle merci. «Nella società borghese – sosteneva Marx – le qualità e le relazioni umane si trasformano in qualità e relazioni tra le cose».
La diffusione degli scritti di Marx sull’alienazione ha aperto la strada a un allontanamento dalla concettualizzazione del fenomeno da parte della sociologia e della psicologia tradizionali. Il resoconto dell’alienazione di Marx era orientato al suo superamento nella pratica, all’azione politica dei movimenti sociali, dei partiti e dei sindacati per cambiare le condizioni di lavoro e di vita della classe operaia. La pubblicazione di quella che, dopo i Manoscritti economico-filosofici del 1844 degli anni Trenta, può essere pensata come la «seconda generazione» degli scritti di Marx sull’alienazione ha quindi fornito non solo una base teorica coerente per nuovi studi sull’alienazione, ma soprattutto una piattaforma ideologica anticapitalista per gli straordinari movimenti politici e sociali esplosi nel mondo in quegli anni. L’alienazione è andata oltre i libri dei filosofi e le aule universitarie. È scesa in piazza ed è entrata nelle lotte operaie, è diventata una critica della società borghese in generale.
Dagli anni Ottanta del Novecento, il mondo del lavoro ha subito una sconfitta epocale, il sistema economico globale è più sfruttatore che mai e la sinistra è ancora nel bel mezzo di una profonda crisi. Certo, Marx non può dare una risposta a molti problemi contemporanei, ma individua le questioni essenziali. In una società dominata dal libero mercato e dalla concorrenza tra individui, il racconto dell’alienazione di Marx continua a fornire uno strumento critico indispensabile sia per comprendere che per criticare il capitalismo oggi.