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A vida de Marx no tempo dos Grundrisse

A crise econômica de 1856-58 estimulou Marx a retomar seus estudos de economia política com vistas à dotar o movimento operário e socialista de um instrumental teórico capaz de fundamentar a ação política de superação da ordem social do capital. Numa situação pessoal de extrema dificuldade, convivendo com a pobreza, a doença e dificuldades de toda ordem, apesar da ajuda permanente de Engels, Marx elaborou neste período nada menos que os Grundrisse e Para a crítica da Economia Política, fundamentos da perspectiva teórica que mais tarde se desdobraria n’O Capital.

Namorando a revolução
Em 1848, a Europa foi sacudida por uma sucessão de numerosas insurreições populares inspiradas pelos princípios da liberdade política e da justiça social. A fraqueza de um movimento operário recém-nascido, a renúncia a estes ideais por parte da burguesia, os quais ela havia compartilhado quando do seu surgimento, a repressão militar violenta e o retorno da prosperidade econômica gerou a derrota da sublevação em todos os lugares e as forças da reação reconquistaram os dominíos do poder estatal com firmeza.

Marx apoiou as insurreições populares a partir do diário Neue Rheinische Zeitung: Organ der Demokratie, no qual, ele era fundador e editor chefe. Das colunas do jornal ele realizou intensa atividade de agitação apoiando a causa dos insurgentes e conclamando o proletariado a promover a “Revolução Social e Republicana”(Marx 1977: 178)[1]. Naquele período, ele vivia entre Bruxelas, Paris e Colônia e viajava para Berlim, Viena e Hamburgo bem como para muitas outras cidades alemãs, estabelecendo novas conexões para fortalecer e desenvolver lutas em desdobramento. Por causa desta incansável atividade militante ele foi condenado à expulsão primeiro da Bélgica, depois da Prússia e quando o novo governo da França sob a presidência de Luis Bonaparte exigiu que ele deixasse Paris, ele decidiu se mudar para a Inglaterra. Ele chegou lá no verão de 1849, aos 31 anos de idade para se fixar em Londres. Inicialmente estava convecido de que ficaria por pouco tempo, acabou vivendo lá, expatriado, pelo resto da vida.

Os primeiros anos de seu exilio inglês foram marcados pela mais profunda condição de pobreza e agravamento da saúde que contribuiu para a perda trágica de três dos seus filhos. Embora a vida de Marx nunca foi fácil, este período foi certamente seu pior estágio. Entre dezembro de 1850 e setembro de 1856 ele viveu com sua familia em uma casa conjugada de dois quartos, no numero 28 da Dean Street em Soho, uma das áreas mais pobres e deterioradas da cidade. A herença obtida por sua esposa Jenny Von Westphalen com a morte do tio e da mãe dela, inesperadamente deu a eles uma centelha de esperança e permitiu a ele quitar suas muitas dívidas, retirar suas roupas e objetos pessoais da penhora e direcionar a coisas mais prementes.

No outono de 1856, Marx, sua esposa e suas três filhas Jenny, Laura e Eleanor, juntamente com sua leal criada Helene Demuth – que era parte integral da familia – se mudaram para os subúrbios à nordeste de Londres, no número 9, Gratfton Terrace Kentish Town, onde o aluguel tinha preço mais acessível. A casa em que permaneceram até 1864, era construída em um lugar recém criado que não tinha estrada nem ligação com o centro e completamente escura à noite. Mas finalmente ele vivia em uma casa de verdade, reunia as condições mínimas para a família para manter “ao menos uma aparência de respeitabilidade”. (Jenny Marx 1970:223)[2].

Ao longo do ano de 1856, Marx negligenciou completamente o estudo da economia política, mas a aproximação de uma crise financeira internacional mudou esta situação repentinamente. Em um clima de profunda incerteza que se transformou em pânico generalizado assim contribuindo para uma quebradeira em todos lugares, Marx sentiu que mais uma vez a hora certa para a ação havia chegado e prevendo o futuro desenvolvimento da recessão escreveu a Engels “ Eu creio que não seremos capazes de ficar aqui muito tempo apenas assistindo”. (Marx para Engels, 26 de setembro de 1856, Marx e Engels1983:70). Engels, sempre com grande otimismo previu o seguinte cenário:

Desta vez haverá um dia de cólera sem precedente; a indústria da Europa inteira está em ruinas… todos os mercados saturados, toda a classe dominante na sopa, completa quebradeira da burguesia, guerra e desordem em temperatura elevada. Eu, também, acredito que de um tudo vai acontecer em 1857 (Engels para Marx, 26 de setembro 1856, Marx e Engels 1983: 72). Ao final de uma década que tinha visto o refluxo do movimento revolucionário e no curso da qual Marx e Engels foram impedidos de participar ativamente na arena política européia, os dois começaram a trocar mensagens com uma renovada confiança nas perspectivas para o futuro. A longa espera pelo envolvimento com a revolução parecia agora próximo de acabar e para Marx isto apontava para uma prioridade acima de todas: sintetizar sua “ciência econômica” e finalizar seus estudos o mais breve possível.

Lutando contra a miséria e a doença
Para conseguir se dedicar ao trabalho nessa condição Marx precisa de alguma tranquilidade, mas sua situação pessoal não permitia a ele nenhuma trégua. Depois de ter usado todos os recursos à sua disposição na relocação de uma nova casa, ele novamente estava sem dinheiro para pagar o aluguel do primeiro mês. Então ele relatou a Engels, que morava em Manchester na época, todos os infortúnios de sua situação.

(Eu estou) sem perspectivas e com muitas contas a vencer. Eu não tenho idéia sobre o que fazer e, na verdade, minha situação é mais desesperadora do que há cinco anos atrás. Eu pensei que já tivesse experimentado a quintessência dessa situação deplorável, mas ainda não acabou. (Marx para Engels, 20 de Janeiro de 1857, Marx e Engels 1983: 93).

Esse relato deixou Engels profundamente chocado, pois ele tinha certeza que depois da mudança seu amigo estaria finalmente melhor acomodado, então em janeiro de 1857, ele gastou o dinheiro recebido de seu pai no natal para comprar um cavalo e buscar sua grande paixão: a caçada à raposa. Entretanto, durante este período e por toda a sua vida, Engels nunca negou todo apóio a Marx e sua família e se preocupou com essa difícil conjuntura, ele enviava a Marx cinco libras por mês e cobrou de Marx para contar com ele sempre nos momentos difíceis.

O papel de Engels, certamente não era limitado a fornecer suporte financeiro. No profundo isolamento em que Marx viveu durante aqueles anos, mas pela larga correspondência trocada entre os dois, Engels era o único ponto de referência com quem ele podia travar um debate intelectual, “mais do que qualquer coisa eu preciso de sua opinião” (Marx para Engels, 2 de abril 1858, Marx e Engels 1983:303). Engels era o único amigo a quem confidenciar em tempos difíceis de desespero: “Escreva logo porque suas cartas são essenciais agora para ajudar a me animar. A situação está difícil” (Marx para Engels, 18 de março de 1857, Marx e Engels 1983:106). Marx era também a companhia com quem compartilhava o sarcasmo despertado pelos acontecimentos: “Eu invejo as pessoas que plantam bananeira. Deve ser uma boa maneira de montar a cabeça da burguesia raivosa e cheia de merda”. Marx e Engels, 23 de janeiro de 1857, Marx e Engels, 1983:99).

Na verdade, a incerteza logo tornou-se mais urgente. A única renda de Marx, além da ajuda dada por Engels, consistia de pagamentos recebidos do New York Tribune, o jornal em inglês de maior circulação naquele tempo. O acordo sobre suas contribuições, pelas quais receberia 2 libras por artigo, mudou com a crise econômica que também havia repercutido no diário norte-americano. Com exceção do viajante e escritor americano Bayard Taylor, Marx foi o único correspondente europeu que não foi demitido, mas suas participações diminuíram de dois artigos por semana para um, e – “contudo nos tempos de prosperidade, eles nunca me deram um centavo a mais”(Marx e Weydemeyer, 1 de fevereiro de 1859, Marx e Engels 1983: 374) – seus pagamentos eram divididos. Marx de forma sarcástica relatou o acontecimento: “Há uma certa ironia do destino no fato de eu estar envolvido por esta maldita crise”(Marx para Engels, 31 de outubro de 1857, Marx e Engels 1983: 198). Entretanto, poder testemunhar a derrocada financeira foi um entretenimento sem igual: “É interessante que os capitalistas que vociferavam contra o ‘direito ao trabalho’, estarem agora, em todos os lugares, exigindo ‘apoio público’ de seus governos e… então advogando o ‘direito de lucrar’ às custas do dinheiro público”(Marx para Engels, 8 dezembro de 1857, Marx e Engels 1983: 214). Apesar de seu estado de ansiedade, ele comunicou a Engels que “Embora minha situação financeira possa estar apertada de fato, nunca desde de 1849, me senti tão confortável como durante esta convulsão”.

O começo de um novo projeto editorial aliviou a situação de desespero. O editor do New York Tribune, Charles Dana, convidou Marx a se juntar ao comitê editorial para a Nova Enciclopédia Americana. A falta de dinheiro o levou a aceitar a oferta, mas ele confiou a maior parte do trabalho a Engels para dedicar mais tempo à sua pesquisa. Na divisão de trabalho deles, entre 1857 e 1860, Engels editou verbetes militares – a maioria dos quais haviam sido solicitados – enquanto Marx compilava vários esboços biográficos. Embora o pagamento de duas libras por página era muito baixo, ainda assim, era um complemento ao seu estado financeiro desastroso. Por esta razão Engels conclamou ele a conseguir o maior número de verbetes possíveis de Dana. “Nos podemos oferecer aquela quantidade de ‘pura’ erudição enquanto o ouro puro da Califórnia pagar por isto”(Marx para Engels, 22 de fevereiro de 1857, Marx e Engels 1883: 122). Marx seguiu o mesmo princípio para escrever seus artigos: “para ser o mais conciso quanto é possível, enquanto isto não significar idiotice” (Marx para Engels, 22 de fevereiro de 1858, Marx e Engels 1983: 272)[3]

Em que pese os esforços, sua situação financeira não melhorou de modo algum. Na realidade ficou tão insustentável que, procurado por agiotas que ele comparou a “lobos famintos”(Marx para Engels, 8 dezembro de 1857, Marx e Engels 1983:214), e na ausência de carvão para se aquecerem durante o frio inverno daquele ano, em janeiro de 1858 ele escreveu a Engels: “Se esta situação persistir, é mais provável que serei enterrado em uma cova bem funda do que continuar vegetando desta maneira. Sendo sempre um aborrecimento para os outros e, além disso, sendo constantemente atormentado por ninharias pessoais torna-se, no final das contas, insuportável.”( Marx para Engels, 28 de Janeiro 1858, Marx e Engels 1983: 255). Nestas circunstancias ele também tinha palavras amargas para o campo emocional: “Reservadamente, penso que levo a vida mais agitada possível de se imaginar… para pessoas com grandes aspirações nada é mais estúpido do que se casar e deixar se levar pelas pequenas misérias da vida doméstica e privada”(Marx para Engels, 22 de Fevereiro 1858, Marx e Engels 1983: 273).

A pobreza não era o único espectro rondando Marx. Como a parte maior de sua vida atribulada, ele também foi acometido naquele período por várias enfermidades. Em março de 1857 o trabalho excessivo feito à noite lhe deixou com uma infecção no olho; em abril ele teve dor de dente; em maio se queixava constantemente do fígado, por conta deste último, ele se afundou em remédios. Enfraquecido, ficou incapacitado, sem poder trabalhar por três semanas. Ele então, relatou a Engels: “Para não perder o tempo todo, eu, na ausência de coisas melhores, tenho estudado a língua dinamarquesa; entretanto, se as promessas do médico estiverem corretas, tenho perpectivas de me tornar um ser humano novamente já na próxima semana. Enquanto isto estou tão amarelo quanto um marmelo e muito mais irritado.”(Marx para Engels, 22 de maio de 1857, Marx e Engels 1883:132).

Logo em seguida, uma ocorrência mais grave atingiu a família Marx. No início de julho Jenny deu a luz ao último filho do casal, mas o bebê, nasceu muito fraco, morreu logo após o parto. Enlutado mais uma vez, Marx confessou a Engels: “O acontecimento em si não é uma tragédia. Mas… as circunstâncias que a causaram foram tais que fez relembrar memorias dolorosas (provalvemente a morte de Edgar (1847-55), o último filho que ele havia perdido). É impossível discutir sobre isto em uma carta”(Marx para Engels, 8 de julho 1857, Marx e Engels 1983:143). Engels ficou muito comovido com esta declaração e respondeu: “tudo deve ser muito difícil para você escrever desse modo. Você pode aceitar a morte da pequenina de modo estóico, mas sua esposa dificilmente aceitará assim também.” ( Engels para Marx, 11 de julho de 1857, Marx e Engels 1983:143).

A situação, posteriormente, complicou-se ainda mais pelo fato de que Engels ficou doente e foi seriamente afetado por uma febre nas glândulas de modo que ele não conseguiu trabalhar durante o verão inteiro. Nessa altura dos acontecimentos, Marx enfrentou sérias dificuldades. Sem os verbetes para a enciclopédia feitas por seu amigo, ele precisou ganhar tempo, portanto, fingiu ter enviado uma pilha de manuscritos à Nova York e que os mesmos tinha sido perdidos pelo correio. No entanto, a pressão não diminuiu. Quando os acontecimentos envolvendo a rebelião dos Cipaios na India tornou-se mais intensa, o New York Tribune ficou na expectativa por uma análise de seu especialista, sem saber que os artigos a respeito de assuntos militares eram, na verdade, trabalho de Engels. Marx forçado pelas circunstâncias a se encarregar temporariamente do “departamento militar” (Marx para Engels, 14 de janeiro de 1858, Marx e Engels 1983: 249)[4] se aventurou a afirmar que os Ingleses precisavam bater em retirada no início da estação chuvosa. Ele informou a Engels sobre sua escolha com as seguintes palavras: “é possível que eu venha a parecer muito ruim, mas de qualquer forma com um pouco de dialética eu poderei sair dessa. Naturalmente, eu formulei minhas palavras para acertarem de um modo ou de outro”. (Marx e Engels, 15 de agosto de 1857, Marx e Engels 1983: 152). Entretanto, Marx não subestimou este conflito e, refletindo sobre seus possíveis efeitos, disse “Com a perspectiva de que muitos homens sejam arrastados pelo conflito e os milhões que ela custará para a Inglaterra, a Índia tornou-se agora nosso melhor aliado”. (Marx para Engels 14 de janeiro de 1858, Marx e Engels 1983: 249).

Escrevendo os Grundrisse (der Kritik der Politischen Ökonomie: Rohentwurf)[5]
Pobreza, problemas de saúde e todos os tipos de privações – os Grundrisse foram escritos neste trágico contexto. Não foi o produto de um pensador no bem estar protegido pela tranqüilidade burguesa; pelo contrário, foi um trabalho de um autor que experimentou dificuldade e encontrou energia para prosseguir sustentado somente na crença de que, com o avanço da crise econômica, seu trabalho tornou-se necessário à sua época: “Eu estou trabalhando como louco, noite adentro, para reunir meus estudos de economia para que possa ao menos compreender os contornos claramente antes do dilúvio”(Marx para Engels, 8 de Dezembro 1857, Marx e Engels 1983: 217).

No outono de 1857, Engels estava avaliando os acontecimentos com otimismo: “A quebradeira americana é excelente e vai demorar a passar…. o comércio novamente vai ladeira abaixo pelos próximos três ou quatro anos. Agora temos uma chance” (Engels para Marx, 29 de Outubro de 1857, Marx e Engels 1983:195). Dessa maneira ele estava encorajando Marx: “em 1848 nós dizíamos: agora nossa hora chegou, e em certo sentido, era verdade, mas desta vez está acontecendo mesmo e é um caso de vida ou morte” (Engels para Marx, 15 de novembro de 1857, Marx e Engels 1983:200). Por outro lado, sem ter qualquer dúvida sobre a iminência da revolução, ambos esperavam que ela não entrasse em erupção antes que toda a Europa tivesse sido tomada pela crise, e portanto as perspectivas para o ‘ano de luta’ foram adiadas para 1858 (Engels para Marx, 31 de dezembro de 1857, Marx e Engels 1983:236).

Conforme relato em uma carta de Jenny von Westphalen para Conrad Schramm, um amigo da família, a crise geral teve um efeito positivo sobre Marx: “Você consegue imaginar o quão animado está o Mouro. Ele recuperou todo o seu ritual habitual e disposição para trabalhar bem como a vivacidade e espirituosidade”(Jenny Marx to scharmm, 8 de dezembro de 1857, Marx e Engels 1983:566). Na verdade, Marx começou um período de intensa atividade intelectual, dividindo seu trabalho entre os artigos para o New York Tribune, o trabalho para a Nova Enciclopédia Americana, o projeto inacabado de escrever um panfleto sobre a crise e obviamente, os Grundrisse. Entretanto, apesar de sua energia renovada, todos esses empreendimentos mostraram-se excessivos e a ajuda de Engels tornou-se mais uma vez indispensável. No início de 1858, logo em seguida a sua completa recuperação da doença que havia sofrido, Marx pediu a ele que retornasse a trabalhar nos verbetes para a enciclopédia:
às vezes, me parece que se você puder se organizar para fazer um pouco de seções a cada dois dias, isto poderia talvez funcionar como um freio para sua bebedeira que, pelo que eu sei de Manchester e no momento de excitação que estamos vivendo atualmente, parece inevitável e não te faz nenhum bem…porque eu realmente preciso terminar minhas outras tarefas que estão roubando todo o meu tempo, ainda que a casa desabe sobre a minha cabeça! (Marx para Engels, 5 de Janeiro 1858, Marx e Engels 1983: 238).

Engels aceitou a exortação entusiasmada de Marx e reafirmou que, após os feriados, ele “experimentaria uma vida mais tranquila e mais produtiva”(Engels para Marx, 6 de Janeiro 1858, Marx e Engels 1983:239). Contudo, o maior problema de Marx ainda era a falta de tempo e ele repetidamente reclamava ao seu amigo que “toda vez que eu estou no Museu (Britânico), há tanta coisa que eu preciso procurar, a hora de fechar (agora 4h da tarde) chega, antes que sequer eu tenha vasculhado o lugar. E ainda tem aquela jornada lá. Tanto tempo perdido!”(Marx para Engels, 1 de fevereiro de 1858, Marx e Engels 1983: 258). Além disso, juntamente com as dificuldades práticas, há outras de natureza teórica:

Eu tenho sido… tão desafortunadamente assaltado por erros nos cálculos que, de tanto desespero, tenho me aplicado a uma revisão da álgebra. A aritmética sempre foi minha inimiga, mas dando uma volta pela álgebra, rapidamente voltarei ao curso das coisas. (Marx para Engels, 11 de janeiro de 1858, Marx e Engels 1983: 244).

Por fim, seus escrúpulos contribuíram para diminuir o rítmo da escrita dos Grundrisse, pois ele exigia de si mesmo que mantivesse a pesquisa de novas confirmações para testar a validade de suas teses. Em fevereiro ele explicou a situação de sua pesquisa para Ferdinand Lassalle desse modo:

Agora, quero te contar como está o andamento da minha ciência econômica. O trabalho está escrito. Na verdade, tenho o texto final está em minhas mãos há alguns meses. A coisa caminha muito lentamente, porque logo que alguém começa a apresentar matérias que tem sido objeto de estudo por anos a fio, então eles começam a revelar novos aspectos e exigem ser repensados ainda mais.

Na mesma carta, Marx lamentou mais uma vez a condição a que ele tinha que se sujeitar. Estava forçado a gastar parte do dia com artigos de jornais, ele assim escreveu: “Eu não sou senhor do meu tempo, pelo contrário sou seu escravo. Tem restado apenas à noite para a minha própria pesquisa, que por sua vez é freqüentemente interrompida por ataques da bílis ou problemas recorrentes com o fígado” (Marx para Lassalle, 22 de fevereiro de 1858, Marx e Engels 1983: 268).

Na verdade, a doença tinha acometido Marx novamente. Em janeiro de 1858 ele comunicou a Engels que estava em tratamento há três semanas: “Eu exagerei trabalhando à noite – me mantendo apenas com limonada e muito tabaco”. (Marx para Engels, 14 de janeiro de 1858, Marx e Engels 1983:247). Em março ele estava “muito doente novamente” por causa do fígado: “o trabalho prolongado dia e noite, os numerosos pequenos desconfortos advindos das condições econômicas domésticas tem ultimamente sido a causa de recaídas” (Marx para Engels 1983: 296). Em abril, ele afirmou novamente: “Tenho me sentido tão doente por causa de náuseas nesta semana que estou incapaz de pensar, ler, escrever ou, de fato, fazer qualquer coisa, com exceção dos artigos para o Tribune. Estes, é óbvio, não posso me dar ao luxo de negligenciar pois, eu devo contar com esta ninharia o mais rápido possível para evitar a falência. (Marx para Engels, 2 de abril de 1858, Marx e Engels 1983: 296).

Nesse estágio de sua vida Marx tinha desistido completamente de relações com a política organizada e relações privadas, em cartas aos seus poucos amigos remanescentes ele revelou que: “ eu tenho vivido como um ermitão”(Marx para Lassalle, 21 de dezembro de 1857, Marx e Engels 1983: 225) e “raramente vejo as poucas pessoas que conheço, mas em geral, não faz muita falta também”(Marx para Schramm, 8 de dezembro de 1857, Marx e Engels 1983: 217). Além do contínuo encorajamento de Engels, a recessão e sua expansão mundial também alimentou suas esperanças e o estimulou a continuar trabalhando: “Em resumo, a crise está minando o terreno como uma boa e velha toupeira.” (Marx para Engels, 22 de fevereiro de 1858, Marx e Engels 1983: 274). A correspondência com Engels documenta que os eventos em andamento o contagiou com entusiasmo. Em janeiro, depois de ler as notícias de Paris no Manchester Guardian, ele afirmou: “tudo parece estar correndo melhor do que o esperado” (Marx para Engels, 23 de janeiro de 1858, Marx e Engels 1983:252), e no fim de março, comentando sobre os últimos desdobramentos, ele acrescentou “na França, o caos continua de forma bem satisfatória. É improvável que a paz se restabeleça após o verão” ( Marx para Engels, 29 de março de 1858, Marx e Engels 1983: 296). E em contraste, poucos meses antes ele havida declarado de forma pessimista que:

Depois do que aconteceu nos últimos 10 anos, qualquer idéia de mostrar aversão pelas massas assim como por indivíduos deve ter crescido a um grau que ‘odi profanum vulgus et arceo’[6] tornou-se quase uma máxima obrigatória. No entanto, todos esses são, eles próprios, estágios do pensamento filisteu, que irão embora com a primeira tempestade. (Marx para Lassalle, 22 de fevereiro de 1858, Marx e Engels 1983:268).

Em maio ele afirmou com satisfação que “no geral, o momento atual é bem prazeroso. A História está aparentemente, em um recomeço e os sinais de dissolução em toda parte agradam a cada um que não esteja curvado pela conservação deste estado de coisas atuais.” (Marx para Lassale, 31 de maio de 1858, Marx e Engels 1983:323).

Do mesmo modo Engels relatou a Marx com grande fervor que no dia da execução de Felice Orsini, o democrata italiano julgado pela tentativa de assassinato de Napoleão III, aconteceu em Paris um grande protesto da classe trabalhadora: “em uma época de grande distúrbio é bom ver que um grande chamado é feito e 100 mil pessoas respondem ‘presente’” (Engels para Marx, 17 de março de 1858, Marx e Engels 1983: 289-90). Em vista dos possíveis desdobramentos revolucionários, ele também estudou o tamanho das tropas francesas e avisou Marx que para vencer teria sido necessário formar sociedades secretas dentro do exército, ou como em 1848, para que a burguesia se posicione contra Bonaparte. Por fim, ele previu que a separação da Hungria e Itália e as insurreições eslavas teriam atingido a Áustria violentamente, o velho bastião reacionário, e que, somando-se a isto tudo, um contra ataque generalizado teria espalhado a crise para todas as grandes cidades e distritos industriais. Em outras palavras, ela estava certo que “afinal de contas, vai ser uma luta dura”. (Engels para Marx, 17 de março 1858, Marx e Engels 1983: 289). Levado pelo otimismo Engels diminuiu suas montarias, desta vez com um objetivo em vista; conforme ele escreveu a Marx:

Ontem, eu levei meu cavalo para um obstáculo e coloquei o mesmo a 5 pés e várias polegadas de altura: o mais alto que eu já saltei… quando voltarmos para a Alemanha, nós certamente teremos uma lição ou mais para dar à cavalaria prussiana. Aqueles senhores terão dificuldade para se igualar a mim.(Engels para Marx, 11 de fevereiro de 1858, Marx e Engels 1983: 265).
A resposta foi com dada com grande satisfação:

Eu congratulo pela sua performance com cavalos. Mas não faça muitos saltos de quebrar o pescoço. Eu não creio que a cavalaria é a especialidade da qual virá os seus maiores serviços para a Alemanha. (Marx para Engels, 14 de Fevereiro de 1858, Marx e Engels 1983: 266).

Por outro lado, a vida de Marx enfrentou mais complicações à frente. Em março, Lassalle o informou que o editor Franz Duncker de Berlim tinha concordado em publicar seu trabalho em várias etapas, mas as boas notícias paradoxalmente transformaram-se em um outro fator desestabilizador. Uma nova razão para preocupação a se juntar às outras – ansiedade – conforme descrição em uma série de boletins médicos endereçados a Engels, desta vez escritos por Jenny von Westphalen:

Seu fígado e bilis estão novamente num estado de revolta…. A piora de sua condição é em grande parte atribuída ao cansaço mental e agitação que agora, depois da conclusão do contrato com os editores estão maiores do que nunca e aumentando diariamente já que ele considera praticamente impossível concluir o trabalho (Jenny Marx para Engels, 9 de abril de 1858, Marx e Engels 1983: 569).

Durante todo o mês de abril, Marx foi atacado pela mais virulenta dor causada pela bílis que ele já sofrera e não conseguia trabalhar de maneira alguma. Ele se concentrou exclusivamente nos artigos para o New York Tribune; estes eram indispensáveis a sua sobrevivência, e ele tinha que ditá-los a sua esposa que estava “cumprindo inteiramente o papel de secretária” (Marx para Engels, 23 de abril de 1857, Marx e Engels 1983: 125). Tão logo ele foi capaz de segurar uma caneta, e informou a Engels que o motivo de seu silêncio se devia a sua “incapacidade de escrever”. Isto era visível “não apenas no sentido literário, mas literalmente falando”. Ele também afirmou que “a urgência contínua de se concentrar no trabalho combinada com a incapacidade de produzir contribuía para agravar a doença”. Sua situação ainda era muito ruim.

Eu não consigo trabalhar. Se eu escrever por duas horas tenho que me deitar com dores por dois dias. Eu espero, que esta terrível situação chegue ao fim na próxima semana. Isto não poderia ter acontecido em pior hora. Obviamente, durante o inverno, eu fiz trabalho extra à noite. Hinc illae lacrimae [7]. (Marx para Engels, 29 de abril 1858, Marx e Engels 1983: 309).

Marx tentou lutar contra a sua enfermidade, porém depois de tomar muitos remédios sem resultar em nenhum benefício oriundos deles, resignou-se a seguir o conselho do médico que pedia para mudar de ambiente por uma semana e “parar com o trabalho intelectual por um tempo” (Marx para Lassalle, 31 de maio de 1858, Marx e Engels 1983: 321). Então ele decidiu visitar Engels, a quem ele anunciou: “Deixei de lado minhas obrigações” (Marx para Engels, 1 de maio de 1858, Marx e Engels 1983: 312). Naturalmente, durante esses 20 dias em Manchester, ele continuou trabalhando: escreveu um capítulo d`O Capital e as últimas páginas dos Grundrisse.

Lutando contra a sociedade burguesa
Mais uma vez de volta a Londres Marx deveria ter finalizado o texto para enviá-lo aos editores, mas, embora ele estivesse atrasado, ele ainda atrasou o esboço. Sua natureza crítica ganhou a competição no confronto com suas necessidades. Assim, ele informou Engels:

Durante a minha ausência foi publicado em Londres um livro escrito por Maclarem cobrindo toda a história do dinheiro, o qual, de acordo com avaliação da The Economist é de alto nível. O livro não chegou à biblioteca ainda… Obviamente eu preciso lê-lo antes de escrever o meu. Por isso, enviei minha esposa até o editor na cidade, mas para nossa infelicidade, descobrimos que ele custava 9/6 libras, mais do que tudo que temos. Portanto, eu ficaria muito agradecido se você pudesse me enviar uma ordem de pagamento nesse valor. Provavelmente não haverá nada de novo para mim nesse livro, mas com o barulho que a The Economist tem feito sobre ele, e as resenhas que eu mesmo li, minha consciência teórica não me permitirá prosseguir sem antes examiná-lo (Marx para Engels, 31 de maio de 1858, Marx e Engels 1983:317).

Este resumo é muito revelador. A “periculosidade” das resenhas no The Economist para a paz familiar; enviando sua esposa ao City (o centro financeiro de Londres) em uma missão para tratar com dúvidas teóricas; o fato de que suas economias não eram suficientes para sequer comprar um livro; as solicitações freqüentes ao seu amigo em Manchester que requeria atenção imediata: o que pode melhor descrever a vida de Marx naqueles anos e particularmente do que era capaz sua consciência teórica?

Além do seu temperamento complexo, a saúde precária e a pobreza, seus “inimigos” do dia a dia, contribuíam para atrasar a conclusão de seu trabalho ainda mais. Sua condição física piorou novamente, conforme Engels foi informado: “a doença da qual eu sofria antes de deixar Manchester, novamente tornou-se crônica, persistindo por todo o verão, de modo que qualquer tanto que eu escreva me custa um esforço tremendo” (Marx para Engels, 21 de setembro de 1858, Marx e Engels 1983: 341). Além de tudo isso, aqueles meses foram marcados por uma preocupação econômica insuportável que o forçou a viver permanentemente com o “espectro de uma catástrofe definitiva” (Marx para Engels, 15 de julho de 1858, Marx e Engels 1983:328). Tomado pelo desespero novamente, em julho, Marx enviou uma carta para Engels que realmente testemunha a extrema situação na qual ele estava vivendo:

É necessário que juntemos esforços para ver se alguma coisa pode ser feito para sair dessa situação, pois ela tornou-se absolutamente insustentável. Isto já resultou na minha completa incapacidade de fazer qualquer trabalho, em parte porque eu tenho perdido a maior parte do tempo de um lado para o outro em tentativas infrutíferas para levantar dinheiro e parcialmente porque a força da minha capacidade de abstração – devido, talvez, a minha má condição física – não consegue dar conta das lamúrias domésticas. Minha esposa está tendo ataques de nervo por conta dessa miséria… Portanto, a coisa toda se resume no fato de que o pouco que entra em casa nunca é suficiente para o próximo mês, mal é o bastante para reduzir as dívidas… assim, esta miséria é apenas adiada por semanas pelas quais há que se virar de um jeito ou de outro. … nem mesmo o leilão de meus bens domésticos seria suficiente para satisfazer os credores da vizinhança e assegurar um descanso em isolamento. A manutenção de boas aparências que temos mantido tem sido o único meio de evitar o colapso. Se da minha parte eu não ligaria a mínima se vivesse em Whitechapel (área em Londres onde a maioria da classe trabalhadora vivia à época) desde que eu possa finalmente assegurar uma hora de paz na qual eu possa fazer o meu trabalho. Porém, vendo a condição de minha esposa agora, uma mudança repentina assim poderia trazer graves consequências e não seria apropriado para as meninas nessa fase de crescimento… eu não desejaria ao meu pior inimigo passar pelas dificuldades nas quais eu me encontro amarrado nas últimas oito semanas, ressentido das inúmeras frustrações que estão arruinando o meu intelecto e destruindo a minha capacidade de trabalhar” (Marx para Engels, 15 de julho de 1858, Marx e Engels 1983: 328 – 31).

Em que pese o seu estado de extrema pobreza, Marx não deixou que a precariedade de sua situação o vencesse e, no que diz respeito à sua intenção de finalizar sua obra, ele comentou com seu amigo Joseph Weydemeyer: “Eu preciso perseguir meu objetivo a qualquer custo e não deixar que a sociedade burguesa me converta em uma maquina de fazer dinheiro” (Marx para Weydemeyer, 1 de fevereiro de 1859, Marx e Engels 1983: 374).

Enquanto isto, a crise econômica cedia e em breve o mercado recuperava seu funcionamento normal. Na verdade, em agosto um Marx entristecido recorreu a Engels: “nas últimas semanas o otimismo tomou conta do mundo novamente” (Marx para Engels, 13 de agosto de 1858, Marx e Engels 1983:338); e Engels, refletindo sobre a forma na qual a superprodução de mercadorias tinha sido absorvida, afirmou: “nunca antes uma inundação assim, fora drenada dessa maneira tão rapidamente” (Engels para Marx, 7 de outubro de 1858, Marx e Engels 1983: 343). A certeza de que a revolução estava na próxima esquina, que os inspirou por todo o outono de 1856 e encorajou Marx a escrever os Grundrisse, estava dando lugar a mais amarga desilusão: “não há guerra. Tudo é burguês” (Marx para Engels, 11 de dezembro de 1858, Marx e Engels 1983:360). E enquanto Engels se punha duramente contra o “crescente aburguesamento do proletariado inglês” um fenômeno que, em sua opinião, levaria o pais líder em exploração a ter “um proletariado burguês ao lado da burguesia” (Engels para Marx, 7 de outubro de 1858, Marx e Engels 1983: 343), Marx se ateve a cada evento, até mesmo ao menos importante, até o fim: “apesar da onda otimista impulsionada pelo comércio mundial (…) ao menos serve de consolação que a Revolução tenha começado na Rússia, pois considero a convocação dos “notáveis”a São Petersburgo como sendo precisamente o início.” Suas esperanças também se voltaram para a Alemanha: “na Prússia as coisas estão piores do que estavam em 1847”, e também para a burguesia tcheca em sua luta por independência nacional: “movimentos excepcionais estão marchando entre os eslavos, especialmente na Boêmia, que embora seja contra-revolucionária, ainda produz fermento para a mobilização”. Finalmente, como se tivessem sido traídos, ele amargamente afirmou: “Não fará mal nenhum aos Franceses verem que, mesmo sem eles, o mundo se move” (Marx para Engels, 8 de outubro de 1858, Marx e Engels 1983: 345).

Porém, Marx teve que se resignar diante da evidência: a crise não provocou os efeitos sociais e políticos que ele e Engels haviam previsto com tanta certeza. Contudo, ele ainda estava fortemente convencido que era apenas uma questão de tempo antes que a revolução na Europa irrompesse e que o problema, se de fato houvesse algum, seria quais cenários a mudança econômica teria provocado. Portanto, ele escreveu para Engels fazendo um tipo de avaliação política sobre os últimos acontecimentos e uma reflexão sobre os desdobramentos futuros:

Não podemos negar que a sociedade burguesa experimentou pela segunda vez sua volta ao século XVI, um século que, eu espero, soará os dobres de finado do mesmo modo que o primeiro sucumbiu em seu tempo. A verdadeira tarefa da sociedade burguesa é a criação do mercado mundial, ou ao menos da estrutura adequada ao seu funcionamento, e da produção baseada no mercado. Já que o mundo é redondo, me parece que a colonização da Califórnia e da Austrália e abertura da China e do Japão parece ter completado esse processo. A pergunta difícil para nós respondermos é a seguinte: Ela não irá morrer nestes pequenos recantos do mundo, já que o desenvolvimento da sociedade burguesa está apenas começando nestas áreas tão vastas?” (Marx para Engels, 8 de outubro de 1858, Marx e Engels 1983:347).

Estas reflexões incluem duas das mais significativas previsões de Marx: uma delas correta o levou a intuir, melhor que a seus contemporâneos, a escala mundial do desenvolvimento do capitalismo; e uma errada, relacionada à crença de uma revolução proletária inevitável na Europa.

As cartas endereçadas a Engels contêm a crítica ferina de Marx sobre todos aqueles que eram seus adversários políticos no campo progressista. Muitos foram alvos juntamente com um de seus favoritos, Pierre-Joseph Proudhon, a principal figura do tipo de socialismo dominante na França, que Marx considerava como “falso irmão” do qual o comunismo precisava se livrar (Marx para Weydemeyer, 1 de fevereiro de 1859, Marx para Engels 1983: 374). Marx se divertia, vez ou outra, com uma relação de rivalidade com Lassalle, um exemplo disso foi quando ele recebeu o último livro de Lassalle “Heráclito, O filosófo das Trevas”, descrito por Marx como uma “mistura de tolices” (Marx para Engels, 1 de Fevereiro de 1858, Marx e Engels 1983: 258). Em setembro de 1858, Giuseppe Mazzini publicou seu novo “Manifesto” no jornal Pensiero ed Azione (Pensamento e Ação), porém Marx, que não tinha qualquer dúvida sobre ele, afirmou: “o mesmo idiota de sempre”(Marx para Engels, 8 de Outubro de 1858, Marx e Engels 1983: 346). Ao invés de analisar os motivos da derrota de 1848-9, Mazzini “ocupa-se em divulgar a panacéia para a cura da… paralisia política da migração revolucionária”(Marx 1980:37). Ele também criou uma mobilização contra Julius Frobel, um membro do Câmara de Frankfurt em 1848-9 e típico representante dos democratas alemães, que tinha ido para o exterior e se distanciado da vida política “depois que eles conquistaram o pão e o queijo, todos esses safados procuram um pretexto obscuro (blasé) para dizer adeus a luta” ( Marx para Engels, 24 de novembro 1858, Marx e Engels 1983: 356). Por último, como sempre muito irônico, ele ridicularizou a “atividade revolucionária” de Karl Blind, um dos leaders dos imigrantes alemães em Londres:

Ele arranja dois conhecidos em Hamburgo para enviar cartas (escritas por ele mesmo) para jornais ingleses nos quais é mencionado o barulho criado pelos seus panfletos anônimos. Então seus amigos relatam em jornais alemães o burburinho feito na imprensa inglesa. Isto, como você pode ver, é que significa ser um homem de ação de verdade. (Marx para Engels, 2 de novembro de 1858, Marx e Engels 1983:351).

O engajamento político de Marx tinha uma natureza diferente. Ao mesmo tempo em que nunca desistia de lutar contra a sociedade burguesa, ele também se mantinha consciente de seu papel principal nesta luta, que era o de desenvolver uma crítica do modo capitalista de produção por meio de um rigoroso estudo da economia política e uma permanente análise dos eventos econômicos. Por esta razão durante o período de “baixa” da luta de classes, ele decidiu usar seus energias da melhor forma possível mantendo distância de conspirações inúteis e das intrigas pessoais nas quais a competição política se resumia naquela período: “Desde o julgamento em Colônia (aquele contra os comunistas em 1853), eu me retirei completamente para me dedicar aos meus estudos. Meu tempo era precioso demais para ser desperdiçado em empreitadas infrutíferas e contendas inúteis” (Marx para Weydemeyer, 1 de fevereiro 1859, Marx e Engels 1983: 374).

Na verdade, em que pese estar soterrado de problemas, Marx continuou a trabalhar, e publicou seu livro Uma Contribuição à Crítica da Economia Política: Primeira Parte em 1859 pelo qual os Grundrisse havia sido o campo inicial de experimentação. Marx terminou o ano de 1858 do mesmo modo que os anos anteriores conforme sua esposa Jenny escreveu: “1858 não foi um ano bom, mas também não foi ruim, foi um ano em que os dias simplesmente passavam completamente sem novidade. Comendo e bebendo, escrevendo artigos, lendo jornais e fazendo caminhadas: a nossa vida se resumia a isto” (Jenny Marx 1970: 224). Dia após dia, mês após mês, anos após ano, Marx continuou trabalhando na sua obra pelo resto da vida. Ele elaborou os esboços dos Grundrisse e de muitos outros volumosos manuscritos trabalhando na preparação d’ O Capital com uma luta implacável e com uma certeza inabalável de que sua vida pertencia ao socialismo, um movimento pela emancipação de milhões de homens e mulheres.

Traduzido por: Ronaldo da Silva

Referencias
1. Traduções citadas no texto foram feitas pelo próprio autor
2. De acordo com a esposa de Marx, esta mudança tornara-se absolutamente necessária: pois “como todos estavam se tornando filisteus, não poderiámos continuar vivendo como boêmios (da Boêmia)” (Jenny Marx, 1970: 223).
3. Embora eles tenham feito algumas considerações interessantes, Engels definiu o trabalho para a enciclopédia como um “trabalho meramente comercial… que poderia seguramente permanecer enterrado”.
4. Na edição MECW (Marx and Engels Collected Works), esta carta está datada de forma errada como sendo de 16 de janeiro de 1858.
5. – Apesar de ainda não existir uma edição em português desta obra, publicada pela primeira vez na União Soviética em 1939-41, traduz-se por “Elementos fundamentais de crítica da economia política (Rascunhos)”. Nota do comitê editorial de Antítese.
6. Tr “Eu odeio e evito a multidão vulgar” (Horácio 1994: 127)
7. Tr “Por isto aquelas lágrimas”. (Terencio: 2002: 99)

Bibliográficas
Engels, Friedrich (2002) Marx and Engels Collected Works, vol. 49: Letters 1890–92, London: Lawrence and Wishart.
Horace (1994) Odes and Epodes, Ann Arbor: University of Michigan Press.
Marx, Jenny (1970) ‘Umrisse eines bewegten Lebens’ in Mohr und General. Erinnerungen an Marx und Engels, Berlin: Dietz Verlag.
Marx, Karl (1977 [1848]) ‘The Bourgeoisie and the Counter-Revolution’ in Marx and Engels Collected Works , vol. 8: Articles from ‘Neue Rheinische Zeitung’, London: Lawrence and Wishart.
Marx, Karl (1980 [1858]) ‘Mazzini’s New Manifesto’ in Marx and Engels Collected Works , vol. 16: Letters 1858–60, London: Lawrence and Wishart.
Marx, Karl and Engels, Friedrich (1983) Marx and Engels Collected Works, vol. 40: Letters 1856–59 , London: Lawrence and Wishart.
Terence (2002) Andria, Bristol: Bristol Classical Press.

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Esteban Ruiz, Exlibris

El incansable trabajo de Marcello Musto, uno de los principales impulsores a nivel mundial de los estudios marxianos, ha dado otro fruto: De regreso a Marx: nuevas lecturas y vigencia en el mundo actual (2015).

El libro cuenta con una introducción del mismo Musto, que contiene una cronología muy interesante de los textos de Marx, tanto de los manuscritos como de los textos finalizados para la imprenta, luego le sigue una primera parte, donde se recopilan diversos ensayos de distintos especialistas que configuran relecturas actuales de temas como el socialismo, la alienación, el mal menor, la crisis capitalista, entre otros. Finalmente, la segunda parte contiene una serie de estudios sobre la recepción actual de Marx en diferentes ámbitos lingüísticos.

En la introducción, el profesor napolitano plantea la pregunta: ¿Por qué otra vez Marx? La respuesta es contundente: “El redescubrimiento de Marx se basa en su persistente capacidad de explicar el presente: sigue siendo un instrumento indispensable para comprenderlo y transformarlo”. Y menciona dos aspectos de la obra marxiana que, en su opinión, siguen siendo verdaderamente indispensables: en primer lugar, el Marx crítico del modo capitalista de producción, el pensador que define el capitalismo y el régimen de la propiedad privada como históricos y no como inherentes a la naturaleza humana, y que, por ello, todavía hoy ofrece propuestas para quienes buscan alternativas. En segundo lugar, el Marx teórico del socialismo, el cual defiende la posibilidad de una transformación completa de las relaciones sociales y de producción, y repudia la idea de un “socialismo de Estado” que ofrezca paliativos para los conflictos de la sociedad capitalista.

Si esto no fuera suficiente para persuadir al lector, Musto ofrece aún toda una serie de buenas razones por las cuales retornar a Marx. En primer lugar, hoy el legado teórico marxiano no se encuentra confiscado por los marxismos dominantes del siglo XIX y XX, que tendieron a simplificar y falsificar las ideas de Marx. Ya no hay cadenas que restrinjan la interpretación de su pensamiento. En segundo lugar, el legado marxiano se ve constantemente ampliado por las nuevas ediciones Marx-Engels-Gesamtausgabe (MEGA), a punto tal de configurar un nuevo objeto de estudio. En tercer lugar, existe de hecho una generación emergente de jóvenes estudiosos y activistas políticos marxistas: la obra de Marx se está leyendo otra vez en todo el mundo. Por último, las denominadas corrientes posmodernas de pensamiento (fin de la historia, biopolítica) han demostrado su impotencia para comprender el presente y, mucho más, para transformarlo.

En la primera parte del libro, “Relecturas actuales de Marx”, se incluyen diez ensayos con enfoques y metodologías diferentes sobre temáticas variadas, los cuales constituyen la mejor demostración de que, por una parte, el renovado interés internacional en la obra marxiana no es una ilusión sino una verdad y, por otra, de la riqueza y diversidad del pensamiento marxista actual. Mencionaremos los lineamientos generales de cada ensayo.

En “No solo el capital y la clase: Marx sobre las sociedades no occidentales, el nacionalismo y la etnicidad”, Kevin B. Anderson intenta demostrar, a partir de un trabajo riguroso con las fuentes marxianas, algunas inéditas, que es posible pensar desde Marx problemas como la raza, la etnicidad y el nacionalismo, refutando la opinión de ciertos académicos progresistas y de izquierda (Edward Said, por ejemplo). En “El mito del socialismo del siglo XX y la permanente relevancia de Karl Marx”, Paresh Chattopadhyay afirma que el socialismo tal como lo concebía Marx es muy diferente, incluso lo opuesto, del que se desprende de las concepciones teóricas más habituales del socialismo, y también de la práctica real que tuvo lugar en la Unión soviética (como prototipo de todos los socialismos posteriores), concluyendo que el proyecto emancipador socialista marxiano no ha perdido nada de su esplendor y aún vale la pena luchar por él. En “¡Cambiemos al sistema, no a sus barreras!”, Michael Lebowitz sostiene que todos los intentos por regular y mitigar los problemas que el capitalismo ocasiona tanto al medioambiente como a los seres humanos tienen por base la incomprensión de la verdadera naturaleza del sistema capitalista, el cual sigue la “lógica del cáncer: la tendencia a expandirse sin límites”. Por ello, no alcanza con colocar nuevas barreras, que serán superadas por el capitalismo, sino que, para cambiar el sistema, hay que desarrollar la visión de una alternativa. Finalmente, analiza el desarrollo de la experiencia venezolana reciente. En “Marx, la teoría social y la libertad humana”, George Comninel desarrolla los avatares del pensamiento marxiano respecto de la evolución histórica del antagonismo entre aquellos que producen y aquellos que tienen el poder de apropiarse del producto del trabajo ajeno. El autor subraya la necesidad de distinguir las ideas heredadas de los historiadores liberales y Hegel, por ejemplo, y la crítica y reelaboración que de ellas realiza Marx en sus últimos escritos sobre India, China y Rusia, entre otros.

En “El ‘mal menor’ como argumento y táctica, desde Marx hasta el presente”, Victor Wallis señala que, en general, la determinación del mal menor (o la menor cantidad de daño) está presente en toda decisión que implique cálculos defensivos, y analiza su implementación en diversos contextos políticos, desde su utilización por Marx y Engels, Lenin, pasando por la elección presidencial alemana de 1932, hasta el interesante análisis del “malmenorismo” como un imperativo inducido por el sistema electoral de los EE.UU. para debilitar las opciones de izquierda. En la actualidad, según Wallis, el mal menor también se emplea como justificación del capitalismo frente al “mal mayor” del terrorismo. En “Revisitando la concepción de la alienación en Marx”, Marcello Musto, luego de brindar un panorama exhaustivo de las distintas concepciones de la alienación a lo largo del siglo XX, y subrayar la influencia que en ellas tuvieron, primero, la publicación de los Manuscritos económico-filosóficos de 1844 en la década de 1930, y en segundo lugar, la difusión de los Grundrisse y los manuscritos preparatorios para El capital en la de 1960, concluye que aquello que distingue la concepción marxiana de la alienación es su énfasis en lo social, el considerarla una dominación real y concreta que tiene lugar en la economía de mercado una vez consumada la transformación del objeto en sujeto, y no una problemática individual. En “Marx y las formas actuales de la alienación: las cosificaciones inocentes y las cosificaciones extrañadas”, Ricardo Antunes reflexiona acerca de algunas dimensiones de la alienación contemporánea (pasaje del fordismo a la flexibilidad liofilizada) y concluye que, debido a la complejidad que adquiere hoy en día el fenómeno de la alienación, es importante recuperar los análisis de Marx sobre el complejo social de la alienación y retomar la distinción entre cosificaciones inocentes y cosificaciones extrañadas (o alienantes) propuesta por Lukács en la Ontología.

En “Marx y el género”, Terrell Carver interpreta algunos pasajes de La ideología alemana y de El capital para concluir que Marx, en su narrativa, describe a los hombres como víctimas del sistema económico, pero también como amos de esclavos en el contexto familiar, que nunca se plantea la sexualidad masculina como un tema de discusión, que describe la sexualidad reproductiva como igualitaria en “el acto” y el cuidado infantil como trabajo de las mujeres. Finalmente, observa que desestimar la lectura de Marx por ser otro texto “masculino” y lamentar su misoginia como algo endémico equivale a entrar en un callejón sin salida. En “El redescubrimiento de Marx en la crisis capitalista”, Richard D. Wolff plantea que el estallido de la crisis económica de 2008 en EE.UU. puso de manifiesto el rotundo fracaso tanto de la escuela neoclásica como de la keynesiana para prevenir crisis económicas futuras, y que ni una ni la otra han podido siquiera morigerar “la creciente desigualdad en la riqueza y los ingresos, la especulación financiera, los auges económicos y las burbujas, hasta que estallan en crisis”. Surge, entonces, con fuerza una alternativa micropolítica de corte marxista que consistiría en colocar a los trabajadores en la posición de receptores y, por lo tanto, distribuidores de los excedentes que producen en la empresa. Estas empresas de autogestión trabajadora serían un paso importante hacia una democratización económica en EE.UU. En “El capitalismo universal”, Ellen Meiksins Wood sostiene que el momento histórico que estamos viviendo (1997), marcado por una completa universalización del sistema capitalista, cuya lógica se ha trasladado a todos los aspectos de la vida humana y de la naturaleza, es el más propicio para un regreso a las ideas marxianas, ya que el autor de El capital dedicó su vida a explicar el capitalismo en su calidad de sistema cerrado, como una totalidad sistémica que se rige por su propia lógica.

En la segunda parte, “La recepción de Marx en el mundo actual”, se incluyen 10 estudios que abordan la situación actual del redescubrimiento de Marx en las siguientes áreas lingüísticas: América hispana (Francisco T. Sobrino), Brasil (Armando Boito y Luiz Eduardo Motta), mundo anglófono (Paul Blackledge), Francia (Jean-Numa Ducange), Alemania (Jan Hoff), Italia (Gianfranco Ragona), Rusia (Vesa Oittinen), China (Xu Changfu), Corea del Sur (Seongjin Jeong) y Japón (Hiroshi Uchida). Respecto de estos estudios haremos solo algunos comentarios.

Resulta admirable el esfuerzo de Francisco T. Sobrino por condensar en pocas páginas, además de traducir y revisar todo el libro, las corrientes principales de la recepción marxiana en el mundo hispano. Cabría, tal vez, mencionar la publicación de la primera traducción argentina de la tesis doctoral de Marx (Buenos Aires: Gorla, 2013) y la publicación de una selección de sus artículos periodísticos (Barcelona: Alba editorial, 2013), también como efectos del redescubrimiento de Marx. En el estudio de Xu Changfu sobre China1 es posible observar la problemática convivencia entre el tibio surgimiento de relecturas de Marx, a cargo de profesores independientes o bien de figuras intelectuales consagradas muchas veces fuera del país, y la proliferación de materiales en sintonía con la ideología del PCC, que utiliza todavía una versión simplificada y contradictoria del marxismo como instrumentum regni. El autor es perfectamente consciente de que, por ello, su estudio no podrá ser publicado en territorio chino. En cuanto al caso francés, son llamativas las declaraciones de Jean-Numa Ducange de que, por una parte, “hay un importante hiato entre la profusión de contribuciones y referencias a Marx y la disponibilidad y calidad de sus textos”, y, por otra, “al día de hoy, no hay un equivalente francés de las Collected Works”.

De regreso a Marx: nuevas lecturas y vigencia en el mundo actual refuerza la idea de que, en la actualidad, no es posible ya leer a Marx ingenuamente, no es posible leer a Marx sin preguntarnos qué Marx estamos leyendo y qué Marx queremos leer. La respuesta a la primera pregunta nos pone en contacto con el titánico esfuerzo de investigación llevado a cabo en las ediciones Marx- Engels-Gesamtausgabe (MEGA). Caso paradigmático es el de Das Kapital: los materiales que dieron origen a la edición clásica de 3 tomos fueron recuperados por la edición MEGA en 15 tomos (23 volúmenes), cuya publicación finalizó en 2012. La inmediatez temporal con este logro intelectual nos orienta acerca de la segunda pregunta: de ningún modo leemos un filósofo olvidado, pasado de moda, sino que tenemos frente a nosotros una obra in statu nascendi, que tiene todas las marcas de lo provisorio e inacabado.

Es sabido que el principio fundamental que rige la edición MEGA es el de la totalidad: todo debe conservarse. También parece ser éste el principio que rige la labor de Marcello Musto como editor y la de los diversos ensayistas y estudiosos. Un gesto que los caracteriza es el del trabajo esforzado, minucioso con las fuentes, ya sean manuscritos, reediciones en otros idiomas, o bien, materiales ocultados, censurados, casi desconocidos. Este gesto, que aplicado sobre un legado teórico ampliado posibilita la emergencia de relecturas, rectificaciones, nuevas visiones, etcétera, es también un gesto distintivo de Marx al menos desde su tesis doctoral.

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巴黎手稿”解读中的“青年马克思”问题

马塞洛·马斯托 张秀琴 刘娟译

内容提要: 本文聚焦于“巴黎手稿”(“巴黎手稿”包括通常被称为《1844年经济学哲学手稿》的三个手稿和“穆勒评注”,本文主要聚焦于《1844年经济学哲学手稿》)的传播与接受史,以期对学界围绕马克思“早期”和“晚期”著作而展开的相关论争作一批判性考察。

几乎所有公开出版的有关马克思早期著述的重要研究文献(特别是在德语区、法语区、苏联和英语国家),都吁求要对马克思的“巴黎手稿”进行全新的和严格的解读;同时,也几乎是所有的解释者都理所当然地假定,“巴黎手稿”是一部业已完成的著作。然而,通过《1844年经济学哲学手稿》及所谓的“巴黎笔记”的文本分析,使我们有可能一方面反对将前者视为一部完全成熟的文献并借此宣称马克思思想是一个以其为基础的整体,另一方面也反对将其视为一个定义明确的理论文献并借此将之与马克思成熟时期的“科学”阶段相对立。

关键词: 青年马克思;“巴黎手稿”;《1844年经济学哲学手稿》;《1844年经济学哲学手稿》出版附录

一 1932 年的两个版本
[1844年经济学-哲学手稿](以下简称[手稿])①是马克思最著名的文献之一,亦是在全球范围内传播最为广泛的著述之一。尽管“巴黎手稿”在全面理解马克思思想中起着十分重要的作用,但在其写作完成后很长一段时间内,它们却一直深藏高阁,鲜为人知,直到一个世纪之后才被编辑加工并予以公开发表。然而,这些“手稿”的公开出版绝非故事的终结。实际上,它触发了学界冗长的关于该文献属性的持续论争:有论者认为,与马克思后来的政治经济学批判文献相比,“巴黎手稿”尚属未成熟著述;也有论者认为,与马克思后期《资本论》相比,“巴黎手稿”中保持有更多浓厚而宝贵的哲学底蕴。由此便打开了有关马克思思想中的“早期”和“成熟”时期的关系问题这一研究域。与此相关的一系列子问题亦被论及,它们包括:“青年马克思”的著述可否被纳入作为一个整体的“马克思主义”体系之内?马克思的全部著述中是否存在一个从启发式的灵感阶段到完备理论实现的有机形成过程?抑或存在两种不同的马克思?对于上述问题的不同理解,也体现了政治的维度。1930年代的苏联马克思主义学者,以及大多数“共产国际”内部或与其保持密切关系的研究者,所提供的是一个还原论式的解释;而那些“批判的马克思主义者”则给予[手稿]更高评价,并从中找到了可借此打破苏联版马克思主义正统地位的强有力证据(特别是与异化概念相关的)。无论如何,各种阅读方法都无不昭示了这样一个基本事实,即理论和政治的冲突是如何不断歪曲马克思著作的本意以便服务于文本之外的其他目的的。

[手稿]第一部分于1927年公开出版,其编辑整理者系苏联著名马克思主义学者、时任马克思-恩格斯研究院(莫斯科)院长的梁赞诺夫。出版时,该文献被纳入标题为“《神圣家族》的准备稿”系列②,其内容包括后来被称之为“第三手稿”的主体部分③。在一篇“导言”中,梁赞诺夫强调了马克思在写作[手稿]时所取得的明显理论推进。在他看来,公开发表该“手稿”的伟大意义远非纯粹的文献猎奇,而是标志着马克思思想发展轨迹中的一个重要的阶段④。不过,认为“第三手稿”是《神圣家族》的准备材料的说法,却是错误的。诚如马克思自己所指出的,其内容的落脚点主要是在政治经济学批判分析上,这与马克思早期的其他著述内容十分不同。

1929年,梁赞诺夫的编辑本被翻译成法文,分成两部分发表在《马克思主义杂志》上(分别发表在2月号和6月号上,标题为“共产主义和私有财产笔记”和“需求、生产和分工笔记”)⑤。同年,苏联第一版《马克思恩格斯文集》(1928~1947)将俄文二版的该文献收入其第3卷,保留了与1927年版一样的断片形式和错误标题⑥。1931年,《在马克思主义旗帜下》杂志首次发表了该文献的德文版片段,标题为“黑格尔辩证法和一般哲学批判”⑦。

[手稿]的全文本于1932年首次在德国公开发表。实际上,在1932年同时出现了令人混乱的两个版本。第一个版本是社会民主党学者兰夏特和迈耶的编辑本(后者将[手稿]收入了两卷本的《历史唯物主义:早期著述》文集中)⑧。其实,早在1931年,迈耶就已为此作了铺垫:他写了一篇文章,提前预告了将有一份非常重要的、但却“至今不为人知的马克思的著述”要出版⑨。不过,该文集中所收录的并非“手稿”的完整版,且包含许多明显的错漏之处:“第一”手稿全部丢失;“第二”和“第三”手稿的编排次序混乱;传说中的“第四”手稿其实不过是黑格尔《精神现象学》最后一章的摘要,并无马克思本人只言片语的相关评论。为方便理解,混乱的编辑顺序依然照旧:III-II-IV。同样严重的问题还包括:誊写原始手稿时的错漏和标题的误用,如“政治经济学和哲学:论政治经济学和国家、法、伦理学和市民生活的关系”。这些都彻底违背了马克思在原始手稿“序言”中的相关表述,即“在本著作中谈到的国民经济学同国家、法、道德、市民生活等等的联系,只限于国民经济学本身专门涉及的这些题目的范围”⑩。最后,编辑还不寻常地在“编者前言”中指出,该文献或写于1844年2月~8月之间。

该版本起初的计划是出版该文献的单行本,标题为“论政治经济学与国家、法、伦理学和市民生活的关系,以及黑格尔精神现象学批判”,并由迈耶负责编辑部分的工作、所罗门负责解释部分的工作。可是,在对原始手稿进行第二版审读过程中,插入了先前提及的兰夏特和迈耶的文集(11)。该版本尽管存在着重大的编辑和解释错误,但依然在德语区得到了广泛传播,并成为1937年朱尔斯·莫利托(Jules Molitor)法译本的底版。

同样出现在1932年的[手稿]的第二个全文本,是“莫斯科马克思恩格斯研究所”(IME)编辑的本子——被收录在旧MEGA第1部分第3卷中。这是第一个完整的学术编辑本,也是第一个以“1844年经济学哲学手稿”命名的本子(12)。至此,三个“手稿”的顺序才得以正确编排,其誊写的准确度也远高于兰夏特-迈耶的编辑本。导言的篇幅依然十分有限,但重建了文献的起源。而且,每个“手稿”前面都配有简短的文献说明。该卷册的副标题是“政治经济学批判,含黑格尔哲学章”,并将各“手稿”分别安排在如下标题下:“第一手稿——‘[工资]、[资本利润]、[地租]、[异化劳动]’;第二手稿——‘[私有财产关系]’;第三手稿——‘[私有财产和劳动]、[私有财产和共产主义]、[需求、生产和分工]、[货币]、[黑格尔辩证法及其一般哲学批判]’”。所谓的第四手稿(即对黑格尔著述的摘录)以“附录”的形式出现,标题为“马克思对〈精神现象学〉最后一章的摘录”。

然而,(旧)MEGA的编辑不得不给该“手稿”命名,并对其总体内容进行辨认,进而将马克思写的“序言”放在编辑本的一开始(而不是像原始手稿中那样,放在第三手稿部分),以便最终说明,马克思旨在进行政治经济学批判,且他已经认识到自己的这一工作已在“手稿”中得以肇始(13)。

这一版本的特殊意义在于,它是马克思在巴黎时期所撰写的笔记的集合。在被置于该卷册第2部分的标题为《摘录笔记:巴黎,1844年初至1845年初》的文献中,也包含有先前未出版的马克思对恩格斯、萨伊、斯卡贝克(Frédéric Skarbek)、斯密、李嘉图、穆勒、麦克卡洛克(John R.MacCulloch)、托拉西、博伊斯吉尔伯特(Pierre de Boisguillebert)等人著述的摘录。编者还提供了一份对马克思在巴黎时期所写的9个笔记本的内容说明,并对这些摘录进行了目录编排(14)。同时,苏联的编辑错误地解释说,马克思是在阅读、整理和摘录大量的政治经济学著作之后才写的[手稿](15)。实际情况是,创作过程与写作和摘录是同时交叉开展的过程(16)。摘录工作一直贯穿着整个巴黎时期,从发表在《德法年鉴》上的论文到《神圣家族》皆如此。

二 后来的翻译和重印
鉴于其高超的文献学质量,(旧)MEGA的“巴黎手稿”成为了日后几乎所有文字译本的首选底版。如第一个日文译本(1946)、两个意大利文译本(博比欧1949年本和沃尔佩1950年译本)、第一个英文译本和中文译本(皆为1956年),以及法译本(1962年,它替代了上述1937年的那个不可信的版本)。

(旧)MEGA版的重大价值也得到了新教神学家埃里克-梯耶尔的认可,他于1950年将各种德文版进行了综合(17)。但是,事后证明,他的综合本不过是对(旧)MEGA本和兰夏特-迈耶本的错漏百出的混合。该本子主要出自于(旧)MEGA本,但(像他之前的两位社会民主党学者一样)梯耶尔决意省略掉“第一手稿”。与此类似,他接受了(旧)MEGA版中多数释义条目,但在准确性方面也再次犯了和兰夏特-迈耶一样的严重错误,同样遵循了后者误导性的标题法。

1953年,兰夏特-迈耶的本子再版了一个修订本。这一次编者变成了兰夏特一个人,文献名则变成《政治-经济学手稿(1844)》(18)。然而,1932年本中的错误仍未得到改进,唯一的完善就是基于(旧)MEGA的本子,对一些誊写错误进行了修改。两年后,又出现了《短篇经济著作文集》(19),该文集收录了未包含有最后一章(也即《黑格尔辩证法和一般哲学批判》)的[手稿]。该版本也对1932年的(旧)MEGA本进行了一些修订。

就在这些相较于1932年的(旧)MEGA本仍然有很多局限性并意味着某种退步的新德文本陆续出版的同时,[手稿]在苏联和东欧地区却遭到了各种迫害和排斥。1954年,“莫斯科马克思-列宁主义研究院”(IME的新名称)决定放弃将马克思未完成的“巴黎手稿”收录入正在准备出版中的新俄文版《马克思恩格斯文集》(K.Marks-F.Engels Sochineniya),并因此忽略了有利于正确澄清马克思思想谱系的诸多重要著述。不过,这一编辑政策并没有得到持续而严格的贯彻。最终于1955~1966年正式出版的新俄文版《马克思恩格斯文集》所收录的马克思的著述要比1928~1947年间出版的第一个俄文本多出许多,只是[手稿]和[政治经济学批判大纲]并未被收入其中。与其说这是一个编辑的原因,毋宁说是审查制度的结果。另一方面,马克思的其他著述则被纳入其中,如《黑格尔法哲学批判》被收入其第1卷、《德意志意识形态》也收入了其第3卷。

[手稿]于1956年(20)以单行本的形式予以出版,书名为《青年时期著作摘编》(21)。印数只有60000册,远远低于同时期出版的其他马克思著述的印数。[手稿]首次被收录入《马克思恩格斯文集》的时间是近20年后的1974年——作为第XLII的增补卷(22)。1974年版重新核对了原始手稿原文(依据保存在“阿姆斯特丹国际社会史研究所”中的原始手稿照相版——该研究所至今仍保存有2/3的马克思-恩格斯原始手稿(23))。事实证明,这是一个聪明的决策,因为它使得编辑有机会对1932年版本中的许多重要的错漏进行修改。例如,“第一手稿”的最后一行,先前被誊写为“Kollision wechselseitiger Gegenstze”(即“彼此对立的冲突”)的句段后来被改正为“feindlicher wechselseitiger Gegensatz”(即“敌对的彼此对抗”);在数个段落中,“Genu”(即“享受”)被正确地修改为“Geist”(即“精神”)。马克思本人在原始手稿中所犯的错误也得到了纠正,如他将斯密的“三个生产阶级”错误地引述为“三个原始阶级”(24)。而且,马克思摘录的所有引言都在印刷时用了小一号的字体,以便易于辨认这是马克思引述他人的话,而不是马克思本人的话(25)。

如苏联版中的情况一样,前东德出版的《马克思恩格斯著作集》(MEW,1956~1968,共39卷)也没有收录[手稿]。本来按年代顺序应该在第2卷(1962)出版,但最终它们却出现在项目结束之际的1968年出版的增补卷(Ergnzungsband)中(26)。这种隐身局面一直维持到1981年,自那以后,直至1985年,“巴黎手稿”的编辑工作前后历经四次,最终作为MEW的第Xl卷部分内容出版,标题为《1837年-1844年8月间的著述和书信》。其依据的母本系1932年的(旧)MEGA本,同时参考了批评机构对1955年《早期时期著作摘编》提出的意见,并对一些誊写错误进行了修改。

自最初的(旧)MEGA版之后,[手稿]直到新MEGA(即MEGA2)工程时才被正式收入“社会主义阵营”的“马克思恩格斯著作全集”之中——该工程自1975年开始陆续出版,“巴黎手稿”被正式收入其I/2卷(1982年出版)。此时,距离其第一次公开出版,已过去五十多年。在新版中,“手稿”是以“历史考证版”的形式予以刊印的,即分为两部分:第一部分(Erste Wiedergabe)刊印的是马克思当初留下来的全部现存原始手稿文字(因此也包含有“第一手稿”);第二部分(Zweite Wiedergabe)按章节编排,所采用的编页码方法参考了先前诸多版本的做法(27)。该版还对先前(特别是“序言”部分)的誊写错误进行了进一步修订(28)。作为一个(由于马克思不同手稿所带来的)老大难问题(同时也是MEGA2的难题),马克思对黑格尔《精神现象学》最后一章的摘录,既出现在的MEGA2I/2卷中,也出现在其后来出版的IV/2卷中(作为马克思这一时期所做的摘录笔记)(29)。实际上,在1981年出版的的第IV/2卷中,还首次收录了马克思在巴黎时期摘录的其他人的系列笔记,如舒茨(Carl W.C.Schüz)、李斯特(Friedrich List)、奥森德(Heinrich F.Osiander)、普雷沃斯特(Guillaume Prevost)、塞诺方特(Senofonte)、巴里特(Eugène Buret)等,而这些在(旧)MEGA中是没有的。“巴黎笔记”的完整出版完成于1998年MEGA2第IV/3卷的正式出版——该版本中收录有马克思对吉恩·劳(Jean Law)、劳德戴尔(James Lauderdale)和一本佚名罗马史手册的摘录笔记。总之,正是在MEGA2中,[手稿]和马克思在巴黎时期所做的全部笔记,皆得到完整的首次公开出版。

三 对 [ 手稿 ] 的早期解释
自1932年首次公开出版以后,[手稿]就立即成为“苏联马克思主义”和“西方马克思主义”之间论争的主要焦点之一。伴随着该“手稿”公开出版而展开的相关译介工作,愈发加深了其间的分歧。阿多拉茨基(MEGA编委会主任,1931年继梁赞诺夫之后接任“马克思-恩格斯研究院”也即日后更名为“马克思恩格斯列宁研究院”的院长)认为,[手稿]的主题是“货币、工资、资本利息和地租分析”,在他看来,此时的马克思已经形成了“关于资本主义一般特征”的看法(虽然还没有正式的术语来予以表述),这一想法稍后在《哲学的贫困》和《共产党宣言》中得以再现(30)。相形之下,兰夏特和迈耶(31)则认为[手稿]“实体部分已预示着《资本论》的到来”(32),因为在马克思的全部作品中,随后出现的著述“在根本上并无新观点出现”。在他们看来,[手稿]实际就是“马克思的核心著作,它标志着马克思思想发展的关键所在,直接从‘真正的人的现实’观念中提取到经济分析的原则”。这两位德国论者甚至认为,马克思的目的并不是“生产方式的社会化”和通过“对剥夺者的剥夺”来消灭“剥削”,而是要完成“人的实现(die Verwirklichung des Menschen)……因为没有这个前提,其他就都没有任何意义了”(33)。虽然兰夏特-迈耶竭力主张的只是[手稿]代表着马克思思想发展的关键(34),然而这一解释很快就大获成功,并被认为是“青年马克思”神话的最初来源。

关于[手稿]的重要性,最先加入相关评论者和论争者行列的两位作者,分别是德-曼(Henri de Man)和马尔库塞(Herbert Marcuse)。他们二人的相关评述在某些方面与兰夏特-迈耶的论点类似。在《新发现的马克思》(发表在1932年《奋斗》杂志)一文中,德-曼强调指出:“这本迄今为止仍未知的著作,对于正确评价马克思理论的发展和意义非常重要。虽然相比马克思的其他著作,《1844年经济学哲学手稿》在表述上不太明晰,但它却揭示了马克思社会主义信仰得以形成的伦理-人道主义动机,以及在马克思毕生科学活动中得以表达的价值判断”(35)。

在这个比利时论者看来,解释马克思思想的关键问题在于:“人本主义阶段是否应该被视为马克思后期所克服的阶段,抑或相反,是马克思一生一以贯之的持续思想。”(36)德-曼清楚地表明,他自己的观点是认为“巴黎手稿”中业已包含着马克思后来所构建的所有观念。他指出,“在手稿中”,“以及更广泛的1843年至1846年的著述中,马克思所形成的基本立场和判断,构成了其所有后期思想发展的基础”;因此,“1844年的马克思属于马克思主义,就像1867年的马克思,或者……1890年的恩格斯”(37)。无论如何,德-曼呈现的是:在马克思那里有两种马克思主义,即青年时期的人本主义的马克思主义和成熟时期的马克思主义;在取得伟大理论突破方面,前一个要优于后一个,因为后者意味着“马克思创造力的下降”(38)。

马尔库塞也同样认为,[手稿]揭示的是马克思政治经济学批判的哲学前提。在其《历史唯物主义的基础》(最初发表在1932年的《社会》(Die Gesellschaft)杂志)一文中,马尔库塞指出,“马克思《1844年经济学哲学手稿》的出版[无疑]会成为马克思主义研究史中的重大事件”,因为它将“关于历史唯物主义的来源和最初意义的讨论”置于“新的立足点”。现在我们可以认为,“借助于对人的存在及其历史现实性的一个极其特别和哲学的解释,经济学和政治学已经成为革命理论的政治-经济基础”。另外,[手稿]业已明示了来自第二国际和苏联马克思主义相关论点的错误,也即他们所认为的,在马克思那里存在着一个“从哲学阶段到经济学阶段的转型,并在后一个阶段中克服了哲学且最终永久地‘完成’了哲学”。鉴于[手稿]的出版,将不再可能认为马克思主义在本质上就是一种经济教条(39)。

几年后,对“青年马克思”的兴趣导致论者开始探究马克思和黑格尔的思想关系问题——这一脉的研究因黑格尔耶拿时期手稿的新近出版而愈发受到鼓舞(40)。卢卡奇1938年的《青年黑格尔》就是对这两位德国作家早期著述进行马克思主义比较研究的典型案例。在他看来,在[手稿]中,马克思对黑格尔的借鉴已远超出对后者的直接引用和评论。事实上,马克思的经济学分析本身,就是受到了对黑格尔哲学观批判的启发所致。“因此在马克思的这部手稿里,经济学和哲学的结合乃是方法论上的一个深刻的必然,是实际排除唯心主义辩证法的先决条件。所以如果以为马克思对黑格尔的批评是直到手稿的最末一部分批判《精神现象学》时才开始的,那就太肤浅、太表面了。前面那些纯经济学的部分,虽然从来没明白指出黑格尔的名字,却包含着后来的分析批判的最重要的理论根据,那就是,从经济学上给异化事实作了说明”(41)。

另一位在讨论马克思和黑格尔思想关系问题时影响不可小觑的人物是科耶夫。在其关于《精神现象学》的系列讲座中,科耶夫对两者的思想关系进行了更为深入的探讨,虽然在他这里,黑格尔的著述从属于对马克思思想的阅读(42)。最后,洛维特(Karl )在其《从黑格尔到尼采》中也涉及了同一主题,这无疑也是当时重要的研究黑格尔主义以及后黑格尔主义哲学的力作(43)。
第二次世界大战后,这一论争在德国重启。1950年代早期,梯耶尔的《巴黎经济学-哲学手稿中的青年马克思人类学研究》(44)、柏匹兹(Heinrich Popitz)的《异化的人》(45),以及霍梅斯的《技术的爱欲》(46)的出版都是例证。这三本书虽稍有差别,但都助推了这样一种观念,即[手稿]是马克思一生最根本的著述。短期内,这一解读在各个国家的各门学科的相关理解中占据了主导地位,一时间,几乎所有严肃的马克思思想研究者都无法回避这一焦点问题,即如何阐释青年马克思的文本。

四 战后法国的“青年马克思”风尚
基于对二战的罪恶及其法西斯主义和纳粹主义暴行的反思,个体(人)在社会中的生存状况和命运问题,得到了前所未有的彰显(47)。在欧洲各地几乎都可以看到人们对马克思哲学兴趣的日增,尤其是在法国,对马克思早期著述的研究最为普遍(48)。正如列斐伏尔所指出的,这是“这一时期具有决定性[的]哲学事件”(49)。从那时起直至1960年代,诸多论者皆从不同文化和政治背景出发,以期在马克思主义、黑格尔主义、存在主义和基督教思想之间建立某种哲学综合。

在1948年的《意义与无意义》(Sense and Non-sense)中,梅洛-庞蒂认为马克思早期思想就是“存在主义”(50)。阅读了[手稿]之后,且在科耶夫的影响下,他开始相信:真正的马克思主义,就是与教条的苏联经济主义马克思主义根本不同的彻底的人本主义,而马克思的[手稿]则为这一人本主义马克思主义的重建提供了可行的前提基础。许多存在主义哲学家都作了与此类似的解读,为此,他们不惜囿于马克思早期这一(从)未完成的“手稿”的思想成果,而几乎完全忽视了对《资本论》的研究(51)。

[手稿]这一创造了误导性的“哲学马克思”形象的文本,同样也被用来创造另外一个(虽是不太普遍的)错误形象,即“神学马克思”。耶稣会作家比格(Pierre Bigo)和卡维兹(Jean-Yves Calvez)思想中的伦理特征非常类似于大多数天主教中民主和进步派别所涉及的社会正义观。的确,他们的一些断言令人惊讶地肤浅和混乱。例如,在《马克思主义和人本主义》中,比格写道:“马克思不是一个经济学家,他没有对政治经济学作出过贡献……当他间接地去思考这些议题时,他是异常模糊和自相矛盾的。”(52)卡维兹也在《卡尔-马克思的思想》(1956)中写到,尽管“马克思并没有公开出版今天被我们叫作[手稿]的文献,但了解到了这一文献的今天的我们却可以说,他那时就已经掌握了其后期著述所需要的基本原则”(53)。在这一语境中,卡拉蒂(Roger Garaudy)也声称自己找到了马克思早期著述中的重要的、核心的人本主义影响,并因此表示自己支持在马克思主义和其他(特别是基督教)文化之间展开对话(54)。

阿隆(Raymond Aron)对上述趋势进行了针锋相对的抨击。在《想象的马克思主义》(1969)中,他写到,“耶稣会的神父”和“巴黎式的半马克思主义者”,身处现象学-存在主义哲学的成功气氛之中,“根据[较早]哲学乌托邦时期的马克思的著述来解释成熟[马克思]时期的著述”,甚至“让《资本论》屈从于早期的[手稿],这些人论述的模糊性、片面性和矛盾性,皆源自于科耶夫和费萨尔神父所奠定的解读资源”(55)。这些人没能理解的是,“若非马克思寄望于为未来的共产主义奠定严格的科学基础,他就无需花费30年的时间致力于《资本论》(依然属于未完成的著述)——而只需几周或几页纸的篇幅就已足够”(56)。
纳维利(Pierre Naville)则采取了与存在主义者和神学家们截然不同的思考路径。他认为,随着思想的发展,马克思明显改变了早期的想法,即“从哲学转向了科学”(57)。于是,在其《崭新的利维坦》第1卷(1954)中,他采纳了诸如超越“马克思思想的黑格尔起源”的观点,并吸取了那些没能理解马克思“为了进行《资本论》分析已经放弃了早期思想”的论者的教训(58)。而在写于1967年的新序言中,纳维利指出,马克思“放弃了如异化等大量迷惑的概念”,并把它们“托付给哲学的殿堂,而代之以对剥削和压迫关系更为严格的分析”(59)。

原本这也是柯诺(Auguste Cornu)的看法。继阿多拉茨基之后,柯诺的博士论文《卡尔-马克思:其人其作》(60)(1934年初版,是其四卷本巨著《马克思和恩格斯》的雏形(61))将[手稿]严格置于苏联阐释传统之中(62)。此后,在四卷本中的第3卷《马克思在巴黎》中,柯诺又回避了将早期马克思和后来的政治经济学批判文献进行对比的做法,并对[手稿]进行了更为节制和冷静的评价。

1955年,在其受众颇广的《马克思和黑格尔研究》中,依波利特(Jean Hyppolite)强调了在严肃分析马克思早期和后期思想关系时考量黑格尔思想影响的重要性。他指出,“马克思的著作中包含有基础性的哲学观,其各个组成要素无法轻易予以重建”,因此他认为,“如果缺乏对其思想形成和发展构成基础性影响的黑格尔的著述如《精神现象学》、《法哲学原理》和《逻辑学》的了解,就无法理解马克思的《资本论》”(63)。

吕贝尔(Maximilien Rubel)也认为在马克思[手稿]和后期著述之间存在着一种理论上的连续性。在其《卡尔-马克思思想字典》(1957)中,他指出,[手稿]中的异化劳动范畴是“[马克思]随后所有的经济学和社会学著作的关键”,也是“《资本论》的核心议题”。所以,这位20世纪最伟大的马克思学家之一也认为,“在马克思首次批判私有财产的这部手稿和其后期的资本主义经济学分析之间”存在着“明显的彻底一致性”(64)。阿克洛斯(Kostas Axelos)则在《马克思思想中的异化、实践和科技》(1961)中声称,[手稿]“业已并一直是所有马克思和马克思主义著述中内容最为丰富的部分”(65)。

列斐伏尔是少数几个采取更为平衡策略的论者之一,他总是将[手稿]置于它尚是一部未完成著述的位置来把握其意义和价值。由此,他在《日常生活批判》(1958)中写道:“在早期著作中,尤其是在《1844年经济学哲学手稿》中,马克思还没有完全形成其思想。然而正是在这一著作中,马克思的思想开始萌芽、成长、蜕变。……我的观点是历史唯物主义和辩证唯物主义在该著作中已经确立。它不是在马克思的著作和人类历史中经历了断裂之后、不是在某一时刻,以一种绝对的非一贯性的形式突然确立的。……这些早期著作已经包含了马克思主义,但只是作为一种潜在,当然不是完全的马克思主义”(66)。

阿尔都塞则坚决反对马克思早期和后期思想间存在一致性的论调,实际上,他是“绝对断裂论”的最坚决的拥护者。其论文集《保卫马克思》是论及马克思早期文本的著述中得到最为广泛讨论的文献之一。阿尔都塞的立场是,《关于费尔巴哈的提纲》和《德意志意识形态》标志着马克思思想发展中的一个明显的“认识论断裂”(epistemological break),是对“他过去的哲学(意识形态)信仰”的批判(67)。因此,马克思的著作可分为前后两个本质不同的时期,即“1845年断裂前是意识形态阶段,1845年断裂后是科学阶段”(68)。黑格尔和马克思的思想关系固然重要,但那只涉及[手稿]时期,也即马克思思想的“意识形态-哲学时期”:“青年马克思实际上从来不是黑格尔派,而首先是康德和费希特派,然后是费尔巴哈派。因此,广为流传的所谓青年马克思是黑格尔派的说法是一种神话。相反,种种事实表明,青年马克思在同他‘从前的哲学信仰’决裂的前夕,却破天荒地向黑格尔求助,从而产生了一种为清算他的‘疯狂的’信仰所不可缺少的、奇迹般的理论‘逆反应’”(69)。阿尔都塞因此认为,吊诡的是,[手稿]恰恰标志的是马克思思想发展中“黎明前黑暗的著作偏偏是离即将升起的太阳最远的著作”(70):“离马克思最远的马克思正是离马克思最近的马克思,即最接近转变的那个马克思。马克思在同过去决裂以前和为了完成这一决裂,他似乎只能让哲学去碰运气,去碰最后一次运气,他赋予了哲学对它的对立面的绝对统治,使哲学获得空前的理论胜利,而这一胜利也就是哲学的失败。”(71)

阿尔都塞奇妙的结论是,“我们绝对不能说‘青年马克思是马克思主义’”。阿尔都塞学派就这样在马克思思想发展过程中进行了断然的二分:1845年前的马克思,依然处于费尔巴哈式的哲学人类学阶段;《德意志意识形态》则标志着马克思新历史科学的奠基。在朗西埃的《“批判”概念和“政治经济学批评”:从“手稿”到〈资本论〉》一文(刊发于法文初版《阅读〈资本论〉》中,亦是第一个和最重要的讨论这一思想关系问题的文献)看来,正确理解马克思思想发展的一个主要障碍在于“他从未对于自己所使用的词汇进行过批判”。根据朗西埃的判断,“尽管我们可以只是以断言的形式判定马克思理论活动过程中的断裂……但他本人却从未将这一差异固化和理论化”。有时,如以异化和拜物教为例,“同一术语可用来既表达人类学概念、又表达《资本论》中的观念。[……而且]因为马克思并没有严格地使用这些概念,以至于最初的用词含义几乎使得后来的内涵无路可走”(72)。

阿尔都塞总是坚持认为有“两个马克思”,在其《答刘易斯》一文中,他对自己先前在《保卫马克思》中的某些说法进行了自我反思:“在我的头几篇文章中,我曾提出,在1845年的‘认识论上的断裂’以后(在马克思借以创立历史科学的发现以后),异化和否定的否定(及其他一些)哲学范畴消失了。刘易斯回答说,情况并非如此。他是对的。你们肯定能在《德意志意识形态》、《政治经济学批判大纲》(马克思不曾发表的两部著作)中发现这些概念(直接地或间接地),而且在《资本论》中也能看到这些概念。”(73)尽管如此,他依然重申了自己的基本断言,即在马克思思想发展过程中存在着分水岭:“如果你们看看马克思的全部著作,那么毫无疑问在1845年存在着某种‘断裂’。……‘认识论上的断裂’是一个不归点,……的确,异化这个词语马克思用了好几次。但是这一切在马克思后来的著作中和列宁的著作中都消失不见了。是完全消失不见。因此我们可以简单地说:重要的是倾向。而且马克思的科学著作的确有排除这些哲学范畴的倾向。……但是这还不够。而且这里也是我对自己的自我批评。……我把‘认识论上的(=科学的)断裂’与马克思的哲学革命等同起来了。更确切地说,我没有把马克思的哲学革命从‘认识论上的断裂’分开来。……这是一个错误。……从那以后,我开始‘纠正错误’。……1.不可能把哲学归结为科学,不可能把马克思的哲学革命归结为‘认识论上的断裂’。2.马克思的哲学革命是先于马克思的‘认识论上的断裂’的。它使得这种断裂成为可能。”(74)在其自我反思材料中,阿尔都塞还补充说,1845年,马克思的一些概念如“异化”还会“断断续续地被使用”:“因为从整体来说,除开它们在马克思著作中消失的倾向之外,还有一个必须加以说明的奇怪现象:它们在某些著作中完全消失,然后接着又重新出现。例如,……在《政治经济学批判大纲》(马克思在1857~1858年写的草稿,他不曾发表过)中却多次提到异化”(75)。

根据阿尔都塞的看法,马克思之所以再次使用这一概念,仅仅是因为“他在1858年曾‘偶尔’重读黑格尔的《逻辑学》,并且为之着迷”(76)。然而,这一解释却是无法令人信服的,因为在《政治经济学批判大纲》以及其他有关《资本论》的准备手稿中,马克思就已求助于这个概念,而这些都是发生在他再次阅读黑格尔《逻辑学》之前的。当然,无论如何,马克思对待“异化”概念的方式是完全不同于黑格尔的。对于阿尔都塞来说,它就是一个“哲学概念”,是“马克思科学著述中倾向于予以摒弃的”概念;但实际情况却是,无论是在[手稿]中、《政治经济学批判大纲》中,还是《资本论》(及其其他准备稿)中,这个范畴都在描述资本主义经济和生产系统中的劳动和社会关系特征时扮演着十分重要的角色(77)。

最终,对阿尔都塞主义最有分量的反对,来自于对马克思实际文本的哲学分析,因为,尽管《政治经济学批判大纲》据说是“马克思在1857~1858年写的草稿……但不曾发表过”之作(78),但别忘了《德意志意识形态》也是未完成稿,特别是其中所谓“论费尔巴哈”的第一章,都是(旧)MEGA编辑整理后于1932年首次公开出版的,而阿尔都塞却似乎把它当做一个近乎完整的著作,并主要借助于此构筑其关于“认识论断裂”的学说(79)。关键不是要否认马克思思想发展的成熟和他致力于政治经济学批判工作时经历了重大变化——这一点已经是显而易见的事实,并已为多数论者所赞同——而是要反对阿尔都塞的不恰当做法,即将这一断裂极端理论化;据此,[手稿]和其他早于《政治经济学批判大纲》的文本,就被隔离于马克思主义之外,而非马克思思想发展整体中的组成部分。

即便是在其晚年的《自我批评材料》中,阿尔都塞也没有改变自己的这一立场。他当然也正确地指出了这一事实,即要想在马克思“更早期的著述”中找到《德意志意识形态》手稿中出现的“基本理论概念”(如“生产方式”、“生产关系”和“生产力”等),确系徒劳之举;但他却依然错误地将“异化劳动”排除在马克思思想发展之外,给它贴上纯粹哲学概念的标签。对阿尔都塞来说,马克思的[手稿]“并不是修改后的”政治经济学概念,而且“在他批评他们的时候,他是从哲学上来批评他们,因此是从外部”(80)。而《德意志意识形态》则被认为是一个“空前绝后”的“开创性事件”:它打开了“历史新大陆”。

难以置信的是,仿佛这次“开创性事件”完全是事先安排的,且是在短短几周之内就发生了的。曼德尔(Ernest Mandel)对这一说法进行了批评。在《马克思经济思想的形成》(1967)中,他将阿尔都塞的错误溯及其试图“将[手稿]呈现为一部业已完成的、‘构成为一个整体’的意识形态”。在他看来,阿尔都塞“在反对那种分析-目的论式的方法时是正确的,这种方法只关注作者年轻时期的著作,以便看出这些著作离它的‘目标’有多近,即离其成熟时期的著作有多近。但阿尔都塞却错误地在另一种方法上权衡利弊,这种方法将一个作者发展历程中的连续阶段任意地分割为在意识形态上合乎逻辑的片段,其所依据的托辞就是将每一个意识形态都视为整体”。至于马克思是否在[手稿]中“已经摒弃了所有的哲学沉渣,从而使自己的思维方式完全变成严格的社会学和经济学”,曼德尔的回答是否定的。因为[手稿]标志着“青年马克思开始从黑格尔和费尔巴哈的哲学过渡到对历史唯物主义的思考中。在这一转变过程中,过去的因素不可避免地与未来的因素混合在一起。马克思以自己的方式将这些因素结合起来,即彻底改变黑格尔的辩证法、费尔巴哈的唯物主义和由政治经济学所构建的社会事实。这种结合并不合乎逻辑,它没有产生新的‘体系’、新的‘意识形态’,它呈现给我们的是包含许多矛盾的零散碎片”(81)。

于是在法国,存在主义视[手稿]为具有高度激发作用的文本,基督教神学也视其为人本主义的标杆;而另一群论者则指责[手稿]为年轻人的哲学剩饭、甚或质疑它的合法“马克思主义”身份;还有一些人认为[手稿]是理解马克思后期经济学著述之哲学前提的关键之作。毫无疑问的是,数十年间,[手稿]吸引了很多人的关注,这不仅限于马克思主义学术圈,几乎所有最为热销的哲学著述都不能例外。

五 西方社会主义阵营和英语国家的 [ 手稿 ] 研究
多年来,社会主义阵营(主要指苏联、前东欧)要么忽视[手稿],要么就是给它一个浅显的、有限的解释。斯大林主义意识形态(斯达汉诺夫主义作为其旗帜之一)依然对[手稿]中所明显持有的异化概念保持着深深的敌意。正是因为这个原因,马克思的早期著述——从1930年代开始就被“西方马克思主义”奉为最值得关注的文献——要想在社会主义阵营立足,还有很长的路要走。
前东德论者门德(Georg Mende)的《卡尔-马克思从社会民主主义者到共产主义者的转变》就是其中的明例。无论是1954年的第一版还是1955年的第二版,该书都没有提供任何说明[手稿]的文字,而只是指认其为“重要著述的准备稿”(82)。1960年,仅仅因为无法再继续保持沉默了,门德决心对该书第三版的部分内容进行修改。

在20世纪四五十年代,其他所有论者也都表现出相似的“低评+回避”的复杂态度。这一局面在1950年代后期开始松动。在社会主义阵营内,[手稿]的研究正式启动,并因此带来了大量高质量的相关论著,如卢森伯格(D.I.Rosenberg)的《马克思和恩格斯1840年代经济学理论的发展》(1958年初版)(83)。1961年,《国际马克思主义之光精选》(Recherches Internationales à la Lumière du Marxisme)特刊以“青年马克思”为标题首次以欧洲语言公开出版,里面收录有苏联学术界研究[手稿]的多篇文章。这些作者包括:巴库哈彻(O.Bakouradze)、拉宾(Nikolai Lapin)、博柯林斯基(Vladimir Brouchlinski)、帕基特诺夫(Leonid Pajitnov)和奥特博(A.Outbo)。此外还包括波兰学者沙夫(Adam Schaff)、德国学者沃尔夫冈·雅恩(Wolfgang Jahn)和哈普纳(Joachim Hoeppner),以及意大利共产党总书记陶里亚蒂(84)。这一理论成果尽管仍然带有那个时期的意识形态痕迹,但却是社会主义阵营首次试图解决“青年马克思”问题,以便对“西方马克思主义”一边倒的阐释立场作出回应。有些论文还为思考非系统性阅读马克思文本的可能性问题提供了建言。如帕基特诺夫就指出,在[手稿]中,“马克思的基本观点仍在形成中,还有那些重要构想中的新的世界观也只是初具轮廓。在这些思想中,我们经常会发现马克思不成熟的想法,它们作为马克思进行反思的材料,一方面被打上了理论资源的标签,另一方面马克思也将它们作为对自己学说进行详尽阐述的起点”(85)。

不过,该文集中许多作者的立场还是很成问题的。与这一时期法国所形成的阐释风气(即致力于通过研究早期著述中的范畴来再思考《资本论》中的观念)不同,苏联的研究者一般都会犯相反的错误,即基于马克思后期理论的发展来分析其早期著述。正如阿尔都塞在为该文集所写的评论(标题也是《青年马克思》,稍后作为一章发表在《保卫马克思》一书中)中指出的,他们通过成熟时期的文献来过滤早期的著述(86)。这种对马克思思想的预期式判断,阻碍了他们充分理解马克思早期著述的理论意义。“当然,我们知道青年马克思必将成为马克思,但我们不打算代替马克思去生活,代替他去抛弃旧事物和发现新事物,从而加速马克思的成长过程。我们将不像迎接一名赛跑运动员那样,事先在跑道终点等他,以便他一到终点就给他披上斗篷。因为事情已经过去,马克思也早已到达了终点”(87)。

图切谢瑞尔(Walter Tuchscheerer)的著述却截然不同。实际上,他的书《〈资本论〉之前》(1968)是东欧社会主义阵营国家中研究青年马克思经济思想最优秀的著作之一。该书首次批判考察了“巴黎笔记”和1844年手稿(88)。

在苏联版“辩证唯物主义”教条的影响下,[手稿]的研究进展缓慢,且还面临着严峻的意识形态和政治阻挠;而它在英语国家的传播与接受也并非一帆风顺。事实上,第一个译本所引发的谨慎的兴趣也只是发生在1961年的美国。那时的文化和政治氛围(依然笼罩的是麦卡锡主义)或许影响了出版商下决心以弗洛姆(Erich Fromm)的名义出版该著作,且在弗洛姆写了一长篇导言以介绍这是“马克思主要的哲学著作”(89),并声明“异化概念(the concept of alienation)”(90)之后才下决心予以出版。一时间,众多美国的研究者都重复了这一立场,一致强调马克思的思想源自于黑格尔(91)。不过,这里也有不同的声音(有时只是为了挑战对[手稿]重要性的过分强调),并向相反的方向走得很远。如丹尼尔·贝尔就指出,将黑格尔和马克思视为双生子,不过是“制造了另一个神话”,因为,“如果一伺发现了解答黑格尔政治经济学‘秘密’的答案,马克思立即就会忘掉所有的哲学”(92)。

在两者之间建立某种关联的主要著述,要数塔克(Robert Tucker)的《马克思的哲学和神话》(1961)。该书认为,“[马克思的]思想从早期著述到《资本论》,存在着一种连续性”(93),而且“异化主题贯穿始终”(94)。在有了这样的确信之后他就可以说:“早期著述中所明显呈现的异化哲学,是马克思对主体问题的最后贡献……马克思思想从早期哲学阶段到后期神话阶段的发展,在1844年手稿中已有预兆,《资本论》是其从早期开始的所有思想的逻辑成果”(95)。

在20世纪六七十年代,大多数马克思思想的英美阐释者都倾向于接受这一信条。因此,尽管在早期“巴黎笔记”和已出版了鸿篇巨制的1/4世纪之后的马克思之间并无多大联系,但麦克莱伦在其1970年的《马克思主义以前的马克思》中却依然认为,“1844年夏季里,马克思开始构思一篇政治经济学的批判文章,实际上,这是马克思在1867年写成《资本论》之前一系列草稿的第一篇。”(96)。他还得出结论说,“马克思的早期著作中包括所有后来马克思思想含有的论题,并把它们写了出来。”(97)。

奥尔曼的《异化》(1971年版,其注定是关于“青年马克思”论争中最有影响力的著述之一)也对[手稿]采取了赞赏态度。他写到:“我并不强调马克思思想中的变化,因为我没有看到它有多少改变,尤其是在比较1844年之后马克思主义的本质联系时更是如此”(98);“即使是在出版的《资本论》中,也存在着很多马克思早期的思想和概念,而不是刚刚被认识到的概念。”(99)。这一信条在阿尔都塞学派的统治范围之外得到了最为广泛的接受。费彻尔(Iring Fetscher)就是其翻版,在后者的《马克思和马克思主义》(1967)中,作者指出:“马克思在[手稿]和其他40年代中期的笔记中所确立的批判范畴,仍然是《政治经济学批判大纲》中他对政治经济学进行批判的基础。同样的情况也适用于《资本论》(1867),而且老年马克思也从未放弃使用这些范畴。换言之,[……不仅]对早期著作的阐释有助于我们理解马克思之所以要写政治经济学批判的原因(《资本论》),而且……晚期的政治经济学批判仍间接地、甚至部分直接地包含有对异化和物化的同样批判,而这也是马克思早期著作的核心议题”(100)。

注释

1. 本文中,将沿用MEGA编辑的用法,将马克思原始手稿整理出版时由编辑(梁赞诺夫)所添加的标题名称,都放在中括号(即“[ ]”)里。
2. Karl Marx,“Podgotovitel’nye raboty dlya Svyatogo Semeistva”,ed.by David Ryazanov,Arkhiv K.Marksa i F.Engel’sa,3(1927),pp.247~286.
3. 保存下来的[手稿]共分三个部分,第一部分总共27页,第二部分4页,第三部分41页,其中还应加上对黑格尔《精神现象学》最后一章的内容简介,马克思将其夹在了第三手稿中。参见Marx,“Podgotovitel’nye raboty dlya Svyatogo Semeistva”,op.cit.
4. See David Ryazanov,“Ot reinskoi Gazety do Svyatogo Semeistva”(Vstupitel’s naya stat’s ya),Arkhiv K.Marksai F.Engel’sa,3(1927),pp.103~142.
5. Karl Marx,“Notes sur le communisme et la propriété privée”,La Revue Marxiste,1(February 1929),pp.6~28; andKarl Marx,“Notes sur les besoins,la production et la division du travail”,La Revue Marxiste,5(June 1929),pp.513~538.
6. Karl Marx,“Podgotovitel’nye raboty dlya Svyatogo Semeistva”,ed.by David Ryazanov,in K.Marksa-F.Engels Sochineniya,vol.3,Moscow-Leningrad,1929,pp.613~670.
7. Karl Marx,“Kritik der Hegelschen Dialektik und der Philosophie überhaupt”,Unter dem Banner des Marxismus,5:3(1931),pp.256~275.
8. “National und Philosophie.über den Zusammenhang der National mit Staat,Recht,Moral,und bürgerlichem Leben(1844)”,in Karl Marx,Der historische Materialismus.Die Frühschriften,ed.by Siegfried Landshut and Jacob Peter Mayer,Krner,1932,pp.283~375.
9. Jacob Peter Mayer,“über eine unverffentlichte Schrift von Karl Marx”,Rote Revue,5(1930~1931),pp.154~157.
10. Karl Marx,“Economic-Philosophic Manuscripts of 1844”,in Marx Engels Collected Works,Lawrence & Wishart,1975~2005,vol.3,p.273.也参见《1844年经济学哲学手稿》(单行本),人民出版社,2000,第3页。
11. (32)(33)(34)See Siegfried Landshut and Jacob Peter Mayer,“Vorwort der Herausgeber”,in Marx,Der historische Materialismus.Die Frühschriften,ed.by Siegfried Landshut and Jacob Peter Mayer,Krner,1932,pp.vi ~vii,p.vi,p.xxxviii,p.xiii.
12. Karl Marx,-philosophische Manuskripte aus dem Jahre 1844,MEGA I/3,Marx-Engels-Verlag,1932,pp.29~172.
13. See Jürgen Rojahn,“Der Fall der sog”,“-philosophische Manuskripte aus dem Jahre 1844”,International Review of Social History,28:1(April 1983),p.20; and Jürgen Rojahn,“The Emergence of a Theory:the Importance of Marx’s Notebooks Exemplified by Those from 1844”,Rethinking Marxism,14:4(2002),p.33.
14. (24)See Marx,MEGA,vol.I/3,op.cit.,pp.411~416,p.472(line 2); and MEGA I/3,op.cit.,p.68(line 19).
15. See David Mclellan,Marx after Marxism,Penguin,2nd rev.edn,1972,p.210; or Jacques Rancière,“The Concept of‘Critique’and the‘Critique of Political Economy’(from the 1844Manuscript to Capital)”,Economy and Society,5:3(1976),pp.352~376.
16. Nikolai,Der junge Marx(Berlin:Dietz,1974),pp.303~305.
17. Karl Marx,National und Philosophie,ed.by Erich Thier,Kiepenheuer,1950.
18. 参见Karl Marx,Die Frühschriften,ed.by Siegfried Landshut,Kröner,1953.这一版本,重新印刷了七次,最终于2003年由一个小型历史哲学出版机构出版;Oliver Heins and Richard Sperl,“Editorische und überlieferungsgeschichtliche Anmerkungen”,in ibid.,Kröner,2003,pp.631~652.
19. Karl Marx and Friedrich Engels,Kleine Schriften,Dietz,1955,pp.42~166.
20. Karl Marx and Friedrich Engels,Iz rannikh proizvedennii,Marx-Engels-Verlag,1956,pp.519~642.
21. (25)See Vladimir Brouchlinski,“Note sur I’histoire de la rédaction et de la publication des Manuscrits économicphilosophiques de Karl Marx”,in varii,Sur le jeune Marx,special issue of the journal Recherches Internationales à la lumiere du marxisme,V ~VI:19(1960),p.78,p.79.
22. Karl Marx and Friedrich Engels,Sochineniya,vol.XLII,Politizdat,1974,pp.41~174.
23. Maria Hunink,De Papieren van de Revolutie,International Instituut voor Sociale Geschiedenis,1986.
26. Karl Marx,“-philosophische Manuskripte aus dem Jahre 1844”,in Marx-Engels-Werke.Ergnzungsband.Erster Teil,Dietz,1968,pp.465~588.
27. See Karl Marx,MEGA2I/2,Dietz,1982,pp.187~322and 323~438.
28. 根据第I/2卷的编辑按语,这些包含了“对先前版本的必要修正”(see ibid.,p.35); 关于所有誊写细节,请参见《序言》的各种版本(ibid.,pp.842~852)。
29. SeeMEGA2 I/2,op.cit.,pp.439~444; and Karl Marx,MEGA2IV/2,Dietz,1981,pp.493~500.
30. Victor Adoratskij,“Einleitung”,in MEGA I/3,op.cit.,p.xiii.
31. 事实上,由两名编辑共同署名的导言其实是兰夏特自己所写,这个导言在同一年以一个单独的小作品的形式得以出版,参见Siegfried Landshut,Karl Marx,Charles Coleman,1932.对这一立场的批判,请参见Georg Lukács,Der junge Marx,Neske,1965,pp.12~13.
35. (36)(37)(38)Henri de Man,“Der neu entdeckte Marx”,Der Kampf,XXV:5~6(1932),P.224,P.224,p.276,p.277.
39 .Herbert Marcuse,Studies in Critical Philosophy,New Left Books,1972,p.3f.
40. Georg W.F.Hegel,Jenenser Logik,Metaphysik und Naturphilosophie,ed.by Georg Lasson,Felix Meiner,1923; and Georg W.F.Hegel,Jenenser Realphilosophie,ed.by Johannes Hoffmeister,Felix Meiner,1931.
41. Georg Lukács,The Young Hegel:Studies in the Relations between Dialectics and Economics,Merlin Press,1975,pp.548~549.也参见卢卡奇《青年黑格尔》,王玖兴译,商务印书馆,1963,第116~117页。另一有助于我们认识到[手稿]的革命性影响的文献是卢卡奇接受《新左派评论》的生平访谈:“阅读这些手稿改变了我与马克思主义的整个关系,并且转变了我的哲学视角”。参见““Lukács on his Life and Work”,New Left Review,68(JulyAugust 1971),p.57.Cf.Georg Lukács,Towards the Ontology of Social Being,3vols,Merlin Press,1978~1980.
42. Alexandre Kojève,Introduction to the Reading of Hegel,Ithaca,Cornell University Press,1980.
43. Karl ,From Hegel to Nietzsche,3rd rev.edn,Constable,1965.
44. 这篇论文采取的形式是对马克思的思想进行严肃的编辑导论,参见:Nationalund Philosophie,op.cit,pp.3~127.这篇论文后来以单独著作的形式重印,参见Erich Thier,Das Menschenbild desjungen Marx,Vandenhoeck & Ruprecht,1957.
45. Heinrich Popitz,Der entfremdete Mensch.Zeitkritik und Geschichtsphilosophie des jungen Marx,Verlag fur Recht und Gesellschaft,1953.
46. Jakob Hommes,Der technische Eros:Das Wesen der materialistischen Geschichtsauffassung,Herder,1955.
47. See Adam Schaff,Marxism and the Human Individual,McGraw-Hill,1970,Chapter 1.
48. 参见Ornella Pompeo Faracovi,Il marxismo francese contemporaneo fra dialettica e struttura(1945~1968),Feltrinelli,1972,especially pp.12~18。
49. Henri Lefebvre,“Le marxisme et la pensée franaise”,Les Temps Modernes,137~138(1957),p.114.
50. 参见Maurice Merleau-Ponty,Sense and Non-sense,Evanston,Northwestern University Press,1964。尤其是该书的“马克思主义和哲学”章;Cf.Lars Roar Langset,“Young Marx and Alienation in Western Debate”,Inquiry,6:1(1963),p.11。
51. 参见D’une Sainte Famille à l’autre,Essais sur les marxismes imaginaires,Gallimard,1969,p.44.
52. Pierre Bigo,Marxisme et humanisme,Presses universitaires de France,1953,p.248.
53. Jean-Yves Calvez,La Pensée de Karl Marx,Seuil,1956,p.25.
54. Roger Garaudy,From Anathema to Dialogue:The Challenge of Marxist-Christian Cooperation,Collins,1967.
55. (56)Aron,op.cit.,p.74,p.119.关于加斯顿·费塞德(Gaston Fessard)在这场辩论中的作用,请参见Fessard,Le dialogue catholique-communiste est-ilpossible?,Grasset,1937。
57. (58)(59)Pierre Naville,Le nouveau Léviathan 1.De l’aliénation à la jouissance,Anthropos,1967,p.23,p.22,pp.12~13.
60. Auguste Cornu,Karl Marx—L’homme et l’oeuvre.De l’hégélianisme au matérialisme historique,Felix Alcan,1934.
61. Auguste Cornu,Marx et Engels,4vols,Presses universitaires de France,1955~1970.
62. 这种情况同样存在于埃米尔·博特格利( Bottigelli),他为1960年代早期新翻译出版的[手稿]写了导言。参见émile Bottigelli,“‘Présentation’to Karl Marx”,Manuscrits de 1844,éditions Sociales,1962,especially pp.lxvi ~lxix。
63. Jean Hyppolite,Studies on Marx and Hegel,Harper & Row,1969,pp.148、150.
64. Maximilien Rubel,Karl Marx:Essai de biographie intellectuelle,Rivière,1957,pp.121~123.
65. Kostas Axelos,Alienation,Praxis and Technē in the Thought of Karl Marx,Austin,University of Texas Press,1976,p.45.
66. Henri Lefebvre,The Critique of Everyday Life,vol.1,Verso,1991,pp.79~80.
67. (68)(69)(70)(71)(86)(87)Louis Althusser,For Marx,Allen Lane,1969,p.33,p.34,p.35,p.36,p.159,p.56f,p.70.也参见阿尔都塞《保卫马克思》,顾良译,商务印书馆,2010,第15页;第16页;第18页;第19页;第150页;第40页脚注;第58页。
72. Rancière,op.cit.
73. (74)(75)(76)(78)(80)Louis Althusser,Essays in Self-Criticism,New Left Books,1976,p.65,pp.65~66,p.70,p.70,p.70,p.109.也参见阿尔都塞《自我批评论文集》,杜章智、沈起予译,台湾远流出版事业股份有限公司,1990,第76页;第77~80页;第81~82页;第82页;第82页;第170页。
77. 参见Herbert Marcuse,Reason and Revolution,Humanity Books,1999,p.258;也参见马尔库塞《理性和革命:黑格尔和社会理论的兴起》,重庆出版社,1993,第235页。
79. See Marcello Musto,“Vicissitudini e nuovi studi de L’ideologia tedescha”,Critica marxista,6(2004),pp.45~49; and Terrell Carver,“The German Ideology Never Took Place”,History of Political Thought,XXXI:1(2010),pp.107~127.
81. Ernest Mandel,The Formation of the Economic Thought of Karl Marx,Monthly Review Press,1971,p.158.
82. Georg Mende,Karl Marx’ Entwicklung von revolutionren Demokraten zum Kommunisten,Dietz,1960,p.132.
83. D.I.Rosenberg,Die Entwicklung der Lehre von Marx und Engels in den vierziger Jahren des 19.Jahrhunderts,Dietz,1958.
84. 论文《正确理解拉布里奥拉的思想》在1964年首次发表于意大利共产党的理论刊物《新生》上。该论文展现了[手稿]的重要性如何在一些与苏联有联系的马克思主义者身上变得明显,例如陶里亚蒂。作者认为,“巴黎手稿”“开辟了对资本主义社会的整体批判”,这项理论任务在马克思晚年的著作中成功完成,并在《资本论》中达到顶峰。但是,这项理论任务也可以说在“巴黎手稿”中已经完成了大部分……尽管它的形式并不简单,但是我们仍能感觉到马克思主义的全部已经包含于此了(In Sur le jeune Marx,op.cit.,pp.48~49)。与之相对,德拉·沃尔佩在《卢梭与马克思》(Editori Riuniti,1956)一书中则认为马克思青年时期的主要著作不是“巴黎手稿”(该手稿是作者的经济学哲学“笔记”),而是《黑格尔法哲学批判》,在后一著作中包含了“一种新的哲学方法的一般前提”(p.150)。
85. Léonide Pajitnov,“Les Manuscrits économico-philosophiques de 1844”,in Sur le jeune Marx,op.cit.,p.98.
88. Walter Tuchscheerer,Bevor‘Das Kapital’entstand:die Entstehung der Theorie von Karl Marx,PahlRugenstein,1973.
89. (90)Erich Fromm,Marx’s Concept of Man,Frederick Ungar,1961,p.iv,p.50.
91. 这一发展趋势的先行者是悉尼·胡克,参见他的著作:Towards an Understanding of Karl Marx,Gollancz,1933.
92. Daniel Bell,“The‘Rediscovery’of Alienation:Some Notes along the Quest for the Historical”,The Journal of Philosophy,56:24(1959),p.935and 944.
93. (94)(95)Robert C.Tucker,Philosophy and Myth in Karl Marx,Transaction,2001,p.7,p.169,p.238.三年后,杜娜叶夫斯卡娅在《马克思主义和自由:从1776年至今》提出了一个非常类似的观点:“马克思在早期著作中表达的思想是马克思主义的本质,因为这些思想在之后的39年里马克思从未放弃,并且一直在不断发展。当然,马克思主义变得更为丰富,……但是,马克思从未放弃过他早期的人本主义思想,只不过在其他时期他称之为共产主义”(Marxism and Freedom:From 1776until Today,Pluto Press,1975,p.64)。
96. (97)McLellan,Marx before Marxism,op.cit.,p.162,p.256.也参见戴维·麦克莱伦《马克思主义以前的马克思》,李兴国等译,社会科学文献出版社,1992,第168页;第229页。
98. (99)Bertell Ollman,Alienation:Marx’s Conception of Man in Capitalist Society,Cambridge University Press,1971,p.xiv,p.xv.也参见奥尔曼《异化:马克思论资本主义社会中人的概念》,王贵贤译,北京师范大学出版社,2011,“序言”第6页;“序言”第7页。
100. Iring Fetscher,Marx and Marxism,Herder and Herder,1971,p.9.
101. Shlomo Avineri,The Social and Political Thought of Karl Marx,Cambridge University Press,1968,p.13.
102. (103)(104)(105)(106)(107)Mészáros,op.cit.,p.232,p.17,p.11,p.20,p.23,pp.112~113.
108. 109)Adam Schaff, Alienation as a Social Phenomenon, Pergamon Press,1980,p.49,p.102.
110. 1939~1942的第一版几乎没人知道。参见Ernst Theodor Mohl,“Germany,Austria and Switzerland”; Lyudmila L.Vasina,“Russia and the Soviet Union”,in Karl Marx’s Grundrisse.Foundations of the Critique of Political Economy 150Years Later,ed.by Marcello Musto,Routledge,2008,pp.189~201and 202~212.
111. 这一时期值得一提的著作包括:Solange Mercier-Josa,Pour lire Hegel et Marx,éditions sociales,1980; Retour sur le jeune Marx.Deux études sur le rapport de Marx à Hegel,Meridiens Klincksieck,1986; Christopher J.Arthur,Dialectics of Labour.Marx and His Relation to Hegel,Basil Blackwell,1986; Nasir Khan,Development of the Concept and Theory of Alienation in Marx’s Writings.March 1843to August 1844,Solum,1995.
112. Takahisa Oishi,The Unknown Marx,Pluto,2001; Jean-Louis Lacascade,Les métamorphosesdu jeune Marx,Presses Universitaires de France,2002.
113. 这个书目列表涵盖了截至1982年[手稿]的各种版本。这些版本出自:Karl Marx/Friedrich Engels.Das elende der klassischen deutschen Philosophie.Bibliographie,ed.by Bert Andréas,Schriften aus dem Karl-Marx-Haus,1983,pp.64~72.

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La minacciosa avanzata dell’estrema destra in Europa

Il sesto paese per numero di abitanti dell’Unione Europea vira a destra. Dopo aver vinto le presidenziali di maggio, il partito populista Diritto e Giustizia è il grande favorito delle odierne elezioni polacche, che dovrebbero sancire la sconfitta di Piattaforma Civica, i liberal-conservatori – ma europeisti – al governo dal 2007.

A differenza dei frequenti richiami al nazionalismo e alla parola d’ordine “Prima ai polacchi”, le rivendicazioni in materia economica di Diritto e Giustizia sono state incentrate sulla promessa di aumentare la spesa sociale, migliorare il livello dei salari e abbassare l’età pensionabile. Un programma di sinistra, in un paese dove la sinistra ha difeso il neoliberismo e occupa, oggi, una posizione del tutto marginale. Una vicenda, quest’ultima, che si è ripetuta anche in altre parti del continente.

Negli ultimi anni, ovunque in Europa è aumentata l’ostilità, di larga parte dell’opinione pubblica, verso la politiche di austerità imposte dalla Troika.

Il panorama politico europeo è mutato per effetto del successo di movimenti populisti (come l’UKIP in Inghilterra e il M5S in Italia) e della significativa avanzata delle forze dell’estrema destra.

Il primo di questi fenomeni ha avuto quali comuni denominatori l’euroscetticismo e una generica denuncia della corruzione del sistema. Il secondo, invece, ha registrato un cambiamento nel discorso dei partiti xenofobi e nazionalisti che, alla classica distinzione tra destra e sinistra, hanno sostituito quella “tra l’alto e il basso”. In questa nuova polarizzazione, le forze dell’estrema destra si sono candidate a rappresentare quest’ultimo, il popolo, contro l’establishment e i poteri che hanno favorito lo strapotere del mercato.

Il “nuovo” volto della destra

L’impianto ideologico dell’estrema destra si è trasformato. La componente razzista è stata, in molti casi, messa in secondo piano rispetto alle tematiche economiche. L’opposizione alle, già cieche e restrittive, politiche sull’immigrazione, attuate dall’Unione Europea, si è rafforzata facendo leva sulla guerra tra poveri, ancor prima che sulla discriminazione basata sul colore della pelle o sul credo religioso. In un contesto di disoccupazione di massa e di grave conflitto sociale, la xenofobia è lievitata attraverso una propaganda che ha rappresentato i migranti quali principali responsabili dei problemi in materia di occupazione e servizi sociali.

Questo mutamento di rotta ha sicuramente influito sul risultato del Fronte Nazionale in Francia, che ha raggiunto il 25,2% alle amministrative del 2015.

In Europa, sono alleate del partito guidato da Marine Le Pen altre consolidate forze politiche, che chiedono, da tempo, l’uscita dall’euro, la revisione dei trattati sull’immigrazione e il ritorno alla sovranità nazionale. Tra esse, le più rappresentative sono il Partito della Libertà Austriaco, che la scorsa settimana ha sfiorato il 31% alle elezioni municipali di Vienna, e il Partito per la Libertà, terza forza politica in Olanda.

Le forze populiste hanno compiuto rilevanti avanzamenti anche in altre regioni d’Europa. Il Partito del Popolo Svizzero ha vinto, con quasi il 30% dei voti, le elezioni del 18 ottobre e in Scandinavia l’estrema destra costituisce, oramai, una realtà ben consolidata.

Nella patria del “modello nordico”, i Democratici Svedesi, nati attraverso la fusione di diversi gruppi neo-nazisti, sono stati, con il 12,8% delle preferenze, il terzo partito più votato alle legislative del 2014.

In Danimarca e in Finlandia vi sono stati risultati ancora più sorprendenti. Il Partito Popolare Danese è stato il movimento politico più votato alle ultime elezioni europee. Tale successo è stato confermato alle legislative del 2015, in seguito alle quali, con il 21% delle preferenze, è entrato nella maggioranza di governo. Dopo le elezioni del 2015, sugli scanni dell’esecutivo di Helsinki sono saliti anche i Veri Finlandesi, col 17,6% dei voti.

In Norvegia, infine, è arrivato per la prima volta al governo il Partito del Progresso, di vedute politiche analogamente reazionarie.

L’avanzata dell’estrema destra, in una regione dove le organizzazioni del movimento operaio hanno esercitato per lungo tempo un’indiscussa egemonia, non è avvenuta soltanto per merito di classiche campagne reazionarie, come quelle contro la globalizzazione, l’arrivo di nuovi richiedenti asilo e lo spettro della “islamizzazione” della società. Alla base del suo successo vi è stata la rivendicazione di politiche – tradizionalmente di sinistra, ma abbandonate dalle socialdemocrazie – in favore dello stato sociale. Si tratta, però, non più del welfare universale, inclusivo e solidale del passato, ma di un tipo diverso, basato sul principio di fornire diritti e servizi esclusivamente ai membri della già esistente comunità nazionale.

Al grande consenso ricevuto nelle zone rurali e di provincia, depopolate e con tassi di disoccupazione da primato (le stesse dove, in Grecia, raccolgono molti voti i neo-nazisti di Alba Dorata), i populisti scandinavi hanno, così, aggiunto quello di una parte della classe lavoratrice, che ha ceduto al ricatto “immigrazione o stato sociale”.

Pericolo a Est

L’estrema destra è riuscita a riorganizzarsi anche in diversi paesi dell’Est. L’Unione Nazionale Attacco in Bulgaria, il Partito Slovacco Nazionale e il Partito Grande Romania sono alcune delle forze politiche che hanno ottenuto buoni risultati elettorali e la presenza in parlamento.

In questa zona d’Europa, il caso più allarmante è quello dell’Ungheria. In seguito alla grave crisi deflazionistica, innescata dalle severe misure di austerità che sono state introdotte dai socialisti, in ossequio alle intimazioni della Troika, è giunto al potere il partito Fidesz. Dopo aver epurato la magistratura e messo sotto controllo i mass media, nel 2012 il governo ungherese ha introdotto una nuova costituzione dai connotati fortemente autoritari.

Inoltre, dal 2010, il Movimento per un’Ungheria Migliore (Jobbik) è diventato il terzo partito del paese (20,5% alle elezioni del 2014). A differenza delle forze presenti nell’Europa occidentale e scandinava, Jobbik rappresenta il classico esempio – oggi dominante a Est – di formazioni di estrema destra, che continuano a utilizzare l’odio contro le minoranze (in particolare quella Rom), l’antisemitismo e l’anticomunismo quali principali strumenti di propaganda e di azione.

In questi anni, dunque, i partiti della destra estrema hanno decisamente ampliato il loro consenso quasi in ogni parte d’Europa. In molte occasioni, sono stati in grado di egemonizzare il dibattito politico e, in alcuni casi, sono riusciti ad andare al governo. L’espansione dell’Unione Europea a levante ha decisamente spostato a destra il baricentro politico del continente, come hanno testimoniato le rigide posizioni oltranziste, assunte dai governi dell’Europa orientale, durante le recente crisi in Grecia e di fronte all’arrivo dei popoli in fuga dai teatri di guerra.

Si tratta di un’epidemia molto preoccupante, alla quale non si può certo pensare di rispondere senza combattere il virus che l’ha generata: il mantra neoliberista oggi ancora tanto in voga a Bruxelles.

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O avanço da extrema direitana Europa

O sexto maior país da União Europeia em número de habitantes fez uma guinada à direita. Depois de ter se afirmado nas presidenciais de maio, o partido populista Lei e Justiça venceu as eleições polonesas, obtendo não apenas 39% dos votos, mas a maioria absoluta no Parlamento.

Diferentemente dos recorrentes apelos ao nacionalismo e à palavra de ordem “primeiro aos poloneses”, as reivindicações do Lei e Justiça no campo da economia se concentraram na promessa de aumentar os gastos sociais, melhorar os salários e reduzir a idade para a aposentadoria. Um programa de esquerda, em um país onde a esquerda defendeu o neoliberalismo e ocupa, atualmente, uma posição absolutamente marginal – situação que se repete em outros lugares do continente.

Nos últimos vinte anos, o poder de decisão na Europa transitou em grande parte da esfera política àquela econômica. A economia se tornou um âmbito separado e intocável, que faz escolhas decisivas, porém fora do alcance do controle democrático. A uniformidade na essência das decisões tomadas pelos governos de muitas nações e, em geral, a crescente hostilidade de grande parte da opinião pública em relação à tecnocracia de Bruxelas contribuíram para provocar uma grande mudança no cenário europeu.

O vento populista
Os bipartidarismos instituídos, como aqueles espanhol e grego, implodiram. O mesmo rumo parece tomar a bipolaridade dos casos italiano e francês, da qual havia derivado uma nítida divisão de votos entre posicionamentos de centro-direita e de centro-esquerda.

O panorama político europeu foi modificado – sem considerar a alternativa ao neoliberalismo proposta por Syriza e Podemos, que merece uma reflexão à parte – pelo acentuado crescimento dos índices de abstenção, o surgimento de partidos populistas e o notável avanço das forças de extrema direita. O primeiro fenômeno se manifestou no momento das eleições legislativas de quase todos os Estados europeus.

O segundo, por sua vez, nasceu com a onda anti-europeísta. Nos últimos anos, surgiram novos movimentos políticos declarados “pós-ideológicos”, que se guiaram pela denúncia genérica contra a corrupção do sistema ou o euroceticismo. Em 2006, com base nesses princípios, o Partido Pirata foi fundado na Suécia e na Alemanha; em 2009, o Movimento 5 Estrelas se tornou a primeira força política na Itália, com 25,5% dos votos. Em 2013, nasceu em Berlim o Alternativa para a Alemanha. Em 2014, foi a vez do O Rio (TP) na Grécia e do crescimento em escala nacional do Ciudadanos (C’s), movimento fundado na Catalunha em 2006.

No mesmo período, organizações partidárias já há tempos existentes se afirmaram com propostas políticas parecidas. O caso mais ilustrativo é o doPartido pela Independência do Reino Unido (UKIP), que com 26,6% dos votos se tornou a primeira força nas últimas eleições europeias, acima do Manica.

A “nova” face da direita
O terceiro fenômeno aparece quando os efeitos da crise econômica começaram a ser sentidos de forma mais intensa, momento em que os partidos xenófobos, nacionalistas e neofascistas viram crescer enormemente seus votos.

Em alguns casos, mudaram seu discurso político, substituindo a clássica divisão entre a direita e a esquerda pelo conflito “entre os de cima e os de baixo”. Nessa nova polarização, esses partidos se candidataram como representantes da última parcela, o povo, contra o establishment, ou seja, as forças que se alternaram no governo favorecendo o superpoder do mercado.

O aparato ideológico desses movimentos políticos mudou. O componente racista foi, em muitos casos, colocado em segundo plano em relação às temáticas econômicas. A oposição às políticas imigratórias – já cegas e restritivas – aplicadas na União Europeia se reforçou, recorrendo antes à guerra entre os pobres que à discriminação baseada na cor da pele ou na fé religiosa. Em um contexto de desemprego de massa e de grave conflito social, a xenofobia inflou por meio da propaganda que apresentava os imigrantes como os principais responsáveis pelos problemas relativos ao emprego e aos serviços sociais.

Essa mudança de rota certamente influenciou no resultado da Frente Nacional na França, que alcançou 25,2% dos votos nas eleições municipais de 2015. Na Europa, o partido de Marine Le Pen fez alianças com outras forças políticas consolidadas que pedem, há tempos, a saída do euro, a revisão dos tratados sobre imigração e a retomada da soberania nacional. Entre elas, as mais representativas são a Liga Norte na Itália, cujos resultados eleitorais melhoraram, a ponto de ela se tornar a primeira força de centro-direita nas eleições municipais de 2015; o Partido da Liberdade austríaco, que conseguiu 20,5% dos votos nas eleições nacionais de 2013 e mais de 30% nas eleições municipais de Viena em 2015; e o Partido para Liberdade holandês, que obteve 13,3% nas eleições europeias.

Pela primeira vez depois da Segunda Guerra Mundial, as forças de extrema direita alcançaram resultados expressivos em outras regiões da Europa. Na Suíça, as eleições recentes, de outubro de 2015, foram decididas com 29,4% dos votos para o Partido do Povo Suíço, organização da ultradireita xenófoba e promotora do referendo, aprovado em 2009, para proibir a construção de novas torres de mesquitas.

Também na Escandinávia, a extrema direita representa uma realidade bem consolidada. Na pátria por excelência do “modelo nórdico”, o Democratas Suecos, fundado em 1988 pela fusão de diversos grupos neonazistas, foi o terceiro partido mais votado nas eleições legislativas de 2014, com 12,8% dos votos.

Na Dinamarca e na Finlândia, dois partidos criados em 1995 alcançaram resultados ainda mais surpreendentes, transformando-se na segunda força política desses países. O Partido Popular Dinamarquês foi o movimento político mais votado nas últimas eleições europeias, com 26,6%. Esse sucesso foi confirmado nas eleições legislativas de 2015, que na sequência lhe proporcionaram a maioria no governo. Depois das eleições de 2015, às cadeiras do governo de Helsinki ascenderam também os Verdadeiros Finlandeses, com 17,6% dos votos.

Por fim, na Noruega, com 16,3% dos votos, o Partido do Progresso chegou pela primeira vez ao governo com posicionamentos políticos igualmente reacionários. A destacada e quase uniforme afirmação desses partidos numa região onde as organizações do movimento operário exercitaram uma indiscutível hegemonia por longos anos foi possível também porque os partidos de extrema direita se apropriaram de batalhas e temáticas que no passado eram caras à esquerda, tanto a socialdemocrata, quanto a comunista.

A ascensão da direita adveio não somente fazendo apelo às clássicas campanhas reacionárias, mas também àquelas contra a globalização, a chegada de novos refugiados ou solicitantes de refúgio e o espectro da “islamização” da sociedade. Na base de seu sucesso esteve, sobretudo, a reivindicação de políticas tradicionalmente de esquerda, a favor do Estado Social. Trata-se, entretanto, de um novo tipo de welfare. Não mais universal, inclusivo e solidário, como aquele do passado, mas fundado em um princípio diferente: o acesso a direitos e serviços exclusivamente aos membros da preexistente comunidade nacional.

Ao amplo apoio das zonas rurais e de província, despovoadas e com taxa de desemprego recorde, a extrema direita escandinava reuniu, assim, aquele da classe operária que, em grande parte, cedeu à chantagem da “imigração ou Estado Social”.

Perigo no Leste
Até mesmo em diversos países do Leste europeu, a extrema direita conseguiu se reorganizar depois do fim dos regimes pro-soviéticos. A União Nacional Ataque na Bulgária, o Partido Eslovaco Nacional e o Partido Grande Romênia são algumas das forças políticas que conseguiram bons resultados eleitorais e presença no Parlamento.

Nessa área da Europa, o caso mais alarmante é o da Hungria. Em seguida à introdução de severas medidas de austeridade aplicadas peloPartido Socialista húngaro, em acordo com as intimações da Troika, e à grave crise inflacionária derivada, subiu ao poder o Partido Fidesz. Além das medidas para purificar a magistratura e estabelecer o controle da grande mídia, em 2012, o governo húngaro introduziu uma nova constituição com viés fortemente autoritário.

Para compor essa realidade já ameaçadora, desde 2010, o Movimento por uma Hungria Melhor (Jobbik) se tornou o terceiro partido do país (com 20,5% dos votos nas eleições de 2014). Mas, diferentemente das forças presentes na Europa ocidental e escandinava, Jobbik representa o clássico exemplo – hoje dominante no Leste – de formações de extrema direita que continuam a se valer do ódio contra as minorias (em particular aquela cigana), o antissemitismo e o anticomunismo como principais instrumentos de propaganda e de ação.

Enfim, completam esse panorama as várias organizações neonazistas espalhadas em diversas áreas da Europa. Um exemplo é o Aurora Dourada, que com 9,4% nas eleições europeias de 2014 e 7% nas eleições de setembro de 2015 afirmou-se, em ambos os casos, como a terceira força política da Grécia.

Nesses anos, portanto, os partidos de extrema direita nitidamente ampliaram seu apoio em quase todas as partes da Europa. Muitas vezes, conseguiram hegemonizar o debate político e, em alguns casos, a entrar no governo. A crescente expansão da União Europeia deslocou à direita o centro de gravidade político do continente, como testemunharam as rígidas posições extremistas assumidas pelos governos da Europa oriental durante a recente crise na Grécia e diante da chegada de povos em fuga dos palcos de guerra.

Trata-se de uma epidemia muito preocupante, para a qual é impossível pensar em uma resposta sem combater o vírus que a gerou: o mantra neoliberal hoje ainda tão em voga em Bruxelas.

 

Tradução de: Patricia Villen

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O ameaçador avanço da extrema direita na Europa

O sexto maior país da União Europeia em número de habitantes fez uma guinada à direita. Depois de ter se afirmado nas presidenciais de maio, o partido populista Lei e Justiça venceu as eleições polonesas, obtendo não apenas 39% dos votos, mas a maioria absoluta no Parlamento.

Diferentemente dos recorrentes apelos ao nacionalismo e à palavra de ordem “primeiro aos poloneses”, as reivindicações do Lei e Justiça no campo da economia se concentraram na promessa de aumentar os gastos sociais, melhorar os salários e reduzir a idade para a aposentadoria. Um programa de esquerda, em um país onde a esquerda defendeu o neoliberalismo e ocupa, atualmente, uma posição absolutamente marginal – situação que se repete em outros lugares do continente.

Nos últimos vinte anos, o poder de decisão na Europa transitou em grande parte da esfera política àquela econômica. A economia se tornou um âmbito separado e intocável, que faz escolhas decisivas, porém fora do alcance do controle democrático.

A uniformidade na essência das decisões tomadas pelos governos de muitas nações e, em geral, a crescente hostilidade de grande parte da opinião pública em relação à tecnocracia de Bruxelas contribuíram para provocar uma grande mudança no cenário europeu.

O vento populista
Os bipartidarismos instituídos, como aqueles espanhol e grego, implodiram. O mesmo rumo parece tomar a bipolaridade dos casos italiano e francês, da qual havia derivado uma nítida divisão de votos entre posicionamentos de centro-direita e de centro-esquerda.

O panorama político europeu foi modificado – sem considerar a alternativa ao neoliberalismo proposta por Syriza e Podemos, que merece uma reflexão à parte – pelo acentuado crescimento dos índices de abstenção, o surgimento de partidos populistas e o notável avanço das forças de extrema direita.

O primeiro fenômeno se manifestou no momento das eleições legislativas de quase todos os Estados europeus.

O segundo, por sua vez, nasceu com a onda anti-europeísta. Nos últimos anos, surgiram novos movimentos políticos declarados “pós-ideológicos”, que se guiaram pela denúncia genérica contra a corrupção do sistema ou o euroceticismo. Em 2006, com base nesses princípios, o Partido Pirata foi fundado na Suécia e na Alemanha; em 2009, o Movimento 5 Estrelas se tornou a primeira força política na Itália, com 25,5% dos votos. Em 2013, nasceu em Berlim o Alternativa para a Alemanha. Em 2014, foi a vez do O Rio (TP) na Grécia e do crescimento em escala nacional do Ciudadanos (C’s), movimento fundado na Catalunha em 2006.

No mesmo período, organizações partidárias já há tempos existentes se afirmaram com propostas políticas parecidas. O caso mais ilustrativo é o doPartido pela Independência do Reino Unido (UKIP), que com 26,6% dos votos se tornou a primeira força nas últimas eleições europeias, acima do Manica.

A “nova” face da direita
O terceiro fenômeno aparece quando os efeitos da crise econômica começaram a ser sentidos de forma mais intensa, momento em que os partidos xenófobos, nacionalistas e neofascistas viram crescer enormemente seus votos.

Em alguns casos, mudaram seu discurso político, substituindo a clássica divisão entre a direita e a esquerda pelo conflito “entre os de cima e os de baixo”. Nessa nova polarização, esses partidos se candidataram como representantes da última parcela, o povo, contra o establishment, ou seja, as forças que se alternaram no governo favorecendo o superpoder do mercado.

O aparato ideológico desses movimentos políticos mudou. O componente racista foi, em muitos casos, colocado em segundo plano em relação às temáticas econômicas. A oposição às políticas imigratórias – já cegas e restritivas – aplicadas na União Europeia se reforçou, recorrendo antes à guerra entre os pobres que à discriminação baseada na cor da pele ou na fé religiosa. Em um contexto de desemprego de massa e de grave conflito social, a xenofobia inflou por meio da propaganda que apresentava os imigrantes como os principais responsáveis pelos problemas relativos ao emprego e aos serviços sociais.

Essa mudança de rota certamente influenciou no resultado da Frente Nacional na França, que alcançou 25,2% dos votos nas eleições municipais de 2015. Na Europa, o partido de Marine Le Pen fez alianças com outras forças políticas consolidadas que pedem, há tempos, a saída do euro, a revisão dos tratados sobre imigração e a retomada da soberania nacional. Entre elas, as mais representativas são a Liga Norte na Itália, cujos resultados eleitorais melhoraram, a ponto de ela se tornar a primeira força de centro-direita nas eleições municipais de 2015; o Partido da Liberdade austríaco, que conseguiu 20,5% dos votos nas eleições nacionais de 2013 e mais de 30% nas eleições municipais de Viena em 2015; e o Partido para Liberdade holandês, que obteve 13,3% nas eleições europeias.

Pela primeira vez depois da Segunda Guerra Mundial, as forças de extrema direita alcançaram resultados expressivos em outras regiões da Europa.

Na Suíça, as eleições recentes, de outubro de 2015, foram decididas com 29,4% dos votos para o Partido do Povo Suíço, organização da ultradireita xenófoba e promotora do referendo, aprovado em 2009, para proibir a construção de novas torres de mesquitas.

Também na Escandinávia, a extrema direita representa uma realidade bem consolidada. Na pátria por excelência do “modelo nórdico”, o Democratas Suecos, fundado em 1988 pela fusão de diversos grupos neonazistas, foi o terceiro partido mais votado nas eleições legislativas de 2014, com 12,8% dos votos.

Na Dinamarca e na Finlândia, dois partidos criados em 1995 alcançaram resultados ainda mais surpreendentes, transformando-se na segunda força política desses países. O Partido Popular Dinamarquês foi o movimento político mais votado nas últimas eleições europeias, com 26,6%. Esse sucesso foi confirmado nas eleições legislativas de 2015, que na sequência lhe proporcionaram a maioria no governo. Depois das eleições de 2015, às cadeiras do governo de Helsinki ascenderam também os Verdadeiros Finlandeses, com 17,6% dos votos.

Por fim, na Noruega, com 16,3% dos votos, o Partido do Progresso chegou pela primeira vez ao governo com posicionamentos políticos igualmente reacionários.

A destacada e quase uniforme afirmação desses partidos numa região onde as organizações do movimento operário exercitaram uma indiscutível hegemonia por longos anos foi possível também porque os partidos de extrema direita se apropriaram de batalhas e temáticas que no passado eram caras à esquerda, tanto a socialdemocrata, quanto a comunista.

A ascensão da direita adveio não somente fazendo apelo às clássicas campanhas reacionárias, mas também àquelas contra a globalização, a chegada de novos refugiados ou solicitantes de refúgio e o espectro da “islamização” da sociedade. Na base de seu sucesso esteve, sobretudo, a reivindicação de políticas tradicionalmente de esquerda, a favor do Estado Social. Trata-se, entretanto, de um novo tipo de welfare. Não mais universal, inclusivo e solidário, como aquele do passado, mas fundado em um princípio diferente: o acesso a direitos e serviços exclusivamente aos membros da preexistente comunidade nacional.

Ao amplo apoio das zonas rurais e de província, despovoadas e com taxa de desemprego recorde, a extrema direita escandinava reuniu, assim, aquele da classe operária que, em grande parte, cedeu à chantagem da “imigração ou Estado Social”.

Perigo no Leste
Até mesmo em diversos países do Leste europeu, a extrema direita conseguiu se reorganizar depois do fim dos regimes pro-soviéticos. A União Nacional Ataque na Bulgária, o Partido Eslovaco Nacional e o Partido Grande Romênia são algumas das forças políticas que conseguiram bons resultados eleitorais e presença no Parlamento.

Nessa área da Europa, o caso mais alarmante é o da Hungria. Em seguida à introdução de severas medidas de austeridade aplicadas peloPartido Socialista húngaro, em acordo com as intimações da Troika, e à grave crise inflacionária derivada, subiu ao poder o Partido Fidesz. Além das medidas para purificar a magistratura e estabelecer o controle da grande mídia, em 2012, o governo húngaro introduziu uma nova constituição com viés fortemente autoritário.

Para compor essa realidade já ameaçadora, desde 2010, o Movimento por uma Hungria Melhor (Jobbik) se tornou o terceiro partido do país (com 20,5% dos votos nas eleições de 2014). Mas, diferentemente das forças presentes na Europa ocidental e escandinava, Jobbik representa o clássico exemplo – hoje dominante no Leste – de formações de extrema direita que continuam a se valer do ódio contra as minorias (em particular aquela cigana), o antissemitismo e o anticomunismo como principais instrumentos de propaganda e de ação.

Enfim, completam esse panorama as várias organizações neonazistas espalhadas em diversas áreas da Europa. Um exemplo é o Aurora Dourada, que com 9,4% nas eleições europeias de 2014 e 7% nas eleições de setembro de 2015 afirmou-se, em ambos os casos, como a terceira força política da Grécia.

Nesses anos, portanto, os partidos de extrema direita nitidamente ampliaram seu apoio em quase todas as partes da Europa. Muitas vezes, conseguiram hegemonizar o debate político e, em alguns casos, a entrar no governo.

A crescente expansão da União Europeia deslocou à direita o centro de gravidade político do continente, como testemunharam as rígidas posições extremistas assumidas pelos governos da Europa oriental durante a recente crise na Grécia e diante da chegada de povos em fuga dos palcos de guerra.

Trata-se de uma epidemia muito preocupante, para a qual é impossível pensar em uma resposta sem combater o vírus que a gerou: o mantra neoliberal hoje ainda tão em voga em Bruxelas.

Tradução de: Patricia Villen

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Interviews

Marxisme: Musto

“Aku ingin menjelaskan tentang Operaismo. Menjawab pertanyaanmu. Lalu menyadari bahwa kau tidak ada lagi dalam ruangan.”

“Aku menghisap kretek di luar. Tidak tahan.”

Ia tertawa sembari menggeleng kepala. Tanda bahwa ia tidak terkejut dengan jawabanku.

“Lagipula, tujuan pertanyaanku adalah sekedar provokasi. Agar kau dapat memperkenalkan sedikit tentang Operaismo kepada para peserta diskusi. Masih banyak yang belum tahu. Ide tentang Operaismo, apalagi menyangkut apa yang disebut dengan Marxis-Otonomis.”

Aku menjawab dengan santai pertanyaan dari laki-laki Italia ini. Berbincang selama hampir dua jam sebelum ia memulai kuliah umumnya membuat aku merasa akrab dengannya. Tidak ada kesan sombong, meski aku menyadari sejak awal bahwa laki-laki jangkung berkacamata asal Naples yang sedang berjalan di sampingku adalah seorang intelektual yang tengah diperhitungkan. Namanya mengemuka di kalangan pengkaji Marxisme. Buku-buku yang ditulis pemuda pendukung S.S.C. Napoli ini mendapat sambutan hangat. Umurnya baru akan genap 40 tahun sebentar lagi.

Saat itu, ia baru saja memberikan kuliah umum. Kini, beberapa teman mau mengajaknya ngaso di salah satu kantin kampus.

“Kau benar-benar tidak tahan jika tidak merokok? Misal, selama sehari penuh?”

Aku menatapnya, lalu menggeleng. “Aku tidak merokok. Aku menghisap kretek.”

Ia mengacungkan jempol. Kami lalu tertawa bersama.

Marcelo Musto, lahir di kota yang klub sepakbolanya pernah merasakan masa jaya sewaktu Diego Maradona bermain di sana -sebelum diskors 15 bulan karena kecanduan kokain. Lahir pada 14 April 1976, pria berkacamata ini menamatkan studi sarjana muda hingga doktoral di University of Napoli – L’Orientale di kota kelahirannya. Belajar filsafat dan politik. Belum puas dengan itu, ia mengambil studi doktoral ilmu filsafat di University of Nice – Sophia Antipolis.

“Tentu saja aku suka sepakbola. Hampir semua orang Naples menggandrungi olahraga ini.”

Karya-karya Musto dalam berbagai format -buku, bab dalam buku, tulisan di jurnal atau artikel, telah diterjemahkan ke dalam 16 bahasa. Kebanyakan karyanya berada di seputaran elaborasi mengenai pemikiran-pemikiran Marx dan relevansinya dengan kondisi hari ini, soal teori keterasingan (theory of allienation) atau mempelajari berbagai varian Marxisme dan sejarah pemikiran sosialisme.

“Kau pernah membaca salah satu tulisanku?”

Aku mengangguk. “Beberapa artikel. Kalau buku, hanya dua.”

“Ah, dua judul dalam bahasa Inggris itu?

“Iya.” Aku menyalakan kretek.

“Terima kasih.”

Aku menyimpan dua buku terbitan Routledge itu di Hue. Aku membelinya saat mulai mendalami studi mengenai gerakan pelajar demokratik di Asia Tenggara. Kisaran medio 2013. Dibeli secara online dan berujung pada pertengkaran dengan pasanganku. Ia marah karena aku membelanjakan sebagian uang tabungan yang diperuntukkan untuk rencana kami berdua liburan musim dingin. Cukup puas membaca kedua buku itu. Banyak membantu.

Ketertarikanku terhadap tulisan Musto berawal saat mendapati sebuah ulasan Nick Taylor mengenai Marx for Today di blog The London School of Economics and Political Science. Meski singkat, review itu berhasil memprovokasiku.

Meski review ini bukan perkenalan yang pertama dengan nama Marcelo Musto.

Semasa menghadiri sebuah pertemuan di Jawaharlal Nehru University, seorang kawan bercerita tentang sekelompok intelektual Marxis yang menulis tentang Grundrisse. Hasilnya baru saja diterbitkan dalam buku bunga rampai berisi beragam tulisan dari berbagai sudut pandang. Nama Musto muncul dalam pembicaraan tersebut.

Buku yang dimaksud berjudul Karl Marx’s Grundrisse: Foundation of the critique of political economy 150 years later . Tebalnya hampir 300 halaman. IndoProgress juga memuat ulasan Arianto Sangaji mengenai buku ini . Lumayan jadi teman menunggu ketika kau dianugerahi keberlimpahan waktu saat transit di bandara atau menunggu bus antar negara.

Grundrisse memang elok dan menggiurkan.

Salah satu dari banyak karya Marx yang sayangnya tidak selesai ditulis dalam bentuk buku utuh. Ia adalah manuskrip-manuskrip berisikan penjelasan mengenai metode dan konsep yang sedang digeluti Marx untuk persiapan Capital. Naskah ini terbit kemudian setelah ditemukan oleh David Ryazanov, Direktur Marx-Engels Institute yang berbasis di Moskow. Grundrisse hadir pertama kali dalam bahasa Rusia dalam dua volume berbeda -terbit 1939 dan 1941. Ia mungkin salah satu naskah Marx yang paling tragis. Mulai mendapatkan pembaca luas secara pada kisaran 1957 meski Marx menulis Grundrisse seratus tahun sebelumnya.

Edisi terjemahan penuh Grundrisse dalam bahasa Inggris dikerjakan oleh Martin Nicolaus yang terbit tahun 1973. Keterlambatan ini menurutku ikut mempengaruhi timpangnya popularitas antara Grundrisse dan Capital, meski yang disebut terakhir ditulis belakangan oleh Marx.

Dalam Grundrisse, Marx memamerkan kapasitasnya sebagai intelektual bajingan yang tidak main-main dalam melakukan kritik secara radikal. Lelaki berjanggut yang mati dalam kemiskinan ini misalnya, tidak semena-mena menjatuhkan penghakiman terhadap pemikiran David Ricardo -yang tidak lain adalah kritik terhadap praktek ekonomi merkantilisme yang ekstraktif dan brutal. Melalui “naskah mentah” ini, Marx mendudukkan peran komoditi sebagai pusat dari perputaran kapitalisme, juga berhasil merekuperasi konsep dialektika Hegel untuk kemudian digunakan sebagai senjata menyerang filsafat borjuis Hegel -seperti yang tertuang dalam Logic, dan mentransformasikannya sebagai salah satu fundamen penting gagasannya sendiri yang dikemudian hari dikenal sebagai Dialektika Materialisme.

Singkatnya, Grundrisse adalah pengantar yang dapat dikatakan sempurna untuk memahami Capital -meski jeda di antaranya adalah pentingnya mempelajari Logic yang ditulis Hegel. Meski diniatkan sebagai catatan pribadi, Grundrisse adalah hadiah langka yang dihadiahkan seorang revolusioner supaya kita dapat mengerti totalitas kritik ekonomi-polik yang ia sodorkan dalam bukunya.

* * *

“Dia salah satu orang yang serius dan tekun mempelajari tentang Operaismo. Cuma sedikit jumlahnya di Indonesia.”

Marcelo Musto menatap lelaki berkacamata yang berkulit kuning di sampingku. Namanya Hizkia Yosie Polimpung. Ia salah satu pendiri Koperasi Riset Purusha, yang para pegiatnya adalah anak-anak muda. Yosie juga salah satu editor di Jurnal IndoProgress, sebuah sindikasi informal yang memfokuskan diri pada pengembangan, elaborasi dan perdebatan mengenai konsep, metode dan ragam pemikiran Marxisme di Indonesia. IndoProgress dan Purusha adalah inisiator diskusi -bersama SEMAR UI- di mana Musto didaulat sebagai pembicara.

“Cuk.”

Aku tertawa mendengar respon Yosie terhadap introduksi dirinya di hadapan Musto.

Seperti Musto, aku mengenal Yosie pertama kali lewat tulisan-tulisannya di IndoProgress. Saat itu aku masih menggelandang di Thailand dan membaca artikel-artikel berbahasa Indonesia adalah pelarian yang nikmatnya hanya berada satu level di bawah daging babi dan bir. Ketika memutuskan pulang ke Indonesia, saya langsung menjumpainya. Bertukar pikiran sebentar dan segera menemukan ada irisan-irisan yang membuat saya merasa nyaman berbincang dengan dirinya.

Yosie sedang menempuh studi doktoral ilmu filsafat di Universitas Indonesia. Ia berupaya merevitalisasi filsafat nihilisme yang kepalang bablas dan jadi bulan-bulanan para pecinta kutipan buku dan tulisan penuh prasangka yang tidak ilmiah. Yang paling menarik dari Yosie menurutku adalah dua tulisannya yang merupakan ulasan terhadap buku Martin Suryajaya berjudul Materialisme Dialektis: Kajian tentang Marxisme dan Filsafat Kontemporer .

Buku Martin tersebut, adalah salah satu di antara sedikit karya yang saya sesali di kemudian hari karena membelinya dengan hanya bermodal rasa ingin tahu.

Pemikiran Otonomia, oleh banyak Marxis -atau mereka yang mendaku diri Marxis hanya karena menggunakan kaos palu arit atau bintang merah dan kepal tangan kiri- memang diliputi prasangka, tuduhan-tuduhan bahkan penghakiman yang jauh dari sikap ilmiah dan objektif yang diadvokasikan oleh Marx sendiri. Konsepsi, metodologi dan sejarah pemikiran Otonomia dipandang sebagai anak haram jadah, atau sekedar buah kenakalan remaja. Bagi para fundamentalis Marxisme, Otonomia -dan Operaismo, tidak jauh lebih haram dari pemikiran anarkisme, komunisme libertarian atau nihilisme individual.

Orang-orang ini bertingkah persis sama seperti kelompok Lutheran konservatif yang menjadi salah satu sebab muaknya saya dengan lembaga gereja.

Sebagian besar dari mereka tidak pernah membaca karya para pemikir Otonomia, karena kebenaran Marxisme menurut mereka telah mutlak ketika Tsar Rusia berhasil tumbang tahun 1917 oleh pemberontakan luas petani miskin, kelompok buruh, militer rendahan bergaji menyedihkan dan para pemuda penuh gelora. Itu kenapa, saya tidak kaget ketika umpatan-umpatan Martin tentang Otonomia -satu bab khusus dalam buku Materialisme Dialektis berisi makian-makian spekulatif untuk mengharamkan ide Otonomia- yang didasarkan pada spekulasi diamini banyak pembacanya. Gelombang kebangkitan gerakan pekerja di Italia, radikalisasi pelajar dan meluapnya diskursus tentang pengarusutamaan jender di periode 1970-an, disapu habis oleh khotbah seorang intelektual.

Banyak memang yang ahistoris. Sebagian lain, terlalu enggan untuk mencoba terbuka dan belajar mengenali.

Yang pertama kali disebut otonomis adalah para individu yang tergabung dalam gerakan Autonomia di Italia. Gerakan ini muncul dan mulai bergerak di periode -yang hari ini dikenal sebagai- Hot Autumn di tahun 1969. Ini adalah periode suram di mana penangkapan ekstrajudisial seramai pasar malam. Memasuki periode 1970-an, gerakan ini menyebar luas di Italia dan menjadi salah satu motor gerakan sosial yang menuntut perubahan secara menyeluruh.

Grup-grup otonomis tumbuh subur seperti jamur ajaib (magic mushroom) di atas kotoran sapi sesudah hujan reda.

Tiap-tiap orang menghimpun dirinya ke dalam berbagai afinitas dan asosiasi yang didasarkan pada kesamaan isu, tempat kerja, universitas, atau lingkungan tempat tinggal. Sementara itu, para pengusaha, birokrat dan partai Komunis Italia -seperti sebelumnya, justru mengambil posisi berseberangan.

Partai Komunis Italia, berkebalikan dengan klaim tugas sejarah yang menjadi pembelaan mereka terhadap sentralisme dan wabah birokratisme, adalah salah satu unsur yang berusaha keras merepresi dan menghentikan gerakan ini. Ini adalah masa di mana kepercayaan politik terhadap lembaga-lembaga kekuasaan dan model-model representasi mengalami degradasi. Orang-orang menolak mematuhi hukum negara dan memilih mengkreasikan kesepakatan-kesepakatan baru yang diambil dengan persetujuan dan keterlibatan banyak orang.

Gerakan Otonomia adalah inisiatif yang mulanya muncul di pabrik-pabrik di Italia Utara. Pada 1950—1960an, berbagai model protes pekerja hadir. Mencuri di tempat kerja, bekerja secara lambat, melakukan sabotase mesin, mogok-mogok kerja yang liar (wildcat strikes), hingga pendudukan dan pengambilalihan pabrik. Dinamika ini mendapatkan respon beragam dari para militan, yang kemudian mendorong terjadinya perkembangan-perkembangan teoritis. Analisa terhadap dinamika konflik dalam sistem kapitalisme, fungsi kerja, bentuk-bentuk kerja, komposisi kelas pekerja, hingga perluasan-perluasan konseptual mengenai bentuk-bentuk dan kemungkinan-kemungkinan alternatif untuk merealisasikan bentuk masyarakat yang berbeda.

Meskipun aksi-aksi langsung, pemogokan, squating massal, pertempuran jalanan, pendudukan universitas dan berbagai aksi radikal lainnya dilakukan dengan skala besar dan massif selama tahun 1970, gerakan di Italia tersebut terpecah-pecah. Salah satu faktor penyebabnya adalah serangan-serangan brutal, pemenjaraan dan pembunuhan para radikal yang dilakukan oleh polisi dan pemerintah yang saat itu dikontrol oleh partai Komunis. Di saat yang sama, respon terhadap menanjaknya eskalasi serangan dari negara, taktik terorisme revolusioner juga ikut berkembang sebagai cara untuk membalas dan mempertahankan diri dari gelombang represi.

Grup-grup teroris revolusioner -semisal Brigade Merah – melakukan aksi penculikan, dan pembunuhan terhadap tokoh-tokoh politik dan kepala pemerintahan. Ini adalah masa di mana terma gerilyawan kota kembali populer di tengah berbagai variasi gerakan sosial lain. Semisal eksisnya berbagai pertemuan-pertemuan besar yang mendorong tiap orang untuk terlibat sebagai ujicoba demokrasi. Atau bagaimana menjalankan universitas secara desentralis dan otonom tanpa intervensi dari kekuasaan negara.

Ini adalah masa di mana berbagai taktik yang mungkin diujicobakan, baik secara terbatas atau secara luas. Kritik dan diskusi dibangun dan ide dipertukarkan, praktik ditanggapi dan diperiksa kekurangannya. Mario Tronti, Bifo Berrardi, Paolo Virno, Sergio Bologna dan Antonio Negri -barisan teoris Otonomia- bukanlah intelektual belakang meja seperti tuduhan Martin. Tuduhan tersebut adalah bukti kemalasan paling banal Martin yang luar biasanya kemudian diterbitkan dalam bentuk buku dengan klaim Dialektika Materialisme. Berkebalikan dengan itu, tulisan-tulisan para teoritisi Otonomia didasarkan pada geliat praktik yang sedang atau telah diujicobakan. Mereka mengikuti jejak langkah Marx yang mensyaratkan pengamatan yang mendalam, akurasi data, penelaahan konsep dan metodeologi serta pemeriksaan basis filsafat. Praktik yang tanpa didahului justifikasi-justifikasi tanpa bukti -yang dilakukan Martin bukan hanya sekedar merendahkan kerja-kerja tekun yang revolusioner, namun meludahi klaim teoritik dirinya sendiri.

Otonomia memang unik.

Ia keluar dari posisi biner perdebatan anti-kapitalisme yang sebelumnya berputar di dua poros: Leninisme dan segala variannya di satu sisi, serta anarkisme. Ia menyerap berbagai keunggulan dari bermacam tendensi dan faksi anti kapitalisme yang terserak macam tai saat perutmu dihajar mencret.

Salah satu warisan gerakan Otonomia misalnya adalah elaborasi mengenai pekerja imaterial.

Saat itu teknologi baru hadir dan gelombang investasi besar-besaran perusahaan pada teknologi untuk mengurangi jumlah buruh manual. Hal ini tidak lain merupakan tanggapan (restrukturisasi kapitalisme) terhadap resistensi yang dilakukan oleh pekerja industri -seperti mogok kerja dan demo. Restrukturisasi kapitalisme mensyaratkan peningkatan kapasitas (intelektualisasi) kelompok pekerja. Efeknya adalah perubahan sosial ekonomi yang lebih luas, yang tidak hanya terjadi di dalam pabrik, tapi juga masyarakat secara luas. Jika dalam masyarakat industri, ekonomi barang adalah tulang punggung, pekerja tidak dibebani syarat kemampuan (skills) yang rumit dan beragam. Sementara dalam masyarakat pasca-industri, di mana ekonomi jasa menjadi tumpuan, maka pelayanan (service), informasi dan pengetahuan, menjadi prasyarat utama.

Singkatnya, jika pekerja material dalam masyarakat industri menghasilkan produk berupa barang, maka di masyarakat pasca-industri maka yang dihasilkan adalah pengetahuan, informasi, komunikasi dan relasi afektif -misal, senyum dan pelukan.

Mauricio Lazzarato mempertegas hal tersebut dengan mengatakan bahwa pekerja imaterial menghasilkan konten informasi dan kultural dari komoditas. Meskipun begitu, pekerja imaterial di masyarakat pasca-industri tetap mensyaratkan adanya kemampuan-kemampuan manual (dalam level yang lebih kompleks) semisal kemampuan mengoperasikan perangkat komputer, kemampuan menganalisa, kemampuan merumuskan solusi dan strategi, dan lain sebagainya. Ini mengapa pada hari-hari ini, produk yang dihasilkan oleh pekerja immaterial kemudian mendikte jenis kerja lainnya, termasuk kerja-kerja industri. Pekerja immaterial juga tidak terintegrasi secara langsung ke dalam proses kerja manual yang dikerjakan pekerja material di ranah industri. Namun mereka adalah orang yang bertanggung jawab atas proses reproduksi tenaga kerja melalui perekrutan, wawancara, pelatihan dasar, peningkatan kapasitas hingga solidaritas (afeksi).

Misal, kelompok masyarakat yang sangat tergantung kepada para pengacara ketika berhadapan dengan hukum yang reresif atau kelompok masyarakat ulayat yang mesti bersandar pada pengetahuan para fasilitator (mediator) konflik. Pekerja imaterial adalah mereka yang menghasilkan sesuatu yang tidak bisa dirasakan oleh panca indera, namun produk tersebut memiliki peran penting yang menentukan alur dari distribusi komoditas yang diproduksi industri dan pekerja material.

Peninggalan berharga lain dari gerakan Otonomia -yang di kemudian hari begitu membantu saat saya menuliskan tugas akhir studi di Thailand- adalah soal kapitalisme kognitif.

Untuk memahami kapitalisme kognitif, kita perlu menyadari bahwa dalam kapitalisme pasca-Fordisme, universitas sinonim dengan pabrik, tenaga administrasi dan para pengajar berperan sebagai buruh imaterial, dan pelajar adalah produk yang dihasilkan dari mata rantai produksi tersebut. Keberadaan universitas dan tenaga pengajar -yang merupakan agen dengan hubungan saling memengaruhi. Kebijakan kampus yang komersil, kehidupan akademik yang hirarkis dan eksploitatif, termasuk ketidakberdayaan pelajar dalam menghadapi represif kognitif dalam proses belajar. Produk-produk kebijakan institusi pendidikan tersebut adalah alat represi. Alat represi ini mendapatkan sokongan aktif melalui agen-agen ideologis -tenaga administrasi dan tenaga pengajar- yang tugasnya adalah memastikan pasifisme pelajar terus berlangsung dan semakin dalam.

Aturan tentang pemecatan pelajar (DO) di perguruan tinggi, beban studi yang menumpuk, jangka waktu belajar yang dibatasi, bersahutan dengan kurikulum yang feodal, pedagogi yang lumpuh serta rendahnya kualitas tenaga pengajar di institusi pendidikan. Masalah-masalah tersebut tidak muncul sebagai akibat yang berdiri sendiri, namun merupakan hasil langsung yang terhubung dengan perluasan dan percepatan transformasi perguruan tinggi sebagai pabrik penghasil tenaga kerja imaterial yang siap dilempar ke pasar.

Di Indonesia, gerakan pelajar masih terlalu dungu untuk memahami hal ini.

Mereka gagal mengidentifikasi bahwa medan pertarungan gerakan pelajar tidak terletak di luar institusi pendidikan, tetapi justru di dalam kampus. Meninggalkan kampus justru merupakan bentuk impotensi dan kecacatan filosofis yang fundamental. Kebodohan massal ini ironisnya dilabeli dengan heroik (bunuh diri kelas, turun basis, dan segala macam tetek bengek lain). Semua itu bertujuan untuk menutupi logika jungkir balik di tengah serikat-serikat pelajar saat memandang dirinya. Berubahnya kampus menjadi tukang stempel bagi praktik-praktik eksploitasi sumber daya alam dan manusia, adalah bukti kegagalan advokasi gerakan pelajar. Banyak aktivis pelajar yang berupaya mengingkari bahwa perguruan tinggi adalah bentuk inisiasi yang dilakukan oleh negara dan kapitalisme agar seseorang siap menjadi pekerja yang patuh, interupsi justru mesti dilakukan dan berawal dari ruang-ruang di mana, pelajar adalah bagian integral di dalamnya.

Saya menulis kritik yang cukup keras soal ini. Tapi, angin berhembus ke utara terlalu kencang.

* * *

“Saya masih punya satu kali lagi diskusi dengan kalian. Mungkin itu bisa jadi kesempatan untuk menjelaskan lebih dalam dan detil soal pertanyaan yang kamu ajukan. Forum macam ini memang bukan tempat yang tepat. Saya sekedar memberi pengantar saja hari ini.”

Saya mengangguk. Tersenyum. “Tak usah dipikirkan. Suatu saat akan ada kesempatan.”

“Ya benar. Saya ingin datang ke Indonesia lain kali. Mungkin liburan. Atau kau bisa mengundang saya ke sini.”

Aku tertawa kecil.

Ia menatapku heran. “Kenapa?”

“Saya bukan bagian dari dunia akademik di negeri ini. Saya orang luar.”

Musto masih menatap saya lekat. Ia mungkin belum mengerti.

“Saya bukan pengajar atau peneliti di lembaga pemerintah atau universitas. Saya bekerja di sebuah NGO. Sulit bagi saya untuk bikin acara seminar macam ini.”

“Oh, saya paham.” Jari telunjuknya bergerak mendorong sanggahan kacamata yang mulai melorot di hidungnya. Terlalu sering membungkuk, mungkin. “Tapi kamu bisa memprovokasi orang lain untuk melakukan itu.” Kali ini Musto bertanya dengan senyum yang juga tampak provokatif buatku.

“Ah, kau ini. Nanti saja. Tidak ada yang tahu masa depan.” Aku menjawab sembari membuang puntung kretek yang sudah tandas.

“Jangan lupa. Bisa tahun depan, atau akhir tahun depan. Saya bisa luangkan waktu.” Nada bicaranya serius.

Aku hanya mengangkat bahu.

“Oh iya. Juga kurangi merokok.”

Aku mendongak dan menatap matanya. “Aku tidak merokok. Aku menghisap kretek.”

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论马克思学研究的重要意义

张双利:近几年来,您的一些研究成果陆续被介绍到中国学界,尤其是在 马克思学方面的一些研究成果。您能否借这个机会先跟我们介绍一下您的主要 研究领域?除了马克思学研究之外,您的研究还涉及到其他哪些领域?

马切罗·莫斯托(Marcello Musto):大体上来说,我的研究主要在三个 领域展开:马克思学(Marxiology)、政治的马克思(political Marx)和马克思 的当代接受状况(the acceptance of Marx in the contemporary world)。在对马克 思学的研究方面,我的研究重点发生过转移。最初我的研究主要围绕着《1844 年经济学—哲学手稿》展开,我的博士论文是关于《1844 年经济学—哲学手 稿》的,我还发表过不少关于马克思的早期著作、青年马克思和异化问题的文 章。后来我的研究重点转移到了对《资本论》手稿和笔记的研究。我已经出版 了《卡尔·马克思的〈大纲〉》B ,这本书是整个写作计划中的第一个部分。明年我会再出版一本名为《马克思的〈资本论〉的形成》的著作,在该著中我将 对马克思的所有手稿进行重构,并梳理《资本论》的整个发表过程。在对政治 的马克思的研究方面,我的研究主要围绕着“第一国际”展开,为纪念“第 一国际”成立 150 周年,我编辑出版了《工人们联合起来——共产国际 150 年》A ,其中收入了马克思、恩格斯所写下的大量的关于第一国际的文献,很多 是第一次发表。也就是说,在对政治的马克思的研究方面我现在关注的主要是 马克思在 1864—1972 年间(第一国际期间)在政治方面的介入和影响。在对 马克思的当代接受状况的研究方面,我不仅完成了系列著作和文章,而且还 在世界各地组织了系列学术会议。其中,《今天的马克思》B 的中译本将于今年 10 月份在人民出版社出版。在这方面的研究中,我特别关注的是在这个接受 过程中所体现出来的多元性。在近 20 年(1989—2009)的沉默之后,人们又 开始重新阅读马克思。来自不同地区、不同背景的人们会从不同的角度重新理 解马克思,即使是来自不同研究领域的学者也会分别从各自不同的角度来重新 阐释马克思。所以,多元性是最重要的特征。

张双利:我们就从对马克思学的研究谈起。在当今中国马克思主义学界, 人们开始越来越关注马克思学方面的研究成果。但与此同时,对马克思学研 究的理论意义也一直存在着争议。一方面,大家都承认马克思学的研究可以 帮助我们更好地理解马克思、恩格斯的著作的历史形成过程,尤其是更好地 理解这些著作的思想背景和政治背景。不仅如此,马克思学的研究还可以帮 助我们更准确地把握马克思和恩格斯的一些著作的文本结构,因为我们后来 看到的那些结果也许并不是文本原来的结构,而是由后来的编者们所给出的 结构。另一方面,有些学者也在质疑马克思学的研究在推进我们对马克思主 义基础理论的研究方面究竟有多大价值。有学者认为,马克思学的研究所涉 及到的都是些技术性的问题,即使它对这些技术性的问题能够给出更加精确 的说法,也不能在对马克思主义基础理论的研究方面有实质性的推进作用。 为了回应这些争论,我们想听听您的意见。您认为马克思学的研究究竟带来 了哪些重要发现?这些发现对于推进马克思主义的理论研究具有什么重要意 义?比如说,你本人在对《1844 年经济学—哲学手稿》的研究过程中做出了哪些新的发现?这些发现对于我们在今天重新理解整个马克思主义的传统具 有怎样的理论意义?

马切罗·莫斯托:首先,我想通过回溯我自身的研究历程来回答你的问 题。我先后在意大利和法国读过两个博士学位,一开始我所阅读的都是 20 世 纪 70 年代之前的经典译本,也就是第二国际和苏联时期的版本。而马克思学 的研究自 20 世纪 60 和 70 年代以来就已经开始兴起。我在法国攻读博士学位 期间,在法国学者 M. 吕贝尔(Maximilien Rubel)的影响之下开始关注马克思 学的研究方法,并决定前往柏林直接阅读《马恩全集》历史考证版(MEGA 版)。当时我阅读的是《马恩全集》历史考证版第 2 版(MEGA2),通过仔细 阅读这些文本,我完全改变了对马克思学说的看法。在此我想特别强调,直接 阅读马克思(即理解马克思)和将他用于政治和哲学等领域完全不同。在马克 思主义的历史上,人们往往是出自于政治的或其他方面的原因来直接利用马克 思的文本,而不是真正地阅读和理解马克思。通过阅读 MEGA2,我开始非常 自觉地致力于把马克思本人的思想与各种马克思主义的解释区分开来。这点十 分重要,因为马克思留下了大量的未完成或未发表的著作。他生前仅发表了很 少一部分著作,譬如与蒲鲁东的论战(参见《哲学的贫困》)。而诸如《德意志 意识形态》、《1844 年经济学—哲学手稿》、《资本论》(第 2、3 卷)等一系列 我们认为十分重要的著作,不仅未发表,甚至马克思在写下这些著作时根本就 没有以一种严格的可公开出版的形式来写作。在后来的马克思主义的历史上, 出于政治的和其他的原因(如学术方面的原因),人们对马克思的著作进行了 一些强加式的理解,有些与马克思本人的思想相距甚远。所以,我认为在当今 全新的政治和意识形态语境之下,我们应该利用 MEGA2 这样的文献,仔细阅 读和研究马克思的著作,这一定能为我们重新理解马克思提供更多可能性。

至于马克思学的研究所具有的意义,不论你们是否同意,我认为在最近 的几十年中,在所有的经典思想家中,人们对马克思的理解是变化最大的。无 论是从政治学、社会学,还是哲学的角度,由于马克思学的研究,人们对马克 思的思想的理解都发生了重要的变化。总体上来说,马克思学的研究成果主 要包括两个层次:其一是经由 MEGA2 的编辑出版而取得的文献学方面的成就; 其二是学者们依据这些文献学方面的发现在对马克思思想的重新阐发方面所取 得的进一步理论研究成果。这两个层次的成果都对马克思的研究产生了影响。 从 1998 年 MEGA 重新开始修订以来,人们对马克思的理解已经发生了很大的变化,人们对其他任何一位经典作家的理解都没有这么大的变化。 下面我来举几个例子。首先是关于《1844 年经济学—哲学手稿》和《德 意志意识形态》这两本早期著作的。这两本著作分别写于 1844 年和 1845— 1846 年,在过去的几十年中,它们一直被当作早期著作中最重要的两部,也 是 20 世纪以来销量最高的两部著作,其影响力甚至超越了《资本论》。之所以 会这样,主要是因为人们把这两本著作看作是马克思最重要的哲学著作,强调 它们是关于人本主义的马克思主义的,是关于异化问题的。在该现象的背后, 是人们对阿尔都塞的“认识论断裂”学说的反对。阿尔都塞认为在马克思的思 想发展过程中有一个“认识论的断裂”,这个断裂发生在 1845 年左右,只有断 裂之后的著作才是值得认真对待的。很多马克思主义的学者不同意阿尔都塞的 这个论断,强调《1844 年经济学—哲学手稿》等早期著作在马克思的哲学方 面的重要意义。马克思学在这方面的研究却明确地告诉我们,马克思的这两本 著作在当时都是未完成的手稿,它们根本不具有如此重要的意义,是被后来的 编者们强行整理成著作形式的。比如,Terrell CARVER 教授 A 曾经明确指出,《德意志意识形态》根本不能被当作关于历史唯物主义的最重要的著作,他在 这方面有大量的具体论证。如果是这样,这就意味着我们必须到马克思的其他 著作和手稿中去寻找马克思关于历史唯物主义的一些最重要的思考。那么这又 是哪些著作呢?

在我看来,最重要的是马克思在写作《资本论》期间所留下的大量笔记 和手稿,它们是十分重要的文献材料,这几年来,MEGA 第一次出版了马克 思为《资本论》做的笔记和准备材料。这些材料是马克思写给自己用来整理 思路的,从中我们可以看到他涉及了许多极其有趣的论题,但由于时间的原 因,很多问题都没能充分展开。从政治的角度来看,其中一个很重要的内容就 是他关于后资本主义社会的思考。马克思在《政治经济学批判大纲》(1857— 1858)、与蒲鲁东的论战、1859 年对政治经济学的批判、《〈资本论〉1861— 1863 手稿》和《〈资本论〉1863—1865》手稿中都留下了大量关于后资本主义 社会的思考。这个问题为什么如此重要?因为马克思在对资本主义的生产方式 进行批判时,必须对超越了资本主义社会的共产主义社会进行具体的思考。

从总体上来说,马克思在《资本论》的手稿和笔记中的思想在深刻性和复杂性方面都远远超出了早期的著作。我们在今天重新阅读马克思,不是要 把他尊为神圣、或把其著作奉为《圣经》,而是因为他提出了对资本主义生产 方式的最精准和最深刻的批判。我个人认为,马克思在写作《资本论》期间所 留下的这些手稿和笔记比其早期著作要重要得多,这也是我本人为什么在完成 了对《1844 年经济学—哲学手稿》相关研究之后会转向对《资本论》的手稿 和笔记的研究。我之所以转向《资本论》时期的这些文献,与阿尔都塞所讲的 “认识论的断裂”毫无关系。我在仔细阅读了马克思的这些手稿和笔记之后, 发现其中有更加深刻的对资本、资本主义社会关系、异化和拜物教的批判。或 许我可以这样来表述:如果我们有机会去问马克思本人,在你的所有著作中究 竟哪些著作才是最珍贵的?他一定会无比惊异地发现,后来的人们竟然会特别 看重他早期留下的那些文献。那是他刚刚开始对现代资本主义社会进行批判性 思考时所留下的一些文字。从 1843 年到 1883 年,整整有 40 年的时间,在这 40 年里马克思的思想不断成熟,在政治经济学批判的道路上不断深入。人们 不去关注他在 40 年持续不断的思考之后所留下的那些文献,却只把注意力集 中在 1843—1845 年的早期文献上。这就好像你与一个女人结婚并共同生活了 40 年,可是人们却仅仅关注你与你女朋友刚见面的第一年,在剩下的那 39 年 里他可一直都在研究和分析资本主义啊!

张双利:从你的表述我们可以明确感觉到,马克思学的研究使你对马克思 的早期和晚期著作(尤其是其写作《资本论》时留下的大量手稿和笔记)都有 了独到的认识。关于马克思的早期著作,你的观点与 Terrel Carver 等人的观点 一致,你们都强调《1844 年经济学—哲学手稿》、《德意志意识形态》等早期 著作不具有人们常常所认为的那种重要性。它们都是马克思留下的未完成的著 作,是后来的马克思主义者们对这些手稿进行了人为的编辑,才使得它们具有 我们所看到的样子。关于马克思在写作《资本论》时所留下的那些大量的准备 性的材料,你强调它们具有两方面的独特重要性。首先,它们在继续对资本主 义生产方式批判的同时,也包含着对后—资本主义社会的独创性思想,而后者 恰恰是人们在马克思的其他著作中很难找到的。长期以来,有些学者一再强调 马克思在对后—资本主义社会的思考方面非常薄弱,你认为《资本论》的手稿 和笔记恰恰在这方面有非常具体的内容。其次,透过对资本主义生产方式的具 体批判,马克思在这些晚期的文献中也进一步深化了其早期对异化的批判。关 于你所提到的《资本论》的手稿和笔记的这两点特征,我想做些进一步的追问。首先,正如我刚才所提到的,有不少学者认为马克思的思想在对资本主义 的批判方面非常有力,但它在对后—资本主义社会的论述方面却显得较弱。我 们这次会议的主题是“重思马克思的国家理论和社会主义学说”A ,在会议上虽 然有不少学者直接论述马克思的社会主义学说,但他们很少有人直接依据《资 本论》的手稿和笔记来展开论述。关于这点,您能否做些更进一步的说明,告 诉我们《资本论》的手稿和笔记在这方面的最主要贡献是什么?它们为什么能 够进一步深化我们对马克思的社会主义学说的理解?其次,您刚才提到《资本 论》时期这些文献是对早期的异化批判理论的进一步深化。但问题是即使没有 这些马克思学方面的研究成果,我们也知道马克思的异化批判理论在其晚期的 著作中得到了进一步深化。在中国学界我们一直强调在马克思那里明确地存在 着从异化批判(《1844 年经济学—哲学手稿》)到物化批判(《1857—1858 年手 稿》)再到商品拜物教批判(《资本论》)的思想发展线索。您认为对《资本论》 的手稿和笔记的研究能在什么样的意义上进一步地加深我们对马克思的这一思 想发展线索的理解?为了能够理解马克思思想的发展,我们为什么绝对不能忽 视马克思在写作《资本论》时期所留下的这些文献?

马切罗·莫斯托:我不赞同有些学者们的那种说法,即马克思没有给予社 会主义和共产主义以足够的重视。他一生都是在不停地把自己与之前的空想社 会主义者自觉地区分开来。当然,马克思对于这些思想家是十分尊重的,他从 圣西门、欧文那里吸取了许多关于社会主义的思想,只不过他们仅仅把社会主 义当作一剂处方直接开给人民,而马克思的方法与他们显然不同。

在我看来,马克思一共留下了三类关于共产主义社会的著作,第一类著 作是对其他各种社会主义的直接批判。在马克思一生中,他一直能敏锐感受到 一种强烈的需要,必须对各种错误的观点进行回应和批判。当马克思还是青年 黑格尔派的一员时,他发表了批判鲍威尔的著作,因为他觉得这是必须的,德 国当时的意识形态必须遭到批判。在马克思对各种错误的社会主义观点进行批 判时,我们同时都能看到他关于社会主义和共产主义的思想。比如,对蒲鲁东 的批判,马克思主要批判其关于市场社会主义的思想,批判其认为可以在不改 变生产方式的前提之下仅仅改变分配方式以实现社会主义,这些批判集中在《哲学的贫困》、《共产党宣言》和 1859 年出版的《政治经济学批判》中。总而 言之,这第一类著作是通过对其他各种错误的社会主义思想的批判来展开对社 会主义和共产主义社会的思考,马克思之所以会写下这一类著作,是因为他感 受到了来自于现实生活的直接需要,他感到必须对这些错误进行批判,以避免 其对工人运动产生重要影响。

第二类著作是马克思用以指导国际工人运动的各种文件和信件。对于国 际工人运动来说,老年马克思的地位已经与青年马克思完全不同,特别是第一 国际正式成立以后,他开始为国际工人运动提供思想支撑。许多人开始写信给 马克思,他们不是询问其对黑格尔的阐释,或者怎样才能像他在那些重要的著 作中所论述的那样来深刻地理解资本主义,而是想要从他那里获得具体的指 导:主要关于如何建立共产主义政党、如何组织工人运动以及我们要建设一个 什么样的后资本主义社会等实际问题。马克思在第一国际时期写下了大量文 献,其中包括大量书信和公告,在这些文献中有对拉萨尔的批评、对国家社会 主义的批评等重要内容。如果学者们能够把所有这些材料整理出来并对其进行 批判性的解读,那我们一定能看到其中包含着非常丰富的关于社会主义和共产 主义社会的内容。

第三类是马克思在写作《资本论》时所留下的手稿和笔记。尤其是笔记, 我认为这些笔记是最有价值的,因为它是马克思写给自己看的,是为了能够把 极其复杂的问题想清楚。这些笔记为什么在政治上具有重要性?因为他能够帮 助我们彻底理解马克思本人的思想和 20 世纪的教条主义的马克思主义之间的 根本差别。与教条主义的马克思主义根本不同,马克思本人更侧重于分析各种 复杂的社会现实,他不会只分析社会的经济层面。以我的阅读经验来看,马克 思不仅看到了经济方面,而且看到了复杂的社会现实,这完全不同于导致还原 论的经济基础—上层建筑理论,这部分工作以及马克思所说批判的方法一直没 有得到充分的研究。如果你整体性地阅读马克思晚年的这些笔记,并试图理出 其思想的脉络,你就会看到马克思对于国家、国家的形成和在不同政治背景下 的资本主义的多样性极感兴趣。最近我正在对马克思晚年的笔记(1881 年到 1882 年的历史研究笔记)进行集中研究。在 1881—1882 年这一段时间里,马 克思身体状况极其不佳,他深知自己剩下的时间不多了。但他在这段时间里既 没有准备《资本论》第 2 卷的出版,也没有对《资本论》第 1 卷进行修改,而 是留下了大量的历史研究笔记。他不仅研究欧洲历史,而且研究整个世界历史,这些笔记涉及从公元前 1 世纪一直到 1684 年 A 的整个历史过程。你如果 仔细阅读这些笔记就会惊讶地发现,他没有只是对经济现象进行重构,而是将 大部分精力用于思考不同文化和国家的相互作用。在他的笔记中可以看到意大 利、共和国、宗教改革(路德宗和加尔文宗)等一系列的内容,甚至还有十字 军东征后的中东境况问题。去世前马克思还研究了印度的历史。根据这些文 献,我们立即就能看到马克思本人的思想与我们所熟悉的由后来的马克思主义 和反马克思主义者们所制造的马克思思想是何等不同!这些材料将帮你彻底摆 脱教条主义的马克思和欧洲中心主义的马克思的形象,此时的马克思不仅对分 析资本主义感兴趣,而且还试图通过这些分析来理解社会主义如何可能。我们 都知道,马克思曾经花大量的时间和精力研究俄罗斯的问题、中国的问题。在 这些笔记中,我们则看到他的研究还进一步延伸到了印度尼西亚和阿尔及利 亚,他仔细研究早期的财产共同占有形式,希望能进一步揭示出未来社会的财 产形式。因此,如果你能够从这个角度和这种分析的深度来阅读马克思,你当 然不会同意还原论的马克思主义,同时也不会同意自由主义者们对马克思的攻 击。自由主义者们试图把马克思的所有这些具体分析都放在一边,攻击马克思 主义是简单的还原论,是只讲阶级斗争。

我在前面的访谈中提到,马克思学的研究主要取得了两方面的成就:文献 学方面的成就和对马克思理论的新阐释方面的成就,把这两个方面合在一起, 就涉及第三个方面,即马克思的未来。

首先,我们从文献学方面的研究成就来谈谈马克思学的研究会带来怎样 一个马克思的未来。通过文献学的研究,我们将会看到那批反对阿尔都塞“认 识论断裂”说法的马克思主义者们同样具有很大的狭隘性。他们在政治上反对 苏联的社会主义实践,苏联声称自己进行的是反对资本主义的科学社会主义的 实践,但他们却认为这实际上是把马克思的思想禁锢了起来,把它转化成了教 条主义的马克思主义。所以,他们要“解放”马克思。但他们也具有重要的局 限:虽然他们中有些人在对结构主义的马克思主义的批判方面写出了出色的著 作,但他们却同时主张要回到青年马克思,回到《1844 年经济学—哲学手稿》 的马克思。在我看来,这一现象不仅不可接受,而且令人难以置信。为了反对苏联版本的教条主义的马克思主义,他们没有回到马克思本人对现代资本主义 社会的具体分析,更没有关注马克思晚年对这一分析的进一步拓展,而是直接 要求回到早期的马克思。正如我刚才所提到的,马克思已经与政治经济学批判 结合了 40 年,他们却要求回到 40 年前的马克思!

这一代学者的局限性还与另一个因素有关,即他们大多都是哲学家。因 此,他们往往不关注《资本论》,或者说,他们由于只懂哲学也很难真正读懂 《资本论》。我现在正在撰写另外一本著作,题目是《没有〈资本论〉的马克思 主义》,我在该著中将专门讨论这一奇特的思想现象。也正是因为他们没有对 《资本论》的真正阅读,才往往会转而关注纯粹哲学的问题。他们希望通过讨 论马克思与黑格尔、与康德、与青年黑格尔派的关系来找到解决问题的答案。 因此,对于那一代学者来说,材料本身的不完整与他们研究领域的单一都造成 了其研究的局限性。

其次,我们再来看马克思学在理论阐释方面的努力会为我们带来一个怎 样的马克思。通过马克思学的研究,我逐渐转向晚年马克思。我之所以会有这 个转向,不是因为我相信在马克思那里有所谓的“认识论的断裂”,我认为那 些持“断裂”观点的人都是在肢解马克思的思想,他们对马克思的思想做了一 定的删改和肢解,然后就能够制造出“断裂”的假象。我要强调的是,晚年马 克思对问题的思考和处理已经更加复杂,他的这些更加复杂的思考对今天的我 们更有意义。当时摆在晚年马克思面前的有两个选择:或者立即让《资本论》 第 2 卷付诸出版,或者进一步继续那些还没有完成的探索和思考。我们都知 道,第一个选择对于马克思来说根本就不会被考虑,他无法停下那些已经开始 的思考,在确信问题已经被想清楚、并被已合适的方法表述清楚之前,马克思 绝不会轻易出版自己的著作。

那么,晚年马克思为什么对于当代世界十分重要?或者说,晚年马克思 为什么对于 21 世纪的中国具有重要意义?这是因为马克思不仅仅是一位理论 家,他更是一位战斗的革命家,此时他的政治斗争具有了非常明确的国际的维 度。晚年的马克思已经不再是 1848 年的马克思,那时的马克思所面临的主要 任务是在德国和法国的范围内与资产阶级结成联盟,共同反对贵族。晚年马 克思所面临的政治问题更加广泛,他所领导的是“第一国际”,他必须在国际 的高度上来思考工人运动。1872 年,“第一国际”解散,但马克思并不认为这 是彻底的终结,他一直深信它还会复兴、并一直在为这样的复兴努力。在“第一国际”的高度上,马克思所面对的已经不是德国的问题,而是整个欧洲的问 题。马克思的思想具有了欧洲的维度,而这个维度的思考又同时与其对整个世 界的思考相连。马克思的思考在此时第一次与俄罗斯的局势相关联。对于俄罗 斯马克思不再持纯粹的批判的态度,不再把俄罗斯看作仅仅是落后的和反动 的,是支撑欧洲反动力量的最后堡垒。在 1861 年俄罗斯农奴制改革之后,他 开始思考在俄罗斯爆发新革命的可能性。马克思必须在思想上对当时的局势进 行回应,他的思想已经在俄罗斯产生重要影响(《资本论》的第一个外文译本 不是法语译本,而是俄语译本),他必须回答俄罗斯的革命者们向他提出的那 些重要问题。马克思在给查苏利奇的回信中提到:“我相信过去的某种社会形 式蕴含着未来社会形式的雏形。”

正是在此背景之下,马克思开始研究人类学和殖民主义问题。阅读和了 解马克思的这些研究非常重要,因为在当今的学术界教条主义的马克思主义依 然盛行。人们依然把马克思塑造为欧洲中心主义的、殖民主义的和还原论的, 并在此基础上来反对和批评马克思。如果我们真正了解马克思晚期的这些研 究,我们就有足够的资源和理由来彻底颠覆这个强加在马克思身上的形象,就 可以使马克思彻底从这种种攻击中解脱出来。我的观点是,我们不是不可以批 判马克思,但我们必须要把我们的批判建立在真实的根据上,必须是在充分了 解马克思的基础上来展开批判。与此同时,我还认为晚年的马克思对于我们今 天的政治斗争也具有重要意义。马克思不仅仅是一个经典思想家,他在今天对 于我们的意义不仅仅在于他是苏联革命的支持者,其晚年的这些思考可以在我 们今天反对资本主义的斗争中成为最有效的工具。

张双利:非常感谢,你再一次强调了我们为什么必须重视马克思晚期思想 以及这些思想的当代意义。在此我想结合中国学界的状况对你的观点做些回 应。的确,自 20 世纪 80 年代以来,中国的马克思主义学界也开始越来越重视 马克思的早期著作。中国的学者们开始关注马克思的早期著作,强调马克思与 德国古典哲学和青年黑格尔主义之间的思想关联,但这并不是因为要反对阿尔 都塞的“认识论断裂”学说,而是为了反对教条主义的马克思主义,为了实现 思想的解放。自 20 世纪 80 年代以来,西方马克思主义的思想开始被介绍进 中国学界,在这些西方马克思主义思想的影响之下,尤其是以卢卡奇为代表 的人本主义的马克思主义的影响之下,很多学者开始关注马克思的早期著作,《1844 年经济学—哲学手稿》和《德意志意识形态》等著作受到了充分的重视。应该说中国的马克思主义学者们在这个方向上的努力取得了重要的成果。它一 方面为“新启蒙运动”提供了来自马克思著作的最丰富的思想资源,使整个中 国学界逐渐摆脱了教条主义的马克思主义的框架;另一方面通过强调马克思的 思想与整个西方哲学传统(尤其是德国古典哲学传统)之间的内在关联,它也 实质性地提升了马克思主义学术研究的哲学内涵。随着改革开放的逐渐深入, 这个倾向得到了进一步的继续,这是因为大量的马克思主义学者都是哲学领域 的学者。随着市场经济的发展和繁荣,经济学的领域越来越被自由主义和新自 由主义的经济学主导,政治学领域继续研究马克思的国家理论的学者也越来越 少。优秀的马克思主义学者大多集中在哲学领域,这也致使《资本论》等晚期 著作没能得到同样程度的重视。目前,中国的马克思主义学界正在经历新一轮 的自觉转型,随着中国现代化进程的深入展开,人们已经开始意识到必须加强 对《资本论》等晚期著作的研究,必须更进一步地学会用《资本论》的资源和 方法来研究和分析当代中国社会的现实问题。在这次会议上很多外国学者也注 意到,参会的中国学者在引用马克思的文献时,往往都局限在 1848 年以前的 著作。这个观察非常正确,不过我们同时也要看到中国的马克思主义研究目前 正处在一个新的转折点上。

马切罗·莫斯托:这个问题不仅关乎中国,而且关乎整个世界。在过去 的几年里已经陆续有一些重要的文献出版:布里尔学术出版社(BRILL)在其 “历史唯物主义系列著作”(historical materialism book series)中推出了《马克 思 1864—1865 年手稿》 A (这是第一个英文的版本),麦克米兰出版社推出了 Terrell CARVER 编辑的《马克思、恩格斯的〈德意志意识形态〉》B;我在 2014 出版的《工人们联合起来——共产国际 150 年》C 中收入了马克思、恩格斯在 “第一国际”时期所写下的大量文献,其中有 33 份文献之前从来没有在英语世 界发表过;明年耶鲁大学出版社将出版马克思晚年的人类学和民族学笔记的全 译本。随着所有这些著作的出版,我相信人们对马克思的理解和看法将发生重 大改变。我不是说这些著作将会使我们发现一个全新的马克思,而是要强调我们必须认真对待这些新整理出来的文献,要在这些新文献的基础上重新思考我 们之前的一些观点。

接下来,我想简单谈谈我的另一个研究领域,即马克思的思想在全世界 的被接受状况。我曾经在世界上的著名学府做过研究,彼时我查阅过各种研究 资料,以探究人们对马克思的兴趣所在,以及马克思学说的研究现状。我发 现,在政治学界,马克思被引用的最多的文章就是《论犹太人问题》,这说明 什么问题呢?设想你是政治学系大一或大二的学生,而且你恰好有一个不那么 保守的老师,布置给你一周的时间去了解马克思的政治学说,他们会直接要求 学生去读《论犹太人问题》。因为在他们看来这是马克思最重要的政治学文章。 但是,在英语界,布鲁诺·鲍威尔的《论犹太人问题》从来未被译成英文出版 过。也就是说,这些学生在没有读过鲍威尔这篇文章的前提下,直接阅读马克 思的《论犹太人问题》。这篇文章可是他与鲍威尔的论战啊!而且它是马克思 生平第一次发表的文章。你能想象,在你刚二十出头的年龄写下的文章,竟在 之后成为如此广泛传播的东西吗?

在社会学方面也有类似的例子。世界上 90% 的社会学系的学生仅仅读过 《德意志意识形态》的前 25 页,然后他们就得出结论:第一部分——生产,第 二部分——资本主义,第三部分——社会主义。这个结论简直太愚蠢了。这些 人不去阅读马克思最具代表的政治性文献,亦即我之前提到的第一国际时期 的文献,而从其他文献中去寻找马克思的“政治理论”。是什么造成了这种情 形?——这些文献出版得太晚了。我的母语不是英语,但是我却是在英语史上 研究第一国际时期文献的第一个研究者。事实是,那部分文献大概有 7000 页, 如果你不热爱马克思的话,阅读起来的确不大轻松。

哲学系呢?如果你去哲学系会发现,根本没有马克思的踪迹。当他们讨论 马克思的时候,他们论及的是异化,而其中最重要的概念是类存在,这是手稿 在谈论四重异化时一个十分哲学化的表述,与当时的青年黑格尔派的理路仍有 一定关联。那时候马克思还只是一个很年轻的学生,甚至都还不是学者,髭须 尚未丰满。相对于后来在《资本论》中对资本主义和社会主义的关系的深刻批 判,类存在概念可以与之相较高低吗?《德意志意识形态》对劳动的阐述能够取 代《资本论》中的分析吗?所以我想重申马克思学研究的重要性,它能够滋润 新一代的读者。不论你喜欢与否,或者是否对它持有批判的态度,至少你喜欢 或批判的是真实正确的东西,而不是某些学者们自己的臆造出来的理论。

张双利:我很想知道你的学生对你所讲的这个复杂版本的马克思的接受情 况。你在社会学系和政治学系都开设课程,在你的课堂上学生们会有怎样的反 应?他们是觉得被吸引、受启发,还是依然认为马克思距离当代世界太过遥 远?他们能否真正体会到马克思的思想的力量?

马切罗·莫斯托:这些学生是带着对马克思的成见来到我的课堂上的。他 们大多认为马克思只讲阶级斗争,他的理论早已过时,因为在这个世界已经不 再有无产阶级和资产阶级的对立。他们大多自认为是后现代主义者,在萨义德 等人的影响下,他们认为马克思是欧洲中心主义者、是东方主义者,因此他们 对他的理论怀有深深的成见。萨义德等人为何能够得出如此结论?那是因为他 们所了解的马克思的文献实在太少。他们只看到,马克思在 19 世纪 50 年代在 发表于《纽约论坛报》的那些文章中直接提到了印度等非西方社会,马克思曾 说印度没有历史。但他们不知道马克思在晚年对非西方社会有更加具体和深入 的研究,而且此时的马克思由于接触到了更多的资料已经改变了原来的很多想 法。在我的课堂上,我就是通过比较这些不同的文献来说明马克思思想的重要 变化,来帮助学生们逐渐厘清其原先所持有的一些错误看法。

在这里我还想提一下马克思主义教科书的问题。这些教科书对学生们具 有极大的误导性,教科书的作者们往往会围绕着一个问题任意地从马克思的不 同著作中摘取一个个片断,并在此基础上硬生生地制造出一些观点。这种做法 与马克思学的研究方法完全相反,它丝毫不尊重文本本身,不能在各个文本的 具体语境中来理解马克思的思想。也正是由于这些教科书依然在学生中发挥着 影响,我认为马克思学的方法具有极大的重要性,它可以帮助我们摆脱很多对 马克思的误解和歪曲。如果你是个有心的读者,有意识地对教条主义的马克思 主义者和反马克思主义者的相关论述做些比较,你就会发现他们双方对马克思 思想的论述竟然是高度一致!之所以如此,是因为他们都只阅读了马克思文献 中极少一部分。我一直认为马克思在政治学、经济学和哲学方面都是思想的巨 人,对马克思思想的研究还有美好的前景和未来,在这方面马克思学的研究可 以做出重要贡献。

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Nuevos populismos y xenofobia: El amenazador avance de la extrema derecha en Europa

El sexto país en número de habitantes de la Unión Europea ha girado a la derecha. Después de haberse impuesto en las presidenciales de mayo, el partido populista Ley y Justicia ha ganado las elecciones polacas, adjudicándose más del 39% de los votos y la mayoría absoluta de los escaños. Se sanciona así la derrota de la Plataforma Cívica, los liberal-conservadores – pero europeistas – en el gobierno desde 2007.

A diferencia de las llamadas al nacionalismo y la consigna “Los polacos, primero”, las reivindicaciones en materia económica de Ley y Justicia se han centrado en la promesa de aumentar los gastos sociales, mejorar el nivel salarial y bajar la edad de jubilación. Un programa de izquierda en un país en el que la izquierda ha defendido el neoliberalismo y ocupa hoy una posición del todo marginal. Un cambio, este último, que se ha repetido también en otras partes del del continente.

En los últimos veinte años en Europa el poder de decisión ha pasado cada vez más de la esfera política a la económica. La economía se ha convertido en un ámbito separado e inmodificable que asume opciones decisivas, situadas fuera del control democrático.

La substancial uniformidad de las decisiones tomadas por los gobiernos de muchos países y, más en general, la creciente hostilidad de buena parte de la opinión pública hacia la tecnocracia de Bruselas ha contribuido a producir un gran cambio en el escenario europeo.

El viento populista

Por doquier en el “viejo continente”, se ha desarrollado una oleada de anti-política que no ha exceptuado a las fuerzas de la izquierda, consideradas responsables del progresivo abandono de las instancias reformadoras. Han hecho implosión bipartidismos consolidados como el español y el griego, países en los cuales, tras el final de sus dictaduras, la suma de las fuerzas socialistas y del centro-derecha alcanzaba constantemente cerca de tres cuartos del electorado. Una suerte no muy distinta parece la reservada al bipolarismo italiano y al francés, por efecto de los cuales se verificaba puntualmente una división de los votos entre formaciones de centro-derecha y de centro-izquierda.

El panorama político europeo se ha visto modificado – amén de la alternativa al neoliberalismo que suponen Syriza y Podemos, que merece una reflexión aparte – por el fuerte incremento del abstencionismo, por el nacimiento de partidos populistas y por el significativo avance de las fuerzas de la extrema derecha.

El primero de estos fenómenos se ha manifestado con ocasión de las elecciones legislativas de casi todos los estados europeos, así como en las del Parlamento de Estrasburgo.

El segundo, en cambio, nació cabalgando la ola antieuropeista. En los útimos años han aparecido nuevos movimientos políticos, que se han declarado “post-ideológicos”, que han tenido como idea guía la denuncia genérica de la corrupción del sistema, el mito de la democracia online, o el euroescepticismo.

En 2006, sobre la base de estos principios, se fundó en Suecia y Alemania, de modo casi simultáneo, el Partido Pirata, y en 2009 el Movimiento 5 Estrellas en Italia, que dio a luz, en 2009, el cómico Beppe Grillo, y que se convirtió en las primeras elecciones generales a las que se presentaron, la primera fuerza política en italiano, con el 25,5% de los votos. En 2013, nació en Berlín Alternativa por Alemania (7% en las últimas elecciones europeas). En 2014, fue el turno de El Río (To Potami) en Grecia, que cosechó un 6,6% en las elecciones europeas y un 4,1% en sucesivas elecciones políticas, y del desarrollo a escala nacional, de Ciudadanos (C’s) -movimiento fundado en Cataluña en 2006-, con un 3,2% en las europeas, velozmente doblado en las municipales del 2015, con el 6,6% de las preferencias totales. Además, en mayo pasado, el cantante – y populista de derecha – Pawel Kukiz obtuvo el 21,3% en las elecciones presidenciales de Polonia y su movimiento se ha convertido en la tercera fuerza política polaca en las elecciones de octubre.

En el mismo periodo, se han consolidado en plataformas políticas análogas, formaciones que ya venían existiendo desde hacía tiempo. El caso más llamativo ha sido el del Partido para la Independencia del Reino Unido (UKIP), convertido, con el 26,6%, en la primera fuerza en las últimas elecciones europeas al otro lado del Canal de la Mancha.

El “nuevo” rostro de la derecha

Cuando los efectos de la crisis económica han comenzado a dejarse sentir de modo gravoso, partidos xenófobos, nacionalistas o neofascistas han visto crecer enormemente su aprobación.

En algunos casos, estos han cambiado su discurso político, substituyendo la clásica división entre derecha e izquierda con el conflicto “entre arriba y abajo”. En esta nueva polarización, se han presentado como candidatos para representar a esta última parte, el pueblo, contra el establishment, es decir, las fuerzas que se alternan en el gobierno, favoreciendo el poder omnímodo del libre mercado.

La implantación ideológica de estos movimientos se ha transformado. La componente racista ha quedado en muchos casos en segundo plano respecto a la temática económica. La oposición a las políticas sobre inmigración, ya ciegas y restrictivas, aplicadas por la Unión Europea se ha reforzado apelando a la guerra contra los pobres, antes incluso que sobre la discriminación basada en el color de la piel o el credo religioso. En un contexto de desempleo masivo y de grave conflicto social, la xenofobia fermenta a través de una propaganda que ha representado a los migrantes como principales responsables de los problemas en materia de empleo, servicios sociales y derechos.

Este cambio de rumbo ha influido seguramente en el resultado del Frente Nacional en Francia, el cual, bajo la guía de Marine Le Pen, ha alcanzado un 25,2% en las administrativas de 2015. La coalición, en sede europea, con la Liga Norte, se ha convertido en las elecciones locales de 2015 en el primer partido del centro-derecha italiano, superando a Forza Italia, ha permitido el nacimiento, en junio, del grupo Europa de las Naciones y de la Libertad en el europarlamento de Bruselas.

De él forman parte otras fuerzas políticas consolidadas que piden, desde hace tiempo, la salida del euro, la revisión de los tratados sobre inmigración y el retorno a la soberanía nacional. Entre ellas, las más representativas son el Partido de la Libertad Austriaco, que ha conseguido el 20,5% en las elecciones generales de 2013, y el Partido por la Libertad holandés, que cosechó el 13,3% en las elecciones europeas. Estos dos partidos se han convertido en tercera fuerza política en sus respectivos países.

Las fuerzas de extrema derecha han entrado en diversos grupos del Europarlamento y, por vez primera desde la Segunda Guerra Mundial, han hechos progresos relevantes en otras regiones de Europa.

En Suiza, las recientes elecciones de octubre de 2015 las ha ganado, con un 29,4% de los votos – el mejor resultado de su historia -, el Partido del Pueblo Suizo – Unión Democrática de Centro (SVP-UDC), la formación de ultraderecha xenófoba y antieuropeista que, en el pasado, promovió el referéndum, aprobado en 2009, que estableció la prohibición de construir nuevos minaretes en el país.

También en Escandinavia, constituyen una realidad bien consolidada, además de la orientación política que ha registrado la mayor expansión electoral. En la patria por antonomasia del “modelo nórdico”, los Demócratas Suecos, nacidos en 1988 de la fusión de diversos grupos neonazis, se han convertido, con el 12,8% de la preferencia electoral, en el tercer partido más votado en las legislativas de 2014.

En Dinamarca y en Finlandia, dos partidos fundados en 1995, ambos adheridos al Grupo de Conservadores y Reformistas Europeos, han logrado resultados todavía más sorprendentes, convirtiénose en segunda fuerza política de sus respectivos países.

Suscitando el estupor general, el Partito Popular Danés ha sido, con el 26,6%, el movimiento político más votado en las últimas elecciones europeas. Tal éxito se ha visto confirmado en las legislativas de 2015, a continuación de las cuales, con el 21,1% de las preferencias, ha entrado en la mayoría de gobierno. Tras las elecciones de 2015, a las carteras del gobierno de Helsinki han ascendido también los Verdaderos Finlandeses, con el 17,6% de los votos. En Noruega, por último, con el 16,3% de las preferencias, ha llegado por primera vez al gobierno el Partido del Progresso, con una visión política análogamente reaccionaria.

La notable y casi uniforme afirmación de estos partidos, en una región donde las organizaciones del movimiento obrero han ejercitido una indiscutida hegemonía durante larguísimo tiempo, ha sido también posible porque los partidos de extrema derecha se han apoderado de batallas y temáticas muy caras en el pasado a la izquierda, ya fuera socialdemócrata o comunista. El maquillaje de la simbología política (los Demócratas Suecos han substituido, por ejemplo, la llama típica de los movimientos fascistas por una flor del campo más tranquilizadora con los colores nacionales) y la llegada de líderes jóvenes y capaces de comunicar con los medios han sido útiles, pero no fundamentales.

El avance de la derecha se ha producido recurriendo no sólo a las clásicas campañas reaccionarias, como las contrarias a la globalización, la llegada de nuevos refugiados o peticionarios de asilo y el espectro de la “islamización” de la sociedad. En la base de su éxito ha estado, sobre todo, la reivindicación de políticas, tradicionalmente de izquierda, a favor del Estado social. Se trata, empero, de un nuevo tipo de welfare. Ya no universal, inclusivo y solidario, como el del pasado, sino algo basado en un principio diferente – que algunos estudiosos han definido como welfare nationalism -, es decir, proporcionar derechos y servicios exclusivamente a los miembros de la comunidad nacional ya existente.

A la gran aprobación recibida en las zonas rurales y de provincia, despobladas y con tasas de paro inéditas, la extrema derecha escandinava ha añadido, así, la de la clase obrera que, en una parte significativa, ha cedido al chantaje de “o inmigración o Estado social”.

Peligro en el Este

También en diversos países del Este europeo la extrema derecha ha logrado reorganizarse, después del final de los regímenes prosoviéticos. La Unión Nacional Ataque en Bulgaria, el Partido Eslovaco Nacional y el Partido de la Gran Rumania son algunas de las fuerzas políticas que han logrado buenos resultados electorales y estar presentes en el parlamento.

En esta zona de Europa, el caso más alarmante es el de Hungría. Tras la aplicación de severas medidas de austeridad, introducidas por el Partido Socialista Húngaro, como regalo a las intimaciones de la Troika, y a continuación de la grave crisis de deflación desencadenada por estas, llegó al poder la Unión Cívica Húngara – Fidesz (miembro del Partido Popular Europeo). Tras haber depurado la magistratura y puesto bajo control a losmass media, en 2012 el gobierno húngaro introdujo una nueva Constitución con acentos fuertemente autoritaros.

Junto a esta peligrosa realidad, desde 2010 el Movimiento por una Hungría Mejor (Jobbik) se ha convertido en el tercer partido del país (20,5% en las elecciones de 2014). A diferencia de las fuerzas presentes en la Europa occidental y escandinava, Jobbik representa el clásico ejemplo – hoy dominante en el Este – de formaciones de extrema derecha que siguen utilizando el odio contra las minorías (sobre todo, la de los Rom), el antisemitismo y el anticomunismo como principales instrumentos de propaganda y de acción.

Completan, por último, este panorama diversas organizaciones neonazis, dispersas por varias zonas de Europa. Dos de ellas han obtenido una aprobación nada desdeñable. El Partito Nacional-Democrático de Alemania alcanzó un l’1,5% en las elecciones de 2013 y consiguió un eurodiputado en 2014; Amanecer Dorado, en Grecia, alcanzó un 9,4% en las europeas de 2014 y un 7% en las elecciones de 2015, consolidándose, en ambos casos, como tercera fuerza política del país.

En estos años, por tanto, los partidos de la extrema derecha han ampliado decididamente su consenso en Europa en casi todas partes. En muchas ocasiones se encuentran en condiciones de hegemonizar el debate político y, en algunos casos, han logrado llegar al gobierno.

Sin embargo, tanto en Grecia como en las regiones orientales de Alemania, han conseguido resultados inferiores a los que habría podido obtener; mientras que en España, Portugal, y República Checa, es decir, en los que la oposición social ha sido dirigida por la izquierda anticapitalista, no se han dado las condiciones para su renacimiento. Se trata de importantes indicaciones que han de tenerse presentes, en un marco político que está cambiando a gran velocidad.El avance de la extrema derecha en Europa sigue siendo, de todos modos, una epidemia muy preocupante, a la cual no se puede responder desde luego sin combatir el virus que la ha generado: la letanía neoliberal tan en boga hoy en Bruselas.

Traducción: Lucas Antón

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Polonia al voto, favorita la destra. Un vento insidioso soffia in Europa

Il sesto paese per numero di abitanti dell’Unione Europea vira a destra. Dopo aver vinto le presidenziali di maggio, il partito populista Diritto e Giustizia è il grande favorito delle odierne elezioni polacche, che dovrebbero sancire la sconfitta di Piattaforma Civica, i liberal-conservatori – ma europeisti – al governo dal 2007.

A differenza dei frequenti richiami al nazionalismo e alla parola d’ordine “Prima ai polacchi”, le rivendicazioni in materia economica di Diritto e Giustizia sono state incentrate sulla promessa di aumentare la spesa sociale, migliorare il livello dei salari e abbassare l’età pensionabile. Un programma di sinistra, in un paese dove la sinistra ha difeso il neoliberismo e occupa, oggi, una posizione del tutto marginale. Una vicenda, quest’ultima, che si è ripetuta anche in altre parti del continente.

Negli ultimi anni, ovunque in Europa è aumentata l’ostilità, di larga parte dell’opinione pubblica, verso la politiche di austerità imposte dalla Troika.

Il panorama politico europeo è mutato per effetto del successo di movimenti populisti (come l’UKIP in Inghilterra e il M5S in Italia) e della significativa avanzata delle forze dell’estrema destra.

Il primo di questi fenomeni ha avuto quali comuni denominatori l’euroscetticismo e una generica denuncia della corruzione del sistema. Il secondo, invece, ha registrato un cambiamento nel discorso dei partiti xenofobi e nazionalisti che, alla classica distinzione tra destra e sinistra, hanno sostituito quella “tra l’alto e il basso”. In questa nuova polarizzazione, le forze dell’estrema destra si sono candidate a rappresentare quest’ultimo, il popolo, contro l’establishment e i poteri che hanno favorito lo strapotere del mercato.

Il “nuovo” volto della destra

L’impianto ideologico dell’estrema destra si è trasformato. La componente razzista è stata, in molti casi, messa in secondo piano rispetto alle tematiche economiche. L’opposizione alle, già cieche e restrittive, politiche sull’immigrazione, attuate dall’Unione Europea, si è rafforzata facendo leva sulla guerra tra poveri, ancor prima che sulla discriminazione basata sul colore della pelle o sul credo religioso. In un contesto di disoccupazione di massa e di grave conflitto sociale, la xenofobia è lievitata attraverso una propaganda che ha rappresentato i migranti quali principali responsabili dei problemi in materia di occupazione e servizi sociali.

Questo mutamento di rotta ha sicuramente influito sul risultato del Fronte Nazionale in Francia, che ha raggiunto il 25,2% alle amministrative del 2015.

In Europa, sono alleate del partito guidato da Marine Le Pen altre consolidate forze politiche, che chiedono, da tempo, l’uscita dall’euro, la revisione dei trattati sull’immigrazione e il ritorno alla sovranità nazionale. Tra esse, le più rappresentative sono il Partito della Libertà Austriaco, che la scorsa settimana ha sfiorato il 31% alle elezioni municipali di Vienna, e il Partito per la Libertà, terza forza politica in Olanda.

Le forze populiste hanno compiuto rilevanti avanzamenti anche in altre regioni d’Europa. Il Partito del Popolo Svizzero ha vinto, con quasi il 30% dei voti, le elezioni del 18 ottobre e in Scandinavia l’estrema destra costituisce, oramai, una realtà ben consolidata.

Nella patria del “modello nordico”, i Democratici Svedesi, nati attraverso la fusione di diversi gruppi neo-nazisti, sono stati, con il 12,8% delle preferenze, il terzo partito più votato alle legislative del 2014.

In Danimarca e in Finlandia vi sono stati risultati ancora più sorprendenti. Il Partito Popolare Danese è stato il movimento politico più votato alle ultime elezioni europee. Tale successo è stato confermato alle legislative del 2015, in seguito alle quali, con il 21% delle preferenze, è entrato nella maggioranza di governo. Dopo le elezioni del 2015, sugli scanni dell’esecutivo di Helsinki sono saliti anche i Veri Finlandesi, col 17,6% dei voti.

In Norvegia, infine, è arrivato per la prima volta al governo il Partito del Progresso, di vedute politiche analogamente reazionarie.

L’avanzata dell’estrema destra, in una regione dove le organizzazioni del movimento operaio hanno esercitato per lungo tempo un’indiscussa egemonia, non è avvenuta soltanto per merito di classiche campagne reazionarie, come quelle contro la globalizzazione, l’arrivo di nuovi richiedenti asilo e lo spettro della “islamizzazione” della società. Alla base del suo successo vi è stata la rivendicazione di politiche – tradizionalmente di sinistra, ma abbandonate dalle socialdemocrazie – in favore dello stato sociale. Si tratta, però, non più del welfare universale, inclusivo e solidale del passato, ma di un tipo diverso, basato sul principio di fornire diritti e servizi esclusivamente ai membri della già esistente comunità nazionale.

Al grande consenso ricevuto nelle zone rurali e di provincia, depopolate e con tassi di disoccupazione da primato (le stesse dove, in Grecia, raccolgono molti voti i neo-nazisti di Alba Dorata), i populisti scandinavi hanno, così, aggiunto quello di una parte della classe lavoratrice, che ha ceduto al ricatto “immigrazione o stato sociale”.

Pericolo a Est

L’estrema destra è riuscita a riorganizzarsi anche in diversi paesi dell’Est. L’Unione Nazionale Attacco in Bulgaria, il Partito Slovacco Nazionale e il Partito Grande Romania sono alcune delle forze politiche che hanno ottenuto buoni risultati elettorali e la presenza in parlamento.

In questa zona d’Europa, il caso più allarmante è quello dell’Ungheria. In seguito alla grave crisi deflazionistica, innescata dalle severe misure di austerità che sono state introdotte dai socialisti, in ossequio alle intimazioni della Troika, è giunto al potere il partito Fidesz. Dopo aver epurato la magistratura e messo sotto controllo i mass media, nel 2012 il governo ungherese ha introdotto una nuova costituzione dai connotati fortemente autoritari.

Inoltre, dal 2010, il Movimento per un’Ungheria Migliore (Jobbik) è diventato il terzo partito del paese (20,5% alle elezioni del 2014). A differenza delle forze presenti nell’Europa occidentale e scandinava, Jobbik rappresenta il classico esempio – oggi dominante a Est – di formazioni di estrema destra, che continuano a utilizzare l’odio contro le minoranze (in particolare quella Rom), l’antisemitismo e l’anticomunismo quali principali strumenti di propaganda e di azione.

In questi anni, dunque, i partiti della destra estrema hanno decisamente ampliato il loro consenso quasi in ogni parte d’Europa. In molte occasioni, sono stati in grado di egemonizzare il dibattito politico e, in alcuni casi, sono riusciti ad andare al governo. L’espansione dell’Unione Europea a levante ha decisamente spostato a destra il baricentro politico del continente, come hanno testimoniato le rigide posizioni oltranziste, assunte dai governi dell’Europa orientale, durante le recente crisi in Grecia e di fronte all’arrivo dei popoli in fuga dai teatri di guerra.

Si tratta di un’epidemia molto preoccupante, alla quale non si può certo pensare di rispondere senza combattere il virus che l’ha generata: il mantra neoliberista oggi ancora tanto in voga a Bruxelles.

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A megfelelő ember a megfelelő helyen

A kezdeti lépések
1864. szeptember 28-án a London szívében található St. Martin’s Hallt a megjelent mintegy kétezer munkás zsúfolásig megtöltötte. A munkásokat az angol szakszervezeti vezetők és a kontinensen élő munkások egy kis csoportja hívta össze: az előzetes közlemények „a párizsi munkások által szervezett küldöttségről” beszéltek, amely „átadja majd válaszukat angol testvéreik üdvözletére, továbbá átnyújt egy tervezetet, amelyet a népek közötti megértés fejlesztése érdekében dolgoztak ki”. (Rjazanov 1925, 171).

A kezdeményezés szervezői nem tudták elképzelni – és nem is láthatták előre –, lépésük milyen eredményre vezet. Eredeti tervük az volt, hogy nemzetközi fórumot hoznak létre, ahol a munkásokat érintő legfontosabb problémákat meg lehet vizsgálni és meg lehet vitatni, de nem azzal a szándékkal, hogy újfajta szervezetet akarnak megalapítani, amely koordinálná a szakszervezetek és a munkásság politikai akcióit. Ugyanígy, ideológiájukat eredetileg általános etikai-humanitárius elemek hatották át, például a népek közötti testvériség és a világbéke eszméjének fontossága, és sokkal kevésbé foglalkoztatta őket az osztályharc és az egyértelműen megfogalmazott politikai célok. E korlátok miatt a St. Martin’s Hallban tartott gyűlés is egyike lehetett volna annak a számos, korabeli, tétova demokratikus kezdeményezésnek, amelyek rövid idő alatt elhaltak. Valójában azonban itt született meg a munkás- mozgalom minden olyan későbbi szervezetének prototípusa, amelyet a reformisták és a forradalmárok is viszonyítási pontnak tekintettek a továbbiakban: itt formálódott meg a Nemzetközi Munkásszövetség, rövidebb elnevezéssel az Internacionálé.

Az Internacionálénak köszönhető, hogy a munkásmozgalom világo- sabban megértette a kapitalista termelési mód mechanizmusát, hogy tudatosabban felmérhette saját erejét, és hogy a küzdelem újabb, fejlettebb formáit alakíthatta ki.Másrészt viszont az uralkodó osztályok köreiben a szervezet megalapítása rémületet váltott ki. Jeges borzongással töltötte el őket az az elképzelés, hogy a munkások is aktívan részt kívánnak venni a történelemben, és nem is egy kormány alapvető céljául tűzte ki az Internacionálé felszámolását, és a rendelkezésére álló minden eszközt bevetve üldözte a szervezetet.

Az Internacionálét alapító munkásszervezetek nagyon vegyes képet mutattak. A legjelentősebb mozgatóerő a brit szakszervezeti mozgalom volt, amelynek vezetőit – világlátását tekintve gyakorlatilag mindegyikük reformista volt – elsősorban gazdasági kérdések foglal- koztatták; harcoltak a munkásság munkafeltételeinek javításáért, de magának a kapitalizmusnak a létezését nem vonták kétségbe. Ők az Internacionálét olyan eszköznek tekintették, amely elősegítheti céljaik megvalósulását, amennyiben megakadályozza külföldi sztrájktörők behozatalát Nagy-Britanniába.

A szervezeten belül ugyancsak jelentős erőt képviseltek a mutualisták, akik Franciaországban régóta túlsúlyban voltak, de erősek voltak Belgiumban és Svájc francia nyelvű területein is. Pierre-Joseph Proudhon (1809–1865) elmélete alapján elutasították, hogy a munkásosztály bármilyen értelemben részt vegyen a politikában, és ellenezték a sztrájkot is mint harci eszközt, továbbá konzervatív nézeteket vallottak a nők emancipációjának kérdésében. Proudhon követői föderalista elvek szerint működő szövetkezeti rendszert képzeltek el, és úgy gondolták, ha mindenkinek egyenlő feltételeket biztosítanak a banki hitelek felvételekor, akkor sikerül majd a kapita- lizmust megváltoztatni. Azt mondhatjuk, hogy végül aztán ők alkották az Internacionálé jobb szárnyát.

E két, számszerű többséget alkotó csoport mellett akadtak további, a fent említettektől eltérő árnyalatot képviselő résztvevők is. A harma- dik legjelentősebb csoportot a kommunisták alkották, akik Karl Marx (1818–1883) körül tömörültek, és csekély befolyással rendelkező, kis csoportosulásokban voltak aktívak – mindenekelőtt német és svájci városokban, illetve Londonban. Ők antikapitalisták voltak, azaz eluta- sították a fennálló termelési rendszert, és támogatták a politikai akciók szükségességének elvét a rendszer megdöntése érdekében.

Alapítása idején az Internacionálé soraiban olyan elemek is felbuk- kantak, akiknek semmi közük sem volt a szocialista tradícióhoz, így például kelet-európai emigránsok egyes csoportjai, akiket homályos demokratikus elvek mozgattak. Köztük voltak Giuseppe Manzini (1805–1872) követői, akinek osztályokon átívelő koncepciója, melyet elsődlegesen nemzeti követelések fűtöttek, az Internacionáléban olyan fórumot látott, amely hasznos és alkalmas arra, hogy általános felhívást intézzenek szélesebb körben az elnyomott népek felszabadításának érdekében.

A képet tovább bonyolítja az a tény, hogy az Internacionáléhoz csat- lakozott egyes francia, belga és svájci munkáscsoportok a legkülön- félébb zavaros ideológiákat hozták magukkal, melyek között utópikus elképzelések is megfogalmazódtak. Ezek a csoportok a maguk komplex kulturális hálózatával és politikai/ szakszervezeti tapasztalataival rajta hagyták kezük nyomát a szüle- tőben lévő Internacionálén. Valóban fáradságos feladat volt egy álta- lános működési keret kiépítése, és ilyen tág szervezet egybentartása még föderális alapon is. Ezen kívül, miután sikerült közös porgramot elfogadniuk, minden egyes irányzat továbbra is (időnként centrifugális) befolyást gyakorolt a helyi szekciókban, ahol többséget alkotott.

Marx érdeme, hogy mindezen áramlatok együtt tudtak működni egyazon szervezeten belül olyan program alapján, amelytől az egyes csoportok kiinduló elvei fényévnyi távolságra álltak. Marx politikai tehetsége lehetővé tette számára, hogy összebékítse a látszólag összebékíthetetlent, így biztosítva, hogy az Internacionálé sok korábbi munkásszervezettel ellentétben ne tűnjön el a történelem a süllyesztőjében (Collins–Abramsky 1965. 34). Marx volt az, aki világos célt adott az Internacionálénak, és az is Marx érdeme, hogy sikerült szilárd osztályalapokon álló, de nem kirekesztő politikai programot megfogalmazni, amely a szervezetnek minden szektarianizmuson túl tömegjelleget biztosított. A Főtanács politikai szelleme mindig Marx volt: ő szövegezte meg minden határozatukat, és ő készítette min- den egyes kongresszusi jegyzőkönyvüket (kivételt jelent az 1867-es lausanne-i kongresszus, amikor minden idejét A tőke korrektúrájának szentelte). Ő volt „a megfelelő ember a megfelelő helyen” ahogyan azt a német munkásvezér, Johann Georg Eccarius (1818–1889) egy helyütt megfogalmazta.

Elsősorban Marx munkabírásának köszönhető, hogy az Internaci- onálé fokozatosan a politikai szintézis funkcióját látta el, a sokszínű nemzeti irányzatokat közös harci célkitűzésben egységesítve, ami elismerte alapvető autonómiájukat, ha az irányító centrumtól való teljes függetlenségüket nem is tarthatták meg. Az egység fenntartása időnként iszonyú erőfeszítésekbe került, főképpen azért, mert Marx an- tikapitalizmusa sohasem vált a szervezeten belül meghatározó politikai pozícióvá. Az idők során azonban, részben éppen állhatatosságának köszönhetően, részben pedig az időnként bekövetkező kiválások miatt, Marx eszméje lett a hegemón doktrína. Nehez küzdelem, de a politikai megformálódás erőfeszítései a későbbi évek harcaiban jelentősen megtérültek. A munkások mozgósításának jellege, a párizsi kommün- nek a rendszer elleni tiltakozása, az a korábban soha nem tapasztalt feladat, hogy ilyen hatalmas és komplex szervezetet egyben tartsanak, a munkásmozgalmon belül jelentkező más irányzatokkal folytatott állandó polémia a legkülönfélébb elméleti és politikai kérdésben: mindezek a körülmények Marxot a politikai gazdaságtan határainak átlépésére ösztökélték, ami korábban gyelmének jórészét lekötötte az 1848-as forradalom bukását és a legprogresszívebb erők hanyatlását követően. Egyidejűleg ezek a tapasztalatok arra késztették, hogy to- vább fejlessze vagy felülvizsgálja nézeteit, hogy régi bizonyosságokatvita tárgyává tegyen és új kérdéseket fogalmazzon meg önmagának, különösen pedig is arra, hogy kapitalizmuskritikáját tovább élesítse a kommunista társadalom nagy vonalakban történő felvázolásával. Az ortodox szovjet álláspont Marxnak az Internacionáléban játszott szerepét illetően – amely szerint Marx mechanikusan alkalmazta korábban, dolgozószobája elzártságában kigondolt politikai elméletét a történelem adott fejlődési fokára – a fentiek következtében teljesen ellentmond a valóságnak.1

A mutualisták veresége
Mivel a legfontosabb szervezeti ügyek és az Internacionálé története idején bekövetkezett jelentős politikai események nincsenek szinkronban egymással, ezért nehéz a szervezet történetét időrendi sorrendben rekonstruálni. A szervezeti szempontú megközelítésben a jelentősebb állomások a következők voltak: 1. az Internacionálé megszületése (1864–1866), alapításától az első kongresszusig (Genf, 1866); 2. a terjeszkedés korszaka (1866–1870); 3. a forradalmi hullám és a Pári- zsi Kommün leverését követő megtorlás (1871–1872); 4. a szakadás és válság (1872–1877). Elméleti szempontból vizsgált fejlődésében ugyanakkor a következő állomások szerepelnek: 1. számtalan alapító szervezete közötti kezdeti viták és a szervezet alapjainak lefektetése (1864–1865); 2. a kollektivisták és a mutualisták közötti küzdelem a hegemóniáért (1866–1869); és 3. a centralisták és az autonomisták közötti összecsapás (1870–1877). Az alábbi kifejtés csak az elméleti szempontú fejlődési állomásokat vizsgálja részletesebben, melyek elsősorban a 2. és a 3. pontokhoz kapcsolódnak2.

Az Internacionálé legmérsékeltebb szárnyát négy éven át a mutua- listák alkották. A brit szakszervezetek, amelyek a szervezet többségét alkották, nem osztották Marx antikapitalista nézeteit, és nem is volt a szervezet politikájára olyan erős befolyásuk, mint amilyet Proudhon hívei gyakoroltak rá.

A francia anarchista elméletét alapul véve a mutualisták azt állították, hogy a munkásság gazdasági emancipációjához termelési szövetke- zetek és egy központi népi bank alapítása vezet majd el. Szilárdan elutasítottak mindenféle állami beavatkozást, ellenezték a föld és a termelőeszközök társadalmasítását és ellenezték a sztrájnak mint po- litikai fegyvernek az alkalmazását is. 1868-ban például még mindig sok olyan szekció létezett az Internacionáléban, amely ennek a harci esz- köznek negatív, gazdaságellenes értéket tulajdonított. Emblematikus ebből a szempontból a liège-i szekciónak a sztrájkról szóló jelentése: „A sztrájk harc. Ennek következtében alkalmas a nép és a polgárság közötti gyűlölet felszítására, ezzel még inkább eltávolítja egymástól azt a két osztályt, amelyiknek egybe kellene olvadnia és egyesülniekellene egymással” (Maréchal 1962, 268). A Főtanács álláspontjától és téziseitől aligha lehetett volna nagyobb a távolság.

Marx kétségkívül kulcsszerepet játszott abban a hosszú küzdelemben, aminek során Proudhonnak az Internacionáléra gyakorolt befolyá- sa fokozatosan csökkent. Maguk a munkások azoban már kezdték fél- retenni a proudhoni doktrínákat; mindenekelőtt a sztrájkok elburjánzása győzte meg a mutualistákat elméletük hibás voltáról. A proletárharcok azt mutatták, hogy a sztrájkra az adott állapotok javításának azonnali eszközeként van szükség, illetve azt, hogy a sztrájkok megerősítik az osztályöntudatot, ami az eljövendő társadalom megteremtésének elengedhetetlen feltétele. Hús-vér fér ak és nők akadályozták meg a kapitalista termelést, hogy jogokat és társadalmi igazságosságot követeljenek maguknak, ezáltal elmozdították ez erőviszonyokat az Internacionálén belül és – ami még jelentősebb – a társadalom egészé- ben is. A párizsi bronzöntők, Rouen és Lyons szövőmunkásai, Saint- Étienne szénbányászai voltak azok, akik – sokkal erőteljesebben, mint bármilyen elméleti vita – meggyőzték az Internacionálé francia vezetőit arról, hogy a földeket és az ipart társadalmasítani kell. És Proudhon nézeteivel szemben a munkásmozgalom demonstrálta, hogy lehetetlen leválasztani a társadalmi-gazdasági kérdéseket a politikai kérdésről. (Freymond 1962, I. XIV).

Az 1868. szeptember 6–13. között 99 küldött (akik Franciaországból, Svácból, Németországból, Sapnyolországból és Belgiumból érkez- tek) részvételével megtartott brüsszeli kongresszuson végül sikerült a mutualisták szárnyait lenyesni. A csúcspont akkor következett be, amikor a gyűlés elfogadta De Paepe javaslatát a termelési eszközök társadalmasításáról – ez meghatározó jelentőségű előrelépés volt a szocializmus gazdasági alapjainak meghatározásában, és ettől kezdve már nemcsak egyes értelmiségiek írásaiban, hanem egy nagy nemzetközi szervezet programjában is szerepelt (Musto 2014, 3. dokumentum).

Ezzel Brüsszelben az Internacionálé nyilvánosságra hozta első, egyértelmű nyilatkozatát a termelési eszközöknek az államhatalom általi társadalmasítása mellett. Ez a Főtanács jelentős győzelmét mutatta, és a szocialista elvek első ízben jelentek meg egy fajsúlyos munkásszervezet politikai programjában. Ha az Internacionálé kollektivista fordulatára a brüsszeli kongresszuson került sor, akkor a következő év szeptember 2–12. között rendezett bázeli kongresszus meghatározó eseménye a konszolidáció volt, ami még francia földön is felszámolta a proudhonizmust. Ezen a kong- resszuson 78 küldött vett részt, akik már nemcsak Franciaországból, Svájcból, Németországból, Nagy-Britanniából és Belgiumból érkeztek, hanem a bővülés egyértelmű jeleként Spanyolországból, Olaszország- ból és Ausztriából is jöttek, sőt, az észak-amerikai Nemzeti Munkás Egyesület is képviseltette magát egy küldöttel.

A bázeli kongresszus küldöttei egyetértőleg megerősítették a brüsszeli kongresszusnak a földbirtokról hozott határozatait, 54 igen, 4 nem és 13 tartózkodás mellett. A francia delegáció mind a tizenegy tagja elfogadta azt az új szövegezést, amely kijelentette „hogy a társadalomnak jogában áll felszámolni a föld magántulajdonát és azt a közösségnek átadni”. (Burgelin 1962, II. 74). Bázelt követően az Internacionálé francia szekciója már nem volt mutualista.

A bázeli kongresszus azért is volt is érdekes, mert küldöttként részt vett a folyamatok alakításában Mihail Bakunyin is. Miután nem tudta megszerezni a Liga a Békéért és a Szabadságért nevű szervezet ve- zetését, 1868-ban Genfben megalapította a Szocialista Demokrácia Egyesülést, és decemberben ez utóbbi szervezet kérte felvételét az Internacionáléba. A következő évben Bakunyin eszméi számos köve- tőre találtak sok városban, elsősorban Dél-Európában és szélsebesen sikert arattak Spanyolországban.

Az Internacionálé és a párizsi kommün
1870 szeptemberében az Internacionálé előkészületeket tett ötödik kongresszusa lebonyolítására. Eredetileg Párizsban akarták megren- dezni, de akkor – 1870. július 19-én – a francia-porosz háború kitörése miatt nem maradt más választás, mint lemondani a kongresszust.

A németek Sedannál aratott győzelmét és Bonaparte elfogását követően, 1870. szeptember 4-én Franciaországban kikiáltották a harmadik köztársaságot. A következő év januárjában véget ért Párizs négy hónapig tartó ostroma, amikor a franciák elfogadták Bismarck feltételeit; az ezt követő tűzszünet lehetővé tette választások lebonyo- lítását és Adolphe Thiers (1797–1877) köztársasági elnöki kinevezését óriási legitimista és orleanista többségi támogatással. A fővárosban azonban a progresszív-köztársasági erők elsöprő fölénnyel nyertek, és széles körű népi elégedetlenség bontakozott ki. Amikor a párizsiak azzal szembesültek, hogy a kormány le akarja fegyverezni a várost, és minden társadalmi reformot meg akar akadályozni, szembefordultak Thiers-rel és március 18-án kezdetét vette a munkásmozgalom első nagyszabású politikai eseménye: a Párizsi Kommün.

Noha Bakunyin sürgette, hogy a munkások a honvédő háborút for- dítsák át forradalmi harcba, a Főtanács kezdetben a hallgatás mellett szavazott. A Kommün győzelmét ünneplő szenvedélyes nyilatkozat azzal a kockázattal járt volna, hogy hiú ábrándokat kelt az aurópai munkásság köreiben, végső soron pedig a demoralizálódás és a hiteltelenség forrásává lett volna. Marx tehát úgy határozott, hogy el- halasztja a bejelentést, és hosszú heteken át távol maradt a Főtanács űléseiről. Nyomasztó jóslatai hamarosan túlzottan is megalapozottak- nak bizonyultak, és május 28-án, alig több mint két hónappal kikiáltásátkövetően a Párizsi Kommünt vérbe fojtották. Két nappal később Marx megjelent a Főtanácsban és magával hozott egy kéziratot ezzel a címmel: A polgárháború Franciaországban. A dokumentumnak a következő néhány hétben óriási hatása volt, sokkal nagyobb, mint bármelyik másik XIX. századi munkásmozgalmi dokumentumnak.

A „véres hét” (május 21–18) során, ami a „Versaillais” (a Versaillesiak), vagyis az ellenforradalmi erők betörését követte Párizsban, több tízezer kommünár vesztette éltét az összecsapásokban, vagy pedig egyszerűen kivégezték őket; ez volt a francia történelem leg- véresebb mészárlása. További 43 000 embert, vagy talán ennél is többet vetettek börtönbe, közülük később 13 500 főt halálra ítéltek, bebörtönöztek, kényszermunkára ítéltek vagy deportáltak (sokakat a távoli új-kaledóniai gyarmatra). További 7 000 embernek sikerült elmenekülnie, ők Angliában, Belgiumban vagy Svájcban telepedtek le. Az európai konzervatív és liberális sajtó fejezte be a Thiers katonái által elkezdett munkát, amikor azzal vádolták a kommünárokat, hogy szörnyű bűntetteket követtek el, és diadalmasan írtak arról, hogyan győzedelmeskedett a „civilizáció” a pimasz munkáslázadás fölött. Ettől kezdve az Internacionálé állt a vihar középpontjában, minden egyes, a fennálló rendszerrel szembeni lépésért őket okolták. Marx keserű iróni- ával jegyezte meg: „A chicagói nagy tűzvészt a távíró az Internacionálé pokoli műveként adta hírül az egész világnak, és valóban csodálatos, hogy a Nyugat-Indián végigsöprő orkánt nem az Internacionálé démoni behatásának tulajdonították.” (MEM, 18. 1969, 125)

Marxnak egész napokat azzal kellett töltenie, hogy válaszoljon a sajtónak az Internacionáléra szórt és a személyét érintő rágalmakra: „pillanatnyilag” – írta, [ő volt] „a legtöbbször megrágalmazott és a leg- fenyegetettebb ember Londonban”.

A párizsi véres megtorlás, a rágalomhadjárat és más európai kor- mányzatok repressziója ellenére az Internacionálé megerősödött és jóval szélesebb körben vált ismertté a kommün nyomán. A szervezet- re a kapitalisták és a középosztályok úgy tekintettek, mint a fennálló rend elleni veszélyre, de a munkásokban táplálta a reményt: olyan világ reményét, amelyben nincs kizsákmányolás és igazságtalanság. (Haupt 1978, 28). A lázadó Párizs megerősítette a munkásmozgal- mat, és arra késztette, hogy még radikálisabb pozíciót képviseljen, és fokozza harcias szellemét. A tapasztalat bebizonyította, hogy a forradalom lehetséges, s hogy lehet és kell is legyen az a cél, hogy a kapitalista rendszertől gyökeresen különböző társadalom épüljön fel; de egyidejűleg az is megmutatkozott, hogy e cél elérése érdekében a munkásoknak rugalmas, jól szervezett politikai szövetségeket kell kialakítaniuk. (Haupt 1978, 93–95).

Az 1871-es londoni konferencia
Két év telt el az Internacionálé legutóbbi kongresszusa óta, ám a fennálló körülmények között nem nyílt lehetőség újabb tanácskozás megrendezésére. A Főtanács ezért úgy határozott, hogy konferenciát hív össze Londonban; erre 1871. szeptember 17. és 23. között került sor. A találkozón jelen volt 22 brit küldött (első ízben Írországnak is volt képviselője), jöttek Belgiumból, Svájcból és Spanyolországból, illetve ott voltak még a francia menekültek. Bár a szervezők minden lehetsé- ges eszközzel igyekeztek az eseményt a lehető legreprezentatívabbá formálni, valójában inkább a Főtanács kibővített ülésének tűnt.

Marx már korábban bejelentette, hogy a konferenciát „kizárólag a szervezeti és a politikai kérdéseknek” (MEM 1962-68, IV, 259) szentelik, az elméleti vitákat félreteszik egy időre. Ezt az első ülésen világosan megmondta:

„A Főtanács konferenciát hívott össze, hogy a különböző országok- ból érkezett küldöttekkel megállapodjon azokról az intézkedésekről, melyeket a sok országban működő Munkásszövetséget fenyegető veszélyekkel szemben kell megtennünk, és lépéseket kell tennünk egy új szervezet létrehozása érdekében, amely a helyzet kívánta szük- ségletekhez jobban igazodik. Másodsorban ki kell dolgoznunk, milyen választ adjunk azoknak a kormányoknak, melyek szakadatlanul azon dolgoznak, hogy minden eszközzel megsemmisítsék a Munkásszövet- séget. Végül pedig le kell zárnunk a svájciakkal folytatott vitát egyszer és mindenkorra.” (MEM 1975, 225).

Marx minden energiáját a következő céloknak rendelte alá: az Internacionálé újjászervezése, az ellenséges erőktől való megvédel- mezése és Bakunyin erősödő befolyásának kézben tartása. Mint a konferencia kiemelkedően legaktívabb résztvevője, Marx 102 alka- lommal szólalt fel, meggátolta, hogy olyan javaslatokat terjesszenek be, amelyek nem estek egybe az ő terveivel, és sikerült meggyőznie azokat, akik még kételkedtek. (Molnár 1963, 127). A londoni tanács- kozás megerősítette a szervezeten belüli pozícióját: egyértelmű lett, hogy Marx egyfelől a politikai irányvonalat kidolgozó szellemi vezető, másfelől pedig a szervezet egyik legharciasabb és legfelkészültebb aktivistája.

A konferencia legfontosabb döntése, ami később is emlékeze- tessé tette a találkozást, Vaillant IX. határozatának elfogadása volt. A blanquisták vezetője – akiknek megmaradt erői csatlakoztak az Internacionáléhoz a Kommün bukása után – azt javasolta, hogy a szer- vezet a Főtanács irányítása alatt álló centralizált, fegyelmezett párttá alakuljon át. Bár akadt némi nézeteltérés – különösen a blanquistáknak azon álláspontja váltott ki ellenkezést, hogy egy szigorúan szervezett, harcias nukleusz is elegendő a forradalom kivívásához –, Marx egy percig sem habozott, hogy Vaillant csoportjával szövetséget kössön:nem pusztán azért, hogy az Internacionálé keretein belül megerősítse a bakunyinista anarchisták elleni csoportosulást, hanem mindenekelőtt azért, hogy szélesebb konszenzust biztosítson azokhoz a változások- hoz, amelyeket az osztályharc új szakaszában szükségesnek tartott. Így a Londonban elfogadott határozat kijelentette:

„[…] tekintettel arra, hogy a vagyonos osztályok ezen egyesített hatalma ellen a munkásosztály mint osztály csak akkor léphet fel, ha politikai párttá szerveződik, amely minden régi, a vagyonos osztályok által alakított párttól különbözik és velük szemben áll; hogy a munkásosztálynak erre a politikai párttá szerveződésre azért van szüksége, hogy biztosítsa a társadalmi forradalom győzelmét és végső célját – az osztályok megszüntetését; hogy a munkásosztály erőinek egyesítése, melyet gazdasági harcaival már megvalósított, ugyanakkor emelőül kell hogy szolgáljon a földtulajdonosok és tőkések politikai hatalma ellen vívott harcában.” (MEM 1968, 17. 388)

A következtetés egyértelmű volt: „[…] a munkásosztály harci állapotában gazdasági mozgalma és politikai tevékenysége elválaszthatatlan egységbe forr össze.” (MEM 1968, 17. 389)
Míg az 1866-os gen kongresszus a szakszervezetek jelentőségét alapozta meg, az 1871-es londoni konferencia a hangsúlyt áthelyezte a modern munkásmozgalom másik kulcsfontosságú instrumentumára: a politikai pártra. Ugyanakkor, hangsúlyozni kell, hogy ennek értelme- zése sokkal tágabb körű volt, mint amivé a huszadik században vált. Marx koncepcióját tehát meg kell különböztetnünk a blanquistákétól is – a két nézet később nyíltan is összeütközésbe került egymással – és Leninétől is, ahogyan azt az októberi forradalom után a kommunista szervezetek alkalmazták.3 Marx úgy látta, a munkásosztály önfelsza- badítása hosszú és veszélyes folyamat – tökéletes ellentéte ez Szergej Nyecsajev (1847–1882) Egy forradalmár katekizmusa című művében felvázolt elméletének és gyakorlatának, aki támogattta a titkos társa- ságok létrejöttét. Ezt a koncepcióját a londoni küldöttek elítélték, de Bakunyin lelkesen támogatta.

A londoni konferencián mindössze négy küldött ellenezte a IX. számú határozatot, ők azzal érveltek, hogy „a tartózkodás” politikáját kellene alkalmazni és nem kellene a politikában részt venni; ám Marx győzel- me hamarosan kérészéltűnek bizonyult. A felhívásnak, mely később minden országban politikai pártok megalapítását eredményezte és nagyobb hatalmat ruházott a Főtanácsra, súlyos utóhatásai lettek az Internacionálé belső életében; a szervezet nem tudott elég gyorsan ru- galmas szervezetből politikailag uniform szervezeti modellbe átváltani (Freymond – Molnár 1966, 27).

Marx meg volt győződve arról, hogy gyakorlatilag minden nagyobb föderáció és helyi szekció támogatni fogja a konferencia határozatait, de hamarosan szembesülnie kellett ennek az ellenkezőjével. Novem- ber 12-én a Jura Föderáció saját kongresszust hívott össze a Sonvilierközségben, és bár Bakunyin nem tudott jelen lenni, hivatalosan is kezdeményezték az ellenzéket az Internacionálén belül.

Noha a Jura Föderáció álláspontja (itt volt Bakunyin működésének központja) nem volt váratlan, Marxot talán meglepte, amikor a nyug- talanság, sőt lázadás jelei mutatkoztak máshol is a Főtanács politikai vonalával szemben. Számos országban a londoni döntéseket a helyi politikai autonómia elfogadhatatlan korlátozásának tekintették.

A Főtanáccsal szembeni ellenzék sokféle formát öltött, és néha fő- képp személyes motivációk mozgatták; furcsa erők tartották egyben, és az Internacionálé irányítását még jobban megnehezítették. Mégis, túl azon, hogy Bakunyin elmélete bizonyos országokban jelentős vonzerőt képviselt, és Guillaume képessége, hogy a különböző ellenzékeket egységesítse, „A munkásosztály politikai akciója” címet viselő határo- zattal szembeni fellépés legfőbb mozgatója, az a környezet volt, amely nem volt hajlandó a Marx által javasolt minőségi előrelépést elfogadni. Mert minden kapcsolódó haszon ellenére is, a londoni fordulatot sokan úgy tekintették, mint súlyos összeütközést; és nemcsak a Bakunyinhoz kapcsolódó csoport, hanem a föderációk és a helyi szekciók többsége is úgy vélte, az autonómia és az Internacionálét alkotó, különböző való- ságok iránti tisztelet elve az Internacionálé egyik sarkpontja. Marxnak ez a téves számítása felgyorsította a szervezet válságát (Freymond- Molnár 1966, 27–28).

Az Internacionálé válsága
A végső összecsapásra 1872-ben, nyár végén került sor. A megelőző három év szörnyű eseményei – a francia–porosz háború, a Párizsi Kommün bukását követő megtorlási hullám, a számtalan belső csatá- rozás – után az Internacionálé végre újra kongresszust tudott tartani. Az Internacionálé ötödik kongresszusára Hágában került sor szeptem- ber 2. és 7. között. A találkozón összesen 14 ország 65 küldötte vett részt. Az Internacionálé történetének kétség kívül legreprezentatívabb találkozója volt ez.

Az esemény döntő fontossága arra késztette Marxot, hogy Engels társaságában személyesen is jelen legyen4. A Hágában született leg- jelentősebb döntésnek megfelelően az 1871-es londoni konferencia IX. határozatát mint a 7a számú új cikkelyt belefoglalták a Munkásszövet- ség alapszabályába. Mostanra a társadalom átalakításának a politikai harc lett a megfelelő eszköze, mivel: „a föld és a tőke urai mindig fel fogják használni politikai kiváltságaikat gazdasági monopóliumaik meg- védésére és megörökítésére. Nemcsak hogy nem segítik elő a munka felszabadítását, hanem továbbra is minden lehetséges módon akadályt fognak gördíteni útjába […] Ezért a politikai hatalom meghódítása a munkásosztály nagy kötelessége” (MEM 1968, 17. 388.)

Az Internacionálé mostanra már gyökeresen különbözött attól a szer- vezettől, amilyen alapításakor volt: a radikális-demokratikus elemek kiváltak belőle, miután fokozatosan marginalizálódtak; a mutualisták vereséget szenvedtek és közülük sokan átálltak; a reformisták már nem alkották a szervezet meghatározó többségét (Nagy-Britannia kivételé- vel); az antikapitalizmus lett az egész Munkásszövetség politikai vezér- fonala, valamint a nemrégiben formálódott irányzatok, így például az anarcho-kollektivisták vezéreszméje is.

Annak ellenére, hogy az Inter- nacionálé működésének évei alatt a világban bizonyos fokú gazdasági prosperitás volt jellemző, ami egyes esetekben a munkafeltételeket megkönnyítette, a munkások megértették, hogy valódi változást nem az effajta tünetenyhítéstől várhatnak, hanem csakis a kizsákmányolás felszámolásától. Egyre inkább saját anyagi szükségleteikre alapozták küzdelmeiket, s sokkal kevésbé azon csoportok kezdeményezéseire, melyekhez adott esetben maguk tartoztak.

A tágabb kép is radikálisan megváltozott. Németország 1871-es egyesítése egy új korszak hajnalát jelentette, amelyben a nemzet- államok alkotják a politikai, jogi és területi identitás döntő formáját; ez viszont megkérdőjelezte bármilyen nemzetek feletti testület létét, ami a tagok be zetéseiből tartotta fenn magát minden egyes országban, és azt követelte tagjaitól, hogy a központi testület javára mondjanak le a helyi politikai irányítás nagy részéről. Ugyanakkor a nemzeti mozgalmak és szervezetek közötti növekvő különbsé- gek elképesztően megnehezítették a Főtanács dolgát, vagyis azt a feladatot, hogy olyan politikai szintézist dolgozzanak ki, amely mindenki igényeit képes kielégíteni. Igaz, hogy az Internacionálé kezdetektől fogva a szakszervezeteknek és politikai egyesületeknek olyan halmaza volt, melyben a részvevőket cseppet sem volt könnyű egymással összhangba hozni, ahogyan az is igaz, hogy ezek az átlagos szervezeteknél mindig is jóval súlyosabb érzékenységeket és politikai irányzatokat képviseltek. 1872-re azonban a Munkásszö- vetség különféle alkotóelemei – és tágabb értelemben a munkásság küzdelmei – sokkal élesebb körvonalakat és struktúrát kaptak. A brit szakszervezetek legalizációja hivatalosan is a nemzeti politikai élet szereplőivé tette őket; az Internacionálé belga föderációja szerte- ágazó szervezet volt olyan központi vezetéssel, amely képes volt jelentős és autonóm elméleti tevékenységre; Németországban két munkáspárt is létezett, mindkettőnek volt parlamenti képviselete; a francia munkások Lyon-tól Párizsig már megpróbálták „az eget ostromolni”; a spanyol föderáció olyan mértékben kiterjeszkedett, hogy gyakorlatilag a tömegszervezetté való átalakulás várt rá. Más országokban is hasonló változások zajlottak le.

Ilyenformán az Internacionálé eredeti szerkezete idejétmúlttá vált, ahogyan eredeti küldetése is végéhez közeledett. A feladat ekkoriban már nem abban állt, hogy Európa-szerte támogatást szervezzen egyessztrájkoknak, hogy kongresszusokat hívjon össze a szakszervezetek hasznossága vagy a föld és a termelési eszközök társadalmasításának szükségessége tárgyában. Ezek a témakörök ekkorra már átmentek a szervezet egészének kollektív örökségébe. A Párizsi Kommün után a munkásmozgalomra váró valódi kihívás forradalmi természetű volt: ho- gyan kell szerveződni ahhoz, hogy fel lehessen számolni a kapitalista termelési módot és meg lehessen dönteni a polgári világ intézményeit. Többé már nem az volt a kérdés, hogyan kell megreformálni a létező társadalmat, hanem az, hogyan kell újat építeni.

A hágai kongresszus időszakában nem egy szavazást éles viták előztek meg, ez történt többek között Bakunyin kizárásakor és a Főtanács Londonból New Yorkba való áthelyezésekor. Ez a döntés Marxnak azt a nézetét tükrözte, hogy helyesebb, ha felszámolják az Internacionálét, mint ha megvárják, hogy ellenfelei kezében szektás szervezetté silányuljon. Úgy vélte, az Internacionálé felszámolása, ami kétségtelenül bekövetkezik majd a Főtanács New Yorkba való áthelyezésével, ezerszer jobb volt, mint a hosszadalmas és hiábavaló testvérgyilkos harcok sorozata.

Mégsem tűnik meggyőzőnek, ha azt állítjuk – amit sokan meg is tették –, hogy az Internacionálé hanyatlásának kulcsfontosságú oka két áramlatának kon iktusa, jobban mondva két fér : Marx és Bakunyin ellentéte volt, akármilyen szellemi nagyságok voltak is. Sokkal inkább azok a változások a felelősek az Internacionálé elavulásáért, amelyek a világban zajlottak. A munkásmozgalom szervezeteinek fejlődése és átalakulása, a nemzetállamok megerősödése az olasz és a német egyesülést követően, az Internacionálé térhódítása olyan országokban, mint Spanyolország és Olaszország (ahol a gazdasági és politikai kö- rülmények gyökeresen eltértek a brit vagy francia viszonyoktól), a brit szakszervezeti mozgalomban tapasztalható igény a még erőteljesebb mértékletesség irányában, a párizsi kommünt követő megtorlások: mindezek a tényezők együttesen okozták, hogy az Internacionálé eredeti szerkezete alkalmatlannak bizonyult az új idők új feladatainak megoldásához.

Ilyen háttéresemények közepette, a centrifugális erők túlsúlyával, az Internacionálé életében bekövetkező fejlemények és a szervezet irányítói természetesen szintén jelentős szerepet játszottak. A londoni konferencia például távolról sem bizonyult annak a mentőakciónak, aminek Marx szándékai szerint lennie kellett volna; valójában a szi- gorú irányítási elv jelentősen növelte belső válságát, mivel nem vette gyelembe a túlsúlyban lévő hangulatot vagy nem volt képes azt az előrelátást tanúsítani, amely Bakunyin és csoportja megerősödésének útját állta volna. (Molnár 1962, 144). Pirruszi győzelemnek bizonyult Marx számára – megpróbálta megoldani a belső kon iktusokat, ám éppen az ellenkezője történt: ezek még hangsúlyosabbakká váltak. Azonban a helyzet továbbra is az maradt, hogy a Londonban megho-zott döntések csak felgyorsították azt a folyamatot, ami már korábban megindult, és képteleség volt visszafordítani.

Mindezen történelmi és szervezeti megfontolásokon túl akadtak még további problémák is, melyeknek aligha volt kisebb súlyuk a főszerep- lőre, Marxra nézve. Ahogyan Marx 1871-ben a londoni konferencia egyik szekciójában emlékeztette a küldötteket: „a Főtanács munkája hatalmasra duzzadt, mivel mostanra már kénytelen volt mind az álta- lános kérdésekkel, mind a nemzeti kérdésekkel foglalkozni.” (Burgelin 1962, II. 217) A szervezet már nem az 1864-es kicsi alakulat volt, mely angol és francia lábakon állt; mostanra már minden európai országban jelen volt, és minden egyes nemezeti szekciójának megvoltak a maguk sajátos problémái és jellemző vonásai. Nem elég, hogy a szervezet gyakorlatilag mindenhol belső bajokkal küzdött, újabb gondokkal járt a lehető legtarkább eszmei málhával felszerelkezett, száműzött kom- münárok Londonba érkezése, és még tovább nehezítette a Főtanács számára a politikai szintézis megteremtének feladatát.

Marx súlyos megpróbáltatásokat élt át az Internacionáléban végzett nyolc évnyi intenzív tevékenysége során. Miután tisztában volt azzal, hogy a munkásság erői a Párizsi Kommün vereségét követően meg- csappantak – és számára ez jelenette az adott időszak legfontosabb tényét –, ezért végül úgy döntött, hátralevő éveit arra fordítja, hogy megpróbálja befejezni A tőke megírását. Amikor átkelt a La Manche- csatornán, hogy Hollandiába menjen, minden bizonnyal érezte, hogy az előtte álló küzdelem az utolsó olyan jelentős tevékenysége lesz, amelyben maga játssza a főszerepet.

Abból a szótlan résztvevőből, akinek 1864-ben a St. Martin Hallban tartott első gyűlésen mutatkozott, mostanra az Internacionálé veze- tőjévé vált, akit nemcsak a kongresszusi küldöttek és a Főtanács, hanem a szélesebb közönség is megismert. Így, bár az Internaci- onálé kétségtelenül óriási köszönettel tartozott Marxnak, nagyban hozzájárult ahhoz is, hogy Marx élete megváltozzék. A szervezet megalapítása előtt csak a politikai aktivisták kis csoportjainak körében ismerték. Később, de mindenekelőtt a Párizsi Kommün bukása után, illetve természetesen azt követően, hogy 1867-ben kiadta fő művét, hírneve sok európai országban ismertté lett a forradalmárok köré- ben, olyannyira, hogy a sajtó egyenesen „a vörös terror doktorá”-nak nevezte. Az Internacionáléban betöltött szerepéből adódó felelősség – ami lehetővé tette számára, hogy közelről megtapasztaljon oly sok gazdasági és politikai küzdelmet – további hajtóerőt jelentett a kom- munizmussal foglalkozó elmélkedéseiben, és alapvetően gazdagította az antikapitalista elmélet egészét.

Marx versus Bakunyin
A két tábor közötti küzdelem a hágai kongresszust követő hónapokban lángolt fel, de csak néhány alkalommal foglalkozott a felek valódi elmé- leti és ideológiai ellentéteivel. Marx gyakorta gurázta ki Bakunyin ál- láspontját, és „az osztályegyenlőség” szószólójaként festette le (amivel a Szocialista Demokrácia Egyesülés 1869-es programjának alapelveire utalt), vagy egész egyszerűen a politikai tartózkodás hívének nevezte. Ami az orosz anarchistát illeti, aki ellenfelével szemben kevéssé volt elméletileg felkészült, ő előnyben részesítette a személyes vádaskodás és a sértegetés eszközeit.

Így, noha Bakunyin – Proudonhoz hasonlóan – hajhatatlan ellenzéke volt mindenfajta politikai tekintélynek, s különösen annak közvetlen formáját, az államot utasította el, mégis tévedés lenne őt ugyanolyan feketére festeni, mint a mutualistákat. Míg az utóbbiak ténylegesen tartózkodtak mindenféle politikai tevékenységtől, súlyosan ránehe- zedve az Internacionáléra a kezdeti években, az autonomisták – aho- gyan Guillaume hangsúlyozta egyik utolsó felszólalásában a hágai kongresszuson – „a társadalmi forradalom politikájáért harcoltak, a burzsoá politika és az állam felszámolását követelték” (Musto 2014, 76. dokumentum). El kell ismerni, hogy az Internacionálé forradalmi szárnyához tartoztak, és hogy értékes kritikai szempontokkal járultak hozzá a munkához a politikai hatalom, az állam és a bürokrácia kérdéseiben.

Akkor hát miben is különbözött a „negatív politika”, amit az autonomisták az egyetlen lehetséges akcióformának tekintettek, a centra- listák által képviselt „pozitív politikától”? Az olasz föderáció javaslatára 1872. szeptember 15–16. között Saint-Imier-ben megrendezett nem- zetközi kongresszus, melyen a Hágából visszatért más delegációk képviselői is részt vettek, határozataiban megállapítja, hogy „egyetlen politikai szervezet sem lehet más, csak és kizárólag az uralom szerve- zete, amely az egyik osztályt előnyben részesíti a tömegek rovására, és ha a proletariátus megkísérelné megragadni a hatalmat, akkor maga válna domináns és kizsákmányoló osztállyá.” Következésképpen, „a proletariátus első feladata minden politikai hatalom lerombolása”, és „az ún. ideiglenes és forradalmi politikai hatalom bármilyen szervezete, amely ilyen rombolást hoz létre, csak további megtévesztésül szolgálna, és éppen olyan veszélyes volna a proletariátusra nézve, mint a ma létező összes kormány” (Musto 2014,78. dokumentum).

Annak ellenére, hogy a két oldal egyetértett abban, hogy fel kell számolni az osztályokat és az állam politikai hatalmát a szocialista társadalomban, nézeteik gyökeresen eltértek egymástól azokban az alapvető kérdésekben, hogy milyen utat kell követni, és a kívánt válto- zás eléréséhez milyen társadalmi erőkre van szükség. Míg Marx szá- mára a forradalom alanya par excellence egy meghatározott osztály, agyáripari munkásság volt, Bakunyin a „nagy gyülevész néphez”, az ún. „lumpenproletariátushoz” fordult, amely, mivel „szinte érintetlen maradt a burzsoá civilizációtól, belső lényegében és inspirációiban, kollektív életének minden szükségletében és nyomorúságában hordozza a jövő szocializmusának magvait.” (Bakunyin 2014, 294) A kommunista Marx megtanulta, hogy a társadalmi átalakulás speci kus történelmi feltételeket, hatékony szervezetet és a tömegek körében hosszú ideig, lassan fejlődő osztálytudatot igényel; az anarchista Bakunyin viszont meg volt győződve arról, hogy az emberek, az ún. „gyülevész nép” egyaránt „legyőzhetetlen és igazságos”, és önmagában is elegendő erőt képvisel ahhoz, hogy „a társadalmi forradalmat bevezesse és győzelemre vigye.” (Bakunyin 2014, 294–295)

Egy másik nézeteltérést a szocializmus megvalósításához szüksé- ges eszközök mibenléte okozott. Bakunyin harcias tevékenységének jó része abban állt, hogy kis, főképpen értelmiségiekből álló „titkos társaságokat” épített ki (vagy ezek kiépítéséről fantáziált): egyfajta „forradalmi vezérkart, amely elkötelezett, energikus, intelligens egyé- nekből áll, akik mindenekelőtt a nép barátai” (Bakunyin 1973, 155), akik előkészítik a felkelést és véghez viszik a forradalmat. Marx viszont a munkásosztály önfelszabadításában hitt, és meg volt győződve arról, hogy a titkos társaságok léte „ellenkezik a proletármozgalom fejlődésé- vel, mert ezek a társaságok a munkások oktatása helyett autoritatív és misztikus törvényeknek vetik alá őket, melyek fékezik függetlenségüket és hamis irányba terelik gondolkodásukat.” (MEM 1968. 17. 610) Az orosz emigráció a munkásosztály minden olyan politikai akcióját elle- nezte, ami nem segítette elő közvetlenül a forradalom kirobbanását, míg az állam nélküli ember, akinek Londonban volt állandó lakhelye, nem tartotta rangján alulinak, hogy társadalmi reformok és részleges célok érdekében mozgósítson, és közben teljességgel meg volt győ- ződve arról, hogy ezeknek erősíteniük kell a munkásosztály harcait, melyek célja a kapitalista termelési mód legyőzése, nem pedig a rendszerbe integrálódás.

Az új Internacionálé
A későbbi években Marx nyerte meg a politikai csatát az anarchistákkal szemben, a munkásosztály szocialista programot fogadott el, egész Európában megvetette lábát, és a nemzetek feletti együttműködés új struktúráit építette ki. Az elnevezés folytonosságától eltekintve (a II. Internacionálé 1889–1916; a III. Internacionálé 1919–1943) mindezek a struktúrák minden lépésükben az I. Internacionálé értékeire és tan- tételeire hivatkoztak. Így aztán az Internacionálé forradalmi üzenete elképesztően termékenynek bizonyult, és olyan gyümölcsöket érlelt, amelyek jócskán túltettek a létezése idején elért eredményein.

Az Internacionálé lehetővé tette, hogy a munkások megértsék, a munka felszabadítása nem vihető végbe egyetlen országban, hanem csak globális méretekben. Továbbá tudatosította köreikben, hogy a célt nekik maguknak kell elérniük saját szervezeti képességeik révén, nem pedig úgy, hogy céljaikat valami más erőre testálják át; azt is tu- datosította bennük, hogy – és ebben Marx elméleti munkája bizonyult alapvetőnek – a kapitalista termelési mód és a bérmunka felszámolása a legfontosabb lépés, mivel egy létező rendszeren belüli javulás, amit szükséges ugyan követelni, de nem tudja megszüntetni a munkaadói oligarchiáktól való függést.

Óriási szakadék választja el azon időszak reményeit a mi korunkra oly jellemző bizalmatlanságtól, az Internacionálé korának rendszer- ellenes szellemiségét és szolidaritását a neoliberális versengés és a privatizáció alakította világ ideológiai alárendeltségétől és individualiz- musától. A Londonban 1864-ben gyülekező munkásságnak a politika iránt tanúsított szenvedélye éles ellentétben áll korunk apátiájával és rezignáltságával.

És mégis, míg mára a munka világa visszatért a tizenkilencedik században tapasztalt kizsákmányolás feltételei közé, az Internacio- nálé projektuma újra kiemelkedően aktuálissá vált. A „világrendszer” mostani barbársága, a jelenlegi termelési mód okozta katasztrofális környezeti állapotok, az egyre mélyülő szakadék a kizsákmányoló kevesek gazdagsága és az óriási többség nyomora között, a nők elnyomása, a háborúk, a rasszizmus és a sovinizmus viharai a mai munkásmozgalomnak sürgető feladatává teszik, hogy újjászervezze magát az Internacionálé két kulcsfontosságú jellemzőjének megfelelő- en: egyfelől struktúráinak sokfélesége, másfelől céljainak radikalizmusa alapján. A Londonban 150 évvel ezelőtt alapított szervezet céljai ma még elevenebbek, mint valaha. Hogy felnőjön korunk kihívásaihoz, az új Internacionálé nem kerülheti meg kettős előfeltételét: plurálisnak és antikapitalistának kell lennie.

Fordította: Baráth Katalin

References
1. Lásd Rubel, Maximilien 1974: Marx, critique du marxisme, Paris, Payot, 41: „csak a mitológia – netán a misztifikálás – iránti igény sarkallhatta őket arra, hogy ebben a [politikai programban] a »marxizmus« következményét lássák, azaz a teljesen virágba szökkent doktrínát, amelyet kívülről egy mindenható tudat erőszakol rá az amorf és tehetetlen embertömegre a társadalmi gyógyír keresése során.”
2. Az Internacionálé történetének összefoglaló áttekintéséhez lásd Marcello Musto (ed.) 2014: Introduction in Workers Unite! The International 150 Years After. New York/London, Bloomsbury, 1–68.
3. Az 1870-es évek elején a munkásosztály mozgalmát csak Németországban szervezték politikai pártba. A „pártnak” mint fogalomnak a használata – akár Marx, akár Bakunyin követőire gondolunk – nagyon zavaros volt. Maga Marx is meglehetős homályban hagyta a szó jelentését. Rubel szerint Marx számára (Musto 2014, 183) „a párt koncepciója […] az osztály koncepciójával esik egybe.” Végül, fontos hangsúlyozni, hogy az Internacionáléban 1871 és 1872 között végbement konfliktus nem a politikai párt megteremtésének kérdésében folyt (a kifejezést magát a londoni konferencián mindössze kétszer használták és ötször a hágai kongresszuson), hanem inkább „a ’politikai’ jelző használatán” (Haupt 1978, 84).
4. Ld. Marxnak Ludwig Kugelmannhoz írt levelét (MEM 1975. 33. kötet, 486), ahol Marx megjegyezte, hogy ez a kongresszus „élet-halál kérdése lesz az Internacionálé számára; és mielőtt lemondok, legalább meg akarom védeni a bomlasztó elemektől.”