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A guerra e a esquerda: considerações sobre uma história conturbada

As causas econômicas da guerra

Enquanto a ciência política investigou as motivações ideológicas, políticas, econômicas e até mesmo psicológicas que conduzem à guerra, a teoria socialista forneceu uma de suas contribuições mais convincentes ao destacar o nexo entre o desenvolvimento do capitalismo e a proliferação bélica. Nos debates da Associação Internacional dos Trabalhadores (1864-1872), César de Paepe, um de seus principais dirigentes, formulou aquela que viria a ser a posição clássica do movimento dos trabalhadores sobre a questão, a saber, que as guerras são inevitáveis sob o regime de produção capitalista. Na sociedade contemporânea, elas não são provocadas pelas ambições de monarcas ou de outros indivíduos, mas pelo modelo socioeconômico dominante (cf. De Paepe, 2014a; 2014b). O movimento socialista também mostrou quais setores da população eram mais atingidos por suas consequências nefastas. No congresso da Internacional realizado em 1868, os delegados aprovaram uma moção que conclamava os tra-balhadores a buscar “a abolição final de todas as guerras” (cf. Freymond, 1962, p.402) [1] pois seriam eles que pagariam – economicamente ou com seu próprio sangue, estivessem entre os vencedores ou os derrotados – pelas decisões de suas classes dominantes e dos governos que as representam. Para o movimento dos trabalhadores, a lição civilizatória veio da crença de que qualquer guerra deve ser considerada “uma guerra civil” (Freymond, 1962, p.403; cf. Musto, 2014b, p.49), um confronto brutal entre trabalhadores que os privava dos meios necessários para sua sobrevivência. Eles precisavam agir de forma resoluta contra qualquer guerra por meio da resistência ao recrutamento e de greves. O internacionalismo tornou–se assim um ponto cardeal da sociedade futura, que, com o fim do capitalismo e da rivalidade entre os Estados burgueses no mercado mundial, teria eliminado as principais causas subjacentes da guerra.Entre os precursores do socialismo, Claude Henri de Saint-Simon adotou uma posição categórica contrária tanto à guerra quanto ao conflito social, considerando ambos obstáculos ao progresso fundamental da produção industrial. Karl Marx não desenvolveu, em nenhum de seus escritos, suas visões – fragmentárias e às vezes contraditórias – sobre a guerra, nem apresentou diretrizes para o posiciona-mento correto a ser adotado em relação a ela. Ao escolher entre campos opostos, sua única constante era a oposição à Rússia czarista, vista por ele como o posto avançado da contrarrevolução e uma das principais barreiras à emancipação da classe trabalhadora. Em O capital (1867), argumentou que a violência era uma força econômica, “a parteira de toda velha sociedade grávida de uma nova” (Marx, 1996, p.739). Mas não pensava na guerra como um atalho crucial para a transfor-mação revolucionária da sociedade, e um dos principais objetivos de sua atividade política era engajar os trabalhadores no princípio da solidariedade internacional. Conforme também argumentou Friedrich Engels, eles deveriam agir de modo resoluto em países individuais contra o amortecimento da luta de classes que a invenção propagandística de um inimigo externo ameaçava provocar na eclosão de qualquer guerra. Em diversas cartas endereçadas aos líderes do movimento dos trabalhadores, Engels destacou o poder ideológico da armadilha patriótica e o atraso da revolução proletária resultante de ondas de chauvinismo. Além disso, em Anti-Dühring (1878), após uma análise dos efeitos de armamentos cada vez mais mortíferos, ele declarou que a tarefa do socialismo era “explodir o militarismo e todos os exércitos permanentes” (Engels, 1987, p.158).A guerra era uma questão tão importante para Engels que ele dedicou um de seus últimos escritos a ela. Em “A Europa pode se desarmar?” (1893), observou que, nos 25 anos prévios, todas as grandes potências tentaram superar seus rivais militarmente e em termos de preparativos de guerra. Isto havia envolvido níveis sem precedentes de produção de armas e aproximou o Velho Continente de “uma guerra de destruição como o mundo nunca viu” (Engels, 1990, p.372). Segundo o coautor do Manifesto do Partido Comunista (1848), “o sistema de exércitos permanentes foi levado a tais extremos em toda a Europa que deve trazer a ruína econômica dos povos por causa do fardo militar, ou então degenerar em uma guerra geral de extermínio”. Em sua análise, Engels não se esqueceu de sublinhar que os exércitos permanentes eram mantidos principalmente para fins políticos internos, assim como para militares externos. Seu propósito era “fornecer proteção antes contra o inimigo interno do que contra o externo”, consolidando as forças para reprimir o proletariado e as lutas dos trabalhadores. Uma vez que as camadas populares, por meio de impostos e do fornecimento de tropas ao Estado, pagavam mais do que ninguém os custos da guerra, o movimento dos trabalhadores deveria lutar pela “redução gradual do tempo de serviço [militar] por tratado internacional” e pelo desarmamento como a única “garantia de paz” (Engels, 1990, p.371) eficaz.

Testes e colapso
Não tardou muito para que um debate teórico travado em tempos de paz se transformasse na principal questão política da época, quando o movimento dos trabalhadores teve que enfrentar situações reais. Inicialmente, seus representan-tes foram contrários a qualquer apoio à guerra. No conflito franco-prussiano de 1870 (que precedeu a Comuna de Paris), os delegados social-democratas Wilhelm Liebknecht e August Bebel condenaram os objetivos anexionistas da Alemanha de Bismarck e votaram contra os créditos de guerra. Sua decisão de “rejeitar o projeto de lei de financiamento suplementar para estender a guerra” (apud Pelz, 2016, p.50) rendeu-lhes uma sentença de dois anos de prisão por alta traição, mas ajudou a mostrar à classe trabalhadora uma maneira alternativa de responder à crise.À medida que as grandes potências europeias mantinham sua expansão impe-rialista, a controvérsia sobre a guerra adquiria um peso cada vez maior nos debates da Segunda Internacional (1889-1916). Uma resolução adotada em seu congresso de fundação consagrou a paz como “condição indispensável de toda e qualquer emancipação dos trabalhadores” (apud Dominick, 1982, p.343). A suposta política de paz da burguesia foi ridicularizada e caracterizada como uma política de “paz armada” e, em 1895, Jean Jaurès, líder do Partido Socialista Francês (SFIO), fez um discurso no parlamento no qual notabilizou resumidamente as apreensões da esquerda: “sua sociedade violenta e caótica, mesmo quando quer a paz, mesmo quando está em estado de aparente repouso, ainda carrega em si a guerra, assim como uma nuvem adormecida carrega uma tempestade” (Jaurès, 1982, p.32).À medida que a Weltpolitik – a política agressiva da Alemanha Imperial para ampliar seu poder na arena internacional – mudou o cenário geopolítico, os princípios antimilitaristas deitaram raízes mais profundas no movimento dos trabalhadores e influenciaram as discussões sobre os conflitos armados. A guerra não era mais vista somente como uma abertura para oportunidades revolucionárias e uma aceleração do colapso do sistema (uma ideia da esquerda desde a Guerra Revolucionária de 1792) [2] Ela era vista agora como um perigo em razão de suas graves consequências para o proletariado na forma de fome, penúria e desemprego. Ela representava assim uma séria ameaça para as forças progressistas; conforme escreveu Karl Kautsky em A Revolução Social (1902), em caso de guerra, estas seriam “encarregadas de pesadas tarefas que não lhes são essenciais” (Kautsky, 1903, p.77), tarefas que levariam a vitória final a ficar mais distante, em vez de aproximá-la.A resolução “Sobre Militarismo e Conflitos Internacionais”, adotada pela Segunda Internacional em seu Congresso de Stuttgart em 1907, recapitulou todos os pontos principais que se haviam tornado patrimônio comum do movimento dos trabalhadores, entre eles: um voto contrário aos orçamentos que aumentavam os gastos militares, antipatia por exércitos permanentes e preferência por um siste-ma de milícias populares e apoio ao plano de criar tribunais de arbitragem para resolver pacificamente os conflitos internacionais. Isso excluiu o recurso a greves gerais contra qualquer tipo de guerra, conforme proposto por Gustave Hervé, uma vez que a maioria dos presentes considerou a ideia muito radical e maniqueísta. A resolução terminou com uma emenda redigida por Rosa Luxemburgo, Vladimir Lênin e Yulii Martov. Ela afirmava que, “no caso de eclosão de uma guerra […], é dever [dos socialistas] intervir em favor de seu término célere e, por meio de todos os seus poderes, valer-se da crise econômica e política criada pela guerra, incitar as massas e, assim, acelerar o declínio do domínio de classe capitalista” (apud Lênin et al., 1972, p.80). No entanto, como isso não obrigava o Partido Social-democrata da Alemanha (SPD) a fazer qualquer mudança em sua linha política, seus representantes também votaram a favor dela. O texto, conforme alterado, foi o último documento sobre a guerra que obteve o apoio unânime da Segunda Internacional.Uma competição mais intensa entre os Estados capitalistas no mercado mundial, juntamente com a eclosão de diversos conflitos internacionais, tornou o quadro geral ainda mais alarmante. A publicação de O Novo Exército (1911), de Jaurès, estimulou a discussão de outro tema central do período: a distinção entre guerras ofensivas e defensivas e a posição a ser adotada em relação a estas, inclusive nos casos em que a independência de um país estivesse ameaçada. Para Jaurès, a única tarefa do exército deveria ser defender a nação contra qualquer agressão ofensiva ou qualquer agressor que não aceitasse a resolução da disputa por mediação. Toda ação militar que se enquadra nesta categoria deveria ser considerada legítima. A crítica perspicaz de Luxemburgo a essa posição apontou que “fenômenos históricos como as guerras modernas não podem ser medidos com o critério de ‘justiça’, ou por meio de um esquema sobre o papel da defesa e da agressão” (Luxemburgo, 1911). Em sua visão, era necessário ter em mente a dificuldade de se estabelecer se uma guerra era realmente ofensiva ou defensiva, ou se o Estado que a iniciou havia deliberadamente decidido atacar ou se havia sido forçado a fazê-lo por causa dos estratagemas adotados pelo país antagônico. Luxemburgo pensava, portanto, que a distinção deveria ser descartada e criticou ainda a ideia da “nação armada” de Jaurès, com o argumento de que, no limite, ela tendia a fomentar a militarização crescente da sociedade.À medida que os anos passaram, a Segunda Internacional comprometeu-se cada vez menos com uma política de ação em prol da paz. Sua oposição ao rear-mamento e aos preparativos de guerra era deveras débil e uma ala cada vez mais moderada e legalista do SPD trocou seu apoio a créditos de guerra – e depois até mesmo à expansão colonial – em troca da concessão de maiores liberdades políti-cas na Alemanha. Líderes importantes e teóricos eminentes como Gustav Noske, Henry Hyndman e Arturo Labriola foram os primeiros a adotar estas posições. Posteriormente, a maioria dos social-democratas alemães, socialistas franceses, líderes do Partido Trabalhista britânico e de outros reformistas europeus acabaria por apoiar a Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Este rumo teve consequên-cias desastrosas. Com a ideia de que os “benefícios do progresso” não deveriam ser monopolizados pelos capitalistas, o movimento dos trabalhadores passou a partilhar dos objetivos expansionistas das classes dominantes e foi inundado pela ideologia nacionalista. A Segunda Internacional mostrou-se completamente impotente diante da guerra, fracassando em um de seus principais objetivos: a preservação da paz.Lênin e outros delegados da conferência de Zimmerwald (1915) – incluindo Leon Trotsky, que redigiu o manifesto final – previram que “por décadas, os gastos com a guerra absorverão as melhores energias dos povos, solapando as melho-rias sociais e impedindo qualquer progresso”. Em sua visão, a guerra revelava a “forma nua do capitalismo moderno, que se tornou irreconciliável não apenas com os interesses das massas trabalhadoras […], mas também com as condições básicas da existência comunal humana” (Trotsky, 1915). Apenas uma minoria no movimento dos trabalhadores prestou atenção na advertência, assim como ocorreu com o chamado a todos os trabalhadores europeus na Conferência de Kienthal (1916): “Seus governos e seus jornais dizem que a guerra deve continuar para matar o militarismo. Eles estão enganando vocês! A guerra nunca matou a guerra. Na verdade, ela desperta sentimentos e desejos de vingança. Desta forma, marcando-te para o sacrifício, eles te encerram em um círculo infernal”. Finalmente rompendo com a abordagem do Congresso de Stuttgart, que havia reivindicado tribunais internacionais de arbitragem, o documento final de Kienthal declarava que “as ilusões do pacifismo burguês” (Lênin, 1977, p.371) não interromperiam a espiral da guerra, mas ajudariam a preservar o sistema socioeconômico exis-tente. A única maneira de prevenir conflitos militares futuros era pela conquista do poder político e deposição da propriedade capitalista pelas massas populares.Rosa Luxemburgo e Vladimir Lênin foram os dois mais vigorosos opositores da guerra. Luxemburgo ampliou a compreensão teórica da esquerda e mostrou como o militarismo era uma vértebra central do Estado. [3] Demonstrando uma convicção e eficácia com poucos paralelos entre outros líderes comunistas, ela defendeu que o mote “guerra contra a guerra!” deveria tornar-se “a pedra angular da política da classe trabalhadora”. Conforme escreveu em Teses sobre as tarefas da social-democracia (1915), a Segunda Internacional havia implodido porque fracassou em “estabelecer uma tática e ação comum do proletariado em todos os países”. A partir de então, o “objetivo principal” do proletariado deveria ser, portanto, “combater o imperialismo e prevenir as guerras, tanto na paz quanto em guerra” (Luxemburgo, 1915).Em Socialismo e Guerra (1915) e muitos outros escritos durante a Primeira Guerra Mundial, o grande mérito de Lênin foi identificar duas questões funda-mentais. A primeira dizia respeito à “falsificação histórica” em curso sempre que a burguesia tentava atribuir um “senso progressista de libertação nacional” ao que, na realidade, eram guerras de “pilhagem” (Lênin, 1971, p.299-300), travadas com o objetivo único de decidir quais dos beligerantes oprimiriam desta vez a maior parte dos povos estrangeiros e ampliariam as desigualdades do capitalismo. A se-gunda, ao mascaramento das contradições realizado pelos reformistas sociais – ou “social-chauvinistas” (Lênin, 1971, p.306), como ele os chamava – que acabaram endossando as justificativas para a guerra a despeito de a terem definido como uma atividade “criminosa” nas resoluções adotadas pela Segunda Internacional. Por trás de sua pretensão de “defender a pátria” estava o direito que certas grandes potências haviam outorgado a si mesmas de “pilhar as colônias e oprimir os povos estrangei-ros”. As guerras não foram travadas para salvaguardar “a existência das nações”, mas “para defender os privilégios, a dominação, a pilhagem e a violência” das várias “burguesias imperialistas” (Lênin, 1971, p.307). Os socialistas que haviam capitulado ao patriotismo tinham substituído a luta de classes por uma reivindicação das “migalhas dos lucros obtidos por sua burguesia nacional por meio da pilhagem de outros países”. Por conseguinte, Lênin era a favor de “guerras defensivas” – não a defesa nacional dos países europeus à Jaurès, mas as “guerras justas” de “povos oprimidos e subjugados” que haviam sido “saqueados e privados de seus direitos” pelas “grandes potências escravistas” (Lênin, 1971, p.314). A tese mais celebrada deste panfleto – a de que os revolucionários deveriam procurar “transformar a guerra imperialista em guerra civil” (Lênin, 1971, p.315) [4] – implicava que aqueles que realmente desejavam uma “paz democrática duradoura” deveriam travar uma “guerra civil contra seus governos e a burguesia” (Lênin, 1971, p.316). [5] Lênin estava convencido de algo que a história posterior mostraria ser impreciso, a saber, de que qualquer luta de classes travada consistentemente em tempos de guerra criaria “inevitavelmente” um espírito revolucionário entre as massas.

Linhas de demarcação

A Primeira Guerra Mundial produziu fissuras não apenas no interior da Se-gunda Internacional, mas também no movimento anarquista. Em artigo publicado pouco após a eclosão do conflito, Kropotkin escreveu que “a tarefa de qualquer pessoa que tenha apreço pela ideia de progresso humano é esmagar a invasão alemã na Europa Ocidental” (Kropotkin, 1914, p.76-77). Esta declaração, vista por muitos como um abandono dos princípios pelos quais lutou sua vida toda, foi uma tentativa de ir além do slogan “greve geral contra a guerra” – que havia passado desapercebido pelas massas trabalhadoras – e de evitar a regressão geral da política europeia que resultaria de uma vitória alemã. Na visão de Kropotkin, se os antimilitaristas ficassem inertes, eles beneficiariam indiretamente os planos de conquista dos invasores e o obstáculo resultante seria ainda mais difícil de ser superado por aqueles que lutavam por uma revolução social.Em uma réplica a Kropotkin, o anarquista italiano Errico Malatesta argumentou que, embora não fosse um pacifista e considerasse legítimo pegar em armas em uma guerra de libertação, o mundo não era – conforme declarava a propaganda burguesa – uma luta “pelo bem geral contra o inimigo comum” da democracia e sim outro exemplo de subjugação das massas trabalhadoras pela classe dominante. Ele estava ciente de que “uma vitória alemã certamente representaria o triunfo do militarismo, mas também que um triunfo dos aliados significaria a dominação russo-britânica na Europa e na Ásia” (Malatesta, 1993, p.230).No Manifesto dos Dezesseis (1916), Kropotkin sustentou a necessidade de “resistir a um agressor que representa a destruição de todas as nossas esperanças de libertação” (Kropotkin et al., 1916). Uma vitória da Tríplice Entente contra a Alemanha seria o mal menor, solapando em menor grau as liberdades existentes. De outro lado, Malatesta e seus companheiros signatários do Manifesto antibélico da Internacional Anarquista (1915) declararam: “Não é possível distinguir entre guerras ofensivas e guerras defensivas”. Além disso, eles acrescentaram que “nenhum dos beligerantes têm direito a reivindicar a civilização, assim como nenhum deles têm o direito de alegar legítima autodefesa” (Malatesta et al., 1998, p.388). A Primeira Guerra Mundial, insistiram eles, era mais um episódio do conflito entre capitalistas de várias potências imperialistas, travado às custas da classe trabalhadora. Malatesta, Emma Goldman, Ferdinand Nieuwenhuis e a grande maioria do movimento anarquista estavam convencidos de que apoiar os governos burgueses seria um erro imperdoável. Ao contrário, sem hesitações, eles se ativeram ao slogan “nenhum homem e nenhum centavo para o exército”, rejeitando decididamente até mesmo um apoio indireto à guerra.As posições em relação à guerra também suscitaram debates no movimento feminista. A necessidade de substituir os homens recrutados em empregos que há muito haviam sido monopólio masculino – por um salário muito inferior, em condições de superexploração – incentivou o espraiamento de uma ideologia chauvinista em parcela considerável do movimento sufragista recém-nascido. Algumas de suas líderes chegaram a ponto de realizar petições de leis permitindo o alistamento de mulheres nas forças armadas. A exposição de governos fraudu-lentos – que, ao evocar o inimigo às portas, usavam a guerra para reverter reformas sociais fundamentais – foi uma das conquistas mais importantes das principais lideranças comunistas femininas da época. Clara Zetkin, Alexandra Kollontai, Syl-via Pankhurst e, claro, Rosa Luxemburgo foram algumas das primeiras a embarcar com lucidez e coragem no caminho que mostraria às gerações futuras como a luta contra o militarismo era essencial à luta contra o patriarcado. Posteriormente, a rejeição da guerra tornou-se elemento característico do Dia Internacional da Mu-lher e a oposição aos orçamentos de guerra na eclosão de qualquer novo conflito figurou com destaque em muitas campanhas do movimento feminista internacional.

O fim não justifica os meios e os meios errados prejudicam o fim

A profunda cisão entre revolucionários e reformistas, que se ampliou a um abismo estratégico após o nascimento da União Soviética, [6] e o crescimento do dogmatismo ideológico nos anos 1920 e 1930 eliminaram qualquer aliança possível contra o militarismo entre a Internacional Comunista (1919-1943) e os partidos social-democratas e socialistas europeus. [7] Tendo apoiado a guerra, os partidos que compunham a Internacional dos Trabalhadores e a Internacional Socialista (1923-1940) perderam todo o crédito aos olhos dos comunistas. A ideia leninista de “transformar a guerra imperialista em guerra civil” ainda tinha força em Mos-cou, onde as lideranças políticas e teóricas pensavam que um “novo 1914” era inevitável. Em ambos os lados, então, falava-se mais sobre o que fazer se uma nova guerra eclodisse e como prevenir seu início. Os slogans e declarações de princípios diferiam substantivamente daquilo que se esperava ocorrer e daquilo que se tornou então ação política. Entre as vozes críticas no campo comunista estavam Nikolai Bukharin, defensor da palavra de ordem “luta pela paz” e, entre os líderes russos, um dos mais convictos de que se tratava “de um dos assuntos centrais do mundo contemporâneo”; e Georgi Dimitrov, que argumentava que nem todas as grandes potências eram igualmente responsáveis pela ameaça de guerra e que era favorável a uma aproximação com os partidos reformistas para construir uma frente popular ampla contra os conflitos bélicos. Ambas as visões contrastavam com a ladainha da ortodoxia soviética, que, longe de atualizar a análise teórica, repetia que o perigo da guerra era inerente, de modo equânime e sem distinção, a todas as potências imperialistas.A visão de Mao Tsé-Tung sobre o assunto era muito distinta. À frente do movimento de libertação contra a invasão japonesa, escreveu, em A guerra prolongada (1938), que “guerras justas” (Tsé-Tung, 1966, p.15) – das quais os comunistas deveriam participar ativamente – “são dotadas de poder tremendo, que pode transformar muitas coisas ou abrir o caminho para sua transformação” (Tsé-Tung, 1966, p.26-27). A estratégia proposta por Mao, portanto, era “contra-por guerra justa à guerra injusta” (Tsé-Tung, 1966, p.53), e, além disso, “insistir na guerra até que seu objetivo político [seja] atingido”. Argumentos a favor da “onipotência da guerra revolucionária” são recorrentes em Problemas da guerra e da estratégia (1938), livro no qual argumenta que “apenas com armas pode o mundo inteiro ser transformado” (Tsé-Tung, 1965, p.219) e que “a tomada de poder pela força armada, a resolução do problema pela guerra, é a tarefa central e a forma mais elevada de revolução” (Tsé-Tung, 1965, p.225).Na Europa, a escalada de violência na frente nazifascista, tanto no âmbito doméstico como no exterior, e a eclosão da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) criaram um cenário ainda mais nefasto do que a guerra de 1914-18. Após o ataque das tropas de Hitler à União Soviética em 1941, a Grande Guerra Patriótica, que terminou com a derrota do nazismo, tornou-se um elemento tão central na unidade nacional russa que sobreviveu à queda do Muro de Berlim e dura até nossos dias.Com a divisão do mundo em dois blocos no pós-guerra, Joseph Stálin ensinou que a principal tarefa do movimento comunista internacional era salvaguardar a União Soviética. A criação de uma zona tampão de oito países da Europa do Leste 18 • Crítica Marxista, n.55, p.9-25, 2022.(sete, após a saída da Iugoslávia) foi um pilar central desta política. No mesmo período, a Doutrina Truman marcou o advento de um novo tipo de guerra: a Guerra Fria. Em seu apoio às forças anticomunistas na Grécia, no Plano Marshall (1948) e na criação da Otan (1949), os Estados Unidos da América contribuíram para evitar o avanço das forças progressistas na Europa Ocidental. A União Soviética respondeu com o Pacto de Varsóvia (1955). Essa configuração levou a uma enorme corrida armamentista, que, a despeito da memória recente de Hiroshima e Naga-saki, também envolveu a proliferação de testes de bombas nucleares.A partir de 1961, sob a liderança de Nikita Khrushchev, a União Soviética iniciou um novo curso político que veio a ser conhecido como “coexistência pa-cífica”. Esta guinada, com ênfase na não interferência e no respeito à soberania nacional, bem como na cooperação econômica com países capitalistas, suposta-mente evitaria o perigo de uma terceira guerra mundial (que a crise dos mísseis cubana mostrou ser uma possibilidade real em 1962) e sustentaria o argumento de que a guerra não era inevitável. No entanto, esta tentativa de cooperação cons-trutiva foi direcionada apenas para os EUA, não para os países do “socialismo realmente existente”. Em 1956, a União Soviética já havia esmagado uma revolta na Hungria, e os partidos comunistas da Europa Ocidental não condenaram a intervenção militar; ao contrário, justificaram-na em nome da proteção do bloco socialista. Palmiro Togliatti, por exemplo, o secretário do Partido Comunista Ita-liano, declarou: “Nós estamos do nosso lado mesmo quando ele comete um erro” (Togliatti apud Vittoria, 2015, p.219). A maioria daqueles que partilhava dessa posição arrependeu-se amargamente nos anos futuros, quando compreendeu os efeitos devastadores da operação soviética.Eventos semelhantes ocorreram no auge da coexistência pacífica, em 1968, na Tchecoslováquia. Confrontado com as demandas de democratização e des-centralização econômica durante a Primavera de Praga, o Politburo do Partido Comunista da União Soviética decidiu por unanimidade enviar meio milhão de soldados e milhares de tanques ao país. No congresso do Partido Operário Uni-ficado Polonês em 1968, Leonid Brezhnev explicou a ação referindo-se ao que chamou de “soberania limitada” dos países do Pacto de Varsóvia: “Quando forças hostis ao socialismo tentam direcionar o desenvolvimento de algum país socialista para o capitalismo, isto se torna não apenas um problema do país em questão, mas um problema e uma preocupação comum a todos os países socialistas”. De acordo com essa lógica antidemocrática, a definição do que era “socialismo” ou não, naturalmente, cabia à decisão arbitrária dos líderes soviéticos. Mas, desta vez, os críticos da esquerda foram mais enérgicos e chegaram a representar a maioria. Embora a desaprovação em relação à ação soviética tenha sido expressa não apenas pelos movimentos da Nova Esquerda, como também pela maioria dos partidos comunistas, incluindo o chinês, os russos não recuaram e levaram a cabo um processo que chamaram de “normalização”. A União Soviética continuou a destinar uma parte considerável de seus recursos econômicos para gastos militares, o que ajudou a reforçar uma cultura autoritária na sociedade. Deste modo, ela perdeu para sempre a boa vontade do movimento pacifista, que se tornara ainda maior com as extraordinárias mobilizações contra a guerra do Vietnã.Uma das guerras mais importantes da década seguinte começou com a invasão soviética do Afeganistão. Em 1979, o Exército Vermelho voltou a ser um instru-mento importante da política externa de Moscou, que continuava a reivindicar o direito de intervir no que descreveu como sua própria “zona de segurança”. A decisão infeliz transformou-se em uma aventura exaustiva que se estendeu por mais de dez anos, gerando um grande número de mortes e criando milhões de refugiados. Nessa ocasião, o movimento comunista internacional foi muito menos hesitante do que em relação às invasões soviéticas da Hungria e da Tchecoslová-quia. No entanto, esta nova guerra revelou ainda mais claramente à opinião pública internacional a cisão entre o “socialismo realmente existente” e uma alternativa política baseada na paz e na oposição ao militarismo.Tomadas como um todo, essas intervenções militares não apenas dificultaram uma redução geral das armas, mas serviram para desacreditar e enfraquecer o socialismo globalmente. A União Soviética era cada vez mais vista como uma potência imperial agindo de maneira não muito diferente dos Estados Unidos, que, desde o início da Guerra Fria, apoiaram golpes de Estado de modo mais ou menos secreto e ajudaram a depor governos democraticamente eleitos em mais de vinte países ao redor do mundo. Por fim, as “guerras socialistas” de 1977-1979 entre Camboja e Vietnã e China e Vietnã, tendo o conflito sino-soviético como pano de fundo, dissiparam qualquer prerrogativa da ideologia “marxista-leninista” (já distante das fundações originais erigidas por Marx e Engels) ao atribuir a guerra exclusivamente aos desequilíbrios econômicos do capitalismo.

Ser de esquerda é ser contra a guerra

O fim da Guerra Fria não atenuou a quantidade de interferência nos assuntos de outros países, nem aumentou a liberdade de cada povo escolher o regime político sob o qual vive. As inúmeras guerras – mesmo sem mandato da ONU e definidas, absurdamente, como “humanitárias” – realizadas pelos EUA nos últimos 25 anos, às quais se devem somar novas formas de conflito, sanções ilegais e doutrinação política, econômica e midiática, demonstram que a divisão bipolar do mundo entre duas superpotências não deu lugar à era de liberdade e progresso prometida pelo mantra neoliberal da “Nova Ordem Mundial”. Neste contexto, muitas forças políticas que antes reivindicavam os valores da esquerda envolveram-se em di-versas guerras. Do Kosovo ao Iraque e ao Afeganistão – para mencionar apenas as principais guerras travadas pela Otan desde a queda do Muro de Berlim –, estas forças expressaram seu apoio à intervenção armada e tornaram-se cada vez menos distinguíveis da direita.A guerra russo-ucraniana voltou a colocar a esquerda diante do dilema de como reagir quando a soberania de um país está sob ataque. A ausência de condenação da invasão da Ucrânia pela Rússia é um erro político do governo da Venezuela e torna menos críveis as denúncias de possíveis atos futuros de agressão cometi-dos pelos Estados Unidos. É verdade que, conforme escreveu Marx a Ferdinand Lassalle em 1860, “em política externa, há pouca vantagem em se usar palavras de ordem como ‘reacionário’ e ‘revolucionário’” – aquilo que é “subjetivamente reacionário [pode revelar-se] objetivamente revolucionário na política externa”. Mas as forças de esquerda deveriam ter aprendido com o século XX que as alianças “com o inimigo do meu inimigo” (Marx; Engels, 1985, p.154; cf. Musto, 2018, p.132) levam muitas vezes a acordos contraproducentes, especialmente quando a frente progressista é politicamente fraca e teoricamente confusa e carece do apoio de mobilizações de massa, como em nossos tempos.Recordando as palavras de Lênin em A revolução socialista e o direito das nações à autodeterminação: “o fato de que a luta pela libertação nacional contra uma potência imperialista pode, sob certas circunstâncias, ser utilizada por outra “grande” potência em seus interesses igualmente imperialistas não deveria ter mais peso em induzir a social-democracia a renunciar ao reconhecimento do direito das nações à autodeterminação” (Lênin, 1964b, p.148). Para além dos interesses e intrigas geopolíticos que geralmente também estão em jogo, as forças da esquerda historicamente apoiaram o princípio da autodeterminação nacional e defenderam o direito dos Estados individuais de estabelecer suas fronteiras com base na vontade expressa da população. A esquerda lutou contra guerras e “anexações” porque está ciente de que elas levam a conflitos dramáticos entre os trabalhadores da nação dominante e da nação oprimida, criando as condições para que estes se unam à sua própria burguesia, considerando aqueles seus inimigos. Em Balanço da discussão sobre a autodeterminação (1916), Lênin escreveu: “Se a revolução socialista fosse vitoriosa em Petrogrado, Berlim e Varsóvia, o governo socialista polonês, assim como os governos socialistas russo e alemão, renunciaria à ‘retenção forçada’, digamos, dos ucranianos dentro das fronteiras do Estado polonês” (Lênin, 1964a, p.329-330). Por que sugerir, então, que algo distinto seja admitido no governo nacionalista liderado por Vladimir Putin?Por outro lado, um número excessivo de pessoas de esquerda cedeu à tentação de se tornar – direta ou indiretamente – cobeligerantes, alimentando uma nova union sacrée (expressão cunhada em 1914 para saudar a abjuração das forças da esquerda francesa que, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, decidiu endossar as esco-lhas bélicas do governo). Tal posição hoje serve cada vez mais para borrar a distinção entre atlantismo e pacifismo. A história mostra que, quando não se opõem à guerra, as forças progressistas perdem uma parte essencial de sua razão de ser e acabam por engolir a ideologia do campo oposto. Isto acontece sempre que os partidos de esquerda fazem de sua presença no governo a forma fundamental de mensurar sua ação política – como fizeram os comunistas italianos ao apoiar as intervenções da Otan no Kosovo e no Afeganistão, ou a maioria do Unidas Podemos hoje, que une sua voz ao coro unânime de todo o arco parlamentar espanhol a favor do envio de armas ao exército ucraniano. Tal conduta subalterna foi punida muitas vezes no passado, inclusive nas urnas, assim que a ocasião surgiu.

Bonaparte não é democracia

Na década de 1850, Marx redigiu uma série brilhante de artigos sobre a Guerra da Crimeia que contém muitos paralelos interessantes e úteis com os dias atuais. Em Revelações da história diplomática do século XVIII (1857), falando sobre o grande monarca moscovita do século XV – considerado como aquele que unificou a Rússia e lançou as bases para sua autocracia –, Marx afirmou: “Basta substituir uma série de nomes e datas por outros e fica claro que as políticas de Ivan III […] e as da Rússia de hoje não são apenas semelhantes, mas idênticas” (Marx, 1986,p.86). Em um artigo para o New-York Daily Tribune, no entanto, em oposição aos democratas liberais que exaltavam a coalizão anti-Rússia, ele escreveu: “É um equívoco descrever a guerra contra a Rússia como uma guerra entre liberdade e despotismo. Afora o fato de que, se este fosse o caso, a liberdade seria representada nesta ocasião por um Bonaparte, todo o objetivo declarado da guerra é a manu-tenção […] dos Tratados de Viena – os mesmos tratados que anulam a liberdade e independência das nações” (Marx, 1980, p.228). Se substituirmos Bonaparte por Estados Unidos da América e os Tratados de Viena por Otan, estas observações parecem ter sido escritas hoje.O pensamento daqueles que se opõem tanto ao nacionalismo russo e ucraniano quanto à expansão da Otan não mostra prova de indecisão política ou ambigui-dade teórica. Nas semanas recentes, vários especialistas forneceram explicações sobre as raízes do conflito (que em nada reduzem a barbárie da invasão russa), e a posição daqueles que propõem uma política de não alinhamento é a forma mais eficaz de acabar com a guerra o mais rápido possível e garantir o menor número de vítimas. Não se trata de se comportar como as “belas almas” embebidas em idealismo abstrato, que Hegel julgava incapazes de abordar a realidade concreta das contradições terrenas. Pelo contrário: a questão é chamar a atenção para o único antídoto verdadeiro contra uma expansão ilimitada da guerra. Não há fim para as vozes que clamam por mais gastos militares e recrutamento, ou para aqueles que, como o Alto Representante da União Europeia para Relações Exteriores e Política de Segurança, pensam que é tarefa da Europa fornecer aos ucranianos “as armas necessárias para a guerra”(Borrell, 2022). Mas, em contraste com essas posições, é necessário buscar a atividade diplomática incessante com base em dois pontos firmes: a desescalada do conflito e a neutralidade da Ucrânia independente.A despeito do aumento de apoio à Otan após os movimentos russos, é ne-cessário trabalhar de modo mais árduo para garantir que a opinião pública não enxergue na maior e mais agressiva máquina de guerra do mundo – a Otan – a solução para os problemas de segurança global. Deve-se mostrar que ela é uma organização perigosa e ineficaz, que, em seu ímpeto de expansão e dominação unipolar, serve para alimentar as tensões que levam à guerra no mundo. Em O socialismo e a guerra, Lênin argumentou que os marxistas diferem dos pacifistas e anarquistas na medida em que “consideram ser necessário historica-mente (do ponto de vista do materialismo dialético de Marx) estudar cada guerra de modo individual”. Continuando, afirmou que: “Na história, houve inúmeras guerras que, apesar de todos os horrores, atrocidades, angústias e sofrimentos que inevitavelmente acompanham todas as guerras, foram progressistas, ou seja, beneficiaram o desenvolvimento da humanidade” (Lênin, 1971, p.299). Se isto foi verdade no passado, seria míope simplesmente repeti-lo nas sociedades con-temporâneas, nas quais as armas de destruição em massa estão continuamente espalhando-se. Raramente as guerras – que não devem ser confundidas com revo-luções – tiveram o efeito democratizante que os teóricos do socialismo esperavam. Na verdade, muitas vezes elas provaram ser a pior maneira de levar a cabo uma revolução, tanto pelo custo em termos de vidas humanas quanto pela destruição das forças produtivas que acarretam. De fato, as guerras disseminam uma ideo-logia de violência, frequentemente associada aos sentimentos nacionalistas que dilaceraram o movimento dos trabalhadores. Raramente favorecendo práticas de autogestão e democracia direta, elas ampliam o poder das instituições autoritárias. Trata-se de uma lição que também a esquerda moderada nunca deve esquecer.Em uma das passagens mais férteis de Reflexões sobre a Guerra (de 1933), Simone Weil indaga se é possível que “uma revolução evite a guerra”. Para ela, essa é a única “possibilidade débil” que temos se não quisermos “abandonar toda a esperança” (Weil, 2021, p.101). A guerra revolucionária frequentemente transforma-se no “túmulo da revolução”, já que “os cidadãos armados não têm os meios para fazer a guerra sem um aparato de controle, sem pressão policial, sem tribunal especial, sem punição por deserção”. Mais do que qualquer outro fenômeno social, a guerra incha o aparato militar, burocrático e policial. “Ela leva ao apagamento total do indivíduo perante a burocracia estatal”. Logo, “se a guerra não terminar imediata e permanentemente […], o resultado será meramente uma daquelas revoluções que, nas palavras de Marx, aperfeiçoam o aparelho de Estado em vez de destruí-lo” ou, de modo ainda mais claro, “ela significaria até mesmo estender, sob outra forma, o regime que queremos suprimir”. Em caso de guerra, então, “devemos escolher entre obstruir o funcionamento da máquina militar na qual nós mesmos constituímos as engrenagens, ou ajudar essa máquina a esmagar cegamente vidas humanas” (ibid., p.101-2). [8] Para a esquerda, a guerra não pode ser “a continuação da política por outros meios”, para citar a famosa frase de Clausewitz. Na realidade, ela apenas certifica o fracasso da política. Se a esquerda deseja retomar a hegemonia e mostrar-se capaz de se valer de sua história para as tarefas de hoje, ela precisa escrever inde-levelmente em seus estandartes as palavras “antimilitarismo” e “não à guerra!”.

* Artigo originalmente publicado com o título “War and the Left: Considerations on a Chequered History”, Critical Sociology, v.48, n.5, 2022. Tradução de Eduardo Altheman.
** Marcello Musto é professor de Sociologia na York University (Toronto, Canadá) e especialista no pensamento socialista e na história do movimento operário. Seus escritos – disponíveis em www.marcellomusto.org – foram publicados mundialmente em 25 idiomas.

[1] “Nossas instituições sociais, bem como a centralização do poder político, são uma causa perma-nente de guerra, que só pode ser eliminada por uma reforma social completa”. Um texto anterior apresentado pela Associação Internacional dos Trabalhadores no Congresso da Paz de Genebra, realizado em setembro de 1867, afirmava que: “para acabar com a guerra, não basta acabar com os exércitos; é preciso mudar a organização social no sentido de uma distribuição cada vez mais equitativa da produção” (apud Musto, 2014a, p.234). (Cf. Marx, 2014, p.92).

[2] Este período testemunhou o nascimento da ideia de “guerra revolucionária”. Em um ensaio breve, porém incisivo, intitulado Reflexões sobre a Guerra, Simone Weil mostrou que as ideias sobre a guerra defendidas pelas seções mais radicais da esquerda tinham muito pouco em comum com o pacifismo e eram de fato inspiradas na Revolução Francesa. Em 1792, a França declarou guerra à Áustria e tornou-se difundida a ideia de exportar princípios revolucionários para os povos submetidos às monarquias obscurantistas que governavam a Europa. Os girondinos consideraram a guerra de 1972 uma cruzada pela liberdade: “a guerra revolucionária, seja ela defensiva ou ofensiva, não apenas [era] legítima, mas uma das formas mais gloriosas de luta da classe trabalhadora contra os opressores” (Weil, 2021, p.94). Robespierre, contudo, era mais cético: ele percebeu que a guerra nunca libertara nenhum povo estrangeiro e que “a liberdade não se traz na ponta de baionetas” (Robespierre, 1974, p.129). Ele também compreendeu que a propagação da guerra favorecia o despotismo militar e minava a liberdade do povo.

[3] Alguns destes pontos podem ser comparados com as reflexões de Charles Wright Mills (1956) em A elite do poder, livro no qual o establishment militar é visto como um elemento determinante no governo burocrático.

[4] Na época da Guerra Franco-Prussiana de 1870, Mikhail Bakunin também exortou os trabalhadores a transformar a guerra patriótica em guerra revolucionária. (Cf. Musto, 2014b, p.49).

[5] Segundo Simone Weil (2021, p.96), esta terminologia foi abandonada após o término da Primeira Guerra Mundial, quando, diante de “massas castigadas pela guerra, […] os partidos que alegavam representar o proletariado [foram forçados] a usar uma linguagem puramente pacifista”.

[6] Enquanto o movimento comunista via a União Soviética como o ponto de referência para a revolu-ção proletária internacional, tomava forma em Moscou a teoria do “socialismo em um só país”. De acordo com a visão desenvolvida por Bukharin e Stálin na década de 1920, a prioridade absoluta para o movimento comunista deveria ser a consolidação do socialismo na Rússia. Em A Terceira Internacional depois de Lênin (1928), Trotsky criticou agudamente essa guinada: “A tarefa dos par-tidos na Comintern assume um caráter auxiliar; sua missão é proteger a URSS de uma intervenção e não lutar pela conquista do poder” (Trotsky, 1966, p.61).

[7] Entre as vozes que se insurgiram contra essa política estava a de Leon Trotsky. Em uma série de apelos urgentes por uma frente única antifascista dos partidos operários, ele denunciou a linha de Moscou segundo a qual “todos os partidos na Alemanha – dos nazistas aos social-democratas – eram apenas variedades do fascismo e estavam levando a cabo o mesmo programa” (Trostky, 1971, p.422).

[8] Weil concluiu seu texto com estas palavras: “não importa o nome que receba – fascismo, demo-cracia ou ditadura do proletariado –, o principal inimigo continua sendo o aparato administrativo, policial e militar; não o inimigo do outro lado da fronteira, que é nosso inimigo apenas na medida em que é inimigo de nossos irmãos e irmãs, mas aquele que alega ser nosso defensor enquanto nos transforma em seus escravos. Em qualquer circunstância, a pior traição possível sempre consiste em concordar com subordinar-se a esse aparato e, para servir-lhe, espezinhar todos os valores humanos em si mesmo e nos outros” (Weil, 2021, p.103).

 

Referências bibliográficas

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The Brutality of War and the Response of the Labour Movement

While political science has probed the ideological, political, economic and even psychological motivations behind the drive to war, socialist theory has made a unique contribution by highlighting the relationship between the development of capitalism and war. There’s a long and rich tradition of the Left’s opposition to militarism that dates back to the International Working Men’s Association. It is an excellent resource for understanding the origins of war under capitalism and helping leftists maintain our clear opposition to it. In this talk, Marcello Musto examines the position of all the main currents (socialist, socialdemocratic, communist, anarchist and feminist) intellectuals (Engels, Kropotkin, Malatesta, Jaurès, Luxemburg, Lenin, Mao and Khrushchev) of the Left on the war and its different declinations (‘war of defence’, ‘just war’, ‘revolutionary war’).

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شمایی جدید از مارکس

شمایی جدید از مارکس
پس از مارکس ـ انگلس ـ گسامتاوسگابه (MEGA²)
مارچلو موستو
ترجمه: پیمان جعفرپور

۱. احیای مارکس
اکنون بیش از یک دهه است که روزنامه‌ها و مجلات معتبر با خوانندگان گسترده، کارل مارکس را نظریه‌پردازی دوراندیش توصیف می‌کنند که موضوعیتش دائماً تأیید می‌شود. بسیاری از نویسندگان با دیدگاه‌های مترقی معتقدند که ایده‌های او برای هرکسی که معتقد است ساختن جایگزینی برای سرمایه‌داری ضروری است، همچنان ضرورت دارد. تقریباً در همه‌جا، او اکنون موضوع دوره‌های دانشگاهی و کنفرانس‌های بین‌المللی است. نوشته‌های او که تجدید چاپ شده یا در نسخه‌های جدید آورده شده‌اند، دوباره در قفسه‌های کتابفروشی‌ها ظاهر شده‌اند و مطالعۀ آثار او پس از بیست سال یا بیشتر که کمرنگ شده بود، شتاب فزاینده‌ای پیدا کرده‌است. سال‌های ۲۰۱۷ و ۲۰۱۸ به لطف بسیاری از فعالیت‌ها در سراسر جهان برای بزرگداشت صدوپنجاهمین سالگرد انتشار «سرمایه» و دویستمین سالگرد تولد مارکس، شدت بیشتری به این موضوع، یعنی «احیای مارکس» ، بخشیده شده‌است.
خواه ناخواه عقاید مارکس جهان را تغییر داده‌است. با این حال، به‌رغم تأیید نظریه‌های مارکس، که در قرن بیستم برای بخش قابل توجهی از بشریت به ایدئولوژی‌ها و دکترین‌های دولتی متمرکز تبدیل شدند، هنوز هیچ نسخۀ کاملی از همۀ آثار و دست‌نوشته‌های او وجود ندارد. دلیل اصلی این امر در شخصیت ناقص آثار مارکس نهفته است. آثاری که او منتشر کرد به میزان قابل توجهی کمتر از تعداد کل پروژه‌های ناتمام رها شده‌است، البته اگر در مورد «ناچلاس کوهستانی»، یادداشت‌ها و تحقیقات بی پایان او صحبت نکنیم. مارکس، پس از آن، دست‌نوشته‌های بسیار بیشتری نسبت به دست‌نوشته‌هایی که برای چاپخانه‌ها فرستاده بود، به‌جا گذاشت. ناقص بودن، بخش جدایی‌ناپذیر زندگی او بود: فقر نسبتاً شدیدی که در آن به‌سر می‌بُرد و همچنین بیماری دائمی او، بر نگرانی‌های روزآن‌هاش می‌افزود. روش سخت‌گیرانه و انتقاد بی‌رحمانه از خود، نیز به مشکلات بیشتری دامن زد. افزون بر این، اشتیاق او به دانش در طول زمانْ بدون تغییر باقی ماند و همیشه او را به مطالعۀ جدیدتری سوق می‌داد. با این وجود، کارهای بی‌وقفۀ او خاص‌ترین پیامدهای نظری را برای آیندگان به ارمغان می‌آورْد.
از جایگاه ویژۀ ارزیابی مجدد دستاوردهای مارکس، انتشار مجدد مارکس ـ انگلس ـ گسامتاوسگابه (MEGA²) در سال ۱۹۹۸، نسخۀ تاریخی ـ انتقادیِ آثار کامل مارکس و فردریش انگلس بود. ۲۸ جلد دیگر پیشتر منتشر شده‌است (۴۰ جلد بین سال‌های ۱۹۷۵ و ۱۹۸۹ منتشر شده‌است) و بقیه در مرحلۀ آماده‌سازی هستند. MEGA2 در چهار بخش سازماندهی شده‌است: (۱) کلیۀ آثار، مقالات و پیش‌نویس‌های نوشته‌شده توسط مارکس و انگلس (به استثنای سرمایه)؛ (۲) سرمایه و کلیۀ مواد آماده‌سازی آن؛ (۳) مکاتبات، متشکل از ۴هزار نامۀ مارکس و انگلس و ده هزار نامه توسط دیگران نوشته شده به آن‌ها، تعداد زیادی که برای اولین بار در MEGA2 منتشر شد، و (۴) گزیده‌ها، حاشیه‌نویسی‌ها و یادداشت‌های وی.

این بخش چهارم شاهد کارهای تماماً دایره‌المعارفیِ مارکس است: از زمان تحصیل در دانشگاه، عادت او به جمع‌آوری گزیده‌ای از کتاب‌هایی بود که می‌خواند ، و اغلب آن‌ها را با تأملاتی که به او پیشنهاد می‌کردند در هم می‌آمیخت. وصیت‌نامۀ ادبی مارکس شامل حدوداً ۲۰۰ دفترچه است. آن‌ها برای درک پیدایش نظریۀ او و عناصری که نتوانست آن‌طور که می‌خواست توسعه دهد، ضروری هستند. گزیده‌های باقی‌مانده، که دوره‌ای طولانی از ۱۸۳۸ تا ۱۸۸۲ را پوشش می‌دهند، به هشت زبان (آلمانی، یونانی باستان، لاتین، فرانسوی، انگلیسی، ایتالیایی، اسپانیایی و روسی) نوشته شده‌اند و به متنوع‌ترین رشته‌ها اشاره دارند. آن‌ها از آثار فلسفه، تاریخِ هنر، دین، سیاست، حقوق، ادبیات، تاریخ، اقتصاد سیاسی، روابط بین‌الملل، فناوری، ریاضیات، فیزیولوژی، زمین‌شناسی، کانی‌شناسی، کشاورزی، مردم‌شناسی، شیمی و فیزیک گرفته شده‌اند. مقالات روزنامه‌ها و مجلات و همچنین صورت‌جلسات مجلس و همچنین آمار و گزارش‌های دولتی. این ذخیرۀ عظیم دانش، که بیشتر آن در سال‌های اخیر منتشر شده یا هنوز در انتظار چاپ است، محل ساخت نظریۀ انتقادی مارکس بود و MEGA2 برای نخستین بار امکان دسترسی به آن را فراهم کرده‌است.
این مطالب گرانبها ـ که بسیاری از آن‌ها فقط به زبان آلمانی در دسترس‌اند و بنابراین محدود به محافل کوچکی از محققان هستند ـ نویسنده‌ای را به ما می‌شناسانَد که بسیار متفاوت از نویسنده‌ای است که برای مدتی طولانی در میان منتقدان یا شاگردان خود، نامی برای خود به‌هم زده‌است. در واقع، دستیابی‌های متنیِ جدید در MEGA2 این امکان را فراهم می‌کند که بگوییم: از میان کلاسیک‌های اندیشۀ سیاسی، اقتصادی و فلسفی، مارکس نویسنده‌ای است که نمایه‌اش بیشترین تغییر را در دهه‌های آغازین قرن بیست‌ویکم داشته است. فضای سیاسی جدید پس از فروپاشی اتحاد جماهیر شوروی نیز به این تصور تازه کمک کرده‌است. زیرا پایانِ مارکسیسم ـ لنینیسم سرانجامِ کارهای مارکس و تصور او از ساختار اجتماعی را از قیدوبند ایدئولوژی پیشین، به‌مراتب آزاد ساخت.
تحقیقات اخیر رویکردهای مختلفی که برداشت مارکس از جامعۀ کمونیستی را به توسعۀ برتر نیروهای زاینده فرومی‌کاهد، رد کرده‌است. به‌عنوان نمونه، اهمیتی را که او برای مسئلۀ بوم‌شناختی قائل بود، نشان می‌دهد: او در موارد پیاپی این واقعیت را محکوم کرد که گسترش شیوۀ تولید سرمایه‌داری نه تنها دزدی نیروی کارِ کارگران، بلکه غارت منابع طبیعی را نیز افزایش می‌دهد. مارکس عمیقاً وارد بسیاری از موضوعات دیگر شد که اگرچه اغلب توسط محققان آثار او دست‌ِکم یا حتی نادیده گرفته می‌شوند، اما اهمیتی حیاتی برای دستور کار سیاسی دوران ما پیدا می‌کنند. از جمله آزادی فردی در حوزۀ اقتصادی و سیاسی، رهایی جنسیتی، نقد ناسیونالیسم، پتانسیل رهایی‌بخش فناوری، و اَشکال مالکیت جمعی که توسط دولت کنترل نمی‌شود. بنابراین سی سال پس از فروریختن دیوار برلین، خواندن مارکس بسیار متفاوت از نظریه‌پرداز جزم‌گرا، اقتصادگرا و اروپامحور که مدت‌ها در اطراف رژه می‌رفت، ممکن شده‌است.

۲. اکتشافات جدید درباره پیدایش مفهوم ماتریالیستی تاریخ
در فوریه ۱۸۴۵، پس از ۱۵ ماه فشرده در پاریس که برای شکل‌گیری سیاسی او حیاتی بود، مارکس مجبور شد به بروکسل نقل مکان کند و در آنجا به او اجازه اقامت داده شد، به شرط اینکه «چیزی در مورد سیاست فعلی منتشر نکند» . در طول سه سالی که در پایتخت بلژیک سپری کرد، مطالعات خود در زمینۀ اقتصاد سیاسی را به‌طور پرثمر ادامه داد و شروع به نوشتن اید‌ه‌ای همراه با انگلس، جوزف ویدمایر و موسی هس کرد؛ «نقدی از فلسفۀ مدرن آلمانی که توسط نمایندگان آن لودویگ فویرباخ، برونو بائر و ماکس اشتیرنر، و سوسیالیسم آلمانی توسط پیامبران مختلف توضیح داده شده‌است». متن حاصل که پس از مرگ مارکس تحت عنوان ایدئولوژی آلمانی منتشر شد، هدف دوگانه داشت: مبارزه با جدیدترین اشکال نئوهگلیسم در آلمان، و سپس، همان‌طور که مارکس به ناشر کارل ویلهلم جولیوس لسکه نوشت «آماده ساختن مردم برای دیدگاهی که در اقتصاد من اتخاذ شده‌است، که کاملاً مخالف دانش گذشته و حال آلمان است». این نسخۀ خطی که او تا ژوئن ۱۸۴۶ روی آن کار کرد، هرگز تکمیل نشد. با این حال، به او کمک کرد تا آنچه را که انگلس چهل سال بعد برای عموم مردم به‌عنوان «مفهوم ماتریالیستی از تاریخ» واضح‌تر از قبل، هرچند هنوز به شکل قطعی نبود، تعریف کرد.
نخستین نسخۀ ایدئولوژی آلمانی، که در سال ۱۹۳۲ منتشر شد، و همچنین تمام نسخه‌های بعدی که فقط تغییرات جزئی داشتند، به شکل یک مجموعه تکمیل شد و برای چاپخانه‌ها ارسال شد. به‌ویژه ویراستاران این دست‌نوشتۀ ناتمام این تصور نادرست را ایجاد کردند که ایدئولوژی آلمانی شامل یک فصل آغازین اساسی دربارۀ فویرباخ است که در آن مارکس و انگلس قوانین «ماتریالیسم تاریخی» (اصطلاحی که مارکس هرگز آن را به‌کار نبرده‌است) را به‌طور کامل بیان می‌کنند. به گفتۀ آلتوسر، اینجا جایی بود که آن‌ها «یک گسست معرفت‌شناختی بی چون‌وچرا» را با نوشته‌های قبلی خود مفهوم‌سازی کردند. ایدئولوژی آلمانی به‌زودی به یکی از مهم‌ترین متون فلسفی قرن بیستم تبدیل شد. به گفتۀ هانری لوفور «ایده‌های اساسی ماتریالیسم تاریخی» را بیان کرد. ماکسیمیلیان روبل معتقد بود که این «دست‌نوشته حاوی کامل‌ترین بیانیه مفهوم انتقادی و ماتریالیستی تاریخ است». دیوید مک‌للان به همان اندازه صراحتاً مدعی بود که «شامل مفصل‌ترین گزارش مارکس از برداشت ماتریالیستی او از تاریخ است».
با تشکر از جلد اول از پنج جلد MEGA²، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، دویچه ایدئولوژی. Manuskripte und Drucke (1845ـ۱۸۴۷)»، اکنون می‌توان بسیاری از این ادعاها را خلاصه کرد و ایدئولوژی آلمانی را به ناقص بودنِ اصلی خود بازگرداند. این نسخه ـ که شامل ۱۷ نسخۀ خطی با مجموع ۷۰۰ صفحه به‌اضافۀ یک دستگاه انتقادی ۱۲۰۰ صفحه‌ای است که تغییرات و تصحیحات تألیفی را ارائه و مرکزیت هر بخش را نشان می‌دهد ـ یک بار برای همیشه خصلت تکه‌تکۀ متن را مشخص می‌کند. مغالطۀ قرن بیستم «کمونیسم علمی» و تمام ابزارسازی‌های ایدئولوژی آلمانی عبارتی را در خود متن به‌جای می‌گذارد. نقد قاطعانۀ آن از فلسفۀ آلمانی در زمان حیات مارکس نیز مانند هشداری جدی علیه روندهای تفسیری آینده به‌نظر می‌رسید: «نه تنها در پاسخ‌های آن، حتی در پرسش‌هایش نیز ابهامی وجود داشت».

در همان دوره انقلابیِ جوان متولد تری‌یِر مطالعات خود را در پاریس گسترش داد. در سال ۱۸۴۵، او ژوئیه و آگوست را در منچستر گذراند تا به ادبیات اقتصادی گستردۀ انگلیسی زبان بپردازد و ۹ چکیدۀ کتاب (به اصطلاح یادداشت‌های منچستر) را جمع‌آوری کند که عمدتاً از کتاب‌های راهنمای اقتصاد سیاسی و کتاب‌های تاریخ اقتصادی است. MEGA² جلد IV/4 که در سال ۱۹۸۸ منتشر شد، شامل پنج دفتر اول این یادداشت‌ها، همراه با سه کتاب از یادداشت‌های انگلس از همان مقطع زمانی در منچستر است. جلد چهارم/۵، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Exzerpte und Notizen Juli 1845 bis Dezember 1850»، این مجموعه نوشته‌ها را تکمیل می کند و قسمت‌های منتشر نشدۀ قبلی آن‌ها را در اختیار محققان قرار می‌دهد. این مجموعه شامل دفترهای ۶، ۷، ۸ و ۹ است که گزیده‌هایی از ۱۶ اثر اقتصاد سیاسی او را در بر می‌گیرد. قابل‌توجه‌ترین آن‌ها کتاب «اشتباهات و درمان کار» جان فرانسیس بری (۱۸۳۹) و چهار متن از رابرت اوون، به‌ویژه کتاب دنیای اخلاقی جدید او (۱۸۴۰ـ۱۸۴۴) بود که همۀ آن‌ها نشان‌دهندۀ علاقۀ زیاد مارکس به زمان در سوسیالیسم انگلیسی و احترام عمیق او به اوون است؛ نویسنده‌ای که بسیاری از مارکسیست‌ها با عجله از او به‌عنوان «آرمان‌شهر» یاد کرده‌اند. این جلد با بیست و چند صفحه پایان می‌یابد که مارکس بین سال‌های ۱۸۴۶ و ۱۸۵۰ نوشته‌است، به‌علاوۀ برخی از یادداشت‌های مطالعاتی انگلس از همان دوره.
این مطالعات تئوری سوسیالیستی و اقتصاد سیاسی مانعی برای تعامل سیاسی همیشگی مارکس و انگلس نبود. ۸۰۰ صفحه و بیشتر از جلد I/7 که به‌تازگی منتشر شده، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Werke، Artikel، Entwürfe. فوریه بیس اکتبر ۱۸۴۸»، به ما اجازه می‌دهد تا مقیاس این را در ۱۸۴۸ درک کنیم: یکی از پرمصرف‌ترین سال‌های فعالیت سیاسی و روزنامه‌نگاری در زندگی نویسندگان مانیفست حزب کمونیست. پس از آنکه یک جنبش انقلابی با دامنه و شدت بی‌سابقه نظم سیاسی و اجتماعی قارۀ اروپا را در بحران فرو برد، دولت‌های موجود تمام اقدامات متقابل ممکن را برای پایان دادن به قیام‌ها انجام دادند. خود مارکس نیز متحمل عواقب آن شد و در ماه مارس از بلژیک اخراج شد. با این حال، جمهوری در فرانسه به تازگی اعلام شده بود و فردیناند فلوکون، وزیر دولت موقت، از مارکس دعوت کرد که به پاریس بازگردد: «مارکس عزیز و دلاور، (…) استبداد تو را تبعید کرد، اما فرانسۀ آزاد دوباره درها را به روی تو خواهد گشود. مارکس طبیعتاً مطالعات خود را در زمینۀ اقتصاد سیاسی کنار گذاشت و در حمایت از انقلاب به فعالیت در حوزۀ روزنامه‌نگاری پرداخت و به ترسیم یک مسیر سیاسیِ توصیه‌شده کمک کرد. پس از مدت کوتاهی در پاریس، در آوریل به راینلند نقل مکان کرد و دو ماه بعد شروع به ویرایش Neue Rheinische Zeitung کرد که در عین‌حال در کلن تأسیس شده بود. گردهمایی پرشور و شدید در ستون‌های آن، در ورای آرمآن‌های این شورشیان قرار داشت و از پرولتاریا می‌خواست «انقلاب اجتماعی و جمهوری‌خواه» را ترویج دهد.
تقریباً همۀ مقالات در Neue Rheinische Zeitung به‌صورت ناشناس منتشر شدند. یکی از برتری‌های چنین اثری این است که تألیف ۳۶ متن را به‌درستی به مارکس یا انگلس نسبت داده‌است، در حالی که مجموعه‌های قبلی ما را در مورد اینکه چه کسی آن‌ها را به قلم آورده، دچار تردید کرده بود. از مجموع ۲۷۵ مورد، ۱۲۵ مقالۀ کامل در اینجا برای نخستین بار در نسخه‌ای یکتا از آثار مارکس و انگلس چاپ شده‌است. یک پیوست همچنین دارای ۱۶ سند جالب است که حاوی شرح برخی از ایرادات آن‌ها در جلسات اتحادیۀ کمونیست‌ها، مجموع انجمن دموکراتیک کلن و اتحادیۀ وین است. علاقه‌مندان به فعالیت‌های سیاسی و روزنامه‌نگاری مارکس در «سال انقلاب ۱۸۴۸»، در اینجا مطالب بسیار ارزشمندی برای افزونی و عمق بخشیدن به دانش خود خواهند یافت.

۳. سرمایه: نقد ناتمام
جنبش انقلابی که در سال ۱۸۴۸ در سراسر اروپا به‌پا خاست، در مدت کوتاهی شکست خورد و در سال ۱۸۴۹، پس از دو دستور تبعید از پروس و فرانسه، مارکس چاره‌ای جز عبور از کانال نداشت. او تا پایان عمر در انگلستان تبعیدی و بدون تابعیت باقی می‌ماند اما ارتجاع اروپایی نمی‌توانست او را در جای بهتری برای نوشتن نقد خود از اقتصاد سیاسی محدود کند. در آن زمان لندن مرکز پیشرو اقتصادی و مالی جهان، «دمیورگ کیهان بورژوازی» و بنابراین مطلوب‌ترین مکان برای مشاهدۀ آخرین تحولات اقتصادی جامعۀ سرمایه‌داری بود. او همچنین خبرنگار نیویورک تریبون، روزنامه‌ای با بیشترین تیراژ در ایالات متحده آمریکا شد.
مارکس سال‌ها در انتظار رخدادِ یک بحران جدید بود و هنگامی که این بحران تحقق یافت، در سال ۱۸۵۷، او بیشتر وقت خود را به تحلیل ویژگی‌های کلیدی آن اختصاص داد. جلد اول / ۱۶، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، مقالۀ اکتبر ۱۸۵۷ bis Dezember 1858»، شامل ۸۴ مقاله است که او بین پاییز ۱۸۵۷ تا پایان ۱۸۵۸ در نیویورک تریبون منتشر کرد، از جمله مقالاتی که اولین واکنش‌های خود را به عموم مردم بیان می‌کرد. در سال ۱۸۵۷ روزنامۀ آمریکایی اغلب سرمقاله‌های بدون امضا چاپ می‌کرد، اما تحقیق برای این جلد جدید MEGA2 امکان نسبت دادن دو مقالۀ دیگر به مارکس و همچنین پیوست چهار مقاله را که به‌طور اساسی توسط ویراستاران اصلاح شدند و سه مقالۀ دیگر که منشأ آن‌ها نامشخص باقی مانده‌است را ممکن ساخت.
مارکس به دلیل نیاز شدید به بهبود شرایط اقتصادی خود، به کمیتۀ تحریریه The New American Cyclopædia پیوست و موافقت کرد که تعدادی مقدمه برای این پروژه بنویسد (جلد I/16 شامل ۳۹ عدد از این قطعه‌هاست). اگرچه حق تألیف ۲ دلار برای هر صفحه بسیار کم بود، اما گهگاه به وضعیت مالی فاجعه‌بار او سروسامانی می‌داد. علاوه بر این، او بیشتر کار را به انگلس سپرد تا بتواند زمان بیشتری را به نوشته‌های اقتصادی خود اختصاص دهد.
کار مارکس در این دوره قابل‌توجه و گسترده بود. او در کنار تعهد روزنامه‎نگاری خود، از اوت ۱۸۵۷ تا مه ۱۸۵۸ هشت دفتر معروف به Grundrisse را پر کرد. اما او همچنین وظیفۀ سنگین مطالعۀ تحلیلی اولین بحران اقتصادی جهان را برعهده گرفت. جلد چهارم/۱۴، «کارل مارکس، Exzerpte، Zeitungsausschnitte und Notizen zur Weltwirtschaftskrise (Krisenhefte). نوامبر ۱۸۵۷ تا فوریه ۱۸۵۸»، قاطعانه به دانش ما در مورد یکی از پربارترین فواصل تولید نظری مارکس می‌افزاید. مارکس در نامه‌ای به انگلس در دسامبر ۱۸۵۷، اوج فعالیت خود را شرح داد:
من معمولاً تا ساعت ۴ صبح به‌شدت کار می‌کنم. من درگیر یک کار دوگانه هستم: ۱ـ تشریح خطوط کلی [Grundrisse] اقتصاد سیاسی. (به نفع عموم، بسیار ضروری است که موضوع را تا انتها بررسی کنیم، همان‌طور که برای خودم، به‌صورت فردی، رهایی از این کابوس ضروری است.) ۲ـ بحران کنونی. جدا از مقالات برای [نیویورک] تریبون، تنها کاری که انجام می‌دهم این است که سوابق آن را آرشیو می‌کنم، که البته زمان قابل‌توجهی را می‌گیرد. من فکر می‌کنم که در جایی در مورد بهار، ما باید با هم جزواتی در مورد این ماجرا تهیه کنیم تا به عموم مردم آلمان یادآوری کنیم که ما هنوز مثل همیشه آنجا هستیم و همیشه همین‌طور می‎مانیم.

بنابراین طرح کلی مارکس این بود که همزمان روی دو پروژه کار کند: کار نظری در نقد شیوۀ تولید سرمایه‌داری، و کتابی به‌شدت موضوعی‌تر در مورد فرازونشیب‌های بحران جاری. به همین دلیل است که مارکس بر خلاف جلدهای مشابه قبلی، به‌اصطلاح یادداشت‌های بحران، چکیده‌هایی از کار سایر اقتصاددانان جمع‌آوری نکرد، بلکه تعداد زیادی گزارش خبری در مورد سقوط بانک‌های بزرگ، تغییرات قیمت‌های بازار سهام، تغییرات در الگوهای تجارت، نرخ بیکاری و تولید صنعتی را دسته‌بندی می‌کرد. توجه ویژه‌ای که به این کار داشت، تحلیل او را از تحلیل بسیاری دیگر که بحرآن‌ها را منحصراً به اعطای اعتبار اشتباه و افزایش پدیده‌های سوداگرانه نسبت می‌دادند، متمایز کرد. مارکس یادداشت‌های خود را بین سه دفتر جداگانه تقسیم کرد. در اولین و کوتاه‌ترین مورد، با عنوان «فرانسه ۱۸۵۷»، او داده‌هایی را دربارۀ وضعیت تجارت فرانسه و اقدامات اصلی بانک فرانسه جمع‌آوری کرد. کتاب دوم، «کتاب بحران ۱۸۵۷» تقریباً دو برابر طولانی‌تر بود و عمدتاً به بریتانیا و بازار پول می‌پرداخت. مضامین مشابهی در دفترچۀ یادداشت سوم کمی طولانی‌تر، «کتابی در مورد بحران تجاری» که مارکس در آن داده‌ها و اخبار مربوط به روابط صنعتی، تولید مواد خام و بازار کار را شرح می داد، پرداخته شد.
کار مارکس مثل همیشه سخت‌گیرانه بود؛ او از بیش از دوازده مجله و روزنامه، به ترتیب زمانی، جالب‌ترین بخش‌های مقالات متعدد و هر اطلاعات دیگری را که می‌توانست برای خلاصه کردن اتفاقات استفاده کند، کپی می‌کرد. منبع اصلی او اکونومیست بود ـ هفته‌نامه‌ای که تقریباً نیمی از یادداشت‌هایش را از آن بیرون می‌کشید – اگرچه او همچنین اغلب با مورنینگ استار، منچستر گاردین و تایمز مشورت می‌کرد. تمام چکیده‌ها به زبان انگلیسی گردآوری شده‌است. مارکس در این یادداشت‌ها به رونویسی گزارش‌های خبری اصلی مربوط به ایالات متحده آمریکا و بریتانیا اکتفا نکرد. او همچنین مهم‌ترین رویدادها را در سایر کشورهای اروپایی ـ به‌ویژه فرانسه، آلمان، اتریش، ایتالیا و اسپانیا ـ دنبال کرد و به سایر نقاط جهان، به‌ویژه هند و چین، خاور دور، مصر و حتی برزیل و استرالیا علاقۀ شدیدی داشت.
با گذشت هفته‌ها، مارکس از ایدۀ انتشار کتابی دربارۀ بحران دست کشید و تمام انرژی خود را بر کار نظری خود، یعنی نقد اقتصاد سیاسی، متمرکز کرد، که به نظر او نمی‌توانست تأخیر بیشتری را از بین ببرد. با این حال، یادداشت‌های بحران در رد ایدۀ نادرست منافع اصلی مارکس در این دوره مفید هستند. او در نامه‌ای در اوایل سال ۱۸۵۸ به انگلس نوشت که «از نظر روشی» که برای کارش «منطق هگل» استفاده می‌کرد برای او بسیار مفید بود و افزود که می‌خواهد «جنبۀ عقلانی» آن را برجسته کند. بر این اساس، برخی از مفسرانِ آثار مارکس به این نتیجه رسیده‌اند که او هنگام نوشتن «گروندریسه» زمان قابل‌توجهی را صرف مطالعۀ فلسفۀ هگل کرده‌است. اما انتشار جلد ۱۴/۱۵ کاملاً روشن می‌کند که نگرانی اصلی او در آن زمان تحلیل تجربی رویدادهای مربوط به بحران بزرگ اقتصادی بود که مدت‌ها پیش‌بینی می‌کرد.
تلاش‌های خستگی‌ناپذیر مارکس برای تکمیل «نقد اقتصاد سیاسی» نیز مضمون اصلی جلد سوم/۱۲، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، بریف وچسل» است. ژانویه ۱۸۶۲ “bis September 1864″، که حاوی مکاتبات او از آغاز سال ۱۸۶۲ تا تأسیس انجمن بین‌المللی کارگران است، منتشر شد. از ۴۲۵ نامۀ باقی‌مانده، ۱۱۲ نامه تبادل بین انگلس و مارکس است، در‌ حالی که ۳۵ نامه به شخص سوم نوشته شده، و ۲۷۸ نامه دریافت شده‌است (۲۲۷ نامه از این گروه برای نخستین بار در اینجا منتشر می‌شود). گنجاندن این نامه‌ها ـ مهم‌ترین تفاوت با تمام نسخه‌های قبلی ـ گنجینه‌ای واقعی برای خوانندۀ علاقه‌مند دارای تعهدی سیاسی ایجاد می‌کند.
مانند سایر نسخه‌های مکاتبات MEGA²، این نسخه نیز با فهرستی از نامه‌هایی که مارکس و انگلس نوشته یا خطاب به آن‌ها نوشته‌اند، پایان می‌یابد که چیزی بیش از ردپایی بر وجودشان باقی نمانده‌است. این‌ها در مجموع به ۱۲۵ می‌رسد، تقریباً یک‌چهارمِ تعداد باقی‌مانده، و شامل ۵۷ نامۀ کاملاً نوشته‌شده توسط مارکس است. در این موارد، دقیق‌ترین محقق هم نمی‌تواند بیش از این دربارۀ فرضیه‌های حدسی مختلف به حدس و گمان بپردازد.
از جمله نکات کلیدی مورد بحث در نامه‌نگاری‌های مارکس از اوایل دهۀ ۱۸۶۰، جنگ داخلی آمریکا، شورش لهستان علیه اشغال روسیه، و تولد حزب سوسیال دموکرات آلمان با الهام از اصول فردیناند لاسال بود. با این حال، موضوعی که دائماً تکرار می‌شد تلاش او برای پیشرفت در نوشتن سرمایه بود.
در این دوره مارکس حوزۀ جدیدی از پژوهش را آغاز کرد: نظریه‌های ارزش افزوده. او در بیش از ده دفتر، رویکرد اقتصاددانان بزرگ پیش از خود را به‌دقت تشریح کرد؛ ایدۀ اصلی او این بود که «همۀ اقتصاددانان در اشتباه بررسی ارزش اضافی نه به این شکل، به شکل خالص، بلکه در اشکال خاص سود و رانت سهیم هستند». در همین حال، شرایط اقتصادی مارکس همچنان ناامیدکننده بود. در ژوئن ۱۸۶۲ او به انگلس نوشت: «همسرم هرروز آرزو می‌کند که ای کاش او و بچه‌ها در قبرشان سالم بودند، و من واقعاً نمی‌توانم او را به خاطر تحقیرها، عذاب‌ها و نگرانی‌هایی که باید در چنین شرایطی از سر بگذراند سرزنش کنم. یک وضعیت واقعاً غیر قابل توصیف است.» اوضاع به حدی بد بود که جِنی تصمیم گرفت چند کتاب از کتابخانۀ شخصی شوهرش بفروشد؛ اگرچه کسی را پیدا نکرد که بخواهد آن‌ها را بخرد. با وجود این، مارکس موفق شد سخت کار کند و یک یادداشت رضایتمندی را به انگلس ابراز کرد: «عجیب است که بگویم، مادۀ خاکستری من در میان فقر پیرامون، بهتر از سال‌های گذشته کار می‌کند.»
در ماه سپتامبر مارکس به انگلس نوشت که ممکن است «در سال جدید در دفتر راه‌آهن» شغلی پیدا کند. در ماه دسامبر او به دوستش لودویگ کوگلمن تکرار کرد که همه چیز آن‌قدر ناامیدکننده شده‌است که او «تصمیم گرفته‌است که مرد عمل شود»؛ اما هیچ چیزی از این ایده به دست نیامد. مارکس با کنایۀ معمولی خود گزارش داد: «خوشبختانه ـ یا شاید باید بگویم از بدشانسی؟ ـ به دلیل دست‌خط بدم این پست را دریافت نکردم.
مارکس همراه با فشارهای مالی از مشکلات جسمی بسیار رنج می‌برد. با وجود این، از تابستان ۱۸۶۳ تا دسامبر ۱۸۶۵، او دست به ویرایش بیشتر بخش‌های مختلفی زد که تصمیم به تقسیم سرمایه به آن‌ها داشت. در پایان، او موفق شد نخستین پیش‌نویسِ جلد اول را ترسیم کند. تنها نسخۀ خطی جلد سوم، که در آن او تنها گزارش خود را از روند کامل تولید سرمایه‌داری ارائه کرده‌ است، و یک نسخۀ اولیه از جلد دوم، که شامل نخستین ارائۀ کلی از روند گردش سرمایه بود.
جلد II/11 از MEGA²، “Karl Marx, Manuskripte zum zweiten Buch des “Sapitals” 1868 bis 1881″، شامل تمام دست‌نوشته‌های نهایی مربوط به جلد دوم سرمایه است که مارکس بین سال‌های ۱۸۶۸ و ۱۸۸۱ پیش‌نویس کرده‌است. ۹ جلد ازاین ده جلد پیشتر منتشر نشده بود. در اکتبر ۱۸۶۷ مارکس به سرمایه، جلد دوم بازگشت، اما دست‌وپنجه نرم کردن با بیماری، باعث وقفۀ ناگهانی دیگری شد. چند ماه بعد، زمانی که او توانست کار خود را از سر بگیرد، نزدیک به سه سال از آخرین نسخه‌ای که نوشته بود می‌گذشت. مارکس دو فصل اول را در طول بهار ۱۸۶۸ تکمیل کرد، علاوه‌بر گروهی از دست‌نوشته‌های مقدماتی ـ در مورد رابطه بین ارزش اضافی و نرخ سود، قانون نرخ سود، و دگردیسی سرمایه ـ که تا پایان سال او را مشغول کرد.

نسخۀ جدید فصل سوم در طول دو سال آینده تکمیل شد. جلد دوم/۱۱ با تعدادی از متون کوتاهی که مارکسِ سالخورده بین فوریۀ ۱۸۷۷ و بهار ۱۸۸۱ نوشته به پایان می‌رسد.
پیش‌نویس‌های سرمایه در جلد دوم، که ناکامل باقی مانده‌، تعدادی از مشکلات نظری را ارائه می‌کنند. با این حال، نسخۀ نهایی جلد دوم توسط انگلس در سال ۱۸۸۵ منتشر شد و اکنون در جلد II/13 MEGA² با عنوان «کارل مارکس، سرمایه‌دار» منتشر می‌شود.
مارکس سرانجام بخش دوم MEGA² را تکمیل می‌کند. این جلد که به دنبال II/4.1 و II/4.2 در مجموعۀ قبلی آمده‌است، شامل ۱۵ نسخۀ خطی منتشرنشده از پاییز ۱۸۶۷ تا پایان سال ۱۸۶۸ است. ۱۷ نسخه از این‌ها یادداشت‌های پراکنده از «سرمایه»/جلد ۳ هستند. این یادداشت‌ها شخصیتی بسیار پراکنده دارند و مارکس هرگز نتوانست آن‌ها را به گونه‌ای به‌روز کند که بازتاب‌دهندۀ پیشرفت تحقیقات او باشد. سه مورد دیگر مربوط به جلد دو است، در‎ حالی که پنج نسخۀ باقی‌مانده به مسائلی دربارۀ وابستگی متقابل میان جلدهای دو و سه می‌پردازند و شامل گزیده‌هایی از آثار آدام اسمیت و توماس مالتوس هستند. مورد دوم به‌ویژه برای اقتصاددانانی که به نظریۀ نرخ سود مارکس و ایده‌های او در مورد نظریۀ قیمت علاقه‌مندند، مجذوب‌کننده هستند. مطالعات زبان‌شناختی (فیلولوژیک) مربوط به تهیۀ این جلد همچنین نشان داده‌است که نسخۀ خطی اصلی سرمایه، جلد اول (که از «فصل ششم. نتایج فرآیند فوری تولید» تنها بخش باقی‌مانده در نظر گرفته می‌شد) در واقع به سال قبل بازمی‌گردد؛ دورۀ ۱۸۶۳ـ۱۸۶۴، و اینکه مارکس آن را برش داد و در نسخه‌ای که برای انتشار آماده کرده بود چسباند.
با انتشار MEGA2 جلد II/4.3، تمام متون جانبی مربوط به سرمایه در دسترس قرار گرفت: از «مقدمۀ» معروف، که در ژوئیه ۱۸۵۷ در یکی از مهم‌ترین سقوط‌ها در تاریخ سرمایه‌داری نوشته شد، تا آخرین قطعات، در بهار ۱۸۸۱ ساخته شده‌است. ما از ۱۵ جلد صحبت می‌کنیم به‌علاوۀ تعداد زیادی از قطعات حجیم یک دستگاه انتقادی مهیب برای متن اصلی است. آن‌ها شامل تمام نسخه‌های خطی اواخر دهۀ ۱۸۵۰ و اوایل دهۀ ۱۸۶۰، اولین نسخه از سرمایه منتشر شده در سال ۱۸۶۷ (بخش‌هایی از آن در نسخه‌های بعدی اصلاح می‌شود)، ترجمۀ فرانسوی بازبینی شده توسط مارکس که بین سال‌های ۱۸۷۲ و ۱۸۷۵ منتشر شد، و همه تغییراتی است که انگلس به نسخه‌های خطیِ جلد دو و سه افزود. در کنار این، مجموعه بستۀ کلاسیک سه جلد سرمایه به‌صورت مثبت به نظر می‌رسد. اغراق نیست اگر بگوییم فقط اکنون می‌توانیم خوبی‌ها، محدودیت‌ها و ناقص‌بودنِ کار بزرگ مارکس را کاملاً درک کنیم.
کار ویراستاری که انگلس پس از مرگ دوستش انجام داد تا قسمت‌های ناتمام سرمایه را برای انتشار آماده کند، بسیار پیچیده بود. نسخه‌های خطی، پیش‌نویس‌ها و قطعات مختلف جلدهای II و III که بین سال‌های ۱۸۶۴ و ۱۸۸۱ نوشته شده‌اند، تقریباً با ۲۳۵۰ صفحه از MEGA2 مطابقت دارند. انگلس جلد دوم را در سال ۱۸۸۵ و جلد سوم را در ۱۸۹۴ با موفقیت منتشر کرد. البته باید در نظر داشت که این دو جلد از بازسازی متون ناقص که اغلب از مواد ناهمگن تشکیل شده بودند، پدید آمدند. آن‌ها در بیش از یک دورۀ زمانی نوشته شده‌اند و بنابراین شامل نسخه‌های متفاوت و گاه متناقضی از ایده‌های مارکس می‌شوند.

۴. بین‌الملل، تحقیقات مارکس در پی سرمایه، و کارهای نهایی انگلس
مارکس بی‌درنگ پس از انتشار سرمایه، فعالیت مبارزاتی خود را از سر گرفت و به کار انجمن بین‌المللی کارگران متعهد شد. این مرحله در زندگینامۀ سیاسی او در جلد. I/21، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Werke، Artikel، Entwürfe. سپتامبر ۱۸۶۷ bis März 1871، که شامل بیش از ۱۵۰ متن و سند برای دورۀ ۱۸۶۷ـ۱۸۷۱، و همچنین صورت‌جلسۀ ۱۶۹ جلسۀ شورای عمومی در لندن (حذف شده از تمام نسخه‌های قبلی آثار مارکس و انگلس) است، که مارکس در آن مداخله کرد. به این ترتیب، مواد تحقیقاتی را برای سال‌های حیاتی در زندگی بین‌المللی فراهم می‌کند.
درست از همان روزهای نخست، در سال ۱۸۶۴، ایده‌های پرودون در فرانسه، سوئیس فرانسوی زبان و بلژیک هژمونیک بود و «متقابل‌گراها» ـ نامی که پیروان او با آن شناخته می‌شدند ـ معتدل‌ترین جناح «بین‌الملل» بودند. آن‌ها که قاطعانه با مداخلۀ دولت در هر زمینه‌ای مخالف بودند، با اجتماعی شدن زمین و ابزار تولید و همچنین هرگونه استفاده از سلاح ضربتی مخالف بودند. متن‌های منتشر شده در این جلد نشان می‌دهد که چگونه مارکس نقش کلیدی در مبارزۀ طولانی برای کاهش نفوذ پرودون در بین‌الملل ایفا کرد. آن‌ها شامل اسناد مربوط به آماده‌سازی کنگره‌های بروکسل (۱۸۶۸) و بازل (۱۸۶۹) می‌شوند، جایی که انترناسیونال اولین اظهارات واضح خود را در مورد اجتماعی‌سازیِ ابزار تولید توسط مقامات دولتی و به نفع حقِ القای افراد بیان کرد. مالکیت زمین یک پیروزی مهم برای مارکس و به منزلۀ ظهور نخستین اصول سوسیالیستی در برنامۀ سیاسی یک سازمان بزرگ کارگری بود.
فراتر از برنامۀ سیاسی انجمن بین‌المللی کارگران، اواخر دهۀ ۱۸۶۰ و اوایل دهۀ ۱۸۷۰ سرشار از درگیری‌های اجتماعی بود. بسیاری از کارگرانی که در تظاهرات اعتراضی شرکت کردند، تصمیم گرفتند با بین‌الملل که آوازه‌اش روز به روز گسترش می‌یافت، ارتباط برقرار کنند و از آن بخواهند که از مبارزاتشان حمایت کند. این دوره همچنین شاهد تولد بخش‌هایی از کارگران ایرلندی در انگلستان بود. مارکس نگران شکافی بود که ناسیونالیسم خشن در صفوف پرولتاریا ایجاد کرده بود و در سندی که به «ارتباطات محرمانه» معروف شد، تأکید کرد که «بورژوازی انگلیسی نه تنها دست به بدبخت ماندن ایرلندی برای پایین نگه داشتن طبقۀ کارگر در انگلستان با مهاجرت اجباری ایرلندی‌های فقیر زده‌است، همچنین ثابت کرده بود که می‌تواند کارگران را به دو اردوگاه متخاصم تقسیم کند.» به نظر او، ملتی که ملت دیگر را با زنجیرش به بردگی می‌کشد، از مبارزۀ طبقاتی، از چنین موضوع تعیین‌کننده‌ای نمی‌تواند فرار کند. یکی دیگر از موضوعات اصلی این جلد، که در نوشته‌های انگلس برای روزنامۀ پال مال با توجه خاص به آن پرداخته شد، مخالفت با جنگ فرانسه و پروس در سال‌های ۱۸۷۰ـ۱۸۷۱ بود.
کار مارکس در انجمن بین‌المللی کارگران از سال ۱۸۶۴ تا ۱۸۷۲ ادامه یافت و جلد جدید IV/18، «کارل مارکس ـ فردریش انگلس، Exzerpte und Notizen». فوریه ۱۸۶۴ bis Oktober 1868، نوامبر ۱۸۶۹، März، آوریل، ژوئن ۱۸۷۰، دسامبر ۱۸۷۲» بخش ناشناختۀ مطالعاتی را که او در آن سال‌ها انجام داده‌است، ارائه می‌دهد. تحقیقات مارکس یا نزدیک به چاپ جلد اول سرمایه یا بعد از ۱۸۶۷، زمانی که او جلد دو و سه را برای چاپ آماده می‌کرد، انجام شد. این مجلد MEGA² شامل پنج کتاب گزیده و چهار دفتر است که خلاصه‌ای از بیش از صد اثر منتشرشده، گزارش‌های مناظرات پارلمانی و مقالات روزنامه‌نگاری در خود گنجانده‌است. عمده‌ترین و از لحاظ نظری مهم‌ترین بخش این مواد شامل تحقیقات مارکس در زمینۀ کشاورزی است که علایق اصلی او در اینجا اجارۀ زمین، علوم طبیعی، شرایط کشاورزی در کشورهای مختلف اروپایی و ایالات متحده، روسیه، ژاپن و هند و سیستم‌های مالکیتِ زمین در جوامعِ پیشاسرمایه‌داری است.
مارکس با دقت کتاب شیمی کاربردی در کشاورزی و فیزیولوژی (۱۸۴۳) را خواند؛ اثری از دانشمند آلمانی یوستوس فون لیبیگ که به نظر او مهم می‌آمد، زیرا به او اجازه داد تا باور قبلی خود را تغییر دهد که اکتشافات علمی کشاورزی مدرن مشکل پر کردن خاک را حل کرده‌است. از آن زمان به بعد، او علاقۀ شدیدی به آنچه ما امروز «اکولوژی» (بوم‌شناسی) می‌نامیم، به‌ویژه فرسایش خاک و جنگل‌زدایی پیدا کرد. در میان کتاب‌های دیگری که مارکس را در این دوره بسیار تحت تأثیر قرار داد، باید جایگاه ویژه‌ای را به مقدمۀ تاریخ تأسیس مارک آلمان، مزرعه، روستا، شهر و اقتدار عمومی (۱۸۵۴) توسط نظریه‌پرداز سیاسی و مورخ حقوقی، گئورگ لودویگ فون ماورِر، اختصاص داد. وی در نامه‌ای به انگلس گفت که کتاب‌های ماورر را بسیار قابل توجه یافته‌است، زیرا نه تنها در عصر بدَوی، بلکه در کلّ توسعۀ آیندۀ شهرهای امپراتوری آزاد و صاحبان املاک دارای مصونیت از اقتدار عمومی و مبارزۀ بین دهقانان رایگان و رعیت، کاملاً راه متفاوتی در پیش شده‌است.

مارکس همچنین اثبات ماورر را تأیید کرد که مالکیت خصوصی در زمین متعلق به یک دورۀ تاریخی دقیق است و نمی‌تواند به‌عنوان یک ویژگی طبیعی تمدن بشری در نظر گرفته شود. سرانجام مارکس سه اثر آلمانی کارل فراس را به‌طور عمیق مطالعه کرد؛ آب و هوا و جهان سبزیجات در طول قرون، تاریخ هر دو (۱۸۴۷)، تاریخ کشاورزی (۱۸۵۲) و طبیعت کشاورزی (۱۸۵۷). او نخستین مورد از این موارد را بسیار جالب یافت، به‌ویژه با قدردانی از بخشی که در آن فراس نشان داد که «آب و هوا و گیاهان در دوران تاریخی تغییر می کنند». او نویسنده را پیش از داروین یک داروینیست خواند که اعتراف کرده «حتی گونه‌ها در دوران تاریخی در حال رشد بوده‌اند». مارکس همچنین تحت تأثیر ملاحظات بوم‌شناختی فراس و نگرانی‌های او قرار گرفت که «تزکیه ـ وقتی در رشد طبیعی پیش می‌رود و آگاهانه کنترل نمی‌شود (به‌عنوان یک بورژوا طبیعتاً به این نقطه نمی‌رسد) ـ بیابان‌هایی را پشت سر می‌گذارد». مارکس می‌توانست در همۀ این‌ها یک «گرایش سوسیالیستی ناخودآگاه» را تمییز دهد.
پس از انتشار به‌اصطلاح یادداشت‌های کشاورزی، می‌توان با شواهد بیشتری نسبت به قبل استدلال کرد که اگر مارکس انرژی لازم برای تکمیل دو جلد آخر سرمایه را داشت، ممکن بود بوم‌شناسی نقش بسیار بیشتری در تفکر این فیلسوف بزرگ ایفا می‌کرد. البته نقد بوم‌شناختی مارکس، از نظر هدف، ضد سرمایه‌داری بود و فراتر از امیدها، او در پیشرفت علمی قرار داشت و شیوۀ تولید را در کل زیر سؤال برد.
مقیاس مطالعات مارکس در علوم طبیعی از زمان انتشار جلد ۴/۲۶، «Karl Marx, Exzerpte und Notizen zur Geologie, Mineralogie und Agrikulturchemie» März bis سپتامبر ۱۸۷۸ کاملاً آشکار شد. در بهار و تابستان ۱۸۷۸، زمین‌شناسی، کانی‌شناسی، و شیمی کشاورزی بیش‌تر از اقتصاد سیاسی در مطالعات مارکس محور بودند. او بین ژوئن تا اوایل سپتامبر چکیده‌هایی از تعدادی کتاب، از جمله تاریخ طبیعی مواد خام تجارت (۱۸۷۲) نوشتۀ جان ییتس، کتاب طبیعت (۱۸۴۸) اثر شیمیدان فردریش شودلر و عناصر شیمی کشاورزی و زمین شناسی (۱۸۵۶) نوشتۀ جیمز جانستون، شیمیدان و کانی‌شناس، را آماده کرد. همچنین مارکس با کتاب راهنمای زمین‌شناسی دانش‌آموزی جوزف جوکس (۱۸۵۷) دست‌وپنجه نرم می‌کرد که بیشترین تعداد چکیده‌ها را از آن رونویسی کرد. تمرکز اصلی این سؤالات روش‌شناسی علمی، مراحل توسعۀ زمین‌شناسی به‌عنوان یک رشته و سودمندی آن برای تولید صنعتی و کشاورزی است.
چنین بینش‌هایی در مارکس نیاز به توسعۀ ایده‌هایش در مورد سود را بیدار کرد، زیرا او آخرین بار در اواسط دهۀ ۱۸۶۰، زمانی که پیش‌نویس بخش «تبدیل سود مازاد به رانت زمینی» سرمایه را نوشت، به‌شدت خود را با آن مشغول کرده بود. هدف برخی از خلاصه‌های متون طبیعی ـ علمی، روشن‌تر کردن مطالبی بود که او مطالعه می‌کرد. اما گزیده‌های دیگری که بیشتر به جنبه‌های نظری مربوط می‌شدند، قرار بود در تکمیل جلد سوم استفاده شوند. انگلس بعداً یادآور شد که مارکس «(…) ماقبل تاریخ، زراعت، زمین شناسی روسیه و آمریکا، زمین شناسی و غیره را به‌طور خاص، تا حدی (…) که قبلاً هرگز تلاش نکرده بود، بخش مربوط به اجارۀ زمین در جلد سوم را بررسی کرد؛ سرمایه، پایتخت».
این نسخه‌های MEGA2 از اهمیت بیشتری برخوردارند، زیرا در خدمت بی‌اعتبار کردن این افسانه هستند که در تعدادی از زندگی‌نامه‌ها و مطالعات دربارۀ مارکس تکرار شده‌است؛ این تکرارها مبتنی بر این است که او پس از سرمایه کنجکاوی فکری خود را ارضا و مطالعه و تحقیق جدید را کاملاً رها کرده‌است.
در نهایت، سه کتاب MEGA² منتشرشده در دهۀ گذشته مربوط به انگلس است. جلد اول/۳۰، «فریدریش انگلس، ورک، آرتیکل، انتورفه مای ۱۸۸۳ با سپتامبر ۱۸۸۶» شامل ۴۳ متن است که او در سه سال پس از مرگ مارکس نوشت. از میان ۲۹ مورد از مهم‌ترین آن‌ها، ۱۷ مورد مقالات روزنامه‌نگاری است که در برخی از روزنامه‌های اصلیِ طبقۀ کارگر اروپا منتشر شده‌است. زیرا گرچه در این دوره او عمدتاً در ویراستاری دست‌نوشته‌های ناقصِ کاپیتال مارکس غرق شده بود، اما انگلس از مداخله در یک سری مسائل سیاسی و نظری غافل نشد. او همچنین یک اثر جدلی ارائه کرد که هدفش تجدید حیات ایده‌آلیسم در محافل دانشگاهی آلمان بود: لودویگ فویرباخ و پایان فلسفه کلاسیک آلمان (۱۸۸۶). ۱۴ متن دیگر که به‌عنوان ضمیمه در این مجلد MEGA2 منتشر شده‌است، برخی از ترجمه های خود انگلس و مجموعه‌ای از مقالات هستند که توسط سایر نویسندگانی که از همکاری او بهره برده‌اند امضا شده‌اند.
MEGA² همچنین مجموعۀ جدیدی از نامه‌نگاری‌های انگلس را منتشر کرده‌است. جلد سوم/۳۰، «فریدریش انگلس، بریف وچسل اکتبر ۱۸۸۹ با نوامبر ۱۸۹۰»، شامل ۴۰۶ نامۀ بازمانده از مجموع ۵۰۰ نامه یا بیشتر است که او بین اکتبر ۱۸۸۹ و نوامبر ۱۸۹۰ نوشته‌است. گزارشگران این امکان را فراهم می‌کنند که به‌طور عمیق‌تری از سهمی که انگلس در رشد احزاب کارگریِ آلمان، فرانسه و بریتانیا در مورد طیفی از مسائل نظری و سازمانی ایفا کرد، قدردانی کنیم. برخی از موارد مورد بحث مربوط به تولد و بسیاری از بحث‌های جاری در انترناسیونال دوم است که کنگرۀ مؤسس آن در ۱۴ ژوئیه ۱۸۸۹ برگزار شد.
سرانجام جلد اول/۳۲، «فریدریش انگلس، ورک، آرتیکل، انتورفه مرز ۱۸۹۱ با اوت ۱۸۹۵»، نوشته‌های چهار سال و نیمِ پایانیِ زندگی انگلس را گرد هم می‌آورد. تعدادی مقالۀ ژورنالیستی برای روزنامه‌های سوسیالیستیِ عمدۀ آن زمان، از جمله Die Neue Zeit، Le Socialiste، و Critica Sociale وجود دارد؛ همچنین مقدمه‌ها و پس‌گفتارهایی برای تجدید چاپ‌های مختلف از آثار مارکس و انگلس، رونویسی از سخنرانی‌ها، مصاحبه‌ها و خوشامدگویی به کنگره‌های حزب، گزارش گفتگوها، اسنادی که انگلس با همکاری دیگران تهیه کرد و تعدادی ترجمه در آن دیده می‌شود.
بنابراین، این سه جلد برای مطالعۀ عمیق‌تر مشارکت‌های نظری و سیاسی انگلس بسیار مفید خواهد بود. انتشارات و کنفرانس‌های بین‌المللی متعددی که برای دویستمین سالگرد تولد او (۱۸۲۰ ـ ۲۰۲۰) برنامه‌ریزی شده‌اند، مطمئناً در بررسی این دوازده سال پس از مرگ مارکس، که در طی آن او انرژی خود را وقف انتشار مارکسیسم کرد، کوتاهی نخواهد کرد.

۵. مارکسی دیگر؟

مارکس از ویرایش تاریخی ـ انتقادی جدید آثارش به چه چیزی دست می‌یابد؟ او از جهاتی با متفکری که بسیاری از پیروان و مخالفانش در طول سال‌ها ارائه کرده‌اند متفاوت است؛ نه از مجسمه‌های سنگی که در میادین عمومی تحت رژیم‌های غیرآزاد اروپای شرقی یافت می‌شوند، که به او نشان می‌دهد که با اطمینان کامل به آینده اشاره می‌کند. از سوی دیگر، گمراه کننده خواهد بود ـ مانند کسانی که پس از اولین بار ظاهرشدن هر متن جدید، از یک «مارکس ناشناخته» بسیار هیجان‌زده استقبال می‌کنند ـ که تحقیقات اخیر همۀ چیزهایی را که پیشتر در مورد او شناخته شده بود را وارونه کرده‌است. آنچه که MEGA2 ارائه می‌کند، پایۀ متنی برای بازاندیشی مارکسِ متفاوت است؛ متفاوت نیست، زیرا مبارزۀ طبقاتی از اندیشۀ او خارج می‌شود (همان‌طور که برخی از دانشگاهیان می‌خواهند، در گونه‌ای از عبارت قدیمی «مارکس اقتصاددان» در برابر «مارکس سیاستمدار»ی که بیهوده به دنبال معرفی او به‌عنوان یک کلاسیک بی‌دندان است). اما کاملاً متفاوت از نویسنده‌ای است که به‌طور جزمی به سوسیالیسم واقعی موجود (fons et origo) تبدیل شده بود که ظاهراً تنها بر تضاد طبقاتی متمرکز بود.
پیشرفت‌های جدیدی که در مطالعات مارکسیستی به‌دست آمده‌است نشان می‌دهد که تفسیر آثار مارکس دوباره، مانند بسیاری از زمان‌های دیگر در گذشته، احتمالاً بیشتر و بیشتر اصلاح می‌شود. برای مدت طولانی، بسیاری از مارکسیست‌ها نوشته‌های مارکس جوان را پیش‌زمینه می‌کردند ـ در درجۀ اول دست‌نوشته‌های اقتصادی و فلسفی ۱۸۴۴ و ایدئولوژی آلمانی ـ در حالی که مانیفست حزب کمونیست پرخواننده‌ترین و نقل‌قول‌ترین متن او باقی ماند. با این حال، در آن نوشته‌های اولیه، ایده‌های بسیاری می‌بینید که در آثار بعدی او جایگزین شده‌اند. در بلندمدت، دشواری بررسی تحقیقات مارکس در دو دهۀ پایانی زندگی‌اش، دانش ما را از دستاوردهای مهمی که او به‌دست آورد، با مشکل روبرو کرد. اما بیش از هر چیز در سرمایه و پیش‌نویس‌های اولیه‌اش و همچنین در تحقیقات سال‌های پایانی اوست که ارزشمندترین تأملات را در نقد جامعۀ بورژوایی می‌یابیم. این‌ها آخرین نتیجه‌گیری‌هایی هستند که مارکس به آن رسید، هرچند نه قطعی. اگر با توجه به تغییرات جهان پس از مرگ او به‌طور انتقادی بررسی شود، ممکن است پس از شکست‌های قرن بیستم، برای نظریه‌پردازیِ یک مدل اجتماعی ـ اقتصادی جایگزین سرمایه‌داری، همچنان مفید باشد.
نسخۀ MEGA2 همۀ این ادعاها را به‌دروغ گفته است که مارکس آن متفکری است که ما همه چیز دربارۀ او نوشته‌ایم و گفته‌ایم. هنوز چیزهای زیادی برای یادگیری از مارکس وجود دارد. امروزه می‌توان این کار را نه تنها با مطالعۀ آنچه که او در آثار منتشرشدۀ خود آورده، بلکه پرسش‌ها و شبهات موجود در دست‌نوشته‌های ناتمام او نیز انجام داد.

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150 años de El capital francés

‘Le Capital’ representó la primera puerta de acceso a la obra de Marx para lectores de varios países.
En febrero de 1867, después de más de dos décadas de trabajo hercúleo, Marx finalmente pudo darle a su amigo Friedrich Engels la tan esperada noticia de que había terminado la primera parte de su crítica a la economía política. Posteriormente, Marx viajó de Londres a Hamburgo para entregar el manuscrito del Volumen I (“El proceso de producción del capital”) de su magnum opus y, de acuerdo con su editor Otto Meissner, se decidió que El Capital se presentaría en tres partes. Rebosante de satisfacción, Marx escribió que la publicación de su libro era, “sin duda, el misil más terrible que se haya lanzado hasta ahora contra las cabezas de la burguesía”.

A pesar del largo trabajo de redacción antes de 1867, la estructura de El Capital se ampliaría considerablemente en los años siguientes, y el Volumen I también continuó absorbiendo energías significativas por parte de Marx, incluso después de su publicación. Uno de los ejemplos más evidentes de este compromiso fue la traducción francesa de El Capital publicada en 44 entregas entre 1872 y 1875. Este volumen no era una mera traducción, sino una versión ‘totalmente revisada por el autor’ en la que Marx también profundizó el apartado sobre el proceso de acumulación del capital, y desarrolló mejor sus ideas sobre la distinción entre ‘concentración’ y ‘centralización’ del capital.

Además, al revisar la traducción, Marx decidió introducir algunas adiciones y modificaciones. En la posdata de Le Capital, no dudó en atribuirle “un valor científico independiente del original” y afirmó que la nueva versión “debería ser consultada incluso por lectores familiarizados con el libro en alemán”. El punto más interesante, especialmente por su valor político, se refiere a la tendencia histórica de la producción capitalista. Si en la edición anterior de El Capital Marx había escrito que “el país más desarrollado industrialmente se limita a mostrar a los menos desarrollados la imagen de su propio futuro”, en la versión francesa las palabras en cursiva fueron sustituidas por “a los que les siguen en el ascenso de la escala de la industrialización”. Esta aclaración limitó la tendencia del desarrollo capitalista exclusivamente a los países occidentales que ya estaban industrializados.

Ahora era plenamente consciente de que el esquema de progresión lineal a través de los “modos de producción asiático, antiguo, feudal y el moderno modo de producción burgués”, que había perfilado en el Prefacio a Una contribución a la crítica de la economía política, en 1859, era inadecuado para comprender el movimiento de la historia y que, en efecto, era aconsejable alejarse de cualquier filosofía de la historia. No vio el desarrollo histórico en términos de un progreso lineal inquebrantable hacia un fin predefinido. La concepción multilineal más pronunciada que Marx desarrolló en sus últimos años lo llevó a mirar aún más atentamente las especificidades históricas y la desigualdad del desarrollo político y económico en diferentes países y contextos sociales. Este enfoque ciertamente incrementó las dificultades a las que se enfrentó en el ya accidentado curso de completar el segundo y tercer volumen de El Capital. En la última década de su vida, Marx emprendió investigaciones exhaustivas de sociedades fuera de Europa y se expresó sin ambigüedades contra los estragos del colonialismo. Es un error sugerir lo contrario. Marx criticó a los pensadores que, al tiempo que destacaban las consecuencias destructivas del colonialismo, utilizaban categorías propias del contexto europeo en su análisis de las áreas periféricas del globo. Advirtió varias veces contra aquellos incapaces de observar las distinciones necesarias entre los fenómenos y, especialmente después de sus avances teóricos en la década de 1870, desconfiaba mucho a la hora de transferir categorías interpretativas a campos históricos o geográficos completamente diferentes. Todo esto es más claro gracias a Le Capital.

En una carta de 1878, en la que Marx sopesaba los aspectos positivos y negativos de la edición francesa, le escribió a Danielson que contenía “muchos cambios y adiciones importantes”, pero que “también se había visto obligado a veces —principalmente en el primer capítulo— a simplificar el asunto”. Engels era de esta opinión y no incluyó todos los cambios hechos por Marx en la cuarta edición alemana de El Capital que publicó en 1890, siete años después de la muerte de Marx.

Le Capital tuvo una importancia considerable para la difusión de la obra de Marx en todo el mundo. Se utilizó para la traducción de muchos extractos a varios idiomas, el primero en inglés, por ejemplo. De manera más general, Le Capital representó la primera puerta de acceso a la obra de Marx para lectores de varios países. La primera traducción al italiano —publicada entre 1882 y 1884— se hizo directamente de la edición francesa, al igual que la traducción aparecida en Grecia, en 1927. En el caso del español, Le Capital permitió sacar algunas ediciones parciales y dos traducciones completas: una en Madrid, en 1967, y otra en Buenos Aires, en 1973. Dado que el francés era más conocido que el alemán, fue gracias a esta versión que la crítica de la economía política de Marx pudo llegar a muchos países de Hispanoamérica más rápidamente. Casi lo mismo ocurría con los países de habla portuguesa. En el mismo Portugal, El Capital circuló solo a través de la pequeña cantidad de copias disponibles en francés, hasta que apareció una versión abreviada en portugués poco antes de la caída de la dictadura de Salazar. En general, a los activistas políticos e investigadores tanto en Portugal como en Brasil les resultó más fácil acercarse a la obra de Marx a través de la traducción al francés que la original. Las pocas copias que llegaron a los países africanos de habla portuguesa también estaban en ese idioma.

El colonialismo también dio forma en parte a los mecanismos por los cuales El Capital estuvo disponible en el mundo árabe. Mientras que en Egipto e Irak fue el inglés el idioma que más se utilizó en la difusión de la cultura europea, la edición francesa desempeñó un papel más destacado en otros lugares, especialmente en Argelia, que en la década de 1960 fue un centro importante para facilitar la circulación de ideas marxistas en los “países no alineados”. La importancia de Le Capital se extendió también a Asia, como lo demuestra el hecho de que la primera traducción vietnamita del Volumen I, publicado entre 1959 y 1960, se realizó a partir de la edición francesa.

Esta, además de ser consultada a menudo por traductores de todo el mundo y ser cotejada con la edición de 1890 publicada por Engels, que se convirtió en la versión estándar de Das Kapital, la traducción francesa ha servido de base para traducciones completas de El Capital a ocho idiomas. Ciento cincuenta años después de su primera publicación, continúa siendo una fuente de debate estimulante entre académicos y activistas interesados en la crítica de Marx al capitalismo.
En una carta a su antiguo camarada Friedrich Adolph Sorge, el propio Marx comentó que con Le Capital había “consumido tanto [de su] tiempo que no volvería a colaborar de ninguna manera en una traducción”. Eso es exactamente lo que sucedió. El esfuerzo y las molestias necesarios para producir la mejor versión francesa posible fueron realmente notables. Pero podemos decir que fueron bien recompensados. Le Capital ha tenido una circulación significativa, y los añadidos y cambios realizados por Marx, durante la revisión de su traducción, contribuyeron a la dimensión anticolonial y universal de El Capital que está siendo ampliamente reconocida hoy en día gracias a algunas de las más novedosas y perspicaces contribuciones en los estudios de Marx.

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إختَرنا لكُم | اقرأوا كارل ماركس : محادثة مع إيمانويل والرستاين

نقدم لكم هذه المحادثة بين مارشيللو موستو هو أستاذ علم الاجتماع بجامعة يورك في تورونتو بكندا وإيمانويل والرستاين  أحد أهم علماء الاجتماع، وواحد من روّاد نظرية النظم العالمية.

ترجمة إبراهيم يونس باحث ماجستير في علم الاجتماع بجامعة الإسكندرية.

على مر ثلاثة عقود مضت، انفردت السياسات والأيديولوجيا الليبرالية الجديدة بالمسرح العالمي. وبالرغم من ذلك، حثَّت الأزمة الاقتصادية لعام 2008 وعدم المساواة العميقة التي وجدت في مجتمعنا، خاصة بين الشمال والجنوب العالميين، والتغيرات الدراماتيكية البيئية المعاصرة، العديد من المفكرين والمحللين الاقتصاديين والسياسيين إلى إعادة فتح النقاش عن مستقبل الرأسمالية والحاجة إلى بديل. وفي هذا السياق، تقريباً في جميع أنحاء العالم، في مناسبة الاحتفالية المئوية الثانية بمولد كارل ماركس، فإن هناك ’عودة ماركس‘؛ عودة إلى مؤلف رُبِط خطئاً بالدوغمائية الماركسية اللينينية، ومن ثم وضع على الرف بسرعة بعد سقوط جدار برلين.

العودة إلى ماركس ليست فقط ضرورية لفهم منطق وديناميكيات الرأسمالية، فعمله يعد أيضاً أداة توفر لنا فحص صارم يعالج التجارب الاجتماعية الاقتصادية السابقة التي فشلت في إحلال نمطاً إنتاجياً آخر محل الرأسمالية. إن تفسير هذه الإخفاقات لبالغ الأهمية لبحثنا المعاصر عن البدائل.

***

مارشيللو موستو: أستاذ والرشتاين، تستمر المنشورات والنقاشات والمؤتمرات حول العالم، بعد ثلاثين عاماً من انتهاء ما سُمّي ’الاشتراكية القائمة بالفعل‘، عن القدرة المستمرة لكارل ماركس على تفسير الحاضر. هل يُعد ذلك مفاجئاً؟ أم تعتقد أن أفكار ماركس ستستمر أهميتها بالنسبة إلى أولئك الباحثين عن بديل للرأسمالية؟

إيمانويل والرستاين: هناك قصة قديمة عن ماركس؛ تُلقيه من الباب الأمامي، فيتسلل إليك من النافذة الخلفية. هذا ما حدث مجدداً. إن ماركس راهنٌ لأنه علينا أن نتعامل مع مسائل ما يزال لديه الكثير ليقوله عنها، ولأن ما يقوله عن الرأسمالية يختلف عما يقوله معظم المؤلفين الآخرين. إن العديد من الكتاب والمفكرين، وليس أنا فقط، يجدون أن ماركس مفيدٌ بشكل كبير، وأنه الآن في واحدة من حقبه الشعبية الجديدة، بصرف النظر عما جرى توقعه عام 1989.

مارشيللو موستو: أدى سقوط جدار برلين إلى تحرير ماركس من أيديولوجيا ذات علاقة ضعيفة بمفهومه عن المجتمع، فقد ساعدت الأرضية السياسية التي تلت الانفجار الداخلي في الإتحاد السوفياتي في تحرير ماركس من دورٍ ’صوريّ‘ في جهاز الدولة. فماذا عن تفسير ماركس للعالم الذي يستمر في جذب الانتباه؟

إيمانويل والرستاين: أعتقد أنه عندما يفكر الناس في تفسير ماركس للعالم في مفهوم معين، فهم يفكرون في ’الصراع الطبقي‘. عندما أقرأ ماركس في ضوء الأحداث الراهنة، فإن الصراع الطبقي بالنسبة لي يعني النضال لما أسميه ’اليسار العالمي‘ – والذي أعتقد أنه يسعى إلى تمثيل 80% من سكان العالم وفقاً للدخل – ضد ’اليمين العالمي‘ الذي يمثل تقريباً 1% من السكان. يدور الصراع حول الـ 19% المتبقية، إنه عن كيفية جذبهم إلى الانضمام لجانبك بدلاً من الجانب الآخر. نحن نعيش في عصر الأزمات البنيوية للنظام العالمي، ولن يستطيع النظام الرأسمالي القائم أن ينجو، لكن لا أحد يستطيع أن يعرف بالتأكيد ما الذي سيحل محله.

أنا مقتنعٌ بأن هناك إمكانيتان؛ أولاهما ما أطلق عليه ’روح دافوس‘، المنتدى الاقتصادي العالمي الذي يهدف لإقامة نظام يحافظ على أسوء سمات الرأسمالية؛ الهرمية الاجتماعية والاستغلال، وفوق كل ذلك استقطاب الثروة. يجب أن يكون البديل نظاماً أكثر ديمقراطية ومساواة. إن الصراع الطبقي هو المحاولة الأساسية للتأثير على مستقبل ما سيحل محل الرأسمالية.

مارشيللو موستو: إن إشارتك عن الطبقة الوسطى تذكرني بفكرة أنطونيو جرامشي عن الهيمنة، لكني أعتقد أن الموضوع أيضاً عن فهم كيفية تحفيز جماهير الناس، الـ 80% الذين ذكرتهم، ليشاركوا في السياسة. هذا تحديداً مُلِح فيما يسمى الجنوب العالمي، حيث يتركز معظم سكان العالم، وحيث أصبحت الحركات التقدمية، في العقود الماضية، وبصرف النظر عن الزيادة الدراماتيكية للامساواة الناتجة عن الرأسمالية، أكثر ضعفاً عما كانت عليه مسبقاً. ونحن نشهد، بالمثل، وبشكل متزايد، تصاعد هذه الظاهرة في أوروبا.

السؤال هو: هل يساعدنا ماركس في فهم هذا السيناريو الجديد؟ فالدراسات المنشورة حديثاً عرضت تفسيرات جديدة لماركس قد تساهم في فتح ’نوافذ خلفية‘ في المستقبل وفق تعبيرك. إنها تكشف عن مؤلف أمدَّ فحصه لتناقضات المجتمع الرأسمالي إلى مجالات أخرى فيما هو أبعد من الصراع بين رأس المال والعمل. في الحقيقة، كرَّس ماركس الكثير من وقته لدراسة المجتمعات غير الأوروبية ودور الاستعمار المدمر في أطراف الرأسمالية. في الأساس، وعلى العكس من التفسيرات التي تعادل مفهوم ماركس عن الاشتراكية بتطوير القوى المنتجة.

فقد ظهر الاهتمام بالبيئة بشكل بارز في أعماله. وأخيراً، كان ماركس مهتماً بشكل واسع بمواضيع أخرى مختلفة، عادة ما يتجاهلها المفكرون عندما يتحدثون عنه، ومن بينها إمكانات التكنولوجيا، ونقد القومية، والبحث عن أشكال لملكية جماعية لا تتحكم فيها الدولة والحاجة إلى الحرية الفردية؛ كل القضايا الأساسية لعصرنا. لكن بجانب هذه الوجوه الجديدة لماركس، التي تجدد الاهتمام بفكره، وتعد ظاهرة تبدو متجهة للاستمرار في السنوات القادمة، هل يمكنك الإشارة إلى ثلاثة أفكار معروفة لماركس تعتقد أنها تستحق أن يُعاد النظر فيها اليوم؟

إيمانويل والرستاين: أولاً وقبل أي شيء، فسَّر لنا ماركس، أفضل من أي شخص آخر، أن الرأسمالية ليست الطريقة الطبيعية لتنظيم المجتمع. ففي كتابه ’’بؤس الفلسفة‘‘ الذي نشر وهو ما يزال في التاسعة والعشرين من عمره، سَخَر بالفعل من الاقتصاديين السياسيين الذين جادلوا بأن العلاقات الرأسمالية “قوانين طبيعية مستقلة عن تأثير الزمن”، وكتب ماركس أن بالنسبة إليهم “نعرف أن ثمَّة ’تاريخ‘ حين نجد في مؤسسات الإقطاع علاقات إنتاج مختلفة تماماً عن تلك لدى المجتمع البرجوازي”، لكنهم لم يطبقوا التاريخ على نمط الانتاج الذي أيدوه؛ لقد قدموا الرأسمالية على أنها ’طبيعية‘ و ’أبدية‘.

حاولت في كتابي ’’الرأسمالية التاريخية‘‘ توضيح أن الرأسمالية هي ما حدث تاريخياً، على النقيض من الأفكار الخاطئة وغير الواضحة التي يعتنقها عدة اقتصاديين سياسيين من التيار السائد. وجادلت عدة مرات بأنه لا توجد رأسمالية ليست تاريخية، إن الأمر بهذه البساطة بالنسبة لي، ونحن ندين بهذا الصدد بالكثير لماركس. ثانياً، أريد أن أشدد على أهمية مفهوم ’التراكم البدائي‘ الذي يعني نزع ملكية الفلاحين عن أراضيهم، والذي يعد أساس الرأسمالية. فهم ماركس جيداً أن ذلك كان بمثابة العملية الرئيسية في تشكل هيمنة البرجوازية، لقد وجدت في بداية الرأسمالية ومازالت موجودة حتى الآن.

وأخيراً، أود أن أدعو إلى مزيد من التفكير في موضوع ’الملكية الخاصة والشيوعية‘، ففي النظام الذي تأسس في الاتحاد السوفياتي – خاصة تحت قيادة ستالين – كانت الملكية في يد الدولة، ولا يعني ذلك أن الناس لم يكونوا مستغَلين ومقموعين، لقد كانوا كذلك. إن الحديث عن اشتراكية في بلد واحد، كما فعل ستالين، كانت أيضاً شيئاً لم يدخل قط عقل أي أحد، بما فيهم ماركس قبل ذلك. تعد الملكية العامة لأدوات الإنتاج إحدى الخيارات، لكن علينا أن نعرف، إذا كنا ننوي إقامة مجتمع أفضل، من الذي ينتج ومن الذي يستقبل فائض القيمة. ومقارنة بالرأسمالية، علينا إعادة تنظيم ذلك بشكل كامل كبديل للرأسمالية، وهذه بالنسبة لي المسألة الرئيسية.

مارشيللو موستو: يوافق العام 2018 الذكري المئوية الثانية لمولد ماركس، وقد أنتجت كتب وأفلام جديدة عن حياته. هل هناك فترة ما في حياته تجدها أكثر جذباً للاهتمام؟

إيمانويل والرستاين: كانت حياة ماركس شاقة للغاية، فلقد عانى من الفقر الشديد، وكان محظوظاً بوجود رفيق مثل فريدريك إنجلز الذي ساعده على المعاش، ولم يكن لديه حياة عاطفية سهلة أيضاً. فإصراره على محاولة القيام بما اعتقد أنه عمل حياته، أي فهم كيفية عمل الرأسمالية، كان مثيراً للإعجاب حقاً. هذا ما رأى نفسه يفعله، فلم يسعى ماركس إلى تفسير العصور القديمة أو تعريف كيف ستكون الاشتراكية في المستقبل، فلم تكن هذه المهام التي وضعها على عاتقه، لقد أراد أن يفهم العالم الرأسمالي الذي عاش فيه.

مارشيللو موستو: لم يكن ماركس، على مدى حياته، مجرد مفكر معزول بين كتب المتحف البريطاني بلندن، بل كان دائماً مناضلاً ثورياً مشتبكاً مع نضالات عصره. وبسبب نشاطه نُفيَّ في شبابه من فرنسا وبلجيكا وألمانيا، وفرض عليه العيش في منفاه في إنجلترا عندما هزمت ثورات عام 1848. لقد دعم صحف ومطبوعات، ودائماً ما دعم الحركات العمالية بكل ما استطاع. ولاحقاً بين عامي 1864-1872 أصبح زعيم ’رابطة الشغيلة العالمية‘ (الأممية الأولى) التي تعد أول منظمة عابرة للحدود للطبقة العاملة، ودافع عام 1871 عن كوميونة باريس التي تعد أول تجربة اشتراكية في التاريخ.

إيمانويل والرستاين: نعم هذا صحيح. إنه لمن الجوهري ذكر نضالات ماركس. وكما نوّهت أنت في كتابك ’’أيها العمال اتحدوا !Workers Unite‘‘، كان لماركس دوراً استثنائياً في الأممية، وهي تنظيم شكّله أناس كانوا بعيدين عن بعضهم جغرافياً في وقت لم يشهد أي وسائل تواصل سهلة. وتضمن النشاط السياسي لماركس الصحافة أيضاً، حيث استمر فيها طوال حياته كوسيلة للتواصل مع عدداً أكبر من الجمهور. عمل صحفياً ليحصل على دخل، لكنه رأى مساهماته بمثابة نشاط سياسي. لم يكن حيادياً بأي شكل من الأشكال، وكان صحفياً ملتزماً.

مارشيللو موستو: في الاحتفالية المئوية للثورة الروسية عام 2017، عاد بعض المفكرين إلى التفريق بين ماركس وبعض من أتباعه الذين كانوا في السلطة إبّان القرن العشرين. ما الفرق الرئيسي بين ماركس وبينهم؟

إيمانويل والرستاين: إن كتابات ماركس أكثر دقة وتنوعاً من التفسيرات التبسيطية لأفكاره. إنه لمن الجيد دائماً أن نتذكر المزحة الشهيرة التي قال فيها ماركس “إذا كانت هذه هي الماركسية، فما هو مؤكد أنني لست ماركسياً”. كان ماركس مستعداً دائماً للتعامل مع واقع العالم على عكس الكثيرين الذين يفرضون آرائهم بشكل دغمائي، فعادةً ما غيَّر آرائه. كان يبحث باستمرار عن حلول للمشكلات التي رأى أن العالم ي واجهها، ذلك سبب بقائه للآن مُساعداً جداً ودليلٌ مفيد.

مارشيللو موستو: في النهاية، ماذا لديك لتقوله للأجيال الصغيرة التي مازالت لم تكتشف ماركس؟

إيمانويل والرستاين: أول شيء أود قوله للشباب هو أنه عليهم أن يقرأوه هو، لا تقرأوا عنه، لكن اقرأوا ماركس. قليل من الناس – بالمقارنة مع الكثيرين الذين يتحدثون عنه – قرأوا بالفعل ماركس. وهذا صحيح أيضاً في حالة آدم سميث. عامةً، يقرأ المرء فقط عن هذه الكلاسيكيات، فالناس يعرفونهم من خلال ملخصات الآخرين، إنهم يريدون بهذا أن يوفروا الوقت، لكن ذلك في الحقيقة مضيعة الوقت. على المرء أن يقرأ لكُتّاب مثيرين للاهتمام، وماركس هو أكثرهم إثارةً للاهتمام في القرنين التاسع عشر والعشرين، وليس هناك أي شك في ذلك. فلا أحد يساويه فيما يخص عدد الأشياء التي كتب عنها، ولا في جودة تحليلاته. إذن، فرسالتي للأجيال الجديدة أن ماركس فعلاً يستحق أن يُكتشف، لكنه يجب أن يُقرأ، اقرأوه. اقرأوا كارل ماركس.

***

إيمانويل والرستاين (1930-2019)هو أحد أهم علماء الاجتماع، وواحد من روّاد نظرية النظم العالمية بجانب سمير أمين وأندرى جوندر فرانك وجيوفاني أريجي. ألَّف أكثر من ثلاثين كتاباً ترجم معظمها إلى العديد من اللغات، وأبرز تلك الكتب ’’النظام العالمي المعاصر The Modern World-System‘‘ الذي يؤرِّخ فيه ويُشرِّح نشأة الرأسمالية منذ القرن السادس عشر وحتى مطلع القرن العشرين، ويقع هذا الكتاب في أربع مجلدات نشروا بين عامي 1974-2011.

مارشيللو موستو هو أستاذ علم الاجتماع بجامعة يورك في تورونتو بكندا، وله العديد من المؤلفات التي يركز فيها على إسهامات ماركس وسيرته الذاتية ونضالاته.

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Le Capital compie 150 anni

Nel settembre del 1872 usciva l’edizione francese del magnum opus di Karl Marx. Fu molto più di una traduzione, rinnovando continuamente la sua prospettiva critica aprì infatti la sua analisi al capitalismo globale.
Nel febbraio 1867, dopo più di due decenni di faticoso lavoro, Karl Marx disse al suo amico Friedrich Engels che la prima parte della sua tanto attesa critica dell’economia politica era finalmente completata. Marx viaggiò da Londra ad Amburgo per consegnare il manoscritto del volume I (Il processo di produzione del capitale) del suo magnum opus e, in accordo con il suo editore, Otto Meissner, fu deciso che Il Capitale sarebbe uscito in tre parti. Al culmine della soddisfazione, Marx scrisse che la pubblicazione del suo libro era, «senza dubbio, il colpo più terribile che sia mai stato scagliato contro la testa della borghesia».

Nonostante il lungo lavoro di composizione prima del 1867, la struttura del Capitale si sarebbe notevolmente ampliata negli anni a venire e lo stesso volume I continuò ad assorbire energie significative da parte di Marx, anche dopo la sua pubblicazione. Uno degli esempi più evidenti di questo impegno fu la traduzione francese del Capitale, pubblicata in quarantaquattro puntate tra il 1872 e il 1875. Questa edizione non era una semplice traduzione ma una versione «completamente rivista dall’autore» in cui Marx approfondiva la sezione sul processo di accumulazione del capitale e sviluppava meglio le sue idee sulla differenza tra la «concentrazione» e la «centralizzazione» del capitale.

Alla ricerca della versione definitiva
Dopo le interruzioni dovute alle cattive condizioni di salute – e dopo un periodo di intensa attività politica per l’Associazione internazionale dei lavoratori – Marx si dedicò a lavorare a una nuova edizione del volume I del Capitale all’inizio degli anni Settanta dell’Ottocento. Insoddisfatto del modo in cui aveva esposto la teoria del valore, trascorse il dicembre 1871 e il gennaio 1872 riscrivendo ciò che aveva pubblicato nel 1867. Una ristampa di Das Kapital in tedesco, che includeva le modifiche apportate da Marx, uscì nel 1872. Fu un anno chiave per la diffusione del Capitale, visto che vide anche la comparsa delle traduzioni in russo e in francese. Quest’ultima fu affidata, dall’editore Maurice Lachâtre, a Joseph Roy, che aveva precedentemente tradotto alcuni testi del filosofo tedesco Ludwig Feuerbach. La prima parte fu pubblicata 150 anni fa, il 17 settembre 1872.

Marx era d’accordo che sarebbe stato positivo pubblicare un’«edizione popolare a buon mercato». «Plaudo alla tua idea di pubblicare la traduzione… a rate periodiche – scrisse al suo editore – In questa forma, il libro sarà più accessibile alla classe operaia e per me questa considerazione prevale su qualsiasi altra». Consapevole, tuttavia, che esisteva un «rovescio della medaglia», anticipò che il «metodo di analisi» da lui utilizzato sarebbe stato «ridotto per una lettura alquanto ardua nei primi capitoli» e che i lettori avrebbero potuto «essere scoraggiati» quando non fossero stati «in grado di proseguire». Non sentiva di poter fare nulla per questo «svantaggio», a parte che per i «lettori attenti e preavvertiti che si preoccupano della verità». Come scrisse Marx in una nota frase della prefazione all’edizione francese del Capitale, «Non esiste una via maestra per l’apprendimento e gli unici che hanno qualche possibilità di raggiungere le sue vette illuminate dal sole sono quelli che non temono la stanchezza mentre scalano ripidi sentieri in salita».

Alla fine, Marx dovette dedicare molto più tempo alla traduzione di quanto avesse inizialmente previsto per la correzione delle bozze. Come scrisse all’economista russo Nikolai Danielson, Roy aveva «spesso tradotto in modo troppo letterale», costringendo lo stesso Marx a «riscrivere interi passaggi in francese, per renderli più appetibili al pubblico francese». All’inizio di quel mese, sua figlia Jenny aveva detto all’amico di famiglia Ludwig Kugelmann che suo padre era «obbligato a fare innumerevoli correzioni», riscrivendo «non solo intere frasi ma intere pagine». Successivamente, Engels scrisse ancora a Kugelmann che la traduzione francese si era rivelata una «vera faticaccia» per Marx e che «doveva più o meno riscrivere tutto dall’inizio».

Nel rivedere la traduzione, inoltre, Marx decise di introdurre alcune aggiunte e modifiche. Nel poscritto a Le Capital non esitò ad attribuirvi «un valore scientifico indipendente dall’originale» e affermava che la nuova versione «dovrebbe essere consultata anche da lettori che hanno familiarità con il tedesco». Il punto più interessante, soprattutto per il suo valore politico, riguarda la tendenza storica della produzione capitalistica. Se nella precedente edizione del volume I del Capitale Marx aveva scritto che «il paese industrialmente più sviluppato mostra a quelli meno sviluppati l’immagine del proprio futuro», nella versione francese le parole in corsivo sono state sostituite con «a coloro che lo seguono sulla scala industriale». Questo chiarimento limitava la tendenza allo sviluppo capitalistico solo ai paesi occidentali già industrializzati.

Dopo uno studio più approfondito della storia, Marx era ora pienamente consapevole che lo schema di progressione lineare attraverso i «modi di produzione borghesi asiatici, antichi, feudali e moderni», che aveva disegnato nella prefazione a Per la critica dell’economia politica, nel 1859, era inadeguato alla comprensione del movimento della storia, e che era anzi opportuno tenersi alla larga da ogni filosofia della storia. Non vedeva lo sviluppo storico in termini di incrollabile progresso lineare verso una fine predefinita. La concezione multilineare più netta che Marx sviluppò nei suoi ultimi anni lo portò a guardare ancora più attentamente alle specificità storiche e alle diseguaglianze dello sviluppo politico ed economico nei diversi paesi e contesti sociali. Questo approccio ha sicuramente accresciuto le difficoltà che aveva dovuto affrontare nel già accidentato percorso di completamento del secondo e terzo volume del Capitale.

Nell’ultimo decennio della sua vita, Marx intraprese indagini approfondite sulle società al di fuori dell’Europa e si espresse inequivocabilmente contro le devastazioni del colonialismo. Sarebbe sbagliato suggerire il contrario e attribuirgli una visione eurocentrica dello sviluppo sociale. Marx criticava i pensatori che, pur evidenziando le conseguenze distruttive del colonialismo, avevano utilizzato categorie specifiche del contesto europeo nelle loro analisi delle aree periferiche del globo. Aveva ripetutamente messo in guardia contro coloro che non osservavano le necessarie distinzioni tra i fenomeni e, soprattutto dopo i suoi progressi teorici negli anni Settanta dell’Ottocento, era molto diffidente nel trasferire categorie interpretative in campi storici o geografici completamente diversi. Tutto questo è più chiaro grazie a Le Capital.

Nel 1878, in una lettera in cui soppesava i lati positivi e negativi dell’edizione francese, Marx scriveva a Danielson che questa conteneva «molte modifiche e integrazioni importanti», ma che era stato anche «a volte obbligato, principalmente nel primo capitolo – a semplificare la faccenda». In seguito, Engels pensò che queste aggiunte fossero semplificazioni non degne di essere riprodotte, e non incluse tutte le modifiche apportate da Marx a Le Capital nella quarta edizione tedesca del Capitale, pubblicata nel 1890, sette anni dopo la morte di Marx. Marx non fu in grado di completare una revisione finale del volume I del Capitale. In effetti, né l’edizione francese del 1872-75 né la terza edizione tedesca pubblicata nel 1881 possono essere considerate la versione definitiva per come Marx avrebbe voluto che fosse.

Marx attraverso Le Capital
Le Capital ebbe una notevole importanza per la diffusione dell’opera di Marx nel mondo. È stato utilizzato per la traduzione di molti estratti in varie lingue, la prima in lingua inglese, pubblicata nel 1883, per esempio. Più in generale, Le Capital ha rappresentato la prima porta d’accesso all’opera di Marx per i lettori di vari paesi. La prima traduzione italiana – pubblicata tra il 1882 e il 1884 – è stata realizzata direttamente dall’edizione francese. Nel caso dello spagnolo, Le Capital ha permesso di tirar fuori alcune edizioni parziali e due traduzioni complete: una a Madrid nel 1967, e una a Buenos Aires nel 1973. Poiché il francese era più conosciuto del tedesco, fu grazie a questa versione che la critica di Marx all’economia politica potè raggiungere più rapidamente molti paesi dell’America ispanica. Più o meno lo stesso valeva per i paesi di lingua portoghese. Nello stesso Portogallo, Le Capital è circolato solo attraverso le poche copie disponibili in francese, fino a quando non è apparsa una versione ridotta in portoghese, poco prima della caduta della dittatura salazarista nel 1974. In generale, attivisti politici e ricercatori sia in Portogallo che in Brasile hanno trovato più facile avvicinarsi all’opera di Marx attraverso la traduzione francese rispetto all’originale. Anche le poche copie che hanno avuto diffusione nei paesi africani di lingua portoghese erano in quella lingua.

Il colonialismo ha anche modellato in parte i meccanismi con cui il Capitale è diventato disponibile nel mondo arabo. Mentre in Egitto e in Iraq è stato l’inglese a caratterizzare maggiormente la diffusione della cultura europea, l’edizione francese ha svolto un ruolo più prominente altrove, soprattutto in Algeria, che, negli anni Sessanta, è stato un centro significativo per facilitare la circolazione delle idee marxiste in Paesi «non allineati». L’importanza di Le Capital si estendeva anche all’Asia, come dimostra il fatto che la prima traduzione vietnamita del volume I, pubblicata tra il 1959 e il 1960, era basata sull’edizione francese.

Così, oltre ad essere spesso consultata da traduttori di tutto il mondo e confrontata con l’edizione del 1890 pubblicata da Engels – che divenne la versione standard di Das Kapital – la traduzione francese è servita come base per traduzioni complete del Capitale in sette lingue. A 150 anni dalla sua prima pubblicazione, continua a essere fonte di stimolante dibattito tra studiosi e attivisti interessati alla critica di Marx al capitalismo.

In una lettera al suo compagno di lunga data Friedrich Adolph Sorge, Marx osservò che con Le Capital aveva «consumato così tanto del [suo] tempo che [non avrebbe] più collaborato in alcun modo a una traduzione». Questo è esattamente quello che è successo. La fatica e gli sforzi che ha impiegato per produrre la migliore versione francese possibile sono state davvero notevoli. Ma possiamo dire che sono stati ben ricompensati. Le Capital ha avuto una notevole diffusione, e le integrazioni e le modifiche apportate da Marx durante la revisione della sua traduzione hanno contribuito alla dimensione anticoloniale e universale del Capitale che oggi viene ampiamente riconosciuta, grazie ad alcuni dei contributi più recenti e profondi degli studi su Marx.

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Οταν ο Μαρξ μετέφρασε το «Κεφάλαιο» στα γαλλικά

Εκατόν πενήντα χρόνια από την πρώτη της έκδοση, η γαλλική μετάφραση του «Κεφαλαίου» εξακολουθεί να προκαλεί το ενδιαφέρον όσων ασχολούνται με την κριτική του Μαρξ στον καπιταλισμό, όπως προκύπτει από νέες σημαντικές μελέτες του έργου του.
Τον Φεβρουάριο του 1867, μετά από δύο δεκαετίες ηράκλειας εργασίας, ο Μαρξ κατάφερε τελικά να παραδώσει το χειρόγραφο του Τόμου Ι του μεγάλου του έργου. Σε συμφωνία με τον εκδότη του, Οτο Μάισνερ, σχεδίαζε να παρουσιάσει το «Κεφάλαιο» σε τρία μέρη. Κατά τον ίδιο τον Μαρξ, ήταν «αναμφίβολα, ο πιο τρομερός πύραυλος που έχει εκτοξευθεί μέχρι σήμερα στα κεφάλια της αστικής τάξης».

Παρά τη μακρά εργασία της σύνθεσης πριν από το 1867, η δομή του «Κεφαλαίου» θα επεκταθεί σημαντικά τα επόμενα χρόνια, και ο Τόμος Ι συνέχισε επίσης να απαιτεί την εντατική ενασχόληση του Μαρξ, ακόμη και μετά τη δημοσίευσή του. Ενα από τα πιο εμφανή παραδείγματα αυτής της υποχρέωσης ήταν η γαλλική μετάφραση του «Κεφαλαίου», που δημοσιεύτηκε σε 44 μέρη μεταξύ 1872 και 1875. Αυτός ο τόμος δεν ήταν μια απλή μετάφραση, αλλά μια έκδοση «εντελώς αναθεωρημένη από τον συγγραφέα».
Μετά από κάποιες διακοπές λόγω της κακής υγείας του και μετά από μια περίοδο έντονης πολιτικής δραστηριότητας για τη Διεθνή Ενωση Εργαζομένων, ο Μαρξ ξεκίνησε μια επανέκδοση του Τόμου I στις αρχές της δεκαετίας του 1870. Δυσαρεστημένος για τον τρόπο με τον οποίο είχε εκθέσει τη θεωρία της αξίας, ξαναδιατύπωσε όσα είχε δημοσιεύσει το 1867. Μια ανατύπωση που περιελάμβανε τις αλλαγές που έκανε ο Μαρξ εμφανίστηκε το 1872. Αυτή η χρονιά είχε θεμελιώδη σημασία για τη διάδοση του «Κεφαλαίου», καθώς εμφανίστηκαν και η ρωσική και η γαλλική μετάφραση. Η τελευταία εμφανίστηκε σε τεύχη με εκδότη τον Μορίς Λασάτρ. Το πρώτο εκδόθηκε πριν από 150 χρόνια, στις 17 Σεπτεμβρίου.

Ο Μαρξ συμφώνησε ότι θα ήταν καλό να κυκλοφορήσει μια «φτηνή λαϊκή έκδοση». «Χαιρετίζω την ιδέα σας να δημοσιεύσετε τη μετάφραση […] σε τμήματα», έγραψε. «Με αυτή τη μορφή το βιβλίο θα είναι πιο προσιτό στην εργατική τάξη και για μένα αυτή η σκέψη υπερτερεί κάθε άλλης», απάντησε στον εκδότη του. Ωστόσο, περίμενε ότι η «μέθοδος ανάλυσης» που είχε χρησιμοποιήσει «θα απαιτούσε κάπως επίπονη ανάγνωση στα πρώτα κεφάλαια». Δεν ένιωθε ότι μπορούσε να κάνει τίποτα άλλο για αυτό το «μειονέκτημα», παρά μόνο να προειδοποιήσει τους αναγνώστες: «Δεν υπάρχει βασιλική οδός για την επιστήμη και μπορούν να φτάσουν στις φωτεινές κορυφές της μόνον όσοι δεν υπολογίζουν τον κόπο να περάσουν από τα δύσβατα μονοπάτια της».

Στο τέλος, ο Μαρξ χρειάστηκε να αφιερώσει πολύ περισσότερο χρόνο στη μετάφραση από όσο είχε αρχικά σχεδιάσει. Οπως έγραψε στον Ρώσο οικονομολόγο Νικολάι Ντάνιελσον, ο Ρόι είχε «συχνά μεταφράσει υπερβολικά κατά λέξη» και τον ανάγκασε να «ξαναγράψει ολόκληρα αποσπάσματα στα γαλλικά». Η κόρη του, Τζένι, είχε πει στον οικογενειακό φίλο Λούντβιχ Κούγκελμαν ότι ο πατέρας της ήταν «υποχρεωμένος να κάνει αμέτρητες διορθώσεις», ξαναγράφοντας «όχι μόνο ολόκληρες προτάσεις αλλά ολόκληρες σελίδες». Ο Ενγκελς έγραψε ότι η γαλλική μετάφραση είχε αποδειχτεί μια «πραγματική καταπόνηση» για τον Μαρξ και ότι «έπρεπε να ξαναγράψει το όλο θέμα από την αρχή».

Κατά την αναθεώρηση της μετάφρασης, εξάλλου, ο Μαρξ αποφάσισε να εισαγάγει ορισμένες προσθήκες και τροποποιήσεις. Στο υστερόγραφο της γαλλικής έκδοσης, δεν δίστασε να της προσδώσει «μια επιστημονική αξία ανεξάρτητη από το πρωτότυπο», δηλώνοντας ότι τη νέα έκδοση «θα πρέπει να τη συμβουλεύονται ακόμη και οι αναγνώστες που γνωρίζουν γερμανικά». Το πιο ενδιαφέρον σημείο, ειδικά για την πολιτική του αξία, αφορά την ιστορική τάση της καπιταλιστικής παραγωγής. Ενώ στην προηγούμενη έκδοση του «Κεφαλαίου» ο Μαρξ είχε γράψει ότι «η χώρα που είναι πιο ανεπτυγμένη βιομηχανικά δείχνει μόνο, σε λιγότερο ανεπτυγμένες, την εικόνα του δικού τους μέλλοντος», στη γαλλική έκδοση η φράση «λιγότερο ανεπτυγμένες» αντικαταστάθηκε με τη φράση «αυτές που την ακολουθούν στη βιομηχανική σκάλα». Αυτή η διευκρίνιση περιόρισε την τάση της καπιταλιστικής ανάπτυξης μόνο στις δυτικές χώρες που ήταν ήδη βιομηχανοποιημένες.

Είχε πλέον πλήρη επίγνωση ότι το σχήμα μιας γραμμικής προόδου από τον «ασιατικό, στον αρχαίο, τον φεουδαρχικό και τον σύγχρονο αστικό τρόπο παραγωγής», που είχε σχεδιάσει στη «Συμβολή στην Κριτική της Πολιτικής Οικονομίας» (1859), δεν επαρκούσε για την κατανόηση της κίνησης της Ιστορίας. Δεν έβλεπε την ιστορική εξέλιξη με όρους ακλόνητης γραμμικής προόδου προς ένα προκαθορισμένο τέλος. Η πιο έντονη πολυγραμμική αντίληψη που ανέπτυξε ο Μαρξ στα τελευταία του χρόνια τον οδήγησε να εξετάσει ακόμη πιο προσεκτικά τις ιστορικές ιδιαιτερότητες και την ανομοιομορφία της πολιτικής και οικονομικής ανάπτυξης σε διαφορετικές χώρες και κοινωνικά πλαίσια. Την τελευταία δεκαετία της ζωής του, o Μαρξ μελέτησε κοινωνίες εκτός Ευρώπης και εκφράστηκε ξεκάθαρα ενάντια στις καταστροφικές συνέπειες της αποικιοκρατίας. Ηταν πολύ επιφυλακτικός με τη μεταφορά ερμηνευτικών κατηγοριών σε εντελώς διαφορετικά ιστορικά ή γεωγραφικά πεδία. Ολα αυτά είναι πιο ξεκάθαρα χάρη στη γαλλική έκδοση του «Κεφαλαίου».

Σε μια επιστολή του 1878, στην οποία ο Μαρξ ζύγιζε τις θετικές και τις αρνητικές πλευρές της γαλλικής έκδοσης, έγραψε στον Ντάνιελσον ότι περιείχε «πολλές σημαντικές αλλαγές και προσθήκες», αλλά ότι «είχε επίσης υποχρεωθεί μερικές φορές να απλοποιήσει το θέμα». Ο Ενγκελς ήταν αυτής της άποψης και δεν συμπεριέλαβε όλες τις αλλαγές που έκανε ο Μαρξ στην τέταρτη γερμανική έκδοση του «Κεφαλαίου» που δημοσίευσε το 1890, επτά χρόνια μετά τον θάνατο του Μαρξ. Ο Μαρξ δεν μπόρεσε να ολοκληρώσει μια τελική αναθεώρηση του Τόμου Ι του «Κεφαλαίου», που περιλάμβανε τις βελτιώσεις και τις προσθήκες με τις οποίες σκόπευε να βελτιώσει το βιβλίο του. Στην πραγματικότητα, ούτε η γαλλική έκδοση του 1872-75, ούτε η τρίτη γερμανική έκδοση, που κυκλοφόρησε το 1881, δεν μπορούν να θεωρηθούν η οριστική εκδοχή που θα ήθελε ο Μαρξ. Η γαλλική μετάφραση του «Κεφαλαίου» έπαιξε μεγάλο ρόλο στη διάδοση του έργου του Μαρξ σε όλο τον κόσμο. Χρησιμοποιήθηκε ως η πρώτη πύλη στο έργο του Μαρξ για τους αναγνώστες σε διάφορες χώρες. Η ιταλική μετάφραση (1882-84) έγινε απευθείας από τη γαλλική έκδοση, όπως και η ελληνική μετάφραση (1927). Δεδομένου ότι τα γαλλικά ήταν ευρύτερα γνωστά από τα γερμανικά, χάρη σε αυτήν την έκδοση η κριτική του Μαρξ στην πολιτική οικονομία μπόρεσε να φτάσει πιο γρήγορα στην Ισπανία και σε πολλές χώρες της ισπανόφωνης Αμερικής. Το ίδιο ακριβώς ίσχυε και για τις πορτογαλόφωνες χώρες. Η γαλλική έκδοση έπαιξε εξέχοντα ρόλο στην Αλγερία, η οποία τη δεκαετία του 1960 ήταν ένα σημαντικό κέντρο για τη διάδοση των μαρξιστικών ιδεών σε «αδέσμευτες» χώρες. Το ίδιο και στην Ασία.

Εκατόν πενήντα χρόνια από την πρώτη της έκδοση, η γαλλική μετάφραση του «Κεφαλαίου» εξακολουθεί να προκαλεί το ενδιαφέρον όσων ασχολούνται με την κριτική του Μαρξ στον καπιταλισμό, όπως προκύπτει από νέες σημαντικές μελέτες του έργου του.

*Καθηγητής Κοινωνιολογίας στο Πανεπιστήμιο York (Τορόντο-Καναδάς), τακτικός συνεργάτης της «Εφ.Συν.»

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Yang Terjadi Ketika Karl Marx Menerjemahkan Kapital ke Dalam Bahasa Prancis

PADA Februari 1867, setelah lebih dari dua dekade melakukan kerja-kerja maha berat, Karl Marx akhirnya bisa mengirimkan Friedrich Engels sebuah kabar yang telah lama dinanti: bagian pertama dari kritik atas ekonomi politik telah selesai. Setelah itu, Marx melancong dari London ke Hamburg untuk mengirimkan manuskrip magnum opus-nya, Jilid I (“Proses Produksi Kapital”). Dalam persetujuan dengan editornya Otto Meissner, diputuskan bahwa Kapital akan muncul dalam tiga bagian. Marx yang bungah menulis bahwa penerbitan bukunya “tanpa diragukan lagi adalah misil paling mengerikan yang pernah diluncurkan ke kepala borjuasi.”

Terlepas dari kerja-kerja penyusunan Kapital yang sangat lama sebelum 1867, struktur buku ini kelak akan mengalami perluasan besar-besaran. Kapital jilid pertama juga menyedot energi Marx, bahkan setelah penerbitannya. Salah satu contoh paling nyata adalah Kapital terjemahan Prancis yang diterbitkan dalam 44 seri sejak 1872 hingga 1875. Edisi ini bukan hanya terjemahan, tetapi juga “direvisi sepenuhnya oleh penulis.” Marx memperdalam bagian tentang proses akumulasi kapital dan mengembangkan ide-idenya dengan lebih baik tentang perbedaan antara “konsentrasi” dan “sentralisasi” kapital.

Mencari Versi Definitif

Setelah beberapa kali terinterupsi karena gangguan kesehatan dan melewati masa-masa intens dalam aktivitas politik Asosiasi Pekerja Internasional, Marx mengerjakan edisi baru Kapital jilid pertama pada awal 1870-an. Tak puas dengan cara yang sudah ditempuh untuk menjelaskan teori nilai, Marx menghabiskan bulan-bulan Desember 1871 dan Januari 1872 untuk menuliskan ulang sesuatu yang telah ia terbitkan pada 1867. Edisi baru Kapital yang menyertakan perubahan-perubahan tersebut terbit pada 1872.

Tahun 1872 juga bernilai penting karena penerbitan Kapital dalam bahasa Rusia. Pengerjaan edisi terjemahan Prancis dipercayakan kepada Joseph Roy, yang sebelumnya telah menerjemahkan sejumlah teks filsuf Jerman Ludwig Feuerbach. Kapital jilid pertama pun dirilis oleh penerbit Maurice Lachâtre dalam beberapa seri. Seri pertama diterbitkan pada 17 September 150 tahun lalu.

Marx menyepakati pentingnya “edisi populer yang dibanderol dengan harga murah.” “Saya sungguh salut dengan ide Anda untuk menerbitkan terjemahan […] secara berkala,” tulis Marx. “Dalam corak terbitan ini Kapital akan lebih mudah diakses oleh kelas pekerja dan buat saya pertimbangan itu melebihi pertimbangan-pertimbangan lain,” demikian sikap Marx di hadapan penerbit.

Di sisi lain, Marx menyadari ada dampak lain dari pendekatan ini; ia sudah menduga “metode analisis” yang ia gunakan akan “mempersulit pembacaan di bab-bab awal.” Ia juga menduga pembaca akan “kehilangan selera” ketika “sejak awal tidak mendapat kejelasan.” Dia merasa tidak bisa berbuat apa-apa tentang “kerugian” ini selain memperingatkan para pembaca yang peduli dengan kebenaran. “Tidak ada jalan mulus untuk belajar dan satu-satunya yang memiliki kesempatan untuk mencapai puncak pembelajaran yang terang benderang matahari adalah mereka yang tidak takut lelah saat mendaki jalan menanjak nan curam.”

Pada akhirnya, Marx harus menghabiskan lebih banyak waktu untuk terjemahan daripada yang sebelumnya dia rencanakan untuk mengoreksi bahan pra-cetak. Marx menyurati ekonom Rusia Nikolai Danielson bahwa terjemahan Roy “sering terlalu harfiah” dan ini memaksa dirinya “menuliskan ulang seluruh bagian dalam bahasa Prancis agar lebih cocok untuk publik Prancis.” Awal bulan itu, putri Marx, Jenny, memberi tahu Ludwig Kugelmann (teman keluarga Marx) bahwa ayahnya “wajib membuat koreksi yang tak terhitung banyaknya,” menuliskan ulang “tidak hanya seluruh kalimat tetapi seluruh halaman.” Selanjutnya, Engels menulis dengan nada mirip Kugelmann bahwa terjemahan bahasa Prancis terbukti menjadi “batu sandungan” untuk Marx dan dia “kurang lebih harus menuliskan ulang semuanya dari awal.”

Selain itu, dalam revisi terjemahan, Marx memutuskan untuk menambah dan mengubah beberapa pokok. Dalam post-scriptum untuk Le Capital, dia tidak ragu menyatakan bahwa edisi Prancis memiliki “bobot ilmiah tersendiri yang berbeda dari versi aslinya” dan versi baru ini “harus dirujuk bahkan oleh pembaca yang akrab dengan bahasa Jerman.”

Hal paling menarik dalam edisi Prancis, terutama secara politis, berkaitan dengan kecenderungan historis produksi kapitalis. Di dalam Kapital edisi sebelumnya Marx menulis bahwa “negara yang industrinya lebih maju akhirnya akan menunjukkan kepada negeri-negeri yang kurang berkembang gambaran masa depannya sendiri.” Di dalam edisi Prancis kata-kata yang dicetak miring tersebut diganti dengan “negeri-negeri yang mengekornya menapaki tangga industri.” Klarifikasi ini membatasi kecenderungan perkembangan kapitalis hanya pada negara-negara Barat yang sudah terindustrialisasi.

Marx kini sepenuhnya menyadari bahwa skema kemajuan linier yang berlangsung dalam rentetan skema “moda produksi Asiatik, kuno, feodal, dan modern” yang ia ilustrasikan di bagian Kata Pengantar tulisan A Contribution to the Critique of Political Economy (1859) rupanya tidak memadai untuk memahami gerak sejarah. Di titik ini Marx juga menyadari pentingnya menghindari filsafat sejarah apa pun. Dia tidak lagi melihat perkembangan sejarah dalam kerangka kemajuan linier tak tergoyahkan menuju sasaran yang telah ditentukan sebelumnya. Konsepsi multilinear yang lebih menonjol dan dikembangkan Marx selama tahun-tahun terakhir membuatnya lebih memperhatikan kekhususan historis dan ketidakrataan perkembangan politik dan ekonomi di berbagai negeri dan konteks sosial. Pendekatan ini tentu saja menambah kesulitan yang sudah ia hadapi dalam proses jilid kedua dan ketiga Kapital.

Dalam dekade terakhir hidupnya, Marx melakukan penyelidikan menyeluruh terhadap masyarakat di luar Eropa dan terang-terangan menyatakan penentangannya terhadap kerusakan-kerusakan akibat kolonialisme—adalah suatu kesalahan untuk mengatakan sebaliknya. Marx mengkritik para pemikir yang menyoroti dampak-dampak destruktif kolonialisme namun menggunakan kategori-kategori untuk konteks Eropa saat menganalisis wilayah-wilayah pinggiran dunia. Ia beberapa kali memperingatkan mereka yang gagal mengamati perbedaan-perbedaan penting di antara satu fenomena dengan lainnya. Terutama setelah mengalami kemajuan teoretis pada 1870-an, ia sangat berhati-hati mentransfer kategori interpretatif ke ranah kajian sejarah atau geografi yang jelas berbeda. Semua ini lebih terang berkat Le Capital .

Dalam sebuah surat bertarikh 1878, Marx menimbang sisi positif dan negatif dari edisi Prancis. Dalam surat yang tertuju kepada Danielson, Marx menyatakan edisi Prancis mengandung “banyak perubahan dan tambahan penting.” Namun, edisi Prancis ini juga membuatnya merasa “terkadang diwajibkan—terutama dalam bab pertama—untuk menyederhanakan bahasan.” Engels memiliki pendapat yang sama dan tidak memasukkan semua perubahan yang dibuat oleh Marx ke dalam Kapital edisi Jerman cetakan keempat yang ia terbitkan pada 1890, tujuh tahun setelah kematian sobatnya itu. Marx tidak dapat menyelesaikan revisi akhir Kapital, Jilid I yang mencakup pokok-pokok perbaikan dan penambahan sebagai penyempurna. Faktanya, baik edisi Prancis 1872-75 maupun edisi Jerman cetakan ketiga—yang terbit pada 1881—tidak bisa dipandang sebagai versi definitif yang didambakan Marx.

Le Capital

Le Capital sangat penting bagi penyebaran karya Marx ke seluruh dunia. Ia digunakan untuk menerjemahkan banyak kutipan ke dalam berbagai bahasa—yang pertama dalam bahasa Inggris, misalnya. Secara lebih umum, Le Capital adalah pintu masuk pertama ke karya-karya Marx bagi pembaca di berbagai negara. Terjemahan Italia pertama—diterbitkan antara 1882 dan 1884—dikerjakan langsung dari edisi Prancis. Demikian pula terjemahan yang muncul di Yunani pada 1927. Dalam kasus bahasa Spanyol, Le Capital memungkinkan penerbitan beberapa edisi parsial dan dua terjemahan lengkap: satu di Madrid (1967) dan satu lagi di Buenos Aires (1973).

Karena bahasa Prancis lebih dikenal daripada bahasa Jerman, berkat versi inilah kritik ekonomi politik Marx dapat menjangkau lebih banyak negara di Amerika Latin dengan cepat. Hal yang sama juga berlaku untuk negeri-negeri penutur bahasa Portugis. Di Portugal sendiri, Kapital hanya beredar dalam oplah yang sangat terbatas dalam bahasa Prancis. Barulah menjelang kejatuhan kediktatoran Salazar versi singkatnya muncul dalam bahasa. Secara umum, para aktivis politik dan peneliti di Portugal dan Brasil merasa lebih mudah mengakses karya Marx melalui terjemahan Prancis ketimbang bahasa aslinya. Beberapa karya yang masuk ke negara-negara Afrika berbahasa Portugis juga dicetak dalam bahasa Prancis.

Kolonialisme pun turut membuat Kapital tersedia di dunia Arab. Di Mesir dan Irak, bahasa Inggris memainkan peranan terdepan dalam penyebaran budaya Eropa. Edisi Prancis punya peran yang lebih menonjol di sejumlah tempat lain, terutama Aljazair, yang pada 1960-an menjadi pusat penyebaran ide-ide Marxis di negara-negara Non-Blok. Arti penting Le Capital juga bergaung ke Asia, sebagaimana ditunjukkan oleh fakta bahwa terjemahan Vietnam pertama Jilid I—yang diterbitkan antara 1959 dan 1960—bersandar pada edisi Prancis.

Dengan demikian, selain sering dirujuk oleh para penerjemah mancanegara dan dicocokkan dengan edisi 1890 terbitan Engels (versi standar Kapital), terjemahan bahasa Prancis pun telah menjadi dasar untuk terjemahan lengkap Kapital ke dalam delapan bahasa. Seratus lima puluh tahun sejak publikasi pertamanya, buku ini terus menjadi sumber perdebatan yang menggairahkan di kalangan peneliti dan aktivis yang tertarik pada kritik Marx terhadap kapitalisme.

Dalam sebuah surat kepada kawan lamanya Friedrich Adolph Sorge, Marx mengatakan bahwa Le Capital telah “menguras begitu banyak waktu[nya] sehingga [ia] tidak akan mengerjakan kolaborasi terjemahan macam mana pun.” Dan itulah yang terjadi. Kerja keras Marx untuk menghasilkan Kapital edisi Prancis terbaik memang luar biasa. Bisa dibilang semua kerja keras itu terbayar. Le Capital memiliki sirkulasi yang signifikan. Pokok-pokok yang ditambahkan atau diubah oleh Marx selama revisi terjemahan juga menambah dimensi anti-kolonial dan universal kepada Kapital, yang kini diakui secara luas berkat sejumlah kontribusi terbaru dan paling mumpuni dalam studi Marx.

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Tim Hayslip, Marx and Philosophy. Review of Books

The Marx Revival: Key Concepts and New Interpretations, edited by Marcello Musto, consists of 22 chapters dealing with a wide variety of topics written by well-known contemporary Marxist thinkers. The reader is not confronted by a single argument, but rather with an overview of the remarkably fractious character of current Marxist scholarship. Consequently, any assessment of the book must inevitably be influenced by one’s overall assessment of Marx’s leading academic successors. In this brief review, I have chosen not to try to describe briefly all the chapters in the book, as an adequate treatment of each is impossible in the space allowed. Instead I have chosen to discuss some of its main limitations and consider a few chapters that focus on Marxism as a response to the conditions of the world.

Those with minimal prior knowledge of Marxist thought may benefit from beginning with the final chapter by the late Immanuel Wallerstein who provides an overview of how Marxism’s development has been connected to geopolitical developments. Wallerstein argues that the origins of Marxism both “as an ideology and as a movement,” arose not from Marx’s own conscious efforts but after Marx’s death when “Engels assumed the heritage with panache” (Wallerstein, 378). Engels’ frequent interventions into the politics of the nascent German Social Democratic Party (SPD) consolidated Marx’s theoretical legacy and established the SPD as an important locus for debates about political strategy.

Although factions within the SPD debated whether socialism could be achieved through an electoral path or if revolutionary insurrection would be necessary, and the SPD leadership spoke of the necessity of insurrection, they did little to develop a revolutionary avant-garde. The party instead focused on “creating a powerful network of structures in the larger ‘civil society’” (Wallerstein, 379).

Wallerstein describes a lasting schism developing between the factions over the question of whether to support `their’ nation’s war efforts in World War One. This schism was later solidified by the formation of the Communist Party of Germany and the course of the Russian Revolution. Conceptually, reformist and revolutionary parties diverged over the question of how to win socialism, with social democrats focusing on growing the welfare state and renouncing any attempt to control the means of production, while the USSR transformed Marxism into an apologia for ‘actually existent socialism’. However, in practice, the Soviet leadership and Western social democrats were increasingly united by supporting state-led economic development (Wallerstein, 380-2).

Yet, radicals increasingly abandoned both of these methods that “had not ‘changed the world’, as they had promised” (Wallerstein, 388). Some radicals added gender and ecological concerns to these classical Marxist concerns. Others embraced post-modernism and rejected the idea of an authoritative theory of history, a ‘metanarrative’, in favor of theoretical pluralism.

Wallerstein (389) writes that after the dissolution of the USSR, some Marxists “began to adopt openly neo-liberal arguments, or at best post-Marxist social-democratic positions. But once again reality caught up.” Reality manifested itself in the forms of capitalist malaise, neoliberalism, and the 2008 global financial crisis. Together, these realities grew the audience for critiques of the economic status quo and revived Marxism.

In the chapter he wrote, editor Marcello Musto documents how the early, utopian socialists were responding to a similar impetus: the inequalities that persisted in the wake of the French Revolution. These early socialists hoped to transform society by championing new ideas and egalitarian principles. They felt that “equality could be the solution for all the problems of society” (Musto, 27).

Marx criticized such moralism from above, insisting on the necessity of workers’ self-emancipation. The development of nineteenth century capitalism was enabling social progress that presented workers greater opportunities for personal development and enlightenment than ever before. However, they were unable to benefit fully from the “time that the progress of science and technology makes available [because what should be free time] is in reality immediately converted into surplus-value” (Musto, 43). Communism was then and still remains necessary for workers to freely control their own lives.

Musto quotes a response Marx gave when asked about the proper policy a revolutionary government would enact to establish a socialist society. He stressed that the proper policy “at any particular moment depends, of course, wholly and entirely on the actual historical circumstances” (Musto, 31). Furthermore, as Marx says, communism ought to be conceived not as “a state of affairs to be established, an ideal to which reality will have to adjust itself, [but as] the real movement which abolishes the present state of things” (Musto, 35).

Since Marxists see reality itself as having contradictory elements, it should not be surprising that the various viewpoints espoused in The Marx Revival are contradictory. Readers familiar with Marx’s own writings and theories may also notice divergences from them. While this is to be expected given the historical development Wallerstein describes, a limitation of the book is that these dissonant viewpoints are not brought into conversation with one another.

The four entries for the “rate of profit” in the index are merely presented alongside one another. For those drawn to Marxism by Marx’s analysis of crises, the few entries concerned with Marx’s economics may itself be viewed as a shortcoming of the book, albeit a characteristic it seems to share with contemporary academic Marxism in general.

Alex Callinicos’ chapter titled ‘Class Struggle’ provides a sympathetic outline of Marx’s falling rate of profit theory. Briefly, competition forces businesses to “invest increasingly heavily in means of production” resulting in its growth relative surplus value (profit). Despite the tendency for return on investment to fall, Marx disagreed with David Ricardo’s denial of the possibility of wages and prices rising simultaneously. If an economy grows quickly enough, increasing real wages are consistent with rising inequality (Callinicos, 97). Thus, the distribution of income between wages and profits is not the root cause of falling profitability. Instead, faced with falling returns of their investments or even bankruptcy, capitalists are strongly incentivized to economize on all costs, including wages. In a related vein, Seongjin Jeong’s ‘Globalization’ describes how the development of the world market has sped economic growth and constituted “a powerful countervailing force to the crisis tendency of the falling rate of profit” (Jeong, 297).

The remaining two references for the rate of profit in the book appear in Michael Kratke’s chapter titled ‘Capitalism’. The first mention repeats Jeong’s assessment of the relationship between capitalism and globalization, while Kratke’s second mention shows the importance Marx assigned to the tendency of the rate of profit to fall and the central role it would play in how capitalism “would eventually undermine itself”. However, Kratke adds that “Marx failed to establish the falling rate of profit as a law connected to technological changes” (Kratke, 21). One could say that these writers are debating but without the opportunity to address one another’s arguments.

A fifth unlisted reference to the rate of profit appears in ‘Proletariat’ written by Marcel van der Linden. He argues that since Marx describes the proletariat as the source of profit, the profitability of slave plantations was inconsistent with the labor theory of value. That profit was simply interest earned on the purchase of slaves, rather than value they had created. Marx himself “was apparently not completely convinced of his own analysis” in which slaves were categorized as an anomalous form of surplus value-producing constant capital. While neither Marx nor contemporary Marxism are without faults, I was surprised to find an interpretation that reinforces the common trope that Marx was blind to forms of exploitation and oppression aside from those faced by the working class within a book clearly intended to provide a sympathetic introduction to his ideas.

Its presence is especially regrettable when we examine a passage central to van der Linden’s argument. Marx (Capital: Volume III, Penguin, 1981, 761-62) wrote, “The confusion between ground-rent itself and the form of interest that it assumes for the purchaser of the land … cannot but lead to the most peculiar and incorrect conclusions … for the slaveowner who has paid cash for his slaves, the product of their labour simply represents the interest on the capital invested in their purchase.” Far from agreeing with the slaveowner, Marx was declaring this perspective is “peculiar and incorrect” in that it mistakes surplus value for interest. The confusingly anomalous status of laboring slaves appearing to their ‘masters’ as surplus value-creating ‘property’ while actually being super exploited people enables the production of profit without the significant exploitation of wage-earners in a capitalist framework.

Still, these limitations should not taint what is otherwise a very worthwhile book and well-rounded representation of contemporary Marxism. Musto’s main achievement as editor is in compiling a collection of contributions that demonstrate the continuing relevance of the Marxist theoretical corpus to a wide variety of topics from gender relations to nationalism and from colonialism to religion. I hope that attentive readers who notice the disagreements between the chapters are thereby spurred to deepen their investigations.

The wide-ranging contents of this collection suggests that it should serve as an excellent text for college and university students who already possess some familiarity with Marxism, as well as an introduction to some of the main themes of academic Marxism for a wider audience of activists. As clouds seem to again be gathering for a geopolitical and economic storm, the audience for Marx’s critiques will almost certainly grow, and the world may soon become haunted by The Marx Revival.

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Of Le Capital

On September 17 of 1872 came out the French translation of Marx’s ‘Capital’, to which he contributed by developing his ideas about capital accumulation and colonialism. 150 years ago, this text helps us to better understand Marx as a thinker who expressed himself unambiguously against the ravages of colonialism.

In February 1867, after more than two decades of Herculean work, Marx was finally able to give his friend Friedrich Engels the long-awaited news that the first part of his critique of political economy was finished. Thereafter, Marx travelled from London to Hamburg to deliver the manuscript of Volume I (“The Process of Production of Capital”) of his magnum opus and, in agreement with his editor Otto Meissner, it was decided that Capital would appear in three parts. Brimming with satisfaction, Marx wrote that the publication of his book was, ‘without question, the most terrible missile that has yet been hurled at the heads of the bourgeoisie’.
Despite the long labour of composition before 1867, the structure of Capital would be considerably expanded over the coming years, and Volume I too continued to absorb significant energies on Marx’s part, even after its publication. One of the most evident examples of this commitment was the French translation of Capital published in 44 instalments between 1872 and 1875. This volume was not a mere translation, but a version ‘completely revised by the author’.

The Search for the Definitive Version of Volume I

After some interruptions due to his poor health, and after a period of intense political activity for the International Working Men’s Association, Marx turned to work on a new edition of Capital, Volume I, at the beginning of the 1870s. Dissatisfied with the way in which he had expounded the theory of value, he spent December 1871 and January 1872 rewriting what he had published in 1867. A reprint of Das Kapital that included the changes made by Marx came out in 1872. This year had fundamental importance for the dissemination of Capital, since it also saw the appearance of the Russian and French translations. Entrusted to Joseph Roy, who had previously translated some texts of the German philosopher Ludwig Feuerbach, it appeared in batches with the publisher Maurice Lachâtre. The first one was published 150 years ago, on September 17.

Marx agreed that it would be good to bring out a ‘cheap popular edition’. ‘I applaud your idea of publishing the translation […] in periodic instalments’, he wrote. ‘In this form the book will be more accessible to the working class and for me that consideration outweighs any other’, he argued with his publisher. Aware, however, that there was a ‘reverse side’ of the coin, he anticipated that the ‘method of analysis’ he had used would ‘make for somewhat arduous reading in the early chapters’, and that readers might ‘be put off’ when they were ‘unable to press straight on in the first place’. He did not feel he could do anything about this ‘disadvantage’, ‘other than alert and forewarn readers concerned with the truth. There is no royal road to learning and the only ones with any chance of reaching its sunlit peaks are those who do not fear exhaustion as they climb the steep upward paths”.
In the end, Marx had to spend much more time on the translation than he had initially planned for the proof correction. As he wrote to the Russian economist Nikolai Danielson, Roy had ‘often translated too literally’ and forced him to ‘rewrite whole passages in French, to make them more palatable to the French public’. Earlier that month, his daughter Jenny had told family friend Ludwig Kugelmann that her father was ‘obliged to make numberless corrections’, rewriting ‘not only whole sentences but entire pages’. Subsequently, Engels wrote in similar vein to Kugelmann that the French translation had proved a ‘real slog’ for Marx and that he had ‘more or less had to rewrite the whole thing from the beginning’.

In revising the translation, moreover, Marx decided to introduce some additions and modifications. In the postscript to Le Capital, he did not hesitate to attach to it ‘a scientific value independent of the original’ and stated that the new version ‘should be consulted even by readers familiar with German’. The most interesting point, especially for its political value, concerns the historical tendency of capitalist production. If in the previous edition of Capital Marx had written that ‘the country that is more developed industrially only shows, to those less developed, the image of its own future’, in the French version the words in italics were substituted with ‘to those that follow it up the industrial ladder’. This clarification limited the tendency of capitalist development only to Western countries that were already industrialized.
He was now fully aware that the schema of linear progression through the ‘Asiatic, ancient, feudal and modern bourgeois modes of production’, which he had drawn in A Contribution to the Critique of Political Economy (1859), was inadequate for an understanding of the movement of history. He did not see historical development in terms of unshakeable linear progress towards a predefined end. The more pronounced multilinear conception that Marx developed in his final years led him to look even more attentively at the historical specificities and unevenness of political and economic development in different countries and social contexts. This approach certainly increased the difficulties he faced in the already bumpy course of completing the second and third volumes of Capital. In the last decade of his life, Marx undertook thorough investigations of societies outside Europe and expressed himself unambiguously against the ravages of colonialism. It is a mistake to suggest otherwise. Marx criticized thinkers who, while highlighting the destructive consequences of colonialism, used categories peculiar to the European context in their analysis of peripheral areas of the globe. He warned a number of times against those who failed to observe the necessary distinctions between phenomena, and especially after his theoretical advances in the 1870s he was highly wary of transferring interpretive categories across completely different historical or geographical fields. All this is clearer thanks to Le Capital.

In a letter of 1878, in which Marx weighed the positive and negative sides of the French edition, he wrote to Danielson that it contained ‘many important changes and additions’, but that he had ‘also sometimes been obliged to simplify the matter’. Engels was of this opinion and did not include all the changes made by Marx in the fourth German edition of Capital that he published in 1890, seven years after Marx’s death. Marx was unable to complete a final revision of Capital, Volume I, that included the improvements and additions he intended to improve his book. In fact, neither the French edition of 1872-75, nor the third German edition – that came out in 1881 –, can be considered the definitive version that Marx would have liked it to be.

Marx through Le Capital

Le Capital had considerable importance for the diffusion of Marx’s work around the world. It was used for the translation of many extracts into various languages – the first in the English language, for example. More generally, Le Capital represented the first gateway to Marx’s work for readers in various countries (the first Italian and Greek translation were made from the French edition). Since French was more widely known than German, it was thanks to this version that Marx’s critique of political economy was able to reach Spain and many countries in Hispanic America more rapidly. Much the same was true for Portuguese-speaking countries.

Colonialism also partly shaped the mechanisms whereby Capital became available in the Arab world. The French edition played a prominent role in Algeria, which in the 1960s was a significant center for facilitating the circulation of Marxist ideas in “non-aligned” countries. The significance of Le Capital stretched also to Asia, as demonstrated by the fact that the first Vietnamese translation of Volume I (1959-60), was conducted on the French edition.
One hundred and fifty years since its first publication, Le Capital continues to be a source of stimulating debate among scholars and activists interested in Marx’s critique of capitalism. It has had a significant circulation, and the additions and changes made by Marx, during the revision of its translation, contributed to the anti-colonial and universal dimension of Capital that is becoming widely recognized nowadays thanks to some of the newest and most insightful contributions in Marx studies.

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Cuando Marx tradujo El Capital al francés

En febrero de 1867, después de más de dos décadas de trabajo hercúleo, Marx finalmente pudo darle a su amigo Friedrich Engels la tan esperada noticia de que había terminado la primera parte de su crítica a la economía política. Posteriormente, Marx viajó de Londres a Hamburgo para entregar el manuscrito del Volumen I (“El proceso de producción del capital”) de su magnum opus y, de acuerdo con su editor Otto Meissner, se decidió que El Capital se presentaría en tres partes. Rebosante de satisfacción, Marx escribió que la publicación de su libro era, “sin duda, el misil más terrible que se haya lanzado hasta ahora contra las cabezas de la burguesía”.

A pesar del largo trabajo de redacción antes de 1867, la estructura de El Capital se ampliaría considerablemente en los años siguientes, y el Volumen I también continuó absorbiendo energías significativas por parte de Marx, incluso después de su publicación. Uno de los ejemplos más evidentes de este compromiso fue la traducción francesa de El Capital publicada en 44 entregas entre 1872 y 1875. Este volumen no era una mera traducción, sino una versión ‘totalmente revisada por el autor’ en la que Marx también profundizó el apartado sobre el proceso de acumulación del capital, y desarrolló mejor sus ideas sobre la distinción entre ‘concentración’ y ‘centralización’ del capital.

La búsqueda de la versión definitiva del Volumen I

Tras algunas interrupciones debido a su mala salud, y de un período de intensa actividad política de la Asociación Internacional de Trabajadores, Marx se puso a trabajar en una nueva edición de El Capital, Volumen I, a principios de la década de 1870. Insatisfecho con la forma en que había expuesto la teoría del valor, pasó diciembre de 1871 y enero de 1872 reescribiendo lo que había publicado en 1867. En 1872 salió una reimpresión de Das Kapital que incluía los cambios efectuados por Marx. Ese año fue especialmente importante para la difusión de El Capital, ya que vio aparecer también las traducciones al ruso y al francés. Esta fue encomendada a Joseph Roy, que previamente había traducido algunos textos del filósofo alemán Ludwig Feuerbach, y apareció en entregas gracias al editor Maurice Lachâtre. La primera se publicó hace 150 años, el 17 de septiembre.

Marx estuvo de acuerdo en que sería bueno publicar una “edición popular barata”. “Aplaudo tu idea de publicar la traducción […] en entregas periódicas”, escribió. “De esta forma, el libro será más accesible a la clase trabajadora y para mí esa consideración supera cualquier otra”, argumentó con su editor. Consciente, sin embargo, de que había un ‘reverso’ de la moneda, anticipó que el ‘método de análisis’ que había usado ‘haría ardua para algunos la lectura de los primeros capítulos’, y que los lectores podrían ‘desanimarse’ si eran ‘incapaces de seguir adelante al comenzar’. No creía que pudiera hacer nada en relación con esta “desventaja”, “aparte de alertar y advertir a los lectores preocupados por la verdad. No existe un camino real hacia el aprendizaje y los únicos que tienen alguna posibilidad de alcanzar sus picos iluminados por el sol son aquellos que no temen agotarse mientras suben los empinados caminos ascendentes”.

Al final, Marx tuvo que dedicar mucho más tiempo a la traducción de lo que inicialmente había planeado para la corrección de las pruebas. Como escribió al economista ruso Nikolai Danielson, Roy “a menudo traducía demasiado literalmente” y le obligaba a “reescribir pasajes completos en francés, para hacerlos más aceptables al público francés”. A principios de ese mes, su hija Jenny le había dicho al amigo de la familia Ludwig Kugelmann que su padre estaba “obligado a hacer innumerables correcciones”, reescribiendo “no solo oraciones completas sino páginas enteras”. Posteriormente, Engels escribió en una línea similar a Kugelmann que la traducción francesa había resultado ser un “verdadero tormento” para Marx y que “más o menos tuvo que reescribir todo desde el principio”.

Además, al revisar la traducción, Marx decidió introducir algunas adiciones y modificaciones. En la posdata de Le Capital, no dudó en atribuirle “un valor científico independiente del original” y afirmó que la nueva versión “debería ser consultada incluso por lectores familiarizados con el libro en alemán”. El punto más interesante, especialmente por su valor político, se refiere a la tendencia histórica de la producción capitalista. Si en la edición anterior de El Capital Marx había escrito que “el país más desarrollado industrialmente se limita a mostrar a los menos desarrollados la imagen de su propio futuro”, en la versión francesa las palabras en cursiva fueron sustituidas por “a los que les síguen en el ascenso de la escala de la industrialización”. Esta aclaración limitó la tendencia del desarrollo capitalista exclusivamente a los países occidentales que ya estaban industrializados.

Ahora era plenamente consciente de que el esquema de progresión lineal a través de los “modos de producción asiático, antiguo, feudal y el moderno modo de producción burgués”, que había perfilado en el Prefacio a Una contribución a la crítica de la economía política, en 1859, era inadecuado para comprender el movimiento de la historia y que, en efecto, era aconsejable alejarse de cualquier filosofía de la historia. No vio el desarrollo histórico en términos de un progreso lineal inquebrantable hacia un fin predefinido. La concepción multilineal más pronunciada que Marx desarrolló en sus últimos años lo llevó a mirar aún más atentamente las especificidades históricas y la desigualdad del desarrollo político y económico en diferentes países y contextos sociales. Este enfoque ciertamente incrementó las dificultades a las que se enfrentó en el ya accidentado curso de completar el segundo y tercer volumen de El Capital. En la última década de su vida, Marx emprendió investigaciones exhaustivas de sociedades fuera de Europa y se expresó sin ambigüedades contra los estragos del colonialismo. Es un error sugerir lo contrario. Marx criticó a los pensadores que, al tiempo que destacaban las consecuencias destructivas del colonialismo, utilizaban categorías propias del contexto europeo en su análisis de las áreas periféricas del globo. Advirtió varias veces contra aquellos incapaces de observar las distinciones necesarias entre los fenómenos y, especialmente después de sus avances teóricos en la década de 1870, desconfiaba mucho a la hora de transferir categorías interpretativas a campos históricos o geográficos completamente diferentes. Todo esto es más claro gracias a Le Capital.

En una carta de 1878, en la que Marx sopesaba los aspectos positivos y negativos de la edición francesa, le escribió a Danielson que contenía “muchos cambios y adiciones importantes”, pero que “también se había visto obligado a veces -principalmente en el primer capítulo – a simplificar el asunto”. Engels era de esta opinión y no incluyó todos los cambios hechos por Marx en la cuarta edición alemana de El Capital que publicó en 1890, siete años después de la muerte de Marx. Marx no pudo terminar una revisión final de El Capital, Volumen I que incluyera las correcciones y añadidos con los que pretendía mejorar su libro. De hecho, ni la edición francesa de 1872-75, ni la tercera edición alemana –que se publicó en 1881–, pueden considerarse la versión definitiva que a Marx le hubiera gustado que fuera.

Marx a través de Le Capital

Le Capital tuvo una importancia considerable para la difusión de la obra de Marx en todo el mundo. Se utilizó para la traducción de muchos extractos a varios idiomas, el primero en inglés, por ejemplo. De manera más general, Le Capital representó la primera puerta de acceso a la obra de Marx para lectores de varios países. La primera traducción al italiano –publicada entre 1882 y 1884– se hizo directamente de la edición francesa, al igual que la traducción aparecida en Grecia, en 1927. En el caso del español, Le Capital permitió sacar algunas ediciones parciales y dos traducciones completas: una en Madrid, en 1967, y otra en Buenos Aires, en 1973. Dado que el francés era más conocido que el alemán, fue gracias a esta versión que la crítica de la economía política de Marx pudo llegar a muchos países de Hispanoamérica más rápidamente. Casi lo mismo ocurría con los países de habla portuguesa. En el mismo Portugal, El Capital circuló solo a través de la pequeña cantidad de copias disponibles en francés, hasta que apareció una versión abreviada en portugués poco antes de la caída de la dictadura de Salazar. En general, a los activistas políticos e investigadores tanto en Portugal como en Brasil les resultó más fácil acercarse a la obra de Marx a través de la traducción al francés que la original. Las pocas copias que llegaron a los países africanos de habla portuguesa también estaban en ese idioma.

El colonialismo también dio forma en parte a los mecanismos por los cuales El Capital estuvo disponible en el mundo árabe. Mientras que en Egipto e Irak fue el inglés el idioma que más se utilizó en la difusión de la cultura europea, la edición francesa desempeñó un papel más destacado en otros lugares, especialmente en Argelia, que en la década de 1960 fue un centro importante para facilitar la circulación de ideas marxistas en los “países no alineados”. La importancia de Le Capital se extendió también a Asia, como lo demuestra el hecho de que la primera traducción vietnamita del Volumen I, publicado entre 1959 y 1960, se realizó a partir de la edición francesa.

Esta, además de ser consultada a menudo por traductores de todo el mundo y ser cotejada con la edición de 1890 publicada por Engels, que se convirtió en la versión estándar de Das Kapital, la traducción francesa ha servido de base para traducciones completas de El Capital a ocho idiomas. Ciento cincuenta años después de su primera publicación, continúa siendo una fuente de debate estimulante entre académicos y activistas interesados ​​en la crítica de Marx al capitalismo.

En una carta a su antiguo camarada Friedrich Adolph Sorge, el propio Marx comentó que con Le Capital había “consumido tanto [de su] tiempo que no volvería a colaborar de ninguna manera en una traducción”. Eso es exactamente lo que sucedió. El esfuerzo y las molestias necesarios para producir la mejor versión francesa posible fueron realmente notables. Pero podemos decir que fueron bien recompensados. Le Capital ha tenido una circulación significativa, y los añadidos y cambios realizados por Marx, durante la revisión de su traducción, contribuyeron a la dimensión anticolonial y universal de El Capital que está siendo ampliamente reconocida hoy en día gracias a algunas de las más novedosas y perspicaces contribuciones en los estudios de Marx.

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Quando Marx traduziu O Capital para francês

Passam hoje 150 anos do lançamento da tradução francesa de O Capital. Os acrescentos e alterações feitas pelo próprio Marx durante a revisão desta tradução contribuíram para a dimensão anticolonial e universal do livro.

Em Fevereiro de 1867, após mais de duas décadas de trabalho hercúleo, Marx pôde finalmente dar ao seu amigo Friedrich Engels a tão esperada notícia de que a primeira parte da sua crítica da economia política estava terminada. Posteriormente, Marx viajou de Londres para Hamburgo para entregar o manuscrito do Volume I (“O Processo de Produção do Capital”) da sua magnum opus e, de acordo com o seu editor Otto Meissner, ficou decidido que O Capital iria aparecer em três partes. Cheio de satisfação, Marx escreveu que a publicação do seu livro era, “sem dúvida, o míssil mais terrível até agora lançado às cabeças da burguesia”.

Apesar do longo trabalho de composição antes de 1867, a estrutura de O Capital seria bastante ampliada nos anos seguintes, e o Volume I também continuou a absorver energias significativas por parte de Marx, mesmo após ser publicado. Um dos exemplos mais evidentes deste compromisso foi a tradução francesa de O Capital, publicada em 44 fascículos entre 1872 e 1875. Este volume não foi uma mera tradução, mas uma versão ‘completamente revista pelo autor’, na qual Marx também aprofundou a secção sobre o processo de acumulação de capital, e desenvolveu melhor as suas ideias sobre a distinção entre ‘concentração’ e ‘centralização’ do capital (ver o próximo livro coletivo, editado por M. Musto, Marx and ‘Le Capital’: Evaluation, History, Reception, Routledge, 2022).

A Busca pela Versão Definitiva do Volume I

Após algumas interrupções devido à sua saúde frágil, e após um período de intensa atividade política para a Associação Internacional de Trabalhadores, Marx dedicou-se a trabalhar numa nova edição de O Capital, Volume I, no início da década de 1870. Insatisfeito com a forma como tinha exposto a teoria do valor, passou dezembro de 1871 e janeiro de 1872 a reescrever o que tinha publicado em 1867. Uma reimpressão de Das Kapital que incluía as alterações feitas por Marx saiu em 1872. Este ano teve uma importância fundamental para a divulgação de O Capital, uma vez que também foi o ano em que surgiram as traduções em russo e francês. Confiada a Joseph Roy, que tinha anteriormente traduzido alguns textos do filósofo alemão Ludwig Feuerbach, foi publicada em série com o editor Maurice Lachâtre. O primeiro foi publicado há 150 anos, a 17 de setembro.

Marx concordou que seria bom fazer sair uma “edição popular barata”. “Aplaudo a sua ideia de publicar a tradução […] em fascículos periódicos”, escreveu ele. Nesta forma, o livro será mais acessível à classe trabalhadora e, para mim, essa consideração prevalece sobre qualquer outra”, argumentou ele com o seu editor. Consciente, porém, de que havia um “outro lado” da moeda, ele antecipou que o “método de análise” que tinha utilizado “iria tornar a leitura mais difícil nos primeiros capítulos”, e que os leitores poderiam “desmotivar-se” quando fossem “incapazes de avançar logo de início”. Ele não achou que pudesse fazer alguma coisa acerca desta ‘desvantagem’, ‘a não ser alertar e avisar os leitores preocupados com a verdade. Não há estrada real para a ci­ência e só têm pos­si­bi­lidade de chegar aos seus cumes lu­mi­nosos aqueles que não temem fa­tigar-se a es­calar as suas ve­redas es­car­padas”.

No final, Marx teve de gastar muito mais tempo na tradução do que tinha inicialmente planeado para a correção das provas. Como escreveu ao economista russo Nikolai Danielson, Roy tinha “muitas vezes traduzido demasiado literalmente” e forçou-o a “reescrever passagens inteiras em francês, para as tornar mais palatáveis ao público francês”. No início desse mês, a sua filha Jenny tinha dito ao amigo da família Ludwig Kugelmann que o seu pai era ‘obrigado a fazer inúmeras correções’, reescrevendo ‘não apenas frases, mas páginas inteiras’. Posteriormente, Engels escreveu de forma semelhante a Kugelmann que a tradução francesa tinha sido uma ‘autêntica trabalheira’ para Marx e que ele tinha ‘tido de reescrever mais ou menos tudo desde o início’.

Além disso, ao rever a tradução, Marx decidiu introduzir alguns acrescentos e alterações. No posfácio ao Le Capital, ele não hesitou em atribuir-lhe “um valor científico independente do original” e declarou que a nova versão “deveria ser consultada mesmo por leitores familiarizados com o alemão”. O ponto mais interessante, especialmente pelo seu valor político, diz respeito à tendência histórica da produção capitalista. Se na edição anterior de O Capital Marx escreveu que “o país mais desenvolvido industrialmente apenas mostra, aos menos desenvolvidos, a imagem do seu próprio futuro”, na versão francesa as palavras em itálico foram substituídas por “aos que o seguem na escada industrial”. Esta clarificação limitou a tendência do desenvolvimento capitalista apenas aos países ocidentais que já eram industrializados.

Ele estava agora plenamente consciente de que o esquema de progressão linear através dos “modos de produção burgueses asiáticos, antigos, feudais e modernos”, que ele tinha traçado no Prefácio à Contribuição para a Crítica da Economia Política, em 1859, era inadequado para uma compreensão do movimento da história, e que era de facto aconselhável manter-se afastado de qualquer filosofia da história. Não via o desenvolvimento histórico em termos de progresso linear inabalável em direção a um fim pré-definido. A conceção multilinear mais acentuada que Marx desenvolveu nos seus últimos anos levou-o a olhar ainda mais atentamente para as especificidades históricas e as desigualdades do desenvolvimento político e económico em diferentes países e contextos sociais. Esta abordagem aumentou seguramente as dificuldades que ele enfrentou no seu caminho já acidentado para concluir o segundo e terceiro volumes de O Capital. Na última década da sua vida, Marx levou a cabo investigações exaustivas sobre sociedades fora da Europa e expressou-se inequivocamente contra a devastação do colonialismo. É um erro sugerir o contrário. Marx criticou os pensadores que, embora salientando as consequências destrutivas do colonialismo, utilizaram categorias próprias do contexto europeu na sua análise das áreas periféricas do globo. Advertiu várias vezes contra aqueles que não observaram as necessárias distinções entre fenómenos, e especialmente após os seus avanços teóricos na década de 1870, teve grande cautela em transferir categorias interpretativas através de campos históricos ou geográficos completamente diferentes. Tudo isto é mais evidente graças a Le Capital.

Numa carta de 1878, na qual Marx pesava os lados positivo e negativo da edição francesa, escreveu a Danielson que esta continha “muitas mudanças e acrescentos importantes”, mas que também tinha sido “por vezes obrigado – principalmente no primeiro capítulo – a simplificar a questão”. Engels era desta opinião e não incluiu todas as alterações feitas por Marx na quarta edição alemã de O Capital que publicou em 1890, sete anos após a morte de Marx. Marx não conseguiu terminar uma revisão final de O Capital, Volume I, que incluía as melhorias e os aditamentos que pretendia fazer para melhorar o seu livro. De facto, nem a edição francesa de 1872-75, nem a terceira edição alemã – que saiu em 1881 -, podem ser consideradas a versão definitiva que Marx teria gostado que fosse.

Marx através de Le Capital

Le Capital teve uma importância considerável para a difusão do trabalho de Marx em todo o mundo. Foi utilizado para a tradução de muitos extratos em várias línguas – o primeiro na língua inglesa, por exemplo. Mais genericamente, Le Capital representou a primeira porta de entrada da obra de Marx para os leitores de vários países. A primeira tradução italiana – publicada entre 1882 e 1884 – foi feita diretamente da edição francesa, tal como a tradução que apareceu na Grécia, em 1927. No caso do espanhol, Le Capital tornou possível algumas edições parciais e duas traduções completas: uma em Madrid, em 1967, e outra em Buenos Aires, em 1973. Como o francês era mais conhecido do que o alemão, foi graças a esta versão que a crítica de Marx à economia política conseguiu chegar mais rapidamente a muitos países da América Hispânica. O mesmo se aplicava aos países de língua portuguesa. Em Portugal, O Capital circulou apenas através do pequeno número de exemplares disponíveis em francês, até que uma versão abreviada apareceu em português pouco antes da queda da ditadura de Salazar. Em geral, os ativistas políticos e investigadores, tanto em Portugal como no Brasil, acharam mais fácil abordar o trabalho de Marx através da tradução francesa do que no original. Os poucos exemplares que conseguiram chegar aos países africanos de língua portuguesa estavam também nessa língua.

O colonialismo também moldou em parte os mecanismos através dos quais O Capital se tornou disponível no mundo árabe. Enquanto no Egito e no Iraque era o inglês que mais se destacava na difusão da cultura europeia, a edição francesa desempenhou um papel mais proeminente noutros lugares, especialmente na Argélia, que nos anos 1960 foi um centro importante para facilitar a circulação de ideias marxistas em países “não-alinhados”. O significado de Le Capital estendeu-se também à Ásia, como demonstrado pelo facto de a primeira tradução vietnamita do Volume I, publicada entre 1959 e 1960, ter sido realizada na edição francesa.

Assim, para além de ser frequentemente consultada por tradutores de todo o mundo e comparada com a edição de 1890 publicada por Engels, que se tornou a versão padrão de Das Kapital, a tradução francesa serviu de base para traduções completas de O Capital em oito línguas. Cento e cinquenta anos desde a sua primeira publicação, continua a ser uma fonte de debate estimulante entre estudiosos e ativistas interessados na crítica de Marx ao capitalismo.
Numa carta ao seu velho camarada Friedrich Adolph Sorge, o próprio Marx observou que com Le Capital ele tinha “gasto tanto tempo que não voltaria a colaborar de forma alguma numa tradução”. Foi exatamente isso que aconteceu. A trabalheira que teve para produzir a melhor versão francesa possível foi de facto extraordinária. Mas podemos dizer que foi bem recompensada. Le Capital teve uma circulação significativa, e os acrescentos e alterações feitas por Marx durante a revisão da sua tradução contribuíram para a dimensão anticolonial e universal de O Capital que se está a tornar amplamente reconhecida nos dias de hoje graças a algumas das mais recentes e lúcidas contribuições para os estudos de Marx.